Realização do exame papanicolau na adolescência: o entendimento das adolescentes

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CONTEÚDO

ARTIGO ORIGINAL

SILVA, Valéria Bílio da [1], QUEIROZ, Patrícia Santos Silva [2], BARBOSA, Marluce Sampaio Nobre [3], OLIVEIRA, Iraciane Rodrigues Nascimento [4], DUTRA, Maksandra Silva [5], LEITE, Cristina Limeira [6], SOUSA, Haigle Reckziegel de [7]

SILVA, Valéria Bílio da. Realização do exame papanicolau na adolescência: o entendimento das adolescentes. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 06, Ed. 12, Vol. 08, pp. 05-18. Dezembro de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/papanicolau-na-adolescencia

RESUMO

O câncer cervical é uma doença com alterações intraepiteliais progressivas que podem evoluir para um processo agressivo no período de 10 a 20 anos. Além de fatores genéticos e imunológicos, os principais fatores de risco associados ao câncer do colo do útero, incluem início precoce da atividade sexual, relações sexuais desprotegidas com múltiplos parceiros, tabagismo e infecção pelo papilomavírus humano (HPV). O HPV é considerado a infecção sexualmente transmissível com maior impacto no mundo, com proliferação rápida e silenciosa. Neste contexto, o presente artigo, tem como pergunta norteadora: As adolescentes realizam o exame de Papanicolau e têm conhecimento acerca do assunto? O presente estudo teve como objetivo geral, identificar o conhecimento das adolescentes cadastradas em uma equipe da ESF no município de Imperatriz acerca do exame Papanicolau, bem como a importância de sua realização. A metodologia utilizada foi descritiva, exploratória, com uma abordagem quantitativa, coletando dados através de questionários. Como resultado, constatou-se que o conhecimento das adolescentes a respeito do exame de Papanicolau é insuficiente e que a maioria tem uma ideia equivocada em relação a realização do exame, somando-se o fato de que a realização deste é mínima se comparado a quantidades de adolescentes que já iniciaram a atividade sexual. Concluímos que é necessário aproximar-se da realidade das jovens, formulando ações educativas com participação ativa, principalmente no ambiente escolar para vislumbrar o sexo seguro, a gravidez indesejada e as infecções sexualmente transmissíveis. Deve-se incentivar a adesão ao exame, visto que o HPV tem alto potencial oncogênico do câncer de colo do útero, mas se detectado precocemente tem alta chances de cura.

Palavras-chaves: Papilomavírus, Adolescência, Enfermagem, Conhecimento.

1. INTRODUÇÃO

A Estratégia Saúde da Família foi instituída no Brasil com objetivo de reorganizar a atenção básica no país de acordo com as normas estabelecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério de Saúde (MS) define a Estratégia Saúde da Família (ESF) como referência assistencial, encarregadas de assistir determinada área definida pelo número de pessoas ali localizadas com o auxílio das equipes multiprofissionais tituladas (BRASIL, 2021).

Na Atenção Primária de Saúde, várias estratégias são fornecidas para estar atento aos cuidados corporais da mulher, por exemplo o planejamento familiar, que inclui a realização do exame de Papanicolau, desempenhando a função de detecção precoce da multiplicação desordenada de células anormais no colo uterino, que em grande parte dos casos são curáveis. Por essa razão é necessário que o exame seja realizado regularmente, mas, está havendo uma evasão de mulheres para a realização do exame. Isso explica a alta incidência com estimativa de 16.590 novos casos de câncer do colo do útero para o ano de 2020, classificando-o como o terceiro tipo de câncer que mais acomete a população feminina brasileira (BRASIL, 2019).

O câncer cervical, tem como características alterações intraepiteliais progressivas que podem evoluir para um processo agressivo em 10 a 20 anos. Além de fatores genéticos e imunológicos, os principais fatores de risco associados ao câncer do colo do útero, incluem início precoce da atividade sexual, relações sexuais desprotegidas com múltiplos parceiros, tabagismo e infecção pelo papilomavírus humano (HPV) (BRASIL, 2021).

