Construção de cartilha educativa sobre as principais queixas clínicas decorrentes da gravidez

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ARTIGO ORIGINAL 

TETZLAFF, Alessandra Andréa da Silva [1], PEREIRA, Sergio de Carvalho [2]

TETZLAFF, Alessandra Andréa da Silva. PEREIRA, Sergio de Carvalho. Construção de cartilha educativa sobre as principais queixas clínicas decorrentes da gravidez. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 01, Vol. 07, pp. 166-182. Janeiro de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

O período gestatório da mulher é perturbado por patologias múltiplas, ocorrendo transformações imediatas e/ou alterações permanentes nos aspectos físicos, emocionais e sociais. Frente a esta situação, o profissional de enfermagem, principalmente o enfermeiro, dentre as várias responsabilidades, devem ater sobre o acompanhamento, orientação, prevenção e recuperação da saúde, frente às modificações anatomofisiológico decorrentes da gravidez, oferecendo um suporte adequado e de preferência não farmacológico e invasivo, visando o autocuidado e baixo custo. Este estudo objetivou desenvolver uma cartilha educativa sobre as principais queixas que são referidas e alguns cuidados a ser usados para promover a qualidade de vida da gestante, podendo ser utilizado pelo enfermeiro no processo de educação continuada e assistida como um instrumento facilitador simples e objetivo, de fácil leitura e entendimento. Utilizou-se o levantamento bibliográfico para a construção da cartilha, caracterizando-a como um estudo de natureza básica, abordagem quali-qualitativa, procedimento metodológico descritivo. Considerando que foram levantados 37 principais alterações orgânicas e seus cuidados, para a construção da primeira versão da cartilha denominada “Gravidez não é doença!”, preocupou-se também com a usabilidade e designer, sendo complementados com iconográficos personalizados e de “saber mais” sobre o assunto em questão. Acredita-se que por ser a primeira versão, poderá e deverá sofrer revisões, com incorporação de futuras de sugestões.

Palavras-chave: Gravidez, Materiais de Ensino, Enfermagem, Enfermeiro Educador, Autocuidado.

INTRODUÇÃO

Gravidez não é doença!

Constantemente, esta frase é repetida nas mídias sociais para o público em geral. Entretanto, vários fatores serão alterados durante o processo gravídico, fazendo com que esta mulher se adapte da melhor forma possível perante as intercorrências, sem perder o seu papel profissional, pessoal e familiar.

Este período, conhecido como gestatório, se desenrola em espaço e tempo relativamente curto, porém não transcorre silenciosamente; são perturbadas por patologias múltiplas e variadas, ocorrendo transformações imediatas e/ou alterações permanentes nos aspectos físicos, emocionais e sociais.

Por décadas, a assistência à gestação por leigos[3] e doutos[4], era de demandar atenção diminuta (SOARES, 1998), visto que no decorrer dos anos houve um aumento da mortalidade materna (MOURA; ARAÚJO, 2004). Esta estatística gerou uma modificação substancial das ações de saúde, visando à saúde da mulher e da criança de forma integral para a perpetuação da espécie com qualidade (NARCHI, 2013).

A atenção básica de saúde (atenção primária), preocupando-se com o “nascer saudável”, ampara de forma qualitativa, a mulher desde a sua concepção, processo, parto, puerpério e até a sua involução gestacional (PARANÁ, 2013).

Visando este ponto, todos os profissionais de saúde têm como responsabilidade profissional proporcionar mecanismos para que as mulheres que serão assistidas passem seus dias de prenhez da melhor forma possível, promovendo a homeostase[5] física – mental – social.

Os profissionais de saúde, especialmente a equipe de enfermagem, dentre as várias responsabilidades, devem ater sobre o acompanhamento, orientação, prevenção e recuperação da saúde, frente às modificações anatomofisiológico decorrentes da gravidez, oferecendo um suporte adequado e de preferência não farmacológico e invasivo, visando o autocuidado e baixo custo.

Um dos mecanismos utilizados para coletas de dados são os materiais impressos para consolidação das informações necessárias, usadas como fonte de pesquisa rápida para intervenção imediata das alterações orgânicas que possam ocorrer antes, durante e após a prenhez.

