Implantação do procedimento operacional padrão na assistência em parada Cardiorrespiratória em uma unidade de Pronto Atendimento

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ARTIGO ORIGINAL

OLIVEIRA, Ana Cristina [1], NOGUEIRA, lsabela Ferreira [2], PEREIRA, Aline Lacerda [3], REMPEL, Carla Ferreira [4], BRASILEIRO, Marislei de Sousa Espíndula [5]

OLIVEIRA, Ana Cristina. Et al. Implantação do procedimento operacional padrão na assistência em parada Cardiorrespiratória em uma unidade de Pronto Atendimento. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 07, Vol. 09, pp. 108-115. Julho de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

A PCR é responsável por altos índices de morbimortalidade, trata-se de uma ocorrência de vital importância o atendimento rápido, efetivo e eficiente, infraestrutura adequada, conhecimento técnico científico, trabalho harmônico e sincronizado por parte da equipe multidisciplinar que realiza o atendimento. Sendo assim este estudo tem como relatar a vivência de uma enfermeira no atendimento em vítima de PCR antes e após treinamento prático com simulação realística. A metodologia utilizada foi um olhar qualitativo que abordou a problemática desenhada a partir de métodos descritivos e observacionais, que apresenta uma reflexão sobre um conjunto de ações que abordam uma situação vivenciada no âmbito profissional de interesse da comunidade científica, dividida em 3 períodos: levantamento das problemáticas, implantação possível solução e avaliação. Chegando à conclusão que o preparo da equipe através de um processo contínuo de capacitação, provoca uma melhoria na qualidade de atendimento ao paciente PCR.

Descritores: Parada Cardiorrespiratória, Ressuscitação Cardiopulmonar, Profissionais da Saúde.

INTRODUÇÃO

A parada cardiorrespiratória (PCR) é um evento que ocorre com frequência nas unidades de pronto atendimento, uma vez que se trata de uma instituição de saúde porta aberta para pacientes críticos e não críticos, que tem como objetivo prestar o primeiro atendimento nas urgências, visando estabilização do caso clínico e posterior avaliação para a necessidade do encaminhamento para hospitalização, utiliza-se o critério de classificação de risco atendendo com prioridade os pacientes mais graves de acordo com protocolo de Mancheester, sendo parte da rede de atenção as urgências (NUNES, et al. 2015). A PCR é uma ocorrência que constitui grave ameaça a vida, de vital importância o atendimento rápido, efetivo e eficiente, infraestrutura adequada, conhecimento técnico científico, trabalho harmônico e sincronizado por parte da equipe multidisciplinar que realiza o atendimento (GUILHERME, et al. 2016).

O procedimento padrão para atendimento do paciente vítima de PCR, conhecido como reanimação cardiopulmonar (RCP), abrange medidas que objetiva promover a circulação do sangue para órgãos vitais, cada minuto de atraso na assistência adequada pode além de diminuir tempo de sobrevida, aumentar as probabilidades de desenvolvimento de sequelas irreversíveis para a saúde do paciente (RIBEIRO, et al. 2018). Sendo assim o profissional de saúde deve estar apto para reconhecer quando um paciente está em franca PCR ou prestes a desenvolver uma, pois este ocorrência representa a mais grave emergência clínica que se pode deparar no exercício profissional, sabe se que compete ao enfermeiro e a sua equipe assistir o paciente, proporcionando ventilação e circulação artificial até a chegada do médico, sendo assim os mesmos devem ter habilidades que os capacitem a prestar adequada assistência necessária no momento (RIBEIRO, et al. 2018).

A capacitação profissional pode ser avaliada como um processo organizado de educação, ao qual as pessoas enriquecem seus conhecimentos, amplia suas capacidades e melhoram suas aptidões no desenvolvimento profissional. Recomenda-se que a equipe seja capacitada na execução das manobras do suporte básico de vida e domínio do conteúdo existente no carro de emergência e manuseio dos equipamentos para melhor assistência a saúde de pacientes vítima de parada cardiorrespiratória (OLIVEIRA, 2018).

O objetivo deste estudo é relatar a vivência de uma enfermeira especializanda em Urgência e Emergência no atendimento em vítima de PCR antes e após treinamento prático com simulação realística com manequim e validação do POP com membros da equipe de saúde.

