REVISÃO SISTEMÁTICA
SILVA, Kédima Braga da [1], RAMALLO, Bianca Trovello [2]
SILVA, Kédima Braga da. RAMALLO, Bianca Trovello. Efeito do treinamento de força no tratamento de Incontinência Urinária em mulheres corredoras de longa distância. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 10, Ed. 10, Vol. 02, pp. 111-130. Outubro de 2025. ISSN:2448-0959. Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao-fisica/mulheres-corredoras, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/educacao-fisica/mulheres-corredoras
A incontinência urinária é uma doença marcada por qualquer perda involuntária de urina que surgem geralmente pela gravidez, pós-parto, em cirurgias quando a constipação, variações nos níveis hormonais, obesidade e também da fraqueza dos Músculos do Assoalho Pélvico. O treinamento de força parece ser um complemento importante para a manutenção da saúde em geral das mulheres corredoras, manter um bom desempenho durante o exercício e esporte implica na prescrição correta, descanso adequado e estruturas funcionais, como ossos, músculos e articulações. OBJETIVO: Revisar na literatura os meios e métodos de prevenção da incontinência urinária para a modalidade corrida. Foi realizada uma revisão sistemática com os descritores para mulheres (atletas praticantes de corrida de longa distância), intervenção (meios e métodos de aplicação clínica) e desfecho (melhora no desempenho, na prática de atividade física) com bases de dados (Scielo, Bireme e Pubmed e livros) realizados com critérios de inclusão, publicações de artigos no máximo 5 anos, no idioma português. Após aplicação de critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados 11 estudos que passaram a ser analisados. Foi utilizada estatística descritiva na análise qualitativa dos estudos inclusos. RESULTADOS: Nos estudos avaliados foram identificadas formas de tratamento para a incontinência urinária em corredoras de longa distância. Estudos comparativos com outras modalidades, estudos que abordavam patologia ou reabilitação e estudos que abordavam aspectos patológicos ou reabilitação foram encontrados. Entre os estudos verificou-se a importância da avaliação, biomecânica, física e antropométrica. CONCLUSÃO: Um dos achados que contribui para a prevenção da incontinência urinária são os métodos de treino intervalados com elevada intensidade, para preparar as atletas às demandas fisiológicas da corrida. Verificou-se utilização de exercícios especiais, em particular o trabalho específico pliométricos, para desenvolver os sistemas aeróbicos e anaeróbicos. Sugerem-se outros estudos com delineamentos diferentes e que possam contribuir com a prescrição de treinamento para a modalidade.
Palavras-chave: Treinamento de força, Incontinência urinária, Mulheres, Assoalho pélvico e qualidade de vida.
A incontinência urinária é definida como perda involuntária de urina (vazamento) segundo a Sociedade Internacional Continência (ICS) e, a partir de 1998, foi considerada uma doença pela Classificação Internacional de Doenças (CID/OMS). Ela afeta uma porção significativa da população, aumenta com a idade e a prevalência maior é em mulheres. Há um aumento nos homens que apresentam câncer de próstata e que lutam contra a incontinência. Já em mulheres está associada às disfunções ou fraqueza dos músculos do assoalho pélvico que surgem geralmente na gravidez, no pós-parto, em cirurgias, no momento da menopausa, quando há constipação, quando há variação nos níveis hormonais e não obesidade. Clinicamente, o diagnóstico costuma ser feito mediante a avaliação das condições clínicas, anatômicas e o Prolapso dos Órgãos Pélvicos (POP).
Existem três tipos principais de Incontinência urinária que são:
– A Incontinência Urinária de Esforço (IUE) definida como perda involuntária de urina relacionada ao aumento da pressão intra-abdominal sobre o músculo perineal, gerado pelo esforço, na prática do exercício, no ato de tossir ou espirrar;
– A Incontinência Urinária de Urgência (IUU) que consiste na perda involuntária de urina após uma forte sensação de urgência ou desejo compulsivo de fazer xixi, não conseguindo controlar;
– A Incontinência Urinária Mista (IUM), que é a perda involuntária de urina quando estão presentes a incontinência urinária por esforço e por urgência.
