As ações de enfermagem frente a mortalidade materna: uma revisão integrativa

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ESTADO DA ARTE

COSTA, Angela Maria Gomes [1], RIZZO, Andressa [2], SILVA, Robson Mariano Oliveira [3], BARBOSA, Marluce Sampaio [4], SOUSA, Haigle Reckziegel de [5], LEITE, Cristina Limeira [6]

COSTA, Angela Maria Gomes. Et al. As ações de enfermagem frente a mortalidade materna: uma revisão integrativa. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 06, Ed. 11, Vol. 01, pp. 137-149. Novembro 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/mortalidade-materna

RESUMO

Conhecer sobre a ocorrência dos óbitos maternos é de importância extrema para o desenvolvimento das medidas de interferências. Com essa perspectiva, a enfermagem dispõe de papel fundamental na assistência desde pré-natal ao puerpério. Assim, a pergunta norteadora do presente trabalho é: Quais as ações de enfermagem frente da mortalidade materna? Sendo o objetivo geral conhecer as ações da enfermagem a frente a mortalidade materna, bem como identificar as políticas públicas no Brasil para as mulheres e analisar o perfil da mortalidade materna no Brasil. Este estudo é descritivo e exploratório, de literatura integrativa, sendo uma revisão (RIL). A revisão integrativa da literatura tem como intuito fornecer conhecimentos novos de um problema estabelecido, buscando em estudos concretos. Os artigos foram buscados na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), na base de Base de Dados da Enfermagem (BDENF), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Biblioteca Científica Eletrônica Online (SCIELO). A busca dos estudos ocorreu no mês de agosto de 2021, com o descritor Mortalidade Materna (Maternal Mortality) e Cuidados de Enfermagem (Nursing Care) na Biblioteca Virtual da Saúde (BVS). Em 2011, a Rede Cegonha, foi marco para que na atenção humanizada para as mulheres fossem instituídos o preparo dos cuidados do parto ao puerpério, garantindo o desenvolvimento das crianças e ampliando ações no pré-natal, com foco em diagnosticar fatores de risco. A rede cegonha promove especializações na enfermagem e médicos para formação de núcleos de vigilância a óbito, materno, infantil e fetal. O enfermeiro tem como papel estimular ações desde as consultas, sendo o pré-natal o primeiro contato e o fundamental para promoção a saúde dessas mulheres, incentivando e buscando no mínimo 6 consultas, estabelecendo a triagem para fatores de risco, propiciando exames de diagnóstico, encaminhado a serviços necessários no prazo e seguindo o cuidado integral. Diante do que foi exposto, fica perceptível que a enfermagem exerce papel fundamental no combate à mortalidade materna, tendo em vista que o enfermeiro deve possuir capacidade para identificar os fatores de risco e acompanhar a evolução do prognóstico destas mulheres.

Palavras-chaves: Mortalidade Materna, Cuidados de Enfermagem, Políticas em Saúde.

1. INTRODUÇÃO

A mortalidade materna constitui-se em um grande agravante na saúde pública, apresentando indicadores elevados em diversos países, sendo um dos mais graves atentados aos direitos humanos das mulheres, por ser evitável em 92% dos casos, com grande ocorrência principalmente nos países em desenvolvimento (WANDERLEY; NETO; PINHEIRO, 2017).

É mensurada pela Razão de Mortalidade Materna (RMM) e relaciona a qualidade da assistência ofertada à vida reprodutiva das mulheres e, de forma indireta, o grau de desenvolvimento das regiões e países, além da visão de seus dirigentes, especialmente no que compete à assistência à saúde da mulher (GOMES et al., 2018).

O óbito materno é classificado como a morte de uma mulher no decorrer da gestação ou até 42 dias após o parto, independentemente da duração ou do local da gravidez, em decorrência de qualquer causa ligada ou agravada pela gestação ou por decisões tomadas que se relacionam a ela, entretanto, não devido a causas acidentais ou incidentais (MARTINS; SILVA, 2018).

