Fatores Psicológicos que Afetam Doenças Clínicas: Um Estudo Sobre a Gastrite Nervosa

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LOPES, Amanda Brandão [1], PASCOAL, Isabelle Lolli [2], MAGALHÃES, Evaristo [3]

LOPES, Amanda Brandão; PASCOAL, Isabelle Lolli; MAGALHÃES, Evaristo. Fatores Psicológicos que Afetam Doenças Clínicas: Um Estudo Sobre a Gastrite Nervosa. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 08, Vol. 04, pp. 34-43, Agosto de 2018. ISSN:2448-0959

Resumo

 Este estudo analisa os fatores psicológicos que afetam adversamente a condição médica do paciente, interferindo no tratamento, desencadeando ou agravando enfermidades. Nesse sentido, o trabalho busca expor e avaliar as questões emocionais na manifestação da gastrite nervosa, seja decorrente de um fator psicológico endógeno ou resultante de um traço de comportamento. Os fatores psicológicos podem provocar a gastrite diretamente, dado que o sistema entérico é o próprio sistema nervoso do nosso sistema digestório, ou indiretamente em decorrência da alteração de hábitos e rotinas resultante da ansiedade e do estresse. O aumento na quantidade de trabalhos sobre o tema mostra que os fatores psicológicos incorporaram definitivamente como campo de estudo das pesquisas na Medicina. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica feita a partir do levantamento de referências teóricas para explorar o conhecimento consolidado sobre os eventos emocionais que desencadeiam a gastrite nervosa. Os principais resultados mostram que a interação entre corpo e mente está cada vez mais presente nas avaliações de médicos antes do diagnóstico sobre as enfermidades, bem como o reconhecimento de que fatores psicológicos não só ajudam em um melhor diagnóstico como são decisivos para o tratamento e prevenção de doenças clínicas.

Palavras-chave: Fatores Psicológicos, Gastrite Nervosa, Psicologia, Medicina.

Introdução

As doenças que acometem os seres humanos decorrem de diversos fatores, como genéticos, os decorrentes do padrão de comportamento das pessoas, as contagiosas, fatores endêmicos e psicológicos. Os fatores psicológicos abrangem aspectos como transtorno mental, traço de personalidade ou estilo de tolerância e comportamentos que comprometem a saúde.

Nas pesquisas científicas havia uma prevalência na investigação das doenças de um modo geral, sendo as decorrentes de fatores psicológicos geralmente negligenciadas. Em função disso, procurava-se tratar primeiro os efeitos das doenças e em um segundo momento as causas. A exploração científica concentrava os esforços nas evidências palpáveis e naquelas relacionadas aos hábitos, questões hereditárias e congênitas, contágio e ou fatores endêmicos. Analisar fatores psicológicos como causa das doenças clínicas não era muito comum, seja pela escassez de estudos, seja pela resistência de pacientes em aceitar causas psíquicas como explicação para as moléstias. Mesmo nos dias atuais há um preconceito com os diagnósticos, o que dificulta o tratamento e o debate sobre o assunto.

Muitas das doenças psicológicas estão relacionadas à vida profissional, com o estresse do dia a dia e com a competição material e social imposta pela sociedade capitalista. Entre essas doenças estão: transtorno de ansiedade, depressão, transtorno obsessivo compulsivo (TOC), síndrome do pânico, hipertensão, arritmias e a gastrite nervosa. Algumas se manifestam de forma continua e são decorrentes de traumas e a cumulatividade de eventos negativos, como a depressão. Cabe salientar que a depressão resulta da combinação da predisposição com fatores desencadeantes – geralmente questões emocionais. Outras doenças se manifestam de forma pontual, decorrente de razões psicológicas, como o caso da gastrite nervosa, objeto desse estudo.

Diversos fatores psicológicos afetam adversamente a condição médica do paciente, interferindo no tratamento, na precipitação de doenças (como a arritmia ventriculares graves) trazendo riscos adicionais e atrasando a recuperação. Cabe salientar que uma boa saúde emocional também pode contribuir para a prevenção ou recuperação de doenças clínicas.

O sistema nervoso central e o sistema gastrointestinal têm a mesma origem embrionária. Dessa relação e da interação corpo e mente emerge a necessidade de reconhecer quais fatores psicológicos afetam uma condição médica. A constatação da interação entre corpo e mente e suas relações com doenças clínicas reduzem o tempo e simplificam o tratamento, reduzem a recorrência e diminuem os custos com medicamentos e internações hospitalares. Isso ajuda a desafogar o sobrecarregado e ainda deficiente sistema de saúde brasileiro.

