Ensino híbrido: disrupção como alternativa

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ARTIGO ORIGINAL

MARTINS, Geisse [1]

MARTINS, Geisse. Ensino híbrido: disrupção como alternativa. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 07, Vol. 09, pp. 130-143. Julho de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/disrupcao-como-alternativa

RESUMO

Desde a Grécia antiga, o arquétipo de educação holística atravessa o tempo, passando pela Idade Média, pela Idade Moderna e, agora, na contemporaneidade, funda-se como uma alternativa possível, em que há a mescla fecunda dos princípios de uma educação integral e o uso de novas tecnologias. Nesse contexto, o ensino híbrido, também conhecido como blended learning, incorpora-se às outras metodologias, incluindo aquelas que se balizam por formas mais tradicionais. Diante do apresentado, surgiu o seguinte questionamento: como o ensino híbrido pode colaborar com o processo de ensino e aprendizagem garantindo, efetivamente, a construção do conhecimento? Desse modo, este trabalho, por meio de uma revisão de literatura, tem por objetivo discutir o ensino híbrido. Os resultados do presente estudo demonstram que, com um enfoque transdisciplinar, para além da básica retenção de conteúdo, essa metodologia engloba e mistura o uso e a aplicação da tecnologia, com uma participação mais efetiva dos alunos e de suas respectivas famílias. Ou seja, diferentemente do ensino tradicional, em que o centro do processo de ensino e da aprendizagem é o professor, nessa metodologia ativa, há uma inversão nesse contexto, além da utilização de planejamentos mais arrojados, com sistemas avaliativos que buscam incorporar habilidades e competências que se alinhem com o que há na vida de forma geral e também para solução de problemas da vida real. Concluiu-se, então, que nesse método de ensino o uso e a aplicação das tecnologias digitais da informação e da comunicação vigoram como parte integrante dos processos de modo que alunos e professores aprendem e ensinam, criando uma rede de colaboração que conduz à curiosidade, à pesquisa e à colaboração do conhecimento que é produzido com a curadoria dos professores.

Palavras-chaves: educação, tecnologia, ensino híbrido, blended learning.

1. INTRODUÇÃO

Um arquétipo da educação que ainda perdura é o conceito fundante de Paideia. Com origem na Grécia, a teoria tinha como pilar o homem ciente de uma educação voltada à aplicação do conhecimento em sua vivência na sociedade. Nesse período, a educação já contemplava em sua gênese uma mescla de atividades que orientava para uma visão integral de ser humano.

Fato é que muita coisa mudou desde a realidade presente na educação grega, passando pela Idade Média e pela Idade Moderna. Ou seja, da Grécia para a contemporaneidade, esse ideal filosófico (ideal centrado na busca pelo pensar como foi proposto por exemplo por Sócrates e Platão) ainda permanece no ideário e na busca filosófica de que as pessoas com educação possam constituir-se como seres humanos e, na mesma medida e proporção, também as sociedades sejam livres, democráticas e, de forma mais holística, integrem todos e todas em prol de um bem comum.

Mais recentemente, na última década, houve transformações sociais, econômicas, tecnológicas, que podem ser observadas de forma mais aguda nos ambientes de ensino. Sobre isso, Bauman (2013, p. 15) é enfático:

Essa notável transformação ocorreu muito pouco tempo atrás, nas últimas décadas, em consequência do ritmo radicalmente acelerado da mudança no cenário social dos dois principais conjuntos de atores da educação: professores e alunos.

Na mesma medida em que essas mudanças em ritmo acelerado ocorrem no mundo e nos ambientes de ensino, as metodologias ativas se apresentam para os novos modelos do ensino direcionados para o ensino sociodigital (assíncrono ou síncrono), expondo uma real necessidade de planejamento adequado para melhor gerir o que é entendido como ensino híbrido.