DESENVOLVIMENTO

O estudo constitui em um relato de experiência que descreve aspectos vivenciados pela autora, na prática do exercício profissional em uma Unidade de Pronto Atendimento no interior de Mato Grosso no período de janeiro a dezembro do ano de 2018. Trata-se de um olhar qualitativo que abordou a problemática desenhada a partir de métodos descritivos e observacionais. Relato de experiência esse, que apresenta uma reflexão sobre um conjunto de ações que abordam uma situação vivenciada no âmbito profissional de interesse da comunidade científica.

Durante o período de janeiro a dezembro de 2018 houve oportunidade de presenciar e vivenciar alguns atendimentos diante a PCR em uma Unidade de Pronto Atendimento no interior de Mato Grosso, o que possibilitou identificar que a equipe de saúde por vezes tem sua prática assistencial durante assistência de RCP fragilizada, onde podemos destacar como fatores condicionantes: falta de suporte referente ao conhecimento científico frente à gravidade do quadro clínico e protocolo de RCP; desorganização dos profissionais no momento da realização do protocolo de RC, falta de profissional com característica de líder para coordenar o assistência e realização de tarefas, desconhecimento sobre drogas utilizadas e suas diluições, materiais do carrinho de emergência, maleta de transporte do paciente, sendo assim enfatizado o desconhecimento sobre o uso das novas diretrizes da Ressuscitação Cardiopulmonar. Motivo pelo qual despertou o interesse em elaborar, implantar uma capacitação e validação do Protocolo Operacional Padrão (POP) de atendimento ao paciente em PCR.

No segundo momento após observância das principais problemática enfrentadas, foi realizado um curso de capacitação com 4 enfermeiros e 3 médicos atuantes na unidade, em uma instituição de ensino na cidade de são Paulo, denominado simulação realística de urgência e emergência no adulto. Posteriormente foi realizado repasse do conhecimento adquirido para todos os profissionais atuantes na unidade de saúde, através de simulação de situação clínica em manequim e atividade prática sobre atendimento em paciente em PCR e suas possíveis causas. Foram realizado divisão de grupos, grupos estes compostos por: médico, enfermeiro e técnico de enfermagem, tendo a presença de um facilitador que necessariamente participou do treinamento prévio fornecido pelo município, esse profissional teve como objetivo durante a capacitação direcionar as atividades a serem realizadas e proporcionar um feedback embasado em conhecimento científico atualizado sobre a temática. Durante a capacitação foi realizado apresentação e orientações referentes ao POP focado no reconhecimento e atendimento de paciente em PCR, com duração de aproximadamente 2 horas cada grupo. Posteriormente foi observado em uma prazo de 30 dias após atividade desenvolvida uma melhora significativa no atendimento, com identificação eficaz de sinais e sintomas apresentados durante a PCR, realização de atendimento de uma PCR com segurança, destreza e rapidez, minimizando o índice de óbitos e sequelas devido a falha/demora na identificação ou na intervenção da PCR e proporcionando para os pacientes, um atendimento de qualidade.

Assim como observamos durante o estudo, existem esboços na literatura científica que indicam que é grande a deficiência de conhecimentos da equipe no atendimento a parada cardiorrespiratória, sendo diversos os fatores que podem estar interferindo no atendimento apropriado ao paciente, porém destaca-se um ponto primordial que é a necessidade de qualificação profissional para que haja um atendimento de qualidade, coerente e eficaz (ARRUDA, et al. 2018). A execução das manobras e sucesso da RCP está ligada a ambiência adequada com disponibilidade de tecnologias, medicamentos, relações interpessoais e essencialmente o conhecimento científico dos profissionais, sendo de grande valor a identificação dos fatores que dificultam a ação da equipe durante uma parada cardiorrespiratória (DE OLIVEIRA, et al. 2018). Pode se destacar também que o apoio da instituição ao qual desenvolve exercício profissional no incentivo a capacitação e treinamento da equipe para atuar em condições de emergência, e dos profissionais no interesse e dedicação para a busca de conhecimento e atualização são essenciais, pois contribui para melhorias na assistência prestada ao paciente (NASSAU, et al. 2018).

Além da educação permanente e capacitações, os Procedimentos Operacionais Padrão institucionais também representam uma adequada iniciativa que tem em vista uma assistência segura, fundada e padronizada, contribuindo para melhoria a assistência de saúde, favorecendo o treinamento continuado aos profissionais, a fim de capacitá-los para estarem aptos a desenvolverem procedimentos técnicos em situações de emergência (ARRUDA, et al. 2018).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A PCR é uma das principais e mais grave condição clínica de saúde vivenciada dentro de uma Unidade de Pronto Atendimento, sendo a assistência de qualidade, tendo em vista um atendimento coerente a situação clínica, evitando possíveis danos e riscos inerentes ás condições de saúde do paciente, fortemente relacionada ao conhecimento científico e habilidades técnicas por parte dos profissionais que prestam o atendimento à saúde. Porém para o sucesso do atendimento ao paciente vítima de parada cardiorrespiratória seja obtido é indispensável o trabalho harmônico e sincronizado de todos os profissionais envolvidos, infraestrutura hospitalar adequada e capacitação da equipe para atuar nessas situações clínicas.

