ARTIGO ORIGINAL
BAZZI, Roberta Pinheiro [1]
BAZZI, Roberta Pinheiro. Escleroterapia estética: Benefícios, segurança e avanços tecnológicos em perspectiva internacional. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 10, Ed. 11, Vol. 02, pp. 105-112. Novembro de 2025. ISSN:2448-0959. Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/escleroterapia-estetica, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/saude/escleroterapia-estetica
A escleroterapia estética é atualmente um dos principais métodos minimamente invasivos para o tratamento de telangiectasias e veias reticulares dos membros inferiores, com impacto direto na qualidade de vida e na percepção de imagem corporal. Revisões sistemáticas, diretrizes europeias e documentos de consenso internacionais demonstram que, quando realizada com técnica adequada e seleção criteriosa do esclerosante, a escleroterapia apresenta altas taxas de satisfação estética e bons índices de oclusão venosa, com perfil de segurança favorável em comparação a outras modalidades, como cirurgias convencionais ou laser isolado. Nos últimos anos, avanços tecnológicos como a escleroterapia com espuma guiada por ultrassom, o uso de laser transdérmico associado a agentes esclerosantes, a técnica CLaCS (cryo-laser e cryo-sclerotherapy) e o emprego de dispositivos de realidade aumentada têm refinado a precisão do tratamento, reduzido o volume de fármaco e aprimorado o controle de efeitos adversos. Esta revisão narrativa, baseada em evidências internacionais, discute benefícios, recomendações de segurança e inovações em escleroterapia estética, destacando a necessidade de padronização de protocolos e de estudos clínicos com desfechos voltados à estética e à qualidade de vida das pacientes.
Palavras-chaves: Escleroterapia, Telangiectasias, Veias reticulares.
As telangiectasias e veias reticulares dos membros inferiores são manifestações frequentes das doenças venosas crônicas e constituem motivo comum de procura por tratamento estético, especialmente em mulheres adultas. Estudos comparativos e revisões sistemáticas indicam que a escleroterapia é considerada tratamento de primeira linha para esses quadros, por combinar alta eficácia clínica, baixo custo relativo e curta recuperação, quando comparada a opções como microcirurgia isolada ou laser transdérmico exclusivo (1,2,7). Na prática, utiliza-se uma variedade de agentes esclerosantes, em forma líquida ou espuma, sendo o polidocanol e o lauromacrogol os mais utilizados em protocolos internacionais, ajustando-se concentração e volume ao calibre e ao tipo de veia tratada (2,5,12,13).
As diretrizes europeias e os consensos da International Union of Phlebology (UIP) enfatizam a importância de integrar avaliação clínica, mapeamento venoso e preferência do paciente, alinhando expectativas estéticas com segurança e custo-efetividade (3–6). Nesse contexto, a compreensão das recomendações de segurança e dos avanços tecnológicos recentes torna-se essencial para a prática da escleroterapia estética em perspectiva internacional.
Os consensos da International Union of Phlebology (UIP) e as diretrizes europeias de escleroterapia estabelecem critérios rigorosos de indicação, incluindo contraindicações absolutas e relativas, bem como limites máximos de dose, concentração e volume por sessão (3–6). Recomenda-se que a escolha do agente esclerosante, da forma de apresentação (líquida ou espuma) e da concentração seja individualizada, de acordo com o diâmetro e o tipo do vaso, a localização anatômica e o objetivo primordial do procedimento — funcional ou predominantemente estético (3,5,6). Em particular, desaconselha-se o uso de grandes volumes de espuma em uma única aplicação, a fim de reduzir o risco de eventos tromboembólicos e de sintomas neurológicos transitórios, especialmente em pacientes com fatores de risco adicionais (5,6,11). Na literatura, as complicações mais comuns incluem dor local, equimoses, hiperpigmentação, matting, flebite superficial e, menos frequentemente, úlceras cutâneas; já eventos graves, como trombose venosa profunda e embolia, são raros quando os protocolos de segurança são seguidos de forma estrita (1,3,5,7,12–14).
As recomendações internacionais também enfatizam a realização de anamnese minuciosa e exame clínico completo, com o objetivo de identificar comorbidades e condições que possam aumentar o risco do procedimento, como história prévia de trombose venosa, trombofilias, gestação, período de amamentação e hipersensibilidade conhecida aos esclerosantes (3–6). O emprego de ultrassonografia é particularmente indicado em veias de maior calibre, em presença de refluxo significativo ou de anatomia complexa, pois aumenta a precisão da punção, permite monitorar em tempo real a dispersão da espuma e contribui para a redução do volume total de fármaco administrado (3,5,14). Esse conjunto de medidas se traduz em maior segurança, melhor reprodutibilidade dos resultados e menor incidência de complicações. Guias de prática clínica e revisões direcionadas ao médico generalista reforçam que, quando pautada nessas recomendações, a escleroterapia permanece classificada como procedimento de baixo a moderado risco, passível de realização em ambiente ambulatorial com adequado preparo e monitorização (5–7).
