Eventos Adversos nas Unidades de Tratamento Intensivo

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SOUSA, Alecineide Emidio de [1]

SOUSA, Alecineide Emidio de. Eventos Adversos nas Unidades de Tratamento Intensivo. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 08, Vol. 11, pp. 105-116, Agosto de 2018. ISSN:2448-0959

Resumo

Eventos Adversos são todas as ocorrências de eventos que gerem e ou provoquem danos à saúde do usuário. O erro pode ser entendido como uma falha na execução de uma ação planeja. A Enfermagem traz entre suas atribuições e obrigações a busca constante pela elaboração e desenvolvimento de um ambiente seguro para seu cliente. A segurança do cliente e o conjunto de atos que visem reduzir os riscos de danos relacionados a prestação de assistência em enfermagem. O objetivo principal do trabalho é realizar reflexão a respeito das ações de enfermagem dentro da UTI que visem reduzir os riscos ao paciente, para chegar a esse obtivo 3 objetivos secundários foram traçados: Definir os Eventos Adversos em enfermagem; identificar os principais eventos possíveis de previsão e prevenção na UTI; apresentar as ações de enfermagem capazes de promover um ambiente seguro para clientes e equipe de saúde em UTI. Será realizado levantamento bibliográfico para elaboração do referencial teórico com busca das terminologias segurança, enfermagem, UTI e eventos adversos na plataforma Google Acadêmico. Considerações finais: Eventos adversos podem ocorrer mesmo sobre a fiscalização intensa, é dever da enfermagem zelar e vigiar para que esses eventos ocorram cada vez menos, sendo se possível eliminados os eventos de origem em erros possíveis de serem evitados.

Palavras-chave: Automedicação, Reações Adversas, Uso Racional de Medicamentos, Assistência Farmacêutica ao Idoso.

Introdução

O Evento Adverso (EA) é todo o incidente médico decorrente do cuidado prestado que resulta em dano ao paciente. Estes danos podem ser classificados quanto ao impacto exercido sobre o paciente. Os eventos Adversos podem ser classificados em leve, moderado, grave ou responsáveis por óbitos. Em geral evento adverso não acarreta danos importantes aos pacientes. Podendo em sua grande maioria ser evitadas desde que os profissionais de saúde seguissem os protocolos de segurança do paciente.

As ocorrências desses eventos têm impacto relevante na vida do paciente afetando setores como: Economia, social e psicológica, a ocorrência desses eventos trazem transtornos ao cliente, aumentam o tempo de internação, os gastos e a demanda de pessoal especializado. Esse conjunto de fatores justifica um estudo que evidencie a participação do enfermeiro na criação de um ambiente de segurança para o cliente. Os Eventos adversos ocorrem em mais de 10% das admissões hospitalares. Uma consequência relevante dos eventos adversos ocorridos em unidades de terapia intensiva ainda e o sofrimento humano, causar dano desnecessário ao paciente em um momento de fragilidade emocional e físico, mesmo não sendo proposital e de uma gravidade imensurável (LANZILLOTTI, et al, 2015).

O trabalho aborda o problema de pesquisa “Qual o papel do enfermeiro na construção de um ambiente seguro em UIT”? Diante dos fatos o papel do enfermeiro, equipe de enfermagem e gestores ou até mesmo diante de uma notificação deve ser acolhedora para com o profissional e também, para com o paciente, para que este mesmo profissional sinta- se estimulado a continuar notificando. A maior dificuldade do enfermeiro e equipe em notificar os eventos adversos ainda está relacionada ao caráter punitivo da questão. A punição muitas vezes vem em forma camuflada, constrangedora.

O objetivo principal do trabalho foi realizar reflexão a respeito das ações de enfermagem dentro da UTI que visem reduzir os riscos ao paciente, para chegar a esse obtivo foram traçados os seguintes objetivos secundários: Definir os Eventos Adversos em enfermagem; identificar os principais eventos possíveis de previsão e prevenção na UTI; apresentar as ações de enfermagem capazes de promover um ambiente seguro para clientes e equipe de saúde em UTI.

