Obesidade infantil na escola e a Educação Física como ferramenta na promoção a saúde

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ARTIGO DE REVISÃO

FERRARI, Cássio Luiz [1]

FERRARI, Cássio Luiz. Obesidade infantil na escola e a Educação Física como ferramenta na promoção a saúde. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 10, Vol. 15, pp. 58-74. Outubro de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao-fisica/promocao-a-saude

RESUMO

Diversos fatores de riscos estão associados à obesidade infantil, entre eles, diabetes, distúrbios psicológicos, hipertensão, câncer, alteração no perfil lipídico, perturbações do sono, no humor, além de problemas articulares. Verificamos ao longo de nossas vivências escolares, o aumento da obesidade em crianças e adolescentes no âmbito escolar. O objetivo do estudo é verificar a prevalência da obesidade como fator de risco a saúde associada à inatividade física, e a Educação Física como ferramenta na promoção a saúde e na redução do sedentarismo no espaço escolar. Foi realizada uma revisão de literatura, em bases de dados eletrônicas, como Google Acadêmico, Scielo, Pub Med, BVS, e Med line. Foram analisados duzentos e quatro artigos, entre o período de 1983 a 2016 e selecionados apenas vinte artigos para fundamentação teórica na construção desse trabalho. Fortes evidências indicam a obesidade infantil está associada ao sedentarismo e que realmente a escola parece ser o espaço mais adequado, associada à Educação Física Escolar como ferramenta pedagógica para intervenções na promoção a saúde e qualidade de vida, reduzindo a obesidade infantil e seus fatores de ricos. Acreditamos que novos estudos na área devam ser realizados afim de promover novos conhecimentos, ampliando assim as possibilidade de controle da obesidade infantil, como aumento das atividades recreativas e físicas no âmbito escolar, intervenções governamentais  com políticas públicas  com redução do sal nos alimentos, incentivo com base familiar no consumo de frutas e verduras com redução no consumo de doces e frituras, e ainda, implantação  de ciclovias para práticas esportivas além da redução do uso das tecnologias e dos transportes reduzindo a comodidade, aumentando as tarefas diárias no combate a pandemia global da obesidade infantil.

Palavra-chave: Prevalência, obesidade infantil, fatores de riscos.

INTRODUÇÃO

A Organização Mundial da Saúde (OMS), vem sinalizando há muito tempo de forma veemente a respeito dos riscos da obesidade infantil, no qual já se tornou uma epidemia não só no Brasil, mas a nível mundial, sendo que esses fatores estão associados a globalização e ao progresso do país que reduziu seus níveis de desnutrição, no entanto vem aumentando consideravelmente a obesidade infantil. (SULZBACH e DAL BOSCO, 2012).

Araújo; Brito e Silva, (2010), afirmam que os professores de Educação Física por estarem próximos aos alunos, podem influenciar de forma significativa as mudanças de comportamentos dos alunos, sendo a escola o espaço ideal para levantamentos de dados sobre obesidade e possíveis intervenções necessárias no controle da enfermidade.

Estudos indicam que são muitos os benefícios da atividade física regular, uma vez que podem contribuir de forma significativa com a prevenção de doenças metabólicas, e na promoção da saúde de forma geral, mantendo as capacidades funcionais como força, resistência, velocidade, flexibilidade além de manter os níveis de IMC recomendados pelas autoridades no assunto. (CARMO et al., 2013).

São diversos os fatores que podem contribuir com a obesidade infantil, sendo que as atividades em família, pode ser uma das causas, não obstante, Cornachioni; Zadra e Valentin, (2016), afirmam que a unidade familiar, valores, sociais e culturais além de alimentos calóricos e industrializados, podem estar associadas a obesidade e que ainda temos fatores internos que podem contribuir para autoimagem corporal negativa, autoestima baixa, e problemas psicológicos.

Com base em evidências, diversos fatores de riscos estão associados à obesidade infantil, entre eles estão os distúrbios psicológicos, hipertensão, câncer, alterações no perfil lipídico, hiperglicemia, síndromes de resistência à insulina, por consequência a diabetes, perturbações do sono e no humor, dificuldades de relacionamentos sociais, e ainda problemas de mobilidade no deslocamento, com limitações articulares. (ARAÚJO et al., 2010).

