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Relato de experiência: projeto de ensino – Juntos Prevenindo e Controlando Infecção Hospitalar – JPCIH

RC: 151492
162
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DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/saude/projeto-de-ensino

CONTEÚDO

RELATO DE EXPERIÊNCIA

BROTTO, Jakeline Marie Servilha [1], MARTINS, Carla Regina Worliczeck [2], DIAS, Silvani Maria [3], FERRARI, Patrícia Peixoto Cera [4]

BROTTO, Jakeline Marie Servilha et al. Relato de experiência: projeto de ensino – Juntos Prevenindo e Controlando Infecção Hospitalar – JPCIH. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 09, Ed. 01, Vol. 03, pp. 122-132. Janeiro de 2024. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/projeto-de-ensino, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/saude/projeto-de-ensino

RESUMO

Este artigo tem como objetivo de relatar a experiência desde a implantação do projeto até o desenvolvimento do mesmo dentro de uma instituição hospitalar. Este foi idealizado pela Direção geral do estabelecimento de saúde com a finalidade de estruturar metodologicamente conteúdo técnico científico para o aprimoramento da equipe assistencial, tornando-os controladores de infecção. O projeto foi iniciado no ano de 2018 sendo organizado e estruturado pela Comissão de controle de infecção Hospitalar em parceria com o setor de educação continuada da instituição de uma Instituição Hospitalar filantrópica do estado do Paraná. No curso técnico e na graduação de enfermagem é pouco abordado sobre o tema controle de infecção e esta experiência permitiu que os profissionais participantes se aprimorassem referente a esses assuntos e replicassem esses conhecimentos adquiridos dentro de suas áreas de atuação. Com o decorrer do curso e novas aberturas de turmas, profissionais de outras áreas começaram a demonstrar interesse em participar. Identificamos através da prática assistencial e dos feedbacks de gestores como o curso foi positivo, além dos resultados do pós-testes que foram aplicados que serão exemplificados dentro deste artigo. O relato de experiência evidenciou que toda a construção do curso e os dados abordados aqui neste artigo comprovaram que o curso satisfatoriamente teve os resultados alcançados. Os principais pontos positivos identificados: Interface da CCIH com equipe assistencial, formação de multiplicadores e controladores de infecção dentro da instituição para aplicação nas suas áreas de atuação, aprimoramento do conhecimento referente à prevenção e controle de infecção e feedbacks das lideranças referentes ao impacto positivo na assistência. Tivemos alguns desafios durante o curso como, por exemplo, estabelecer a carga horária de cada disciplina e os dias/horários das aulas para não impactar na rotina dos colaboradores na assistência, mas que foi bem conduzida durante o desenvolvimento do curso.

Palavras-chave: Projeto de ensino, Prevenção, Controle de infecção.

1. INTRODUÇÃO

Referente à definição de Infecção Hospitalar, podemos afirmar que:

1.2.1 é aquela adquirida após a admissão do paciente e que se manifeste durante a internação ou após a alta, quando puder ser relacionada com a internação ou procedimentos hospitalares. (PORTARIA Nº 2616/98, p.5) (Brasil, 1998).

De acordo com Silva, Barros e Silva (2022), Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) incidem em eventos adversos também constantes nos estabelecimentos de saúde e compõem um dos fundamentais desafios da humanidade quando se fala em prestação de cuidados de saúde e segurança do paciente.

Este artigo tem como objetivo de descrever a experiência deste projeto como um todo dentro de uma instituição hospitalar, que se chama JPCIH (Juntos Prevenindo e Controlando Infecção Hospitalar), um curso onde foi abordado em várias frentes esse tema tão relevante, pois conforme ANVISA (2017) infecções aumentam consideravelmente os custos no cuidado do paciente, além  do  tempo de internação, a morbidade e a mortalidade.

