ARTIGO ORIGINAL
PEREIRA, Danielle Campelo Serejo [1]
PEREIRA, Danielle Campelo Serejo. Desafios e investigações da saúde bucal em sociedades indígenas. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 10, Ed. 10, Vol. 01, pp. 34-45. Outubro de 2025. ISSN:2448-0959. Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/sociedades-indigenas, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/saude/sociedades-indigenas
A colonização é um elemento constitutivo da formação histórica e geográfica das sociedades ocidentais, deixando marcas profundas nas populações indígenas que ainda buscam preservar seus modos de vida e tradições. Essas comunidades enfrentam desafios significativos impostos pelos países que nelas se estabeleceram, especialmente no que se refere à saúde. Nesse contexto, as práticas de cuidado muitas vezes entram em conflito com costumes culturais enraizados, resultando em tensões entre saberes tradicionais e modelos contemporâneos de atenção à saúde. A saúde bucal se destaca como um desses desafios, pois reflete tanto barreiras culturais quanto a influência de novos hábitos alimentares e comportamentais introduzidos pelo contato com a sociedade não indígena. Essa transição tem deixado grande parte das populações indígenas em situação de vulnerabilidade, com acesso limitado a cuidados adequados e condições de higiene precárias, o que contribui para o agravamento de problemas secundários de saúde. Diante disso, este estudo tem como objetivo realizar uma revisão teórica e reflexiva sobre pesquisas que investigam a saúde bucal em comunidades indígenas, analisando seus principais desafios e implicações socioculturais. Busca-se, assim, estimular o olhar da comunidade científica e internacional para a importância de políticas públicas e intervenções culturalmente sensíveis, capazes de promover equidade e respeito à diversidade nos cuidados em saúde.
Palavras-chaves: Saúde bucal, Comunidades Indígenas, Povos indígenas.
A saúde bucal constitui um importante indicador das condições de vida e bem-estar das populações, refletindo não apenas fatores biológicos, mas também aspectos sociais, culturais e econômicos. No contexto das comunidades indígenas, o cuidado com a saúde oral assume dimensões ainda mais complexas, uma vez que envolve o encontro entre saberes tradicionais e práticas biomédicas ocidentais, frequentemente marcadas por assimetrias culturais e estruturais. A herança histórica da colonização e as transformações socioeconômicas decorrentes do contato com a sociedade não indígena influenciaram significativamente os hábitos alimentares e os padrões de higiene dessas comunidades, ocasionando um aumento da vulnerabilidade às doenças bucais e a outras condições associadas.
Historicamente, o modelo de atenção à saúde indígena no Brasil passou por diversas reformulações, culminando na criação do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SASI-SUS) e dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), que visam oferecer um atendimento diferenciado e intercultural. No entanto, as políticas públicas ainda enfrentam desafios estruturais, geográficos e culturais, dificultando o acesso equitativo aos serviços odontológicos. Em muitas comunidades, a atenção odontológica permanece restrita a ações curativas e emergenciais, em detrimento de práticas educativas e preventivas que promovam a autonomia e o protagonismo indígena no cuidado com a saúde bucal.
Além disso, o fenômeno da transição alimentar, caracterizado pela substituição de alimentos tradicionais por produtos industrializados ricos em açúcares e gorduras, tem contribuído para o agravamento dos índices de cárie dentária e perda precoce de dentes. Essa realidade evidencia a interligação entre alimentação, território e identidade cultural, demonstrando que a saúde bucal não pode ser dissociada das condições sociais e ambientais em que esses povos estão inseridos.
Outro aspecto relevante é a barreira linguística e simbólica existente entre profissionais de saúde e comunidades indígenas. Muitas vezes, os programas governamentais são elaborados sem considerar as especificidades culturais e os saberes ancestrais desses povos, gerando resistência e baixa adesão às práticas ocidentais de higiene e cuidado. Dessa forma, torna-se imprescindível adotar abordagens interculturais, pautadas no diálogo e na valorização do conhecimento tradicional, capazes de promover ações eficazes e culturalmente sensíveis.
