O Impacto da Cultura de Futebol nas Aulas de Educação Física

0
1535
DOI: ESTE ARTIGO AINDA NÃO POSSUI DOI SOLICITAR AGORA!
O Impacto da Cultura de Futebol nas Aulas de Educação Física
4.9 (98.67%) 15 vote[s]
ARTIGO EM PDF

FERNANDES, Lucas Santos

FERNANDES, Lucas Santos. O Impacto da Cultura de Futebol nas Aulas de Educação Física. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 06, Vol. 07, pp. 91-96, Junho de 2018. ISSN:2448-0959

Resumo

O objetivo deste estudo é avaliar o impacto da cultura de futebol nas aulas de educação física, das escolas públicas de ensino médio da cidade de Manaus, principalmente nas práticas; avaliar os pontos negativos e positivos.

Baseando-se em obras que já investigaram e relataram aspectos do mesmo segmento, o presente artigo apontará a realidade do referido tema no cotidiano escolar, na perspectiva dos escolares.

Palavras-chave: Futebol, Educação Física, Cultura.

Introdução

O futebol é um esporte cujas origens possuem várias vertentes e teorias, a verdade é que muitas atividades recreativas que aconteceram durante a história da civilização humana tiveram a bola ou recursos semelhantes para o jogo acontecer. Não necessita de muitos recursos, seja formal ou informal sua prática é contagiante. E sua prática nas escolas brasileiras, nos dias atuais, é rotineira.

Bastam quatro tijolos, quatro camisetas; quatro sapatos ou qualquer objeto que forme o gol. A bola pode ser moderna, passando pela bola de meia, chegando às bolas de papel e chapinhas de garrafa. Ele, o garoto, quer é movimento. Liberar as energias é uma necessidade e o gol uma tentação irresistível. (ARAÚJO; 1976. p. 24)

Tão importante para o incentivo da prática de atividade física para os brasileiros a cultura do futebol também tem seus déficits, uma vez que dificulta a popularização de outros esportes, e principalmente no ambiente escolar distrai e retira o valor de outras atividades e desportos que podem e devem ser trabalhados com os alunos, principalmente nas aulas práticas desta disciplina, componente curricular das escolas brasileiras.

Assim, entendemos que a Educação Física, juntamente com os demais componentes curriculares, deva propiciar ao aluno o exercício da cidadania, formando o aluno crítico, capaz de conquistar a autonomia, por meio do conhecimento, reflexão e transformação da cultura corporal de movimento. (DARIDO; SOUZA JÚNIOR, 2010, p.921).

Esses fatos nos remetem a uma reflexão onde o futebol pode representar uma barreira, no que se diz respeito à proposta pedagógica inicial do que é educação física escolar e como ela deve ser trabalhada; conteúdos e metodologias, teorias e práticas. “A integração que possibilitará o usufruto da cultura corporal de movimento há de ser plena é afetiva, social, cognitiva e motora. Vale dizer, é a integração de sua personalidade” (Betti, 1992, 1994a).

O objetivo é investigar o impacto da cultura do futebol nas aulas de educação física, principalmente nas práticas, como esse esporte é trabalhado pelo professor, como os alunos avaliam as propostas de aulas e o quanto as aulas trabalhadas abordam esse esporte; chegando a uma conclusão sobre efeito dessa cultura e como resolver se esta for negativa.

Os resultados virão de questionários aplicados a 150 escolares, com idades entre 14 e 18 anos, de ambos os gêneros, ingressos em escolas públicas de ensino médio da cidade de Manaus. Questionário adaptado para a faixa etária.

Método

Sujeito

Participaram da pesquisa 150 escolares de uma mesma instituição de ensino, de nível do Ensino médio do governo estadual do Amazonas, que possui turmas do 1° ao 3° ano, com idades entre 14 e 18 anos, de ambos os sexos.