Nas crianças e nos adolescentes a obesidade provoca distúrbios de múltiplas formas, com alterações posturas, como a acentuação da lordose, joelhos valgos, pés planos, desgaste das articulações pelo excesso de peso, alterações de pele, como estrias e infecções provocadas por fungos em locais de difícil higiene.

Outro fator que parecesse contribuir com a obesidade são as megatendências de comunicação e informações, sendo que os jogos eletrônicos e redes sócias parecem ser determinantes para redução dos níveis de atividade física como correr, brincar, jogar futebol, a baixo dos parâmetros recomendados pela OMS, bem como ainda os tabletes, computadores e celulares parecem ser determinantes na redução nos níveis de atividade física, influenciado na qualidade de vida dessa população. (COSTA e PAIVA, 2015).

Políticas públicas com intervenção em cantinas escolares recomendam estratégias para redução de guloseimas e promoção a saúde com alimentação saudável. Conforme Reis et al., (2011), o projeto de lei n. º 3.695/2005 sugere que as cantinas escolares deveriam ter profissionais com qualificação em nutrição, oferecendo alimentação com redução de sal e açúcar nas cantinas, além de alimentos com menor quantidade de gorduras destinados a população infantil e juvenil

OBJETIVOS

Verificar a importância da Educação Física no âmbito escolar na promoção a saúde.

Verificar a prevalência da obesidade como fator de risco a saúde associado inatividade física em crianças e adolescentes em idade escolar.

Identificar as possíveis causas que levam a obesidade infantil.

REVISÃO DE LITERATURA

OBESIDADE INFANTIL UMA PANDEMIA GLOBAL

Com base em fortes evidências temos três milhões de crianças com idade inferior a dez anos apresentando indicadores de obesidade, com IMC e circunferência abdominal acima dos níveis recomendados peal OMS, por consequência a maior preocupação é o aumento significativos da obesidade que dobrou comparado a vinte anos atrás e não para de aumentar. (AMARAL e PALMA, 2001).

Para a OMS, segundo Masso, (2014, p.10), ao conceituar sobre peso:

Sobre peso é a condição em que o peso corporal excede o peso normal em pessoas da mesma raça, sexo, idade e constituição física, enquanto a obesidade é a condição em que a gordura corporal aumenta o peso de tal forma que acaba prejudicando a saúde da pessoa. Sobrepeso, e obesidade são causados por desequilíbrios entre o consumo e o que é gasto de caloria.

Colloca e Duarte (2008), ao se referir à obesidade acrescentam ainda que é representada pelo excesso de gordura visceral bem como gordura acumulada no organismo influenciada por diversos fatores podendo ser de ordem genética ou por influência do meio, sendo indubitavelmente associada a doenças metabólicas como hiperlipidemias, intolerância à glicose, hipertensão arterial e acidentes vasculares cerebral.

Colloca e Duarte (2008) também afirmam que a obesidade pode ser dividida quanto a forma em androide ou ginóide, sendo que a característica androide parece assumir a forma de uma maçã, sendo predominantemente no sexo masculino, no qual parece estar fortemente associada a gordura visceral e alterações no perfil lipídico. Já a obesidade ginoide, a predominância é no sexo feminino assumindo forma de pera, na qual parece estar fortemente associada a problemas de ordem ortopédicas, assim como celulite e varizes.

Um estudo realizado por Hallal e seus colaboradores apontam que 80% dos adolescentes entre 13 e 15 anos de idade, não atingem 60 minutos de atividades vigorosas por dia, ficando abaixo do recomendado pela OMS, assim acabam sendo considerados sedentários, o estudo aponta ainda, que o gênero masculino parece ser mais ativo do que o gênero feminino. (HALLAL et al., 2012).

Outros estudos realizados por Araújo et al. (2010), afirmam que vem aumentado consideravelmente a prevalência da obesidade em crianças e adolescentes no Brasil, sobretudo em cidades como Recife que indicam uma proporção de 35% em crianças que estão em idade escolar.