O método aplicado para o rastreamento do câncer do colo do útero no Brasil é o exame de Papanicolau, ofertado às mulheres que tenham iniciado a atividade sexual. Apesar do método ter sido introduzido no Brasil na década de 1950, estimativas revelam que 40% das mulheres brasileira nunca foram submetidas ao exame (CERQUEIRA et al., 2017).

O exame de Papanicolau é o principal método de prevenção do câncer de colo do útero. É realizado por médicos e enfermeiros, que coletam amostras celulares do colo do útero e do orifício uterino por meio de uma espátula de madeira (espátula de Ayre) e uma escova de plástico (escova cervical), com método de raspagem. Essas células são colocadas em uma lâmina de vidro e fixadas e, em laboratório, coradas e examinadas ao microscópio. Permitido a detecção precoce de lesões em estágio de malignidade e o tratamento adequado, frente à lenta evolução da doença. O objetivo principal é tratar a infecção por HPV, remover o condiloma acuminado e curar o paciente na maioria dos casos (ROSA et al., 2009).

Apesar de ser uma técnica simples, eficiente e de baixo custo, estudos mostram que a alta incidência do câncer de colo do útero está vinculada a não adesão do público-alvo, resultando da falta de conhecimento de como é realizado o exame (LIMA et al., 2021).

Segundo Brasil (2010), a Organização Mundial de Saúde (OMS) define adolescência como o período entre 10 e 19 anos. É durante essa fase que ocorre as primeiras experiências sexuais e com elas as modificações na estrutura física e psíquica, associadas aos aspectos sociais e culturais afetando os sentimentos e autopercepção das adolescentes, onde se pode criar uma visão positiva ou negativa desse período. A maneira como a adolescente se vê está intimamente ligada ao desenvolvimento da sua sexualidade (MAIA et al., 2016).

No entanto, com as mudanças biopsicossociais, surge a vulnerabilidade dessa fase, na qual é repleta de descobertas trazendo consigo malefícios físicos, emocionais e sociais um exemplo é a prática insegura da relação sexual, o qual o adolescente está exposto às infeções sexualmente transmissíveis IST/AIDS,  gravidez precoce, entre outros. Por essa razão, o início precoce da atividade sexual tem causado grande repercussão na vida dos adolescentes (SILVA et al., 2016)

Por ser um tema ainda muito polêmico, as adolescentes costumam esclarecer suas dúvidas sobre sexo com amigos e outras pessoas que se sentem mais seguros. No entanto, esse papel deve ser realizado pelos pais, uma vez que são responsáveis pela educação de seus filhos. Mas, como se sentem despreparados atribuem a responsabilidade da educação sexual para o âmbito escolar, que, muitas vezes não atinge a expectativa, pois o assunto ainda é cheio de tabus exigidos pela sociedade. Dessa maneira, acaba recaindo sobre o serviço de saúde, que veem a necessidade da realização da educação sexual desses adolescentes (MAIA et al., 2016).

O grande problema do Brasil atualmente, consiste na busca por amplificar e qualificar os programas voltados a prevenção e detecção do câncer cervical. Devido ao alto índice de mortalidade mesmo com a implantação de campanhas de prevenção o câncer cervical continua sendo um problema de saúde pública. Contudo, a prevenção quando incentivada de modo apropriado tem capacidade de proporcionar um alto potencial terapêutico (LIMA et al., 2021).

A pergunta norteadora para o estudo em questão é: As adolescentes realizam o exame de Papanicolau e têm conhecimento acerca do assunto? Diante disso, o estudo tem como objetivo geral, identificar o conhecimento das adolescentes cadastradas em uma equipe da ESF no município de Imperatriz acerca do exame Papanicolau e a importância de sua realização.