Diante disso, e com o objetivo de abordar aspectos psicológicos (fenômenos mentais) relacionados à Psicologia e à Medicina, esse artigo tem por objeto a prevalência de questões emocionais na manifestação da gastrite nervosa. A pesquisa será do tipo qualitativa, tendo como procedimentos a pesquisa bibliográfica.

O trabalho está dividido em quatro seções além dessa introdução. A seguir apresentamos a metodologia de trabalho, em seguida abordamos os fatores psicológicos que afetam doenças clínicas de um modo geral. Na quarta seção é trabalhada a gastrite decorrente de fatores emocionais, chamada de gastrite nervosa e, por último, nossas conclusões.

Metodologia

Quanto à abordagem, a pesquisa será desenvolvida de forma qualitativa, centrada na compreensão e explicação dos fenômenos que levam à gastrite nervosa. A pesquisa qualitativa trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis utilizada para tratar o problema da pesquisa bibliográfica (MINAYO, 2001).

Na pesquisa qualitativa, o cientista é ao mesmo tempo o sujeito e o objeto de suas pesquisas. O desenvolvimento da pesquisa é imprevisível. O conhecimento do pesquisador é parcial e limitado. (GERHARDT; SILVEIRA, 2009, p. 32).

Quanto aos objetivos metodológicos, trata-se de uma pesquisa descritiva. Pretende-se descrever os eventos e as situações psíquicas em que a gastrite nervosa se manifesta. Quanto aos procedimentos, trata-se de uma pesquisa bibliográfica feita a partir do levantamento de referências teóricas já analisadas e publicadas. O propósito do trabalho é fazer um levantamento bibliográfico do que já se sabe sobre o assunto, o estado da arte sobre os eventos emocionais que desencadeiam a gastrite nervosa.

Fatores psicológicos que afetam doenças clínicas.

Aspectos psicológicos, sejam eventos individuais ou coletivos, podem ou não desencadear algumas doenças, mas, com certeza, potencializam os sintomas de quase todas (se não de todas) elas. Assim como podem agravar os sintomas de uma doença, as condições emocionais do enfermo podem também contribuir para o tratamento e a recuperação do paciente. O agravamento decorre das reações negativas como desestímulo, irritabilidade, a apatia e a incapacidade de reagir à situação adversa. Esses elementos repercutem sobre a evolução da doença, influenciando o modo como os pacientes reagem a seus sintomas e, em certos casos, como previnem. Essa disposição de reagir varia de paciente para paciente e tem origem em questões culturais, religiosas, sociais e econômicas. As questões sociais originam-se dos exemplos de outros tratamentos, arrependimentos por não ter tido os cuidados na prevenção, originam, também, do convívio com pessoas de mau agouro que teimam em relatar casos de sequelas ou até de pessoas que morreram vítimas daquela moléstia. As questões econômicas podem originar-se dos custos do tratamento, situações nas quais o paciente tem limitações financeiras para arcar com o custo do tratamento.

Por outro lado, aceitar a doença é uma primeira condição para o êxito no tratamento e isso está relacionado com fatores psicológicos. Além de aceitar, encarar o tratamento de forma positiva, ser disciplinado e determinado, bem como pensar de forma otimista são fatores determinantes para a recuperação. O reconhecimento de que a interação entre corpo e mente são fundamentais para o desencadeamento e o tratamento de certas doenças tem resultado em muitas pesquisas que buscam melhorar o diagnóstico e a eficiência dos recursos terapêuticos.

Kay e Tasman (2002), reconhece que diversos fatores comportamentais ou psicológicos específicos podem afetar adversamente as doenças clínicas.

Esses fatores podem contribuir para o início ou exacerbação da doença, interferem no tratamento e na reabilitação, e aumentam as chances de morbidade e mortalidade. Os próprios fatores psicológicos, algumas vezes acarretam risco de doenças clínicas ou podem agravar os efeitos de risco não psicológicos. Os efeitos podem ser mediados diretamente em um nível fisiopatológico (por exemplo, estresse psicológico provocando isquemia miocárdica) ou pelo comportamento do indivíduo (por exemplo, desobediência ao tratamento). (KAY, TASMAN, 2002, p. 436).

