Terapias integrativas e complementares e a ansiedade no paciente pré cirúrgico

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ARTIGO DE REVISÃO

IFANGER, Natalia Chereles [1], SOUZA, Vanessa Borba de [2], ANTONIETTI, Camila Cristine [3]

IFANGER, Natalia Chereles. SOUZA, Vanessa Borba de. ANTONIETTI, Camila Cristine. Terapias integrativas e complementares e a ansiedade no paciente pré cirúrgico. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 05, Vol. 04, pp. 202-216 Maio de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

As práticas integrativas e complementares compreendem um grupo de práticas de cuidados de saúde não alopáticos que procuram servir o ser humano de forma holística, com base na confiança e o vínculo terapêutico. E neste contexto, a assistência de enfermagem ao paciente cirúrgico vai muito além do preparo físico, também requer um olhar humanístico e holístico para que possam desenvolver estratégias de intervenções para promover o bem estar e reduzir o nível de estresse e ansiedade tanto do paciente quanto da família. Esse artigo objetivou-se, portanto, em identificar na literatura nacional, as contribuições das terapias integrativas e complementares aplicadas pela enfermagem, na ansiedade do paciente cirúrgico. E a fim de alcança-lo a estratégica metodológica utilizada foi uma pesquisa bibliográfica do tipo revisão integrativa, realizada entre janeiro e fevereiro de 2019, nas bases de dados o LILACS e SciELO e como estratégias de busca, foram utilizados descritores Terapias Complementares, Ansiedade e Paciente Cirúrgico e nas combinações através do conector AND. Os critérios de inclusão dos artigos desta pesquisa foram: artigos publicados entre o ano de 2007 a 2019, no idioma português, em textos completos e disponíveis online e de forma gratuita, sendo que os artigos que não apresentassem a temática proposta ou não atendessem a estes critérios foram excluídos. Os estudos foram analisados criticamente por meio de leitura na íntegra. Após análise, foi realizada uma síntese dos estudos selecionados sendo organizados em temas, observando as suas confluências e divergências gerando duas categorias: o suporte psicológico adequado, através da comunicação e orientações pré-operatórias; o uso de terapias como relaxamento, terapias florais, aromoterapias, auriculoterapia e acupuntura.

Palavra-chave: Terapias Complementares, Ansiedade, Paciente Cirúrgico.

INTRODUÇÃO

Em 1970, a Organização Mundial de Saúde criou o “Programa de medicina tradicional”, com o objetivo de redigir leis e políticas para implementação do uso racional e integrado a medicina tradicional com as terapias complementares de forma segura e eficaz. Entretanto, somente após a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), na década de 80, no Brasil, tais terapias foram inclusas priorizando a segurança e eficácia das terapêuticas oferecidas aos usuários, visando a integralidade da atenção e promoção a saúde. (Brasil, 2006)

Nas últimas três décadas, tem havido um aumento significativo na utilização dos recursos integrativos e práticas complementares de saúde consequente da interação crescente entre terapeutas e academia e comunidade, além da sua associação com vários fatores culturais, tais como: aumento da vida expectativa, custos de assistência médica, facilidade de acesso à informação através da internet, e movimentos sociais. (Medeiros, 2019)

As práticas integrativas e complementares compreendem um grupo de práticas de cuidados de saúde não alopáticos, englobando atividades como Meditação, Reiki, Terapia Floral, dentre outros. Essas práticas procuram servir o ser humano de forma holística, com base na confiança e o vínculo terapêutico entre o ser humano, a sociedade e o meio ambiente. (Galli, 2012).