Estudos sinalizam ainda que incidência da obesidade escolar apresenta um percentual de 15,8% de obesidade em 387 alunos da capital baiana, sendo que a incidência foi significativamente maior nas escolas particulares (30%) em relação às públicas (8,2%). (ARAÚJO et al., 2010).

Figura 1.

A EDUCAÇÃO FÍSICA COMO FERRAMENTA NA PROMOÇÃO A SAÚDE

Para Oliveira (2015, p.24), saúde pode ser definida como:

O termo “saúde” não significa somente ausência de doença, conceitualmente tem sido discutido de forma ampliada, sendo identificada como multiplicidade de vários aspectos humanos voltados ao bem-estar físico, mental e social. Saúde não é algo estático, deve ser construí-la ao longo da vida, evidenciando o fato que ela é educável, portanto no contexto educacional e comportamental.

A promoção a saúde e a qualidade de vida no meio escolar , pode ser promovida a partir de práticas regulares de atividades físicas   praticadas regularmente inclusive como ferramenta não medicamentosa no controle da obesidade,  contribui de forma significativa para a manutenção das capacidades funcionais  como força, resistência, além da saúde mental e manutenção da densidade minera, sendo fatores  determinantes  para o desenvolvimento  durante a fase escolar, levando consigo consequências positivas para a idade adulta. (CONSELHO REGIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA, 2014).

Sob o mesmo ponto de vista, Livinali et al. (2016), ratificam que a Educação Física, faz parte dos componentes curriculares obrigatórios, e certamente o processo de desenvolvimento das habilidades motoras e corporais podem ser melhoradas consideravelmente, sendo imprescindível as práticas de Educação Física no processo de fortalecimento do organismo melhorando a capacidade física das crianças.

Com toda a certeza, a escola parece ser o espaço adequado para práticas esportivas e na realização de intervenções que venham promover qualidade de vida, desenvolvimento da capacidade física e na redução de fatores de riscos associadas ao sedentarismo e obesidade infantil, principalmente no âmbito escolar. (ARAÚJO; BRITO e SILVA, 2010).

Diante de tantas evidências com base em diversos estudos realmente a escola é um local propício para práticas e esportivas e intervenções para desenvolvimento não só físico mas também no desenvolvimento afetivo, cognitivo e motor, através de práticas de forma interdisciplinares tendo como pano de fundo a Educação Física,  no entanto estudos indicam que é necessário  intervenções de base familiar, no transporte ativo, incentivo a práticas esportivas, mudanças na dieta e estilo de vida, do contrário a melhora nos níveis de atividade física e redução da obesidade são pouco prováveis. (BROWN et al., 2012).

BENEFÍCIOS DA ATIVIDADE FÍSICA

Evidências apontam que atividade física quando bem estruturada com objetivos bem definidos podem alcançar benefícios satisfatórios a saúdes de crianças e adolescentes em idade escolar, sendo que qualquer atividade moderada já seria capaz de promover ganhos satisfatórios à saúde em crianças em idade escolar, induzindo assim a melhor qualidade de vida com mais disposição para realização das tarefas diárias, redução de fatores de riscos à saúde como obesidade, doenças coronarianas, diabetes, além de câncer, depressão, e problemas articulares. (FILHO, 2013).

Guimarães (2009), afirma que Educação Física Escolar, é decisiva na prevenção de síndromes metabólicas além de melhorar a potência aeróbia, podendo ser uma importante ferramenta não medicamentosa em crianças e adolescentes, e ainda no desenvolvimento  das capacidades funcionais e no aumento dos tônus musculares.

FATORES QUE PODEM LEVAR A OBESIDADE INFANTIL

Estudos indicam que a obesidade pode ser multifatorial, nesse sentido Cornachioni, Zadora e Valentin (2016), explicam que podem ser muitos os fatores associados a obesidade infantil, como por exemplo o genótipo, problemas emocionais e psicológicos como ansiedade ou depressão e ainda conceitos estereotipados de beleza impostos pela sociedade.

É evidente que são vários os fatores que levam a obesidade e que muitos podem estar associados a fatores genéticos, entretanto, robustas evidências têm realmente confirmado que o aumento da obesidade pode estar fortemente associado ao estilo de vida e grande consumo de alimentos hipercalóricos. (CORNACHIONI; ZADRA; VALENTIN, 2016).

