Associação entre a deficiência de vitamina B12 e depressão em pacientes pós bariátricos ou não: revisão sistemática

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DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/saude/deficiencia-de-vitamina
ARTIGO EM PDF

REVISÃO SISTEMÁTICA

DENDASCK, Carla Viana [1], MOURA, Maria Socorro Afonso Trovisco [2], PFLUG, Adriano Ribeiro Meyer [3]

DENDASCK, Carla Viana. Et al. Associação entre a deficiência de vitamina B12 e depressão em pacientes pós bariátricos ou não: revisão sistemática. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 06, Vol. 05, pp. 05-18. Junho de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

A depressão é um problema de saúde que cresce em larga escala. Desta feita, muitos estudos, em diversas áreas, buscam investigar as causas, formas, tratamentos, e associações que possam servir como auxílio na prevenção e tratamento. A depressão ainda é investigada em grupos específicos, como por exemplo os pacientes que passam por cirurgia bariátrica. A partir do ano 2000 alguns estudos começaram a apontar que alguns tipos de depressão podem estar associados ao desiquilíbrio fisiológico, sendo a falta de vitamina B12 o mais recorrente. Portanto, esse artigo teve como objetivo investigar através de uma revisão sistemática o que os estudos têm apontado entre a associação da vitamina B12 e a depressão. Para isso, foi realizada uma busca na base de dados da Pubmed no mês de janeiro de 2019, estudos nacionais e internacionais que apontassem a associação direta ou indireta entre a vitamina B12 e a depressão e publicados a partir do ano de 2000. As palavras chaves (descritores) usadas foram: Depressão AND depression; Bariátrica AND bariatric; Vitamin B12; Depressive Desorder; Nutrition AND Depression; Depressive symptoms. Foram selecionados 44 artigos, porém, após análise do material notou-se que 11 estavam relacionando a depressão apenas aos aspectos cognitivos, e, portanto, se distanciavam da associação investigada. Assim, este artigo relacionou 33 artigos, dos quais foram revisados sistematicamente. Na conclusiva observou-se a relação direta entre a falta de vitamina B12 e a depressão especialmente em pacientes submetidos a cirurgia bariátrica que usaram a técnica da by-pass. Além disso, esse estudo abre o campo para que pesquisas no Brasil possam investigar as associações diretas e indiretas entre aspectos nutricionais e hormonais ao comportamento humano.

Palavras–chaves: Depressão, vitamina B12, nutrição e comportamento, bariátrica.

INTRODUÇÃO

A depressão deve ser encarada como um problema global de saúde, seus números têm sido apontados em diversas gamas sociais, e em comunidades de diferentes padrões socioeconômicos, sobretudo, nos países desenvolvidos (Coppen e Bolander-Gouaille, 2005; Skarupski et al., 2010; Lang e Borgwardt, 2013; Ibarra et al., 2015; Ghoneim e O’Hara,2016). A Organização Mundial da Saúde estimou que o transtorno depressivo unipolar é uma das principais causas da sensação de incapacidade (pessoal e/ou profissional) por parte dos indivíduos em todo o planeta (Okereke et. al. 2015; Ghoneim e O’Hara,2016; Maier et al.,2018). Estima-se que 8% dos casos mundiais sejam registrados nas Américas e cerca de 6% na Europa. Nos Estados Unidos, a depressão é manifestada em cerca de 12% dos homens, e, 24% das mulheres (Beydoun, et al., 2010; Seppälä et al., 2013). De acordo com Olaf et al, (2009), em 2004, estimou-se que cerca de 27% da população mundial possuía pelo menos um transtorno psíquico, dentre eles, a depressão possui maior prevalência.

A prevalência associada as alterações de humor, e, inclusive de depressão em pacientes pós bariátricos, levaram estudiosos a investigarem sobre as possíveis alterações psicológicas e a falta de nutrientes (Skarupski et al., 2010; Ibarra et. al, 2015; Sierżantowicz et al., 2017). A perda de alguns elementos que fazem parte do sistema, sobretudo os nutrientes, faz com o quadro depressivo surja e/ou aumente de forma significativa. Essa perda de substâncias cruciais para o desenvolvimento do corpo impulsiona a alteração nas funções cerebrais (Beydoun, 2010; Olaf, et. al., 2009; Lang et al., 2015). Em outras áreas essa associação já havia sido identificada, especialmente em estudos que se declinaram a investigar a depressão no sentido causas, efeitos e tratamentos (Ibarra et al., 2015; Kaner et. al, 2015; Ghoneim e O’Hara, 2016).

