As novas tecnologias educacionais como apoio na disciplina de sociologia

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ARTIGO ORIGINAL

SILVA, Luziane Bomfim da [1]

SILVA, Luziane Bomfim da. As novas tecnologias educacionais como apoio na disciplina de sociologia. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 04, Vol. 05, pp. 51-63. Abril de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/sociologia/disciplina-de-sociologia

RESUMO

As transformações tecnológicas resultantes da utilização em massa de computadores, aplicativos e outros recursos digitais, bem como do desenvolvimento significativo da Internet, deu origem a uma nova cultura digital. A escola e a educação não ficaram de fora dessas modificações. Dessa forma, o presente artigo aborda uma visão panorâmica acerca das novas tecnologias educacionais e suas aplicações de acordo com os mencionados conceitos sociológicos. E tem como objeto preliminar de estudo apresentar de forma genérica sobre as tecnologias na educação e, ao final, examinar a relação que os adolescentes estabelecem com as TIC. Essas tecnologias ampliam as capacidades e habilidades comunicativas, motivam novas culturas e permitem o desenvolvimento de novas competências e formas de construção do conhecimento sociológico. Faz-se imprescindível ao professor de sociologia avaliar e entender de que forma e como os alunos utilizam as tecnologias.

Palavras-chave: Novas tecnologias educacionais, sociologia, transformações.

INTRODUÇÃO

A escolha deste objeto de estudos deu-se pela necessidade de despertar o interesse do leitor sobre mostrar a importância das novas tecnologias educacionais no processo de aprendizagem dos alunos na disciplina de sociologia, isto é sua aplicabilidade de forma diversificada.

O presente estudo é descritivo, explicativo e bibliográfico. Quanto aos procedimentos técnicos às formas de pesquisa podem ser classificadas como estudos de pesquisa bibliográfica onde foram elaborados a partir de materiais já publicados, como livros, artigos periódicos, consistir em observação sistemática. Esse estudo é de mercadológica e de opinião, e de caso, onde após as coletadas de dados foi realizada uma análise da relação entre os variáveis usos da aplicação das novas tecnologias educacionais na disciplina de sociologia.

O estudo foi registrando, interpretando, analisando, avaliador, verificador e explicador, sobre as novas tecnologias educacionais aplicada na disciplina de sociologia dos alunos no ensino médio. E tem a finalidade de visar e identificar os fatores que contribuem para ocorrência do uso das novas tecnologias educacionais aplicadas na disciplina de sociologia no ensino médio onde é possível desenvolver um trabalho eficaz com relação ao uso dos recursos tecnológicos na educação.

Este estudo tem intuito estimular, motivar para que as novas tecnologias não sejam mais um recurso em salas de aulas e que as novas tecnologias possam auxiliar na educação e assim melhorar a compreensão dos conteúdos aplicados nas aulas de sociologia, desenvolvendo nos estudantes mais reflexivos, mais críticos e mais soluções ao problema educacionais na disciplina de sociologia.

O DESENVOLVIMENTO DA SOCIOLOGIA

De acordo com Costa (2005), Comte cristaliza a origem da ciência social. O autor converge a herança iluminada, a consciência das transformações da sociedade e a ânsia de tentar reconstruir uma sociedade a dissolução crescente.

Verdadeiros profetas da nova disciplina, com eles a sociologia estabelece as bases para a organização científica da sociedade. Essa mesma alegação influenciou significativamente as produções teóricas de Emile Durkheim, Karl Marx e Max Weber.

De acordo com Freitas (1990), o trabalho de Durkheim, Marx e Weber representam uma contribuição definitiva para a construção de uma ciência para o estudo da sociedade. A sua atividade intelectual foi concentrada no estudo rigoroso de associações entre fatos sociais, considerando tal associação como um fato em si mesmo.

Em concordância com o autor citado anteriormente, Emile Durkheim dedicou os seus esforços para a constituição da sociologia como disciplina científica. Essa tarefa teve sua realização em três obras essenciais na história da disciplina: As regras do método sociológico, publicado em 1895, a divisão social do trabalho, em 1897, e o suicídio, também em 1897.

