ARTIGO ORIGINAL
SAVECA, Paulo Tibério Armando [1], MONTERO, Fernando Pacheco [2], TEMBE, Vicente Alfredo [3]
SAVECA, Paulo Tibério Armando. MONTERO, Fernando Pacheco. TEMBE, Vicente Alfredo. Comportamento de ingestão alimentar em estudantes de Educação Física em confinamento pela COVID-19. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 10, Vol. 05, pp. 05-15. Outubro de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao-fisica/ingestao-alimentar
O estudo objetivou analisar a ingestão alimentar em estudantes do Instituto Médio de Desporto e Educação Física de Moçambique em confinamento pela COVID-19. Para avaliar os comportamentos alimentares utilizamos o Questionário Holandês do Comportamento Alimentar (QHCA). Os resultados demonstraram o QHCA com o valor de Alpha de Cronbach de 0.73; no contexto sexo não foram detectadas diferenças estatisticamente significativas nas dimensões de ingestão alimentar; no topo da hierarquia das dimensões de ingestão foi encontrado a ingestão externa com 2.44±0.41; a análise de variância multivariada da ingestão alimentar dos estudantes das três delegações apresentaram Wilks’ Lambda=0.90, F (6.306) =2.621, p=0.017. O teste Post Hoc, identificou na dimensão ingestão restrita (p=0.020) e ingestão emocional (p=0.003). Conclui-se que o QHCA apresentou consistência interna aceitável; os estudantes valorizaram a ingestão externa, não existindo diferenças estatisticamente significativas da ingestão alimentar no contexto sexo, diferentemente do contexto delegação na abordagem da ingestão emocional e restrita.
Palavras-chave: Comportamento, ingestão alimentar, Educação Física, COVID-19.
Desde Dezembro de 2019, o mundo vive os efeitos do surto de uma Síndrome Gripal causa pelo novo Coronavírus (SARS- COV-2), que teve início em Wuhan, província de Hubei, na China e, poucas semanas depois, casos da mesma natureza foram observados no Japão, Tailândia e Coreia do Sul, chegando aos países de outros continentes como o Europeu, Americano e Africano (MISAU-INS, 2020).
No 30 de Janeiro de 2020 a Organização Mundial da Saúde (OMS), depois de muitos estudos, declarou a emergência de saúde pública mundial devido ao alastramento da doença pandémica que atribuiu a designação de COVID-19. A 22 de Março de 2020, foi diagnosticado o primeiro caso positivo para COVID-19 em Moçambique, na cidade capital, Maputo. O agravamento dos casos dos indivíduos positivos com COVID-19 no País, trouxe como consequência a declaração do estado de emergência nacional.
À luz da declaração do estado de emergência, as pessoas tiveram que adaptar a sua forma de convívio a nível comunitária e familiar. Este facto também verificou-se na adaptação da rotina diária dos estudantes do curso de Educação Física e Desporto do Instituto Médio de Desporto e Educação Física de Moçambique (IMEDE) que viram-se privados das aulas presencias e sujeitaram se ao confinamento e distanciamento social.
O confinamento e distanciamento social contribui com a mudança de atitude em relação aos hábitos alimentares afetando a rotina de aprovisionamento e utilização dos recursos alimentares trazendo como consequência novos hábitos e comportamentos de ingestão alimentar.
Realmente, os alimentos são fontes essenciais para o organismo humano e as formas de ingestão alimentar tende a variar de acordo com os hábitos dominantes em cada cultura. Contudo, a forma de vida ativa do indivíduo condiciona a sua relação com os hábitos alimentares.
De acordo com o SESC – Serviço Social do Comércio / Departamento Nacional (2003), alimentos são substâncias que visam promover o crescimento e a produção de energia necessária para as diversas funções do organismo. Por sua vez, alimentação é o processo pelo qual extraímos do mundo exterior os alimentos, ou seja, é o ato de comer.