Grilo (2014) destaca que o Enfermeiro, possui o conhecimento técnico e científico necessário para realizar intervenções junto a sua equipe, devido a sua habilidade como educador, direcionando-os para um ensino reflexivo por meio do conhecimento necessário para ajudá-los a construir um arcabouço de habilidades e competências visando auxiliar a paciente (mulheres grávidas) sobrepor as inconveniências que ocorrem nesta fase.

Compartilhar as informações é adotar atitudes positivas de promover a saúde para a sociedade para que eles possam ter maior controle sobre as decisões que afetam as suas vidas possibilitando a maior igualdade nas relações sociais de poder, utilizando a implementação dos cuidados de enfermagem através de materiais informativos (cartilhas), faz com que as orientações oferecidas principalmente para o público leigo sejam de fácil acesso para consulta rápida e tomada de decisão (GRIPPO, 2008).

Pensando nisso, foi proposta uma cartilha por ser considerada como um instrumento facilitador de ações de educação em saúde, com abordagem sobre as principais queixas clínicas decorrentes da gravidez, suas alterações anatomofisiológico e recomendações de cuidados de enfermagem para amenizar estas ocorrências, no intuito de promover uma assistência de qualidade de vida, acolhimento adequado para a gestante durante este período de transformações orgânicas, possibilitando, autonomia e bem-estar.

Este estudo objetivou especificadamente o levantamento de quais são as queixas clínicas de maior ocorrência durante a gravidez, agrupando-as conforme o sistema orgânico humano atingido; relacionar os cuidados não farmacológicos conforme as alterações orgânicas decorrentes da gravidez; selecionar as orientações e queixas conforme padrão de tratamento tradicional e complementar; e finalizando-o com um modelo visual impresso/virtual de usabilidade prática para consulta rápida sobre o conteúdo das alterações orgânicas durante o processo gravídico, enfocando “o que é” e suas “orientações básicas” para o público em geral.

DESENVOLVIMENTO

Trata-se de um estudo de natureza básica, abordagem quali-qualitativa, procedimento metodológico descritivo, por revisão bibliográfica.

A cartilha educativa foi construída conforme as recomendações para concepção e eficácia de materiais educativos, de acordo com as características: conteúdo, linguagem, organização, layout, ilustração, aprendizagem e motivação (HOFFMANN, 2004).

No seu processo de construção foi realizado o levantamento bibliográfico por meio de buscas em artigos científicos e documentos normativos multidisciplinares sobre as mudanças orgânicas gestacionais e suas interfases.

Os passos metodológicos foram executados em etapas e divididos em fases, conforme mostra o Quadro 1.

Quadro 1 – Processo Metodológico do estudo.

ETAPA FASE
1 2 3
1 REFERÊNCIAS Levantamento de dados bibliográficos Seleção de critérios
2 AGRUPAMENTO Agrupamento das informações pertinentes Fundamentação das informações do conteúdo selecionado
3 ESBOÇO Construção primária da cartilha Escolha da forma e conteúdo Seleção da ilustração
4 MATERIAL EDUCATIVO Refinamento da construção

Fonte: Autora, 2016.

ETAPA 1 – REFERÊNCIAS CONSISTIRAM EM DUAS FASES:

Fase 1: foi realizado o levantamento das informações pertinentes ao estudo, para constituir a revisão bibliográfica sistemática e integrativa nos artigos científicos em base de repositório: SciELO®. Utilizando as palavras–chave: “gestação”; “orientações gestacionais”; “tratamentos alopáticos”; “tratamentos complementar”; “fisiologia gestacional” e os descritores boleanos (and, or). Como critério de inclusão: somente os artigos na íntegra, bem como protocolos e normativas deferidas por órgãos públicos e privados, no período de 2006 a 2016, nos idiomas português e espanhol.

Como complementar, visitou sites de blog e vlog de orientação a gestante sem cunho clínico, mas com abordagem do tema empiricamente.

Fase 2: consistiu na análise fundamentada dos artigos encontrados, com agrupamento semântico conforme sua relevância para o tema proposto no estudo.

ETAPA 2 – AGRUPAMENTO DAS INFORMAÇÕES EM DUAS FASES:

Fase 1: construção das informações pertinentes para o material informativo de característica didática, tipo cartilha, constituindo pelos tópicos de relevância encontrada na etapa anterior.