Com Durkheim, a sociologia começou a adquirir um certo status como uma ciência e um grau significativo de divulgação. Durkheim coincidiu com Comte em que a sociologia se justifica porque há associações entre diferentes fatos sociais, portanto, deve ser considerado independentemente do sujeito. Nas palavras de Durkheim:

A sociologia só poderia nascer no dia em que se presenciou os fenômenos sociais, mesmo que não sejam materiais, ainda são coisas reais que permitem seu estudo; portanto, é necessário considerar os próprios fenômenos sociais, separados dos sujeitos conscientes que os representam (FREITAS, 1990, p.38).

Com Durkheim, a sociologia lançou as bases para um desenvolvimento eficaz dos métodos objetivos de investigação da sociedade.

Como Durkheim, Karl Marx influenciou de forma essencial para o desenvolvimento da sociologia. Karl Marx tentou sintetizar em um corpo homogêneo de teoria da herança do conhecimento social. Seu objetivo era descobrir o processo de desenvolvimento da humanidade, com a finalidade de acelerar e orientar na medida do possível. Queria, portanto, segundo Freitas (1990, p. 57):

Transformar a sociedade, em um sentido que era, em grande medida, já estava predeterminado. O ideal comum de projetar um modelo de sociedade com critérios científicos e racionais teria assim uma certa continuação no propósito de Marx de contribuir para o nascimento de uma nova sociedade comunista como uma superação histórica do capitalismo e suas contradições e conflitos sociais.

Para Marx, o único conhecimento verificável da realidade social é proporcionado pelo método de análise científica, que ele chamou de materialismo dialético. Considerou prioritário conhecer o significado que os indivíduos dão às suas ações.

O subjetivismo em que ele poderia cair com a defesa dessa postura foi prejudicado pela ênfase que ele sempre colocou na investigação concreta. Seus estudos mostraram que a conduta dos indivíduos não tem, em última análise, um interesse particular, mas, pelo contrário, é explicada por valores que remetem ao contexto normativo social.

De acordo com Santos (2004), a importância de Weber reside em elevar o problema da interpretação sociológica da ação dos atores sociais. Assim como Durkheim deu um passo importante no estudo das características objetivas dos fatos sociais, Weber fez isso na análise da ação social em termos de entendimento subjetivo, na medida em que enfatizou, por um lado, a necessidade de identificar o significado que os atores sociais deram à sua própria ação e, por outro lado, no estudo do contexto cultural onde se realizou essa ação.

Em todo caso, Weber, como Comte, Durkheim e Marx, considerou o método científico racional ser o único confiável para verificar o conhecimento sobre relações causais na sociedade. Santos (2004) explica que Durkheim, Marx e Weber contribuíram para uma compreensão mais rigorosa do processo de mudança vivenciado pelas sociedades humanas. Reagiram à situação social que levou ao advento de uma nova sociedade caracterizada pela industrialização e que estimulou a imaginação de muitos sociólogos.

Comte como o inventor do termo Sociologia e como o primeiro condutor da mesma, Durkheim, Marx e Weber como os três primeiros grandes teóricos do estudo sociológico da sociedade tiveram a virtude de definir uma nova disciplina orientada para a pesquisa da sociedade com um método científico e contribuíram a conhecer com mais rigor os processos de mudança que experimentaram as sociedades humanas. A eles, e aos outros que se apoiaram neles, contemos hoje com uma ciência da sociedade.

SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E DO CONHECIMENTO: A SOCIOLOGIA

Nos dias atuais, a utilização das tecnologias da informação e comunicação é um componente de inquietação, debate e análise para muitos seguimentos, inclusive a escola e professores. Contudo, essa inquietação ainda não foi manifestada em um ensaio sistemático e organizada de conseguir atividades relevantes favoráveis ao uso apropriado de tecnologias pelos adolescentes.