Em tempo da COVID-19, também deve-se considerar que, com a introdução do isolamento social como medida de prevenção, há a possibilidade da ocorrência de muitas consequências indesejáveis, tais como a diminuição da prática de atividades físicas e alteração de hábitos alimentares, podendo ocasionar um aumento do peso corporal que, consequentemente, favorece prevalência de excesso de peso e obesidade (PAIXÃO et.al., 2020).
Efetivamente, este pode ser o caso dos estudantes do IMEDE que encontram-se em confinamento devido a pandemia da COVID-19. Estas evidências motivaram o desenvolvimento da presente pesquisa.
De acordo com MISAU-INS (2020, p. 10-11),
Sars-Cov-2 é o nome que a OMS atribuiu ao novo Coronavírus. Por sua vez a COVID-19 é a doença causada pelo vírus Sars-Cov-2. ‘CO’ vem da palavra corona, ‘VI’ vem de vírus, ‘D’ significa doença e o 19 representa o ano em que foi descoberto o novo coronavírus. Esta doença apresenta-se em formas leves, moderadas e graves, sendo a forma grave manifestada por pneumonia, no qual os pacientes apresentam dificuldade para respirar e requerem internamento e medidas de suporte respiratória.
O novo coronavírus se transmite de uma pessoa para outra, de duas maneiras principais: a primeira manifesta-se através de gotículas de aerossóis eliminadas do trato respiratório por meio da boca ou nariz a partir de uma fala, tosse ou espirro, enquanto a segunda se manifesta pelo contato direto das mãos com superfícies ou objetos contaminados por essas gotículas, sendo transmitidas ao corpo pela mucosa da boca, do nariz ou dos olhos quando o individuo, com as mão contaminadas, toca o seu rosto. (MISAU-INS, 2020).
Uma das medidas de combater a transmissão pelo novo coronavírus é o distanciamento social que pode definir-se em confinamento social. Esta prática pode trazer novos hábitos sociais dos indivíduos assim como alterações nos hábitos alimentares.
Comumente os indivíduos experimentem inúmeras práticas alimentares, no entanto muitos não se comprometem a assumir um “plano alimentar”, sendo assim, os motivos para tal ato pode ser compreendido através das dimensões socioculturais e psicológicas que envolvem a formação dos hábitos alimentares.
Partido de uma perspectiva mais ampla, os hábitos alimentares são provenientes dos aspectos culturais, antropológicos, socioeconómicos e psicológicos, que envolvem o ambiente das pessoas no geral e de ambientes especiais como é o caso dos estudantes do curso de Educação Física em confinamento devido a pandemia da COVID-19.
De referir que o CNAN – Conselho Nacional de Alimentação e Nutrição (1997), advoga o crescimento do consumo de alimentos ricos em gordura e açúcar, além do consumo excessivo de muitos produtos como a proteína animal, o sal de cozinha e as bebidas alcoólicas e, ainda a diminuição de consumo de produtos hortícolas e frutos, a obesidade, o tabagismo e o sedentarismo, são fatores de risco de diversos cancros. Este fato deve ser aceito quando acauteladas as carências prevalecentes em certos ambientes empobrecidos onde as populações tendem a ter atividades ativas para a sua subsistência, rareiam alimentos calóricos, consomem mais frutas, verduras e cereais.
Os hábitos de vida e práticas alimentares podem ser prejudiciais à saúde. Contudo, existem aqueles que podem ser auxiliares de prevenção de diversas patologias, proporcionando qualidade de vida, bem-estar e diversos benefícios ao homem (VAZ e BENNEMANN, 2014). Este facto remete a uma abordagem da publicitação dos alimentos no ambiente social e familiar. Uma publicitação que em ambientes empobrecidos pode ser feita, também como meio de levar os integrantes a aceitar o consumo destes como forma de sobrevivência.