Fase 2: fundamentação dos tópicos selecionados para compor a estrutura da cartilha, baseando-se em fontes seguras e complacentes de orientações multiprofissionais, especialmente o que compete à função de orientação e cuidados pelo profissional enfermeiro.

ETAPA 3 – ESBOÇO DO MATERIAL EDUCATIVO (CARTILHA) EM TRÊS FASES:

Fase 1: seleção primaria da estrutura física da cartilha visando a usabilidade.

Fase 2: criação das imagens, personalizadas sobre o tema proposto para apreensão visual da informação.

Fase 3: desenvolvimento inicial da cartilha em sua apresentação, consistência fundamental, layout e clareza nos textos informativos sobre alterações orgânicas e suas interfases com os cuidados paliativos, tratamentos e prevenção.

O trabalho de design e diagramação das imagens foi realizado por uma profissional de ilustração voluntário, registrado na Associação Brasileira dos Ilustradores Profissionais – ABIPRO, escolhido pelo método informal por conveniência (COOPER & SCHINDLER, 2016), desenvolvendo as imagens para complemento visual dos conceitos e tópicos abordados. Foram utilizados os programas Paint Tool SAI® e Microsoft Word®.

ETAPA 4 – FINALIZAÇÃO DO MATERIAL EDUCATIVO:

Fase 1: refinamento final da cartilha com foco na usabilidade e clareza, para as gestantes compreenderem as alterações orgânicas e interfases que ocorrem no ciclo gestatório.

O estudo em questão utilizou apenas a busca de informações de acesso livre e pertinentes ao tema de desenvolvimento, por esta característica foi dispensado a análise por Comitê de Ética e Pesquisa em Seres Humanos, entretanto baseou-se nas diretrizes da Resolução do Conselho Nacional de Saúde n. 466 de 2012 para compor a declaração de participação do ilustrador voluntário (apêndice 1).

RESULTADOS

Os resultados encontrados foram descritos e analisados sob duas perspectivas: a do PROCESSO EMPÍRICO DA CONSTRUÇÃO DO INSTRUMENTO EDUCATIVO e a de sua MATERIALIZAÇÃO PARA CONSULTA EM FORMA DE CARTILHA.

O PROCESSO EMPÍRICO DA CONSTRUÇÃO DO INSTRUMENTO EDUCATIVO

O empirismo norteou as formulações de questões frente à necessidade da composição das alterações orgânicas frente ao processo de gestação.

Na busca dos aportes teóricos, obteve-se 222 referências científicas nos bancos de dados primários e secundários, mostrado no quadro 2. Após a análise semântica da consistência ao tema proposto e a seleção embasado nos critérios de abordagem em seres humanos, mulheres gestantes, foram eliminados 205 artigos e refinado para 17 artigos, que conforme seus descritores foram possíveis identificar os sinais e/ou sintomas de persistência e tratamentos.

Quadro 2: Levantamento da produção científica no período de 2006-2016.

DESCRITORES SciELO refinar
Gestação 35 3
Alteração gestacional 29 1
Orientações gestacionais 2 2
Tratamento alopático 6 3
Tratamento complementar 124 2
Fisiologia gestacional 10 1
Gestação materna 16 5

Fonte: Autora, 2016.

Estes dados foram ajuntados conforme a região orgânica afetada em 07 grupos sistêmicos nomeadas por cor: ROSA (tegumentar), AZUL (respiratório), AMARELO (urinário e ginecológico), MARROM (gástrico e intestinal), VERMELHO (circulatório), VERDE (muscular e esquelético), LILÁS (Geral, por englobar ou interferir nos outros sistemas elencados).

Analisando os artigos selecionados para compor o estudo, foi possível elencar as principais patologias existentes que acomete e saúde da gestante. Destas, completando com as definições clínicas e seus tratamentos, enfocando nas terapias complementares (alternativas) que o profissional de enfermagem (enfermeiro) está habilitado para orientar.

Posteriormente, os itens selecionados das alterações orgânicas, foram agrupados por trimestre gestacional conforme sua evidência de aparecimento significativo no transcorrer do processo gravídico (quadro 3), ressalvo que alguns sintomas/sinais podem agravar-se no terceiro trimestre.