Diante desse panorama, este estudo propõe uma revisão teórica e reflexiva acerca das principais investigações sobre a saúde bucal em populações indígenas brasileiras, destacando desafios, determinantes sociais e estratégias de enfrentamento. Busca-se, assim, contribuir para o fortalecimento de políticas públicas inclusivas e para a construção de modelos de atenção mais equitativos, participativos e respeitosos à diversidade cultural dos povos originários.
Freitas (2008) realizou um estudo epidemiológico que analisou as condições de saúde bucal dos indígenas Yanomami residentes na região do Polo-Base Xitei e sub-polo Ketaa, em Roraima. Seguindo os critérios do Projeto SB Brasil 2003 e da Organização Mundial da Saúde (OMS), o estudo avaliou 823 indivíduos (de um total de 1220 habitantes) observando índices como CPO-D, ceo-d, necessidade de tratamento odontológico, uso e necessidade de prótese, índice periodontal comunitário (CPI) e perda de inserção periodontal (PIP). Os resultados indicaram baixa prevalência de cárie (82,3% da amostra livre da doença), raras perdas dentárias, ausência de necessidade de próteses e uma condição periodontal favorável, ainda que com presença de sangramento e cálculo. A média do índice CPO-D permaneceu próxima de zero em quase todas as faixas etárias, exceto em idosos acima de 50 anos. Esses achados foram atribuídos ao isolamento geográfico das aldeias, que reduz o acesso a alimentos industrializados, e à manutenção de hábitos alimentares tradicionais.
Soares (2017) investigou a saúde bucal dos povos Kaingang e Guarani da Terra Indígena Guarita, no Rio Grande do Sul, sob uma perspectiva epidemiológica e cultural. O autor analisa tanto os indicadores clínicos de saúde bucal quanto os aspectos sociais e simbólicos que influenciam a relação dessas comunidades com os serviços odontológicos. Por meio de uma revisão sistemática e meta-análise, o estudo constatou que os povos indígenas sul-americanos apresentam índices de cárie significativamente superior aos observados na população não indígena, evidenciando iniquidades em saúde bucal. Entre os adultos Kaingang e Guarani examinados (n=109), o índice médio de dentes cariados, perdidos e obturados (CPOD) foi de 14,45, sendo dois terços compostos por dentes perdidos. A necessidade de tratamento foi identificada em 93% dos participantes, revelando altos níveis de mutilação dentária e demanda por próteses. A dissertação analisou ainda, a insegurança alimentar nas comunidades estudadas, observando que 94% dos domicílios enfrentam algum grau desse problema. A insegurança alimentar severa mostrou-se associada a maior densidade domiciliar, dependência de benefícios sociais e pior percepção da qualidade de vida relacionada à saúde bucal.
Soares (2017) propôs uma reflexão crítica sobre o impacto da transição alimentar, marcada pela substituição de dietas tradicionais por alimentos industrializados ricos em açúcares e gorduras, contribuindo para o agravamento das doenças bucais. A análise teórica, inspirada em Pierre Bourdieu, evidencia um conflito entre o modelo biomédico ocidental e os saberes tradicionais indígenas, apontando para a necessidade de uma atenção odontológica culturalmente diferenciada.