Conforme os dados, estima-se que a Incontinência Urinária de Esforço (IUE) no Brasil atinge de 10 a 20% das mulheres jovens em fase reprodutiva e que de 30 a 40% estejam na pós-menopausa, acima dos 50 anos. A maioria do público feminino não fala sobre o assunto devido à falta de informação, acham que perder urina é algo normal. Raramente os profissionais da área de educação física fazem uma avaliação inicial, o que dificulta a busca da prevenção e tratamento. Os estudos encontrados mostram que 80% das mulheres atletas perdem urina durante o treinamento, porém elas relatam queixas somente depois de dois anos e meio de prática. A incidência de perda de urina na corrida é de 30% a 40%, além de outras modalidades: 30%das atletas de salto com as pernas afastadas; 28% das que saltavam com as pernas unidas; 14% das que aterrissavam, 80% trampolim, 50%futebol. Com alto impacto e volume de treino, percebemos o risco de desenvolver a incontinência urinária ou até mesmo piorar o problema (Teixeira et al. 2017).
Na corrida, as forças de reação vertical com o solo podem aumentar entre 1,6 e 2,5 vezes, chegando a 16 vezes o peso corporal da atleta, e a transmissão do choque entre os pés e o chão pode afetar o mecanismo de continência pela alteração da quantidade de força transmitida ao Assoalho Pélvico (AP). A prevalência de IU em corredoras de longa distância é de 62,2% e houve associação entre a distância percorrida por semana na corrida e a presença de perda urinária, sugerindo que mulheres que perdem urina apresentam maior carga de treino semanal. Além disso, as possíveis consequências como osteoporose, doenças cardiovasculares, a perda do rendimento, distúrbios alimentares e amenorreia hipotalâmica decorrente de exercício físico intenso também podem desencadear a IU em atletas devido aos baixos níveis hormonais, fundamentais para ocorrer a posição uretral, um dos mecanismos intrínsecos de continência urinária e suas possíveis consequências (Silva, 2017).
As mulheres fisicamente ativas que apresentam UI têm significativamente afetada a sua qualidade de vida, como também têm o seu desempenho prejudicado na realização dos exercícios físicos. Muitas mulheres abandonam as atividades devido à incontinência e utilizam absorventes e fraldas, além de evitar ingerir líquidos para não perder urina durante a prática dessas atividades. O profissional de educação física tem um papel fundamental na orientação adequada de exercícios, transformando essa prática numa intervenção preventiva da incontinência urinária entre mulheres fisicamente ativas e não ativas. Os exercícios físicos de alto impacto e/ou muito esforço são considerados fatores preponderantes para o desenvolvimento da incontinência urinária (Ferraz et al. 2018).
A Síndrome da Bexiga Hiperativa (SBH) é definida como incontinência urinária com ou sem incontinência de urgência, com necessidade de acordar e urinar à noite, na ausência de infecção do trato urinário ou outra patologia óbvia. Subtipos mais raros de incontinência em mulheres incluem incontinência postural, que é perder urina com mudanças de posição do corpo (muitas vezes ao levanta-se ou curva-se), enurese noturna sendo o vazamento de urina durante o sono, as causas comuns que incluem fístulas vesicais e perda de urina durante o ato sexual. O termo ‘incontinência funcional’ pode ser usado para se referir à incontinência no contexto de deficiência física ou cognitiva, como fratura de quadril ou demência que limita a mobilidade de processar informações sobre plenitude vesical. O diagnóstico da incontinência urinária não são só sintomas, é necessária uma avaliação abrangente que requer um histórico médico, exame físico, urinálise de determinados fatores como micção até 7 vezes por dia nas horas de vigília é considerado normal e com um volume de micção de 250ml a 300ml (embora o volume seja maior no período da manhã). Uma bexiga adulta saudável tem limite de 500ml e pode acomodar esse volume relativamente grande com pouco ou sem nenhuma pressão intra-abdominal, devido à complacência viscoelástica da bexiga, é a prevenção e melhor forma para evitar IU (Aoki et al. 2018).
A baixa ingestão de água: quando a pessoa ingere pouca água, a urina fica concentrada, essa condição deixa a bexiga irritada, mais sensível, levando a uma vontade forte de urinar mesmo em quantidades pequenas de urina armazenada. A baixa ingestão de água pode favorecer a incontinência urinária, intensificada com a ação de bebidas e alimentos irritantes. Assim, a primeira forma de melhorar a saúde da bexiga é bebendo água. A quantidade de água necessária é de 30 ml por kg (peso) por dia. Por exemplo, uma pessoa com 60 kg deverá multiplicar esse valor por 30, ou seja, deveria tomar 1800 ml de água por dia. Podendo ser necessário um volume maior se a pessoa for constipada (Assis et al. 2020).