Quadro 3: Aparecimento inicial dos sinais e sintomas por trimestre gestacional.

Sistema PRIMEIRO TRIMESTRE SEGUNDO TRIMESTRE TERCEIRO TRIMESTRE
Geral Ansiedade, fadiga, oscilações do humor Introspecção, cefaleia, tontura, vertigem
Muscular esquelético Dor lombar, marcha anserina, cãibra
Circulatório Varicosidades, edema Hipertensão
Gastrointestinal Emese, náuseas, sialorreia, desconforto abdominal Refluxo, pirose, picamalacia, gengivite, hemorroida, hiperglicemia, constipação,
Geniturinário Queixas urinárias, alteração das mamas Leucorreia
Respiratório Resfriado Congestão nasal, sangramento nasal Dispneia
Tegumentar Cloasma Estrias, linha nigra, hirsutismo, acne

Fonte: Autora,2016.

Não se pretende restringir em apenas os 37 sinais e/ou sintomas que acomete a saúde da gestante, porém estes itens foram os mais citados mediante o levantamento bibliográfico. Entretanto, as características individuais, físicas, genéticas e ambientais podem colaborar no aparecimento de novas queixas, intensidade e repercussão de sua alteração orgânica.

Em referência aos mecanismos utilizados para amenizar ou sanar as queixas referidas pelas gestantes em estudos anteriores, foram identificados apenas aquelas com comprovação e evidencia científica de sua eficácia.

Diante disso, a atuação do enfermeiro na assistência de qualidade, sanando as dúvidas advindas do processo gestacional e oferecendo possibilidades de tratamento, pode modificar a visão da mulher perante esta situação, em que a sua participação inativa transforma-se em ativa para compreender que as queixas e condutas são para a sua melhoria (e de seu bebê).

MATERIALIZAÇÃO PARA CONSULTA EM FORMA DE CARTILHA

Durante o processo gestacional, a mulher passa por várias transformações, sempre se perguntando, direta ou indiretamente, se estas alterações são normais ou algo que não está bem.

A partir destas indagações, foi proposta a elaboração da cartilha “Gravidez não é doença!”, observando as seguintes premissas: linguagem sucinta, introdução de novos termos e adequação técnica ao público-alvo. Inicialmente constam as informações de autoria e a apresentação da cartilha para a leitora , e como forma de individualização ela poderá inserir o seu nome (figura 1).

Figura 1: Capa cartilha.

Fonte: Autor,2016.

Foram incorporados, também, conteúdos sobre o tema, com a chamada “SAIBA MAIS” (quadro 4), objetivando manter a atenção do leitor, estimulando-o sem cansá-lo. A sua identificação corresponde à imagem icnográfica do enfermeiro ou da enfermeira (figura 2) indicando os principais dados dos temas selecionados, sendo a última informação do sistema acometido. Pode-se referenciar como uma curiosidade, uma prática, uma definição ou um conteúdo de abordagem explicativa.

Figura 2: Iconográficos do saber mais da cartilha.

Fonte: Autor,2016.

Por fim, optou-se por apresentar o conteúdo de todas as questões inicialmente propostas, mesmo que não no formato de perguntas, para instigar o leitor a pensar sobre novas facetas do assunto.

Quadro 4: Temas complementares na cartilha por sistemas orgânicos .

SISTEMA PÁG. TEMA – SAIBA MAIS CITAÇÃO
Geral Arteterapia (TETZLAFF, 2006)
Muscular esquelético Eletricidade estática (TEIXEIRA, 2016)

(THE FAMILY HANDYMAN, 2015)

Circulatório Massagens (FERREIRA, 1986) (OLIVEIRA, 2016)
Gastrointestinal Pulseira anti-enjoo (SEABAND, 2016)
Geniturinário Sutiã de sustentação (PINTO, 2016)
Respiratório Relaxamento e meditação (ESTADO ZEN, 2015) (RESTELLI,2016) (MENEZES; DELL’AGLIO, 2009).
Tegumentar Remoção mecânica dos pelos (BRUTTOS, 2015)

Fonte: Autora,2016.

