Força explosiva de membros inferiores de escolares praticantes e não praticantes de futebol

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SILVA, Tiago José [1], CAMPOS, Marcus Vinícius de Almeida [2], MIGUEL, Henrique [3]

SILVA, Tiago José, CAMPOS, Marcus Vinícius de Almeida, MIGUEL, Henrique. Força explosiva de membros inferiores de escolares praticantes e não praticantes de futebol. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 09, Vol. 1, pp. 81-89, Setembro de 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

Os testes de força se referem a exercícios onde um indivíduo desempenha movimentos musculares contra uma força de oposição, a fim de testar sua capacidade de força. A força explosiva de membros inferiores é utilizada por muitos esportes de velocidade, como o futebol, por considerar que movimentos rápidos representam um fator determinante ao rendimento do indivíduo, como um meio de superar uma resistência. Este estudo tem por objetivo comparar e avaliar a força de potência dos membros inferiores em prol da força explosiva com alunos praticantes de futebol e alunos que praticam educação física escolar. Os testes foram realizados por meio do salto horizontal, segundo o protocolo do PROESP-BR. Os resultados obtidos demonstraram que a força explosiva é aumentada a partir de estímulos com testes de força, logo os alunos da escolinha de futebol apresentaram resultados mais satisfatórios; o que ressalta a importância do desenvolvimento dos músculos inferiores com o melhor desempenho da força explosiva.

Palavras-chave: Força Explosiva, Membros Inferiores, Futebol, Salto Horizontal.

INTRODUÇÃO

Para Nunes (2004) o futebol se apresenta como o esporte mais popular do mundo, praticado de forma amadora e profissional, por diversos motivos, seja atividade física, lazer ou desenvolvimento de condicionamento físico para socialização, saúde e competição.

Além de admirado por diversos tipos de pessoas, o futebol se caracteriza como uma atividade de grande intensidade, que alterna corrida de alta velocidade e períodos de recuperação com corridas contínuas e de baixa intensidade, o que ressalta o desenvolvimento de um bom condicionamento físico (PRATES, 2011).

Dentre as capacidades físicas observadas no futebol, está aforça muscular, que segundo Gomes e Souza (2008), é uma capacidade física indispensável para a realização de atividades esportivas, sendo que no futebol, existe uma forte relação entre a força muscular dos membros inferiores e o rendimento do atleta dentro de campo.

A força, segundo Saretti (2010) está presente em todos os movimentos do futebol, seja por contatos com a bola, corridas, arrancadas, saltos, mudanças de direção, giros, acelerações e desacelerações, disputas de bola, entre outras situações. Isto faz com que apenas os treinamentos táticos e técnicos não sejam capazes de fornecer sobrecargas neuromusculares suficientes para proporcionar adaptações significativas dos atletas.

Assim, apesar de ser uma capacidade fundamental a modalidade, sua simples pratica não garante ganhos expressivos, sendo o desenvolvimento da força nos atletas de futebol promovidos por treinamentos de força (COTTA, 2010).

Entretanto, na infância e adolescência, é possível que os estímulos promovidos pela pratica do futebol possam contribuir nos níveis de força, o que seria de grande importância, em virtude da mesma ser fundamental ao movimento e proporciona saúde, por se relacionar, diretamente, com a diminuição de lesões, aumento da autonomia do movimento e desenvolvimento do equilíbrio. Assim, a prática de atividades esportivas é considerada um grande meio para promoção de bem estar e desenvolvimento da força ao longo da infância, adolescência, até a fase adulta (DARIDO, 2003).

Diante destas considerações, este estudo tem como objetivo geral avaliar a força de potência dos membros inferiores em prol da força explosiva com alunos praticantes de futebol.

METODOLOGIA

AMOSTRA

Para o estudo prático, foram avaliados 42 alunos, com idade de 13 anos, do sexo masculino, matriculados em uma escola pública da cidade de Mococa/SP. Destes, 21 possuem como pratica de atividade i planeja as aulas de educação física escolar, enquanto os outros 21 alunos avaliados, realizam aulas de futebol em uma escola da modalidade.

DELINEAMENTO EXPERIMENTAL

A direção da escola foi contatada e os alunos pertencentes a escolinha de futebol identificados, sendo em seguida selecionados aleatoriamente a mesma quantidade de alunos, porém não praticantes de atividades dirigidas, além das aulas de educação física escolar.

Após assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido, os alunos então foram submetidos ao teste de força, conforme descrito abaixo.

TESTE DE FORÇA

Para identificar a força muscular de membros inferiores dos avaliados, utilizou-se o teste de salto horizontal do PROESP.

Para a realização do teste, foi fixada um trena ao solo, perpendicular atrás de uma linha, a fim de fixar o ponto zero sobre a mesma. O aluno se posicionava atrás da linha, com os pés paralelos, ligeiramente afastados, com os joelhos semi-flexionados e o tronco ligeiramente projetado para frente; sendo que ao sinal do avaliador, o aluno saltava a maior distância possível, conforme ilustrado nas figuras a seguir:

Fonte: autor

Figura 01: Teste de Salto Horizontal

Foram realizadas duas tentativas, onde registrou-se o melhor resultado, sendo os mesmos classificados em:

Fraco – Quando a distancia alcanças foi menor que 1,59 metros.