O assoalho pélvico é um conjunto de músculos, ligamentos e fáscias que atuam como uma parede (músculo coccígeo e levantador do ânus) que fazem a sustentação dos órgãos pélvicos como a bexiga, útero, reto e intestino e todo conteúdo que fica na pelve formada a partir de ossos (ilíaco, ísquio e do púbis) que se articulam com sacro parte baixa do abdômen. Constituído também por 70% de fibra tipo I denominada fibra lenta e 30% de fibra tipo II, sendo que a fibra rápida tem um papel importante para a capacidade de sustentação dos órgãos na locomoção humana (Mota, 2020).
O músculo diafragma atua durante toda a prática de exercícios e esportes que envolvam o controle do tronco. Observamos que, em uma pequena e média amplitude e ao equilibrar o corpo, deve-se levar em consideração a interação dos músculos diafragma, músculos do assoalho pélvico e abdominais, os músculos intercostais externos, glúteo médio, psoas maior e músculos do assoalho pélvico atuam como estabilizador da coluna vertebral pelo diafragma. Os músculos do assoalho pélvico e o diafragma estão em sinergismo com o transverso abdominal e são responsáveis por manter e aumentar a pressão durante a prática de exercícios e esporte, em várias tarefas posturais, geradas por redes neurais no tronco cerebral. A inspiração é realizada ativamente e assegurada pelos músculos inspiratórios, sendo o diafragma o principal deles, atuando conjuntamente com os músculos internos e externos. Na expiração, na maioria das vezes, realiza-se o relaxamento da musculatura inspiratória, exceto na expiração forçada, onde a contratilidade das fibras originárias do pulmão, associadas à elasticidade das fibras conjuntivas, facilitam o momento expiratório e assim, o core pode permitir maior estabilidade para troco (Pereira, 2020).
Diversos recursos podem ser usados para começar a identificar os músculos pélvicos e são indicados para o tratamento desta condição, tais como: biofeedback, cones vaginais e eletroestimulação, toque, espelho, consciência corporal, entretanto o profissional especializado no assunto pode utilizar treinamento funcional, treinamento de força dos Músculos do Assoalho Pélvico (MAP). Este foi estimado pela ICS como o melhor meio de tratamento conservador, pois demonstra sua eficácia comprovada (Ferreira, Batista, 2022).
O método de treinamento que corresponde aos exercícios como meios diretamente no processo de contração e sustentação dos Músculos do Assoalho Pélvico (MAP) e controle do esfíncter posterior é foco para qualidade de vida em mulheres corredoras de longa distância com UI (Assis, Silva, Martins, 2021).
A forma de contrair e relaxar ocorre em processo fisiologicamente complexo e, para poder ter um bom funcionamento AP, é necessário que diferentes músculos, nervos parassimpáticos, simpáticos, somáticos e sensoriais trabalhem em conjunto e, se houver qualquer deficiência das citadas acima, pode desenvolver a IU (Pereira et al. 2019).
Devido à especificidade da mulher atleta corredora durante o exercício e esporte, o fortalecimento do assoalho pélvico compreende basicamente a realização dos exercícios de Kegel, que objetivam trabalhar a musculatura perineal, realizando exercícios de contração e relaxamento, contração rápida e lenta, contrai-relaxa, contrai-manter e está contração associada à respiração, assim como, pode ser associada com a tosse estimulada, sendo o número de repetições duas séries e 20 repetições ou 10 repetições na postura deitada, sentada e em pé. O fortalecimento muscular é muito importante, tanto para os músculos do assoalho pélvico, como para os grupos de musculatura próxima, como, por exemplo, quadril e glúteo. Ainda com relação aos exercícios, pode ser realizada a flexão de tronco associada com a respiração adequada, lenta e profunda. Durante a expiração, não poderá ser feita a contração dos músculos do assoalho pélvico e outras atividades podem ser realizadas, como subir e descer escadas, levantar-se da posição deitada para sentada, correr, rir e tossir (Reis, 2021).
O presente trabalho pretende discutir o efeito do treinamento de força no tratamento de incontinência urinária em mulheres corredoras de longa distância para informações a profissionais da saúde.