O nome JPCIH – Juntos prevenindo e controlando infecção Hospitalar foi abundantemente discutido com os parceiros envolvidos neste projeto, está alcunha foi criada pensando principalmente que significasse que todos “juntos”, “unidos” vamos prevenir e controlar infecção hospitalar.

Este projeto foi idealizado pela Direção geral da instituição com o objetivo de estruturar metodologicamente conteúdo técnico científico para o aprimoramento da equipe assistencial, tornando-os controladores de infecções. O mesmo foi iniciado no ano de 2018 sendo organizado e estruturado pela Comissão de controle de infecção Hospitalar em parceria com o setor de educação continuada da instituição.

No curso técnico e na graduação de enfermagem é pouco abordado sobre o tema controle de infecção e esta experiência permitiu que os profissionais  participantes tivessem informações mais arraigadas na área de epidemiologia e controle de infecção hospitalar e, desta forma, transformá-los em controladores de infecção e multiplicadores do conhecimento dentro de suas áreas de atuação.

É extremamente importante que os estabelecimentos de saúde priorizem ações educativas para os profissionais para aprimoramento do conhecimento. Para isso se faz indispensável implantar estratégias de desenvolvimento, propondo melhores resultados e satisfação no ambiente de trabalho (Sade et al., 2020). O profissional de enfermagem, por exemplo, deve possuir conhecimento sobre as várias formas de prevenção de infecção (Alvim; Couto; Gazzinelli, 2020).

Identificamos através da prática assistencial e dos feedbacks de gestores como o curso foi positivo e que será relatado dentro desse artigo.

Finalizamos a 4º edição do Projeto e como tivemos bons resultados haverá uma próxima edição.

2. MÉTODOS

Trata-se de um relato de experiência, descritivo, retrospectivo, sobre um projeto de ensino realizado em uma instituição Hospitalar no estado do Paraná que foi criado no ano de 2018.

Primeiramente, foram realizadas reuniões com as interfaces para discussão e organização do curso, como: CCIH, direção, gestão de enfermagem, higienização, Educação continuada, RH, marketing, laboratório, infectologia, entre outros.

Posteriormente foi realizada a criação da Identidade visual (modelo padrão slides). Foi elaborado pelo setor do marketing modelo padrão de slides em cor verde claro para as apresentações/aulas, arte para confecções das camisetas e botons para a formatura.

O segundo passo, os profissionais foram indicados pela gerência assistencial e/ou Supervisores das áreas para elaboração de lista de presença e organização do local para aplicação das aulas.

O terceiro passo foi estabelecido a periodicidade e carga horária das aulas. Alcançamos duas turmas por edição do projeto para atingir o maior número de alunos possível.

O quarto passo foi à organização do material didático. O facilitador (professor) encaminha sua apresentação aproximadamente 72 horas antes da sua aula para que o setor organizador (Comissão de controle de infecção hospitalar-executiva) possa realizar as impressões por aluno. Os facilitadores (professores) são profissionais da própria instituição, atuantes em diferentes setores. Sendo das seguintes áreas: Direção geral, Equipe da comissão do Controle de Infecção Hospitalar, nutrição, Educação continuada, Hotelaria, microbiologia, Infectologia, SESMT, farmácia e Escritório de valor (DRG e NSP).

O quinto passo foi à elaboração do Cronograma das aulas, que foram separadas por turmas com descrição do tema da aula, horários e nome do facilitador.