A introdução da espuma esclerosante representou um divisor de águas na flebologia contemporânea. Ensaios clínicos randomizados e estudos prospectivos demonstram altas taxas de oclusão venosa e melhora sintomática com o uso de polidocanol em espuma, inclusive no tratamento de veias safenas, frequentemente com menor necessidade de anestesia, menor tempo de recuperação e custos reduzidos em comparação às técnicas cirúrgicas convencionais (11–13). No contexto da escleroterapia estética, a espuma possibilita o tratamento de segmentos venosos mais extensos com volumes relativamente menores de agente, o que aumenta a eficiência do procedimento. Entretanto, exige vigilância rigorosa quanto aos limites de dose, à posição do paciente, ao tempo de decúbito pós-injeção e ao uso adequado de compressão elástica, estratégias fundamentais para minimizar eventos adversos e otimizar a distribuição da substância esclerosante (5,11–14). A ultrassonografia em tempo real, aplicada à espuma guiada, refina ainda mais essa abordagem ao permitir visualização precisa do trajeto da veia e da difusão da espuma, reduzindo punções inadvertidas em estruturas adjacentes e consolidando-se como ferramenta central de segurança e planejamento terapêutico (3,5,14).
Entre as inovações explicitamente voltadas para o refinamento estético, destaca-se a combinação de laser transdérmico com escleroterapia, particularmente na técnica CLaCS (cryo-laser and cryo-sclerotherapy). Revisões narrativas e artigos de “state of the art” descrevem o uso do laser Nd:YAG associado a crioterapia local e injeção de glicose hipertônica, com o propósito de tratar simultaneamente telangiectasias e veias nutridoras, reduzir o número de sessões necessárias e, potencialmente, limitar a ocorrência de pigmentação residual (8,9,15). Séries de casos que incorporam dispositivos de realidade aumentada para projeção das veias subdérmicas mostram que a visualização aprimorada das veias alimentadoras aumenta a precisão da punção, facilita o mapeamento hemodinâmico e favorece uma aplicação mais direcionada do esclerosante (9). Ensaios clínicos recentes, ao comparar CLaCS e espuma quanto à pigmentação pós-tratamento, taxa de recorrência e satisfação estética, apontam resultados promissores para as técnicas combinadas; contudo, ainda se faz necessária maior padronização metodológica, com amostras maiores e seguimento em longo prazo, para consolidar essas inovações como novos padrões de cuidado na escleroterapia estética (10,11,15).
A literatura internacional indica que a escleroterapia estética é um método eficaz e seguro para o tratamento de telangiectasias e veias reticulares, desde que realizada por profissionais treinados e em consonância com as diretrizes e consensos vigentes (1–7,12–14). A padronização de indicações, o respeito aos limites de concentração e volume dos agentes esclerosantes e a adequada seleção de pacientes são elementos centrais para minimizar complicações e otimizar o resultado cosmético.
Os avanços tecnológicos, como espuma guiada por ultrassom, laser transdérmico associado a agentes esclerosantes, CLaCS e recursos de realidade aumentada, refletem um movimento de refinamento da técnica, voltado para maior precisão, redução do desconforto e melhora da previsibilidade dos resultados (8–11,14,15). Entretanto, a incorporação desses recursos deve ser acompanhada de avaliação crítica de custos, disponibilidade e curva de aprendizado. Permanecem como desafios a realização de ensaios clínicos controlados com desfechos específicos de estética e qualidade de vida, bem como a construção de protocolos comparativos entre as diferentes modalidades de escleroterapia. Em síntese, a escleroterapia estética consolida-se como padrão terapêutico em flebologia moderna, mas sua prática deve estar ancorada em atualização contínua e na aplicação criteriosa das evidências científicas disponíveis.
[1] Formação Técnica Estética (Saúde Estética. Bacharelado Biomedicina (Ciências Biológicas e da Saúde). Licenciatura Letras – Português e Inglês (Magistério e Base Linguística). ORCID: 0009-0002-6763-5345.
Contribuição dos autores:
Roberta Pinheiro Bazzi: Conceituação, metodologia, investigação e levantamento bibliográfico, análise formal e interpretação, redação – versão inicial, redação – revisão e edição, supervisão e validação.
Conflito de interesse:
Não há conflito de interesse.
Agradecimentos e Financiamento:
Não há financiamento.
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Histórico da Publicação:
Material recebido: 12 de agosto de 2025.
Material aprovado pelos pares: 09 de setembro de 2025.
Material editado aprovado pelos autores: 24 de novembro de 2025.
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