A dieta alimentar, foi apontada ainda, como um dos fatores impulsionadores da depressão, especialmente porque o excesso de alimentos industrializados levou a grande prevalência de dietas que não fornecem a quantidade necessária de vitaminas, minerais e outros micronutrientes para o corpo, o que faz com que as funções cerebrais não atuem com maestria, surgindo, assim, os distúrbios físicos e/ou psicológicos (Kaner et al, 2015; Ibarra et al, 2015; Ghoneim e O’Hara, 2016; Singh et al., 2017). Assim, embora exista uma ampla gama de hipóteses etiológicas para se fundamentar os efeitos da depressão. Sobre as hipóteses biológicas, entendem que a monoamina propõe um papel bastante importante para o desenvolvimento desse quadro.

A vitamina B12 é apontada como sendo um micronutriente essencial para o bom funcionamento das células. Como no caso de alguns sintomas depressivos, especialmente a tristeza e apatia, é identificado uma disfunção celular; com a disfunção serotoninérgica ou noradrenérgica desse elemento, certamente fará com que um sujeito desenvolva o transtorno, pois haverá a falta da vitamina B12 que é a principal responsável pela transferência do carbono necessário para a produção da serotonina e outros neurotransmissores na monoamina ( Beydoun, et al., 2010; Hujits et al, 2012; Iqtidar e Chaudary, 2012; Seppälä et al., 2013).

Isso ocorre, porque com a deficiência dessa vitamina, há o acúmulo de uma substância chamada homocisteína que pode agravar o transtorno, o aumentando significativamente. Além disso, a falta de vitamina B12 pode apresentar problemas neurológicos como dormência, a perda do equilíbrio, a perda da sensibilidade e da memória, sensação de vibração e diminuição do poder de funcionamento dos membros. Esses sintomas ainda estão associados a depressão, a mudança de personalidade, alucinações e delírios, irritabilidade e mudanças de humor (Iqtidar e Chaudary, 2012; Hujits et al., 2012).

A deficiência dos níveis de vitamina B12 costumam ser manifestadas, ou fazerem parte das queixas dos pacientes como cansaço, o mal-estar, a falta de ar, a fadiga, os zumbidos nos ouvidos a letargia. Além disso, em alguns casos existem as lesões cutâneas, como a palidez, a coloração amarelada na pele, o vitiligo, a hiperpigmentação, a estomatite angular, mudanças de cabelo, a ulceração e a língua vermelha musculosa. (Iqtidar e Chaudary, 2012). Estes sintomas podem ainda mimetizar a depressão, trazendo assim, um fator de confusão (Beydoun, et al., 2010; Hujits et al, 2012; Iqtidar e Chaudary, 2012; Seppälä et al., 2013).

Dentro deste contexto, esta pesquisa buscou responder a seguinte pergunta: O que a literatura aponta com relação a existência de associação da depressão com aspectos nutricionais, especialmente a deficiência de B12, em pacientes bariátricos ou não?

MATERIAIS E MÉTODOS

Para responder as ambições desta pesquisa, foi realizada uma busca na base de dados da Pubmed no mês de janeiro de 2019, estudos nacionais e internacionais que apontassem a associação direta ou indireta entre a vitamina B12 e a depressão e publicados a partir do ano de 2000. As palavras chaves (descritores) usadas foram: Depressão AND depression; Bariátrica AND bariatric; Vitamin B12; Depressive Desorder; Nutrition AND Depression; Depressive symptoms.