Torres, et al., (2020) analisam as práticas de saúde bucal e alimentação entre povos indígenas de Roraima, especialmente os Yanomami e Makuxi, destacando como seus costumes, tradições e o grau de contato com a sociedade não indígena influenciam diretamente a saúde oral. O estudo aponta que a introdução de alimentos industrializados e a falta de preparo das equipes de saúde bucal para lidar com diferenças culturais têm contribuído para o agravamento das doenças bucais. Em comunidades mais isoladas, como as Yanomami, prevalecem métodos naturais de higienização (cinzas, areia, água) e uma dieta baseada em caça, pesca e agricultura de subsistência, o que resulta em baixa incidência de cárie e bom estado periodontal. Já os Makuxi, mais próximos de áreas urbanas, apresentam hábitos alimentares e de higiene mais próximos aos não indígenas, com uso de escova e creme dental, mas também maior exposição a doenças bucais devido ao consumo de produtos industrializados. O texto ainda contextualiza a política de saúde indígena no Brasil, evidenciando a criação dos DSEI e da SESAI, além de reforçar a necessidade de políticas públicas culturalmente adequadas e baseadas em metodologias específicas para as comunidades indígenas.
Souza, et al., (2019) abordam a situação da saúde bucal dos povos indígenas no Brasil, destacando as peculiaridades culturais e históricas que influenciam o acesso e a efetividade das políticas públicas voltadas a esse grupo. O estudo evidencia que, apesar da criação de órgãos e programas — como a FUNAI, FUNASA, DSEIs e AISs —, as ações ainda são insuficientes para garantir condições adequadas de saúde bucal às comunidades indígenas. A pesquisa, de caráter bibliográfico e documental, demonstra que as transformações nos hábitos alimentares — especialmente o aumento do consumo de açúcar e produtos industrializados — agravaram os problemas odontológicos entre os indígenas. Historicamente, a atenção à saúde desses povos foi inicialmente desempenhada por missões religiosas, passando posteriormente à tutela do Estado com a criação de legislações e políticas específicas, como o Estatuto do Índio (1973), o SUS (1990) e a Lei Arouca (1999). O trabalho enfatizou a importância de respeitar os sistemas tradicionais de saúde indígena, valorizando o saber empírico e o papel do pajé nas comunidades. Destaca-se a necessidade de estratégias educativas e preventivas contínuas, adaptadas à realidade cultural de cada povo, e de levantamentos epidemiológicos regulares para subsidiar políticas públicas eficazes.
O estudo de Maciel et al. (2022) investigou a importância do cuidado em saúde bucal entre membros da comunidade indígena Tremembé, localizada em Itarema, Ceará. Com abordagem qualitativa e exploratória, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com seis informantes-chave da aldeia, buscando compreender percepções e práticas relacionadas à saúde bucal. Os resultados apontaram que a saúde bucal é amplamente reconhecida como essencial ao bem-estar físico, social e emocional, sendo a higiene dentária considerada um fator determinante para a socialização e autoestima. Observou-se, contudo, que o modelo de atenção predominante é o assistencial clínico, centrado na resolução de dores e extrações dentárias, com menor enfoque em ações educativas e preventivas. Outro achado relevante foi a valorização do conhecimento tradicional, evidenciada pelo uso de práticas culturais como o emprego de plantas medicinais (Juá, emburana, areia, carvão) para higiene e cura bucal, refletindo a integração entre saberes populares e biomédicos. A alimentação saudável também foi reconhecida como fator essencial para a manutenção da saúde bucal, contrapondo-se ao consumo crescente de alimentos ultraprocessados entre as gerações mais jovens. Os discursos revelaram o potencial de integração entre profissionais de saúde e lideranças comunitárias indígenas, ressaltando a necessidade de políticas públicas que respeitem a diversidade cultural e promovam ações emancipatórias e participativas. O estudo conclui que a atenção à saúde bucal indígena deve ir além do enfoque curativo, incorporando dimensões sociais, culturais e educativas que fortaleçam o protagonismo comunitário e o diálogo intercultural.
