MENDONÇA, Paulo Henrique Junco
ARAUJO, Ivã da Cruz
MENDONÇA, Paulo Henrique Junco; ARAUJO, Ivã da Cruz. Custos e Lucros no Processo Produtivo da Sericicultura. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 02, Vol. 13. pp 278-287. Janeiro de 2017. ISSN:2448-0959
RESUMO
O crescimento da sericicultura vem através do destaque da cultura tanto na mão-de-obra familiar, quanto na área financeira. Ultimamente essa cultura esta ficando escassa e cada vez mais as indústrias de fiação estão valorizando o produto, nos últimos cinco anos a matéria prima da seda, ou seja, o casulo do bicho-da-seda teve um aumento em media de 60% do preço anterior devido à falta da matéria para a produção dos fios de seda. Umas das qualidades desse manejo é que, não são necessárias grandes áreas de terras para o cultivo da amoreira, a qual é o alimento do bicho-da-seda, outra qualidade que se destaca é o baixo custo de produção o qual não oferece grande risco para o produtor. Serão expostos neste trabalho os custos de produção, desde o plantio e cultivo da amoreira, custos de fabricação do galpão onde aloja as larvas e supostamente os casulos de seda, os custos com insumos e outros. Também serão mostradas as vantagens e desvantagens da cultura na região, que é influenciada desde o clima até as baixas e altas dos preços em relação à qualidade de produção, será explicado o básico sobre o manejo e os cuidados e serem tomados para ter uma boa produção e uma boa fonte de lucros.
Palavras-Chave: Produção da Matéria, Viabilidade Econômica, Pontos Positivos e Negativos, Bicho-da-Seda.
INTRODUÇÃO
A sericicultura ou sericultura é um processo que se iniciou na China com o objetivo de produzir tecidos de seda. A atividade sericícola envolve a produção de casulos, os quais as indústrias transformam em fios, e conseqüentemente em tecidos de seda. Consiste também no cultivo da amoreira, para poder alimentar o bicho-da-seda o qual produz o casulo, e as atividades referentes à produção e preparo de insumos até obter o produto desejado.
Esta atividade é influenciada por vários fatores, em sua maioria variável, não controlável e imprevisível, tais como as condições climáticas e dentre outras variáveis que podem tornar a atividade um risco constante de prejuízos ou lucros aos pequenos produtores.
A atividade sericícola tem seu maior desenvolvimento nas pequenas propriedades rurais, sendo uma boa alternativa de diversificação na propriedade, contribui para o desenvolvimento sustentável da região em virtude de seu aspecto social, sendo de baixo impacto ambiental, ocupando pequeno espaço de exploração para ser realizado, pequeno capital de giro, utilizando apenas mão-de-obra familiar.
Quanto à identificação do “termo agricultura familiar” como definição, Panzutti (2005, p. 15) interpreta da seguinte maneira:
Não existe um padrão universal para definir a ‘agricultura familiar’ que identifique de forma clara a qual estamos nos referindo. À referência dessa expressão pode se pensar na concepção utilizada pela política setorial brasileira; à destinação do crédito; a alguns indicadores de escala de empreendimentos; à exploração pessoal do imóvel pelo agricultor e sua família; ao tamanho das lavouras; à renda bruta anual obtida; à quantidade produzida; à produtividade da terra; à intensidade do uso da terra e do trabalho; aos contingentes beneficiários dos programas de financiamento dirigido.
Cerca de 95% dos produtos são exportados para China e Japão ficando apenas 5% para produção nacional, então seu preço e cotado através da moeda exterior reduzindo sua desvalorização em relação ao real, além do capital de giro ser baixo, possui baixo custo de insumos e um retorno rápido do capital investido, baixo custo na produção gerando receitas mensais em torno de nove meses anualmente.
O objetivo geral deste será demonstrar uma cultura que gera um maior lucro para agricultura familiar e moradores de pequenas propriedades, e outros; uma agricultura que toma espaço no mercado pelo seu valor e pelo reconhecimento da matéria-prima. Serão demonstrados, em media, os custos e lucros da produção de seda, as vantagens e desvantagens.
Serão especificadas as fontes de renda e custos para a produção de larvas e casulos, demonstrando exemplos e tabelas a fim de esclarecer melhor o assunto.
