Revisão da literatura sobre avaliação do processamento auditivo em crianças

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ARTIGO DE REVISÃO

PIN, Laís Cristina De [1], ESPÓSITO, Mário Pinheiro [2], BOTTI, Anderson [3], LIMA, Fabrizzio Omir Barbosa Barros [4] RIBEIRO, Fernando Rodrigues [5]

PIN, Laís Cristina De. Et al. Revisão da literatura sobre avaliação do processamento auditivo em crianças. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 07, Vol. 03, pp. 38-44. Julho de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

Introdução: processamento auditivo (PA) é um conjunto de habilidades específicas das quais o indivíduo depende para compreender o que escuta1. Refere-se à eficácia e efetividade do sistema nervoso central quando utiliza informação auditiva1,2. Usado na investigação de crianças que apresentam distúrbios de aprendizagem. Ter limiares auditivos normais não é suficiente, é necessário processar e reconhecer as informações auditivas de forma rápida e correta1,2. E sabe-se que algumas funções auditivas podem ser melhoradas através do treinamento auditivo1,3,4. Objetivo: realizar uma revisão bibliográfica a respeito do processamento auditivo em crianças, como são avaliadas e investigadas e quais foram as respostas após o tratamento proposto. Metodologia: realizamos uma revisão sistemática e análise crítica de trabalhos pesquisados no PUBMED, LILACS, revista digital da revista Brasileira de Otorrinolaringologia, CEFAC, revendo as referências dos trabalhos selecionados e livros texto. Discussões: encontramos estudo que afirma que todos os alunos com distúrbio de aprendizagem, exibiram algum grau de alteração no processamento auditivo5. Após o treinamento auditivo realizado houve melhora significativa para a percepção acústica dos estímulos verbais e não verbais no desempenho escolar6,7. Houve estudo que avaliou crianças com síndrome de apneia/hipopneia obstrutiva do sono outro com crianças portadoras de transtorno do déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) e constataram alterações no processamento auditivo10,11. Conclusões: cada paciente apresenta um tempo de terapia auditiva que será definido no decorrer das seções e das evoluções obtidas.

Palavras-chave: crianças, distúrbio de aprendizagem, limites auditivos preservados, processamento auditivo central, terapia auditiva.

INTRODUÇÃO

Processamento auditivo (PA) é um conjunto de habilidades específicas das quais o indivíduo depende para compreender o que escuta1. Refere-se à eficácia e efetividade do sistema nervoso central quando utiliza informação auditiva1,2. Essas habilidades incluem a localização de um som; compreensão da fala em meio ao ruído; compreensão de uma mensagem; a capacidade para eleger estímulos apresentados a uma orelha, ignorando informações apresentadas à orelha oposta; discriminar e reconhecer estímulos auditivos1,2,3,4.

Nas crianças que apresentam distúrbios de aprendizagem, é importante que se investigue o processamento auditivo para se ter diagnóstico definitivo e não perder tempo com tratamentos inadequados1,2.

Os otorrinolaringologistas possuem um arsenal de exames que investigam as vias auditivas periféricas até o tronco encefálico e cerebro1. São os seguintes exames: potencial evocado auditivo de tronco encefálico (PEATE), o P300, Missmatch negativity (MMN) e as avaliações comportamentais do processamento auditivo1. Oferecendo inúmeras informações que auxiliam no diagnóstico e na elaboração de proposta terapêutica em pacientes com distúrbio de linguagem oral ou escrita associado a limites auditivos normais1.

Sempre quando um paciente apresentar queixas auditivas incompatíveis com limiares auditivos deve-se pensar em ampliar investigação utilizando os métodos diagnósticos disponíveis1,2,4. Ter limiares auditivos normais não é suficiente, é necessário processar e reconhecer as informações auditivas de forma rápida e correta1,2. Já existem evidências demonstrando que é possível estimular as funções cognitivas através das vias auditivas1,2.

O treinamento auditivo (TA) é baseado na plasticidade auditiva e já se sabe que algumas funções auditivas podem ser melhoradas através do treinamento específico1,4. O TA aplicado durante oito semanas em crianças apresenta melhora a memória de trabalho, a percepção da fala em ambientes ruidosos e da fala rápida1.

OBJETIVO

Realizar uma revisão bibliográfica a respeito do processamento auditivo em crianças, como são avaliadas e investigadas e quais foram as respostas após o tratamento proposto.

METODOLOGIA

Realizamos uma revisão sistemática e análise crítica de trabalhos pesquisados no PUBMED, LILACS, revista digital da revista Brasileira de Otorrinolaringologia, CEFAC, revendo as referências dos trabalhos selecionados e livros texto.

Critérios de inclusão: estudos referidos a avaliação do processamento auditivo central e respostas da terapia realizada em crianças.

Critérios de exclusão: estudos sobre o PAC em idosos.

DISCUSSÃO

Nos estudos encontrados sobre o processamento auditivo em crianças, não foi possível realizar análise estatística devido à grande diversidade de delineamentos e critérios usados na elaboração dos resultados. Entretanto, podemos adquirir reflexões válidas sobre o assunto.