Quando o paciente é exposto a um situação de estresse, por exemplo, o procedimento cirúrgico, ocorre alterações fisiológicas perceptíveis que pode variar entre: secura de boca, sudorese, palpitações, vômitos, arrepios, alteração de pressão arterial, frequência respiratória e batimentos cárdicos. (Sampaio et, al., 2013)

Neste contexto, a hospitalização torna-se um agravante para o aumento do medo, da angustia e da ansiedade, afinal o paciente rompe e muda seus hábitos diários, perde sua capacidade de autocuidado, além de, muitas vezes, ter sua identidade trocada por um número ou patologia. Entretanto, há outros aspectos intimidadores como o medo do êxito da cirurgia, da dor e até mesmo da morte. (Costa et. al., 2010).

A assistência de enfermagem ao paciente pré-operatória vai muito além do preparo físico, é necessário que o profissional de enfermagem tenha conhecimento científico sobre o procedimento a ser realizado e também requer um olhar humanístico e holístico para que possam desenvolver estratégias de intervenções para promover o bem estar e reduzir o nível de estresse e ansiedade tanto do paciente quanto da família. (Costa & Sampaio, 2015)

Dentro de um ambiente hospitalar inúmeras situações podem criar um cenário de medo e ansiedade, muitas das vezes causada por algum acontecimento ou até mesmo uma imaginação do paciente criada durante a espera para intervenção cirúrgica, pressuposto que esses sentimentos podem interferir negativamente na sua recuperação. (Costa et. al., 2010)

Como visto a ansiedade pode ser uma das complicações que pode impossibilitar o êxito de um procedimento cirúrgico e aumentar o índice de um prognóstico indesejado. Existem intervenções não farmacológicas que podem ser utilizadas para a redução do nível de ansiedade, a qual, o profissional de enfermagem tem total autonomia para desenvolver durante o período pré- operatório. (Goyatá et. al., 2015)

A utilização de métodos não farmacológicos para tratar a ansiedade preconiza o alivio dos sintomas, tais como, irritabilidade, desconforto, medo, aumento da pressão arterial, dispneia, entre outros, aumentando o êxito no pré e pós cirúrgico. As técnicas de terapias integrativas além de reduzir a ansiedade, pode levar o alivio da dor e da fadiga. (Gomes e Cruz, 2015)

Sendo relevante ressaltar que inúmeras cirurgias são desmarcadas ou adiadas pela condição emocional que o paciente se encontra, devido ao nível elevado da ansiedade que resultou em alterações fisiológicas importantes que impossibilita a realização da cirurgia, na maioria dos casos isso se deve à falta de orientações, informações sobre o procedimento a ser realizado ou o simples fato da intervenção com terapêuticas complementares.

Diante disso questiona-se: quais as contribuições das terapias integrativas e complementares para a redução da ansiedade em pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos?

OBJETIVO

Identificar e descrever na literatura nacional, as contribuições das terapias integrativas e complementares aplicadas pela enfermagem, na ansiedade do paciente cirúrgico.

METODOLOGIA

O estudo de natureza descritiva, por meio de uma revisão integrativa, através de bases de dados, Literatura Americana em Ciências de Saúde (LILACS) e Sientific Electronic Libray (SciELO).

As etapas de desenvolvimento desta revisão foram: 1) identificação do tema; 2) estabelecimento de critérios de inclusão e exclusão; 3) avaliação dos estudos selecionados; 4) analise dos resultados dos artigos selecionados. A questão norteadora deste estudo é: quais as contribuições da enfermagem através das terapias integrativas e complementares para a redução da ansiedade em pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos?

Os critérios de inclusão dos artigos desta pesquisa foram: artigos publicados entre o ano de 2007 a 2019, no idioma português, em textos completos e disponíveis online e de forma gratuita, sendo que os artigos que não apresentassem a temática proposta ou não atendessem a estes critérios foram excluídos.

Os Descritores em Saúde (DecS) empregados foram: Terapias Complementares, Ansiedade e Paciente Cirúrgico, combinados com operadores booleanos “AND”. O acesso ao banco de dados foram realizados nos meses de janeiro e fevereiro de 2019.