Essa abordagem surgiu pelo fato de ser uma cultura pouco conhecida e de despertar curiosidade na sociedade, uma cultura onde não precisa usar máquinas e implementos e que trás benefícios principalmente para os pequenos produtores rurais, um tema diferenciado, mas que desperta o interesse de muitas pessoas que não conhecem sobre o assunto ou tem alguma espécie de dúvida.
ESTUDO DE CASO
Este estudo foi realizado numa propriedade rural localizada no Município de Cidade Gaúcha estrada 51, km 10 sentido à Nova Olímpia, localizado na região noroeste do estado do Paraná, foram coletados os dados de um período de safra anual, que tem a duração de nove meses, os quais são de setembro de 2015 á maio de 2016.
No levantamento em questão, o plantio e manutenção das amoreiras utilizadas na alimentação das lagartas eram de responsabilidade do produtor, o qual ele cultiva um alqueire de terra de amoras plantadas, o mesmo que será cultivado e preservado contra ervas daninhas para a alimentação do bicho-da-seda.
O resultado do produto depende das boas condições da amora para poder absorver qualidade, pois na venda é realizada uma seleção de casulos para ser retirada a renda total a ser demonstrada naquela produção, onde é especificado o peso do casulo, o peso da seda e o teor da seda produzida por aquele bicho, ou seja, quanto mais apropriado a amora para o bicho-da-seda melhor será o ganho de produção. Uma amoreira apropriada seria aquela rica em nutrientes, sempre rica de água em sua folha e sua poda feita no tempo correto, uma lavoura sempre cultivada e afastada de ervas daninhas.
O bicho-da-seda é recebido pelo produtor no início da terceira idade. Previamente, cabe à empresa de fiação estabelecer os cruzamentos de espécies, a produção de ovos e a criação das larvas nas duas primeiras idades. O sericicultor é responsável pela criação das larvas desde o recebimento na propriedade até o final da quinta idade, momento no qual elas tecem os casulos, em seguida são colhidos, classificados e entregues de volta à fiação como matéria-prima. Esse processo de criação tem uma variação de 25 a 29 dias de manuseio da propriedade do sericicultor, período em que recebe as larvas na terceira idade e depois entregues como casulos, já limpos, classificados e embalados para viagem até a matriz.
Para Eliseu Martins (2003, p.21) “Gasto é relativo ao bem ou serviço utilizado na produção, ou seja, de outros bens ou serviço”, Isto significa que, na produção do bicho-da-seda o agricultor tem um gasto com preparo e plantio das amoreiras e a construção de um galpão de manejo, mas será um gasto único realizado apenas uma vez, depois de realizado esse processo de construção e plantação, será apenas necessário a manutenção e o cultivo das plantas.
Para a obtenção de larvas e inicio de criação da cultura aqui exposta são necessários alguns requisitos essenciais para serem utilizados mediante a produção, os quais serão demonstrados a seguir. A tabela abaixo mostrará os equipamentos essências para a criação e manutenção do bicho-da-seda, sem esses não poderá ser realizado todo processo da cultura, sendo assim começa a ter os primeiros custos com a criação do bicho.
Tabela 1. Estrutura do capital fixo existente para a produção de larvas do bicho-da-seda (Cidade Gaucha – PR).
| ITEM | QUANTIDADE | VALOR UNITARIO ($) | VALOR TOTAL ($) |
| MAQUINA LIMPAR CASULOS | 1 | 450,00 | 450,00 |
| MASCARA FILTRO | 1 | 30,00 | 30,00 |
| LANCA CHAMAS | 1 | 18,00 | 18,00 |
| BOMBA COMPRESSORA | 1 | 170,00 | 170,00 |
| ROSSADEIRA | 1 | 640,00 | 640,00 |
| BOSQUE DE PAPELAO TALA DE POLIPROPILENO | 150 180 | 43,20 2,90 | 6480,00 522,00 |
| GALPÁO DE MANEJO | 1 | 8200,00 | 8200,00 |
| OUTROS EQUIPAMENTOS | 1 | 500 | 500 |
| TOTAL | 17010,00 |
Então sendo assim os custos não são apenas destinados diretamente a matéria-prima ou produto, mas sim aos gastos que temos na produção, e para que a larva cresça e produza seda é preciso alimentá-la com ramos de amora, a qual também terá custos para manter sempre limpa de pragas e sempre saudável. Na tabela abaixo segue os valores gastos para o plantio das amoreiras, aplicações de insumos e manutenção da lavoura, levando em consideração que os valores expostos são apenas os pagos á terceiros como:
– Materiais utilizados (insumos);
– Dias trabalhados (diárias)
– Horas trabalhadas (máquinas agrícola)
– Transportes (fretes).