A interação entre corpo e mente está cada vez mais presente nas avaliações de médicos antes do diagnóstico sobre as enfermidades. Hoje em dia é comum os médicos, durante as consultas, fazerem um inventário não só sobre os hábitos, rotinas e possíveis fatores hereditários, como também sobre as condições emocionais do paciente. O reconhecimento de que fatores psicológicos não só ajudam em um melhor diagnóstico como, muitas vezes, são determinantes para tal, pode ser considerado um avanço da medicina. Embora essa postura dos profissionais de saúde não seja algo novo em centros especializados, só recentemente tem se universalizado como uma conduta necessária entre os médicos, especialmente nas regiões mais pobres.

A interação entre a corpo e a mente há muito são de interesse, tanto na saúde quanto na doença. Doenças psiquiátricas e patologias clínicas frequentemente coexistem. Psiquiatras e pesquisadores de tempos passados deixaram-se enganar por essa frequente comorbidade, concluindo prematuramente que os fatores psicológicos eram preeminentes na origem de transtornos clínicos, que eram designados psicossomáticos. Uma abordagem mais moderna consiste em reconhecer que todas as doenças clínicas são potencialmente afetadas por muitos fatores nas esferas biológicas, psicológica e social. (KAY, TASMAN, 2002, p. 436).

Excetuando os casos relacionados aos transtornos psiquiátricos que, no nosso entendimento, protagonizam as pesquisas nessa área, há uma prevalência de estudos associando os fatores psicológicos com doenças como a cardíaca e as da pele, conhecidas como psicodermatoses. As cardíacas são influenciadas por comportamentos que comprometem a saúde como a arterial coronariana e as de traço de comportamento como arritmia e hipertensão. As psicodermatoses como, psoríase, vitiligo, manchas, acnes e dermatites são exemplos de doenças desencadeadas por fatores emocionais. O vitiligo, apesar de altamente genético, poderem ser potencializado por distúrbios emocionais. As psicodermatoses referem-se a qualquer doença que afeta a pele diretamente devido a fatores psicológicos, que exercem um papel significativo. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2013).

A gastrite e os fatores emocionais

A gastrite clássica decorre da inflamação, infecção ou erosão do revestimento do estômago. Pode ser um evento pontual (gastrite aguda) ou prolongar-se por um tempo maior (gastrite crônica). A gastrite origina-se de uma multiplicidade de fatores, alguns relacionados aos hábitos alimentares, outros relacionados ao uso de medicamentos, especialmente anti-inflamatórios e analgésicos, alguns relacionam-se ou agravam com uma pré-disposição relacionada a uma maior sensibilidade da mucosa estomacal, outros estão associados à fatores psicológicos e os casos mais graves envolvem a infecção pela bactéria Helicobacter pylori (H. pylori).

Os fatores psicológicos (objeto desse trabalho) provocam o que comumente se chama de gastrite nervosa e estão associados ao estresse, ansiedade, expectativas que colaboram para gastrite, devido a modificações na produção de secreção ácida (HAYASHI et al., 2015). Essas manifestações são facilmente observáveis em alunos com a proximidade de um processo seletivo como o ENEM, por exemplo, em candidatos antes de uma entrevista de trabalho, em pessoas que tem receio de falar em público antes de uma apresentação oral, ou até mesmo da ansiedade com o resultado de um exame ou a resposta de alguma demanda.

O termo “ gastrite nevosa ” é utilizado como diagnóstico diante de um quadro onde o indivíduo apresenta todos os sintomas da gastrite clássica, mas não necessariamente apresenta alterações inflamatórias gástricas. Essa condição pode ser observada durante um exame endoscópico com posterior biopsia de tecidos do estômago.

Os pacientes relatam como sintomas as dores estomacais, azia, saciedade precoce, náuseas, arrotos frequentes, indigestão, flatulência e cefaleia. Essas manifestações ocorrem, principalmente, em momentos de grande tensão emocional, estresse elevado e ansiedade.

Os sintomas da gastrite são variados: dor em região de abdome superior; queimação; náuseas; vômitos; sensação de “empachamento” após a alimentação. O diagnóstico é obtido principalmente pela endoscopia com biópsia da mucosa gástrica e pesquisa de H. pylori, mas também através da história do paciente (com investigação do uso de medicações), exame físico pelo médico, realização de exames de sangue e, especialmente, mediante um inventário de sua condição emocional pregressa. Apesar das evidências empíricas e cientificas de que a questão emocional pode desencadear e agravar a gastrite, muito material informativo, inclusive alguns blogs de consulta médica negligenciam essa questão e nem mencionam as questões psicológicas como fator desencadeador ou agravante da gastrite. Apesar da literatura específica da área médica de gastroenterologia considerar frágil a participação de fatores psicogênicos, na gênese da gastrite as evidências aos poucos vão contradizendo essa forma de entendimento. Para os que compreendem dessa forma o termo gastrite deve ficar restrito aos casos em que coexistem lesão celular, processo regenerativo e infiltração inflamatória, acrescida da presença de folículos linfoides na mucosa gástrica (BANDEIRA et al, 2017).

