Perfil das Vítimas de Acidentes Terrestres Atendidos pelo Serviço de Atendimento Móvel – Samu de Itumbiara – GO

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Perfil das Vítimas de Acidentes Terrestres Atendidos pelo Serviço de Atendimento Móvel – Samu de Itumbiara – GO
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BRASILEIRO, Marislei de Sousa Espíndula [1], SOUZA, Janaína Pereira de [2]

BRASILEIRO, Marislei de Sousa Espíndula; SOUZA, Janaina Pereira de. Perfil das Vítimas de Acidentes Terrestres Atendidos pelo Serviço de Atendimento Móvel – Samu de Itumbiara – GO. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 06, Vol. 02, pp. 15-22, Junho de 2018. ISSN:2448-0959

Resumo

Acidentes de trânsito são um dos maiores problemas de saúde pública em escala mundial. E as lesões relacionadas com o trânsito de veículos e pessoas nas vias públicas correspondem ao termo acidentes de transporte terrestre, de acordo com a Classificação Internacional de Doenças. Nesse sentido, foi criado o sistema de emergência e urgência que atende feridos nas residências, locais de trabalho e vias públicas, chamado de Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Diante deste contexto, este trabalho objetiva realizar uma revisão integrativa sobre o perfil das vítimas de acidentes terrestres atendidos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência de Goiás. A metodologia trata-se de uma revisão integrativa da literatura, a qual se refere a um método que analisa e sintetiza as pesquisas de maneira sistematizada, e contribui para aprofundamento do tema investigado. Foi encontrado um número mínimo de estudos acerca do tema abordado, considerando que são necessários mais estudos que objetivam traçar o perfil das vítimas de acidentes terrestres atendidos pelo Serviço de Atendimento Móvel, para que realmente possam planejar programas de prevenção de acidentes no trânsito.

Palavras-chave: Acidentes, Emergência, Urgência.

1. Introdução

A facilidade que as operadoras de crédito oferecem para que um indivíduo possua um veículo está intimamente ligado ao aumento do número de acidentes de trânsito ocorridos no Brasil.

Essa afirmativa vem ao encontro do que destaca Cavalcante et al. (2015) em que a grande expansão de veículos circulantes nas capitais e adjacências tem sido favorecida nos dias de hoje pela facilidade que o brasileiro possui para adquirir seu veículo, como resultado do maior acesso a bens e serviços. Ao lado disso, o número de acidentes envolvendo esses meios de transporte também vem crescendo, seja por descumprimento da lei, seja por outros fatores.

Outro fator relacionado ao número de acidentes terrestres é a correria do dia a dia, pelo fato das pessoas ficarem apressadas para chegarem a seu destino com rapidez e com pontualidade.

Na visão de Soares et al. (2013) os acidentes de trânsito no Brasil têm sido considerados uma epidemia, pois as taxas de mortalidade, superiores às de países desenvolvidos, têm vitimado, principalmente, os chamados grupos vulneráveis: ciclistas, motociclistas e pedestres.

Os dados são assustadores, de acordo com o Ministério da Saúde em 2015 foram registrados 37.306 óbitos e 204.000 feridos hospitalizados por acidentes terrestres no Brasil. Em Goiás, os acidentes de trânsito são a segunda maior causa de morte.

Para minimizar esse problema foi lançada a Portaria GM/MS n.º 2048, de 5 de novembro de 2002 que institui o Regulamento Técnico dos Sistemas Estaduais de Urgência e Emergência, na tentativa de se organizar todo o atendimento às urgências no país e em 2003 foi instituído o componente pré-hospitalar móvel desta política, por intermédio da “implantação de Serviços de Atendimento Móvel de Urgência em municípios e regiões de todo o território brasileiro: SAMU (BRASIL, 2002)”.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) destina-se ao atendimento de urgência e emergência nas residências, locais de trabalho e vias públicas. A assistência é realizada depois de chamada gratuita para o telefone 192, no qual a ligação é atendida por técnicos da central de regulação que transferem o telefonema para o médico regulador (CABRAL; SOUZA, 2008).

Assim, este trabalho justifica em aprofundar os conhecimentos sobre essa temática, na intenção produzir informações fundamentais para auxiliar na adoção de medidas que visassem a redução dos acidentes de trânsito.