Foi realizado levantamento bibliográfico para elaboração do referencial teórico com busca das terminologias segurança, enfermagem, UTI e eventos adversos na plataforma Google Acadêmico. Será feita busca de periódicos disponibilizado no período de 2007 a 2017, Trata se de pesquisa bibliográfica, descritiva e qualitativa. A partir do método indutivo serão avaliados os artigos formulando descrições dos capítulos.

Identificar os possíveis eventos dentro de uma unidade de terapia Intensiva pode ser uma real possibilidade de ameniza-los, mas para que isso ocorra serão necessários dados da frequência desses eventos. A notificação de um evento adverso tem como finalidade, ajustes nos protocolos de atendimento e organizacional de cada empresa.

1. EVENTOS ADVERSOS E SUAS DEFINIÇÕES

Eventos Adversos EA são todas as ocorrências de eventos que gerem e ou provoquem danos à saúde do usuário. O erro pode ser entendido como uma falha na execução de uma ação planeja. Apesar de parecidos existem diferenças entre os dois termos uma vez que os EA podem resultar de erros humanos ou não, podendo ser classificados em evitáveis e não evitáveis (SOUZA et al., 2015).

A Enfermagem traz entre suas atribuições e obrigações a busca constante pela elaboração e desenvolvimento de um ambiente seguro para seu cliente. A segurança do cliente e o conjunto de atos que visem reduzir os riscos de danos relacionados a prestação de assistência em

enfermagem. Falhas nesse processo causam sofrimento humano que poderia ter sido evitado, causa um aumento no tempo de internação o que leva a um aumento dos custos e uma maior participação da equipe de saúde, demandando mais tempo, recursos, materiais mão de obra além de aumentar o risco do cliente a novas intercorrências, infecções e sofrimento por estar exposto a um tempo maio de internação por exemplo. Os incidentes de segurança do cliente, são classificados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), como eventos e circunstância que podem resultar e ou resultam em intercorrências desnecessárias a saúde física e psicologia de cliente, família e equipe de saúde (NOVARETTI, et al., 2014).

[…]A falta de segurança do paciente causa 42.7 milhões de incidentes com dano ao redor do mundo por ano, desse total, dois terços ocorrem nos países em desenvolvimento e nos países em transição, segundo estudo realizado pela Universidade de Harvard (FRANÇOLIN et al, 2015 p 278).

Em um estudo prospectivo foram estudados 1014 clientes sendo reportadas todas as respostas nocivas que os clientes apresentaram em decorrência da internação. Foram registrados 240 episódios em um número total de 198, 20% desse total sofreram 1 ou mais episódios. Entre esses episódios 110 (45%) foram considerados leves, 82 (34,2%) moderados, 48 (20%) graves e 16 (6,7%) levaram os clientes a óbito. Para ilustrar melhor essa informação apresentamos na figura 1 gráfico contendo esses dados (ZAMBON, 2014).

Gráfico 1- Respostas nocivas em EA. (ZAMBON, 2014)
Gráfico 1- Respostas nocivas em EA. (ZAMBON, 2014)

Bohomol e Ramos, (2007) dizem que os erros podem trazer prejuízos diversos ao cliente, desde o aumento de sua permanência em um ambiente hospitalar, necessidade de intervenção diagnostica e terapêutica, até mesmo a morte. Além de danos ao cliente, há também, aspectos econômicos, como aumento dos custos das internações hospitalares.

[…]Os erros podem trazer danos e prejuízos diversos a um paciente, desde o aumento do tempo de permanência em uma instituição hospitalar, necessidade de intervenções diagnósticas e terapêuticas e trazer, até, consequências trágicas, como a morte. São conhecidos como eventos iatrogênicos (BOHOMOL; RAMOS, 2007 p 33).