Almejando garantir adequada captação e organização dos dados foi elaborado um instrumento contendo as seguintes variáveis: identificação do estudo, autores, ano de publicação, periódico, objetivo, características metodológicas e principais resultados e contribuições da enfermagem na minimização da ansiedade do paciente cirúrgico através das terapias integrativas.

Os estudos foram analisados criticamente por meio de leitura na íntegra. Após análise, foi realizada uma síntese dos estudos selecionados sendo organizados em temas, observando as suas confluências e divergências gerando categorias destacadas na discussão dos resultados.

A Tabela 1, abaixo apresentada, corresponde as publicações analisadas e selecionadas, as quais atenderam os critérios de inclusão e exclusão que não abordavam o tema concreto e igualavam os artigos. Foram alcançadas 18 artigos na fase de literatura sendo elas 10 artigos de estudo de caso e 8 artigos de revisão Integrativas.

Tabela 1 – Representação descritiva da busca dos artigos, segundo número de artigos encontrados, selecionados para análise e utilizados. São Paulo, 2019.

Artigos encontrados Artigos selecionados Artigos excluídos Artigos incluídos
LILACS 283 21 18 4
SciELO 5.317 1.854 1.840 14

Fonte: Bases de dados eletrônicos LILACS e SciELO, 2007–2017.

A Tabela 2, apresenta os resultados encontrados nos 18 artigos relacionados a pacientes com o nível de ansiedade alterado na submissão de tratamento cirúrgico e meios de terapias integrativas para prevenir outros problemas emocionais e físicos.

Tabela 2 – Descrição dos artigos selecionados após a análise final dos mesmos, conforme os critérios de inclusão, segundo referencial bibliográfico e aspectos relativos as terapias integrativas e complementares. São Paulo, 2019.

Referência Bibliográfica Aspectos inerente ao estudo
BARBOSA, Andréia Cristina; TERRA, Fábio de Souza; CARVALHO, João Batista Vieira de. Humanização da assistência médica e de enfermagem ao paciente no perioperatório em um hospital universitário.

Rev. enferm. UERJ, Rio de Janeiro – RJ, vol. 22, núm. 5, 2014, 699-704, outubro 2014.

Verificou-se que as orientações de pré-operatório, embora consideradas obrigatórias, não estão sendo realizadas de forma efetiva, e as práticas atendem parcialmente às diretrizes do PNH, sabendo-se que, ao oferecer informações ao paciente cirúrgico, tem-se uma assistência individualizada e humanizada.
COSTA Junior, Áderson Luiz; DOCA, Fernanda Nascimento Pereira; ARAÚJO, Ivy; Martins, Luciana; MUNDIM, Lara; PENATTI, Ticiana; SIDRIM, Ana Cristina. Preparação psicológica de pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos. Estudos de Psicologia, Campinas- SP, vol. 29, núm. 2, 2012, 271-284, junho 2012. O relaxamento induzido quando conduzido de maneira correta promove ao paciente conforto, bem estar, tranquilidade a assim alivia os sintomas de ansiedade como o medo e a angustia.
COSTA, Thays Macedo Nascimento; SAMPAIO, Carlos Eduardo Peres. As orientações de enfermagem e sua influência nos níveis de ansiedade dos pacientes cirúrgicos hospitalares.

Rev. enferm. UERJ, Rio de Janeiro – RJ, vol. 23, núm. 2, 2014, 260-265, abril 2015.

Além do preparo físico, faz parte da assistência de enfermagem o olhar humanístico e holístico ao paciente cirúrgico, para que possa desenvolver intervenções que auxiliam na redução da ansiedade.
COSTA, Veridiana Alves de Sousa Ferreira; SILVA, Sandra Cibelly Ferreira da; LIMA, Vívian Caroline Pimentel de. O pré-operatório e a ansiedade do paciente: a aliança entre o enfermeiro e o psicólogo.

Rev. SBPH, Rio de Janeiro – RJ, vol.13 núm. 2, 2010, 282-298, dez. 2010.