De tal modo, segundo Tarja (2011), um dos desafios mais relevantes para os professores e professoras deve, indubitavelmente, focar no estudo da relação que os estudantes estabelecem com as TIC. O que se torna objeto de reflexão em atividades didáticas das ciências humanas como é o caso da sociologia.

Essas tecnologias ampliam as probabilidades de comunicação, causam novas culturas e possibilitam o desenvolvimento de novas habilidades e formas de construção do conhecimento.

Nos últimos anos, surgiram várias pesquisas no campo da educação que abordam a questão da utilização das tecnologias da informação e comunicação entre alunos nos espaços escolares.

O conjunto de mudanças econômicas, políticas, sociais e culturais corresponde a vários fatores, entre os quais exige máxima importância do papel acentuado do conhecimento. A nomeação da sociedade atual como “sociedade do conhecimento” ou “sociedade da informação” conquistou muitos seguidores entre os autores envolvidos em análises sociais prospectivas. Sobre a chamada sociedade do conhecimento e da informação é imprescindível esclarecer:

SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – Acesso democratizado, universal, global e total a informação e ao conhecimento, através dos meios de comunicação e equipamentos eletrônicos. A Internet inaugura uma nova sociedade chamada de Sociedade da Informação. SOCIEDADE DO CONHECIMENTO – Se produziu a partir das redes sociais, das interações e colaborações, entre os indivíduos membros. São pessoas discutindo questões, refletindo sobre elas, ensinando e aprendendo, umas com as outras, em todas as áreas de conhecimento. E o que faz um indivíduo dizer que pertence a sociedade do conhecimento é ela mostrar que participa das redes sociais, interage com as pessoas, troca informações. Quando o indivíduo entra numa rede social e é aceito pela rede para se tornar um membro, passa a discutir, contribuir, refletir, produzir informação e colaborar com a construção do conhecimento da rede que pertence (CASTELLS, 2003, p.121).

Nesse sentido, Tarja (2011), contextualizou essa função do conhecimento por meio da categoria “reflexividade” que, de acordo com suas reflexões, é a característica central da sociedade contemporânea. Castells (2003) argumenta explicando que o processo de modernização da sociedade expandiu os campos de reflexão em áreas tradicionalmente reguladas pela tradição.

Parece oportuno ressaltar que, no que diz respeito à reflexão, o conhecimento sociológico permite ensinar a pensar bem, pensar melhor, com a ideia de formar um ser mais humano. Começamos com a suposição de que as pessoas que têm a capacidade de reflexão entendem melhor o seu entorno e são capazes de agir de forma mais responsável e consciente em seu ambiente. É isso que se almeja alcançar na sociedade do conhecimento.

O grande desafio daqui pra frente não é mais saber conteúdos, posto que esses estejam todos disponíveis na Internet, mas quais informações são importantes e relevantes para o crescimento cognitivo, como essas informações vão mudar o modo de ver o mundo e de fazer as pessoas crescerem intelectualmente (CASTELLS, 2003, p.102).

Por outro lado, ultimamente, houve uma mudança científico-tecnológica vertiginosa, que deu origem à sociedade da informação. O surgimento, em meados da década de 1990, das denominadas novas tecnologias, incluindo computador, telefone celular e Internet, gerou uma efetiva revolução social; especialmente, pois que nos apresentam possibilidades de comunicação e informação com o mundo e possibilitam o desenvolvimento de novas competências e formas de constituição de conhecimento que antes eram ignoradas e que também representam novas situações sociais que necessitamos adotar com responsabilidade.

Na conjuntura social, a juventude de hoje traz uma íntima relação com as tecnologias da informação e comunicação, pois se tornou um instrumento influente que promove a informação, a comunicação e possibilita o desenvolvimento de habilidades e novas maneiras de constituição do conhecimento. Dito de outra forma, a juventude na atualidade põe em prática novas maneiras de construir uma cultura digital; esta cultura tornou-se mais um objeto de investigação da sociologia.

