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A Influência da Agroindústria na Economia da Pequena Propriedade Rural: Estudo de Caso de Suinocultura na Fazenda Santana em Formoso-GO

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A Influência da Agroindústria na Economia da Pequena Propriedade Rural: Estudo de Caso de Suinocultura na Fazenda Santana em Formoso-GO
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BRAGA, Rodrigo de Souza [1], RIBEIRO, Rita da Mata [2]

BRAGA, Rodrigo de Souza; RIBEIRO, Rita da Mata. A Influência da Agroindústria na Economia da Pequena Propriedade Rural: Estudo de Caso de Suinocultura na Fazenda Santana em Formoso-GO. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 08, Vol. 16, pp. 210-215, Agosto de 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

Agroindústria aumentou a renda familiar e viabilizando a suinocultura do estabelecimento rural, viabilizando a criação de suínos garantindo um preço justo e agregação de valor aos suínos. O abatedouro representa 40. 155% da produção da propriedade, comparando com criação de porcos à agroindústria 79. 200% dos rendimentos das duas atividades.  Entre agroindústria e a suinocultura  agroindústria representa 51% dos rendimentos entre as duas atividades. O proprietário e sua esposa são associados em entidades de classe da cidade, facilitando o acesso a informações pertinente a administração da indústria e operação no mercado consumidor. A empresa rural que trabalha em regime de Agricultura familiar vende seus produtos na feira livre, nos supermercados da cidade atende de porta em porta fazendo venda sob pedidos. Agricultura familiar tem grande importância e para pequenos e mini produtores agregando valor os seus produtos, sendo uma nova opção de atividade,  gerando crescimento e desenvolvimento da economia familiar.

Palavras chave: Agricultura Familiar, Agroindústria, Suinocultura.

INTRODUÇÃO

O regime de economia familiar, em sua maioria é estudado destacando seus problemas e suas vitimizações pelo sistema econômico e pelo poder público. Esta pesquisa propõe analisar um modelo de sucesso de produção e agregação de valores ao estabelecimento familiar, uma vez que gera bom lucro e muito contribui para a resolução de problemas sociais.

A agroindústria será debatida abaixo com o intuito de demostrar os fatores que interferem na produção desta atividade, tais como: a idade do empreendedor e sua participação em uma entidade de classe, uma vez que as entidades são importantes fornecedoras de informações.

Será apresentada uma comparação com outras fontes de renda da propriedade, visando reforçar a tese, que a transformação da produção primária para produtos industrializados se torna uma das melhores saídas para a agricultura familiar no mundo hodierno.

Na pesquisa será avaliado também a agroindústria, como fonte de crescimento econômico e de desenvolvimento das propriedades do município e da região. Evidenciando assim que a mesma traz importantes funções sócias, como a geração de ocupação e renda.

A agroindústria na agricultura familiar é bem difundida nos estados do sul do Brasil, nas quais tem a produção primária, onde as pequenas propriedades conseguem transformar os alimentos e levá-los até o mercado consumidor. Essa atividade promove uma organização da produção, tal como é explicado por Panzutt (2009) que defende que a produção organizada torna mais fácil a comercialização, livrando o produtor dos atravessadores, que obtém lucros com o suor dos agricultores familiares.

O objetivo geral do trabalho é mostrar que a agroindústria gera uma importante agregação de valores aos produtos da agricultura familiar, aumentando a renda da propriedade e fazendo com que o produtor acesse, de forma diferente e mais lucrativa o mercado.

A fim de mostrar as fontes de renda desta agroindústria, cujo modelo de produção e agricultura familiar, serão apresentadas tabelas comparativas das atividades trabalhas nas propriedades, de maneira que facilite a exposição da temática.

ESTUDO DE CASO: A INFLUÊNCIA DA AGROINDÚSTRIA NA PEQUENA PROPRIEDADE RURAL

O presente estudo de caso avaliou a influência da Agroindústria na economia da pequena propriedade rural, que trabalha em regime de Agricultura Familiar com uma família composta por quatro membros, que trabalham diretamente na fazenda. O estudo foi na fazenda do Senhor Antônio Pedro Santana. No local trabalham: ele, sua esposa e seus dois filhos. No quesito escolaridade o proprietário tem o ensino fundamental completo. A família reside na propriedade rural. A fazenda tem 112 hectares, assim é considerada pequena, pelos padrões da região. Ela fica situada no norte do estado de Goiás, no município de Formoso, distando 6 km da cidade.

Nesta pesquisa avaliou-se a importância da Agroindústria, no incremento da renda desta empresa rural. Na realização do estudo serão destacados alguns fatores da administração como: lucro líquido, lucro bruto e custo de produção. A pesquisa assim, objetiva definir a importância da indústria para geração de renda na propriedade, para a agregação de valor aos produtos gerados, e assim possibilitar o aumento de ganhos, com o aumento da retirada de renda da terra.