O paciente cirúrgico sofre alterações severas em seus hábitos de vida diários, onde o mesmo deixa sua independência de lado e passa a ser tratado como uma patologia ou um número de leito.
GOYATÁ, Sueli Leiko Takamatsu; AVELINO, Carolina Costa Valcanti; SANTOS, Sérgio Valverde Marques dos; SOUZA Junior, Deusdete Inácio de; GURGEL, Maria Dorise Simão Lopes; TERRA, Fábio de Souza. Efeitos da acupuntura no tratamento da ansiedade: revisão integrativa.

Rev. bras. enferm, Brasília – DF, vol. 69, núm 3, 2016, 602-609, Junho 2016.

Dentre as terapias complementares cita-se a técnica de acupuntura, oriunda da medicina tradicional chinesa, realizada através de agulhas metálicas introduzidas em determinados pontos de reflexologia.
MOURA, Caroline de Castro; CARVALHO, Camila Csizmar; SILVA, Andréia Maria; IUNES, Denise Hollanda; CARVALHO, Emilia de Campos; CHAVES, Érika de Cássia Lopes. Auriculoterapia efeito sobre a ansiedade.

Rev. cuba. enferm, vol. 30, núm. 2, 2014, 0-0, junho 2014.

Auriculoterapia técnica também provinda da medicina tradicional chinesa, consiste na aplicação de sementes de mostardas no pavilhão auricular estimulando reflexos nervosos.
GOMES, Maria Irene dos Santos; CRUZ, Isabel Cristina F. da. Relaxamento muscular progressivo: prescrição de enfermagem para o diagnóstico de ansiedade pré-operatório. Rev. Boletim NEPAE – NESSE, 2015, O relaxamento muscular tem como objetivo causar a redução neuro-vascular através da excitação psíquica, promovendo o relaxamento gradual no sentido cefalo-podalico, e assim, diminuindo os sintomas causados pela ansiedade
SANTOS, Marisa Manuela Batista dos; MARTINS José Carlos Amado; OLIVEIRA,Luís Miguel Nunes. A ansiedade, depressão e stresse no pré-operatório do doente cirúrgico. Rev. Enf. Ref. Vol no.3 Coimbra, 2014. Segundo estudos realizados 80% dos pacientes pré- operatórios apresentam o nível de estresse alterado.
GOMES, Eduardo Tavares, MELO, Renata Livia Alves de Sousa, VASCONCELOS, Eliane Maria Ribeiro de. Ansiedade e medo em enfermagem médico-cirúrgica. Ver. Enf. Brasil, Ref.Vol. 13:1, 2013. A equipe de enfermagem tem papel importante no diagnóstico de medo e ansiedade, estudos comprovam que a visita de enfermagem no período pré operatório é primordial.
DOMINGO, Thiago da Silva, BRAGA, Eliana Mara. Aromaterapia e ansiedade: revisão integrativa da literatura. Cad. Naturol. Terap. Complem – Vol. 2, N° 2, 2013 Aromaterapia a qual é estimulado de maneira sucinta a olfação, inalação ou aplicação dérmica de óleos essenciais, induzindo a prevenção ou a diminuição da ansiedade
GNATTA, Juliana Rizzo, DORNELLAS, Eliane Vasconcellos, SILVA Maria Júlia Paes da. O uso da aromaterapia no alívio da ansiedade. Acta paul. enferm.

vol.24 no.2. 2011.