Diante deste contexto, este trabalho objetiva conhecer o perfil das vítimas de acidentes terrestres atendidos pelos Serviços de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU/GO. Mais especificamente: apresentar o SAMU e sua importância como serviço de urgência e emergência; analisar trabalhos científicos já publicados para descrever o perfil dos acidentados atendidos.

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, a qual se refere a um método que analisa e sintetiza as pesquisas de maneira sistematizada, e contribui para aprofundamento do tema investigado, e a partir dos estudos realizados separadamente é possível construir uma única conclusão, pois foram investigados problemas idênticos ou parecidos (MENDES; SILVEIRA e GALVÃO, 2008). A questão norteadora do presente estudo foi: Qual o perfil das vítimas de acidentes terrestres atendidas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU de Goiás?

Os critérios de inclusão correspondem: trabalhos publicados no site dados Scielo e Google Acadêmico que tratam do perfil das vítimas de acidentes terrestres atendidos pelo SAMU – GO, sem limite de data de publicação.

Após a leitura na íntegra de cada um dos artigos, foi preenchido um instrumento, elaborado pela autora contendo: identificação do artigo, ano de publicação, tipo de instituição onde foi realizado o estudo, metodologia empregada, nível de evidência e o levantamento bibliográfico de estudos.

2. Resultados e discussão

2.1 Violência no trânsito

Os pedestres, juntamente com ciclistas e mo­tociclistas, fazem parte do grupo de usuários do trânsito mais vulneráveis. Segundo dados da Or­ganização Mundial da Saúde (OMS, 2013) todos os anos mais de 270.000 pedestres perdem suas vidas nas vias públicas de todo o mundo. Isto represen­ta 22% de todas as mortes no trânsito no mundo, sendo que em alguns países a morte de pedestres pode chegar a 2/3 dos óbitos no trânsito. Além dos acidentes fatais, há ainda uma parcela expressiva desses eventos que gera sequelas ou incapacidades permanentes nas vítimas.

A motocicleta é atualmente o meio de transporte mais popular no Brasil. Representa hoje, 26% da frota nacional, constituindo-se em um veículo ágil para transporte ou trabalho, tem preço acessível e baixo custo de manutenção, além de facilitar e reduzir o tempo de deslocamento no tráfego intenso dos grandes centros urbanos, diante dos inúmeros congestionamentos (SOARES et al., 2015).

As vítimas de acidentes de motocicleta assumem o primeiro lugar entre as vítimas de acidente de trânsito com veículos a motor, devido à maior vulnerabilidade e exposição do usuário nas vias públicas, constituindo-se nas principais vítimas fatais, o que representa mais de 50% das mortes no trânsito, bem como importante causa de incapacidades físicas e sequelas que atingem principalmente jovens do sexo masculino.

2.2 Serviço de atendimento móvel de urgência – SAMU

O SAMU tem o propósito de prestar socorro à população em casos de emergência em locais como residências, vias públicas, locais de trabalho, entre outros. Ele funciona 24 horas por dia e a partir da sua criação foi possível a redução do número de óbitos, tempo de internação em hospitais e as sequelas decorrentes da falta de socorro precoce. A estrutura organizacional do SAMU é composta por unidades de suporte básico (USB) e unidades de suporte avançado (USA), sendo esta última composta pelo condutor do veículo, médico e enfermeiro e é acionada em casos mais graves para promover o atendimento à vítima (BRASIL, 2002).

O Ministério da Saúde vem concentrando esforços no sentido de implementar a Política Nacional de Atenção às Urgências, da qual o SAMU 192 é componente fundamental. Tal Política prioriza os princípios do SUS, com ênfase na construção de redes de atenção integral às urgências regionalizadas e hierarquizadas que permitam a organização da atenção, com o objetivo de garantir a universalidade do acesso, a equidade na alocação de recursos e a integralidade na atenção prestada (BRASIL, 2013).

O atendimento do SAMU 192 começa a partir do chamado telefônico, quando são prestadas orientações sobre as primeiras ações. O serviço pode ser acessado gratuitamente pelo número 192, a partir de qualquer telefone, fixo ou móvel. A ligação é atendida por técnicos, que identificam a emergência e coletam as primeiras informações sobre as vítimas e sua localização. Em seguida, as chamadas são remetidas ao Médico Regulador, que presta orientações às vítimas e aciona as ambulâncias quando necessário (BRASIL, 2014).