Serra, et al. (2023) realizaram revisão integrativa da literatura sobre a saúde bucal das populações indígenas no Brasil, com o objetivo de compreender a prevalência da cárie dentária, os fatores determinantes e as barreiras de acesso aos serviços odontológicos enfrentadas por esses grupos. A pesquisa foi realizada a partir de bases de dados como Medline, PubMed e Lilacs, resultando em 235 estudos inicialmente identificados, dos quais 19 artigos atenderam aos critérios de inclusão para análise. Os resultados evidenciam que as populações indígenas apresentam maiores índices de cárie e perda dentária quando comparadas à população não indígena, consequência da dificuldade de acesso aos serviços de saúde bucal, mudanças alimentares e vulnerabilidade socioeconômica. Em comunidades próximas a centros urbanos, observa-se um aumento no consumo de alimentos industrializados e açucarados, contribuindo para a elevação dos casos de cárie e doenças periodontais.
Santos, et al. (2024), também apontam que entre os principais entraves identificados estão a distância geográfica dos centros de atendimento, a falta de profissionais capacitados e a inadequação cultural dos programas preventivos, que muitas vezes desconsideram os saberes tradicionais e práticas ancestrais. Além disso, as mudanças no padrão alimentar — marcadas pelo abandono de dietas tradicionais e adoção de alimentos industrializados ricos em açúcar — têm contribuído para o aumento dos índices de cárie dentária e perda precoce dos dentes. Essa transição alimentar, associada à insegurança alimentar e pobreza, reforça o ciclo de vulnerabilidade das comunidades indígenas.
De acordo com Serra, et al., (2023) existe escassez de políticas públicas efetivas e contínuas voltadas à saúde bucal indígena, bem como a ausência de dados epidemiológicos nacionais consistentes sobre essas populações. As políticas criadas nas últimas décadas, como o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SASISUS) e o programa Brasil Sorridente — representam avanços, mas ainda são insuficientes diante das barreiras geográficas, culturais e linguísticas.
O artigo “A produção científica acerca da saúde bucal indígena na Amazônia paraense” (Viana, 2024) apresenta uma revisão integrativa da literatura, com base no método de Ganong (1987), sobre os estudos realizados entre 2014 e 2024 a respeito da saúde bucal das populações indígenas do Pará. A pesquisa buscou compreender o cenário epidemiológico, os fatores de risco e o acesso aos serviços odontológicos, com ênfase na realidade das comunidades amazônicas. O estudo destacou que a cárie dentária é a doença bucal mais prevalente entre crianças indígenas, principalmente em áreas de maior contato com a sociedade não indígena, onde há substituição da dieta tradicional por alimentos industrializados e ricos em açúcar. Foram analisadas dissertações, teses e artigos científicos nas bases CAPES, BDTD, SciELO, LILACS, BVS e PubMed. Identificaram-se apenas três dissertações e cinco artigos específicos sobre a temática no Pará, o que evidencia uma grande escassez de produção científica. Os resultados mostram altos índices de cárie, perdas dentárias e falta de políticas de prevenção adaptadas às realidades culturais indígenas. Experiências locais, como o uso do teatro mudo e ações educativas interculturais, mostraram-se eficazes na promoção da saúde bucal.
O estudo de Raymundo (2023) realizou uma revisão de escopo, conduzida segundo o modelo do Joanna Briggs Institute, foram analisados 401 estudos, dos quais 39 atenderam aos critérios de inclusão. Dentre eles, 31 abordavam povos indígenas, 7 comunidades quilombolas e 3 povos ribeirinhos, não havendo registros sobre povos ciganos. Os resultados apontam que a cárie dentária é o principal agravo bucal identificado, com alta prevalência entre os PCT. Observou-se que as pesquisas existentes são escassas e fragmentadas, dificultando o planejamento de políticas públicas eficazes. No inquérito epidemiológico, foram examinadas 146 crianças quilombolas de 4 a 8 anos. Os índices utilizados (CPO-S, ceo-s e PUFA/pufa) revelaram altas taxas de cárie não tratada e associação com fatores sociais e dietéticos, como baixa renda, dieta cariogênica e autodeclaração racial não branca. Crianças não brancas apresentaram risco 5,69 vezes maior de experiência de cárie. O estudo destacou a invisibilidade epidemiológica e a necessidade de políticas públicas específicas voltadas à saúde bucal dessas comunidades, considerando determinantes sociais e étnico-raciais.