Critérios de inclusão

  • Idades entre 14 e 18 anos
  • Escolares masculinos e femininos
  • Escolares de instituições públicas entre o 1° e o 3° ano do ensino médio

Critérios de exclusão

  • Escolares que não tenham aula de educação física
  • Escolares ausentes
  • Que deixar incompleto o questionário

Procedimentos de coletas

Foi solicitada antecipadamente a permissão dos pais dos escolares para que eles participassem do estudo, junto com autorização da gestora da escola e dos professores que estavam na sala.

Foi aplicado um questionário com 7 perguntas adaptadas do estudo de Timóteo Dias, referente à prática do futebol nas aulas de educação física.

Cada aluno recebeu um questionário e teve até 10 minutos para responde-lo, após o tempo acabar foram recolhidos e incluídos à pesquisa aqueles que não tiverem características exclusivas.

Resultados e discussão

Abaixo a tabela mostra a sequencia de perguntas do questionário aplicado no estudo, acompanhado de suas respectivas respostas e as estatísticas; em seguida as perguntas dissertativas e a discussão do estudo.

PERGUNTA SIM NÃO SIM% NÃO%
O professor tem por hábito ministrar o futebol em suas aulas? 127 23 85% 16%
As meninas participam? 47 103 31% 69%
O professor separa os meninos das meninas? 37 113 25% 75%
O professor fica perto da turma explicando ou apitando quando estão jogando futebol nas aulas de Educação Física? 126 24 84% 16%
O professor utiliza o tema futebol para debater outros assuntos 16 134 11% 89%

 

Além das perguntas objetivas contidas nos questionários, os escolares responderam duas questões dissertativas:

Como as aulas de educação física são organizadas quando o conteúdo é futebol? A maioria das aulas são práticas ou teóricas?

Nesta pergunta dissertativa a maioria dos pesquisados responderam que as aulas de educação física quando abordam futebol, são exclusivamente práticas. O que mostra que o conteúdo prático do futebol é o que realmente interessa aos escolares e ao decente.  Souza Júnior e Darido (2008) relatam que o futebol é o conteúdo que está mais presente nas aulas de Educação Física em nosso país, contudo, o futebol “ensinado” nestas aulas raramente ultrapassa os aspectos técnicos e o jogar livremente.

Em uma escala de 0 a 10, quanto você avalia praticar futebol nas aulas de educação física?

Avaliaram as aulas com nota entre 7 e 10 70% dos escolares; e outros 30% avaliaram entre 5 e 6; não tendo avaliação menor que 5. Destes 70% que avaliaram positivamente, grande parte é um público masculino, e os que avaliaram de forma mediana, grande parte eram escolares do sexo feminino. O que demonstra que o futebol é indiscutivelmente o mais popular entre nosso povo, aquele que tem a capacidade de mobilizar um grande contingente humano em torno de uma causa comum: a vitória (FREITAS FILHO, 1985. p. 55).

Na primeira pergunta 84,67% dos escolares responderam que o professor tem por hábito ministrar o futebol em suas aulas. Isso prova que a cultura do futebol está fortemente refletida no ambiente escolar, principalmente nas aulas práticas de educação física. Gonçalves (1994. p.163), diz que como uma conquista cultural, o esporte é uma aquisição de domínio publico que pertence ao patrimônio da humanidade e, como tal, (deve) pode ser transmitido ao aluno, como conteúdo das aulas de Educação Física, possibilitando sua vivencia nas mais diferentes modalidades.

Na segunda pergunta 68,67% dos escolares responderam que as meninas não costumam participar das aulas práticas de futebol. Por ser um esporte pouco popular para o público feminino, é natural que no ambiente escolar as meninas deixem de praticar este esporte também, consequentemente deixando de participar das aulas práticas de educação física. Altmann (1998) mostra que, na escola, os meninos ocupam espaços mais amplos que as meninas por meio do esporte, o qual está vinculado a imagens de uma masculinidade forte, violenta e vitoriosa.

Responderam que o professor não fica perto da turma explicando ou apitando quando estão jogando futebol nas aulas de Educação Física, na terceira pergunta 75,33% dos escolares. Por ser um esporte já conhecido e muito fácil de adaptar regras ao espaço e às condições de jogo, a presença de um professor para o desenvolvimento da aula não se faz necessariamente precisa.