Os assuntos abordados durante o curso foram: Vigilância Epidemiológica, práticas baseada em evidência para prevenção de infecção hospitalar, introdução à microbiologia, microrganismos relacionados ao controle de infecções, laboratório de microbiologia no controle de infecções, coleta, transporte e conservação de amostras biológicas para exames microbiológicos, Identificação de microrganismos, higiene das mãos, precauções e isolamentos, limpeza, antissepsia e desinfecção, microbiologia, resistência bacteriana e tratamento de antimicrobianos, infecção do trato urinário, infecções relacionadas ao acesso vascular, pneumonia hospitalar, conceito, critérios, diagnóstico e cadeia epidemiológica, NR32/ saúde ocupacional, riscos biológicos nos serviços de saúde, meio ambiente e a infecção hospitalar (limpeza hospitalar), hotelaria, lavanderia e hospitalidade, controle de pragas, resíduos de serviços de saúde e o PGRSS, interface da nutrição no Controle de Infecção, interface do gerenciamento de risco com o controle de Infecção, prevenção de Infecção de ISC, ciência da melhoria na redução de Infecção Hospitalar, DRG-condições adquiridas, contenção de poeira em ambiente hospitalar e visita técnica em campo.

O sexto passo foi estabelecer os pré e pós-testes. Nas primeiras edições do curso os testes foram aplicados de forma manual, e fomos evoluindo de forma online através do Google forms para facilidade nas comparações das respostas antes e após aplicação das aulas.

Os facilitares enviam junto com sua apresentação as perguntas em formato de múltipla escolha e a CCIH (setor organizador) insere dentro do Google forms. Um tempo estabelecido antes de a aula iniciar é enviado o link para os alunos para que o mesmo realize o preenchimento do questionário. Após a realização do pré pós-teste conseguimos ter informações em gráficos para avaliarmos a eficiencia do curso.

Exemplos abaixo:

Figura 1. Pré-teste Avaliação referente à aula de ciência da melhoria na redução de infecção hospitalar:

Fonte: Os autores (2023).

Figura 2. Pós-teste Avaliação referente à aula de ciência da melhoria na redução de infecção hospitalar:

Fonte: Os autores (2023).

Comparando a figura 1 e 2 observa-se que houve aumento de 10% de respostas corretas após aplicação da aula.

Figura 3. Pré-teste Avaliação referente à aula de segurança do paciente com interface na prevenção de infecção hospitalar:

Fonte: Os autores (2023).

Figura 4. Pós-teste Avaliação referente à aula de segurança do paciente com interface na prevenção de infecção hospitalar:

Fonte: Os autores (2023).

Comparando a figura 3 e 4 observa-se que houve aumento de 15,4% de respostas corretas após aplicação da aula.

Figura 5. Pré-teste Avaliação referente à aula de nutrição com interface na prevenção de infecção de hospitalar

Fonte: Os autores (2023).

Figura 6. Pós-teste Avaliação referente à aula de nutrição com interface na prevenção de infecção de hospitalar

Fonte: Os autores (2023).

Comparando a figura 5 e 6 observa-se que houve aumento de 7,7% de respostas corretas após aplicação da aula.

Figura 7. Pré-teste Avaliação referente à aula de prevenção de sítio cirúrgico:

Fonte: Os autores (2023).

Figura 8. Pós-teste Avaliação referente à aula de prevenção de sítio cirúrgico:

Fonte: Os autores (2023).

Comparando a figura 7 e 8 observa-se que houve aumento de 60% de respostas corretas após aplicação da aula.

O último passo é a finalização, que é composta da apresentação do trabalho de conclusão de curso e formatura. Os grupos ficam livres para realizar sua atividade através de dinâmica ou formato que preferir desde que esteja totalmente relacionada às aulas aplicadas durante no curso. Até o momento já tivemos várias formas: teatro, aplicação de atividade (treinamento) in loco, “passa ou repassa”, apresentação usando modelo de Programa Humorístico, Blitz com orientações sobre a prevenção de infecção na entrada de colaboradores, etc. Por fim, encerrando com a entrega do certificado.

2.1 RESULTADOS ALCANÇADOS

Tabela 1: Número de profissionais que participaram do curso- JPCIH (2018-2022)

Categoria/setor Número
Enfermeiro 51
Acadêmicos de enfermagem 6
Técnicos de enfermagem 39
Auxiliar de hemoterapia 1
Técnico de laboratório 2
Hotelaria/Higienização 3
TOTAL: 102

Fonte: Os autores (2023).