Foram selecionados 44 artigos, porém, após análise do material notou-se que 11 estavam relacionando a depressão apenas aos aspectos cognitivos, e, portanto, se distanciavam da associação investigada, sendo então revisados 33 estudos dentro das características aludidas anteriormente, os quais foram compilados conforme a tabela abaixo:

AUTORES TÍTULO REVISTA ANO
Alec Coppen, Christina Bolander-Gouaille Treatment of depression: time to consider folic acid and vitamin B12. Journal of Psychopharmacology 2005
Lilian F.A. Alves

Ricardo M. Gonçalves

Giovana V. Cordeiro

Márcio W. Lauria

Adauto V. Ramos

Beribéri Pós Bypass Gástrico: Uma Complicação Não Tão Rara. Relato de Dois Casos e Revisão da Literatura Arq Bras Endocrinol Metab 2006
Olaf Stanger,Brian Fowler,Klaus Piertzik,Martina Huemer,Elisabeth Haschke-Becher,Alexander Semmler,Stefan Lorenzl, Michael Linnebank Homocysteine, folate and vitamin B12 in neuropsychiatric diseases: review and treatment recommendations Zurich Open Repository and Archive 2009
Kimberly A Skarupski, Christine Tangney, Hong LiBichun Ouyang, Denis A Evans, Martha Clare Morris Longitudinal association of vitamin B-6, folate, and vitamin B-12 with depressive symptoms among older adults over time The American Journal of Clinical Nutrition 2010
May A. Beydoun;Monal R. Shroff;Hind A. Beydoun;Alan B. Zonderman Serum folate, vitamin B-12 and homocysteine and their association with depressive symptoms among US adults. Psychosomatic Medicine 2010
Marjolein Huijts, Annelien Duits, Julie Staals, Robert J. van Oostenbrugge Association of Vitamin B12 Deficiency with Fatigue and Depression after Lacunar Stroke PLOS ONE 2012
Eunice Y. Chen, PhD, Karla C. Fettich, Emil Coccaro Factors Associated with Suicide Ideation in Severely Obese Bariatric Surgery-Seeking Individuals Suicide and Life-Threatening Behavior 2012
Neelam Iqtidar, Muhammad Naeem Chaudary Misdiagnosed vitamin B12 deficiency a challenge to be confronted by use of modern screening markers Journal of Pakistan Medical Association 2012
Jussi Seppälä, Hannu Koponen,

Anu Kautiainen, Johan G Eriksson, Olli Kampman, Jaana Leiviskä,

Satu Männistö, Pekka Mäntyselkä, Heikki Oksa,

Yrjö Ovaskainen, Merja Viikki,

Mauno Vanhala

Association between vitamin b12 levels and melancholic depressive symptoms: a finnish population-based study BMC Psychiatry 2013
Undine Lang, Stefan Borgwardt Molecular Mechanisms of Depression: Perspectives on New Treatment Strategies Cellular Physiology and Biochemistry 2013
James E. Mitchell, Ross Crosby e Steve Wonderlich Possible Risk Factors for Increased Suicide Following Bariatric Surgery Obesity 2013
Joana Nicolau, Luisa Ayala, Carla Francés, Pilar Sanchís, Ivana Zubillaga, Salvador Pascual, Regina Fortuny, Lluís Masmique Are subjects with criteria for adult attention-deficit/ hyperactivity disorder doing worse after bariatric surgery? A case-control study Nutrición Hospitalaria 2014
N. B. Lundin, M. J. Niciu , D. A. Luckenbaugh,