Razoável – Quando a distancia foi de 1,59 metros a 1,69 metros.

Bom – Quando a distancia foi de 1,70 metros a 1,84 metros.

Muito Bom – Quando a distancia foi de 1,85 metros a 2,16 metros.

Excelente – Quando a distancia foi superior a 2,16 metros.

TRATAMENTO ESTATÍSTICO

Os dados obtidos no teste então foram submetidos a tratamento estatísticos descritivo, onde foi calculada as médias e desvio padrão, sendo posteriormente comparado os resultados dos dois grupos por meio do teste “t Student” não pareado, considerando como intervalo de significância p≤0,05.

RESULTADOS

Os indivíduos pertencentes ao grupo não praticantes saltaram em média 1,49±0,17 metros de distancia; sendo que a maior parte dos avaliados apresentaram níveis de força de membros abaixo do esperado para idade, onde 15 dos 21 avaliados foram classificados com nível de força fraco, conforme pode ser observado na tabela 1.

Tabela 1 – Grupo Não Praticante

INDIVÍDUO DISTÂNCIA CLASSIFICAÇÃO
1 142 Fraco
2 157 Fraco
3 153 Fraco
4 148 Fraco
5 129 Fraco
6 165 Razoável
7 161 Razoável
8 148 Fraco
9 154 Fraco
10 146 Fraco
11 138 Fraco
12 117 Fraco
13 142 Fraco
14 153 Fraco
15 119 Fraco
16 142 Fraco
17 152 Fraco
18 163 Razoável
19 184 Bom
20 163 Razoável
21 172 Bom

Quanto ao grupo praticante, a distancia média saltada foi de 1,61±0,14 metros, onde verificou-se que 7 alunos se encontravam com nível de força abaixo do esperado, sendo a maior parte dos avaliados classificados com nível bom de força muscular de membro inferior, conforme pode ser observado na tabela 2.

Tabela 2 – Grupo Praticante

INDIVÍDUO DISTÂNCIA CLASSIFICAÇÃO
1 160 Razoável
2 156 Fraco
3 147 Fraco
4 175 Bom
5 151 Fraco
6 176 Bom
7 161 Razoável
8 151 Fraco
9 170 Bom
10 182 Bom
11 184 Bom
12 183 Bom
13 179 Bom
14 179 Bom
15 187 M.Bom
16 167 Razoável
17 193 M.Bom
18 158 Fraco
19 157 Fraco
20 165 Fraco
21 159 Fraco

Ao comparar os dois grupos, observou-se que o grupo que realizava aulas de futebol apresentava uma força de membros inferior maior do que os alunos que realizavam apenas as aulas de educação física escolar, conforme pode ser observado na figura 1.

Figura 2 – Classificação Grupo Praticante e Grupo Não Praticante

Fonte: autor

Quando submetido a tratamento estatístico, verificou-se diferença significativa entre os mesmos, sendo p=0,025, indicando que a prática de aulas de futebol está pode estar gerando melhorias no nível de força.

DISCUSSÃO

O alto numero de adolescentes com nível fraco de força em membros inferiores também foi observado em vários outros estudos que utilizaram o protocolo do PROESP, sendo ainda observado nível baixo de força em crianças (FEITOZA, et. al., 2017; SILVA; GOMES; CAMARA, 2015; AVALINO, 2010).

Quando comparado o desempenho de adolescentes praticantes de aulas de futebol e não praticantes, os dados aqui encontrados vão de encontro aos observados por Braz, Spigolon e Borin (2009), que relatam que a força explosiva dos membros inferiores de praticantes se desenvolve mais facilmente do que em não praticantes, uma vez que o treinamento a que são submetidos contribuem para a melhora da contração e elasticidade muscular.

Nunes (2004) também sustentam que a pratica do futebol contribui para a melhoria da força muscular, assim como Marques, Travassos e Almeida (2010), que afirmam que a prática do futebol na adolescência contribui para ampliação do ganho de massa muscular natural em adolescentes do sexo masculino neste período de vida, ressaltando, entretanto que existe uma série de outros fatores limitadores.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com base nos resultados obtidos, é possível afirmar que o desenvolvimento de força em membros inferiores em adolescentes está diretamente relacionado a estímulos físicos, sendo que o treinamento em escolinhas de futebol pode promover tais estímulos.

Entretanto, uma série de fatores pode influenciar na força muscular em adolescentes, sendo que mesmo aumentando o ganho de força, a pratica do futebol possui certa limitação na adequação da força de uma determinada população, visto que não foi capaz de corrigir essa deficiência na população estudada, apesar de promover melhorias.

Faz se necessário ainda a realização de mais estudos, controlando uma série de outras variáveis e com populações com níveis adequados de força, a fim de se determinar com maior precisão o quanto a pratica do futebol pode estar influenciando nesta capacidade física.