3. CONCLUSÃO

O relato de experiência evidenciou que toda a construção do curso e os dados abordados aqui neste artigo comprovaram que o curso satisfatoriamente teve os resultados alcançados.

Principais pontos positivos identificados:

  • Interface da CCIH com equipe assistencial;
  • Formação de multiplicadores e controladores de infecção dentro da instituição para aplicação nas suas áreas de atuação;
  • Aprimoramento do conhecimento referente à prevenção e controle de infecção;
  • Feedbacks das lideranças referentes ao impacto positivo da assistência.

Tivemos alguns desafios durante o curso, como por exemplo, estabelecer a carga horária de cada disciplina e dias/horários das aulas para não impactar na rotina dos colaboradores na assistência, mas que foi bem administrado durante o desenvolvimento do curso.

REFERÊNCIAS

ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde. Brasília: Anvisa, 2017. Disponível em: file:///C:/Users/User%20-%20005/Downloads/Caderno%204%20-%20Medidas%20de%20Preven%C3%A7%C3%A3o%20de%20Infec%C3%A7%C3%A3o%20Relacionada%20%C3%A0%20Assist%C3%AAncia%20%C3%A0%20Sa%C3%BAde.pdf. Acesso em: 09 jan. 2023.

ALVIM, A. L. S.; COUTO, B. R. G. M, GAZZINELLI A. Qualidade dos programas de controle de infecção hospitalar: revisão integrativa. Rev. Gaúcha Enferm. v. 41, 2020 Disponível em: https://www.scielo.br/j/rgenf/a/QGnx3wqczwtdcjbkbmwQFxv/?lang=pt. DOI: https://doi.org/10.1590/1983-1447.2020.20190360. Acesso em: 03 fev. 2023.

Brasil. Portaria nº 2.616/98. Regulamentação das ações de controle de infecções hospitalares no Brasil. Ministério da saúde, pp.5. 1998. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/1998/prt2616_12_05_1998.html. Acesso em: 05 jan. 2023.

SILVA, D. D.; BARROS, M. C.; SILVA, L. S. R. Controle de infecção hospitalar na unidade de terapia intensiva: uma revisão integrativa. Nursing. v. 25, n. 294, pp. 25. 2022. Disponível em: https://www.revistanursing.com.br/index.php/revistanursing/article/view/2864/3465. DOI: https://doi.org/10.36489/nursing.2022v25i294p8970-8981. Acesso em: 08 jan. 2023.

SADE, C. M. P. et al. Avaliação dos efeitos da educação permanente para enfermagem em uma organização hospitalar. Acta Paul Enferm. pp.2-3, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ape/a/NNPmTnYwztR7mhkZt8V9hhb/?format=pdf&lang=pt. DOI: https://doi.org/10.37689/acta-ape/2020AO0023. Acesso em: 12 fev. 2023.

[1] Pós-graduada em MBA Gestão em saúde e Controle de infecção e Especialização em Gestão da qualidade em Saúde; Graduada em enfermagem. ORCID: 0009-0001-4602-3705. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2553570467744515.

[2] Residência em Pediatria e Infectologia pediátricas, Especialização em Administração em Saúde, Especialização em Epidemiologia e controle de infecção hospitalar; Graduada em medicina. ORCID: 0009-0003-4974-8802. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7539719451174289.

[3] Curso Técnico de enfermagem. ORCID: 0009-0007-3901-2964. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2850205050348589.

[4] Pós-graduada em Prevenção e controle de infecção Hospitalar e Pós graduada em urgência e emergência; Graduada em Enfermagem. ORCID: 0009-0008-7681-4605. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/6034763474691042.

Material recebido: 09 de fevereiro de 2023.

Material aprovado pelos pares: 20 de setembro de 2023.

Material editado aprovado pelos autores: 30 de janeiro de 2024.

4.8/5 - (11 votes)
Jakeline Marie Servilha Brotto

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