D. F. Ionescu, E. M. Richards, J. L. Vande Voort, N. E. Brutsche

, R. Machado-Vieira,

C. A. Zarate Jr

Baseline Vitamin B12 and Folate Levels Do Not Predict Improvement in Depression After a Single Infusion of Ketamine Pharmacopsychiatry 2014
Bárbara Tae, Elisabeth Rosa Pelaggi, Julia Guglielmi Moreira, Jaques Waisberg, Tcbc-Sp, Leandro Luongo De Matos, Gilberto D’elia O impacto da cirurgia bariátrica nos sintomas depressivos e ansiosos, comportamento bulímico e na qualidade de vida Rev Col Bras Cir 2014
Valentina Ivezaj, Carlos M. Grilo When Mood Worsens after Gastric Bypass Surgery: Characterization of Bariatric Patients with Increases in Depressive Symptoms Following Surgery Obesity Surgery 2014
Jason M. Lavender, Michael L. Alosco, Mary Beth Spitznagel, Gladys Strain, Michael Devlin, Ronald Cohen, Robert Paul, Ross D. Crosby, James E. Mitchell, Stephen A. Wonderlich, John Gunstad Association between Binge Eating Disorder and Changes in Cognitive Functioning Following Bariatric Surgery Journal of Psychiatric Research 2015
OKEREKE, O.I. et al Effect of long -term supplementation with folic acid and B vitamins on risk of depression in older women The British Journal of Psychiatry 2015
Gülşah Kaner, Meltem Soylu, Nimet Yüksel, Neriman Inanç, Dilek Ongan, Eda Başmısırlı Evaluation of Nutritional Status of Patients with Depression Hindawi Publishing Corporation 2015
Undine E. Lang, Christoph Beglingerb, Nina Schweinfurtha,

Marc Waltera, Stefan Borgwardta

Nutritional Aspects of Depression Cellular Physiology and Biochemistry 2015
Carrie S. Sheets, Christine M. Peat, Kelly C. Berg, Emily K. White, Lindsey Bocchieri-Ricciardi Eunice Y. ChenJames E. Mitchell Post-Operative Psychosocial Predictors of Outcome in Bariatric Surgery Obesity Surgery 2015
Michael L. Alosco, Mary Beth Spitznagel, John Gunstad Pre-Operative History of Depression and Cognitive Changes in Bariatric Surgery Patients Psychology, Health & Medicine 2015
Jeanne McPhee, B.A., Eve Khlyavich Freidl, M. D, Robyn Sysko Suicidal Ideation and Behaviors among Adolescents Receiving Bariatric Surgery: A Case-Control Study European Eating Disorders Review 2015
Osvaldo P. Almeida, Andrew H. Ford, Leon Flicker Systematic review and meta-analysis of randomized placebo-controlled trials of folate and vitamin B12 for depression International Psychogeriatric Association 2015
Ibarra, O; Gili M; Roca, M; Vives, M; Serrano, M. J; Pareja, A; García-Campayo, J; Gómez-Juanes, R; García-Toro, M The Mediterranean Diet and micronutrient levels in depressive patients Nutrición Hospitalaria 2015
M, Ghoneim, M. W, O’Hara Depression and postoperative complications: an overview BMC Surgery 2016
Elisa J. de Koning, Nikita L. van der Zwaluw, Lisette C. P. G. M. de Groot Effects of Two-Year Vitamin B12 and Folic Acid Supplementation on Depressive Symptoms and Quality of Life in Older Adults with Elevated Homocysteine Concentrations: Additional Results from the B-PROOF Study, an RCT Nutrients 2016
Arturo Roizblatt, Daniel Roizblatt, Francisca Soto-Aguilar B Suicidio y cirugía bariátrica: un estudio de la evidencia Rev Med Chile 2016
Sierżantowicz, R; Lewko, J; Hady, H. R.; Kirpsza, B, Trochimowicz, L; Dadan, J Effect of BMI on quality of life and

levels after bariatric surgery

Advances in Clinical and Experimental Medicine 2017
Angelie Singh, Caroline Trumpff, Jeanine Genkinger,

Alida Davis, Marisa Spann, Elizabeth Werner, Catherine Monk

Micronutrient Dietary Intake in Latina Pregnant Adolescents and Its Association with Level of Depression, Stress, and Social Support Nutrients 2017
Sandra Jumbe, Claire Hamlet, Jane Meyrick Psychological Aspects of Bariatric Surgery as a Treatment for Obesity Current Obesity Reports 2017
Amal Bousselamti, Brahim El Hasbaoui, Hanae Echahdi, Yamna Krouile Psychomotor regression due to vitamin B12 deficiency Pan African Medical Journal 2018
Hannah Maier, Saskia Helm, Sermin Toto, NicoleMoschny, Wolfgang Sperling, ThomasHillemacher, Kai G. Kahl, Ewgeni Jakubovski, Stefan Bleich, Helge Frieling, Alexandra Neyazi S100B, Homocysteine, Vitamin B12, Folic Acid, and Procalcitonin Serum Levels in Remitters to Electroconvulsive Therapy: A Pilot Study Hindawi Disease Markers 2018