Para Zaccarelli (2005), o comportamento alimentar é algo complexo, onde o estilo de vida norteia a alimentação, como o local, horários, número de companhias nas refeições e condições socioeconômicas. Estes aspectos criam uma nova realidade nos estudantes em estudo, tendo em consideração que no momento de confinamento, os hábitos e as dinâmicas do ambiente social são completamente alterados. Um outro aspecto a considerar é de facto as condições socioeconómicas uma vez que parte considerável destas famílias moçambicanas vive do comércio informal que no momento de confinamento são interditas de pratica-lo.
Na óptica de Rebelo e Leal (2007); Vasconcelos-Raposo et. al. (2014) e Viana e Sande (2003), as pessoas tendem a encarar a ingestão de alimentos em três formas seguintes: Ingestão emocional- que manifesta em forma da perda de controle da ingestão por exposição a fatores de stress emocional, implicando desinibição alimentar nessa situação; Ingestão externa- que diz respeito à desinibição ou perda do controle que ocorre devido a fatores externos intrínsecos aos alimentos ou à situação social em que são ingeridos; e Ingestão restrita- alimentar refere-se ao esforço que o sujeito exerce, regularmente, para controlar o seu apetite e a ingestão de alimentos conscientemente, envolvendo-se em dietas.
No presente estudo pretende-se analisar a ingestão alimentar dos estudantes do ensino de Educação Física e Desporto em estado de confinamento devido a pandemia da COVID-19.
Este estudo é do tipo transversal na medida em que as variáveis foram medidas num único momento temporal.
Participaram no estudo, 158 estudantes do curso de Educação Física do Instituto Médio de Desporto e Educação Física de Moçambique (IMEDE) dos quais 54.4% (n=86) do sexo masculino e 45.6% (n=72) do sexo feminino. Deste efetivo, 50.0% (79 estudantes) são da delegação de Maputo (IMEDE 1), 31.0% (49 estudantes) da Beira (IMEDE 2) e 19.0% (30 estudantes) de Nampula (IMEDE 3).
Relativamente aos critérios de exclusão dos estudantes no estudo, a não participação no estudo deve-se essencialmente: ao não envio das respostas no endereço telefónico recomendado.
Para avaliar os comportamentos alimentares utilizou-se o Questionário Holandês do Comportamento Alimentar (QHCA) de Van Strien et. al. (1986) adaptado por Vasconcelos-Raposo et. al. (2009). O QHCA é um questionário de autopreenchimento, constituído por 33 itens que são diferenciados em três fatores: “a restrição alimentar (item 4, 7, 11, 14, 17, 19, 22, 26, 29 e 31), a ingestão emocional (item 1, 3, 5, 8, 10, 13, 16, 20, 23, 25, 28, 30 e 32) e a ingestão externa (item 2, 6, 9, 12, 15, 18, 21, 24, 27 e 33)”( VASCONCELOS-RAPOSO, 2014, p.22). Os itens obedeceram a escala de Likert de 1 a 4 (Nunca=1; Poucas vezes=2; Algumas vezes=3; Muitas vezes=4).
O indicador “Quando passa por uma confeitaria ou “snack-bar” sente desejo de comprar alguma coisa deliciosa?” não foi incorporado no questionário dado ao enceramento destes estabelecimentos comerciais por motivo de “confinamento no estado de emergência devido a pandemia de COVID-19”.
A recolha de dados foi feita utilizando a plataforma whatsapp com apoio da Direção Pedagógica do IMEDE.
O QHCA foi enviado no grupo whatsapp de interação de atividades do curso de Educação Física e Desporto do IMEDE. Sendo que, as respostas às questões de questionário foram enviadas ao número via mensagem ao número de um professor da equipa de investigação.
O tratamento estatístico dos dados foi realizado com recurso ao programa IBM SPSS (Statistical Package for Social Sciences) versão 20.0 com vista ao apuramento da estatística descritiva (percentagem, média, desvio padrão) e inferencial (valor de consistência do questionário, T-Test e ANOVA).
