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Posso obter um título de mestrado ou doutorado sem ter feito uma graduação? Compreendendo este cenário e as suas peculiaridades

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A cátedra acadêmica e as suas principais características: as demandas e exigências de uma graduação, mestrado e doutorado

Olá, tudo bem? Em nosso post de hoje iremos retomar as nossas discussões sobre uma questão que consideramos de suma importância a fim de que entendamos como o universo da ciência brasileira funciona, atentando-nos às suas principais características e exigências. Como ressaltamos, a nossa pós-graduação stricto sensu forma mestres e doutores, contudo, há uma dúvida que guiará este post que é bastante pontuada por nossos pesquisadores: é necessário realizar um curso de graduação antes que possa fazer um curso de mestrado ou doutorado? Essa é uma questão interessante. Temos uma cátedra acadêmica que guia aqueles que desejam firmar a sua carreira nesse cenário acadêmico. De fato, tudo inicia com um curso de graduação. a partir dele aprendemos os aspectos mais gerais que perpassam pelo curso escolhido, porém, caso você queira trabalhar em um campo específico deste curso, pode realizar especializações, sendo que esses cursos podem fazer parte tanto da perspectiva do lato e do stricto sensu.

A sequência acadêmica brasileira

A fim de que essas questões sejam bem compreendidas, iremos conversar sobre a sequência acadêmica que guia os alunos e pesquisadores. A cátedra acadêmica já foi pauta de alguns posts, porém, queremos retomar as suas características para entendamos um pouco sobre a formação acadêmica de um pesquisador que está ligada a sua própria evolução. Como ressaltamos, a pergunta-guia dessa discussão é se  é possível obter um título de mestrado ou de doutorado sem que o aluno tenha feito um curso de graduação por motivos diversos (como falta de tempo e de dinheiro). Esse aluno tem ótimas ideias, mas não cursou uma graduação, porém, deseja desenvolver um estudo. É possível? A primeira coisa que precisamos pontuar é que devemos compreender a realidade brasileira, que é diferente de outros países. Cada país tem as suas próprias regulamentações a fim de que esses títulos possam ser usufruídos. Com isso, precisamos conversar sobre os órgãos que regulam a nossa ciência.

Os órgãos regulamentadores

No Brasil, temos o Ministério da Educação. Este é responsável por regulamentar os cursos de educação básica – Ensino Fundamental e Médio – bem como os nossos cursos de graduação, que compreendem o primeiro pilar da educação superior. A pós-graduação stricto sensu, por sua vez, que forma os mestres e doutores, é regulamentada e controlada pela CAPES. Em razão dos aspectos legais que perpassam por esses cursos, torna-se impossível pular um dos degraus que integram essa cátedra. Essa é uma realidade comum desde a educação básica, de modo que para que você possa fazer o Ensino Médio precisa, antes, ser aprovado em todos os níveis do Ensino Fundamental I e II. Terminando o Ensino Médio você poderá ingressar no ensino superior e realizar um curso de graduação, seja ele mais técnico ou tradicional. É apenas após o término dessa graduação que você poderá, legalmente, fazer um curso de mestrado.

Exigências dos editais

São os editais que apresentam as exigências que precisamos seguir para que possamos nos inscrever em um processo seletivo. Uma das principais é justamente a certificação de que você realizou um curso de graduação. Há certos editais que admitem a graduação em áreas específicas para que o aluno possa fazer o mestrado lá. Por exemplo, não é possível ingressar em um programa de mestrado em engenharia espacial se você não é da área. Você precisa pertencer àquele escopo de pesquisa para que possa se inscrever. Contudo, outros tipos de mestrado são mais democráticos e não restringem os candidatos a áreas específicas, porém, o seu projeto de pesquisa precisará fazer parte de uma das linhas de pesquisa desse programa. Assim sendo, deve ficar claro que você não conseguirá pular esse curso de graduação. Ele é pré-requisito para que possa prosseguir para um mestrado. Há algumas exceções, mas são raras.