De acordo com Prenaky (2010), as TICs como computadores, Internet e telefones celulares (smartphones) trouxeram mudanças aceleradas e inovadoras em nossa sociedade, sobretudo por terem características de interatividade. Os indivíduos, por meio de seu uso, podem interagir com outras pessoas ou mídias, oferecendo-nos experiências diversas e possibilidades que antes eram desconhecidas ou mesmo não imaginadas.

Sem dúvida, o uso das TIC no ensino de sociologia implica aprender novas maneiras de comunicar e transmitir conhecimento. Nesse processo, professores se sociologia e alunos desempenham um papel ativo e inovador.

AS TIC NA EDUCAÇÃO: A SOCIOLOGIA

O século XXI moldou o que se conhece como sociedade do conhecimento ou da informação, uma vez que estes fluem instantaneamente através da tecnologia. De tal modo, as ferramentas tecnológicas contribuem para gerar mudanças importantes em muitas esferas da vida social. Devemos especificar que as TIC são basicamente aqueles dispositivos que capturam, transmitem e exibem dados e informações eletrônicas e sustentam o crescimento econômico e o desenvolvimento das indústrias manufatureiras e serviços.

Nas últimas décadas, a utilização em massa das tecnologias da informação e comunicação (TIC) em vários campos trouxe à discussão os benefícios de incorporá-las no campo educacional.

Castells (2005) diz que nesse ponto de vista, as TIC podem ser avaliadas como um relacionamento social, objeto da sociologia, que promove o processo de informação e comunicação, a fim de construir e ampliar o conhecimento que atende às necessidades dos membros de uma determinada organização social.

No campo educacional, duas áreas de aplicação podem ser distinguidas: o processo de ensino-aprendizagem e a área de gestão educacional. Para os propósitos deste trabalho, focaremos a atenção no primeiro.

Castells (2005) destaca que falar sobre educação e TIC é mais do que falar sobre equipamentos, computadores, dispositivos e programas: é uma oportunidade de refletir sobre como estamos pensando em educação e como jovens e professores aprendem e ensinam.

Para Leopold (2002), essas tecnologias têm o potencial de transformar o processo de ensino-aprendizagem de forma inovadora, além de apoiar o trabalho colaborativo e o desenvolvimento de projetos de pesquisa, levando a um aprendizado mais reflexivo e participativo.

É inegável que o uso das TIC pode trazer certas vantagens, como maior e melhor uso do tempo, facilidade de trabalho em equipe, mais motivação e interesse na realização de tarefas, os novos comportamentos a serem observados; mas também pode significar algumas desvantagens, como o fato de os professores não serem suficientemente treinados ou familiarizados com essas tecnologias ou de os alunos não levarem as atividades acadêmicas tão a sério, dadas a facilidade com que obtêm informações.

Ainda assim, as vantagens superam as possíveis desvantagens. Leopold (2002, p. 76) destaca alguns dos benefícios da incorporação de tecnologia no ensino superior:

A facilidade de acessar informações e a variedade de informações disponíveis; Os parâmetros de alta confiabilidade e a velocidade da informação e processamento de dados; A variedade de canais de comunicação que elas oferecem; A eliminação das barreiras espaço-temporais; As possibilidades de feedback e grande interatividade que oferecem; O desenvolvimento de espaços flexíveis para a aprendizagem; A melhora da autonomia pessoal e o desenvolvimento do trabalho colaborativo; A organização e o desenvolvimento de atividades de ensino e pesquisa. Simplificam as atividades administrativas e de gerenciamento, além de permitir sua realocação a partir do contexto imediato.

É inegável que a partir desses benefícios o processo de ensino-aprendizagem deve ser transformado; alunos e professores têm a oportunidade de aproveitar os recursos máximos oferecidos pelo uso da Internet.