2. MATERIAL E MÉTODOS

O presente estudo é descritivo, exploratório, com uma abordagem quantitativa, com instrumento de coleta de dados através de questionário. O campo escolhido, foi  a Estratégia de Saúde da Família da Unidade Básica de Saúde Santa Rita, localizada na cidade de Imperatriz, estado do Maranhão. Essa unidade conta com 3 equipes da Estratégia de Saúde da Família, cada uma composta por um(a) médico(a), um(a) enfermeiro(a), um(a) técnico(a) e agentes comunitários de saúde, abrangendo consultas, imunização, procedimentos, regulação de exames e ações educativas para todos os públicos assistidos.

Como critérios de inclusão, adolescentes entre 10 e 19 anos de idade, ter cadastro e ser acompanhada pela equipe da Unidade Básica Santa Rita, sendo os critérios de exclusão ter menos de 10 anos e acima dos 19 anos, não ser da área da UBS pesquisada.

A presente pesquisa iniciou-se após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Ceuma pelo parecer n° 4.945.135, recebeu a anuência da instituição de ensino. Respeitando todos os preceitos éticos e legais de acordo com a Resolução nº 466/12, que regulamenta a pesquisa com seres humanos.

A pesquisa ocorreu no período de agosto a setembro do ano de 2021, com o foco em adolescentes na faixa etária de 10 a 19 anos usuárias do serviço de saúde com a aplicação de um questionário semiestruturado contendo perguntas objetivas sobre dados pessoais, nível de escolaridade, socioeconômico e afetivo.

O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) foi disponibilizado aos responsáveis antes de qualquer contato com as adolescentes, após isso sucedeu ao Termo de Assentimento Livre e Esclarecido (TALE) as adolescentes, sendo explicado os passos da pesquisa e apresentação posterior dos resultados.

Com isso, obteve-se uma amostra não intencional de 50 participantes para a pesquisa, com os dados sendo quantificados por meio Estatística Simples e simplificado em tabelas para a discussão (LAKATOS; MARCONI, 2010). Utilizou-se de pesquisa bibliográfica para complemento do estudo, com autores que correspondesse ao objetivo e tópicos centrais.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados da pesquisa revelaram, em se tratando das características do perfil sociodemográfico que a idade média das adolescentes entrevistadas é de 16,48 anos, concentrando-se em sua maioria na faixa etária entre 18 e 19 anos N=26 (52%). Atualmente, N=37 (74%) estudam e N=13 (26%) não. Em se tratando da ocupação das adolescentes, N=10 (20%) trabalham e N=40 (80%) não trabalham. Referente ao estado civil observou-se que N=8 (16%) são casadas, N=26 (52%) são solteiras, N=11 (22%) encontram-se namorando e N=5 (10%) em união estável. Quanto a escolaridade das adolescentes entrevistadas, N=4 (8%) apresentam o Ensino Fundamental Completo, N=19 (38%) o Ensino Fundamental Incompleto, N=16 (32%) têm o Ensino Médio Incompleto, N=9 (18%) têm o Ensino Médio Completo e N=2 (4%) têm o Ensino Superior Incompleto. A renda mensal evidenciou-se da seguinte forma: N=24 (48%) recebem até 1 salário-mínimo, N=22 (44%) mais de 2 salários-mínimos e somente N=4 (8%) mais de 3 salários-mínimos. A seguir, o perfil sociodemográfico das adolescentes cadastradas na ESF (Tabela 1).

Tabela 1. Perfil Sociodemográfico de adolescentes de uma unidade básica de saúde na Cidade de Imperatriz – MA.

VARIÁVEIS %
Idade

11 a 12 anos

 

4

 

4%

13 a 14 anos 11 22%
15 a 17 anos 11 22%
18 a 19 anos 26 52%
Situação Conjugal

Casada

 

8

 

16%

Solteira 26 52%
Namorando 11 22%
União Estável 5 10%
Escolaridade
Ensino fundamental incompleto 19 38%
Ensino fundamental completo 4 8%
Ensino médio incompleto 16 32%
Ensino médio completo 9 18%
Ensino superior incompleto 2 4%
Trabalha
Sim 10 20%
Não 40 80%
Estuda
Sim 37 74%
Não 13 26%
Renda Familiar
< 1 salário-mínimo 24 28%
1 – 2 salários-mínimos 22 44%
> 3 salários-mínimos 4 8%
TOTAL 50        100%

Fonte: Próprios autores, 2021.

