ARTIGO ORIGINAL
SILVA, Nathállia Alamino [1], CARNEIRO, Larissa Arbués [2], OLIVEIRA, Max Moura de [3]
SILVA, Nathállia Alamino. CARNEIRO, Larissa Arbués. OLIVEIRA, Max Moura de. Uso da internet e saúde mental em acadêmicos de medicina de uma Universidade pública brasileira. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 09, Ed. 08, Vol. 01, pp. 167-183. Agosto de 2024. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/internet-e-saude-mental, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/saude/internet-e-saude-mental
A dependência de internet é uma preocupação crescente, especialmente entre os jovens. Este estudo investigou a relação entre dependência de internet, ansiedade e depressão em estudantes de medicina. Duzentos e quatorze estudantes de medicina foram submetidos a um questionário socioeconômico, ao Teste de Dependência de Internet (IAT), e aos Inventários de Depressão de Beck (BDI) e de Ansiedade de Beck (BAI). Foi observada uma prevalência de dependência moderada de internet em 8,9% dos participantes, sem casos graves. A dependência tendeu a diminuir com o aumento da idade. Os estudantes que não trabalharam durante a graduação demonstraram níveis mais altos de dependência de internet, possivelmente devido ao aumento do tempo livre. Além disso, houve uma correlação significativa entre o grau de dependência de internet e os níveis de ansiedade e depressão. O estudo indica que a dependência de internet está associada a níveis elevados de ansiedade e depressão, especialmente entre os mais jovens. A conscientização e intervenções adequadas são necessárias para abordar esse problema emergente.
Palavras-chave: Uso da Internet, Transtornos de ansiedade, Depressão, Estudantes de medicina.
Desde a sua criação, a internet se tornou uma ferramenta fundamental no cotidiano da população, sendo utilizada tanto para fins educacionais quanto recreativos, como o acesso às redes sociais. Além de proporcionar praticidade no acesso à informação e reduzir a distância entre familiares e amigos, a internet também promove efeitos prejudiciais nos seus usuários, como a adicção por internet (AI) e o impacto negativo na saúde mental (Moromizato et al., 2017).
A Adicção por Internet (AI) é caracterizada pelo uso frequente, excessivo e descontrolado da internet, o que afeta diretamente a vida cotidiana do indivíduo. Esse distúrbio pode estar associado a outros problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão e hiperatividade (Zewde et al., 2022).
No contexto dos estudantes de medicina, assim como os profissionais da saúde, o tempo gasto em frente às telas é significativo, principalmente para fins educacionais. No entanto, essa prática oferece riscos à saúde mental desses alunos (Vasconcelos et al., 2015). Um estudo realizado em Juiz de Fora relevou que 68,1% dos universitários apresentavam algum grau de dependência de internet, sendo que a maioria (44,7%) apresentavam uma dependência moderada (De Campos et al., 2021). Outra pesquisa realizada no estado de Sergipe apontou uma relação entre o uso de internet e a prevalência de sintomas de ansiedade e depressão em estudantes de medicina de uma universidade privada em Aracaju (Moromizato et al., 2017).
Além disso, discentes do curso de medicina apresentam uma alta incidência de ansiedade e depressão. Cerca de 19,7% desses acadêmicos possuem sintomas sugestivos de ansiedade, e 5,6% apresentam sintomas de depressão(Vasconcelos et al., 2015). Diversos fatores contribuem para essa realidade, como o ambiente altamente estressante, competitividade, carga de estudos excessiva, privação de sono, pressão dos colegas, além de fatores afetivos, curriculares e institucionais. Essa situação compromete a qualidade de vida do estudante de medicina, afetando sua formação profissional adequada e, assim, o futuro cuidado prestado aos pacientes (Pacheco et al., 2017).
O transtorno de ansiedade é um estado angustiante em que o indivíduo experimenta a sensação iminente de perigo, variando em intensidade e duração de acordo com fatores fisiológicos e/ou psicológicos. Isso afeta as relações interpessoais, o bem-estar psicossocial, a produtividade e o desempenho acadêmico desses indivíduos. A depressão se caracteriza por um estado de hipoatividade, tristeza, pessimismo, distúrbios do sono, perda apetite e sentimentos autopunitivos. É um transtorno incapacitante que pode levar ao pensamento suicida em alguns casos. Essa é a condição mental mais prevalente entre estudantes (Souza et al., 2022).