Arteterapia: Pode-se utilizar várias técnicas expressivas, dentre elas: cromoterapia (harmonia das cores), teatro terapêutico, contar histórias, fantoches, tapeçaria, sucatas, colagens, desenhos, pintura, modelagem. O processo utilizado não requer uma preocupação estética, pois o objetivo principal consiste em possibilitar e facilitar a comunicação.

Eletricidade estática: Nos meses secos, principalmente no inverno, amenizar essa eletricidade é simples e existem métodos que podem ser utilizados para reduzir a eletricidade estática inicial e controlar a transferência para o corpo humano, como: umidificador, amaciante, hidratação, roupas e tocar peças de metal.

Massagens: Existem várias correntes e estilos diferentes, tais como: Havaiana, Ayurvédica, Esalém, Sueca, Tailandesa, Tântrica, Quiropraxia, Reflexologia, Shiatsu, Do-in, Anma, drenagem linfática. Independente do estilo utilizado, a massagem pode ser uma estratégia para a melhora na qualidade de vida.

Pulseira anti-enjoo: Pulseiras que vem num estojo em pares, pois deve ser colocada simultaneamente, uma pulseira em cada pulso, o yin e o yang (pólos negativo e positivo) para neutralizar o sintoma. Em geral, demora de 5 a 10 minutos para que os sinais elétricos da pressão contínua exercida pelo botão no Ponto Nei-Kuan alcancem o cérebro e tenham resultado satisfatório.

Sutiã de sustentação: É um consenso dos especialistas que durante a gestação as mamas podem aumentar dois números o tamanho até o inicio da amamentação. Por isso, deve-se avaliar o tecido, alça e bojo.

Relaxamento e meditação: A sua utilização diária pode aumentar a produção de endorfinas (hormônio que reduz o estresse) e prevenir a perda natural de neurônios, pode ser completada com o contato com a natureza ou por um banho revigorante e aromático. Para executar esta prática não existem regras, entretanto se coloca métodos facilitadores para conseguir desde o mais simples relaxamento até o alcance do dito “nirvana”, deve-se avaliar o lugar, posição, abertura dos olhos, respiração, tempo e frequência.

Remoção mecânica dos pelos: Pode-se remover temporariamente ou permanentemente, mas deve os benefícios de cada uma: cera quente, fria, linha, creme depilatório, depilador elétrico, lâmina, laser e luz pulsada. Embora o mercado possibilite vários produtos, a escolha da gestante deve levar em consideração o bom senso, fazer um teste numa pequena área para verificar reações.

Finalizando, a cartilha foi desenvolvida no tamanho da folha A5, papel couchê fosco com 24 páginas frente/verso, para ocupar pouco espaço e poder ser guardada junto ao enfermeiro, para utilização em consultas rápidas e contemplar as principais informações de forma objetiva.

Diversas fontes de letras, com diferentes tamanhos foram utilizadas, visando inibir a monotonia e manter o interesse do leitor. Caixas de texto, em cores diferentes e dispostas de modo não uniforme foram introduzidas para destacar alguns aspectos sobre os quais se procurou enfatizar a mensagem. Recursos gráficos foram inseridos no corpo da cartilha, com ilustrações que auxiliassem na incorporação da mensagem e a tornassem atrativas, estas imagens foram produzidas especificadamente para este fim, possibilitando uma melhor aproximação do leitor com o tema.

Em sua última página, consta um quadro como forma de controlar a incidência das situações inesperadas por trimestre de gestação, onde a leitora poderá marcar por data e utilizar colo lembrete em sua consulta periódica.

Embora esta cartilha tenha sido elaborada como recurso educativo para o enfermeiro, pode ser estendido o seu acesso aos demais profissionais das diferentes áreas de atuação, bem como, ser disponibilizado diretamente ao público leigo, em especial, a gestante e sua família.

A mensagem principal que essa cartilha procura transmitir é que as alterações orgânicas que ocorre com a mulher durante o processo gestacional, são consideradas normais, pois o desenvolvimento intrauterino de novo ser compromete a homeostasia. Como mensagens secundárias: toda a mulher é capaz de entender as alterações que ocorrem e tentar amenizá-las da melhor forma possível, com recursos baratos e disponíveis.

Considerando ser esta a primeira versão da cartilha (apêndice 2), configurado como um instrumento educativo simples e objetivo, de fácil leitura e entendimento, e que mostra de modo claro a importância das queixas clinicas em decorrência da gravidez, entende-se que poderá e deverá sofrer revisões, com incorporação de futuras sugestões.