A adolescência é a fase da vida identificada por grandes transformações, tanto emocional, cultural, cognitivo e socia. Conforme a Organização Mundial de Saúde, vem acontecendo de forma mais rápida, acompanhada de mudanças biopsicossociais, entretanto, na atualidade, muitas famílias continuam trazendo consigo, preceitos antigos (BIFFI; MELLO; RIBEIRO, 2018). Isto está atrelado também a uma questão socioeconômica, observa-se na (tabela 2) que, adolescentes que vivem em condições socioeconômicas desfavoráveis buscavam a união estável entre os 14 e 16 anos, por diversos motivos, para ter estabilidade financeira, sair de um ambiente familiar violento, ter mais oportunidades de educação, entre outros (TAQUETTE, 2010).

Tabela 2. A idade da primeira relação sexual de adolescentes de uma unidade básica de saúde na Cidade de Imperatriz – MA.

VARIÁVEL %
Idade de início da vida sexual
Entre 10 e 13 anos
11 22%
Entre 14 e 16 anos 18 36%
Entre 17 e 18 anos 8 16%
Ainda não teve relação 13 26%
TOTAL 50              100%

Fonte: Próprios autores, 2021.

A vida sexual ativa precoce é um fator de risco para o câncer cervical, sendo demostrado pelos estudos de Danno et al. (2016) visto que o colo do útero tem ectopia cervical normal, entretanto, frágil, pois ainda está em maturação, assim por uma série de fatores, como a junção escamo-colunar (JEC), expondo as células basais, onde há favorecimento das replicações, ocasionado as lesões cervicais neoplásicas.

Relacionado a vacinação contra HPV, os resultados encontrados foram positivos onde, N=36 (72%) para sim e N=14 (28%) para não. Quando perguntado se já realizou o exame de Papanicolau, obteve-se uma diminuição nas respostas, sendo N=7 (14%) sim, N=30 (60%) não e que ainda não tiveram relação sexual em N=13 (26%), somando-se o fato de que somente N=21 (42%) sabe o que é o exame e N=29 (58%) não tem nenhum conhecimento acerca do exame Papanicolau. Assim, caracteriza-se que existe uma ambivalência no perfil dessas adolescentes.

A vacinação contra HPV tornou-se uma das campanhas públicas mais divulgadas, após vários estudos de 2016 mostrando uma resistência das mães, caindo os dados da imunização em 73% por várias informações falsas divulgadas, demostrando falta de instrução. Ainda é observável que isto está intrínseco ao medo e vergonha, visto que esse público e os pais sentem receio a ter uma conversa aberta sobre sexualidade, atrelado ao fator de ainda se viver em uma sociedade cheia de preconceitos, com isso, cita-se que ainda essas adolescentes não usam de métodos de prevenção, visando que estão vulneráveis a gravidez indesejada e HPV, em ambos os sexos (SILVA et al., 2017).

Quanto ao uso de preservativo, os resultados são positivos com N=22 (44%) usam proteção durante o ato sexual, N=15 (30%) não usam e N=13 (26%) ainda não tiveram relações. Os adolescentes associam o uso do preservativo apenas como prevenção à gravidez, esquecendo das doenças sexualmente transmissíveis (SILVA et al., 2016).

