ARTIGO ORIGINAL
SABAINI, Derquiane da Silva [1], PAIXÃO, José Luiz de Freitas [2]
SABAINI, Derquiane da Silva. PAIXÃO, José Luiz de Freitas. Avaliação da piscicultura na microrregião de Ubá- MG. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 09, Ed. 08, Vol. 02, pp. 97-111. Agosto de 2024. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/zootecnia/avaliacao-da-piscicultura, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/zootecnia/avaliacao-da-piscicultura
O Estado de Minas Gerais, ocupa atualmente a 4º posição no ranking de produção na piscicultura. A mesorregião da Zona da Mata é a maior produtora de peixes ornamentais do país, atividade que é desenvolvida por pequenos produtores. Os dados sobre o panorama da produção e propriedades piscícolas da Zona da Mata são escassos. O Presente trabalho tem como objetivo identificar a real dimensão do panorama atual da piscicultura na microrregião de Ubá, com base na capacidade de manejo e produção. Para a identificação dos tanques piscícolas, foi utilizado a plataforma MaPeixe, obtido no site da bussola.farm. Posteriormente, foi utilizado o programa QGIS, para localizar os tanques como procedimento metodológico, foi utilizado o programa QGIs para localização dos tanques, por meio de diferentes satélites para obtenção das imagens da microrregião de Ubá. Após, este procedimento, foi realizada a validação in loco, os dados sobre a existências dos tanques. Foram localizados por meio dos dados encontrados que 50% das unidades piscícolas encontradas estão concentradas em apenas cinco municípios da microrregião, totalizando 87,5 hectares de lâmina d’água. Verificou-se que 99,4% das unidades piscícolas identificadas são classificadas como pequenas (2,0 há < área inundada <5,0 há). No que tange a localização geográfica dos viveiros denominados escavados, observou uma maior concentração das unidades piscícolas nos municípios de Ubá e Visconde do Rio Branco MG. Conclui-se que, na microrregião de Ubá MG possui capacidade de desenvolver atividades piscícola, em sua grande maioria de pequeno porte. A partir deste estudo verificou-se que, as ferramentas geotecnologicas são eficazes para a localização, georreferenciamento, mapeamento e quantificação das unidades piscícolas na região.
Palavras-chave: Aquicultura, Geoprocessamento, Peixes, Produção, Tanques piscícolas.
O Brasil é um país que possui dimensões continentais, ocupando uma área de 8.547.404 km² (FAO, 2004-2019). Possui cerca de 10 milhões de hectares em lâmina e está entre os principais produtores de grãos do mundo. A piscicultura é uma das atividades, dentre a produção animal, que mais cresce atualmente no Brasil. Além de possuir importância na geração de renda e postos de trabalhos, a atividade, tecnicamente conduzida, possibilita a maior eficiência no uso da água, que pode ser reutilizada em sistemas de fertirrigação.
Segundo Brabo et al. (2016), o desenvolvimento da piscicultura não ocorreu de forma homogênea em todas as regiões brasileiras, principalmente em função das influências culturais, ambientais e econômicas. De acordo com a Peixe BR (2019), fontes do IBGE, são 455.541 unidade de criação em todo o país.
O estado de Minas Gerais ocupa atualmente a 4ª posição no ranking brasileiro de produção na piscicultura de corte, com produção de 54.700t no ano de 2022, segundo a PeixeBR (2023), com crescimento de 11,4% em relação ao ano de 2021. As espécies mais produzidas são a Tilápia com 51.700t, seguido por peixes nativos 2.200t e 800t de outros peixes que incluem principalmente Carpa, Truta e Panga. Os municípios do estado de Minas Gerais que estão no topo do ranking são: Morada Nova de Minas, seguido por Ipiaçu e Guapé.
A microrregião de Ubá é banhada pelos rios, Formoso, Pomba, São Manuel, Xopotó, Bagres e Paciência. A piscicultura de corte é desenvolvida, nesta região, por pequenos produtores em diversos sistemas de produção e intensificação. Entretanto os dados sobre a produção e propriedades piscícolas na microrregião de Ubá MG são escassos. O presente estudo foi gerado pela necessidade de identificar a real dimensão da piscicultura na microrregião de Ubá. Sendo assim, a pesquisa teve como objetivo avaliar o panorama da piscicultura na microrregião de Ubá Minas Gerais, por meio de geoprocessamento, identificando, quantificando e dimensionando as áreas piscícolas da microrregião de Ubá.