Quanto ao nível de significância, foi fixado para todos os testes o valor de 0.05.
Os dados foram submetidos a verificação da normalidade na base dos valores de assimetria e achatamento (tabela 1), verificando-se que as variáveis apresentam uma distribuição normal e, por isso, recorreu-se ao uso de testes paramétricos.
Tabela 1: Valores da média, desvio padrão, assimetria e achatamento das dimensões de ingestão alimentar
| Dimensão | M ± DP | Assimetria | Achatamento |
| Ingestão Restrita | 2.27 ± 0.46 | 0.206 | 0.066 |
| Ingestão Externa | 2.44 ± 0.41 | -0.178 | -0.514 |
| Ingestão Emocional | 1.97 ± 0.37 | 0.357 | -0.373 |
Fonte: Autor.
Com vista a verificar a fidelidade do instrumento utilizado, foi calculado o Alpha de Crombach. O Alpha de Crombach do Questionário de Avaliação de Ingestão Alimentar (QAIA) foi de 0.73. A dimensão emocional com Alpha de Crombach igual a 0.532, ingestão externa com Alpha de Crombach igual a 0.483 e a ingestão restrita com Alpha de Crombach igual a 0.565.
Fizemos as comparações entre os sexos dos estudantes de Educação Física e Desporto, quanto ao às dimensões de comportamentos alimentares utilizando-se o T-Test. Não se detetou diferenças estatisticamente significativas ingestão restrita (p=0.830), ingestão externa (p=0.871) e ingestão emocional (p=0.077) (tabela 2).
Tabela 2: Valores da média, desvio padrão e T-Test das dimensões de ingestão alimentar no contexto género
| Dimensão | Masculino (N = 86) M ± DP | Feminino (N = 72) M ± DP | T | P | ||||
| Ingestão Restrita | 2.26 ± 0.49 | 2.28 ± 0.43 | -0.215 | 0.830 | ||||
| Ingestão Externa | 2.44 ± 0.44 | 2.45 ± 0.38 | -0.162 | 0.871 | ||||
| Ingestão Emocional | 2.02 ± 0.37 | 1.91 ± 0.38 | 1.779 | 0.077 | ||||
Fonte: Autor.
Os inqueridos do estudo pertencem a três delegações do IMEDE localizadas na zona sul, centro e norte de Moçambique. A análise de variância multivariada demonstra que na ingestão alimentar, existe um efeito diferenciador significativo por parte dos estudantes do curso de Educação Física das três delegações do IMEDE [Wilks’ Lambda=0.90, F(6.306)=2.621, p=0.017].
O teste Post Hoc, identificou diferenças significativas entre os estudantes do IMEDE na dimensão ingestão restrita (p=0.020) e ingestão emocional (p=0.003) (Tabela 2).
Tabela 3: Média, desvio padrão e análise multivariada das dimensões do comportamento alimentar no contexto delegação do IMEDE
| Dimensão | IMEDE 1 (N = 79) M ± DP | IMEDE 2 (N = 49) M ± DP | IMEDE 3 (N = 30) M ± DP | F | P |
| Ingestão restrita | 2.17 ± 0.05 | 2.39 ± 0.06 | 2.35 ± 0.08 | 4.014 | 0.020 |
| Ingestão externa | 2.40 ± 0.04 | 2.48 ± 0.05 | 2.50 ± 0.07 | 0.922 | 0.400 |
| Ingestão emocional | 1.89 ± 0.04 | 2.12 ± 0.05 | 1.93 ± 0.06 | 5.942 | 0.003 |
Fonte: Autor.
Realmente, a análise univariada demonstra que existe diferenças estatisticamente significativas entre estudantes do curso de Educação Física e Desporto do IMEDE 1 e IMEDE 2 na ingestão restrita (p=0.027) e ingestão emocional (p=0.003).