Martins e Silva (2018) citam que 95% das mortes maternas no mundo poderiam ser evitados, se os serviços de saúde tanto público quanto privado alargassem os direitos sexuais e reprodutivos à mulher, além de afirmar uma atenção obstétrica segura e respeitosa.

A mortalidade entre mulheres em idade reprodutiva, provenientes de complicações da gravidez, parto ou puerpério, é inaceitável, por ser causal. Mesmo a redução da RMM sendo prioridade global e havendo uma propensão geral de queda, esses dados vêm se mantendo ainda em altos níveis no mundo, como o de 216 para 100.000 nascidos vivos (NV) em 2015 (GOMES et al., 2018).

Conhecer sobre a ocorrência dos óbitos maternos é de importância extrema para o desenvolvimento das medidas de interferências. Com essa perspectiva, a enfermagem dispõe de papel fundamental na assistência desde pré-natal ao puerpério. (WANDERLEY; NETO; PINHEIRO, 2017).

Assim, a pergunta norteadora do presente trabalho é: Quais as ações de enfermagem frente da mortalidade materna? Sendo o objetivo geral conhecer as ações da enfermagem a frente a mortalidade materna, bem como identificar as políticas públicas no Brasil para as mulheres e analisar o perfil da mortalidade materna no Brasil.

2. METODOLOGIA

Este estudo é descritivo e exploratório, sendo uma literatura integrativa, consistido em uma revisão (RIL). A revisão integrativa da literatura tem como intuito fornecer conhecimentos novos de um problema estabelecido, buscando em estudos concretos.

Utilizou-se das Bibliotecas Virtuais em Saúde, sendo a Biblioteca Científica Eletrônica Online (SCIELO) e Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) com os descritores português e inglês: Mortalidade Materna (Maternal Mortality) e Cuidados de Enfermagem (Nursing Care).

Para eleger os artigos para estudo, selecionou-se artigos originais, gratuitos, na língua portuguesa e inglesa, do período de 2015-2020, do tema central. Exclui-se artigos incompletos, resumos, monografias, dissertações e esses.

Os artigos foram lidos na íntegra, coletado na base os dados necessários, sendo o critério de desempate a análise dos resultados propostos.

3. RESULTADOS

Os artigos foram buscados na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) na base de Base de Dados da Enfermagem (BDENF), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Biblioteca Científica Eletrônica Online (SCIELO). A busca dos estudos ocorreu no mês de agosto de 2021, com os descritores em saúde (DECS) de Mortalidade Materna (Maternal Mortality) e Cuidados de Enfermagem (Nursing Care) na (BVS). Utilizando o período dos últimos cinco anos (2015 a 2020), totalizando 535 artigos (BDENF 93), (MEDLINE 311), (LILACS 131). Com o filtro do idioma (Português 122) e (Inglês 331). Foram selecionados 11 artigos na íntegra para discussão deste artigo (Quadro 1).

Quadro 1. Apresentação dos estudos incluídos na revisão integrativa, segundo o título, autores, ano da publicação, base de dados e resultados

 

 

ID

TÍTULO DA PÚBLICAÇÃO ANO BASE DE DADOS RESULTADOS AUTOR
1 Óbitos perinatais evitáveis por intervenções do Sistema Único de Saúde do Brasil 2018 LILACS Constatou-se que os óbitos são evitáveis a partir de ações em saúde. REGO; VILELA; OLIVEIRA; BONFIM.
2 Assistência pré-natal qualificada: as atribuições do enfermeiro 2017 BDENF Verificou-se que o enfermeiro tem papel fundamental em educação em saúde, entretanto, destacou-se que ainda prevalece modelo biomédico. NOGUEIRA; OLIVEIRA.
3 Perfil e funcionamento de comitês municipais de prevenção da mortalidade materna, infantil e fetal 2020 BDENF A existência dos comitês é predominada por enfermeiros, acima dos 30 anos, entretanto não se realiza reuniões ou ações.