A tipologia de agroindústria estudada foi de abatedouro de suíno. Através da atividade a família abate os animais produzido no próprio estabelecimento rural. Os porcos são comprados recém-desmamados, assim na propriedade é realizada a fase de cria e recria, até o abate.

No mundo hodierno a falta de união dos agricultores familiares os torna vulneráveis no mercado, o que geralmente os torna presa fácil dos atravessadores. Nesse caso seus produtos são pagos a preço baixo, levando achatamento de sua lucratividade. Uma das saídas para agricultura familiar é a agregação de valor em seus produtos. Com a agroindústria os produtores passam a ter acesso a mercados antes inatingíveis, como a merenda escolar e gôndolas de supermercados. Para conseguir entrar nesse espaço é fundamental que os agricultores familiares se utilizem da agroindústria para transformar seus produtos. A pesquisa evidenciou que fatores, como escolaridade, não interferem no empreendedorismo rural e que as pessoas jovens do campo estão aprendendo a ser empreendedores.

De acordo com Bortoluzzi (2012), 50% dos produtores responsáveis por agroindústrias tem mais de 46 anos de idade, 3,3% possuem 26 a 35 anos e 16,7% possuem 36 a 45 anos. O produtor estudado, que responsável pela agroindústria estudada nesta pesquisa tem 55 anos de idade. Devido a sua cultura tradicional a maioria dos produtores rurais da agricultura familiar do estado, não aderiram a agroindústria, preferem utilizar a força bruta de trabalho e não sente necessidade de empreender.

O produtor analisado nessa pesquisa, Sr. Antônio Pedro Santana, tem o ensino fundamental completo, tal como já foi dito, tal dado que o empreendedorismo não tem nada a ver com escolaridade. Pelegrine e Gazola (2009) relatam que 41,9 dos empreendedores tem o ensino fundamental completo, 20,3% tem o ensino médio completo, 10% possui ensino médio incompleto, 19,7% tem o ensino fundamental e somente 8,1 dos empreendedores no estado do Paraná, onde o estudo foi realizado, é possuidor do ensino superior.

O produtor Sr. Antônio Pedro Santana comercializa seus produtos vendendo-os para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNA), nas feiras livres da região, em supermercados da cidade, e, ainda faz venda de porta em porta. Com isso ele contribui para a geração de renda para a sua família, além de contribuir para o desenvolvimento local e gerando trabalho e renda para sua família. Meneguce et al., (2008) descreve que a agricultura familiar tem o importante papel de construir para a estrutura familiar e para o desenvolvimento regional e local, promovendo o desenvolvimento regional e aumentando a produção com sustentabilidade, gerando emprego e renda no campo e atendendo o mercado consumidor.

O empreendedor estudado é ligado a entidades de classe: como o Sindicato da Agricultura Familiar de Formoso-Goias, a Associação dos Feirantes de Formoso e a Cooperativa dos Agricultores da Região de Formoso – Goiás (COOPERFLOR). O produtor organizado, através destas entidades, consegue obter vários ganhos: faz com que seus produtos ganhem volumes, consegue obter preços melhores no mercado, e, consegue ainda preço mais baixos nas compras de insumos agropecuários. Borges (2005) afirma que através das organizações de classe como associações, sindicato e cooperativas há crescimento econômico e melhora a vida no campo.

A agroindústria familiar analisada tem como característica principal a agregação de valores em seus produtos, ao fazer vendas direta ao consumidor, além de ganho na matéria prima que foi produzida em seu sítio, que é transformando em produtos industrializados, fechando um ciclo da cadeia produtiva em sua empresa rural. Gazollam, et. al., (2012) explica que independente da atividade a agregação de valores é uma importante ferramenta para o desenvolvimento no meio rural.

A Fazenda Santana, que é objeto desta pesquisa, tem uma produção diversificada: bovinocultura de leite, criação de bezerros, suinocultura, avicultura alternativa (criação de galinha caipira melhorada) e o abatedouro de suíno, que é fundamental na diversificação de produção da propriedade rural. Nas pequenas propriedades, cuja mão de obra é obtida através da família, é de fundamental importância, para seu desenvolvimento e sobrevivência, trabalhar com a diversificação de atividades. Isso traz mais segurança, uma vez que existe a instabilidade do mercado econômico (SIMONETTI, et. al., 2011).

A exploração da indústria rural provoca o crescimento econômico da propriedade. Ao industrializar alguma atividade da propriedade, os produtores rurais podem aumentar a renda em 30% (SOUZA, 2012). Esta tese é confirmada no presente estudo de caso. Na figura abaixo fica evidenciado que o abatedouro representa 40, 155% do faturamento líquido do antiestabelecimento rural e maior renda da propriedade. Quando comparamos com criação de suíno ela representa 51,000% da lucros da atividade, ao somar os rendimentos líquido da pocilga e o mine frigorífico representa 79, 200% dos rendimentos do sítio.