A melhor forma de se adaptar a essas mudanças que incorporam as tecnologias digitais da informação e da comunicação (TDICs), é mediante um planejamento pedagógico que conceba e que permita, dentro das possibilidades dos recursos disponíveis em cada realidade, abarcar um conjunto de ferramentas e atividades que contemplam o cerne das especificidades do ensino híbrido. Cabe ressaltar que os papéis dos agentes envolvidos no ensino híbrido são modificados e novos elementos são trazidos para a dinâmica do ensino e da aprendizagem.

2. EVOLUÇÃO DO ENSINO HÍBRIDO

Desde Grécia até os dias atuais, a educação e os princípios filosóficos são na realidade uma mistura. Tudo em educação é uma mescla; de fato, tudo é híbrido. Da filosofia grega até os dias atuais, em que há complexidade em quase tudo, esse “quase tudo” se mistura ao mesmo tempo que evolui em velocidade alucinante. Conforme mostra a Figura 1.

Figura 1- Grécia – Paideia

Fonte: <https://cdn.pixabay.com/photo/2016/04/23/23/16/acropolis-1348511 _960_720.jpg>. Acesso em: 01/07/2021A

Figura 1 acima ilustra como até hoje está arraigada nas culturas ocidentais essa imagem icônica dos palácios do saber e da centralidade do professor como dínamo do conhecimento. Ainda sobre a Grécia, Aranha (2008, p. 50) aponta que:

A educação grega estava, portanto, centrada na formação integral — corpo e espírito —, embora, de fato, a ênfase se deslocasse ora mais para o preparo militar ou esportivo, ora para o debate intelectual, conforme a época ou o lugar.

Nesse contexto atual de mudanças e misturas que se interpolam na educação tradicional, o ensino híbrido (blended learning) impele modelos pedagógicos disruptivos e inovadores. E a educação nos modelos prussianos de ensino, que ainda está presente nos ambientes educacionais, vem cedendo lugar a modelos ou estruturas de ensino que privilegiam uma educação holística.

Com efeito, o ensino híbrido tem uma maior aderência em instituições que buscam inovar em suas práticas pedagógicas e ampliam seus horizontes para instituir uma educação alicerçada em potencializar as habilidades e as competências, não somente de seus alunos e suas alunas, mas também dos profissionais de educação que integram suas fileiras.

É importante ressaltar que o temo “educação” aqui aplicado precisa ser compreendido como um projeto de vida cujo cerne é a preparação plena das pessoas para atuarem como protagonistas em suas trajetórias de vida. Cabe destacar como esse protagonismo lhes permite serem também pessoas plenas no contexto da vida em sociedade, sendo capazes de responder ativamente inclusive no enfrentamento de problemas e desafios que se apresentam. Conforme Bacich e Moran (2018, p. 16):

É preciso reinventar a educação, analisar as contribuições, os riscos e as mudanças advindas da interação com a cultura digital, da integração das TDIC, dos recursos, das interfaces e das linguagens midiáticas à prática pedagógica, explorar o potencial de integração entre espaços profissionais, culturais e educativos para a criação de contextos autênticos de aprendizagem midiatizados pelas tecnologias.

Decerto, a vida contemporânea cercada por sua complexidade — humana, filosófica, social, econômica, psicológica — no clímax da pandemia causada pelo SARS-CoV-2, viu alterados consideravelmente todos os setores da sociedade e da economia, afetando de forma ainda mais aguda o setor da educação. Assim, todos os atores (comunidade, pais e responsáveis, alunos, profissionais da educação, gestores e entidades públicas ou privadas) foram deslocados de suas respectivas zonas de conforto e impelidos a repensar tudo que está relacionado com a educação; sobretudo ao que se refere às práticas pedagógicas e também ao uso e à aplicação de novas tecnologias nos ambientes de aprendizagem.