Prenaky (2010) aponta as diferenças entre ser nativo e ser imigrante digital, porque são substanciais. Os nativos são todos aqueles que nasceram e treinaram usando a linguagem digital de jogos de computador, vídeo e Internet; e os imigrantes digitais são os que são forçados pela necessidade de se formar dia a dia, adaptando-se ao ambiente, mas sempre mantendo certa conexão com o passado. Isso se reflete no processo de ensino-aprendizagem, pois os alunos têm toda a experiência em tecnologia e digital, enquanto os professores aprendem e incorporam constantemente essa tecnologia em nosso modo de dar aulas. Da mesma forma, usando ferramentas tecnológicas, os professores poderiam inovar suas práticas pedagógicas, o que geraria uma mudança importante no processo educacional.

Dessa forma, o processo de ensino-aprendizagem vai além do horário tradicional da sala de aula e o professor não é mais um simples transmissor de conhecimento. O uso das TIC representa a oportunidade e o desafio de inovar os processos educacionais e as novas formas sociais de convivência.

Castells (2005) ressalta, com razão, que é necessário ver as tecnologias como recursos e recursos educacionais, mas não como a panaceia que resolverá os problemas do campo educacional e social. Portanto, o professor deve usá-los para ajudar a criar um ambiente propício ao aprendizado e reforço do conteúdo visto nas aulas.

Nesse ambiente, o aprendizado deve ser ativo, responsável, construtivo, intencional, complexo, contextual, participativo, interativo e reflexivo. Nesse sentido, Freire (1997) insiste em que a educação deve ser um espaço libertador, facilitador da aprendizagem, para a formação alunos criativos, críticos, reflexivos e intencionais em seu próprio contexto; e, também, que se deve deixar para trás a educação bancária ou tradicional[2] à qual estava acostumado, para dar lugar à era digital.

Para isso, os professores podem usar algumas ferramentas tecnológicas que nos últimos anos se tornaram mais comuns, como plataformas de e-learning[3], redes sociais virtuais, material digital de ensino e computação em nuvem.

O uso dessas ferramentas pode aproximar alunos e professores, além de ser útil na exploração dos conteúdos de forma mais interativa. O aluno passa de mero receptor, que só observa e nem sempre compreende, para um sujeito mais ativo e participativo. E o objetivo principal de todo esse processo é tornar o aluno capaz de desenvolver seu trabalho, torná-lo o autor e o professor apenas o ajuda na condução desse processo de construção. No entanto, uma das dificuldades enfrentadas pelos professores é a falta de infraestrutura de algumas escolas e a falta de formação de qualidade para os professores quanto ao uso dessas novas ferramentas (PRENAKY, 2010, p. 32).

O termo e-learning pode ser definido como o uso da Internet para facilitar o aprendizado. No entanto, é importante notar que existem vários tipos de tecnologias de e-learning que podem ser utilizadas para fins educacionais, dentre elas, podemos destacar linguagens de programação, sistemas de autoria, sistemas de gerenciamento de aprendizagem, sistemas de gerenciamento de conteúdo, dentre outros.

Por outro lado, a partir da Internet e da Web 2.0, as redes sociais online tornaram-se espaços onde a troca de informações pode ser realizada de forma contínua e permanente.

Podemos entender uma rede social virtual como um espaço no qual os indivíduos interagem com outros através da Internet, com base em software que permite a troca de informações por meio de mensagens, blogs e chats, por exemplo; da mesma forma, as pessoas que formam uma rede podem compartilhar interesses, opiniões, apoiar, integrar tematicamente, gerar um sentimento de pertencimento e socializar. Portanto, estes são novos campos de estudo do comportamento em sociedade.

No conjunto da sociedade da informação, a Internet é a ferramenta que ganha maior importância para o mundo do cotidiano social. O uso da internet proporciona um contato com vários aspectos da vida social, e as altera significativamente como a “nova” economia, as atividades políticas, as identidades culturais, a sociabilidade, a educação e etc. (GUIMARÃES, MORAES, 2010, p. 28).

As redes sociais online, como serviços baseados na Internet, permitem que indivíduos construam um perfil público dentro de um sistema definido, articulem uma lista de outros usuários com os quais compartilham uma conexão, além de exibir e navegar em sua lista de conexões e aquelas feitas por outras pessoas dentro do sistema.