CONCLUSÃO

A cartilha educativa “Gravidez não é doença!” surgiu pela necessidade prática em disponibilizar informações à gestante de forma simples e objetiva, e ser utilizado como complemento durante a consulta periódica de acompanhamento obstétrico pelo enfermeiro, para exercer o seu principal papel de educador além das responsabilidades assistenciais e administrativas que a função exige.

Pela busca inicial, podem-se relacionar os principais cuidados não farmacológicos utilizados para amenizar as queixas citadas, tanto na forma de tratamento tradicional como os tratamentos complementares. No intuito de possibilitar um suporte visual e de fácil acesso para ser usado no momento que surge a dúvida, foi pensado em algo prático, direto e acessível com condutas de autocuidado para amenizar as diversas alterações que ocorrem durante o processo gestatório e assim promover a qualidade de vida.

Compreende que as tecnologias educativas são indispensáveis por serem capazes de fornecer informações que melhoram o conhecimento e o enfrentamento da gestante, especialmente nos casos em que as alterações orgânicas são esperadas e que condutas devem ser tomadas imediatamente para promover a homeostase, tornando-a capaz de entender como as próprias ações de (auto)cuidado influenciam em seu padrão de saúde, promovendo a autonomia (BENEVIDES,2014)

Neste contexto, muitas ações de caráter educativo vêm sendo realizadas através dos anos. A elaboração desta cartilha vem se somar a essas ações, buscando informar, sensibilizar, educar e motivar o profissional de enfermagem para uma mudança de comportamento em relação à gestante, possibilitando uma autonomia, compreensão e qualidade sua e de sua família.

Espera-se que este estudo de construção da cartilha se desdobre em novas iniciativas visando promover e valorizar o papel do enfermeiro e contribuir com ações educativas, não só na consulta obstétrica hospitalar, mas também em outros locais (unidades, domicílios) que desejem trilhar o mesmo caminho.

REFERÊNCIAS

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ZIEGEL, E. E; CRANLEY, M. S. Enfermagem Obstétrica. [Reimpr.]. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. 696 p.

APÊNDICE 1 – DECLARAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO

 

 

APÊNDICE 2 – CARTILHA “GRAVIDEZ NÃO É DOENÇA!”

  1. Enfermeira (São Camilo – SP), Bioterapeuta (Uniabel – PR), Especialista em Enfermagem em Emergência (PUC – PR), Mestre em Tecnologia em Saúde (PUC – PR), Pós-graduanda em Enfermagem Ginecológica e Obstétrica (Prominas – UCAM).
  2. Docente orientador da Pós-graduação da Universidade Cândido Mendes.
  3. Termo utilizado figurado para se referir a uma pessoa que não tem conhecimento especializado desconhece sobre a anatomofisiologia da gestação. leigo in Dicionário infopédia da Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2016. [consult. 2016-10-29 14:11:53]. Disponível na Internet: https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/leigo.
  4. Termo utilizado para referenciar pessoa muito instruída, erudita, sábia. douto in Dicionário infopédia da Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2016. [consult. 2016-10-29 14:10:17]. Disponível na Internet: https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/douto.
  5. Capacidade de manter a estabilidade das funções internas orgânicas. Disponível: http://michaelis.uol.com.br/busca?palavra=homeostasia&r=0&f=0&t=0

[1] Doutoranda Em Educação (Unini-Mx); Mestre Em Tecnologia Em Saúde (Puc-Pr); Especialista Em Enfermagem Forense (Abeforense – Br), Ginecologia E Obstetrícia (Ucam), Urgência E Emergência (Puc-Pr); Bioterapeuta (Uniabel-Pr); Graduação Em Enfermagem E Obstetrícia ( Faculdades São Camilo – Sp).

[2] Mestre Em Enfermagem (Unirio); Especialista Em Educação Profissional Em Saúde (Ensp), Enfermagem Do Trabalho (Eean), Licenciatura Em Enfermagem (Uerj); Graduação Em Enfermagem (Uerj).

Enviado: Setembro, 2018

Aprovado: Janeiro, 2019

Como publicar Artigo Científico

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