Planejamentos educacionais, que no passado recente direcionavam as ações e as práticas, ruíram como castelos de cartas, dando lugar a novos elementos que perpassavam fora dos limites escolares e que são agora trazidos à baila para o contexto da educação digital (síncrona ou assíncrona). O ensino híbrido, embora não seja um conceito recente, figura como uma alternativa possível, interessante, aderente e imediata para aplacar as demandas sociais e educacionais das pessoas no apogeu da pandemia. O ensino híbrido tem em sua composição alguns elementos:

  • uso de novas tecnologias digitais da informação e comunicação (TDICs);
  • papéis que oscilam (alunos e professores);
  • modelos pedagógicos diametralmente opostos aos tradicionais;
  • sinergia entre aprendizes e ensinantes;
  • ambientes virtuais de aprendizagem e colaboração;
  • ensino multidisciplinar (junção de mais de um professor ou disciplina);
  • projetos voltados para problemas e desafios reais e mais próximos da comunidade escolar;
  • uso da tecnologia como meio, e não como fim;
  • transversalidade dos conteúdos;

De acordo com Bacich et al. (2015), alguns modelos fazem parte dessa modalidade de ensino. O diagrama da Figura 2 mostra alguns modelos no ensino híbrido.

Figura 2 – Diagrama modelos – ensino híbrido

Fonte: Elaborada pelo autor (2021)

Esses modelos explicitados na Figura 2 objetivam proporcionar novas abordagens para execução de atividades ou mesmo tarefas. Esses novos exercícios/atividades que transcendem os espaços físicos na mesma medida que abrem novos espaços para o uso e aplicação de novas propostas didáticas mesclam teoria com experimentações apoiadas no uso de novas tecnologias que não raro, vislumbram a possibilidade de colaboração coletiva (de alunos e similarmente entre os professores) nos processos do ensino e de uma aprendizagem significativa

2.1 O PAPEL DO PROFESSOR NO ENSINO HÍBRIDO

No ensino híbrido, o papel do professor difere, e muito, dos modelos tradicionais, cuja centralidade de atuação é sedimentada na figura do docente que é o difusor do conhecimento. Na metodologia híbrida, essa centralidade esmaece e o professor tem uma atuação mediada e com total sinergia, como um orientador ou mesmo como um curador dos processos do ensino e da aprendizagem.

Nessa direção e sentido Castro et. al (2015 p.48) afirmam que:

O acesso às tecnologias é outro fator preponderante para o a implantação do ensino híbrido. Os alunos e professores precisam familiarizar-se com as tecnologias existentes e desenvolver a capacidade de manipular, interagir e produzir conteúdo dentro do ambiente virtual para que as atividades interativas on-line tenham sucesso. Temos consciência de que, embora, muitos alunos tenham familiaridade com as novas tecnologias, é preciso que eles sintam a necessidade de utilizá-las voltada para o ambiente educacional. Os professores, por sua vez, precisam estar atentos ao uso das novas tecnologias, se apropriarem destas ferramentas buscando novas formas de lidar com os conteúdos de suas disciplinas a fim de que estejam mais próximos da realidade de uma geração que já nasceu utilizando as novas tecnologias e de outra bastante resistente ao uso delas.

Com efeito, essa mediação promove mais eficiência e eficácia nas abordagens, nos projetos e na jornada pelo conhecimento, que agora não está mais centralizado na figura docente e, sim, pautada em planejamento multidisciplinar e transversal. Como um curador, o professor articula ações buscando a integralidade de todos os agentes envolvidos e promove um acolhimento individual com orientações pontuais, específicas, mas, por vezes, também genéricas. Ainda nesse sentido, uma curadoria educacional inovadora tem como premissa inspirar e orientar. Mas, sendo o conhecimento uma jornada que pode ser árida e que requer perseverança e acompanhamento, a mediação efetiva desse novo papel dos professores exige uma nova postura e um novo horizonte também de pesquisa e conhecimento do uso e da aplicabilidade das novas tecnologias nos processos do ensino e da aprendizagem.