Parece ser óbvio portanto que o estilo de vida e alimentação estão fortemente associados a obesidade e seus fatores de riscos, no entanto outros fator pode ser determinantes para o desenvolvimento da obesidade em idade escolar e que portanto não estariam somente associados a alimentação e ao sedentarismo, mas também pode ser de ordem genética estando associado ao genótipo uma vez que estudos revelam  a necessidade do controle da obesidade, pois o risco de desenvolver a doença aumenta em 80%, quando pai e mãe são obesos, e quando apenas um tem o problema, a chance é de 40%. (FILHO, 2013).

Evidências apontam ainda que a obesidade infantil que não para de crescer no brasil, pode estar associada também ao desmame precoce, pouca intervenção de base familiar, excesso no consumo de guloseimas, calorias, doces, frituras estão sendo determinantes para o aumento da prevalência da obesidade e seus fatores de riscos à saúde em idade escolar. (SULZBACH e DALBOSCO, 2012).

FATORES DE RISCOS ASSOCIADOS À OBESIDADE INFANTIL

Evidências indicam que a obesidade infantil promove alterações no perfil lipídico, aumentando significativamente a prevalência das dislipidemias na infância que pode variar com base em evidências entre 24 e 33%, sendo progressiva as taxas ao longo dos anos em alguns países, sendo que em países que trabalham com programas de prevenção a doenças metabólicas em crianças tem apresentado um decréscimo nos resultados no que se refere a prevalência das dislipidemias na infância. (SULZBACH e DAL BOSCO, 2012.).

Os estudos revelam forte associação do sedentarismo a obesidade e hábitos de fumar na adolescência com alterações no colesterol e aumento da hipertensão arterial, levando a doença coronariana mesmo que todos esses fatores não estejam associados. A obesidade é fator de risco para dislipidemia, promovendo aumento de colesterol LDL, triglicerídeos e redução do HDL colesterol bom. (MELLO; LUFT e MEYER, 2004).

Outro grave fator de risco associado à obesidade é a Diabetes Mellitus, segundo Sulzbach e Dal Bosco (2012), a falência do pâncreas, impede a capacidade de produzir insulina, promovendo a deficiência desse hormônio, impedindo a retirada da glicose em excesso da corrente sanguínea após as refeições, estágio de Pré-diabetes levando a intolerância da Glicose e resistência insulínica, hormônio responsável pelo transporte da glicose

Segundo Amaral e Palma (2001), surgimento doenças metabólicas está fortemente associada ao tempo da prevalência da obesidade se manifestando a médio prazo surgindo em   um período de dez a quinze anos em média, sendo uma doença silenciosa e irreversível.

Amaral e Palma (2001), afirmam ainda que a obesidade provoca diversos distúrbios a criança com maior propensão para o desenvolvimento da hipertensão, diabetes, doenças do coração, respiratórios, ortopédicos e ainda alterações no perfil lipídico com cerca de 50% delas apresentam alterações da taxa de colesterol, 47,5% dessas crianças apresentam redução de HDL e 20,5% tem níveis elevados de LDL.

INFLUÊNCIA DAS MEGA TENDENCIAS DA TECNOLOGIA NA COMPOSIÇÃO CORPORAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Oliveira et al. (2003),  afirmam que é cada vez maior o consumo de alimentos hipercalóricos e com alto teor de gorduras, estando fortemente associados ao sedentarismo com elevados índices de inatividade física, não o suficiente, temos  ainda  forte incidência das tecnologias, como televisão, videogames, computadores, tabletes, celulares,  controle remotos, transporte passivo, parecem afetar de forma significativa o controle da obesidade com elevados níveis de inatividade física não atendendo as recomendações mínimas da OMS.

Diante das evidências, com tantas informações, técnicas de vendas, a mídia também tem seu papel decisivo no que tange a comercias de televisão, não obstante estudos sugerem apenas 30 segundos de exposição de comerciais de televisão, podem influenciar a escolha de um produto e que as propagandas de 15 segundos de duração são direcionadas para crianças que preferem imagens rápidas. (BOCCALETO e MENDES, 2009).