Quando o paciente chega a um leito hospitalar todas as suas certezas, segurança perde de certa forma o sentido, colocam-se a disposição daqueles que julga estarem preparados para cuidar e oferecer o que há de mais seguro em relação a sua saúde e bem estar. Duarte, (2015) conceitua que para o profissional da equipe de enfermagem a ocorrência dos eventos adversos pode acarretar diversas problemáticas, dado o estresse emocional, os preceitos éticos e às punições legais a que está exposto. Assim, é importante o investimento em uma cultura de segurança, através da disseminação do conceito de segurança do paciente e de uma discussão não punitiva sobre os eventos adversos. PARANAGUÁ, (2013) diz que o profissional de enfermagem sofre com a consequência desse tipo de evento, quer pela sobrecarga de trabalho ou pelas sanções administrativas e legais. É importante que o profissional relate o incidente para que providências sejam tomadas o mais rápido possível.

Os profissionais de saúde, como quaisquer seres humanos, são passíveis de falhas, no entanto, não se identificam os eventos adversos quando os profissionais se solidarizam e mascaram tais situações. Deve existir um olhar crítico e investigativo sobre as falhas, a fim de apontar lacunas que precisam ser sanadas para beneficiar não só a equipe, mas principalmente o cliente.

[…] Nas instituições de saúde, os procedimentos realizados envolvem determinados riscos que são agravados na presença de falhas na estrutura e processos da assistência, tornando o cuidado inseguro e, como resultado, evidencia-se baixa qualidade no atendimento ao paciente e a ocorrência de incidentes. Dentre os tipos de incidentes, os eventos adversos (EA) destacam-se por, obrigatoriamente, acarretar dano ao paciente, resultando em impacto significativo no sistema de saúde, incluindo pacientes, profissionais e instituições (MOREIRA et al., 2015 p 461).

Vincent (2009), conceitua a expressão “segurança do paciente “como atualmente muito utilizada, mas raramente definida com clareza. As pessoas envolvidas com essa pratica estão frequentemente preocupadas com problemas de qualidade do atendimento, e não e fácil de estabelecer uma divisão rígida entre a segurança do paciente e atividades relacionadas, como gerenciamento do risco e garantia da qualidade. A segurança do paciente pode ser definida em sua forma mais simples como ao ato de evitar, prevenir e melhorar os resultados adversos ou as lesões originadas no processo de atendimento médico – hospitalar.

Souza (2011), em seu estudo aponta que 70% dos eventos adversos não têm consequências importantes para o paciente e que os efeitos são mais econômicos, resultando apenas em gastos relacionados a tempo e recursos. Porém, outros podem gerar importantes consequências, tanto no que se refere ao sofrimento desnecessário, como aumento da dor ou incapacidade, quanto em termos de prolongamento do tempo de internação. Essas consequências podem levar os pacientes a considerar as falhas no tratamento como uma traição à confiança depositada. Os Eventos Adversos podem ter desfechos sérios para os pacientes, prejuízos sociais, econômicos e psicológicos. Eventos adversos e segurança na assistência de enfermagem. Podem ser analisados também os custos adicionais com este paciente, custos financeiros, tempo de internação que serão maiores além da depreciação do próprio profissional de saúde que perde a credibilidade diante do paciente e muitas vezes diante da própria equipe, levando em consideração que muitos dos casos de eventos adversos ocorrem devido ao cansaço, ou falta de atenção.

2. EA EM UTI

O processo em saúde oferecido em centros de saúde e demais prestadores de serviços em saúde, podem ocasionar a necessidade de intervenções e procedimentos que envolvem certos riscos à saúde do cliente, esses riscos, quando associados a falta de preparo da equipe, problemas funcionais e admirativos, falhas na estrutura e processo de assistência esses riscos tornam-se ainda mais preocupantes, aumentando a possibilidade de ocorrências de erros e de eventos adversos em saúde. Esse cenário se torna mais dramático é preocupante quando falamos em UTI, a complexidade dos serviços, o risco iminente de óbito do cliente, a pressão em executar os procedimentos além das longas horas de trabalho influenciam diretamente para o aumento do número de casos eventos adversos, as consequências geradas por essa situação são imediatamente sentidas pelo cliente e pela equipe de saúde (MOREIRA et al, 2015).