O enfermeiro tem sido um dos profissionais que mais consegue estabelecer vínculo com o paciente, por ter sua formação pautada em bases de princípios holísticos.
SALLES, Léia fortes, SILVA, Maria Júlia Paes da. Efeito das essências florais em indivíduos ansiosos. Acta paul. enferm. vol.25 no.2, 2012 As terapias com florais, são oriundas de terapias vibracionais de caráter não invasivo, consistem em essências florais produzidas através de plantas silvestres.
PENICHE, Nosow, Vitor, GIANI, Aparecida de Cássia. Paciente cirúrgico ambulatorial: calatonia e ansiedade. Acta paul. enferm; 20(2): 161-167, 2007. A diminuição do nível de estresse em diversas situações torna-se benéfico tanto para o paciente quanto para a equipe médica.
MOURA, Geovane Lima, ARAUJO, José Diego Barros de , SANTOS, Luanna Batista Azevedo, GOUVEIA, Maria Thayse Miná, ROCHA, Márcia Candelária. A importância do saber psicológico no pré-operatório. II Cobracis, 2017. De acordo com a humanização a assistência deve ser prestada de maneira multiprofissional.
GAUDÊNCIO, Carmem Amorim; SIRGO, Agustina Sirgo; PERALESSOLER, Francisco José; ESCRIBANO, Susana Amodeo. Intervenção psicológica em cirurgia. Psicologia em Estudo, vol 05 no.2, 2000. As intervenções realizadas no pré- operatório através de técnicas psicológicas apresentou resultados positivos na recuperação do paciente
JUAN, Kelly de. O impacto da cirurgia e os aspectos psicológicos do paciente: uma revisão. Psicol. hosp. (São Paulo) v.5 n.1, 2007 Um dos métodos mais utilizados para a redução do estresse no paciente pré cirúrgico é o preparo psicológico

Fonte: Bases de dados eletrônicos LILACS e SciELO, 2007–2017.

DISCUSSÃO

Os estudos foram analisados criticamente por meio de leitura na íntegra. Após análise, foi realizada uma síntese dos estudos selecionados sendo organizados em temas, observando as suas confluências e divergências gerando duas categorias: o suporte psicológico adequado, através da comunicação e orientações pré-operatórias; o uso de terapias como relaxamento, terapias florais, aromoterapias, auriculoterapia e acupuntura.

ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NO CUIDADO A ANSIEDADE POR MEIO DO SUPORTE PSICOLÓGICO ADEQUADO

As principais causas que podem desencadear o aumento do estresse, ansiedade e medo são: intuição de dor ou desconforto, espera pelo procedimento, sentimentos de abandono, perda de autonomia, consequências negativas pós cirurgia, medo da morte, entre outros. Esses fatores podem interferir no processo cirúrgico ocasionando o aumento da pressão sanguínea, sangramentos intensos e alterações o sistema imunológico, podendo influenciar a recuperação do paciente (Junior et.al. 2012).

Gomes e Cruz, 2015, revelam a ansiedade como um diagnóstico de enfermagem que deve ser tratada com autonomia pela equipe de enfermagem, para que o enfermeiro identifique tal causa é necessário que o paciente apresente sinais e sintomas como, apreensão, angústia, tristeza, medo, inquietação, nervosismo, pânico, choro, indecisão, entre outros.

Segundo provado em pesquisa descritiva e de campo, realizada com pacientes pré- operatórios, os níveis de ansiedade e estresse estão alterados em 80% dos pacientes submetidos a procedimento cirúrgico, sendo assim, é de fundamental importância que seja realizado uma preparação psicológica pré-operatória, para que seja controlado o estado emocional do paciente e assim reduzindo o nível de estresse, ansiedade e medo. O enfermeiro é o profissional que ganha destaque nessa função, pois o mesmo irá avaliar minuciosamente quais os possíveis medos que o paciente precisará enfrentar e então desenvolver intervenções para que esse momento seja encarado da melhor maneira possível. (Santos, Martins & Oliveira, 2014). Muitas das vezes o nível da ansiedade elevado pode resultar em aumento do consumo de ansiolíticos e analgésicos durante o período infra operatório, em alguns casos acarretando para infecção ou alterações a logo prazo. (Marcolino et. al., 2007)

Para que possa haver uma redução significativa dos níveis de ansiedade em procedimentos pré-cirúrgicos, é necessário que seja induzido o bem estar proporcionando cuidado e humanização. As intervenções incluem a mudança do ambiente hospitalar tornando-o mais acolhedor, promover técnicas de relaxamento, terapias integrativas e oferecer suporte espiritual possibilitando estratégias de enfrentamento. (Junior et. al. 2012).