TABELA 1 –  Comparação de Produtividade e lucratividade da Fazenda Santana

Produção Mensal Lucro bruto em R$ Custo de produção em R$ Lucro Líquido em R$ Lucro em %
Agroindústria  6. 420, 00 4. 260, 00 2. 160, 00 40, 155
Bezerros  2. 000, 00 1. 720, 00 280, 00 5, 204
Galinha caipira     750, 00    480, 00 263, 00 4, 890
Leite  1.920, 00 1. 344, 00 576, 00 10, 710
Suíno 14. 440, 00 1. 2340, 00 2. 100, 00 39, 041
Total 25. 530, 00 20. 151, 00 5. 379, 00 100, 000

Fonte: Elaborado pelo autor.

A agroindústria na economia rural, onde a família age com protagonismo, combate à pobreza através do aumento da obtenção da renda da terra, fazendo permacultura. Com isso ajuda o poder público a resolver o problema desemprego na cidade, ao promover o desenvolvimento econômico da região, gerando o bem-estar na família confirmado na cita abaixo. “O desenvolvimento econômico compreende no fenômeno que implica no fortalecimento da economia nacional. A economia de mercado gera a ampliação de mercado a níveis que gera bem-estar da população com preservação do meio ambiente” (SOUZA, 2012, p.126).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A agroindústria, nesta propriedade, vem proporcionando o aumento da renda familiar e fazendo com que se aumente a lucratividade, ao transformar as atividades mais rentáveis da propriedade, e, ainda, com potencial para transformar na fonte de renda principal da família empreendedora, sendo ainda incremento na produção de suíno, viabilizando-o.

Quanto ao acesso de mercado fica claro e evidente que, se não fosse pelo abatedouro não teria como estabelecer relações comerciais com supermercados, atender o público da feira livre, que ele participa uma vez por semana, e atender o consumidor final, como é feita a venda de porta em porta. O mais importante nisso é a possibilidade que a família teve de retirar do processo de comercialização o atravessador, que levava grande parte dos lucros da propriedade.

A escolaridade e/ou a falta dela não atrapalha em nada no espírito empreendedor rural, porque as informações são buscadas nas reuniões de entidades de classe, que os produtores participam, mostrando que empreendedorismos é questão vontade de vencer, e a necessidade de obter uma renda maior.

O grande ponto negativo vem do grande custo de produção, é uma atividade muito dispendiosa quanto a mão de obra. Quanto a parte ambiental tem que ter muito cuidado com o tratamento de resíduo, porque essa atividade é grande geradora de resíduos poluentes. Percebeu-se uma falta de investimento, pelo poder público, que é outro gargalo da agroindústria.

Conclui-se que a indústria familiar rural é uma fonte extremamente eficiente e rápida de desenvolvimento local. E é preciso que órgãos competentes do poder público comece a ver isso e então possa pensar em políticas públicas de divulgação e de apoio aos pequenos produtores, contribuindo, assim, para que mais famílias se engajem nesse processo.

REFERÊNCIAS

BORGES, E. M. F. Itauçu Sonhos, Utopias e Frustrações no Movimento Camponês. Goiânia: UFG, 2005 (Dissertação de Mestrado em História.

BURTOLUZZI, D. L.: Agroindústria: Um Estudo de No Município de Maurício Cardoso– RS, 2012. Disponível em <http://www.fahor.com.br/publicaçoes/TFC/Economia/2013/Eco-Dinara.PDF. Acesso em: 4 nov. 2017.

GAZOLLAM, M; NIEDERLE, P. A; WAQUIL, P. D. Agregação de Valores na Agroindústria: Uma Análise de Com Base nos dados do Censo Agropecuário. Revista Paranaense. Curitiba, n 122, p 241, 262, de Julho 2012.  Disponível em: <http://www.academias.edu/195567/Agrega%C3%A7%A3_valor_nas_Agroindustria.pdf.  Acesso em: 03 nov. 2017.

MARTINS, J. S; Caminhadas no Chão da Noite: Emancipação Política e Libertação dos Movimentos Sociais no Campo. 3 ed.  São Paulo: Hucitec 1989.

MENEGUCE B. et. al. Estudo de caso na Agricultura Familiar: Agroindústria de derivados de cana-de-açúcar. Pato Branco, 2008. Disponível em <http://www.iapar.br/arquivo/File/Zip-pdf.redereferem/estudo_cana_rede.pdf. Acesso em: 03 nov. 2017.

PELEGRINE G.; GAZOLLA M.; Agroindústria Familiar em Rio Grande do Sul: Limites e Potencialidades a Sua Produção Social. Frederico Westphaten: URI, 2008.

PANZUTTI, Ralph. Redes de organizações para a comercialização de produtos e serviços da agricultura familiar. São Paulo: Atlas, 2009.

SOUZA N.J. Desenvolvimento econômico. 6 ed. São Paulo: Atlas, p 126, 2012.

[1] Graduado em Zootecnia pela PUC-GO. Trabalha na: Agência goiana de defesa agropecuária. (AGRODEFESA)

[2] Graduada em e Engenharia Agronômica pela UFT -TO Trabalha na: Agência goiana de defesa agropecuária.(AGRODEFESA)

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