Para Cervo et al., (2014) o cuidado em saúde pode representar riscos, que geram danos de diferentes níveis de gravidade, isso mesmo quando a intenção do procedimento é de beneficiar o cliente, eventos adversos e complicações podem ser naturais ao processo de atenção à saúde. Os eventos adversos (EA), são definidos pelas ações de saúde que eventualmente causam danos ao cliente promovidas pela equipe de saúde. O erro, definido como a não realização de um evento planejado muitas vezes é o principal causador e ou motivador do EA, o erro por sua natureza, é um EA evitável, logo, a correta preparação da equipe e o planejamento de ação podem ser definitivos quanto a possibilidade de identificar e corrigir os erros e os EA antes mesmo que eles ocorram. EA não evitáveis são considerados aqueles que ocorrem sem a ocorrência do erro como a interação medicamentosa e ou danos causados por medicações mesmo sendo as mesmas a prescrição correta ao cliente. A ocorrência de EA é estimada pela Organização mundial de saúde com uma incidência que varia entre 2,9 a 16,6 a cada 100 clientes admitidos nos hospitais e centros de saúde (CERVO, et al., 2014).

[…]Embora a busca pela segurança nas ações de saúde seja um desejo, a ocorrência de EA é uma realidade, inclusive em setores que prestam atendimento a pacientes críticos e que exigem alto padrão de qualidade como nas unidades de terapia intensiva (UTI) (MOREIRA et al., 2015 p 461).

A divulgação de um relatório Instituto de Medicina dos Estados Unidos (Errar é humano: construindo um sistema de saúde mais seguro) que fez uma análise em 30.121 prontuários provindos de internações identificou um número considerável de EA ocorridos em 3,7% das internações (6,5% dos quais provocaram danos permanentes e irrevocáveis e 13,6% envolveram a morte do paciente), esse relatório proporcionou estimar uma base onde 180.000 óbitos por ano naquele país tinham ligação ou relação com EA.

Devida a precariedade do serviço de saúde Brasileira estima-se que esses números podem ser maiores, o que coloco os EA em uma situação de problemática em saúde pública sendo necessariamente uma abordagem mais eficiente por parte dos profissionais de saúde quanto as medidas capazes de reduzir esses números. Os avanços tecnológicos e a complexidade dos procedimentos também são associados a ocorrência de erros e de EA, contudo estratégias simples e efetivas podem significar importante caminho para evitar e reduzir a incidência de EA e erros associados ao cuidado e prestação de assistência em saúde (OLIVEIRA et al, 2014).

Zago et al., (2014) defende que a UTI devida sua natureza crítica quanto a internação comumente ocorre a necessidade de tomada de decisão que envolve alto risco, muitas vezes em caráter de urgência e ou emergência utilizasse de intervenção medicamentoso complexa, com procedimentos e diagnósticos de números elevados além de decisões de alto risco, muitas vezes associados a clientes com o estado de saúde grave e debilitado contribuem diretamente para fazer da UTI ambiente propicio a incidência de EA com ou sem a presença de erros por parte da equipe. Em uma unidade de UTI, aproximadamente uma estimativa de 20% dos clientes internados sofreram de EA sendo 40 a 45% desse número de EA evitáveis. A enfermagem possui papel de destaque quando analisamos os números e os dados relacionados a EA em UTI por estar diretamente responsável pelo cuidado desses clientes, as ações e intervenções de enfermagem são constantemente necessárias nesse ambiente. O enfermeiro devido à grande carga de trabalho, os regimes intensos de plantões são submetidos a uma maior probabilidade de estarem ligados a ocorrência de EA ou erros diretos na atenção ao cliente em UTI.