Encontramos estudo que afirma que todos os alunos com distúrbio de aprendizagem, exibiram algum grau de alteração no processamento auditivo5. Eles avaliaram a capacidade dos alunos em manter atenção na aula mesmo com a apresentação de ruído competitivo6. Após realizarem o treinamento auditivo, houve melhora significativa para a percepção acústica dos estímulos verbais e não verbais no desempenho escolar6,7. Reforçando essa hipótese vimos relatos de casos que afirmam que o trabalho fonoaudiológico trouxe benefícios aos pacientes, principalmente nas áreas: de atenção, concentração e aprendizagem, mostrando necessidade de um processo terapêutico prolongado4,5,6.

Obtivemos pesquisas que avaliaram a aplicabilidade do software Fast ForWord e outro software infantil em treinamentos auditivos para crianças brasileiras8,9. Esses métodos propõem o desenvolvimento de linguagem, leitura e escrita8,9. Quando são aplicados em crianças brasileiras, mostrou-se ser benéfico em sua atuação, porem necessita de estimulação numa frequência alta por semana (cerca de cinco vezes)8.

Houve estudo que comparou crianças com síndrome de apneia/hipopneia obstrutiva do sono com crianças respiradoras nasais e constatou alterações no processamento auditivo nas respiradoras orais, decorrentes de alterações cognitivas10. Assim é necessário investigação de PAC em crianças com síndrome de apneia/hipopneia10. Outro estudo correlacionou as crianças com distúrbio de linguagem apresentando alterações tanto em testes do processamento auditivo quanto alteração no teste do reflexo acústico3.

Teve estudo que encontrou evidências de alterações de PAC em indivíduos portadores de transtorno do déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), principalmente nos indivíduos com comprometimento de aprendizagem e comunicação11. E ao investigarem o tratamento medicamentoso com metilfenidato para crianças e adolescentes com TDAH obtiveram um bom desempenho nas respostas do PAC11.

CONCLUSÃO

O prejuízo causado pelo comprometimento no processamento auditivo central afeta tanto a aquisição quanto o desenvolvimento educacional, social, psicológico e vocacional da pessoa envolvida.

Cada paciente apresenta um tempo de terapia auditiva que será definido no decorrer das seções e das evoluções obtidas. Tudo depende do planejamento terapêutico e envolvimento tanto do paciente como do terapeuta no tratamento do processamento auditivo.

REFERÊNCIAS

  1. Neto SC, Junior JFM, Martins RHG, Costa SS. Foniatria e neurociência. In: Tratado de otorrinolaringologia e cirurgia cervicofacial; 3 ed. Rio de janeiro: Elsevier, 6510-6520. 2018.
  2. Pereira KH. Manual de orientação. Transtorno do processamento auditivo – TPA. DIOESC. 2014.
  3. Attoni TM, Quintas VG, Mota HB. Processamento auditivo, reflexo acústico e expressão fonológica. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology. V.76, n.6, 753-761, nov/dez. 2010.
  4. Matins NFC, Magalhães HV. Terapia de processamento auditivo no distúrbio de aprendizagem. Revista Brasileira em Promoção da Saúde. V.19, n.3, 188-193. 2006.
  5. Kozlowski L, Wiemes GMR, Magni C, Silva ALGA. Efetividade do treinamento auditivo na desordem do processamento auditivo central: estudo de caso. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia. V.70, n.3, 427-32. 2004.
  6. Pinheiro FH, Capellini SA. Desenvolvimento das habilidades auditivas de escolares com distúrbio de aprendizagem, antes e após treinamento auditivo e suas implicações educacionais. Revista Psicopedagogia. V.26, n.80, 231-41. 2009.
  7. Costa-Ferreira MID. A influência da terapia do processamento auditivo na compreensão em leitura: uma abordagem conexionista. Tese de doutorado em letras para Faculdade de Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. 2007.
  8. Balen SA, Massignani R, Schillo R. Aplicabilidade do software fast forword na reabilitação dos distúrbios do processamento auditivo: resultados iniciais. Revista CEFAC. V.10, n.4, 572-587. 2008.
  9. Martins JS, Pinheiro MMC, Blasi HF. A utilização de um software infantil na terapia fonoaudiológica de distúrbio do processamento auditivo central. Revista da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia. V.13, n.4, 398-404. 2008.
  10. Ziliotto KN, Santos MFC, Monteiro VG, Pradella- Hallinan M, Moreira GA, et al. Avaliação do processamento auditivo em crianças com síndrome da apnéia/hipopnéia obstrutiva do sono. Rev Bras Otorrinolaringologia. V.72, n.3, 321-7. 2006.
  11. Cavadas M, Pereira LD, Mattos P. Efeito do metilfenidato no processamento auditivo em crianças e adolescentes com transtorno do déficit de atenção/hiperatividade. Arq Neuropsiquiatria. V.65, n.1, 138-143. 2007.

[1] Médica pela Universidade José do Rosário Vellano – Belo Horizonte e R3 em Otorrinolaringologia no Hospital Otorrino de Cuiabá.

[2] Coordenador da Residência Médica em Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico – Facial do Hospital Otorrino de Cuiabá/MT.

[3] Preceptor da Residência Médica em Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico – Facial do Hospital Otorrino de Cuiabá/MT.

[4] Médico pela Universidade Federal de Grande Dourados e R3 em Otorrinolaringologia no Hospital Otorrino de Cuiabá.

[5] Médico pela Faculdade Presidente Antonio Carlos e R3 em Otorrinolaringologia no Hospital Otorrino de Cuiabá.

Enviado: Janeiro, 2019.

Aprovado: Julho, 2019.

 

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