2.2 O PAPEL DOS APRENDIZES

A utilização de novas tecnologias por parte de alunos e alunas, de modo geral, é intensa, mas, nos ambientes de aprendizagem, ainda é um tanto tímida e isso pode ser entendido como um choque entre gerações. Se, por um lado, a tecnologia invade a vida das pessoas em suas mais diversas dimensões (entretenimento, comércio, comunicação etc.), no que tange à educação, a capilaridade e o raio de atuação são ainda mais multifacetados, complexos e parecem existir em um descompasso claudicante. Não é estranho encontrar alunos e alunas hábeis no uso de novas tecnologias e professores não funcionais no uso e na aplicação de tecnologias da informação e da comunicação. De acordo com Bacich e Moran (2018, p. 23):

Os estudantes do século XXI, inseridos em uma sociedade do conhecimento, demandam um olhar do educador focado na compreensão dos processos de aprendizagem e na promoção desses processos por meio de uma nova concepção de como eles ocorrem, independentemente de quem é o sujeito e das suas condições circundantes. No mundo atual, marcado pela aceleração e pela transitoriedade das informações, o centro das atenções passa a ser o sujeito que aprende, a despeito da diversidade e da multiplicidade dos elementos envolvidos nesse processo.

Por conseguinte, nas práticas e ações do ensino híbrido, há uma troca sinérgica entre os players, de tal sorte que professores também aprendem com seus alunos, havendo entre os alunos, da mesma forma, uma intensa troca de informações e construção de conhecimento acerca não somente do uso, mas também na aplicabilidade de novas tecnologias na dinâmica de ensinar e aprender.

Nessa linha de raciocínio, Schell (2015) afirma que as salas de aula invertida de alguma forma podem se valer da disponibilização não somente dos vídeos (multimídia) mas também ir para além de apenas realizar o trabalho em casa, pode-se avançar dentro do conceito de Just-in-time Teaching, que é um ensino sob medida, bem como da instrução pelos colegas denominada Peer instruction.

2.3 SISTEMAS AVALIATIVOS

No ensino híbrido, um ponto dissonante das práticas tradicionais são os sistemas avaliativos. No ensino tradicional, não raro, a avalição tem por objetivo avaliar o que o aluno aprendeu dentro de um lapso temporal e de acordo com o que foi disponibilizado de conteúdo. Já no blended learning, os sistemas avaliativos têm determinações distintas e com objetivos mais determinísticos.

Para iniciar os trabalhos, é aconselhável utilizar uma avaliação diagnóstica junto aos aprendizes para subsidiar os professores com um conhecimento mais real acerca dos saberes prévios que esses aprendizes trazem em relação aos conteúdos que serão propostos. Como bem determina Bacich et al. (2015, p. 89):

Toda atividade, seja de ensino híbrido ou não, deve começar com uma avaliação diagnóstica dos alunos. Como ensinar um conteúdo se o professor não conhece seus alunos, suas dificuldades de aprendizado e suas potencialidades? Nesse sentido, torna-se necessário avaliar os estudantes antes de cada etapa nova do trabalho no processo de ensino e aprendizagem. Essa avaliação, seja por meio de uma prova, de um trabalho em grupo ou da observação e anotação do professor, dará subsídio para que a atividade que será proposta aos alunos seja mais efetiva e tenha maior assertividade.

Não obstante, a avalição no contexto do ensino híbrido procura compreender dimensões que vão além dos mecanismos tradicionais de medição dos conteúdos aplicados, com uma proposta mais holística que visa a avaliar e a analisar pontos que extrapolam apenas a retenção de conteúdo, não raro engessados em contextos desconexos da realidade. Cabe, agora, ao ensino híbrido, propor uma avaliação que procure evidenciar habilidades e competências e que coadune com o que se espera de uma pessoa na sua vida futura, isto é, que ela consiga aplicar o conhecimento obtido nos ambientes de aprendizagem de forma mais plena e com autonomia. Na Figura 3 tem-se a análise de habilidades e competências dos alunos no ensino híbrido.