É importante citar a importância do Programas de assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM), criado em 1984 e o Programa de Saúde do Adolescente (PROSAD) criado em 1996. Através do PAISM, é realizado ações educativas, voltada ao diagnostico, prevenção e tratamento a mulher nos diversos períodos de sua vida (pré-natal, puerpério, climatério, planejamento familiar e de prevenção as ISTs) além de atividade pontuais de acordo com a demanda do público. Já o PROSAD, tem ações voltada aos adolescentes, entre os 10 e os 19 anos, atentando para o crescimento e desenvolvimento, sexualidade, saúde bucal, saúde mental, saúde reprodutiva, saúde escolar do Adolescente e prevenção de acidentes, entendendo o adolescente como ser integral, atendendo às suas necessidades de saúde (BRASIL, 1998, 1996). Abaixo, na (tabela 3), apresenta a diversidade das respostas a respeito do exame Papanicolau.

Tabela 3. Informações a respeito do exame Papanicolau na perspectiva das adolescentes de uma unidade básica de saúde na Cidade de Imperatriz – MA. 

VARIÁVEIS %
Informações fornecidas
Através dele é possível evitar a gravidez precoce
11 22%
Possibilita a detecção de IST’s 24 48%
Identifica a presença de HPV. 25 50%
Só deve ser realizado em mulheres que já tiveram filhos. 2 4%
Mulheres casadas não precisam fazer 2 4%
Deve ser feito somente quando sentir alguma alteração no muco 2 4%

Fonte: Próprios autores, 2021.

Observa-se que esse dado corrobora com os estudos de Ferreira et al (2014), onde em uma pesquisa em Escola Pública demostrou que a falta de informação está aliada também ao perfil social dessas adolescentes, visto que a educação sexual desse público é associada a roda de amigos e rede sociais, encontrando informações inespecíficas. O adolescente corresponde a 1% das consultas em Unidades Básicas de Saúde, notando-se que os profissionais de saúde não se sentem qualificados em assistir esse público. Assim, a educação é chave para que coletivamente sejam preparadas a uma vida sexual ativa mais saudável, principalmente sobre importância dos exames preventivos e informações acerca de sexo seguro (FERREIRA et al., 2014).

A maioria das adolescentes demostrou que nunca fez exame por vergonha N=17 (34%), dificuldades da marcação N=7 (14%), medo N=5 (10%), sem queixa N=7 (14%), ainda não tiveram relação sexual N=13 (26%) e não quiseram responderam N=1 (2%).

Destaca-se alguns motivos levantados pelas adolescentes sobre a recusa da realização do exame do Papanicolau como observa-se na tabela 4:

Tabela 4. Motivos apresentados pelas adolescentes de uma unidade básica de saúde na Cidade de Imperatriz – MA.

VARIÁVEL %
Vergonha do profissional  33 66%
Seu marido não deixa 1 2%
Não sabe a importância do exame 20 40%
Medo dos pais saberem da sua atividade sexual 11 22%
Medo do resultado 9 18%
Desinteresse 1 2 %

Fonte: Próprios autores, 2021.

Analisando esses dados, denota-se o quanto as Unidades estão despreparadas e sem assistência, sendo uma necessidade, as referências devem ser claras e concisas, além de garantir a busca ativa desse público, principalmente envolvendo questões socioambientais e conjugais, demostrando importância do exame. O HPV é considerado a infecção sexualmente transmissível com mais impacto no mundo, com proliferação rápida e silenciosa (SILVA et al., 2019).

O PROSAD e PAISM vem com intuito de transmitir esse conhecimento, visto que internet se torna uma porta de entrada para “Fake News”, assim, sendo necessário que as escolas e Unidades de Saúde estejam preparadas para a divulgação de prevenção, a fim de uma abordagem construtiva para essa aprendizagem (SILVA et al., 2019).

Dentre as ações realizadas pela ESF nos programas citados, tem-se atividades voltadas a importância da alimentação saudável, a necessidade da prática de atividades físicas, informações sobre a sexualidade e reprodução, bem como sobre as infecções sexualmente transmissíveis, os malefícios do uso de álcool, tabaco e outras drogas. Essas atividades educativas também são abordadas no âmbito escolar através do Programa Saúde na Escola, no qual permite esse elo entre saúde e educação, como forma de educar, prevenir e promover saúde, conscientizando-os sobre hábitos saudáveis (BRIXNER et al., 2017).