[…] A frequência de eventos adversos (EA) em pacientes hospitalizados varia amplamente, de 10 a 60%…enquanto que os incidentes sem lesão podem chegar a impressionantes 60% das internações… Estudos norte-americanos mostram que os EAs evitáveis contribuíram para a morte de 44.000 a 98.000 pessoas/ano. Além disso, os EAs afetam as taxas de sobrevida dos pacientes significativamente e independentemente (ZAGO et al., 2014 p 43).

Os estudos quanto a incidência de EA no Brasil são recentes e muitas vezes focados em incidentes relacionados ao uso de medicações, sendo esses providos de erros relacionados a prescrição e administração desses medicamentos sendo também possível a ocorrência de reações mesmo quando a ausência desses erros. Porém outros fatores e motivadores de EA podem ser identificados e evitados, como o uso de sonda nasoenterica para a administração de alimentação enteral, sobrecarga dos profissionais de saúde, ventilação mecânica entre outros procedimentos necessários para a manutenção da vida dentro do ambiente da UTI (CERVO, et al., 2014).

Oliveira, et al, (2014) defende que o processo assistencial sofre de uma lacuna quanto a segurança do paciente. Essa lacuna é evidenciada pelo número alarmante de ocorrências relacionadas aos eventos adversos evitáveis, esses eventos são marcados pelo dano a saúde do cliente, pelo aumento do tempo de internação e pelo aumento direto nos custos relacionados ao cuidado. É comum associar os EA ao erro humano individual, porem para considerar a natureza da origem em que esses eventos se desenvolvem aspectos como as condições de trabalho, os aspectos estruturais e a complexidade dos procedimentos desenvolvidos devem ser avaliados e levado em consideração quanto ao planejamento de estratégias que visem evitar esse tipo de ocorrência. Os avanços tecnológicos sem a devida capacitação dos recursos humanos, a desmotivação dos profissionais de saúde, falhas na aplicação e no desenvolvimento da sistematização da assistência em enfermagem SAE, são apontadas como os principais motivadores não humanos relacionados a ocorrência de EA. Para o auto:

[…]No âmbito da assistência de enfermagem, os erros mais frequentes a ela relacionados ocorrem na administração de medicamentos; na transferência de paciente e na troca de informações; no trabalho em equipe e comunicação; na incidência de quedas e de úlceras por pressão; nas falhas nos processos de identificação do paciente, na incidência de infecção relacionada aos cuidados de saúde, entre outros (OLIVEIRA, et al, 2014 p 123).

O processo de medicação é apontado como importante percursor dos EA, podendo ser evidenciado na UTI eventos relacionado às falhas no âmbito da prevenção e diagnostico de doenças, sistema de monitoramento e interpretação do sistema de monitoramento, assim como falhas na indicação, colocação, manutenção e retirada de dispositivos tubulares como sondas, cateteres e tubos de ventilação.

A assistência de enfermagem possui indicadores de erros relacionados na administração de medicamentos, monitoramento e controle de aparelhos sofisticados como bombas de infusão, manuseio incorreto de materiais e artefatos terapêuticos além das falhas nas anotações de enfermagem e no processo de comunicação da equipe de saúde (MOREIRA et al, 2015).

3. PRATICAS DE ENFERMAGEM EM PREVENÇÃO DE EA

Moreira et al., (2015) considera a importância da equipe de enfermagem dentro da unidade de terapia intensiva, a equipe de enfermagem é a principal responsável por cuidar da recuperação do cliente em situação crítica, em que se faz necessário a internação na UTI, para realizar esse cuidado, o enfermeiro promove um cuidado integral as necessidades humanas básicas desses clientes, estando presente em 24 horas, prestando cuidados, administrando e controlando o uso de medicações, suprindo as necessidades de conforto, segurança e atenção necessárias para a recuperação integral desse cliente que se encontra em estado grave.

Esse cuidado é resguardado pela capacidade técnica cientifica do enfermeiro em executar as ações e procedimentos terapêuticos de forma eficiente, padronizada, sistematizada e principalmente humanizada. Essa postura de cuidado integral e assistencial em saúde da enfermagem tem como objetivo reduzir as possibilidades de erros, reduzindo a probabilidade da ocorrência de EA. É de estrema importância para a equipe de enfermagem monitorar, notificar, avaliar e discutir a respeito dos episódios de EA, entendendo assim sua natureza, as razões que levaram a equipe a falhar em aplicar e executar as ações e os planos de cuidados de saúde ao cliente submetido aos cuidados da UTI.