Figueiras, et al. (2024) analisaram os efeitos da substituição de alimentos tradicionais por produtos industrializados na saúde bucal de populações indígenas infantis e juvenis. A pesquisa, de natureza integrativa, abrangeu estudos publicados entre 2004 e 2024, utilizando bases como PubMed, Scopus, LILACS, SciELO e Web of Science. Os resultados revelam que a transição alimentar está fortemente associada ao aumento da prevalência de cárie dentária, além de outros agravos bucais, em decorrência do consumo crescente de produtos ricos em açúcares e carboidratos refinados. Em contrapartida, os hábitos alimentares tradicionais, ricos em alimentos naturais e com baixo teor de açúcar, demonstram efeitos protetores sobre a saúde bucal. A revisão também evidenciou limitações no acesso a serviços odontológicos e a escassez de estudos específicos sobre saúde bucal indígena, o que contribui para a invisibilidade dessas populações nas políticas públicas. Outro ponto relevante é a necessidade de profissionais com competência cultural para atuar nessas comunidades, respeitando seus saberes e práticas alimentares tradicionais.
Resultados parecidos foram encontrados no estudo de Brandão, et al., (2021) teve como objetivo analisar os estudos existentes sobre as condições de saúde bucal das comunidades indígenas brasileiras, identificando os principais determinantes epidemiológicos e sociais que afetam esse grupo populacional. A pesquisa foi realizada nas bases PubMed, LILACS e SciELO, abrangendo o período de 2000 a 2020, com foco em artigos publicados em português e inglês. Os resultados evidenciam que a condição de saúde bucal dos povos indígenas brasileiros é precária, sendo marcada por alta prevalência de cáries, perdas dentárias e doenças periodontais. Essa realidade está associada a fatores socioeconômicos, culturais e geográficos, além das barreiras de acesso aos serviços odontológicos e da descontinuidade das políticas públicas voltadas a essas comunidades. O estudo destacou a influência negativa da transição alimentar — com a introdução de produtos industrializados ricos em açúcares — e o impacto da urbanização na piora da saúde bucal. Também aponta que programas como o Brasil Sorridente representaram um avanço, mas ainda não alcançam de forma efetiva a totalidade das comunidades indígenas.
Baldotto, et al. (2019) ainda apontam que entre os desafios identificados, destaca-se a barreira linguística, que dificulta o diálogo entre profissionais de saúde e as comunidades indígenas, comprometendo a adesão às ações educativas. O estudo enfatiza a necessidade de materiais educativos na língua materna das tribos e de estratégias de comunicação intercultural, capazes de fortalecer a relação de confiança entre profissionais e pacientes.
Nascimento, et al. (2024) a população indígena enfrenta graves desigualdades em saúde bucal, expressas por altos índices de cárie dentária e doença periodontal, associados a fatores socioeconômicos, barreiras geográficas e linguísticas e à escassez de políticas públicas efetivas. Observa-se ainda a inadequação cultural de muitas ações odontológicas, pois os programas frequentemente ignoram os saberes tradicionais e práticas terapêuticas indígenas. Foi observado ainda que, o choque cultural entre profissionais de saúde e pacientes indígenas compromete o vínculo e a adesão ao tratamento, exigindo uma abordagem intercultural que valorize o conhecimento ancestral e promova a participação comunitária. Entre os fatores agravantes, destacam-se a transição alimentar, com aumento do consumo de produtos industrializados, e a invisibilidade epidemiológica, que limita o planejamento de políticas públicas eficazes
Observa-se a necessidade de ampliar os programas de pós-graduação e pesquisas sobre a saúde bucal indígena na Amazônia, além de fortalecer políticas públicas interculturais, com estratégias preventivas que respeitem as práticas tradicionais e ampliem o acesso ao cuidado odontológico humanizado e contínuo.
