Relevância do Enfermeiro na Orientação à Gestante com Sifilis Durante o Pré – Natal: Prevenindo a Congenitude

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Relevância do Enfermeiro na Orientação à Gestante com Sifilis Durante o Pré – Natal: Prevenindo a Congenitude
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SILVA, Erica Cristina J. [1], SANTOS, Silvia Maria [2]

SILVA, Erica Cristina J.; SANTOS, Silvia Maria. Relevância do Enfermeiro na Orientação à Gestante com Sifilis Durante o Pré – Natal: Prevenindo a Congenitude. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 03, Vol. 03, pp. 278-284, Março de 2018. ISSN:2448-0959

Resumo

Sabemos que as Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) são um grande problema de saúde pública. Temos a convicção que a prevenção e promoção da saúde são de suma importância neste contexto. Destacamos dentre elas, a sífilis congênita para exaltar a atuação do enfermeiro da Unidade Básica de Saúde (UBS) como profissional intermediário, com suas habilidades inicia com a detecção, diagnóstico e tratamento da sífilis. A enfermagem atua na prevenção junto à comunidade com estratégias como palestras e orientações, assim havendo uma melhor assistência (RODRIGUES et al, 2016). Metodologia: Trata-se de uma busca literária e bibliográfica disponível nas bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e na Scientific Electronic Library Online–SciELO, a qual inclui a análise de pesquisas relevantes ao tema, no período de 2012 a 2017 em português. Conclusão: O enfermeiro de unidade básica tem todos os requisitos necessários para acompanhar o pré-natal desde o início, atuando na prevenção e orientação da sífilis, podendo ser ele profissional que encaminhará a gestante para um tratamento específico, quando houver necessidade.

PalavrasChave: Sífilis Congênita, Cuidado Pré-Natal, Enfermagem.

INTRODUÇÃO

As Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) tornaram-se problema de saúde pública, principalmente nos países em desenvolvimento. Entre as IST, a sífilis tem recebido destaque, por acometer maior número de pessoas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima-se que a cada ano mais de um milhão de recém-nascidos no mundo são infectados, e doze milhões de adultos, sendo que 900.000 no Brasil (RODRIGUES et al, 2016).

Sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum, é crônica, pode ser assintomática e a principal forma de transmissão é por contato sexual (LAFETÁ et al, 2016).

O primeiro teste para detectar a sífilis ocorreu em 1906, sendo denominado teste de Wassermann, no qual havia um alto percentual de falsos positivos, mas ainda assim, permitiu o diagnóstico antes dos sintomas e com isso bloqueando a transmissão (AMARO, PIRES, 2016).

A sífilis congênita é a transmissão da gestante infectada para o feto, a qual ocorre por transmissão vertical. A gestante infectada tem o risco de aborto, óbito neonatal, neonatal enfermo e perda fetal tardia. A transmissão vertical varia entre 70 a 100% dos casos nas fases primária e secundária (BONI, PAGLIARI, 2016; FELIZ et al, 2016).

Os Estados-Membros da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) teve em 2010, o apoio da Organização Mundial de Saúde (OMS) para a aprovação da Estratégia e Plano de Ação para Eliminação da Transmissão Materno-Infantil do HIV e Sífilis Congênita, o objetivo foi reduzir a incidência da sífilis congênita para ≤0,5 casos para 1.000 nascidos vivos em 2015. Apesar da estratégia, o Brasil não conseguiu cumprir a meta de erradicação da sífilis congênita, e a epidemia continua ocasionando a mortalidade neonatal e fetal em números consideráveis. Em 2010 foram notificados ao Ministério Público e a OPAS 6.916 casos. Em 2013 foram 13.705, sendo um aumento considerável, logo após, em 2014 diminuiu para 6.793 (COOPER et al, 2016).

As dificuldades para alcançar o sucesso das metas estabelecidas estão ligadas a falta de acesso aos serviços de saúde pública, a não realização do exame sorológico em gestantes e a falta de tratamento e acompanhamento dos parceiros (FRANÇA et al, 2015).

Segundo o Ministério da Saúde, no Brasil 50 mil parturientes ao ano são diagnosticadas com sífilis, esse número reflete em aproximadamente 12 mil nascidos vivos com sífilis congênita. A epidemiologia é considerada como indicador da qualidade da assistência de pré-natal de uma população, efetivando assim que toda gestante possa ter acesso adequado ao pré-natal (LAFETÁ et al, 2016).

A enfermagem é de extrema importância na atenção básica, a qual se inicia com a detecção, diagnóstico e tratamento da sífilis. A enfermagem atua na prevenção junto à comunidade com estratégias como palestras e orientações, assim havendo uma melhor assistência (RODRIGUES et al, 2016).

Metodologia

Trata-se de uma revisão bibliográfica disponível nas bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e na Scientific Electronic Library Online–SciELO, a qual inclui a análise de pesquisas relevantes, no período de 2012 a 2017. Consultando-se os descritores em Descritores em Ciências de Saúde (DeCS/MeSH), foram selecionados as palavras: Sífilis Congênita, Cuidado Pré-Natal, Enfermagem e como critérios de inclusão: língua portuguesa e texto completo.