A qualidade de vida, assim como a saúde mental, para atingirem bons níveis, dependem de uma interação harmônica entre a realidade física e a realidade íntima e subjetiva dos indivíduos. O uso excessivo da internet entre acadêmicos de medicina promove uma desarmonia entre o mundo real e o mundo subjetivo dos estudantes, contribuindo para um aumento dos níveis de ansiedade e estresse (Vaz e Turci, 2021). Nesse sentido, o presente estudo teve como objetivo descrever o grau de dependência do uso de internet e investigar a relação deste uso com ansiedade e depressão.
O estudo foi realizado na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás, em 2023. Para o cálculo amostral considerou-se um nível de confiança de 95%, um erro amostral tolerável de 5%, uma perda de 10% e uma proporção estimada de 32,2% (Souza et al., 2022), como uma população de 566 estudantes (UFG, 2022), com uma amostra mínima de 211. A amostragem foi não-probabilística, do tipo consecutiva. O público-alvo foi alcançado por WhatsApp e E-mail institucional no período de janeiro de 2023 a fevereiro de 2023 no campus de Goiânia-GO. Foram incluídos na pesquisa graduandos do 1° ao 12° período de medicina UFG com matrícula ativa no Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas da UFG (SIGAA). Dos 566 alunos, 301 iniciaram o preenchimento do questionário, porém 87 entrevistas foram excluídas por estarem incompletas. A amostra final foi composta por 214 estudantes de medicina do 1° ao 12° período.
A coleta de dados foi realizada por meio de quatro questionários (Formulário sociodemográfico, Internet Addiction Test, Inventário de Depressão de Beck e Inventário de Ansiedade de Beck) que avaliam questões psicométricas, socioeconômicas e hábitos na internet, por meio da plataforma Research Eletronic Data Capture (REDCap). Essa é uma plataforma sofisticada que permite a coleta e o gerenciamento de dados de uma pesquisa.
Os alunos receberam o link para responderam o questionário por Whatsapp e por e-mail. O formulário era autoexplicativo e possível ser preenchido de maneira remota. Os questionários foram organizados em cinco sessões. A primeira sessão consistia no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), no qual o participante deveria ler o termo e assinar digitalmente caso estivesse de acordo com a participação do estudo. As demais sessões foram compostas respectivamente pelo formulário socioeconômico, Teste de Dependência de Internet (IAT), Inventário de depressão de Beck e Inventário de ansiedade de Beck.
O formulário sociodemográfico foi desenvolvido pelos pesquisadores desse estudo. Foram incluídas questões acerca de sexo, raça/cor (Branca, preta, Parda ou Amarela/indígena), número de pessoas na casa e parentesco/relação com essas pessoas (sozinho, pai e/ou mãe, Familiares, Cônjuge, Amigos e outros). Além disso, o questionário incluiu a forma de ingresso na universidade (ampla concorrência ou cotas), o tipo de escola (pública ou particular) que o participante frequentou durante o ensino médio e questões financeiras como trabalho durante a graduação e o recebimento de auxílio financeiro da universidade. Sobre a saúde do participante, foi questionado sobre a presença de doenças crônicas, uso de medicamentos nos últimos 6 meses, acompanhamento/ consultas passadas com psicoterapeuta e psiquiatra e uso de medicação psiquiátrica.
O IAT utiliza a Escala de Linkert e é composto por 20 perguntas que abordam a questão da frequência do uso de internet e os impactos que isso causa na vida do indivíduo. Cada resposta possui uma pontuação agregada. Sendo assim, as respostas “não aplicável” possui valor zero, “raramente” possui valor um, “ocasionalmente” possui valor dois, “frequentemente” possui valor três, “geralmente” possui valor quatro e “sempre” possui valor cinco. Pontuações inferiores a 30 pontos caracteriza a ausência de dependência de internet, de 31 a 49 pontos indica uma dependência leve. De 50 a 79 pontos caracteriza uma dependência moderada e de 80 a 100 pontos tem-se uma dependência grave (Conti et al., 2012).
O Inventário de Depressão de Beck (BDI) possui 21 itens que podem ser respondidos em uma escala de 0 a 3 de intensidade. Os itens referem-se à sensação de fracasso, falta de satisfação, tristeza, autodepreciação, pessimismo, sensação de culpa, autoacusações, ideias suicidas, crises de choro, irritabilidade, retração social dentre outros aspectos. A interpretação da pontuação segue a seguinte escala menor que 11 é indicativo de ausência de depressão ou depressão mínima, de 12 a 19 pontos é indicativo de depressão leve a moderada, de 20 a 35 pontos é indicativo de depressão moderada a grave e de 36 a 63 pontos é indicativo de depressão grave (Cunha, 2001).