O processo de promoção da saúde realizado pela ESF leva fortalecimento de um pensamento crítico e reflexivo aos adolescentes diante das orientações que resultam a ser o protagonista permitindo-os que adotem hábitos saudáveis, conheça métodos seguros e eficazes para práticas sexuais seguras (BRIXNER et al., 2017).

4. CONCLUSÃO

Através do presente estudo pode-se identificar que o conhecimento das adolescentes acerca do exame de Papanicolau é insuficiente, embora a quantidade de entrevista tenha sido positiva, no questionário aplicado, a grande maioria escolheram alternativas aleatórias sobre o exame e a maioria tem uma ideia errônea a respeito do assunto, somando-se ao fato de que a realização do exame é mínima se comparado a quantidades de adolescentes que já iniciaram a atividade sexual.

Deve-se incentivar a adesão ao exame, visto que o HPV tem alto potencial oncogênico do câncer de colo do útero, mas se detectado precocemente tem alta chances de cura. Nesse enfoque, retomando a pergunta norteadora: As adolescentes realizam o exame de Papanicolau e têm conhecimento acerca do assunto? Contatamos que as adolescentes de Imperatriz cadastradas na  ESF pesquisada não realizam o exame Papanicolau e nem tem noção da importância do exame para o bom andamento de sua saúde.

Uma vez que, com o início da atividade sexual precoce e a inexperiência, as adolescentes desconhecem e acabam não tendo consciência da importância do cuidado com a própria saúde. Inseguras e com medo dos pais, que em grande parte desconhece a vida sexual das filhas ou são indiferentes, acabam adiando a realização do exame, e somente ao atingir a maior idade, sentem-se mais à vontade para realizar o exame de Papanicolau. Contudo, em consequência da demora podem encontrar alterações significativas, que poderiam ser diagnosticadas precocemente.

Havendo a necessidade da integração dos profissionais da atenção primária as escolas, uma vez que se faz necessário aproximar-se da realidade das jovens, incluindo seus conhecimentos e formular ações educativas com sua participação ativa, principalmente no ambiente escolar para vislumbrar o sexo seguro, a gravidez indesejada e as infecções sexualmente transmissíveis. E assim, gerar novas reflexões e comportamentos em saúde sexual e reprodutiva, tal abordagem, ajudarão o público-alvo a reduzir riscos e promover saúde.

REFERÊNCIAS

BIFFI, Debora; DE MELLO, Marilei de Fatima; RIBEIRO, Vinicius Rodrigues. Acolhimento de enfermagem a saúde do adolescente em uma estratégia de saúde da família. R. Perspect. Ci. e Saúde. v.3, n. 1, p.83-97, 2018.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção em Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Diretrizes nacionais para a atenção integral à saúde de adolescentes e jovens na promoção, proteção e recuperação da saúde. / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção em Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas, Área Técnica de Saúde do Adolescente e do Jovem. – Brasília : Ministério da Saúde, 2010. 132 p. : il. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos)

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BRASIL. Ministério da Saúde (MS). Portal da Secretaria de Atenção Primária a Saúde. 2021.

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BRASIL, PAISM: um marco na abordagem da saúde reprodutiva no Brasil. Cad. Saúde Pública. Rio de Janeiro, v. 14, n.1, p. 25-32, 1998.

BRASIL, Ministério da Saúde. Programa Saúde do Adolescente. Bases Programáticas. 2ª ed. Secretaria Executiva. Coordenação da Saúde da Criança e do Adolescente. Brasília, DF, 1996.

BRIXNER, Betina; MUNIZ, Carine; RENNER, Jane Dagmar Pollo; POHL, Hildegard Hedwig; GARCIA, Edna Linhares; KRUG, Suzane Beatriz Frantz. Ações de promoção de saúde nas estratégias saúde da família. Cinergis. v. 18, n.1, p. 1-5.  2017.