Fonte: Autor

DISCUSSÕES

Já é um consenso entre os profissionais da saúde que a obesidade é responsável ou impulsiona uma série de patologias, dentre elas, as mais recorrentes são: Diabetes Tipo 2, doenças cardiovasculares, doenças respiratórias, doenças de ordem psicológicas, predisposição ou agravamento do câncer, dentre outras (Chen et al., 2012; Alosco et. al. 2015; Sierżantowicz et al., 2017; Jumbe, Hamlet e Meyrick , 2017). De acordo com a Organização Mundial da Saúde, estima-se que no mundo existam mais de 300 milhões de pessoas obesas (Tae et al, 2014). Desta forma, a cirurgia bariátrica atua como importante ferramenta de enfrentamento desta patologia.

No entanto, pacientes que se submetem a cirurgia bariátrica apresentam com grande facilidade transtornos psiquiátricos, tais como os distúrbios alimentares, Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e depressão (Nicolau et al, 2014; Sheets et al., 2015), porém, a depressão anterior, relacionada a obesidade também é facilmente encontrada, o que ocorre após o procedimento bariátrico então pode variar ou se agravar (Ivezaj e Grillo, 2014; Lavender et al., 2015).

Aponta-se, que, esta predisposição maior nos pacientes pós bariátricos do que nos demais grupos esteja associada ao fato não apenas das limitações de ingestão de micronutrientes, como também, pelo próprio processo cirúrgico em que o paciente é submetido, trazendo-lhe mudanças no seu comportamento alimentar e necessidade de mudança de estilo de vida de forma abrupta, a qual muitas vezes o paciente não está preparado (Ghoneim e O’Hara , 2016; Jumbe, Hamlet e Meyrick, 2017). No entanto, observa-se que independente da causa ou associação, é muito provável que este paciente já apresente quadro de predisposição a depressão antes do procedimento cirúrgico (Chen et al., 2012; Ivezaj e Grilo, 2014; Sheets et al., 2015).

Os estudos observados apontaram que os níveis mais baixos de vitamina B12 estão diretamente associados a um estado de depressão mais grave e, ainda, os níveis séricos dessa vitamina também são detectados em, aproximadamente, 20% dos pacientes psiquiátricos, entretanto, Seppälä et al (2013) afirmam que embora o controle da vitamina B12 melhora, consideravelmente, o quadro dos pacientes depressivos, será em vão caso outros transtornos em potencial a serem desenvolvidos não sejam igualmente tratados, como a ansiedade e o isolamento social, por exemplo.

A deficiência da vitamina B12 também foi identificada em outras patologias como: a diabetes mellitus, a esclerose múltipla, a doença de Alzheimer, a demência, a tireoidite, a artrite reumatoide, a anemia etc (Maier et. al. 2018). No entanto, é necessário o profissional da saúde considerar os marcadores capazes de demonstrar os níveis séricos da vitamina B12 nos indivíduos de forma correta, sendo necessário acompanhar diretamente os resultados das evoluções dos estudos desse setor (Iqtidar e Chaudary, 2012).

Nos pacientes que se submetem a cirurgia bariátrica as deficiências nutricionais, cerca de 10% costumam apresentar problemas psicológicos, pós-operatório (Chen et. al, 2012, Ghoneim e O’Hara, 2016). No entanto, cerca de 40% dos pacientes já apresentam episódios de depressão no pré operatório (Alosco et. al. 2015) levando os médicos a observarem constantemente sobre a necessidade de um cuidado psicológico pré e pós operatório ( Alves et al, 2006; Mitchell et al., 2013; Lavender et. al., 2015; Ghoneim e O’Hara , 2016; Jumbe, Hamlet e Meyrick, 2017), especialmente pelo aumento da taxa de suicídio neste grupo (Chen et. al, 2012; Mitchell et. al., 2013; McPhee et. al., 2013; Roizblatt, Roizblatt e Soto-Aguilar, 2016).

Nesta parcela de pacientes, o cuidado com relação a vitamina B12 tende a ser mais específico devido as facilidades de variações dos resultados dos exames, colocando esta parcela mais susceptível a transtornos provindos da falta deste micronutriente, em especial, a depressão (Alves et. al. 2006; Sierżantowicz et al., 2017).