O BAI possui 21 itens que aborda sinais e sintomas de ansiedade tais como insegurança, nervosismo, tremor nas mãos, indigestão, incapacidade de relaxar entre outros. Esses itens podem ser respondidos em uma escala de 4 pontos. Os participantes poderão responder a cada item da seguinte forma: ausente (zero pontos), não me incomoda muito (um ponto), é desagradável, mas consigo suportar (dois pontos) e quase não consigo suportar (três pontos). A interpretação da pontuação segue a seguinte escala: de 0 a 10 pontos ansiedade mínima, de 11 a 19 pontos ansiedade leve, de 20 a 30 pontos ansiedade moderada, de 31 a 63 pontos ansiedade grave (Cunha, 2001).
A análise foi feita a partir da divisão da amostra em dois grupos: Dependentes de internet (escore do IAT test > 50 pontos) e não dependentes / dependência leve (escore do IAT test < 50 pontos). Foram calculados as frequências absolutas e relativas e os respectivos valores de p, utilizando o teste de quiquadrado ou exato de Fisher. Para as variáveis quantitativas foram calculadas as médias e desvios padrões, feito o teste de normalidade pelo Shapiro-Wilk. Devido ao não pressuposto de normalidade, para o score de dependência de internet e idade, depressão e ansiedade, utilizou-se a Correlação de Spearman.
A amostra foi composta por 214 estudantes de medicina da Universidade Federal de Goiás na qual observou-se uma distribuição igualitária de participantes dos sexos feminino e masculino. A maioria dos participantes, correspondendo a 54,2%, declararam-se como brancos, enquanto 34,1% identificaram-se como pardos. Além disso, cerca de 17,9% relataram estar em acompanhamento com um psicoterapeuta, e 18,3% afirmaram fazer acompanhamento com um psiquiatra.
Nesta amostra foi encontrada uma baixa prevalência de dependência moderada de internet segundo o IAT test. Foi encontrada uma frequência de 8,9% de dependência moderada/grave entre os participantes. Não houve relato de dependência grave (escore superior a 80 pontos) (Figura 1).
Figura 1. Distribuição do grau de dependência de uso de internet
A dependência moderada de internet foi predominantemente encontrada em participantes do sexo masculino e de Raça/Cor Branca, com incidência de 10,4% e 11,2%, respectivamente. Aqueles que nunca fizeram terapia e nunca foram ao psiquiatra apresentaram uma incidência elevada, atingindo 9,2% e 8,6%, respectivamente. Em relação às características estudadas, a maioria não revelou diferença estatística significativa, exceto no caso da característica “trabalho”. Notou-se que os estudantes que não trabalham durante a graduação apresentaram níveis mais elevados de dependência moderada de internet.
Tabela 1. Distribuição absoluta (N) e relativa (%) da dependência de internet moderada, segundo características dos estudantes de Medicina
Os resultados do IAT test mostraram um escore médio de 33 pontos, com um desvio padrão de 12,87 e uma mediana de 32. A maioria dos participantes (cerca de 47%) apresentou dependência leve em relação à internet. O maior escore registrado foi de 77, indicando uma dependência moderada de internet, enquanto o menor valor registrado foi de 0, caracterizando a ausência de dependência.
A amostra foi composta por estudantes com idade média de 23 anos, um desvio padrão de 3 anos e uma mediana de 22. A idade mínima relatada foi de 18 anos, e a máxima foi de 48 anos. Quanto ao Inventário de Depressão de Beck (BDI), a média foi de 11,55 pontos, com um desvio padrão de 8,94 e uma mediana de 10. A maior pontuação encontrada foi de 50 pontos, indicando um quadro de depressão grave, enquanto o menor valor registrado foi de 0, caracterizando ausência de depressão.
Já o Inventário de Ansiedade de Beck (BAI) apresentou uma média de 10,9 pontos, com um desvio padrão de 10,4 e uma mediana de 7,5. A maior pontuação encontrada foi de 46 pontos, revelando um quadro de ansiedade grave, e a menor pontuação encontrada foi de 0 pontos, indicando ausência de ansiedade. É importante destacar que todas as variáveis mencionadas não apresentaram distribuição normal, com exceção da variável idade.