No campo educacional, a interação entre professores e alunos pode se beneficiar do uso de redes sociais. Segundo Santos (2004), elas permitem que as informações sejam publicadas e compartilhadas; acessar outras fontes de informação que apoiam e até facilitam a aprendizagem construtivista e a aprendizagem colaborativa; elas favorecem o auto aprendizado, o trabalho em equipe, a comunicação entre colegas e entre aluno e professor, o feedback e, finalmente, o contato com especialistas.

Entre as redes sociais mais conhecidas ou usadas estão o Facebook, YouTube, Twitter, Instagram, WhatsApp e Google+. A vantagem é que a estrutura e a plataforma de rede podem ser usadas sem a necessidade de criar algo novo.

Tarja (2011) ressalta que as redes sociais também têm objetos de interesse comum entre os alunos e, portanto, podem ser facilmente conectadas sem serem solicitadas pelo professor; da mesma forma, o autor sugere que grupos de alunos, aulas particulares ou para um assunto possam ser criados. A diversidade de grupos pode ser tão ampla quanto as tarefas.

O uso das redes sociais para fins educacionais causa mudanças importantes: os professores enfrentam o desafio de se envolver com as novas tecnologias, mas, sobretudo, de usar o que é atraente para os alunos e aproveitar as oportunidades. As redes sociais podem favorecer significativamente o processo de educação formal, pois permitem que o aluno realize atividades acadêmicas em um contexto amigável.

Conclui-se que a cultura da interação se manifesta através do uso das TIC, principalmente na população jovem, que constrói novas formas de interação social utilizando essas tecnologias. Para Castells (2005) os jovens alunos incorporaram o uso das TICs na vida cotidiana, como ferramenta de interação, socialização, trabalho, entretenimento etc., dentro de seu contexto social e educacional. Dessa forma, a própria interações através destas mídias podem tornar-se objeto de reflexão estimulado pelo professor de sociologia.

No caso da adolescência, pode-se considerar que o conteúdo das TIC se torna um elemento de interação e socialização, principalmente com seus pares, pois compartilham hobbies para determinadas atividades (música, moda, cinema, esportes, entre outros). Além disso, permite que eles troquem informações como: páginas da web interessantes, truques para passar por estágios em videogames etc.

Pode-se dizer que a cultura da interação tem um duplo significado. Por um lado, a interação pode ser vista como um elemento socializante, não dependente da tecnologia e modeladora das relações sociais; por outro, como elemento relacionado à tecnologia, aos quais os adolescentes têm acesso e estão muito familiarizados.

CONCLUSÃO

As instituições de ensino consideram o uso das TIC uma competência transversal, pois podem ser aplicadas em inúmeras disciplinas e, sem dúvida, na disciplina de sociologia. É por isso que sua importância tem sido um tópico de discussão nos últimos anos sobre seu impacto e resultados. O campo educacional social também se beneficiou do uso das TICs, devido ao apoio que eles fornecem aos estudantes em seu processo de aprendizagem da sociedade e suas transformações.

Os estudantes que hoje temos nas salas de aula constituem a primeira geração formada em torno dos avanços tecnológicos, em virtude dos quais foram imersos em videogames, computadores, vídeos, dispositivos de música e telefone digital, e-mails, mensagens instantâneas e Internet. Tudo faz parte da vida dele. Eles são nativos digitais; então, eles pensam e processam as informações de maneira diferente, porque têm mais habilidades para lidar e usar tecnologias mais avançadas do que os professores e educadores.

As TIC contribuem para o fortalecimento da aprendizagem dos problemas sociais de sua época; seu uso foi expandido e diversificado: passou de materiais tradicionais, como notas e conferências, para materiais digitais, como apresentações, plataformas virtuais, vídeos, filmes, redes sociais, trabalho online e suporte em a nuvem. Há maior acesso à informação, a pesquisa é facilitada com mecanismos de busca comerciais em questões educacionais e, com isso, as barreiras espaciais e temporais são eliminadas nas diferentes áreas do conhecimento. Os alunos estão imersos em ambientes virtuais, pois acessam as TIC através de telefones celulares, o que facilita suas atividades escolares. O uso das TIC não substitui a figura do professor; sua predominância foi acentuada à medida que avançam e estão disponíveis nas várias instituições de ensino.