Tabela 2. Custo Total de Produção (CTP)sobre preparo da amoreira, para a produção anual de casulos de bicho-da-seda, plantio da amoreira espaço de um alqueire. (CIDADE GAUCHA-PR, 2015/2016).
| DESCRIÇÃO | ESPECIFICAÇÃO | QUANTIDADE | VALOR UNITÁRIO($) | TOTAL($) |
| MÃO DE OBRA | DT | – | – | – |
| PREPARO DE SOLO | HT | 12 | 80,00 | 960,00 |
| PREPARO DE MUDAS | DT | 2 | 80,00 | 160,00 |
| PLANTIO DE MUDAS | DT | 14 | 80,00 | 120,00 |
| CAPINAS (FORMAÇÃO) | DT | 2 | 80,00 | 160,00 |
| APLICAÇÃO ADUBO | KG | 60 | 2,50 | 150,0 |
| CAPINAS (MANUTENÇÃO) | DT | – | – | – |
| TRANSPORTE MATERIAIS | FT | 9 | 50,00 | 450,00 |
| TOTAL: 3.000,00 | ||||
Tabela 3. Custo Total de Produção (CTP) sobre insumos, para a produção de casulos de bicho-da-seda, em nove safras (CIDADE GAUCHA – PR, 2015/2016).
| DESCRIÇÃO | ESPECIFICAÇÃO | QUANTIDADE | VALOR UNITÁRIO ($) | TOTAL ($) |
| INSUMOS | ||||
| CALCÁRIO | TN | 5 | 120,00 | 600,00 |
| ADUBO QUÍMICO | KG | 400 | 0,95 | 380,00 |
| ADUBO ORGÂNICO | TN | 7 | 90,00 | 630,00 |
| TOTAL | 1.610,00 |
Depois de o plantio realizado, o produtor efetuará o manejo da amora, deverá esperar um tempo de 10 á 12 meses ate alojar sua primeira safra, tempo em que a amoreira irá brotar e desenvolver seus ramos. O bicho-da-seda ao contrário de que todos pensam, ele se alimenta das folhas contidas nos galhos da amoreira e não dos frutos, então se deve efetuar a poda da mesma toda vez que retirada seus galhos ou ramos para a alimentação do bicho.
Quando o produtor receber as larvas, elas chegam numa idade denominada “terceira idade”, significa que já se passaram duas etapas, são:
-Primeira idade: ovulações ainda estão em ovos ou semente como chamados;
-Segunda idade: desenvolvimento da semente, ou seja, nascimento;
Quando chega ao final da segunda idade onde deixam de ser sementes e já passam por um amadurecimento, são encaminhados aos produtores rurais para que possam estar alimentando e os protegendo de malefícios que possam prejudicá-los. Desde a ovulação até o fim da segunda idade é um processo que dura em torno de 21 dias onde estão contidos na chocadeira, que é de responsabilidade da empresa de fiação. Do começo da terceira idade até o termino da quinta idade, onde eles tecem seus casulos leva um tempo de vinte dias em média, e depois mais sete dias para efetuar a classificação de casulos, separar os defeituosos e amassados, limpar os fios em excesso e deixar todos os casulos ensacados, apropriadamente para transportarem até a empresa de fiação. O tempo de criação desde a terceira idade ate o momento em que casula passa apenas comendo as folhas de amora, então o produtor não pode deixar que passem fome e jamais deixar o barracão ou galpão de manejo se infectar com algum tipo de praga ou agrotóxico, pois o bicho-da-seda é muito sensível a qualquer tipo de doença ou uso de agrotóxico diretamente ou indiretamente aplicado.