A humanização no atendimento é primordial para que entenda de maneira clara e objetiva a necessidade do paciente, assim, desenvolvendo um atendimento que supra todas ou pelo menos a maioria das possíveis intercorrências, promovendo a humanização durante todo o período de hospitalização. (Barbosa, Terra & Carvalho, 2014).

Com base na humanização é de extrema importância que a assistência seja prestada de maneira multiprofissional, o psicólogo pode contribuir com a intervenção de minimizar a angustia do paciente fortalecendo a expressão e compreensão dos sentimentos vividos nesse determinado momento de sua vida, estimulando a confiança e o vínculo entre paciente e equipe de saúde. (Moura et. al. 2017).

Um dos métodos mais utilizados para a redução do estresse no paciente pré- cirúrgico é o preparo psicológico que será feito através do esclarecimento do procedimento a ser realizado, as possíveis complicações, como será a recuperação e qual o benéfico após o procedimento. (Juan, 2007)

Segundo Gaudêncio 2000, as intervenções realizadas no pré- operatório através de técnicas psicológicas não invasivas cujo a ideia é reduzir o nível de ansiedade, apresentou resultados positivos na recuperação do paciente, a qual notou-se menos complicações e menor necessidade do uso de anestésicos.

A equipe de enfermagem tem papel importante no diagnóstico de medo e ansiedade, estudos comprovam que a visita de enfermagem no período pré-operatório é primordial, pois é nesse momento que o enfermeiro irá esclarecer todas as dúvidas sobre o procedimento a ser realizado, assim, criando um vínculo entre o paciente. (Gomes et. al., 2013).

ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NO CUIDADO A ANSIEDADE POR MEIO DAS TERAPIAS

Dentre as terapias não farmacológicas utilizadas para o controle ou redução da ansiedade, destaca-se a acupuntura, técnica oriunda da medicina tradicional chinesa que consiste em realinhar e redirecionar a energia através de pontos estimulando nervos periféricos promovendo alteração dos neurotransmissores do sistema nervoso central, realizado com o auxílio de agulhas metálicas e finas, laser ou pressão de determinados pontos. Estudos comprovam a eficácia na diminuição dos níveis de ansiedade após a realização do procedimento. (Goyatá et. al., 2015).

O relaxamento induzido promove o controle de tensões musculares, diminuição da ansiedade, redução da percepção de dor e incita o auto controle do enfrentamento. Estudos apontam que a mudança do ambiente hospitalar torando-o mais acolhedor deixará o paciente seguro, calmo e confortável o que elevará o bem estar, diminuindo reações adversas no processo pré e pós cirúrgico (Junior et. al. 2012).

O relaxamento muscular tem como objetivo causar a redução neurovascular através da excitação psíquica, promovendo o relaxamento gradual no sentido cefalopodálico, e assim, diminuindo os sintomas causados pela ansiedade, o mesmo poderá ser realizado através do toque terapêutico no momento da visita do enfermeiro que irá auxiliar no acolhimento e conforto do paciente. (Gomes e Cruz, 2015). O toque terapêutico é uma técnica possível de ser utilizada nos transtornos causados pelo procedimento cirúrgico que levaram o aumento dos níveis de estresse. (Peniche & Giani 2007).

A auriculoterapia técnica também provinda da medicina tradicional chinesa, onde utiliza a estimulação de pontos localizados do pavilhão auricular com o objetivo de promover tratamento do estado físico e emocional através de reflexo nervosos no sistema nervoso central. Segundo estudos relacionados o ponto mais utilizado para o tratamento da ansiedade e estresse é denominado de “shenmen”, a terapia consiste em estimulação dos pontos com o auxílio de sementes de mostardas. (Moura et. al., 2014).