É dever do profissional da saúde manter-se atualizado sobre temas relacionados às atividades desempenhadas no exercício da profissão, incumbindo a ele juntamente com apoio da instituição ao qual presta serviço, estar treinado e capacitado para efetivação de procedimentos técnicos em situações de emergência.

A definição de Procedimentos Operacionais Padrão de atendimento, especificamente desenvolvidos para cada situação de emergência, é importante para otimização dos procedimentos tendo em vista uma assistência segura e padronizada, contribuindo para melhoria a assistência de saúde, a fim de capacitá-los para estarem aptos a desenvolverem procedimentos técnicos em situações de emergência.

Desta forma os dados observados durante a produção deste relato de experiência, contribui com a área da saúde, pois permitiram assinalar a necessidade da autonomia e preparo da equipe através de um processo contínuo de capacitação para agir de maneira eficaz durante uma PCR, tendo como resultado a melhoria na qualidade de atendimento ao paciente em agravo de PCR, assim qualificando a assistência de saúde e proporcionando melhor prognóstico aos pacientes atendidos.

REFERÊNCIAS

Arruda, S; Sheuermann, M. M., Oliveira, W. X. Elaboração Do Protocolo Institucional De Atendimento Na Parada Cardiorrespiratória Em Um Hospital De Grande Porte Da Serra Catarinense. Revista UNIPLAC, V. 6, N. 1, 2018.

De Oliveira, S. F. G., Moreira, S. M. B. P., VIeira, L. L., & Gardenghi G .Conhecimento De Parada Cardiorrespiratória Dos Profissionais De Saúde em um Hospital Público: Estudo Transversal. Revista Pesquisa Em Fisioterapia, 101-109. 2018.

Guilherme, M. I. S., Oliveira, C. E. F. V., Silva, A. R. M., Costa, M. F. R. C., & Vasconcelos, R. B. O atendimento de enfermagem em casos de parada cardiorrespiratória (PCR).  v. 17, 2016.

Nassau, R. M., Fonseca, A. L. E. A., Ramos, D. C. L., Gonçalves, R. P. F. Atuação da equipe de enfermagem no atendimento à vítima de parada cardiorrespiratória no ambiente intra-hospitalar. Revista De Atenção À Saúde (Antiga Rev. Bras. Ciên. Saúde), 16(56), 101-107. 2018.

Nunes de Oliveira, S., Ramos, B. J., Piazza, M., Lenise do Prado, M., Schmidt Reibnitz, K., & Cilonei Souza, A. Unidade de pronto atendimento–UPA 24h: percepção da enfermagem. Texto & Contexto Enfermagem, v.24. 2015.

Oliveira, Isabela Cristina de. “Avaliação da simulação realística como intervenção educativa para capacitação de enfermeiros em ressuscitação cardiopulmonar.” Revista contexto de enfermagem. 2018.

Ribeiro, D. R., Silva, C. A., de Souza, E. C., dos Santos, M. P., & de Araújo, W. A. Ressuscitação Cardiopulmonar: Abordagem inicial do paciente. In: II Jornada de Integração entre Ensino e Serviço HU-UNIVASF ISBN: 978-85-92656-06-5. 2018.

Ribeiro, E. E. S., de Oliveira, L. S., dos Santos, R. R., Fortes, T. M. L., Silva, L. R., & da Silveira, F. D. R. RESSUSCITAÇÃO CARDIOPULMONAR: simulação clínica e paciente real. In Anais do I Congresso Norte Nordeste de Tecnologias em Saúde. Vol. 1. 2018.

[1] Pós graduanda em urgência e emergência no CEEN.

[2] Graduação em enfermagem.

[3] Graduação em enfermagem.

[4] Graduação em enfermagem.

[4] Graduada em Enfermagem pela UFG, Mestre em Enfermagem pela UFMG, Doutora em Ciências da Saúde pela UFG, Doutora em Ciências da Religião pela PUC-Go

Enviado: Junho, 2019.

Aprovado: Julho, 2019.

 

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