Figura 3 – Análise de habilidades e competências dos alunos no ensino híbrido.

Fonte: Elaborado pelo autor (2021)

A Figura 4 discorre sobre o comportamento dos alunos no ensino híbrido.

Figura 4 – Análise comportamental dos alunos no ensino híbrido.

Fonte: Elaborado pelo autor (2021)

As Figuras 3 e 4 que são gráficos em radar, e ilustram bem as habilidades e competências que, geralmente, são esperadas na sociedade do conhecimento que tem demandas ou problemas que exigem muito mais do que os currículos escolares tradicionais tendem a oferecer. Não será com velhas metodologias que pressupõe serão capazes de resolver novos problemas de presente e de futuro.

2.4 PLANEJAMENTO

Frente aos desafios propostos do ensino híbrido, o planejamento é fator determinante para a eficiência e a eficácia dos processos. Além de construir, os espaços e as dinâmicas mesclam itens da educação tradicional e de uma educação digital e, assim, os seguintes pontos precisam figurar em um planejamento pedagógico que visa a alcançar eficiência e eficácia nos processos do ensino e da aprendizagem. Nesse sentido, pode-se destacar:

  • descrição do plano de aula;
  • definição clara dos objetivos (geral e específicos) que a disciplina visa alcançar;
  • determinação das temáticas que figurarão no cerne da trajetória rumo ao conhecimento;
  • exposição das metodologias que serão utilizadas;
  • definição dos recursos disponíveis para os alunos (laboratórios, bibliotecas, livros, computadores, robótica, realidade aumentada, acesso à internet, entre outros);
  • proposição de um cronograma com flexibilidade de adaptação;
  • definição das metodologias e dos sistemas avaliativos (priorizar o uso de sistemas avaliativos eletrônicos);
  • definição dos índices e itens que serão utilizados para dimensionar, medir e analisar as competências que vão para além da retenção de conteúdo;
  • determinação de fontes de pesquisas e referências bibliográficas que figurarão no contexto da aprendizagem;

Nesse contexto, Bacich e Moran (2018, p. 22) afirmam que:

A variedade de estratégias metodológicas a serem utilizadas no planejamento das aulas é um recurso importante, por estimular a reflexão sobre outras questões essenciais, como a relevância da utilização das metodologias ativas para favorecer o engajamento dos alunos e as possibilidades de integração dessas propostas ao currículo.

O planejamento também precisa considerar uma integração entre família e escola. É de suma importância que as famílias dos aprendizes sejam envolvidas nesse processo, tanto para apoiar como para motivar esses aprendizes, a fim de que não se sintam à deriva.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Do modelo de educação integral da Paidéia, oriunda da Grécia e que influenciou principalmente a educação ocidental, chegando aos dias atuais, é preciso destacar que na estrutura da educação a mescla (de teorias, abordagens e até mesmo de experimentações) sempre existiu e sempre existirá, com destaque, neste ponto, para a Maiêutica de Sócrates e o Mito da Caverna de Platão que, lá na Grécia Antiga, convidava a pensar e a refletir sobre tudo que estivesse à volta das pessoas.

Destarte, a educação representa-se na indubitável capacidade do ser humano de misturar, de mesclar, de reinventar. Da mesma forma, as sociedades compostas por pessoas existem em virtude dessa imensurável capacidade de associar novos elementos e de incorporar ao que é tradicional o novo ou que se projeta para o futuro.

De tal sorte, o advento da pandemia ao mesmo tempo forçou o distanciamento social entre as pessoas, com impacto considerável nos espaços de aprendizagem, mas também acelerou processos que estavam em estágios gestacionais ou hibernando e que agora foram trazidos para a realidade educacional, em que o tradicional e o analógico mesclam-se ao digital e ao on-line.