POLÍTICAS PÚBLICAS NO COMBATE A OBESIDADE INFANTIL

Com base em estudos, intervenções com políticas públicas na contenção da pandemia global de inatividade física e obesidade escolar, são cada vez mais urgentes, sendo a escola espaço propício para diversas intervenções no combate ao sedentarismo, nesse sentido,  Guimarães (2009), Sugere, alterações nos componentes curriculares afim de difundir o conhecimento da população infanto-juvenil no que tange a qualidade dos alimentos, comercialização e consumo de alimentos saudáveis com cardápio mais adequado para promoção da saúde nas cantinas escolares com redução de sal e açúcar, além de doces e salgados , ainda, controle de propagandas sugeridos o consumo de doces, lanches, guloseimas como bolachas doces, refrigerantes, sucos com elevados teor de açúcar.

Outras Intervenções importante dos profissionais da área da saúde no Brasil, em ambiente escolar com ajuda dos professores de Educação Física, seria a coleta antropométrica afim de verificar o percentual de gordura nos alunos, poderiam   contribuir para informações do estado nutricional de crianças em idade escolar, promovendo intervenções de forma multidisciplinar dos serviços de saúde, trabalhando na prevenção de doenças a partir da conscientização dos alunos e dos pais. (PINHEIROS; FREITAS e CORSO, 2004).

Reis et al. (2011), sinalizam com a possiblidade de implantação de praças, bosques e pistas para caminhadas, ciclismo, práticas de atividades físicas de todas as formas, atraindo as famílias, não só isso como parques para atividades de corridas, com locais seguros sendo espaços democráticos para promoção da saúde e qualidade de vida da população em geral, reduzindo assim o sedentarismo.

Reis et al. (2011), ratificam ainda que seria importante políticas públicas no combate a divulgação pelas mídias para o consumo de alimentos hipercalóricos, com muito sal, açúcar direcionado para o público infantil, especialmente em horários da tarde em que é grande a audiência dessa população.

METODOLOGIA

Foi realizada uma revisão de literatura, de cunho transversal entre os meses de março e novembro de 2018. A busca por literatura especializada foi feita em bases de dados eletrônicas, como Google Acadêmico, Scielo, Pube Med., BVS, e Med line. Foram analisados noventa e quatro artigos, entre o período de 2000 a 2018 e selecionados apenas vinte e quatro artigos para fundamentação teórica na construção desse trabalho. As palavras mais utilizadas na busca de artigos foram prevalência, obesidade infantil, e fatores de riscos.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Com base em estudos, Hallal et al. (2012), em uma pesquisa realizada a nível mundial pela revista The Lancet afirma: “[…] 80,3% dos jovens de 13 a 15 anos não atingem 60 minutos de atividade física moderada a vigorosa por dia, sendo que gênero feminino mostrou são menos ativos do que o gênero masculino”.

Diante das evidências, a promoção a saúde em crianças e adolescentes no âmbito escolar, sugere em outro estudo mais recente, que a Educação Física Escolar não tem cumprido seu papel, Gaya; Gaya e Lemes (2015), confirmam que em um estudo realizado na cidade de Pelotas, que os alunos de uma forma geral  permanecem   50% do tempo destinado a práticas de Educação Física  realizando atividades leves ou nada fazem, ficando apenas 12 minutos para atividades moderadas a vigorosas, não atendendo portanto as recomendações da OMS de pelo menos sessenta minutos por dia de atividades físicas  moderadas ou vigorosas por semana.

Santos e Venâncio (2006), afirmam que a atividade física regular reduz a obesidade, e seus fatores de riscos à saúde além atuar como ferramenta não medicamentosa no controle da   diabete, redução da hipertensão arterial reduzindo o risco de acidentes vasculares, controle das dislipidemias, assim como redução da ansiedade e depressão também.

Em outro estudo, Borba (2006), afirma ainda que diversos fatores de riscos podem estar associados à obesidade infantil, levando ao aumento dos triglicerídeos, problemas articulares, ortopédicos, doenças do coração e respiratórios, assim como diversas alterações metabólicas.