Desenvolvimento

A sífilis congênita é um agravo na saúde pública, pois é uma doença infectocontagiosa, sistêmica e de evolução crônica, na qual ocorre por transmissão vertical. É uma das infecções sexualmente transmissíveis mais graves, podendo ocasionar sequelas neurológicas (ALBUQUERQUE et al, 2015).

O agente etiológico é a bactéria Treponema pallidum. Acreditava-se que essa bactéria não era capaz de contaminar o feto, atravessando a placenta até o quarto mês de gestação (MATTHES et al, 2012).

No período gravídico-puerperal, a sífilis é a doença que possui maior número de transmissão vertical, a qual varia entre 70% a 100% nas fases primária e secundária. Os casos de aborto espontâneo, feto natimorto e morte perinatal ocorre em torno de 40% dos bebês infectados nos casos das mães não tratadas ou não tratadas corretamente (COSTA et al, 2013).

Como consequência, as manifestações podem ocorrer até os dois anos de idade sendo considerado como precoces os seguintes sinais e sintomas: anemia, febre, atraso no desenvolvimento, lesões mucocutâneas, icterícia e linfadenopatia. Após os dois anos são considerados como tardios, ocorrendo sinais e sintomas como manifestações ósseas (tíbia em lâmina de sabre, fronte olímpica, nariz em sela), paralisia juvenil, ceratite intersticial, entre outros. Ao nascer é realizado o teste Venereal Disease Research in Laboratory (VDRL), assim havendo uma oportunidade de tratamento ao recém-nascido. (MATTHES et al, 2012).

O VDRL é um teste sorológico feito em triagem para detecção da sífilis na gravidez, sendo realizado no primeiro e terceiro trimestres da gestação, considerando que na maioria das vezes, é o exame mais comum e disponível nos serviços de saúde (MATTHES et al, 2012).

Para o tratamento existem fármacos pré-estabelecidos como eficazes, no caso das gestantes, a penicilina é a única indicação para tratamento durante a gestação, pois a eficácia é superior comparado a outros antibióticos. Esse tratamento se iniciado no primeiro trimestre da gestação, tende a evitar a infecção ao feto e após essa fase o feto também passa a ser tratado. No caso de alergia da mãe à penicilina, costuma-se usar como alternativa a eritromicina, porém não tratará o feto (SEVERINO, VITRO, 2015).

Atuação da Enfermagem

A enfermagem atua de forma integral, sendo a sífilis uma doença transmissível, é necessária que seja notificada, essa notificação deve ser feita ao serviço de saúde pública estadual e municipal (SMELTZER et al).

A consulta de pré-natal é essencial para o diagnóstico, tratamento e acompanhamento das gestantes e companheiros, assim tornando-se eficaz, tanto com a cura materna como com a não infecção do feto, sendo disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) (MATTHES et al, 2012).

Na atenção básica o enfermeiro possui um vínculo mais próximo com a população, tendo a oportunidade de colocar em prática estratégias como orientações e acompanhamento aos pacientes (RODRIGUES et al, 2016).

Cabe ao enfermeiro o acolhimento, assistência humanizada desde o início da gestação, solicitação de exames complementares, solicitação de testes rápidos e prescrição de medicamentos pré-estabelecidos nos programas de saúde pública, visto que o enfermeiro possui autonomia para acompanhamento em gravidez de baixo risco na Unidade Básica de Saúde (UBS) (BRASIL, 2012).

O pré-natal propõe uma avaliação competente aos fatores de riscos e identificação dos problemas, assim atuando de forma a impedir um resultado desfavorável. O não acompanhamento e controle no pré-natal, a gestante se coloca em risco e o risco se estende ao feto. O acompanhamento integral possibilita a redução de morte materna, fetal e neonatal (ANDRADE, 2013).

Considerações Finais

Durante a análise ocorreu um melhor entendimento sobre os casos da sífilis congênita e foi observado que a falta de informação se torna uma problemática às gestantes e à saúde pública.

Os resultados da pesquisa mostraram que a sífilis congênita é uma doença de preocupação na saúde pública, a qual requer um controle por meio de notificação e acompanhamento das gestantes.

A falta de informação da população ocasiona o não acompanhamento adequado em todas as situações. No caso das gestantes é relevante a informação para que haja um pré-natal adequado, pois nem sempre a gestante sabe que é portadora da doença.

Com a conscientização da importância do pré-natal, a gestante faz os exames de rotina e caso seja portadora da doença, o tratamento poderá ser mais eficaz para ela e para o feto.

O Ministério da Saúde apresenta programas na Atenção Básica, na qual a enfermagem tem um papel de suma importância junto à comunidade com orientações, campanhas e ações para prevenção. Na consulta de pré-natal, que por meio dos exames solicitados, são diagnosticados as patologias existentes e assim passando a ter um acompanhamento adequado.