Nesse contexto, o ensino híbrido se apresenta com seus métodos associados e entrelaçados com o potencial que as metodologias ativas consubstanciam. Essas metodologias impulsionam os alunos a novas experiências de aprendizagem, na medida em que traz novas práticas pedagógicas inovadoras e promovem uma forma de aprender e ensinar disruptiva e, de acordo com o entendimento de Bacich e Moran (2018), está sedimentado no conceito de que as pessoas são diferentes e logo não aprendem da mesma maneira.

Aliando estruturas constantes nos modelos denominados clássicos ou tradicionais ao uso e à incorporação de novas tecnologias, a gama quase infinita de possibilidades que estas oferecem permite direcionar os processos do ensino e da aprendizagem. Nesse sentido e direção intercambiando a experiência de uma aprendizagem significativa e voltada para fomentar o desenvolvimento da autonomia dos aprendizes, têm-se novas possibilidades de consolidação de habilidades e competências que transcendam a pura e simples retenção de conteúdo.

O ensino híbrido tem por objetivo permitir aos atores envolvidos — por meio dos contratos didáticos arrimados no compromisso, na ética e na efetiva participação, com o uso e aplicação da tecnologia, dispondo disciplinas e conteúdo que visam à solução de problemas reais. Com efeito, há novas possibilidade em conduzir todos os players (comunidade, alunos, pais e responsáveis e também os professores) para arquitetar habilidades e competências que se integram a todos. Desse modo, por conseguinte, estarão todos plenamente preparados para o enfrentamento dos desafios reais que lhes surgirão hodiernamente ao longo do protagonismo de suas respectivas vidas em sociedade no futuro que lhes aguardam.

REFERÊNCIAS

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da educação e da pedagogia: geral e Brasil. 3. ed. rev. e ampl. São Paulo: Moderna, 2008.

BACICH, Lilian et al. Ensino híbrido: personalização e tecnologia na educação. Porto Alegre: Penso, 2015

BACICH, Lilian; MORAN, José (Orgs.). Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico-prática. Porto Alegre: Penso, 2018.

BAUMAN, Zygmunt. Sobre educação e juventude: conversas com Riccardo Mazzeo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2013.

CASTRO, Éder Alonso et al. Ensino híbrido: desafio da contemporaneidade? Periódico Científico Projeção e Docência, v. 6, n. 2, p. 47-58, 2015.

SCHELL, Julie. Sete Mitos sobre sala de aula invertida. Disponível em: <https://peerinstruction.wordpress.com/sete-mitos-sobre-a-metodologia-sala-de-aula-invertida-flipped-classroom-uma-serie-interativa-de-perguntas/>. Acesso em: 01/07/2021

[1] Doutorando em Educação pela Eikon, Mestre em Tecnologias Emergentes em Educação, mestrando em Administração pela Must University e University, MBA em Gestão Estratégica e especialização em: Neurociência e Aprendizagem, Psicopedagogia, Coordenação/Supervisão Escolar, Inspeção Escolar com ênfase em Educação Especial Inclusiva e Pedagogia Empresarial, graduado em Pedagogia e Telecomunicações.

Enviado: Maio, 2021.

Aprovado: Julho, 2021.

Doutorando em Educação pela Eikon, Mestre em Tecnologias Emergentes em Educação, mestrando em Administração pela Must University, MBA em Gestão Estratégica e especialização em: Neurociência e Aprendizagem, Psicopedagogia, Coordenação/Supervisão Escolar, Inspeção Escolar com ênfase em Educação Especial Inclusiva e Pedagogia Empresarial, graduado em Pedagogia e Telecomunicações.

1 COMENTÁRIO

  1. Muito bom o artigo.
    Que bom pensar que educadores como Geisse tem essa visão. É inevitável entender as TDICs como aliadas nessa nova forma de educação híbrida.
    Parabéns!

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