Optou-se pela revisão sistemática como metodologia de pesquisa, etiologia, investigação e gestão atual da incontinência, juntamente com sua definição na Sociedade Internacional de Incontinência (ICS), sendo um dos principais fatores, o tipo incontinência urinário IU. Neste contexto, procurando contribuir para o conhecimento da população feminina na corrida, propusemos o tema efeito do treinamento de força no tratamento de incontinência urinária em mulheres praticantes de corrida de longa distância, além de buscar estratégias para a prevenção dessa doença, bem como a sua publicação futura.
Foi utilizada a estratégia PICO para auxiliar na construção da questão norteadora da pesquisa e na seleção de estudos. A estratégia PICO representa o acrônimo para população, intervenção, comparação (não houve no presente estudo) e “Outcomes” (desfecho).
O estudo foi realizado para mulheres (atletas praticantes de corrida de longa distância), tal intervenção (meios e métodos de aplicação clínica) e desfecho (melhora no desempenho, na prática de atividade física).
A primeira etapa da revisão, busca estudos com bases de dados (Scielo, Bireme e Pubmed e livros) realizados com critérios de inclusão, publicações de artigos no máximo 5 anos, no idioma português. Os operadores booleanos “AND”, “OR,” “AND NOT” foi utilizado para combinação dos descritores e considerados os estudos com métodos de treinamento de força, incontinência urinária, mulheres, assoalho pélvico e qualidade de vida! Nesta perspectiva, o treinamento de força associado à contração dos músculos perineais para prevenção e tratamento de incontinência urinária são fundamentais. O levantamento inicial contou com 57 artigos. Foram retirados os estudos repetidos e não específicos para mulheres corredoras, realizadas a leitura dos títulos e resumos a fim de verificar a adequação ao propósito desta revisão, permanecendo a dúvida, a leitura do artigo na íntegra foi realizada.
A segunda etapa aplicou os critérios de exclusão previamente definidos. Foram adotados como critérios de exclusão: artigo de revisão consistiu na busca de estudos, foi considerado o tipo de incontinência urinária em mulheres atletas corredoras, a chamada “Incontinência Urinária de Esforço” (IUE), índice após dois anos e meio de prática. Diferentes tipos de incontinência urinária variam entre com ou sem urgência e fecal. Na arriscada para desenvolver e piorar, os sintomas foram associados ao volume percorrido com a demanda de carga semanal de treino. Após essa etapa, permaneceram apenas 11 artigos com potencial de revisão e específico de treino para mulheres corredoras.
A terceira etapa aplicou critérios de inclusão para a seleção dos estudos que comporiam a revisão. Os critérios de inclusão foram aplicados conforme o objetivo proposto de revisão sistemática. Nesta fase foram inclusos os estudos que: compreendiam atletas praticantes de corrida de longa distância; aplicação e análise dos meios e métodos de treinamento; aplicação para prescrição de treinamento; objetivo de aumento do nível de preparação e desempenho. Após análise de 57 artigos, apenas 11 preencheram os critérios de inclusão e passaram a ser analisados para melhores efeitos.
Nos estudos selecionados foram analisados os seguintes dados: a mulher atleta corredora, aspectos, tipo de treinamento, conteúdo do treinamento, proposta de intervenção acerca do método ou meio de treinamento e resultado das intervenções.
FLUXOGRAMA 1- Artigos de contrações pélvicas
TABELA 1. Artigos de contrações pélvicas
| AUTOR / ANO | OBJETIVO DO TRABALHO | METODOLOGIA | RESULTADOS / CONCLUSÃO |
| Teixeira et al. 2017. | Identificar qual é o conhecimento que apresentam os profissionais de EF, que trabalham em academias, sobre a função do AP e sua relação com exercícios físicos | Observamos que entre os profissionais de EF não há uma clara associação estabelecida quanto à relação dessa musculatura com os exercícios físicos | Os exercícios, se bem orientados, podem melhorar a qualidade de vida, como também prevenir o desenvolvimento dessa doença |
| Silva, 2017. | Avaliar a perda urinária em atletas corredoras e correlacionar com a carga de treino semanal e com variáveis cinemáticas da corrida | Foi encontrada associação entre carga de treino semanal e perda de urina, sugerindo que mulheres que perdem urina percorrem maiores distâncias por semana | A carga de treino semanal parece estar associada a menor força dos músculos do assoalho pélvico |
| Ferraz et al. 2018. | Analisar a prevalência de IU em atletas praticantes de corrida de rua. | A IU em atletas praticantes de corrida de rua. | A prevenção é a melhor forma para evitar a IU. |
| Aoki et al. 2018. | Com o trabalho de abdômen, houve uma melhora da respiração, importante também na musculatura do AP. | Consciência do MAP e da respiração, treino de força e ganhar mobilidade promovem o equilíbrio do corpo e estabilidade pélvica | Trazendo benefícios durante a gestação e no pós-parto. |
| Mota, 2020.