Tabela 2. Estatística descritiva do Internet Addciton Test (IAT) e características dos estudantes de Medicina
Houve redução do IAT com aumento da idade e aumento do IAT com aumento da pontuação observada nos inventários de depressão e ansiedade (Figura 2 e Tabela 2), estatisticamente significativos.
Figura 2. Correlação entre Internet Addiction Test e características dos estudantes de Medicina
A maioria dos estudantes de medicina (aproximadamente 46,73%) apresentou dependência leve de internet, de acordo com o escore do teste IAT. Além disso, cerca de 8,9% dos estudantes apresentaram uma dependência moderada. Em um estudo realizado por Cerqueira et al. (2023), que incluiu uma amostra de 325 estudantes de medicina, foram encontrados níveis ainda mais elevados, com uma incidência de 66,8% de dependência leve e 13,8% de dependência moderada. É importante notar que, assim como neste estudo, Cerqueira et al. (2023), não identificou nenhum caso de dependência grave entre os estudantes de medicina.
No presente estudo, a prevalência de dependência moderada/grave (50 ou mais pontos no IAT test) foi de 8,9% entre os estudantes. Em um estudo com 627 alunos turcos de medicina, realizado por Yücens e Üzer, 2018, foi identificada prevalência de 23,7% de dependência moderada e 3,3% de dependência grave. No entanto, a incidência de uso excessivo da internet entre os estudantes de medicina varia consideravelmente, conforme uma meta-analise relevou, com o menor índice de prevalência no Irã, com 5,22%, e maior índice na índia, com 58,9% (Zhang et al., 2018). Já na população geral das Américas, estima-se uma prevalência de dependência moderada/grave de 11,06% (Meng et al., 2022).
No Brasil, um estudo conduzido por Gomes et al., 2019, relevou uma prevalência de 7,3% de dependência moderada. Outra pesquisa realizada por Costa Lobo et al., 2017, envolvendo 612 acadêmicos de medicina e pedagogia, identificou uma prevalência de 5,4% de dependência moderada. Esses estudos destacam a ocorrência relativamente baixa da dependência de internet entre os estudantes de medicina brasileiros. Além disso, é importante ressaltar que a prevalência entre os acadêmicos é menor em comparação com a prevalência na população geral da região das Américas (Meng et al., 2022).
A discrepância na prevalência da dependência de internet em diferentes regiões pode estar associada à heterogeneidade dos questionários utilizados. Os testes mais comumente empregados são o IAT e a Escala Chen de Dependência de Internet (CIAS). No entanto, é importante analisar os dados obtidos por meio do CIAS com cautela, uma vez que esse teste foi validado apenas para a população chinesa (Zhang et al., 2018). Por outro lado, estudos recentes na região das Américas, como o de Meng et al. (2022), relacionaram a diferença na prevalência da dependência de internet com o nível socioeconômico da região. Verificou-se que regiões desfavorecidas tendem a apresentar níveis mais elevados de dependência, possivelmente como uma forma de reduzir e aliviar o estresse decorrente de um ambiente externo insatisfatório, como a ausência de outras formas de lazer e/ou condições financeiras para realizar outras atividades (Meng et al., 2022).
A análise dos dados revelou uma relação estatisticamente significativa, entre a idade e o vício em internet, observando-se uma diminuição do vício à medida que a idade avança. Essa tendência pode ser explicada pelo fato de que o comportamento juvenil está mais fortemente ligado à tecnologia. Os indivíduos mais jovens tendem a ter um domínio maior da internet e a fazer um uso mais frequente das redes sociais. Além disso, eles geralmente possuem menos responsabilidades relacionadas ao trabalho e à família, o que lhes proporciona mais tempo disponível para se envolverem em atividades online (Sechi et al., 2021).
Nesta análise, foi observada uma relação estatisticamente significativa entre a variável “trabalho” e a dependência de internet entre os acadêmicos de medicina. Aqueles que não trabalharam durante a graduação apresentaram níveis mais elevados de dependência de internet, provavelmente devido à maior quantidade de tempo livre disponível para atividades de lazer na internet. No estudo de Santos et al. (2020), também foi identificada uma maior prevalência de dependência nesse grupo, embora sem alcançar significância estatística. É importante notar que, na literatura, não foram encontrados dados com diferenças estatisticamente significativas para essa relação, destacando a necessidade de mais estudos para aprofundar a discussão sobre essa variável específica (Santos; Alvarenga; Oliveira, 2020).