Para Mendes, et al., (2013) a precariedade do serviço de saúde brasileiro coloca o Brasil em uma difícil posição quanto os índices de incidência de Eventos adversos, apesar de possuir um número reduzido de publicações que tracem um perfil demográfico amplo dos EA, são encontrados na literatura atual publicações que evidenciam a alta incidência desses eventos em regiões isoladas, principalmente dos grandes centros urbanos onde a presença de hospitais escolas e universidades incentivam diretamente a investigação e a busca do saber cientifico relacionados as condições que levam os profissionais a permitir a possibilidade de erros, esses capazes de produzir danos diretos a saúde dos clientes submetidos a assistência em saúde.

A tabela abaixo e resultado das informações colhidas no artigo publicado por MENDES, e expressa a distribuição proporcional da incidência de EA relacionados ao tempo adicional de internação fator considerado determinante para a incidência de eventos adversos evitáveis.

Quadro: EAs relacionados a dias de internação a mais.

EAs evitáveis Proporção de EAs evitáveis dias adicionais de internação
Infecções associadas aos cuidados de saúde 24% 226
Danos pro complicações cirúrgicas e ou anestésicas 20% 79
Danos por atrasos ou falhas do diagnostico 18,5% 59
Úlcera pro pressão 18,5 9
Danos por pulsão venosa 7,7 0
Danos por quedas 6,2% 0
Danos por medicamento 4,6% 0

(MENDES et al., 2013).

Moreira et al (2), (2015) relaciona o tempo maior de internação com a incidência de EA a um aumento nos custos de internação de até 200%, sendo destacado um aumento médio de 28 dias no tempo de internação por conta de danos causado por EAs. A enfermagem é uma grande força de trabalha, a maior proporção de profissionais de saúde no Brasil e a participação da enfermagem no desenvolvimento e controle de medidas que visem reduzir e evitar esses eventos é de grande relevância e importância para a prática da assistência em saúde. Em 2008 a criação da Rede Brasileira de Enfermagem e segurança do Paciente (REBRAENSP), cria uma linha de ação que visa adotar estratégias de integração e cooperação entre instituições de saúde e de educação com o objetivo de estabelecer uma assistência de enfermagem segura de excelência. Para o profissional enfermeiro a ocorrência de EA é uma problemática seria que pode ocasionar estresse emocional, os preceitos éticos e às punições legais a que está exposto.

Os profissionais de Enfermagem expõem seus receios e medos, na publicação de OLIVEIRA, et al, (2014), é necessário uma investigação quanto a visão e o conhecimento dos profissionais de enfermagem frente ao desafio de produzir uma assistência em saúde segura, baseada em evidência e amparada pelo saber técnico científico. Para os Enfermeiros, a existência de riscos físicos, químicos e mecânicos configuram uma problemática para a segurança do cliente internado nas unidades de saúde.

Pesquisar aponta uma alta taxa de incidentes relacionados a medicamentos, sua indicação, administração e seus efeitos danosos ao organismo humano são revisados e apresentados em publicações das variadas revistas de saúde e de atenção à saúde. Sendo ainda encontrados em um número insatisfatório, publicações e pesquisar que evidenciem esses dados são de fundamental importância para a criação de estratégias que visem evitar esse tipo de incidente, uma vez, que os eventos adversos evitáveis são em sua maioria relacionados a falha humana, quebra de protocolo e ou péssimas condições de trabalho.