| O objetivo desse estudo foi avaliar a respiração do músculo abdômen e o do músculo AP. | Na expiração, na maioria das vezes, realiza-se o relaxamento da musculatura AP inspiratória, exceto na expiração forçada. | Deve-se levar em consideração, durante o exercício entre a respiração, o músculo abdominal e o MAP. |
| Assis et al. 2020.
| Analisar a baixa ingestão de água que favorece a incontinência urinária. | Com a pouca quantidade de água, a urina fica concentrada na bexiga com a ação das bebidas e alimentos irritantes. | Deve-se levar em consideração a ingestão do volume de água para desempenho físico. |
| Pereira, 2020. | O objetivo desse estudo foi avaliar a respiração do músculo do abdômen e o do músculo AP. | Na expiração, na maioria das vezes, realiza-se o relaxamento da musculatura AP inspiratória, exceto na expiração forçada. | Deve-se levar em consideração, durante o exercício entre a respiração, o músculo abdominal e o MAP. |
| Ferreira, Batista, 2022. | O método de treinamento para MAP para atendimento à mulher atleta com incontinência urinária.
| Tratamento com cones vaginais e eletroestimulação, toque, espelho, consciência corporal, flexibilidade e treinamento funcional para MAP. | Foi estimado pela ICS como o melhor meio de tratamento conservador, pois demonstra sua eficácia comprovada. |
| Assis, Silva Martins et al. 2021. | O método de treinamento para MAP para atendimento à mulher atleta com incontinência urinária. | Os meios diretamente no processo de contração e sustentação do Músculo do Assoalho Pélvico (MAP) e controle do esfíncter. | Foco na qualidade de vida em mulheres corredoras de longa distância com UI.
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| Pereira et al. 2019. | Análise anatômicas que envolvem a incontinência urinária em mulheres.
| É necessário que os músculos, nervos simpáticos, parassimpáticos e somáticos trabalhem em conjunto para contrair e relaxar AP. | Atividades específicas de treino de percepção corporal e tônus muscular do MAP. |
| Reis, 2021. | O tratamento para a IU é o treinamento de força dos MAP.
| Exercícios de fortalecimento para o assoalho pélvico com intensidade, frequência semanal e duração variáveis. | Foi observada redução da IU com fortalecimento muscular, AP com exercícios ativos e/ou com recursos terapêuticos, como eletroestimulação, biofeedback e os cones vaginais. |
Fonte: Autora, 2023.
O propósito da preparação esportiva é possibilitar a elevação máxima de preparação dessa musculatura MAP e dos princípios psicológicos. Atingir o nível necessário de desenvolvimento das capacidades físicas, força, resistência, flexibilidade, são tarefas que a mulher atleta deve cumprir durante o processo de treinamento. O exercício, como meio de treinamento, constitui-se como base da preparação principal, elemento da solução dessa tarefa. Obrigatoriamente, o meio do treinamento está atrelado ao método que constitui o processo organizado da utilização dos meios, com o objetivo de desenvolver as qualidades necessárias à modalidade.
Verificam-se os estudos a partir de 2017. O crescimento a cada ano de mulheres nas corridas, em estudos publicados sobre corridas e outras modalidades esportivas de impacto, já foi demonstrado em outros estudos. A popularidade dessa modalidade tem aumentado, há uma maior exposição da mídia e, no caso da corrida, o ingresso de participantes nas academias (local de treino). No levantamento realizado pelo Ministério do Esporte entre o período de 2004, 2017, atingido em 2017, o número de atletas no Brasil cresceu 90%, envolvendo mais de 8 mil participantes. Com a demanda elevada das atletas e amadores, tornam-se uma consequência maior de estudos e publicações acerca da modalidade.