Tabela 4. Custo e lucro Total de Produção (CTP) sobre matéria-prima, para a produção de casulos de bicho-da-seda, em nove safras (CIDADE GAUCHA – PR, 2015/2016).
| PERÍODO SAFRA | QUANTIDADE CASULOS(KG) | VALOR TOTAL ($) | CUSTOS INDIRETOS ($) | CUSTOS DIRETOS ($) | TOTAL MÊS ($) |
| 02/10/15 | 126,16 | 2397.04 | 300,00 | 212,00 | 1885,16 |
| 02/11/16 | 187,19 | 3556,61 | 300,00 | 318,00 | 2938,61 |
| 07/12/16 14/01/16 | 268,71 234,57 | 5374,20 4808,68 | 300,00 300,00 | 424,00 371,00 | 4650,20 4137,68 |
| 22/02/16 | 182,02 | 3668,55 | 300,00 | 318,00 | 3050,55 |
| 22/03/16- | 226,23 | 4783,24 | 300,00 | 371,00 | 4112,24 |
| 19/04/16 | 236,09 | 4979,13 | 300,00 | 371,00 | 4308,00 |
| 30/05/16 | 251,34 | 5072,65 | 300,00 | 371,00 | 4401,65 |
| 08/07/16 | 263,23 | 5396,21 | 300,00 | 424,00 | 4672,21 |
| TOTAL ACUMULADO | 1975,54 | 40036,31 | 2700,00 | 3180,00 | 34156,31 |
CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Em virtude dos fatos mencionados neste projeto, a sericicultura e uma forma de obter fonte de renda familiar através do trabalho e união entre ambos, tanto pelo produtor rural quanto a empresa de fiação, nesta cultura como todas as outras existem as vantagens e as desvantagens, as quais serão citadas a seguir:
A sericicultura já foi uma grande cultura na região noroeste do Paraná, sendo uma das melhores sedas produzidas no país e conseqüentemente vendidas para exterior sendo uma das mais procuradas vinda depois das sedas Chinesas, o que fez esta cultura decair foi o grande alastramento de amarelão nos barracões de manuseio e outras doenças, também foi o pouco incentivo das empresas de fiação da época.
Algumas curiosidades a serem citadas também são que; quando ovos são dados banhos químicos para que igualem o nascimento e que não se formem em idades diferentes. Após seu nascimento são tratados com folhas de amoras muito macias e já triturados para não dificultar seu desenvolvimento. A cal hidratada e um grande aliado para limpeza e desinfetação dos bichos o mesmo que ajuda na desinfetação do galpão de manejo. A partir do alojamento das larvas no galpão, toda responsabilidade e do produtor e seu lucro obtido no final da safra é através da qualidade de manejo, que resulta na qualidade de seus casulos. Para considerar um casulo bom tem que atingir em média o teor de 17%, ou seja, a cada 01 quilo são 170 gramas de seda pura a ser vendida, sendo que cada casulo neste porte produz em media de 1100 a 1600 metros de fio de seda. Para ser desfiado é realizado mais um processo de banho químico o qual deixa a seda menos quebradiça, quando desmanchado a crisálida (estagio de pupa do inseto) e separada e destinada também à exportação destinada á alimentação.
Visando a tabela 4, a qual demonstra a lucratividade de fim de safra e os gastos nela realizado, podemos perceber que o lucro em media é de 85% em relação aos gastos mensais. Por isso baseando neste estudo de caso a sericicultura ou sericultura é totalmente viável para o produtor rural, visando o pouco consumo, a mão-de-obra familiar e a alta lucratividade na produção.
REFERÊNCIAS
HTTP: www.agro.ufg.br/pat – Pesq. Agropec. Trop., Goiânia, v. 43, n. 2, p. 187-194, abr./jun. 2013
ARTIGO CIENTÍFICO: Custos e viabilidade econômica da produção de casulos do bicho-da-seda1
O CUSTO DA SERICICULTURA: A PRODUÇÃO DE CASULOS DE BICHO DA-SEDA NO PARANÁ Laurindo Panucci-Filho, Angélica Violeta Chiau, Vicente Pacheco.
Revista em Agronegócios e Meio Ambiente, v.4, n.1, p. 37-55, jan./abr. 2011 – ISSN 1981-9951.
PANZUTTI, Ralph REDES DE ORGANIZAÇÕES PARA A COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS DA AGRICULTURA FAMILIAR (2009, p. )
MARTINS, Eliseu (contabilidade de Custos, 9º edição, 2003 pag. 21):
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Boa tarde mem chamo Juscelino sou do nordeste e tenho uma pequena propriedade será que é possível fazer uma criação do bicho da seda
Qual é o tamanho mínimo para iniciar uma criação desta
Sou de nova serrana Minas gerais a capitã mineira do calçado .queria alugar uma área pequena para poder trabalhar com o bicho da seda .qual o tamanho mínimo
Boa tarde, qual o tamanho mínimo para a criação ?