REFERÊNCIAS

ARRUDA, M.; HESPANHOL, J. E. Treinamento de Força em Futebolistas. São Paulo: Phorte, 2009.

AVALINO, R. A. Publicações nacionais da avaliação da força muscular no período de 2000 a 2010: estudo e exploratório. Piracicaba São Paulo, 2011.

BRAZ, T. V.i; SPIGOLON, L. M. P.; BORIN, J. P. Proposta de Bateria de Testes para Monitoramento das Capacidades Motoras em Futebolistas. R. da Educação Física/UEM, Maringá, v. 20, n. 4, p.569-575. 4 trim. 2009. Disponível em <http://eduem.uem.br/ojs/index.php/RevEducFis/article/viewFile/7392/5232> Acesso em 20 fev. 2018.

COTTA, R. M. Treinamento de força no futebol atual. Site: Universidade do Futebol. 2010

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FEITOZA, D.F.; CAMARA, H.C.; GOMES, J.G.N. Potência muscular dos membros inferiores e Superiores de escolares de uma escola pública do município de Pau dos Ferros-RN. RedFoco. V 4, n 1. 2017.

FROIS, R. R. S. et. al. Treinamento de força para crianças: uma metanálise sobre alterações do crescimento longitudinal, força e composição corporal. Revista brasileira de ciência. Brasília DF- 2014.

GOMES, A. C.; SOUZA, J. Futebol – Treinamento Desportivo de Alto Rendimento. Artmed 2008

MARQUES, M. C.; TRAVASSOS, B.; ALMEIDA, R. A força explosiva, velocidade e capacidades motoras específicas em futebolistas juniores amadores: Um estudo correlacional. Motricidade. 2010, vol. 6, n. 3, pp. 5-12. Disponível em <http://www.revistamotricidade.com/arquivo/2010_vol6_n3/v6n3a02.pdf> Acesso em 20 fev. 2018.

NUNES, C. G. Associação entre a Força Explosiva e a Velocidade de Deslocamento em Futebolistas Profissionais. 2004. 92 f. Dissertação (Mestrado). Pós-Graduação em Educação Física. Universidade Estadual de Campinas. Faculdade de Educação Física (UNICAMP). Campinas, 2004. Disponível em <http://repositorio.unicamp.br/jspui/bitstream/REPOSIP/274982/1/Nunes_CristianoGarcia_M.pdf> Acesso em 20 fev. 2018.

PRATES, Joel Moreira. Desempenho da força explosiva durante uma temporada em futebolistas púberes. 2011. 126 f. Dissertação (Mestrado). Pós-Graduação em Educação Física. Universidade Estadual de Campinas. Faculdade de Educação Física (UNICAMP). Campinas. 2011. Disponível em <http://repositorio.unicamp.br/jspui/bitstream/REPOSIP/275096/1/Prates_JoelMoreira_M.pdf> Acesso em 20 fev. 2018.

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SILVA, F. G.; GOMES, J. G. N.; CÂMARA, H. C. Escola pública e privada: o rendimento dos alunos a partir do estudo das capacidades físicas. REDFOCO. V. 2, n.1, 2015.

SILVA, C. B. M. Diagnóstico de assimetrias laterais dos membros inferiores em jogadores de futebol por meio de variáveis biomecânicas e de testes motores. Dissertação (Mestrado em Ciências do esporte – Biomecânica do Esporte) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte. 2008.

[1] Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São José do Rio Pardo -FEUC

[2] Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São José do Rio Pardo -FEUC

[3] Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São José do Rio Pardo -FEUC. Centro Universitário de Espírito Santo do Pinhal- UNIPINHAL. Universidade José do rosário Vellano – UNIFENAS

Mestre em Engenharia Biomédica (2016) pela Universidade Camilo Castelo Branco (bolsista CAPES). Especialista em Treinamento Desportivo pela UniFMU/SP (2009). Graduado em Educação Física (licenciatura e bacharelado) pelo Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino de São João da Boa Vista - UniFAE (2007). Docente dos departamentos de educação física da FFCL - FEUC (São José do Rio Pardo - SP) e da UNIPINHAL (Espírito Santo do Pinhal - SP) . Colaborador/pesquisador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Futebol e Futsal da USP (GEPEFFS-USP). Co-coordenador do Núcleo de Pesquisas em Educação Física e Esportes - NUPEFE/FEUC. Docente dos cursos de pós-graduação Lato Sensu ENAF/DSE. Autor de vários livros e artigos no ramo dos esportes, fitness, saúde e qualidade de vida. Tem como principais pontos de atuação o Treinamento Desportivo (Treinamento Personalizado, Treinamento Resistido e Funcional no exercício físico e nos desportos); a Fisiologia do Exercício (Adaptações neurofisiológicas ao treinamento, Recursos Ergogênicos e Esteroides Anabolizantes); Pedagogia do Treinamento dos Desportos Coletivos.

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