A saúde bucal indígena deve ser compreendida como parte de um sistema social mais amplo, em que alimentação, território e identidade cultural estão interligados. O estudo contribui para o planejamento de políticas públicas sensíveis às especificidades étnicas, reforçando a importância de dados epidemiológicos atualizados e da valorização das práticas tradicionais de cuidado. Serra, et al. (2013) reforçam ainda, a importância de estratégias educativas e preventivas, considerando o contexto cultural de cada povo, e de ações que promovam a autonomia das comunidades indígenas no cuidado com a própria saúde bucal. Assim, é essencial adotar abordagens interculturais, fortalecer a formação de profissionais de saúde sensíveis às especificidades indígenas, e promover pesquisas epidemiológicas regulares para reduzir as desigualdades persistentes e garantir o direito à saúde bucal integral e equitativa para os povos indígenas brasileiros
Por fim, acredita-se que a superação das desigualdades em saúde bucal indígena requer políticas públicas permanentes, formação continuada de profissionais sensíveis à diversidade étnica e pesquisas epidemiológicas regulares para subsidiar estratégias efetivas. O fortalecimento do SASI-SUS e a ampliação da atenção odontológica básica e especializada são considerados passos essenciais para garantir o direito à saúde integral e equitativa para os povos indígenas brasileiros.
BERTANHA, Wânia de Fátima Faraoni et al. Atenção à saúde bucal nas comunidades indígenas: evolução e desafios – uma revisão de literatura. Revista Brasileira de Ciências da Saúde, João Pessoa, v. 16, n. 1, p. 105-112, 2012. DOI: 10.4034/RBCS.2012.16.01.16.
BALDOTTO, Gabriella Veríssimo Clarindo; SCARPARO, Angela. Educação em saúde bucal nas comunidades indígenas: uma revisão de literatura. Revista Brasileira de Odontologia, Rio de Janeiro, v. 76, supl. 2, p. 71, 2019.
BRANDÃO, Diogo Gomes; MORAES, Jéssica Stherphanny Medeiros de Oliveira; ROMÃO, Dayse Andrade. A saúde bucal das comunidades indígenas brasileiras: uma revisão integrativa. Research, Society and Development, v. 10, n. 1, e1010111326, 2021. DOI: 10.33448/rsd-v10i1.11326.
FIGUEIRA, Marivalda Pinto et al. Impactos da transição alimentar na saúde bucal de crianças e adolescentes indígenas: uma revisão integrativa de literatura. Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 7, n. 9, p. 01-19, nov./dez. 2024. DOI: 10.34119/bjhrv7n9-197.
FREITAS, Luciana Pires de. Saúde bucal dos Yanomami da região de Xitei e Ketaa – Roraima, Brasil. 2008. Dissertação (Mestrado em Saúde, Sociedade e Endemias da Amazônia) – Universidade Federal do Amazonas, Manaus, 2008.
MACIEL, Jacques Antonio Cavalcante; MONTEIRO, Ana Kamila Araújo; PARÁ, Jefferson Willyan de Sousa; SOUSA, Joelton Rosendo; CASTRO-SILVA, Igor Iuco. “Com dor de dente, tudo é ruim nesta vida!”: saúde bucal na comunidade indígena de Tremembé, Ceará, Brasil. Interface (Botucatu), v. 26, supl. 1, e220239, 2022. DOI: https://doi.org/10.1590/interface220239
NASCIMENTO, James Serrão do; SILVA, Vânia de Cássia Souza da; SANTOS, Adeildes Bezerra dos. Saúde bucal da população indígena brasileira: uma revisão integrativa da literatura. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, n. 4, p. 699–713, abr. 2024. DOI: 10.36557/2674-8169.2024v6n4p699-713.