Foi identificada uma relação crescente entre os níveis de ansiedade e a dependência de internet. Em uma meta-análise conduzida por Ho et al. (2014), observou-se uma prevalência significativamente maior de dependência de internet no grupo com ansiedade. Isso evidencia a ligação entre essas duas variáveis. Consequentemente, os indivíduos dependentes de internet têm maior probabilidade de desenvolver ansiedade ou experimentar uma piora nos sintomas pré-existentes. Lai et al. (2015), relaciona o uso de internet como uma estratégia de enfrentamento para adolescente com ansiedade social e depressão, pois na internet esses jovens desconectam-se da realidade e penetram em um mundo ideal e irreal das redes sociais. No entanto, o uso excessivo da internet durante essa fase de formação da identidade pode agravar os sintomas, aumentando o risco de desenvolvimento desses distúrbios e da dependência de internet na vida adulta (Lai et al., 2015).
A prevalência de depressão entre os estudantes de medicina mostrou-se significativamente elevada e correlacionada com a dependência de internet. Seki et al. (2019), também encontraram resultados semelhantes, reforçando essa relação. À medida que a dependência de internet aumenta, torna-se mais evidente a associação com a depressão. Yücens e Üzer (2018), afirmam que o vício em internet pode estar relacionado a casos pré-existentes de depressão e a internet pode contribuir para o desenvolvimento ou agravamento dos sintomas da doença.
No presente estudo não houve diferença gênero. Entretanto, Lei et al. (2018), afirmam que o sexo masculino apresenta nível significativamente maior de dependência de internet. A literatura sugere que esse fato pode estar relacionado à baixo autodisciplina do sexo masculino. Por sua vez, Waqas et al. (2016), também relatam uma maior prevalência de dependência de internet no sexo masculino, atribuindo isso à maior participação dos homens em jogos online, o que os expõe a um risco mais elevado de vício.
É importante destacar que o presente estudo possui algumas limitações. Apesar da participação de aproximadamente 38% dos estudantes, a amostra utilizada foi não probabilística, o que pode comprometer a representatividade dos resultados. Além disso, os testes foram autoaplicáveis, o que abre espaço para possíveis interpretações equivocadas das perguntas.
O presente estudo observou associação entre dependência da internet e idade do estudante, ansiedade e depressão. O vício em internet pode estar associado ao surgimento desses distúrbios psiquiátricos ou ao agravamento dos sintomas já existentes. À medida que o nível de dependência aumenta, também ocorre um aumento nos níveis de ansiedade e depressão. Além disso, um achado importante deste estudo foi a relação entre a dependência de internet e a idade. Verificou-se que os estudantes de medicina mais jovens são mais propensos a desenvolver a dependência de internet, pois possuem um maior domínio da tecnologia e menos responsabilidades relacionadas ao trabalho e à família.
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[1] Especialização em Lato Sensu em farmacologia clínica e Prescrição Farmacêutica; Especialização em Lato Sensu em Docência na educação superior; Bacharel em Farmácia (FACESA); Graduanda de Medicina pela Universidade Federal de Goiás (UFG). ORCID: https://orcid.org/0009-0007-9712-6724. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1520435008874913.
[2] Especializando em Saúde Mental Infanto-Juvenil (CENAT); Dinâmica de Grupos e Gestão de Equipes (CEAPG); Pós Graduações Lato Sensu: Comunicação e Saúde (Fiocruz); Pós Graduação Stricto Sensu (mestrado e doutorado) em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de Goiás; Graduação Bacharelado em Psicologia pela Universidade Católica de Goiás. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5822-1410.
[3] Orientador. Pós Graduação Stricto Sensu Doutorado em Saúde Pública, área Epidemiologia (FSP/USP); Pós Graduação Stricto Sensu Mestrado em Epidemiologia em Saúde Pública na subárea Filosofia e Ciências Sociais Aplicadas à Epidemiologia (ENSP/FIOCRUZ); Especialização em Lato Sensu em Enfermagem em Saúde Coletiva sob os moldes de Residência (UFF) e em Gênero e Sexualidade (CLAM/IMS/UERJ); Graduação Bacharelado e Licenciatura em Enfermagem (UFF). ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0804-5145.
Material recebido: 16 de abril de 2024.
Material aprovado pelos pares: 16 de julho de 2024.
Material editado aprovado pelos autores: 07 de agosto de 2024.
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