 

LODI; LIMA; RIBEIRO; GUEDES.
4 A importância do acompanhamento pré-natal realizado por enfermeiros 2016 LILACS É importante que o profissional enfermeiro nas Unidades de Saúde na prestação da assistência pré-natal, tendo cuidado e humanizado. OLIVEIRA; BARBOSA; MELO.
5 Prevenção e tratamento da hemorragia pós-parto 2019 BDENF É necessário que exista a profilaxia da hemorragia pós-parto. OLIVEIRA; BARBOSA.
6 Ocupação e mortalidade materna 2020 SCIELO A razão de mortalidade materna pode ser diferenciada por níveis de trabalho, necessitando de trabalhos que estudem fatores de riscos ocupacionais. FEITOSA-ASSIS; SANTANA,
7 Parto cesário e parto normal: Uma abordagem acerca de riscos e benefícios 2017 SCIELO Neste estudo constatou-se que os partos têm diferentes situações e apresentam riscos e benefícios, assim identifica-se altos níveis de cesariana. VICENTE ET AL.
8 Óbito materno, causalidade e estratégias de vigilância: uma Revisão integrativa 2017 SCIELO Doenças hemorrágicas são as principais causas de óbito materno, podendo ser evitáveis. SOARES ET AL.
9 Mortalidade materna: comparativo após implantação da Rede Mãe Paranaense 2020 BDENF A mortalidade materna deu uma reduzida no estado do Paraná após a implantação da Rede Mãe Paranaense, entretanto, necessita de ações mais precisas. SCHOLZE ET AL.
10 Diagnóstico da situação de morte materna 2019 LILACS O estudo identificou um alto índice de mortalidade materna por causas obstétricas diretas na Paraíba, sendo em sua maioria em pessoas pretas e pardas. SILVA ET AL.
11 Ações do enfermeiro no pré-natal e a importância atribuída pelas gestantes 2018 SCIELO As ações de enfermagem em pré-natal e puerpério são efetivas se direcionadas de forma cuidadosa e humanizada, de acordo com público. DIAS ET AL.

Fonte: pelas autoras, 2021.

Para apresentação do estudo, dividiu-se em três eixos de estudos para resposta da pergunta norteadora na discussão.

4. DISCUSSÃO

4.1 POLITÍCAS PÚBLICAS À SAÚDE DA MULHER NO BRASIL

As autoras Rego et al. (2018) e Scholze et al. (2020) discutem que as principais políticas e programas voltados à mulher foram melhor implementados a partir do ano 2000, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) constitui o pacto do milênio, incluído 192 países para assinarem 8 objetivos. Sendo estes, um grupo de medidas elaboradas para que as sociedades desenvolvessem até 2015 políticas públicas mais efetivas, com o 5º objetivo centrado na saúde da mulher, tanto gestacional como reprodutiva, com intuito de diminuir a mortalidade materna de 35 óbitos para cada 100 mil nascidos vivos em 2015, por sua vez, o Brasil não alcançou este marco, possuindo 62 óbitos maternos. Assim, a ONU elaborou um novo pacto para anos de 2015-2030, sendo 17 objetivos para desenvolvimento de ações profiláticas para 20 óbitos maternos para 100 mil nascidos vivos até 2030.

Demostrando isto, as autoras Lodi et al. (2020) mostram que dos anos 2000 a 2016 foi visto que a mortalidade materna decaiu de forma não linear, atingindo marco de maior taxa em 2006, com 77,2% e menor taxa em 2012, cerca de 59,3%, tais informações demonstram dificuldade para o alcance da meta até 2030. Por regiões, em 2016, o Norte apresentou números elevados, 84,5%, em segundo lugar, Nordeste com 70% e Centro Oeste com 67,3%, estes dados foram marcados principalmente pela falta de assistência a esses mulheres e dificuldades sociais ao acesso a saúde.