Outras deficiências nutricionais também são encontradas em pacientes que apresentam transtornos e/ou distúrbios psicológicos, como a desnutrição proteica, as deficiências de ferro e zinco e as deficiências vitamínicas (tiamina, niacina, cobalamina, ácido fólico, vitamina D, vitamina A e vitamina E) (Alves et al., 2006; Sigh et al. 2017). Além disso, é importante considerar que a falta de vitamina B12 pode acompanhar outras deficiências, como doenças hematológicas, epidérmicas, fadigas, dentre outras já descritas anteriormente e que são doenças também associadas a depressão (Beydoun, et al., 2010; Hujits et al, 2012; Iqtidar e Chaudary, 2012; Seppälä et al., 2013).

Porém, Lang e Borgwardt (2013) chamam a atenção para o fato de que apesar da associação da falta de micronutrientes , especialmente o B12 , com a depressão e demais problemas de ordem psicológicas , eles não devem ser tratados como únicos responsáveis, mas sim, se tornar mais uma das ferramentas e cuidados necessários a estes pacientes, não sendo sob hipótese alguma descartados os outros tratamentos terapêuticos e medicamentosos (Lundin et. al. 2014). Porém, ainda assim, os estudos de Almeida, Ford e Flicker (2015) e Maier et. al. (2018), comprovaram que os micronutrientes regulados proporcionam ao individuo maior susceptibilidade aos tratamentos de depressão e demais transtornos comportamentais, em especial, através do nivelamento da B12. Desta forma, é possível observar que a avaliação do estado nutricional dos pacientes com depressão, em especial aqueles submetidos ao procedimento bariátrico é fundamental para o sucesso do tratamento (Almeida, Ford e Flicker, 2015; Kaner et al., 2015; Bousselamti et al., 2018).

Assim, para um bem estar e qualidade de vida é recomendado o consumo de macro e micronutrientes de forma adequada, sempre em acompanhamento com profissionais que trabalhem de forma multidisciplinar e integrada, em especial nos casos que envolvam sintomas de depressão ( Sichieri et al, 2000; Beydoun et al., 2010; Lundin et. al. 2014; Okereke et. al. 2015; Koning et al., 2016). Koning et al., (2016) ainda apontaram para estudos que comprovam que os efeitos positivos da administração da vitamina B12 para depressão podem ser aumentados se foram associados com o ácido fólico, especialmente com a administração a médio e longo prazo.

CONCLUSÕES

Por meio dessa análise é possível perceber que há um maior risco de se desenvolver sintomas melancólicos e/ou depressivos, quando há baixos níveis da vitamina B12 , os sintomas mais comuns estão associados a tristeza e a incapacidade pessoal, o que tende a acarretar no desenvolvimento de outros transtornos psíquicos se o quadro depressivo não for controlado por meio do nivelamento adequado da vitamina necessária.. Os estudos ainda apontam que outros micronutrientes tendem a influenciar a eficiência do funcionamento psicológico, ou ainda, atuar de forma benéfica quando associado a vitamina B12, como é a questão do ácido fólico.

O estudo é uma revisão sistemática, sendo necessários mais estudos para elucidar a associação e entre micronutrientes e a depressão em grupos variados.

REFERÊNCIAS

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[1] PhD. em Psicanálise. Pesquisadora do desenvolvimento Humano, vinculada ao Centro de Pesquisa e Estudos Avançados – CEPA.

[2] Graduada em medicina. Nutróloga, especialista em reposição hormonal.

[3] Graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Residência Medica em Cirurgia Geral no Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Residência Médica em Cirurgia Geral Avançada no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Preceptoria Médica dos internos do sexto ano da Graduação da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Titulo de Cirurgião Geral pelo Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC). Titulo de Cirurgião do Aparelho Digestivo pelo Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD). Membro Associado da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM). Médico Assistente da Divisão de Clínica Cirúrgica III do Instituto Central do Hospital das Clínicas da FMUSP.

 

Enviado: Junho, 2019.

Aprovado: Junho, 2019.

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