Os 2,8% dos entrevista dos indicou a corrida de rua como a principal prática esportiva, com participação do sexo feminino em provas. Há uma predominância de incontinência urinária, perda de urina e fecal em mulheres atletas nas amostras dos estudos, podendo ocorrer no sexo masculino também. O ingresso feminino nas academias depara com diversas dificuldades relacionadas à falta de apoio e informação sobre o assunto. Adicionalmente, as corridas e o atletismo são modalidades esportivas de provas que estão atreladas ao conceito de vigor, potência e agressividade, considerando o padrão anatômico da feminilidade.
Grande parte dos estudos inclusos abordou o treinamento de conteúdo aeróbio, anaeróbio favorecem a potência muscular. O perfil fisiológico e funcional da modalidade foi objetivo de estudos de diversos trabalhos. É consenso que as mulheres atletas precisam de altos níveis de potência aeróbicos e anaeróbicos, capacidade aeróbica, resistência muscular e flexibilidade.
Ferraz et al. 2022 sugere que o desempenho da modalidade está significamente relacionado com treinamento de força, já que esse é determinante para prevenção e tratamento da perda de urina devido aos esforços intensos e à ingestão do volume de água durante a prática da corrida. O treinamento de força é necessário para suportar o impacto e para garantir a recuperação adequada dos músculos do assoalho pélvico na corrida, pois muitas provas acontecem no mesmo dia. Enfim, por trata-se de uma modalidade de percussão, com aplicações de subida e descida, a resistência muscular é essencial para execução de ações mais velozes e eficientes.
Entre os EFP “exercícios de fortalecimento do períneo” identificados para a modalidade, os exercícios de força foram os mais recorrentes para o tratamento da incontinência urinária. A literatura sugere que as modalidades esportivas de impacto devem contemplar respiração, exercícios de resistência abdominal e exercícios complementares para reforço muscular MAP (Alves, 2020).
Os estudos analisaram a manifestação de potência e resistência muscular, utilizando exercícios pirométricos e exercícios complexos. Para as modalidades de potência, é interessante que, durante o aquecimento, sejam inclusos exercícios de força para potencializar as manifestações de forças rápidas. Este mecanismo é conhecido como co-contração do assoalho pélvico, que se trata de uma ação de produção de força explosiva, decorrente da execução prévia de exercícios de força (Alves, 2022).
As corridas foram também utilizadas como meios de treinamento das capacidades aeróbicas e anaeróbicas, parte nos estudos inclusos. Tradicionalmente, a corrida é um exercício muito utilizado que se encaixam para o desenvolvimento aeróbico e anaeróbico, no entanto, necessitam também para EFP específicos para a modalidade.
Somente um estudo tratou de contribuir para flexibilidade, onde foram utilizados exercícios de alongamentos, contração e relaxamento da musculatura do assoalho pélvico e controle esfíncter, fundamental para mulheres corredoras de longa distância (Gonçalves et al. 2018).
O tratamento da flexibilidade na corrida, caracterizado que o pé do oponente pode ser decisivo e conferir pontuações maiores. Em contrapartida, uma inadequada amplitude de movimento pode comprometer a execução da técnica.
No estudo de SPADARI foram utilizados exercícios coordenativos de equilíbrio, deslocamentos e variações de técnicas. O desenvolvimento das capacidades coordenativas é importante e necessário, pois servem como base para a execução de técnica específica para modalidade e objetivo.
O CICLO MICCIONAL identificado na revisão sistemática foi relacionado aos pontos anatômicos, fases ao conteúdo simpático, parassimpático e somático. Os exercícios específicos (percepção corporal) foram utilizados para proporcionar incrementos no metabolismo simpático, parassimpático e somático. Além do auxílio do Kegel (aplicativo), permite proporcionar incrementos para contração e relaxamento dos músculos do assoalho pélvico (Pereira, 2018).
Sugere-se que o exercício de Kegel, pode oferecer de maneira segura e complementar de aplicar sobrecarga, podendo ser realizados em casa com ou sem ajuda do profissional da saúde.
Guimarães et al. 2020 verificou que exercícios como os movimentos de saltos e corrida (gestor motor específico) são exercícios de alta intensidade que podem gerar uma sobrecarga ao assoalho pélvico e desencadear a incontinência urinária em mulheres atletas com maiores valores de pressão abdominal se comparadas as não atletas.