A área de estudo compreende a microrregião de Ubá (Figura 1) na Zona da Mata mineira no Estado de Minas Gerais-Brasil. Foi realizado utilizando as informações obtidas pela bussola.farm no âmbito da plataforma MaPeixe, onde ocorreu o mapeamento da microrregião de Ubá, que compreende os seguintes municípios: Astolfo Dutra, Divinésia, Dores do Turvo, Guarani, Guidoval, Guiricema, Mercês, Piraúba, Rio Pomba, Rodeiro, São Geraldo, Senador Firmino, Silveirânia, Tabuleiro, Tocantins, Ubá e Visconde do Rio Branco. Os municípios são banhados pelos rios dos Bragues, Xopotó, Turvo, Paraopeba, Pomba, Paciência e Formoso.
Figura 1: Mapa da microrregião de Ubá-MG
Para a identificação dos tanques piscícolas na microrregião de Ubá utilizou-se o programa QGIS para fazer a localização dos tanques piscícolas usando diferentes satélites na obtenção de imagens da área estudada. Os satélites usados (Figura 2) foram: google, bing e planet. A utilização de diferentes satélites se dá pelo fato de que algumas imagens disponíveis são de um modo geral mais atualizadas do que outras dependendo da região. Desta forma, com o intuito de facilitar a visualização da localização das respectivas regiões, foram elaborados os mapas dentro do SIG QGIS versão 3.16.16, conforme ilustrados pelas figuras abaixo:
Essa variação permite maior assertividade na identificação. Já para as imagens de banda e para fazer o contorno dos tanques, foram usadas as imagens CBERS, que são imagens mais atualizadas com uma resolução espacial um pouco maior do que as imagens ofertadas pelo Planet, permitindo assim maior precisão no contorno do elemento que será validado posteriormente. Também foram usados shapefiles de demarcação de área de cada município, para que não fossem extrapolados os limites da pesquisa, e além deles, outros shapefile eram capazes de identificar os locais onde os córregos estão visíveis por toda a microrregião, apontando assim para candidatos a piscicultura presentes em cursos d’água.
Figura 2: Microrregião Ubá-MG
Essa variação permite maior assertividade na identificação. Já para as imagens de banda e para fazer o contorno dos tanques, foram usadas as imagens CBERS, que são imagens mais atualizadas com uma resolução espacial um pouco maior do que as imagens ofertadas pelo Planet, permitindo assim maior precisão no contorno do elemento que será validado posteriormente. Também foram usados shapefiles de demarcação de área de cada município, para que não fossem extrapolados os limites da pesquisa, e além deles, outros shapefile eram capazes de identificar os locais onde os córregos estão visíveis por toda a microrregião, apontando assim para candidatos a piscicultura presentes em cursos d’água.
O mapa foi processado no software QGIS, versão 3.16.16 biatowieza e utilizado algoritmo R.FILL.DIR para corrigir possíveis erros de continuidade nos valores dos pixels do mapa ocasionados por condições atmosféricas. A delimitação da microbacia e as informações sobre a hidrografia foram realizadas por meio da captura de coordenadas visuais, com o auxílio do OpenStreetMap e do algoritmo R. WATERSHED para delimitação da microbacia. O algoritmo R. WATER.OUTLET foi utilizado para a delimitação da hidrologia, o algoritmo R.TO. VECTOR para vetorizar os dados da microbacia e da hidrologia.
Para a validação, foram realizadas visitas in loco (figura 3) para legitimar da existência dos tanques piscícolas, as visitas ocorreram em abril de 2023 e foram identificadas as unidades e a validação dos mapeados. A visitas tinham como objetivo validar a existência dos tanques no local, verificando se ele era utilizado para produção aquícola.
A partir dos dados gerados ocorreram análises em campo, definiu-se para o mapeamento através de sorteio aleatório uma unidade piscícola de cada cidade que compõem a microrregião de Ubá, foram sorteadas 31 unidades piscícolas de forma aleatória, onde se tinha como informação previa: área do polígono, área em hectare, número de tanques em cada propriedade e município, conforme figuras.
Figura 3: Mapa Zona da Mata 21-08-2023 e Microrregião Ubá-MG
As informações coletadas proporcionaram a validação do panorama atual da piscicultura em cada município e possibilitou à obtenção de informações necessárias a elaboração deste trabalho.