Exceções nos níveis da cátedra acadêmicaExceções nos níveis da cátedra acadêmica

Embora os casos sejam raros, devemos frisar que há algumas exceções. Em um dos níveis anteriores ao doutorado, você pode descobrir algo muito inédito, porém, mesmo nesses casos, irão avaliar com rigor se você pode, de fato, prosseguir para um próximo nível sem que algum outro anterior tenha sido realizado. O mais normal é que os pesquisadores sigam essa cátedra, subindo de degrau por degrau, sem pular um dos níveis. Isso acontece porque para que você possa ingressar em um mestrado ou doutorado é preciso que tenha uma finalidade muito clara em mente. O mestrado é o primeiro degrau que escalamos quando temos como objetivo consolidar a nossa carreira no eixo da pesquisa e da docência no ensino superior. No próprio Ensino Médio você poderá identificar que gosta da pesquisa e que tem inclinação para isso. Existem programas de pesquisa voltados ao Ensino Médio que introduzem o aluno na pesquisa.

O que acontece quando a pessoa não quer cursar um certo nível?O que acontece quando a pessoa não quer cursar um certo nível?

No caso de pessoas que apontam que não querem realizar um curso de graduação e que desejam pular diretamente para o nível do mestrado ou do doutorado, tem-se um grande problema. Isso decorre do fato de que a graduação é a primeira porta de entrada que irá lhe introduzir nesse universo e que fará com que você saiba se tem interesse ou não por esse eixo da pesquisa. Contudo, pode ser que o primeiro contato desses alunos com a pesquisa comece já no Ensino Médio e/ou Técnico. Entretanto, a graduação é essencial para que o aluno chegue a uma especialização. Hoje o ensino superior é muito mais democrático, havendo possibilidades diversas para ingresso em cursos de graduação. Os valores são mais acessíveis, bem como há a possibilidade de bolsas parciais e integrais que custeiam essas mensalidades. É uma forma, inclusive, de aperfeiçoarmos a nossa capacidade científica ao longo dos anos.

E o caso das “boas descobertas”?E o caso das “boas descobertas”?

Muitas pessoas desejam pular um  nível por acreditarem que possuem boas descobertas e que essas podem revolucionar um dado contexto. É possível, porém, é preciso que essa pessoa seja superdotada, porque boas ideias não surgem da noite para o dia, mas sim de muitas pesquisas e leituras. Os níveis da cátedra acadêmica são seguidos por rigor porque farão com que o pesquisador, de forma gradativa, desenvolva a sua linha de percepção. Ao ingressarmos em uma graduação estamos adquirindo as primeiras bases para que consigamos compreender os assuntos da área e desenvolvermos alguns textos. É no mestrado que começamos a afunilar esses interesses de pesquisa e a desenvolver o pensamento crítico sobre um tema específico. As reflexões são aperfeiçoadas e isso se dá porque aquele conhecimento basilar do qual tanto necessitamos já foi aprendido neste curso de graduação. Estamos nos aperfeiçoando.

Por que a graduação é importante?Por que a graduação é importante?

Não podemos pular a graduação justamente por ser nesse momento que iremos ter as primeiras bases sobre os assuntos que perpassam pela nossa área. Sem essa base, a formação fica defasada, pois, em algum momento, você poderá precisar desse conhecimento que a graduação fornece. É essa base primária que irá fornecer o saber necessário para que possamos escolher uma vertente (linha de pesquisa) para que trabalhemos ao longo de um curso de mestrado e/ou doutorado. Essa realidade acaba sendo observada no caso de alunos que terminam um curso de graduação e resolvem realizar um curso de doutorado direto (que se dá por meio da indicação de uma banca) sem que tenham passado por um curso de mestrado. Esses casos são raros, mas existem. Iremos compreender melhor esse cenário. Há certas áreas que permitem que você realize um curso de graduação (como o Direito e a Medicina) e passe direto para um curso de doutorado.

O caso do doutorado direto

No caso de pessoas que se enquadram nessa situação, têm-se vantagens e desvantagens. Um exemplo é o fato de que os créditos a serem cumpridos nesse curso de doutorado integrarão uma quantidade muito maior do que costuma ser, justamente pelo pesquisador ter pulado a etapa do mestrado, que é considerada como essencial à formação acadêmica superior. Não passar pela experiência do mestrado também pode colocar o pesquisador em uma situação de desvantagem. O pesquisador terá pouca experiência sobretudo com a parte escrita, o que pode tornar o desenvolvimento da tese mais complexo. Os alunos que pulam da graduação direto para o doutorado, com base em nossa experiência,  passam por algumas dificuldades que se repetem, como é o caso do hábito em escrever e publicar materiais científicos, como é o caso dos artigos.