Por mais que esteja assegurada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e a Constituição, a acessibilidade a saúde apresentam-se de forma desigual, principalmente no rastreamento de fatores de riscos, colaborando para altas taxas de mortalidade materna. Observa-se que existem uma visão ultrapassada marcada pelos programas da década de 30 a 70 voltada a uma visão social da mulher, marcado pelo ciclo reprodutivo.

No estudo das autoras Rego et al. (2018) cita que o Ministério de Saúde (MS) em 1984 criou o Programa de Assistência Integral a Saúde da Mulher (PAISM) com intuito de desmitificar culturalmente a saúde feminina e criar propostas educativas visando medidas para diagnóstico, tratamento e recuperação de mulheres, além da ampliação de ações voltadas a ginecologia, pré-natal, parto e puerpério, incluindo novas abas como climatério, planejamento familiar, Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST’s), prevenção de câncer de colo de útero e mama.

Com isso, Rego et al. (2018) observou-se avanços na saúde da mulher principalmente pelo MS, no ano de 2000, surgiu o Programa de Humanização ao Pré Natal e Nascimento (PHPN) conceituando qualidade e humanização à gestante, desde pré-natal ao recém-nascido, garantido nascimento seguro e reduzindo taxas de morbimortalidade materna e perinatal.

Ainda em Políticas Públicas, os estudos de Soares et al. (2017) Em 2004, o MS continuando sua trajetória, implementou a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM) integrando saúde reprodutiva e sexual, acrescentando em pauta violência doméstica e sexual e saúde mental, assim, garantindo abas sociais a mulheres. Em 2011, a Rede Cegonha, foi marco para que na atenção humanizada para as mulheres fossem instituídos o preparo dos cuidados do parto ao puerpério, garantindo o desenvolvimento das crianças e ampliando ações no pré-natal, com foco em diagnosticar fatores de risco. A Rede Cegonha promove especializações na enfermagem e médicos para formação de núcleos de vigilância a óbito, materno, infantil e fetal.

Assim, observa-se que as políticas públicas no Brasil são diversas, entretanto, os recursos da saúde são escassos para que elas sejam efetivas em sua totalidade, principalmente na educação destas mulheres, para buscarem o acesso a saúde de forma espontânea e prévia.

4.2 PERFIL DA MORTALIDADE MATERNA NO BRASIL

A mortalidade materna no Brasil após a criação dos programas, começou a ser documentada, localizado as causas mais comuns, diretas ou indiretas que podem ser agravantes, assim, podendo-se criar alternativas que amenizem o cenário.

O autor Silva et al. (2019) explicita que no Brasil 80% dos óbitos decorre de causa obstétrica direta, podendo ser rastreadas nos pré-natais, em contrapartida, 20% é indireta, ocorrendo no parto. As causas diretas são evitáveis e controladas de acordo com problema detectado, principalmente em consultas e acompanhamento com especialistas.

De acordo autoras Feitosa-Assis e Santana (2020), de 2010-2017, o Sistema de Informações sobre Mortalidade no Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) revela que as causas mais comuns são crises hipertensivas, hemorragias e trombose, sendo um problema causado principalmente pela qualidade de vida atual.

Os perfis demográficos e sociais corroboram para essa situação, o estudo de Soares et al. (2017) detectou que as mortes maternas estavam ligadas a mulheres pardas, com idade de 20 a 39 anos, com ensino fundamental incompleto e donas de casa.  Visto que mulheres com maior grau de escolaridade, procuravam os serviços de saúde com mais frequência e de forma integral.

Para estudo Scholze et al. (2020) observou-se que grau de escolaridade está ligado a preferência de parto cesáreo, estando ligado a condições associadas a anestesia, hemorragia, infecções puerperais e embolia pulmonar, podendo levar morte materna.