Responderam que o professor não utiliza o tema futebol para debater outros assuntos 89,33% da amostra. Este fato demonstra que o futebol é utilizado pelo seu próprio conteúdo, sem fim paralelo, com o único objetivo de recrear. Alguns professores de Educação Física têm sistematizado os conteúdos na prática pedagógica a partir de suas próprias experiências em função, entre outros fatores, da carência de referenciais teóricos da área que forneçam subsídios para esta finalidade (DARIDO et al 2008, p. 59)

Conclusão

A cultura do futebol está presente de forma indiscutível no ambiente escolar, e seu desenvolvimento prático pelo simples ato de recrear também se mostra enfatizado no presente estudo.

A prática desse esporte pelo simples fim em si mesmo, e trabalhado de forma contínua, muitas vezes ininterrupta durante o ano letivo, demonstra a fraqueza que esse conteúdo representa para a disciplina, no que se diz respeito ao aproveitamento de tempo de aula, falta de exposição de outros assuntos, exclusão de escolares que não se identificam com o esporte entre outros, como identificou a amostra estudada.

O Futebol, se trabalhado da forma correta pode se tornar uma ferramenta extremamente útil à educação Física, uma vez que a aceitação é certa e o esporte tem fortes ligações com a cultura local, podendo ser implementado às suas prática temas transversais e paralelos, além da possibilidade de sua adaptação para o desenvolvimento de outras atividades ou desportos; tornando o impacto que se mostra negativo em muitos aspectos para algo positivo; e por fim podendo ceder espaço a outros conteúdos que podem e devem ser trabalhados nas aulas de educação física.

Referências

ALTMANN, Helena. “Rompendo fronteiras de gênero: Marias (e) homens na educação física”. Dissertação de mestrado em educação. Belo Horizonte: UFMG, 1998, 111p;

ARAÚJO, Sebastião. O Futebol e seus fundamentos: o futebol força a serviço da arte. Rio de Janeiro: Imago, 1976;

BETTI, M. Atitudes e opiniões de escolares de 1º grau em relação à Educação Física. In: XIV SIMPÓSIO DE CIÊNCIA DO ESPORTE. 1986. São Caetano do Sul. Anais. São Caetano do Sul. Celafiscs. Fec. do ABC, 1986. p. 6;

. Ensino de 1º. e 2º. graus: Educação Física para quê? Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 13, n. 2, p. 282-7, 1992;

. Valores e finalidades na Educação Física escolar: uma concepção sistêmica. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 16, n. 1, p. 14-21, 1994ª;

DARIDO, S. C.; SOUZA JÚNIOR, O. M. Refletindo sobre a tematização do futebol na Educação Física escolar. Revista Motriz, Rio Claro, v.16, n.4, p.920-922 930, out./dez. 2010.

DARIDO, S. C.; CARVALHO, A. O.; BONFÁ, A. C.; BARROSO, A.; BARROS, A. M.; FERNANDES, A.; RICCI, C. S.; IMPOLCETTO, F. M.; JESUS, G. B.; RODRIGUES, H.; TERRA, J.; FRANCO, L.; LADEIRA, M. F. T.; SERVILHA, N.; LOPES, O. P.; SOUZA JÚNIOR, O. M.; COLPAS, R. D.; GABRIEL, R. Z.; OLIVEIRA, R. S.; GASPARI, T. A construção de um livro didático na Educação Física escolar: discussão, apresentação e análise. In: PróReitoria de Graduação; PINHO, S. Z.; SAGLIETTI, J. R. C. Núcleos de ensino da Unesp – Edição 2008. São Paulo: Cultura Acadêmica Editora, 2008;

FREITAS FILHO, L. A. Cobertura esportiva no rádio e no jornal. In: DIEGUEZ, G. H. (org.) Esporte e poder. Petrópolis. Ed. Vozes, 1985;

GONÇALVES, Maria A. S. Sentir, pensar e agir: Corporeidade e educação. Campinas: Papirus, 1994.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here