Dificuldades postas por um doutorado diretoDificuldades postas por um doutorado direto

Além do desenvolvimento da tese propriamente dita ser algo frequentemente apontado pelos pesquisadores que se enquadram nessa situação, possuem dificuldades, também, para cumprirem as demais exigências acadêmicas. Possuem dificuldades para publicarem resumos expandidos em eventos científicos e outros tipos de materiais que possuem rigor científico e metodológico para que possam ser aprovados. Assim sendo, se algumas pessoas já possuem dificuldade para se adaptarem aos mestrados pelo período ser curto e repleto de exigências, um doutorado direto pode ser ainda mais complexo se você ainda não possui tanta intimidade com esse universo. Aproveite cada um dos níveis da cátedra acadêmica e tudo o que eles têm a oferecer. A graduação por si só possui uma série de possibilidades, como a licenciatura e o bacharel. Esta graduação pode, ainda, ser técnica.

As características da pós-graduação

A pós-graduação também atende às mais diversas demandas e, por esse motivo, divide-se em duas possibilidades. A primeira delas é uma pós-graduação livre, lato sensu. Ela costuma possuir curta duração, tendo cursos que duram poucos meses. O objetivo é o de lhe preparar para atuar em um setor específico do mercado associado à sua área de formação. A finalidade aqui é bastante clara: preparar esses alunos para que atuem no mercado e sanem as suas demandas. São cursos voltados para as pessoas que possuem uma inclinação mais prática e que querem especializações mais instantâneas. Porém, temos, também, os cursos que integram a pós-graduação stricto sensu. Eles formam os nossos mestres e doutores. Esses cursos estão ligados a dois perfis de pessoas: tanto àquelas que são mais práticas, mas que também desejam investir na carreira acadêmica, quanto àquelas que são mais teóricas, acadêmicas.

As regulamentações dos cursos

Os cursos que integram os níveis do Ensino Fundamental, Médio e Graduação são controlados e regulamentados pelo MEC. Depois, temos os nossos cursos de pós-graduação. no caso da pós-graduação livre, lato sensu, esses cursos podem ou não ser regulamentados pela CAPES, sendo que essa regularização não é requisito para que possam atuar como especialistas, o que não ocorre com os cursos de stricto sensu. Esses cursos de mestrado e doutorado apenas podem existir com a autorização da CAPES. Além disso, periodicamente, são avaliados por esse órgão. Para que tais cursos continuem atuando, recebem notas a cada quatro anos e são acompanhados ao longo de todos esses anos. É um outro formato de avaliação e de pessoas envolvidas, visto que os objetivos estão ligados a esse viés mais acadêmico, o que não ocorre com os cursos do lato sensu.

Os cursos regulamentados no eixo do stricto sensu

Os nossos cursos de mestrado e doutorado são acompanhados e avaliados pela CAPES, estando sujeitos, portanto, às demandas dela. A fim de que esses cursos possam continuar com as suas portas abertas, formando, então, novos mestres e doutores, é preciso que todos os critérios, que são sempre renovados e atualizados de acordo com as novas demandas, sejam atendidos. Algo que gostaríamos de pontuar, também, é que o viés, isto é, a inclinação, define como essas demandas serão avaliadas pela CAPES. Esse viés perpassa por uma série de questões. Essas possuem dimensão histórica, filosófica e antropológica. Ele está ligado ao stricto sensu.

Devido a essa lógica, os cursos do stricto sensu, de fato, possuem uma inclinação mais teórica, porém, hoje temos os cursos profissionais que integram o stricto sensu, de modo que o pesquisador pode optar por se tornar um mestre ou doutor a partir de cursos com um viés mais prático ou teórico, acadêmico. Todavia, independentemente da inclinação, esse curso precisa ser regulamentado pela CAPES. É o próprio desenvolvimento dos nossos trabalhos que é afetado por esse viés, de modo que nos mestrados e doutorados tradicionais esses trabalhos são mais teóricos e nos cursos profissionais desenvolve-se trabalhos mais práticos, como produtos, softwares, manuais, protocolos, dentre muitos outros.

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