No presente estudo procuramos analisar a ingestão alimentar nos estudantes do curso de Educação Física no estado de confinamento devido a pandemia de COVID-19. Em relação ao instrumento utilizado constatou-se que os indicadores demonstraram uma consistência interna aceitável corroborando com os estudos de Vasconcelos-Raposo et. al. (2014) e Viana e Sinde (2003). Contudo, as dimensões tendem a apresentar níveis de consistência pobres (ingestão emocional e ingestão restrita) e inaceitável (ingestão externa) facto que diverge com estudos de Vasconcelos-Raposo et. al. (2014).
No contexto sexo, verificou-se que não existem diferenças estatisticamente significativas (p=0,05) de abordagem da ingestão alimentar, indo ao encontro dos estudos de Poínhos et. al. (2015); Ribas et. al. (2004) e World Health Organization (2015). A não existência de diferença dos comportamentos alimentares no contexto os géneros dos estudantes do curso de Educação Física e Desporto pode estar associada ao fato de que como eles dominam a forma como devem encarar os alimentos visto que possuem conhecimento provenientes das disciplinas de nutrição no desporto, da bioenergética e da psicologia do desporto e exercício.
Quando analisadas as médias das dimensões de ingestão alimentar verifica-se que ingestão externa tende a ter pontuação elevada, indo em contradição com os estudos de Freitas (2016) que apontam a Ingestão restrita. Ainda de acordo com Freitas (2016), são poucos os estudos que se debruçaram sobre as diferenças entre sexos no que respeita a dimensão ingestão externa. A valorização ingestão externa remete a considerar que os estímulos ambientais externos dos alimentos de que são exemplo a presença do alimento, o cheiro/aroma tendem a predominar o comportamento alimentar. Contudo, é importante salientar que a ingestão externa tem sido associadas a ingestão excessiva, ao aumento ponderal e a um maior índice de massa corporal (VAN STRIEN, 2012; CROCKETT, 2015; MATA, 2015).
Entretanto, foram encontradas diferenças de relacionamento de estudantes de IMEDE 1-Cidade de Maputo e IMEDE 2-Cidade da Beira na ingestão alimentar restrita. A restrição alimentar pode estar relacionada com a necessidade de limitar comer a todo o tempo visto que estão num ambiente de pouca mobilidade para fora da casa devido ao confinamento decretado no estado de emergência a Covid-19 em Moçambique. Os estudantes de IMEDE 2-Beira tendem a dar mais valores que os de IMEDE 1-Maputo.
Os estudantes do IMEDE 1-Cidade de Maputo e IMEDE 2-Cidade da Beira apresentaram percepção diferenciada na abordagem da ingestão emocional. A emocional tende a estar relacionada com stress. Este facto remete a considerar que o confinamento devido a pandemia de COVID-19 pode propiciar o surgimento de stress e, por sua vez, o stress propicia a recorrência sistemática a ingestão de alimentos.
Quando analisadas as médias das dimensões da ingestão no contexto delegação que corresponde a zona norte, centro e sul de Moçambique verifica-se uma tendência acentuada da valorização da ingestão externa por parte dos estudantes do IMEDE 3 (zona norte).
Conclui-se que o QHCA apresentou consistência interna aceitável corroborando com os estudos de Vasconcelos-Raposo et. al. (2014) e Viana e Sinde (2003).
Os estudantes valorizam a ingestão externa, não existindo diferenças estatisticamente significativas da ingestão alimentar no contexto sexo. No contexto delegação existem diferenças estatisticamente significativas na abordagem da ingestão emocional e restrita.
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[1] Doutorando em Ciências do Desporto, Mestre em Ciências do Desporto, Licenciado em Ensino de Educação Física e Desporto.
[2] Mestre em Ciências de Educação, Licenciado em Defectologia.
[3] Doutor em Ciências Sociais e Humanas – Ciências do Desporto, Mestre em Ciências Pedagógicas do Desporto, Licenciatura em Treino de Atletismo.
Enviado: Setembro, 2020.
Aprovado: Outubro, 2020.
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