Os dados gerados proporcionaram a identificar e mapear as unidades piscícolas dos municípios da microrregião de Ubá MG, apresentados na tabela 1. Foram identificados 1.181 polígonos que representam 504 pontos de unidades piscícolas em toda a área de estudo, ocupando uma área total de 149 há.
Os dados indicam que 50% das unidades piscícolas, identificadas pelas imagens do satélite, estão concentradas em apenas 5 municípios da microrregião (Figura 4), quais sejam: Guarani, Guiricema, Ubá, Visconde do Rio Branco e Tocantins, totalizando 87,5 há de lâmina d`água.
Esses municípios possuem um número populacional maior e com propriedades comerciais que possuem tradição na cultura de pesque e pague, além de possuir rios e afluentes que cortam a área urbana dos municípios.
Tabela 1- Número de unidades de pisciculturas por município da microrregião de Ubá MG
Estado de Minas Gerais teve uma produção piscícola crescente nos últimos 6 anos (PeixesBR, 2022). A tilápia (Oreochromis niloticus) é a espécie predominante, com produção constante. Segundo os mesmos autores, houve um crescimento de 11%, na produção do estado, em ralação a 2020.
É fundamental conhecer e entender o potencial piscícola da região, que conforme Ayroza et al. (2006), pode gerar a expansão do mercado, identificação de locais com potencial produtivo e novos entrepostos de pescado, que por sua vez geram novos nichos econômicos e novos postos de trabalho, levando a um aporte de investimentos que refletem significativamente para a economia regional.
Figura 4: Mapa de calor, concentração das unidades piscícolas da microrregião de Ubá- MG
Novo et al. (2022), trabalhando mapeamento de unidades de produção aquícola no estado do Paraná por meio de processamento e interpretação de imagens de satélite Sentinel, que se assemelha a técnica utilizada no presente estudo, obteve 2.412 polígonos que representavam baterias de viveiros escavados e 32 polígonos característicos de tanque-rede, que ocupavam respectivamente 3.991 hectares e 68 hectares. A área avaliada no presente estudo, não possui um histórico na atividade piscícola, sendo está atividade normalmente desenvolvida para o próprio consumo, em pequenas propriedades para comercialização como pesque e pague.
Contudo, a utilização e o avanço das técnicas de sensoriamento remoto vêm apresentando grande potencial no processo de reconhecimento e delimitação de corpos d’agua para a aquicultura, assim como no planejamento territorial aquícola e potencial hídrico como recursos naturais e da ocupação dos espaços produtivo, com características da área de estudo deve ser analisada e interpretada segundo as características de cada região e local específico, da mesma forma, as técnicas e processamentos devem ser características particulares (Diniz et al., 2021).
A identificação espacial de corpos d’água para detecção de corpos hídricos está expressa na figura 6, identificando os principais corpos d’agua na microrregião de Ubá. Assim, com o intuito de facilitar a visualização da localização das respectivas regiões, foram elaborados os mapas dentro do SIG QGIS versão 3.16.16, conforme ilustrados pelas figuras abaixo:
Figura 5. Principais rios hidrográficos, da microrregião de Ubá- MG. Elaboradas com utilização do software ArcGis 3.16.16
As bacias hidrográficas estão ganhando cada vez mais importância no cenário piscicultura, isto acontece pela importância da produção de água que essas unidades proporcionam, com isso, Carvalho (2020), destaca a importância do planejamento e utilização da bacia hidrográfica como unidade, que influenciam diretamente na manutenção da vida, em todas as suas dimensões, tanto no conjunto dos aspectos essenciais à subsistência, quanto na produção comercial agrícola, pecuária e industrial.
Desta forma, é importante entender de maneira sistêmica a paisagem, as condições ambientais que proporcionam o fornecimento d’água e, principalmente, quais são os limites de usos deste recurso para cada localidade, objetivando o uso seguro e sustentável.
A nascente do Rio Xopotó fica no município de São Geraldo, percorrendo a área urbana do município, o rio segue para os municípios de Visconde do Rio Branco e Guidoval. Seu curso continua pelos limites de Rodeiro, Dona Euzébia e Miraí, onde deságua no Rio Pomba.
Seus afluentes principais são o Ribeirão Ubá, que está localizado à sua margem esquerda, e o Rio dos Borges, que desemboca em sua margem direita (Lacerda et al., 2018). No entanto, compreende-se que a ideia de desenvolvimento socioambiental está impregnada nos fundamentos de crescimento econômico e, com isso, cada vez mais utilizam-se dos recursos naturais disponíveis para atender as demandas sociais.