Além desses dados, o estudo de Vicente et al. (2017) verifica-se que apoio emocional, afetivo, social e financeiro são fundamentais para evitar estressores que predispõem a crise hipertensiva, principalmente a gestantes solteiras, viúvas ou separadas.

O acompanhamento pré-natal mostra-se fundamental, visto que que gestantes com mais de 6 consultas protocoladas pelo MS, apresentaram menor vulnerabilidade a complicações tardias no parto.

4.3 AÇÕES DE ENFERMAGEM NA PREVENÇÃO DA MORTE MATERNA

As ações de enfermagem podem ser efetivas tanto no âmbito hospitalar, como nas Unidades Básicas de Saúde. Como conceituar Nogueira e Oliveira (2019) que nos hospitais constitui-se como fundamental a educação continuada, principalmente na oferta de cursos para que os profissionais conheçam e contribuam para o planejamento de ações a fim de reduzir as mortes maternas, principalmente informando a importância do pré-natal e sinais que possam ser de risco. Os autores Dias et al. (2018) justifica que profissionais qualificados podem classificar e cuidar de forma adequada tanto obstétrico como neonatal.

A interdisciplinaridade da equipe promove um atendimento mais humanizado, no estudo de Oliveira; Barbosa e Melo (2016) foi visto que a interação pode desenvolver cuidados tanto na rede hospitalar como primária. A formação continuada surge para que enfermeiros possam se qualificar em obstetrícia habilitando-se a interferir e cuidar da gestação ao parto.

Visto que o enfermeiro tem como papel estimular ações desde as consultas, as autoras Dias et al. (2016) mostram que o pré-natal é o primeiro contato e fundamental para promoção a saúde dessas mulheres, incentivando e buscando no mínimo 6 consultas, estabelecendo a triagem para fatores de risco, propiciando exames de diagnóstico, encaminhado a serviços necessários no prazo e seguindo o cuidado integral, identificando-se que a realização do pré-natal e exames contribuem para gestação saudável, diminuindo riscos maternos. Durante o puerpério, o enfermeiro deve realizar visita no pós-parto imediato, além de anamnese e exame físico da puérpera, verificando cartão da gestante e condições de parto e pós-parto, como convulsões, hemorragia, febre ou hipertensão

A hemorragia e crise hipertensiva são uma das principais causas, sendo evitáveis por meio de educação em saúde, exames e acompanhamento individual e holístico, como cita Oliveira; Barbosa e Melo (2016). Além disso, equipamentos intrahospitalares são importantes como kits, balões intrauterinos entre outros, entretanto, sabe-se que é realidade nos hospitais brasileiros passar por dificuldades financeiras para essa implementação.

Sendo assim, a morte materna é um problema de saúde pública difícil e com diversas interfaces, necessitando do olhar de enfermagem para que as condutas necessárias sejam efetivadas, entretanto, não parte só da enfermagem, mas como da otimização da saúde tanto hospitalar, como da rede básica, sendo necessária a educação continuada e permanente no gravídico-puerperal das mulheres de forma direta ou indireta.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante do que foi exposto, fica perceptível que a enfermagem exerce papel fundamental no combate à mortalidade materna, tendo em vista que o enfermeiro deve possuir capacidade para identificar os fatores de risco e acompanhar a evolução do prognóstico destas mulheres, estando devidamente qualificado para orientá-las quanto aos cuidados, sinais de alerta e possíveis contramedidas necessárias para uma cobertura completa do quadro de saúde geral.

Entretanto, cabe salientar que além do preparo dos profissionais da saúde, ainda existem barreiras que impossibilitam uma cobertura completa e mais adequada de toda essa situação no Brasil. Entre elas, tem-se a comunicação deficiente entre as camadas sociais e redes de saúde públicas e a falta de investimentos em educação e promoção da saúde com políticas públicas que, apesar de ajudarem no processo ainda são insuficientes para suprir a necessidade populacional.