RAYMUNDO, Maria Letícia Barbosa. Saúde bucal de povos e comunidades tradicionais do Brasil: revisão de escopo e inquérito epidemiológico em território quilombola na cidade de João Pessoa-PB. 2023. Dissertação (Mestrado em Odontologia – Saúde Bucal Coletiva) – Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2023.
SANTOS, Rita de Cássia; NASCIMENTO, Renata da Silva; PEREIRA, Joana Angélica; SILVA, Maria de Lourdes. Desafios e perspectivas da saúde bucal nas comunidades indígenas brasileiras: uma revisão integrativa. Research, Society and Development, v. 13, n. 3, e3913104265, p. 1–12, 2024. DOI: 10.33448/rsd-v13i3.104265.
SERRA, Edney Souza; SARAIVA, Hélia Fernandes; CUSTÓDIO, Joelson de Aguiar; ROCHA, Keila Andrade da; CASTRO, Nice Souza de; LOBO, Claudia Valeria Moraes. A saúde bucal em populações indígenas: revisão integrativa. Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 6, n. 6, p. 31591–31610, nov./dez. 2023. DOI: 10.34119/bjhrv6n6-388.
SOARES, Gustavo Hermes. A saúde bucal dos povos Kaingang e Guarani da Terra Indígena Guarita: perspectivas nativas e epidemiológicas. 2017. 145 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Odontológicas) – Faculdade de Odontologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2017.
SOUSA, Brenda Caroline Castro de; MITTMANN, Renata Morize; SILVA, Mario de Souza Lima e. Saúde bucal dos povos indígenas do Brasil. Journal Business and Technology, v. 9, n. 1, p. 3–20, 2019.
TORRES, Caio Vinicius G. Roman; PALLOS, Débora; BOAVENTURA, Richardson Mondego. Hábitos alimentares e de higiene oral dos índios de Roraima e sua relação com a condição bucal. Veredas: Revista Interdisciplinar de Humanidades, v. 3, n. 6, p. 44–59, dez./jun. 2020–2021. ISSN 2595-3508.
VIANA, Yasmin Maria Sarmento; OLIVEIRA, Marlene Ribeiro de. A produção científica acerca da saúde bucal indígena na Amazônia paraense. Contribuciones a las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v. 17, n. 12, p. 1–26, jan. 2024. DOI: 10.55905/revconv.17n.12-045.
[1] Cirurgiã Dentista, graduada em Odontologia pelo Centro Universitário Nilton Lins, conforme diploma emitido em 2010. Ela possui diversas especializações lato sensu e cursos de extensão em áreas relacionadas à saúde e estética, incluindo formações em Autismo e Proposta de Intervenção, Transtornos do Espectro do Autismo (TEA), Autismo e Comunicação Alternativa, além de qualificações em estética facial com foco em procedimentos como lipoaspiração, platismoplastia, lipoenxertia de face, rinomodelação com fios definitivos, temporal face lifting e tratamentos com plasma rico em plaquetas. Essas formações complementares conferem a ela uma ampla qualificação técnica na área odontológica com ênfase em estética e inclusão social, demonstrando um perfil profissional multidisciplinar e atualizado. ORCID: 0009-0005-1793-9924.
Material recebido: 26 de agosto de 2025.
Material aprovado pelos pares: 19 de setembro de 2025.
Material editado aprovado pelos autores: 06 de outubro de 2025.
O comércio eletrônico impõe aos sistemas de venda on-line elevada taxa de mudança em regras…
O objetivo deste estudo é compreender os sentimentos das primíparas frente às dificuldades no processo…
A gestão administrativa eficiente constitui um dos principais pilares de sustentação do desempenho organizacional no…
O artigo examina criticamente o fundamento da periculosidade nas medidas de segurança do direito penal…
O presente estudo analisa os desafios arquitetônicos relacionados ao desenvolvimento de banheiros acessíveis para pessoas
O objetivo deste artigo é relatar a experiência de intervenção realizada por acadêmicos de Psicologia…