Não obstante, diversos estudo tem revelado um grave problema de obesidade a nível mundial, sendo que é necessário que intervenções de base familiar promovendo a prática de esportes, atividades físicas em crianças têm sido eficazes, com 66% demonstrando um efeito positivo sobre a atividade física e na redução da obesidade e do sedentarismo, assim como seus fatores de riscos associados a saúde. (BROWN et al., 2016).

Sulzbach e Dalbosco, (2012), consideram ainda que a amamentação é muito importante nos primeiros meses de vida sendo desmame precoce, alimentação inadequada, o estilo devido desregrado são fatores que podem contribuir com a obesidade e seus fatores de riscos associados a saúde em idade escolar.

Hallal et al. (2012), afirma que diversas tecnologias vêm interferindo na prática de atividade física, aumentando consideravelmente o sedentarismo em todo o mundo, sendo que pode estar fortemente associado à comodidade em transportes como trens, carros, e caminhões, e ainda a influências das megatendências de comunicação televisores, computadores, entretenimento eletrônico, a internet e telefonia celular.

Por fim, entendemos que seja vital implantação de políticas públicas na esfera municipal, estadual e federal, nesse sentido Reis et al. (2011), faz algumas considerações importantes como  criação espaços com áreas de lazer e convivências democráticas, criação  parques, ciclovias, e pistas de corridas, assim como a redução do uso de transportes, passando a utilizar  transporte ativo como meio de deslocamento, aumentado assim  o estímulo os níveis de  atividades físicas com redução considerável  do sedentarismo a nível familiar e não só infantil,  sendo que essas intervenções devem fazer parte das políticas publicas de democratização da saúde, ainda o combate a publicidade incentivando o consumo de alimentos hipercalóricos, açúcar e sal para o público infantil especialmente em horários de grande audiência como sessão da tarde, desenhos, e programas direcionados para o público infantil.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Verificamos ao longo do estudo que a obesidade infantil se tornou uma pandemia global, sendo seu diagnóstico complexo e multifatorial, podendo ser de ordem genética ou ambiental, sendo o sedentarismo a porta de entrada para o surgimento de doenças não transmissíveis, como hipertensão arterial, displidemias, diabete tipo 2, doenças coronarianas, e diversos tipos de câncer

Diante das evidencias, a escola parece ser o espaço mais adequado, associada à Educação Física Escolar como ferramenta pedagógica para intervenções na promoção a saúde e na redução da obesidade infantil, e seus fatores de ricos, além disso, intervenções de base familiar, e políticas públicas devem ser implantadas nas esferas municipais, estaduais e federais, desenvolvendo ações para redução do sedentarismo e da obesidade infantil, principalmente no espaço escolar, onde tudo começa.

Ainda, as tecnologias de informações parecem contribuir significativamente no aumento da obesidade infantil, uma vez que proporcionam lazer e comodidade, aumentando assim o sedentarismo e os seus fatores de riscos à saúde.

Já no âmbito escolar, o professor de Educação Física deve exercer seu papel com propriedade, sem omissão, contribuindo com a qualidade de vida do aluno, e na construção de sua cidadania através da Educação Física Escolar, e que ainda com base em achados nesse estudo, nossos decisores políticos, devem apresentar intervenções nas diversas esferas, municipais, estaduais e municipais, promovendo ações que venham contribuir com a redução da obesidade infantil, no âmbito escolar, na qual se tornou uma preocupante pandemia global implantando políticas públicas que possam contribuir com a redução da obesidade infantil.

Acreditamos que novos estudos na área devem ser realizados afim de promover novos conhecimentos, ampliando assim as possibilidade de controle da obesidade infantil, como aumento das atividades recreativas e físicas no âmbito escola, intervenções governamentais  com políticas públicas  com redução do sal nos alimentos, incentivo com base familiar no consumo de frutas e verduras com redução no consumo de doces e frituras, e ainda, implantação  de ciclovias para práticas esportivas além da redução do uso das tecnologias e dos transportes reduzindo a comodidade, aumentando as tarefas diárias no combate a pandemia global da obesidade infantil.

REFERÊNCIAS

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[1] Pós Graduado em Educação Física Escolar; Pós graduado em Treinamento Desportivo e Personal Trainer; Licenciatura Plena.

Enviado: Agosto, 2020.

Aprovado: Outubro, 2020.

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