A aromaterapia à qual é estimulado de maneira sucinta a olfação, inalação ou aplicação dérmica de óleos essenciais, induzindo a prevenção ou a diminuição da ansiedade. Segundo Domingo & Braga, 2013, os estímulos causados pelos óleos essenciais preenchendo os sítios olfativos específicos no epitélio respiratório desencadeando inúmeras reações químicas que geram estímulos nervosos de áreas corticais e subcorticais do sistema nervoso.

Já as terapias com florais vem ganhando espaço no Brasil, são oriundas de terapias vibracionais de caráter não invasivo, consistem em essências florais produzidas através de plantas silvestres, flores e árvores do campo que tem como prioridade harmonizar o corpo de forma mental e emocional, sendo um potente suplemento integrativo para a saúde. (Salles & Silva, 2012)

A diminuição do nível de estresse em diversas situações torna-se benéfico tanto para o paciente quanto para a equipe médica, assim sendo acredita-se que a aplicação de técnicas não invasivas nem farmacológicas como, as terapias complementares e integrativas pode contribuir positivamente para a redução e o controle do estresse no período pré- operatório. (Nosow & Peniche, 2007).

CONCLUSÃO

Diante do levantamento da literatura nacional pode-se levantar que as melhores práticas de cuidados de enfermagem denominados como humanizado pela Política Nacional de Humanização, no período pré-operatório são: o suporte psicológico adequado, por meio da comunicação e orientações pré-operatórias; o uso de terapias como relaxamento, terapias florais, aromoterapias, auriculoterapia e acupuntura.

REFERÊNCIAS

BARBOSA, Andréia Cristina; TERRA, Fábio de Souza; CARVALHO, João Batista Vieira de. Humanização da assistência médica e de enfermagem ao paciente no perioperatório em um hospital universitário.

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COSTA Junior, Áderson Luiz; DOCA, Fernanda Nascimento Pereira; ARAÚJO, Ivy; Martins, Luciana; MUNDIM, Lara; PENATTI, Ticiana; SIDRIM, Ana Cristina. Preparação psicológica de pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos. Estudos de Psicologia, Campinas- SP, vol. 29, núm. 2, 2012, 271-284, junho 2012. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/3953/395335573013.pdf. Acesso em: 23/01/2019.

COSTA, Thays Macedo Nascimento; SAMPAIO, Carlos Eduardo Peres. As orientações de enfermagem e sua influência nos níveis de ansiedade dos pacientes cirúrgicos hospitalares. Rev. enferm. UERJ, Rio de Janeiro – RJ, vol. 23, núm. 2, 2014, 260-265, abril 2015. Disponível em: http://www.facenf.uerj.br/v23n2/v23n2a19.pdf. Acesso em: 18/01/2019.

COSTA, Veridiana Alves de Sousa Ferreira; SILVA, Sandra Cibelly Ferreira da; LIMA, Vívian Caroline Pimentel de. O pré-operatório e a ansiedade do paciente: a aliança entre o enfermeiro e o psicólogo. Rev. SBPH, Rio de Janeiro – RJ, vol.13 núm. 2, 2010, 282-298, dez. 2010. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-08582010000200010. Acesso em: 23/01/2019.

DOMINGO, Thiago da Silva, BRAGA, Eliana Mara. Aromaterapia e ansiedade: revisão integrativa da literatura. Cad. Naturol. Terap. Complem, Botucatu – SP, Vol. 2, N° 2, 2013. Disponível em: http://portaldeperiodicos.unisul.br/index.php/CNTC/article/view/1855/1326. Acesso em: 04

GALLI, Kiciosan da Silva Bernardi; Scaratti, Maira; Diehl, Dayane Andréia; Lunkes, Jaqueline Teresinha; Rojahn Débora; Schoeninger, Daniele. Saúde e Equilíbrio Através das Terapias Integrativas: Relato de Experiência. Rev enferm. UERJ, Rio de Janeiro – RJ, 2012; 8(8): 245-255. Disponível em: http://revistas.fw.uri.br/index.php/ revistadeenfermagem/article/view/491. Acesso em: 04/04/2019.