Ao observar os resultados de classificação por área de lámina d’água e número de viveiros apresentados na tabela 2, observa-se que 99,4% das unidades piscícolas são classificadas como pequenas (2,0 há < área inundada <5,0 há) de acordo com a normativa Nº217 de 06 de dezembro de 2017, que classifica de acordo com a área inundada.
Morsoleto et al., (2022), analisando a microbacia hidrográfica do Rio Arroio Fundo como possível aplicação em viveiros escavados para a piscicultura, constatou que a maioria dos viveiros se enquadram na classe I (áreas entre 50 e 3.000 m³), o que corrobora com o presente estudo, que possui maior porcentagem das áreas avaliadas classificadas como pequenos.
Tabela 2 – Classificacao por area de lâmina d’água e número de viveiros das psiculturas da microrregião de Ubá – MG
A delimitação gráfica dos viveiros escavados na microrregião de Ubá-MG pode ser vista no mapa da Figura 6, e observa-se número de unidades piscícolas por município, com uma concentração na área Ubá e Visconde Rio Branco. Esta concentração corresponde a municípios com maiores números de habitantes na microrregião.
Segundo Morsoleto et al. (2022), mapeamento de viveiros torna-se importante para o adequado uso da água, tanto na produção quanto na industrialização as pesquisas de mercado, potencial produtivo.
Figura 6. Concentração de unidades piscícolas na microrregião de Ubá- MG
De acordo com Novo et al., (2022), o mapeamento das unidades de produção aquícola do estado do Paraná representada por viveiros escavados, os resultados demonstram que 78% das estruturas mapeadas possuem tamanho inferior ou igual a 2 há, localizados principalmente no município de Quatro Pontes, Toledo, Marechal Cândido Rondon e Nova Santa Rosa na região Oeste do Estado. Conjuntos maiores de viveiros escavados, possuindo em média 40 unidades em cada bateria, representam apenas 1% das feições mapeadas e estão localizadas principalmente nos municípios de Nova Santa Rosa, Maripá e Toledo. Já no caso dos tanques-rede, as estruturas mapeadas estão distribuídas no Norte do Paraná, com destaque ao município de Alvorada do Sul.
O Estado de Minas Gerias, vem se destacando na produção aquícola nacional nos últimos anos, e na microrregião de Ubá é necessário quantificar a potência da piscicultura na região, a capacidade de produção, e alternativas de melhorias de renda para pequenos agricultores.
A microrregião de Ubá- Minas Gerais, possui pontos que propiciam a atividade piscícola, sendo em sua maioria de pequeno porte. Desta forma, é possível destacar como as ferramentas de geotecnologia se mostraram eficientes para a localização, georreferenciamento, mapeamento e quantificação das unidades, sendo uma ferramenta importante para a realização de estudos que podem impulsionar a atividade.
A realização deste trabalho trouxe uma importante contribuição para a formação profissional e assim, aprofundar o conhecimento sobre o tema proposto que foi a Avaliação da Piscicultura na Microrregião de Ubá- MG, para esse trabalho foram utilizados softwares como o Google e QGIS 3.16.16, onde foram gerados mapas com a das regiões pesquisadas, assim como mapas com da localidade, dos rios e outras informações relevante para a compreensão da área pesquisada.
Portanto, como pesquisadora do tema, entendemos que novos estudos poderão ser desenvolvidos, com melhor aprofundamento, pois neste trabalho vimos trazer uma singela contribuição com essa questão estudada, não pretendemos esgotar a discussão, mas poder dar subsidio para outras pesquisas na área que é bastante extensa e contribuir com a reflexão para futuras pesquisas e consequente contribuição.
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[1] Mestrado em Nutrição e Produção Animal pela Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais (2023). Qualificação técnica de Assistente de Gestão Financeira e de Pessoas: Curso Técnico em Agronegócio, em 26 de fevereiro de 2021. Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR. Especialista em Piscicultura, ano 2015. Instituição ABRACE BRASIL- Instituto de educação superior. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-0785-9208. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/5646990049663520.
[2] Doutor em Ciências Veterinárias – UFRR (2018). Mestre em Fitotecnia-UFV (2008). ORCID: https://orcid.org/0000-0002-6997-9769. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/6943835655416214.
Material recebido: 06 de março de 2024.
Material aprovado pelos pares: 24 de julho de 2024.
Material editado aprovado pelos autores: 19 de agosto de 2024.
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