O princípio eletroestimulação pode ser um meio importantíssimo de aperfeiçoamento em qualquer situação. Os EFP representam o melhor meio para produzir condicionamento e melhora da perda de urina. Dessa forma, quanto maior o grau de correspondência entre os exercícios de treinamento e competição, será maior a transferência e mais eficaz será o processo de treinamento.
É importante ressaltar que o exercício de força pode fortalecer a musculatura do assoalho pélvico e a segunda que o exercício físico pode sobrecarregar e diminuir a força MAP em mulheres atletas corredoras de longa distância, podendo adquirir uma maior resistência e a tonificação ao alongamento promovido pela contração muscular. Entre as idades, mulheres de 21 a 65 anos foram relacionadas à maior prevalência de perda de urina devido aos esforços, tempo e duração, na prática de corrida, fatores preditores da doença (Rizza, 2019).
A escala de Oxford modificada (0 a 5): 0- ausência de atividade muscular, 1 – esboço de contração, 2- contração fraca, 3 – contração que comprime os dedos 4- contração satisfatória que aperta os dedos em direção sínfise púbica 5-contração forte que comprime firme os dedos em direção sínfise púbica. As participantes precisam receber essas instruções para corrida de longa distância de como (contrair, relaxar e focar na região do ânus, puxar para dentro como se precisassem segurar os escapes de gases), observar o movimento. Assim, torna-se necessário contar com a orientação do profissional de educação física para não piorar o problema e comprometendo o desempenho físico (Rizza, 2019).
O programa de exercícios oferece tipos de ações musculares, velocidade de execução do movimento, volume, intensidade do treino, frequência semanal, séries, tornando o treinamento mais eficaz e seguro para a mulher atleta com IU que podem contribuir para saúde e bem-estar. O planejamento deve ser de forma individualizada, atendendo às necessidades e cuidados sempre ministrados pelo profissional de educação física, levando a resultados significantes no desempenho, sem risco de lesão na musculatura do assoalho pélvico. Os benefícios para prática regular têm sido sugeridos treinamento de força durante um determinado período para causar adaptações fisiológicas e biomecânicas e bioenergéticas, sendo recomendável realizem no mínimo duas sessões semanais de 1 a 3 séries de 10 a 15 repetições cada série com intervalos de 1 min enfatizando (glúteos, abdômen e coxas) além de exercícios de impacto (saltos) sempre mantendo o mesmo tempo de contração na subida e na descida podendo ser limitada de acordo com escala de Oxford modificada forte e fraca com grau de força O e 5 do assoalho pélvico (Ferraz et al. 2022).
Na prescrição do treinamento da Musculatura do Assoalho Pélvico (MAP) umas das variáveis e a escolha dos exercícios estes podem ser divididas cinco fases em força e sustentação a primeira fase uma contração é forte e o relaxamento rápido, visando fortalecer a musculatura do assoalho pélvico e gerar menos estresse. A segunda fase de contração, sustentação e relaxamento, sendo que a sustentação começa com dois segundos, aumentar mais dois a cada duas semanas até atingir a sustentação de 10 segundos, que estabiliza a pelve até pés em diferentes posições. A terceira e quarta fase são de contração com três níveis de força, com sustentação de três segundo em cada nível. Finalmente, a fase cinco é de sustentação de cinco segundos no máximo de força, relaxamento na meta de e relaxamento completo. Para aplicação integral do protocolo por parte do serviço e desta população, o retorno deve ser realizado especialmente na fase dois, na qual a dois segundos de sustentação em cada avaliação. Acredita-se que um bom estímulo cognitivo, coordenação, e de sustentação e uma boa força muscular na fase três e quatro requerem maiores coordenação que permitam contrair MAP acima de três níveis distintos, maiores coordenações, força intra e intermuscular dos músculos envolvidos e maior sustentação, que implica diretamente nos exercícios para mulheres atletas corredoras de longa distância (Assis et al. 2022).