GNATTA, Juliana Rizzo, DORNELLAS, Eliane Vasconcellos, SILVA Maria Júlia Paes da. O uso da aromaterapia no alívio da ansiedade. Acta paul. enferm., São Paulo – SP, vol.24 no.2. 2011. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010321002011000200016&lang=pt Acesso em: 26/02/2019.

GAUDÊNCIO, Carmem Amorim; SIRGO, Agustina Sirgo; PERALESSOLER, Francisco José; ESCRIBANO, Susana Amodeo. Intervenção psicológica em cirurgia. Psicologia em Estudo, São Paulo – SP, vol 05 no.2, 2000. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/pe/v5n2/v5n2a03.pdf. Acesso em: 23/01/2019.

GOMES, Maria Irene dos Santos; CRUZ, Isabel Cristina F. da. Relaxamento muscular progressivo: prescrição de enfermagem para o diagnóstico de ansiedade pré-operatório. Rev. Boletim NEPAE, Rio de Janeiro – RJ – NESSE, 2015. Disponpivel em: http://www.jsncare.uff.br/index.php/bnn/article/view/2789/675. Acesso em: 18/01/2019.

GOMES, Eduardo Tavares, MELO, Renata Livia Alves de Sousa, VASCONCELOS, Eliane Maria Ribeiro de. Ansiedade e medo em enfermagem médico-cirúrgica. Ver. Enf. Brasil, Pernambuco – PE, Ref.Vol. 13:1, 2013. Disponível em: https://www.researchgate.net/profile/Eduardo_Tavares_Gomes/publication/289672906_Ansiedade_e_medo_em_enfermagem_medico-cirurgica/links/5691605808aed0aed81496d5.pdf. Acesso em: 08/03/2019.

GOYATÁ, Sueli Leiko Takamatsu; AVELINO, Carolina Costa Valcanti; SANTOS, Sérgio Valverde Marques dos; SOUZA Junior, Deusdete Inácio de; GURGEL, Maria Dorise Simão Lopes; TERRA, Fábio de Souza. Efeitos da acupuntura no tratamento da ansiedade: revisão integrativa.

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JUAN, Kelly de. O impacto da cirurgia e os aspectos psicológicos do paciente: uma revisão. Psicol. hosp., São Paulo – SP, v.5 n.1, 2007. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-74092007000100004. Acesso em: 09/03/2019.

MEDEIROS Silvana Possani; OLIVEIRA Aline Cristina Calaçada de; PIEXAK Diéssia Rossia; SILVA Larissa Lemos; OLIVEIRA Adriane Maria Netto de; FORNARI Nerizane Cerutti. Perception of Nursing Undergraduate Student About Receiving the Therapeutic Touch. Rev Fund Care Online.2019. 11(n. esp):464-469. DOI: http://dx.doi.org/10.9789/2175- 5361.2019.v11i2.464-469. Acessado em 05/04/2019

MOURA, Caroline de Castro; CARVALHO, Camila Csizmar; SILVA, Andréia Maria; IUNES, Denise Hollanda; CARVALHO, Emilia de Campos; CHAVES, Érika de Cássia Lopes. Auriculoterapia efeito sobre a ansiedade.

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[1] Graduanda do 8º semestre da Faculdade de Enfermagem da Universidade Anhembi Morumbi.

[2] Graduanda do 8º semestre da Faculdade de Enfermagem da Universidade Anhembi Morumbi.

[3] Docente da Faculdade de Enfermagem da Unversidade Anhembi Morumbi Enfermeira e Mestre em Ciências da Saúde.

Enviado: Abril, 2019

Aprovado: Maio, 2019

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