Essa negligência decorre do fato de a gastrite nervosa não causar alteração na parede do estômago. Inclusive o termo gastrite nervosa não é muito comum na literatura científica, apesar de ser frequente nos diagnósticos médicos.

Porém a gastrite nervosa é um tipo de doença que não causa alteração nas paredes do estômago, por isso quando as pessoas reclamam de muita dor no estômago, mas os exames não apontam nada, os médicos diagnosticam como gastrite nervosa. Ou seja, essa é uma doença que causa dor, mas não provoca marcas fáceis de detecta-las, por isso se sentir dor procure um médico logo, quando antes descobrir a gastrite nervosa, mais rápido será o tratamento. Ou seja, essa é uma doença que causa dor, mas não provoca marcas fáceis de detecta-las, por isso se sentir dor procure um médico logo, quando antes descobrir a gastrite nervosa, mais rápido será o tratamento. (BLOG GUIA DO CORPO).

Antunes et al. (2015) mostra que sistema entérico é o próprio sistema nervoso do nosso sistema digestório. Dessa relação intrínseca pode se deduzir que variações emocionais interferem na estimulação das glândulas secretoras.

O sistema entérico é o próprio sistema nervoso do nosso sistema digestório, formado por uma série de neurônios que possuem ligação direta com o sistema nervoso central, por esse motivo é possível observar que grandes variações emocionais interferem na estimulação das glândulas secretoras de muco do estômago. (ANTUNES et al., 2015, p. 2).

Tratando de manifestações de estresse, Antunes et al. (2015) divide em quatro fases a ocorrência da ação do agente estressor e o aparecimento dos sintomas. São elas: fase de alarme, fase de resistência, fase de quase exaustão e fase de exaustão.

Na fase de alarme, tensão muscular, elevação no nível de atenção, velocidade na articulação de pensamentos e aumento na motivação e disponibilidade para se envolver em novos projetos; na fase de resistência, reação passiva entre o organismo e o agente agressor; na fase de quase exaustão, surgimento de doenças, porém sem debilidades; e na fase de exaustão, surgimento de doenças que consomem o organismo, debilitando o indivíduo em seus aspectos psíquicos e somáticos, podendo levá-lo a morte (FERNANDES et al., 2013 apud ANTUNES et al., 2015, p. 2).

A ansiedade pode ser percebida como um sentimento de medo, apreensão, tensão e desconforto por antecipação ao perigo. Esse sentimento negativo leva ao mal-estar, afetando as glândulas oxínticas e as glândulas pilóricas que secretam ácido clorídrico, fator intrínseco e muco. “Os sintomas de ansiedade não provêm de outros transtornos psíquicos, como depressões e psicoses, entre outros, mas ocorrem por predisposição neurobiológica herdada” (CASTILLO et al., 2000; apud ANTUNES et al., 2015, p. 2).

Os fatores psicológicos podem ser desencadeantes diretamente da gastrite porque o sistema entérico é o próprio sistema nervoso do nosso sistema digestório, mas também pode desencadear a gastrite indiretamente. A relação indireta decorre do fato de que a ansiedade e o estresse alteram os hábitos e rotinas de vida do indivíduo que sofre desses sintomas. Poucas horas de sono, alimentação em demasia e compulsiva ou espaços muito grandes entre as refeições, o uso de bebidas alcoólicas e o fumo para controlar a ansiedade e o estresse podem agravar lesões na mucosa gástrica e levar ao desenvolvimento da doença.

Além de fatores emocionais, fatores genéticos, hábitos e rotinas, a gastrite tem sua prevalência também associada às condições sócio econômicas, idade, raça, e até a condição geográfica pode desencadear ou agravar os sintomas. A condição social pode levar a uma regularidade de comportamento que associada ao acesso à informação pode agravar o estresse e a ansiedade. Antunes et al., (2015) conclui que a baixa renda é um fator de risco para a infecção como verificado nos pacientes pesquisados a renda familiar mensal inferior à 5 (cinco) salários mínimos. A idade e a raça também são fatores que desencadeiam ou agravam a gastrite nervosa, bem como a vida em cidades grandes.