Contudo, apesar de todas as problemáticas que circundam o problema central, ainda é possível destacar o trabalho dos profissionais da saúde que, mesmo com poucos recursos fazem o melhor que podem para contribuir com a redução da morbimortalidade materna, através de explicações durante consultas, atendimento especializado e encaminhamentos quando necessário, atitudes estas que atuam em conjunto para a melhora da qualidade dos atendimentos, tornando-os o mais completo e humanizado possível.

REFERÊNCIAS

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FEITOSA-ASSIS, Ana Isabela; SANTANA, Vilma Sousa. Occupation and maternal mortality in Brazil. Revista de Saúde Pública. v. 54, p. 1-11, 2020. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/rsp/a/f3838mRSL3Lhj6hT3dRzLsP/?lang=pt&format=pdf.>. Acesso em: 01 de ago. 2021.

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LODI, Gabriela Souza França; LIMA, Ediene Dayane; RIBEIRO, Liliane da Consolação Campos; GUEDES, Helisamara Mota. Perfil e funcionamento de comitês municipais de prevenção da mortalidade materna, infantil e fetal. Revista de Enfermagem do Centro-Oeste Mineiro, [S.L.], v. 10, p. 1-11, 14 out. 2020. RECOM (Revista de Enfermagem do Centro Oeste Mineiro). http://dx.doi.org/10.19175/recom.v10i0.3537. Disponível em: http://seer.ufsj.edu.br/index.php/recom/article/view/3537/2432. Acesso em: 03 ago. 2021.

MARTINS, Ana Claudia Sierra; SILVA, Lélia Souza. Perfil epidemiológico de mortalidade materna. Revista Brasileira de Enfermagem. v. 71, nº 1, p. 677-683, 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/j7FSm5XkPvfcRHZQtMjJ8SK/?lang=pt&format=pdf#:~:text=Pa%C3%ADses%20desenvolvidos%20t%C3%AAm%20taxa%20de,mil%20nascidos%20vivos(5). >. Acesso em: 04 de ago. 2021.

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SCHOLZE, Alessandro Rolim; IENSE, Tayla Larissa Ribeiro; COSTA, Larissa Daniellle Melo; PREZOTTO, Kelly Holanda; ALCANTARA, Leia Regina de Souza; MELO, Emiliana Cristina. Mortalidade materna: comparativo após implantação da Rede Mãe Paranaense. J. nurs. health. v. 10, n. 2, 2020. Disponível em: <https://periodicos.ufpel.edu.br/ojs2/index.php/enfermagem/article/view/18427/11542.>. Acesso em: 10 de ago. 2021.

VICENTE Albeniz Campos; Lima, Ana Karla Bezerra da Silva; Lima, Carlos Bezerra de. Parto cesáreo e parto normal: uma abordagem acerca de riscos e benefícios. Temas em Sáude. v. 17, n. 4, p. 24-35, 2017. Disponível em: <https://temasemsaude.com/wp-content/uploads/2018/01/17402.pdf.>. Acesso em: 31 de ago. 2021.

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[1] Discente Curso de Enfermagem Universidade Ceuma – Campus Imperatriz/MA.

[2] Enfermeira, Pós-Graduada.

[3] Bacharel em Enfermagem – Mestrado em Saúde e Tecnologia, Especialização em Saúde do Trabalho.

[4] Bacharel em Enfermagem – Docente – Mestre em Doenças Tropicais – UFPA.

[5] Bacharel em Enfermagem – Discente- Mestrado.

[6] Orientadora. Bacharel em Enfermeira – Docente Universidade Ceuma – Mestre em Ciências Ambientais e Saúde- PUC/GO e Doutoranda em Ciência Ambientais e Saúde – UNIRIO/UFRJ.

Enviado: Setembro, 2021.

Aprovado: Novembro, 2021.

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