O acompanhamento às gestantes é necessário desde o início, possibilitando assim um melhor acolhimento, uma assistência adequada e humanizada.

REFERÊNCIAS

ALBUQUERQUE, Conceição de Maria de et al. A compreensão da qualidade de vida atrelada à sífilis congênita. Rev. APS , [S.l.], v. 18, n. 3, p. 293-297, jul. 2015. Disponível em: <https://aps.ufjf.emnuvens.com.br/aps/article/view/2428/891>. Acesso em: 20 out. 2017

AMARO, Hugo João Fernandes; PIRES, Ana Matos. Sífilis terciária: neurossifilis parenquimatosa. Mudanças ? Psicologia da Saúde , [S.l.], v. 24, n. 1, p. 15-18, jan. 2016. Disponível em: <https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/MUD/article/view/5361/5349>. Acesso em: 21 out. 2017.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Atenção ao pré-natal de baixo risco [recurso eletrônico] / 1. ed. rev. – Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2013. 318 p.: il. – (Cadernos de Atenção Básica, n° 32)

BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais. Ministério da Saúde lança ação nacional de combate à sífilis, Nov. 2016.

BONI, Sara Macente; PAGLIARI, Priscila Bertoncello. Incidência de sífilis congênita e sua prevalência em gestantes em um município do noroeste do Paraná. Revista Saúde e Pesquisa , Maringá, v. 9, n. 3, p. 517-524, dez. 2016. Disponível em: <http://periodicos.unicesumar.edu.br/index.php/saudpesq/article/view/5530/2919>. Acesso em: 20 out. 2017.

COOPER, Joshua M. et al. Em tempo: a persistência da sífilis congênita no Brasil ? Mais avanços são necessários!. Revista Paulista de Pediatria , [S.l.], v. 34, n. 3, p. 251-253, set. 2016. Disponível em: <https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0103058216300399?via%3Dihub>. Acesso em: 20 out. 2017.

COSTA, Camila Chaves da et al. Sífilis congênita no Ceará: análise epidemiológica de uma década. Rev. esc. enferm. USP , São Paulo, v. 47, n. 1, fev. 2013. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&nrm=iso&lng=pt&tlng=pt&pid=S0080-62342013000100019>. Acesso em: 20 out. 2017.

FELIZ, Marjorie Cristiane et al. Aderência ao seguimento no cuidado ao recém-nascido exposto à sífilis e características associadas à interrupção do acompanhamento. Revista Brasileira de Epidemiologia , São Paulo, v. 19, n. 4, out. 2016. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-790X2016000400727&lng=pt&tlng=pt>. Acesso em: 20 out. 2017.

FRANÇA, Inacia Sátiro Xavier de et al. Fatores associados à notificação da sífilis congênita: um indicador de qualidade da assistência pré-natal. Rev Rene , [S.l.], v. 16, n. 3, p. 374-381, jun. 2015. Disponível em: <http://www.revistarene.ufc.br/revista/index.php/revista/article/view/2008/pdf>. Acesso em: 20 out. 2017.

LAFETÁ, Kátia Regina Gandra et al. Sífilis materna e congênita, subnotificação e difícil controle. Revista Brasileira de Epidemiologia , São Paulo, v. 19, n. 2, mar. 2016. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&nrm=iso&lng=pt&tlng=pt&pid=S1415-790X2016000100063>. Acesso em: 20 out. 2017.

MATTHES, Ângelo do Carmo Silva et al. Sífilis congênita: mais de 500 anos de existência e ainda uma doença em vigência. RBM Revista Brasileira de Medicina , [S.l.], v. 48, n. 4, p. 149-154, abr. 2012. Disponível em: <http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?fase=r003&id_materia=4977>. Acesso em: 20 out. 2017.

SEVERINO, Juliana Canteras; VITRO, Natália Gabriela L. dos Santos. Sífilis congênita: porquê ainda é tão frequente? . 2015. 71 f. Monografia (Conclusão da Residência Médica em Neonatologia)- Escola Dr. Mário de Moraes Altenfelder Silva, [S.l.], 2015. Disponível em: <http://pesquisa.bvsalud.org/sms/resource/pt/sms-9882>. Acesso em: 20 out. 2017.

SMELTZER et al. Brunner & Suddarth, tratado de enfermagem médico-cirúrgica / [editores] Suzanne C. Smeltzer… [et al.] ; [revisão técnica Isabel Cristina Fonseca da Cruz, Ivone Evangelista Cabral ; tradução Antonio Francisco Dieb Paulo, José Eduardo Ferreira de Figueiredo, Patricia Lydie Voeux]. – [Reimpr.]. – Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 2014.

[1] Graduanda em Enfermagem pela Faculdade Anhanguera Taboão da Serra.

[2] Enfermeira Especialista em Saúde Pública, Docente do Ensino Superior e Mestranda em Ciência da Saúde/IAMSPE.

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