O treinamento para os músculos do assoalho pélvico é importante destacar os objetivos dos exercícios quanto à angulação o número de séries, repetições, as articulações envolvidas o tipo de equipamento com apoio de bola, faixa elástica, bastões, peso do corpo ou em máquinas a ideia é o treinamento resistido que já exigem uma melhor propriocepção e treinamento da MAP sejam realizados são mesmo tempo em posições de decúbito dorsal, lateral, ventral, quatro apoios, sentada e de pé. No início da sessão de exercício é mais simples sendo de contração forte e rápida da musculatura perineal utilizando movimento com elevação do quadril, reto do abdômen, contribuindo para mobilização, evitando a rigidez dos músculos do assoalho pélvico, sendo específico gesto motor para gestante e atleta. O programa de exercícios quando a utilização da bola parece ser eficiente para reabilitação com efeito positivo e melhores benefícios força muscular, capacidades coordenativas consequentemente o aperfeiçoamento da técnica de esforço, recuperação e descanso aprendizado que as mulheres atletas precisam ter com músculos do assoalho pélvico e atingir maior ativação do períneo (Alves, 2020).
A prática de exercício físico regular vem sendo utilizada em todas as fases da vida, possibilitando melhora da condição cardiorrespiratória, melhora da frequência cardíaca, fortalecimento muscular, melhora da função musculoesquelética, desempenho físico e motor, contribui para prevenção da incontinência urinária e diminui a perda de urina e aumento da mobilidade. Assim, permitindo melhora nos fatores relacionados ao estresse, ansiedade e traz benefícios na qualidade do sono e no bem-estar (Spoldaro, 2022).
É possível praticar o exercício de Kegel para mulheres com ou sem IU, oferecer um meio seguro de aplicar sobrecarga, podendo ser realizados em qualquer lugar para manterem aderência ao tratamento e evitar a perda de urina mais importante para controlar a doença (Pereira, 2018).
As publicações sobre a modalidade corrida foram intensificadas nos últimos cinco anos, a incontinência urinária e as amostras femininas foram predominantes nos estudos analisados. Os onze estudos revisados apresentam informações importantes sobre os meios analisados na literatura, além das contribuições para treinadores e atletas corredoras, tendo em vista a prescrição de treinamento. Estes achados sugerem a utilização de métodos intervalados, com altas intensidades, para preparar as atletas e demandas fisiológicas da corrida.
Baseado nos resultados, o treinamento de força, orientado por um profissional especialista, resulta de forma positiva para o tratamento e prevenção da incontinência nos estudos, incluiu como um dos fatores o esforço e a recuperação. A revisão sistemática determina que foram de 1:1 e 1:2 a distância e o volume percorrido por semana nos estudos Analítico-Sintético.
O aumento da força dos músculos do assoalho pélvico será fundamental para a diminuição da perda de urina, gerando menos estresse e menor fadiga muscular. Verificou-se a utilização de exercícios especiais, em particular para trabalho específico com uso de exercício de flexibilidade, para desenvolver os sistemas aeróbios e anaeróbios, ao invés de apenas exercícios de fortalecimento do períneo para a corrida. Conclui que os exercícios especiais possam proporcionar benefícios e maior transferência e especificidade. Sugerem-se outros estudos com delineamentos diferentes e que possam contribuir com a prescrição de treinamento para a modalidade.
– Primeiramente a Deus… por mais essa oportunidade muito feliz porque demos o nosso melhor.
– À minha mãe Cida e tia Martinha pelo apoio, orações aos meus alunos e amigos do curso a Elvira Calvetti Gonzalez e Márcio Renato Trindade que ajudaram com a estrutura.
– À minha orientadora Dra Bianca Ramallo Trovello pelo conhecimento compartilhado e direção.
– À Universidade FMU e Curso Treinamento feminino por permitir toda essa evolução.
ALVES, P.; P.; F. A importância do uso da cinesioterapia associada aos exercícios de kegel para tratamento de incontinência urinária. Revista fit. 2020 12: ISSN 1678-0817
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[1] Pós-graduação- (Lato Sensu). ORCID: 0009-0009-7290-9057.
[2] Orientadora. Pós- Doutorado em Atividade Física e Disfunções Orgânicas. Doutorado em Ciências pelo Programa de Pós-Graduação em Medicina UNIFESP. Especialização em Fisiologia do Exercício e Nutrição. Bacharelado em Nutrição. Licenciatura e Bacharelado, em Educação Física. ORCID: 0000-0002-7652-6071.
Material recebido: 17 de junho de 2024.
Material aprovado pelos pares: 16 de janeiro de 2025.
Material editado aprovado pelos autores: 23 de outubro de 2025.
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