A pesar de ser significativa a incidência de EA relacionados a medicamentos os mesmo são apenas parte do problema quando avaliado de forma ampla e abrangente, diversas outras fontes podem levar a incidência de eventos adversos, entre eles a sobrecarga de trabalho, a falta de recursos, matérias e profissionais habilitados para executar as ações e intervenções em saúde de alta complexidade como os que são executados nas UTIs. O excesso da carga horaria de trabalho e a sobrecarga de trabalho é uma importante variável quando falamos de EA. Novaretti, et al. (2014) apresenta pesquisa voltada a evidenciar a relação entre sobrecarga de trabalho e EA internado em UTI.

O excesso de trabalho e a pressão institucionalizada em lidar com clientes em alta complexidade são importantes variáveis para avaliar os gatilhos existentes dentro do ambiente da UTI que contribuem para a ocorrência de EA. Apesar de evidenciado a importância do excesso de trabalho relacionados a EA, o autor relata a pouca produção cientifica que avalie corretamente o impacto das longas jornadas de trabalho dos profissionais de Enfermagem relacionada aos eventos adversos e aos erros que comprometem a integridade física de clientes em unidade de tratamento intensivo.

Os problemas relacionados a segurança dos pacientes são preocupação para a OMS e para o ministério da saúde no Brasil, que em 2013 instituiu o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP), que visa implementar medidas assistenciais, educativas e programáticas para a produção direta de um ambiente de saúde seguro.

Entre os instrumentos utilizados para controle e estudo dos EA está sendo cada vez mais comum a notificação voluntaria dos eventos adversos, sendo considerada importante ferramenta de melhora da qualidade da assistência em saúde prestada por instituições de saúde. Esse sistema constitui em ações interligadas para detectar e analisar a ocorrência e prevalência de EA em unidade de saúde.

Uma que há a ocorrência desses eventos a ideia é usar o aprendizado dos eventos para produzir medidas que se contrapõem a reincidência dos mesmos, criando mecanismos de detecção precoce que permitem aos profissionais de saúde produzir medidas que visem evitar a ocorrência de Eventos adversos e seus danos à saúde dos usuários dos serviços assistenciais em saúde (PAIVA et al., 2014).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os Eventos Adversos, são aqueles que causam danos aos clientes, esse dano pode ser temporário ou definitivo, podendo ser classificado em leve, médio e alto gral de comprometimento. A ocorrência de Eventos Adversos além do dano em que o cliente foi lesado acarreta responsabilização a unidade hospitalar, aos administradores da unidade, chefias de Enfermagem e os profissionais direta ou indiretamente envolvidos. A natureza desses eventos pode ser Evitável, quando limitamos a probabilidade de ocorrências de erros humanos. Porém mesmo em um senário de total controle os EA inevitáveis ainda serão uma realidade.

A segurança do cliente é uma prioridade para equipe de Enfermagem, onde os conhecimentos desses profissionais são direcionados para a preservação e a manutenção do bem-estar do cliente que está sobre seus cuidados. O processo de internação e ou de intervenção em saúde em sua maioria são de caráter desconfortável para o usuário muitas vezes exposto a uma serie de riscos que ele desconhece, como a natureza dos procedimentos os riscos em se utilizar medicações entre outros processos de saúde que inevitavelmente possuem uma margem de risco natural ao usuário. Cabe a enfermagem reduzir a possibilidade de ocorrência de Eventos adversos evitáveis e inevitáveis, monitorando e controlando as intervenções em saúde e os procedimentos realizados pelos profissionais de cada área da assistência hospitalar.

O erro é apontando como um dos principais causadores de EA, e ele pode ocorrer em diferentes momentos da internação ou da realização de assistência em saúde. Ele pode ser responsável por danos à saúde do cliente o que pode gerar um aumento substancial no tempo de internação e nos custos com as despesas hospitalares.

A unidade de tratamento intensivo é destinado a clientes com alto gral de complexidade, em que o risco de morte é evidente, sendo sua principal função a recuperação de um cliente que se encontra em estado crítico. Essa configuração faz da UTI o último lugar para se dar espaço a ocorrência de erros gerados por falta de atenção e ou cuidados básicos com os procedimentos a serem realizados.