Uma das maiores vantagens das TIC é que elas facilitam o processo de ensino-aprendizagem, porque uma quantidade maior de informações pode ser acessada em qualquer nível, de maneira fácil, prática, divertida e dinâmica. Outra vantagem é que elas promovem o contato com muitas pessoas, fortalecem o trabalho colaborativo e em equipe e aumentam o interesse em tecnologia. Algumas pessoas afirmam que constituem o passo em direção a uma educação global e a distância.

Uma desvantagem é que o uso excessivo das TIC torna os alunos sujeitos passivos e limitados, pois eles têm acesso imediato e fácil a qualquer informação, o que incentiva a dispersão, pois é uma distração. Outra desvantagem é que nem todos têm acesso a elas, por várias razões, o que também deve ser objeto de estudo da sociologia. O mais importante, no entanto, é que elas não substituem o ensino presencial.

REFERÊNCIAS

CASTELLS, Manuel. Internet e Sociedade em Rede. Rio de Janeiro: editora Record, 2005.

______. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 2003.

COSTA, M. C. C. Sociologia: Introdução à ciência da sociedade. Cristina Costa – 3 eds. rev e amp.- São Paulo: Moderna, 2005.

FREITAS, Barbara. Escola, Estado e Sociedade. São Paulo: Moraes, 1990.

FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997.

GUIMARÃES, Elisabeth da F. MORAES, Amaury Cesar. Metodologia de Ensino de Ciências Sociais. Sociologia: ensino médio / Coordenação Amaury César Moraes. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2010.

LEOPOLDO, L. P. (Org.). Novas Tecnologias na Educação: reflexões sobre a prática. Formação docente e novas tecnologias. Maceió: Edufal, 2002.

PRENAKY, M. O papel da tecnologia no ensino e na sala de aula. São Paulo: Conjectura, 2010.

SANTOS, Mário Bispo. Sociologia e Ensino em Debate: experiências e discussão de sociologia no ensino médio. Ed. Unijuí, 2004.

TAJRA, S.F. Informática na educação: novas ferramentas pedagógicas para professor na atualidade. 8. ed. São Paulo: Érica, 2011.

APÊNDICE – REFERÊNCIAS DE NOTA DE RODAPÉ

2. A educação “bancária” pressupõe uma relação vertical entre o educador e educando. O educador é o sujeito que detêm o conhecimento, pensa e prescreve, enquanto o educando é o objeto que recebe o conhecimento é pensado e segue a prescrição. O educador “bancário” faz “depósitos” nos educandos e estes passivamente as recebe. Tal concepção de educação tem como propósito, intencional ou não, a formação de indivíduos acomodados, não questionadores e que se submetem à estrutura de poder vigente. É o rebanho que como uma massa homogênea, não projeta, não transforma, não almeja ser mais. Disponível em: https://www.recantodasletras.com.br/resenhasdelivros/2339567

3. Um e-learning é uma modalidade de educação através da qual se faz necessário o uso de um ambiente virtual de aprendizagem, na maioria das vezes disponibilizada através de uma plataforma e-learning. Logo, o e-learning é caracterizado pelo distanciamento físico entre aluno e professor. Mas há sempre uma flexibilidade de tempo e espaço, visto que ambos os envolvidos podem interagir entre si a qualquer momento e de qualquer lugar que tenha acesso à Internet. Disponível em: http://www.edools.com/e-learning/

[1] Pós Graduação: Lato Sensu em Ensino de Filosofia Sociologia e Ensino Religioso; Licenciatura Plena em Pedagogia.

Enviado: Junho, 2019.

Aprovado: Abril, 2020.

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