CERQUEIRA, Juliana Calazans, MOREIRA, Jessica Pronestino de Lima, BRITO, AS, Luiz RR. Indicador preventivo de saúde da mulher: proposta combinada de mamografia e Papanicolau. Rev Panam Salud Publica. 2017, v.41, n.1, p. 1-5.

DANNO, Camila Hidemi; TAKEDA, Elisabete; MAZZETTO, Fernanda Moerbeck Cardoso; TONHOM, Sílvia Franco da Rocha. Adolescente: compreendendo sua susceptibilidade às lesões intraepiteliais cervicais. Adolesc. Saude. v. 13, n. 3, p. 60-68, 2016.

FERREIRA, Viviane Ferraz; ROCHA, Genylton Odilon Rêgo da; LOPES, Márcia Maria Bragança; SANTOS, Milena Silva dos; MIRANDA, Shirley Aviz de. Educação em saúde e cidadania: revisão integrativa. Trab. educ. saúde. v. 12, n. 2, p. 363-78, 2014.

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina Andrade. Fundamentos de Metodologia Científica. São Paulo: 7ª Edição. Atlas, 2010.

LIMA, Adeanio Almeida; BISCARDE, Genilberta Meireles. A percepção do empoderamento feminino em relação ao exame papanicolau uma nova abordagem para a prevenção do colo do útero. Caderno Espaço Feminino, v. 34, n. 1, p. 337-359, 2021.

MAIA, Tatiana Quaglioz; SOARES, Larissa Oliveira; VALLE, Patricia Alexandra do Santos Schettert do; MEDEIROS, Victoria Maria Garcia de. Educação para sexualidade de adolescentes: experiência de graduandas. Revista Nexus Revista de Extensão do IFAM. v. 2, n. 2, p. 71-78, 2016.

‌ROSA, Maria Inês da; MEDEIROS, Lídia Rosi; ROSA, Daniela Dornelles; BOZZETI, Mary Clarisse; SILVA, Fábio Rosa; SILVA, Bruno Rosa. Papilomavírus humano e neoplasia cervical. Cadernos de Saúde Pública. v. 25, n. 5, p. 953-964, 2009.

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[1] Graduanda em Enfermagem. ORCID: 0000-0003-3642-8685.

[2] Mestre em Ciências Ambientais, Doutoranda UNESP. ORCID: 0000-0002-9587-1786

[3] Graduada em Enfermagem e Obstetrícia e Habilitada em Enfermagem Médico-Cirúrgica pela UFPA. Especialização em Saúde da Família pela UEPA. Especialização em Educação Profissional na Área de Saúde: Enfermagem pela ENSP Sergio Arouca. Mestrado em Doenças Tropicais pela UFPA. Trabalha na Universidade CEUMA. ORCID: 0000-0001-7276-6521.

[4] Enfermagem e Obstetrícia pela Universidade Estadual do Maranhão. Mestre em Doenças Tropicais pela Universidade Federal do Pará. ORCID: 0000-0001-6535-5396.

[5] Especialista em Urgência e Emergência pela faculdade ITOP, especialista em Saúde da Família pela UnaSuS UFMA, Mestranda em Saúde da Família pela Renasf UFMA/ Fiocruz. ORCID: 0000-0003-0809-6097.

[6] Enfermeira, Docente Universidade Ceuma – Mestre em Ciências Ambientais e Saúde (PUC-GO) e Doutoranda em Ciências Ambientais e Saúde – UNIRIO/UFRJ. ORCID: 0000-0002-7321-1496.

[7] Orientadora. Graduada em Enfermagem pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC). Especialista em Saúde Pública: Saúde da Família pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e em Educação Profissional na Área de Saúde: Enfermagem pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP). Mestre em Doenças Tropicais pela Universidade Federal do Pará (UFPA). ORCID: 0000-0002-5803-2289.

Enviado: Outubro, 2021.

Aprovado: Dezembro, 2021.

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