Dentro desse ambiente de cuidados intensivos a Enfermagem é a principal prestadora de cuidados ao cliente em internação dentro da UTI, sendo responsável

por monitorar muitas vezes até 24 horas consecutivas em que o cliente se encontra na unidade. Considerando os artigos encontrados é baixa a disponibilidade de periódicos que descrevem esse ambiente de cuidados, também é reduzida o número de pesquisas que revelem o verdadeiro perfil de ocorrência dos eventos adversos em unidades de UTI. Apesar de possuir um poderoso potencial de transformação da realidade em questões didáticas a pesquisa cientifica e a busca pelo saber científico ainda é negligenciada pelo ministério da saúde e demais secretarias de saúde no Brasil.

REFERÊNCIAS

BARBOSA, Taís Pagliuco et al. Práticas assistenciais para segurança do paciente em unidade de terapia intensiva. Acta Paulista de Enfermagem, v. 27, n. 3, 2014.

BOHOMOL, Elena; RAMOS, Laís Helena. Erro de medicação: importância da notificação no gerenciamento da segurança do paciente. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 60, n. 1, 2007.

CERVO, ANAMARTA SBEGHEN et al. Eventos adversos relacionados ao uso de terapia nutricional enteral. Revista Gaúcha de Enfermagem, v. 35, n. 2, p. 53-59, 2014.

DUARTE, Sabrina da Costa Machado et al. Adverse events and safety in nursing care. Revista brasileira de enfermagem, v. 68, n. 1, p. 144-154, 2015.

FRANÇOLIN, Lucilena et al. Gerenciamento da segurança do paciente sob a ótica dos enfermeiros. Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 49, n. 2, p. 277-283, 2015

LANZILLOTTI, Luciana da Silva et al. Eventos adversos e outros incidentes na unidade de terapia intensiva neonatal. Ciência & Saúde Coletiva, v. 20, n. 3, 2015.

MENDES, et al. Características de eventos adversos evitáveis em hospitais do Rio de Janeiro. Revista da Associação Médica Brasileira, v. 59, n. 5, p. 421-428, 2013

MOREIRA, Isadora Alves et al. Conhecimento dos profissionais de saúde sobre eventos adversos em unidade de terapia intensiva [Health professionals’ knowledge regarding adverse events in the intensive care unit]. Revista Enfermagem UERJ, v. 23, n. 4, p. 461-467, 2015.

NOVARETTI, Marcia Cristina Zago et al. Sobrecarga de trabalho da Enfermagem e incidentes e eventos adversos em pacientes internados em UTI. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 67, n. 5, 2014.

OLIVEIRA, Roberta Meneses et al. Estratégias para promover segurança do paciente: da identificação dos riscos às práticas baseadas em evidências. Escola Anna Nery Revista de Enfermagem, v. 18, n. 1, p. 122-129, 2014.

PAIVA, Miriam Cristina et al. Motivos da equipe de enfermagem para a notificação de eventos adversos. Revista Latino-Americana de Enfermagem, v. 22, n. 5, 2014.

PARANAGUÁ, Thatianny Tanferri de Brito et al. Prevalência de incidentes sem danos e eventos adversos em uma clínica cirúrgica. Acta Paul Enferm, v. 26, n. 3, p. 256-62, 2013.

PAIVA, Miriam Cristina et al. Motivos da equipe de enfermagem para a notificação de eventos adversos. Revista Latino-Americana de Enfermagem, v. 22, n. 5, 2014.

SOUZA, Verusca Soares de et al. Erros e eventos adversos: a interface com a cultura de segurança dos profissionais de saúde. Cogitare Enfermagem, v. 20, n. 3, 2015.

VINCENT, Charles. Segurança do paciente: orientações para evitar eventos adversos. São Caetano do Sul: Yendis, 2009.

ZAMBON, Lucas Santos. Segurança do paciente em terapia intensiva: caracterização de eventos adversos em pacientes críticos, avaliação de sua relação com mortalidade e identificação de fatores de risco para sua ocorrência. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo. 2014.

[1] Anhanguera Educacional – FACITEB

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