O tratamento da gastrite nervosa consiste em normalizar a produção de ácido no estômago e acalmar a mucosa gástrica. Por isso, controlar a ansiedade, lidar com o estresse, repouso, e moderação na alimentação durante o tratamento é essencial para a recuperação, daí a recomendação de ajuda psicológica no tratamento. Como a gastrite causa dores no estômago os antiácidos são recomendados, calmantes também são indicados, pois ajudam a controlar o estresse. Mas existem também receitas caseiras como o suco de batata crua e o chá de camomila, que é um calmante natural. (GUIA DO CORPO).

Conclusões

Apesar dos fatores psicológicos incorporarem o campo das pesquisas científicas como elemento desencadeante ou agravante de doenças clínicas, a gastrite nervosa não tem sido objeto de grande exploração entre os pesquisadores. Fatores emocionais podem provocar gastrite em uma ação direta, decorrente do estresse ou ansiedade, ou indiretamente, à medida que o nervosismo, a correria do dia a dia e os traços de comportamento influenciam os hábitos de vida e as rotinas do paciente.

A proximidade de um evento importante como um casamento, uma cirurgia ou uma prova de processo seletivo provoca dores no estômago sem, entretanto, ser facilmente detectável. Esse é um caso típico de gastrite nervosa desencadeada por fatores emocionais. A frequência com que situações como esta (não facilmente detectável em exames tradicionais) ocorre, tem levado os médicos a incorporem a prática de fazer um inventário da condição emocional do paciente para chegar a um diagnóstico mais preciso. Apesar deste tipo de gastrite não apresentar lesão nas paredes do estômago (embora afete a mucosa), ela é tratada de forma também medicamentosa. O tratamento da gastrite nervosa consiste em normalizar a produção de ácido no estômago (para que a mucosa presente nele possa se regenerar) e no controle emocional. A ajuda psicológica, para controlar a ansiedade e lidar com o estresse de forma saudável, é fundamental já que as causas da doença decorrem de fatores emocionais.

Por último, cabe salientar, que fatores emocionais podem provocar doenças clínicas, mas também podem auxiliar no tratamento de doenças que tenham ou não relação com fatores psicológicos.

Referências bibliográficas

ANTUNES, M. Oliveira. Et al. Ansiedade e estresse em indivíduos diagnosticados com gastrite. Revista Bionorte, v. 4, n. 1, fev. 2015. Montes Claros – MG. Funorte.

BLOG GUIA DO CORPO. Gastrite nervosa: como ocorre? Como evitar? Disponível em: https://guiadocorpo.com/gastrite-nervosacomo-ocorre-como-evitar/.> Acesso em 14 de novembro de 2017.

BANDEIRA, K. Alencar. Et al. O mito da Gastrite Nervosa. Revista Patologia do Tocantins. V. 4, n 01, 2017. Palmas – TO. Sociedade de Patologia do Tocantins.

GERHARDT, Tatiana Engel; SILVEIRA, Denise Tolfo. Métodos de pesquisa. coordenado pela Universidade Aberta do Brasil – UAB/UFRGS e pelo Curso de Graduação Tecnológica – Planejamento e Gestão para o Desenvolvimento Rural da SEAD/UFRGS. – Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2009.

HAYASHI, S. et al. Endoscopic features of lymphoid follicles in Helicobacter pylori-associated chronic gastritis. Dig. Endosc., ago. 2014.

JAY, Jerald; TASMAN, Allan. Psiquiatria: ciência comportamental e fundamentos clínicos. Barueri – SP, 1ª edição. Manole. 2002.

MINAYO, M. C. de S. O desafio do conhecimento. 10. ed. São Paulo: HUCITEC, 2007.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Blog da Saúde. Fatores psicológicos podem causar ou agravar doenças de pele, afirma dermatologista. Brasília, DF, 2013. Disponível em: http://www.blog.saude.gov.br. Acesso em 12/11/2017.

[1] Graduanda do Curso de Medicina. Faculdade de Minas – FAMINAS, Belo Horizonte.

[2] Graduanda do Curso de Medicina. Faculdade de Minas – FAMINAS, Belo Horizonte.

[3] Dr em medicina pela UFMG, Professor de psicologia médica pela Faminas/BH

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