O SAMU 192 é um serviço territorializado e móvel. As ambulâncias são distribuídas estrategicamente, de modo a otimizar o tempo-resposta entre os chamados da população e o encaminhamento aos serviços hospitalares de referência. A prioridade é possibilitar a cada vítima um atendimento no menor tempo possível, inclusive com o envio de médicos conforme a gravidade do caso. As unidades móveis podem ser ambulâncias, motolâncias, ambulanchas ou aeromédicos, conforme a disponibilidade e necessidade de cada situação, sempre no intuito de garantir a maior abrangência possível (BRASIL, 2014).

2.3 Estudos selecionados para revisão integrativa

Foram encontrados 10 artigos, porém somente 2 artigos foram utilizados, pois atenderam aos critérios de inclusão do estudo. Os outros 8 artigos encontrados se referiam ao perfil de vítimas de acidentes terrestres, só que atendidos pelo Corpo de Bombeiros e Polícia Rodoviária Federal.

Quadro 1 – Distribuição ordenada dos trabalhos selecionados quanto ao ano, autores, periódico e título.

n Ano Autores Periódico Titulo
1 2016 COSTA, L. de A. Repositório Universidade Federal de Goiás Caracterização dos acidentes de trânsito no município de Goiânia – GO.
2 2014 MARTINS, J.C. A.; NOGUEIRA, S. M. Simpósio de pesquisa e extensão de Ceres Perfil epidemiológico dos acidentes por transportes terrestres atendidos no município de Ceres, Goiás – Brasil pelo SAMU – 192

Foram poucos os artigos selecionados para análise, visto que são pequenas quantidades de artigos publicados acerca da temática abordada neste trabalho. Destacamos que na modalidade de pesquisa dos artigos analisados houve a predominância da análise documental, onde os autores analisaram os prontuários do SAMU para apresentarem seus resultados e discussões.

O estudo de Martins e Nogueira (2014) traçaram o perfil epidemiológico dos acidentes por transportes terrestres atendidos no município de Ceres-GO pelo SAMU-192 no período entre junho de 2012 e maio de 2013, identificando e analisando as variáveis como: sexo, faixa etária, procedência e destino.

A partir da análise dos prontuários do SAMU entre o período de junho de 2012 a maio de 2013, foram atendidas 192.547 ocorrências de vítimas de acidentes de transportes terrestres, como veículos automobilísticos e motocicletas. E somente 2,9% desses eram pedestres. Com relação ao perfil demográfico, 70,7% foram do sexo masculino, com faixa etária entre 20 e 39 anos.  No que tange a óbitos, corresponderam a 87,8 a cada 100 mil habitantes. Do total de ocorrências atendidas pelo SAMU nesse período, 87,4% ocorreram em vias públicas, e destas 42, 2% em vias urbanas e 37, 4% em rodovias estaduais e/ou federais (MARTINS e NOGUEIRA, 2014).

Em conformidade com os dados obtidos no estudo, os autores evidenciaram que são semelhantes aos índices divulgados pelo Ministério da Saúde, e indicam a necessidade de programas de conscientização no trânsito, visto que o ser humano anda na correria do dia-a-dia e nem presta atenção direito no trânsito, considerando que há muitos motoristas infratores.

No estudo de Costa (2016) caracterizar o perfil das vítimas por Acidentes de Trânsito em Goiânia – GO, nos períodos de 2009, 2011 e 2014, notificados pelo VIVA Inquérito (Vigilância de Violências e Acidentes) uma rede de Serviços Sentinelas de Vigilância de Violências e Acidentes (Rede VIVA).

As vítimas tiveram o primeiro atendimento nas unidades de serviço de urgência e emergência – SAMU, porém os dados foram extraídos dos prontuários do VIVA, constatando que as vítimas são a maioria do sexo masculino, com idade entre 20 e 39 anos, condutores dos veículos automobilísticos, predominantemente motocicletas, que ocorreram sempre nos fins de semana. Com relação aos ferimentos, a cabeça/face, os membros superiores e inferiores foram as partes do corpo mais atingidas (COSTA, 2016). Os autores deste estudo destacaram a necessidade de ações efetivas, principalmente preventivas, já que, a referida cidade, é uma das três capitais, no país, que mais mata no trânsito.

De acordo com os estudos selecionados e analisados evidencia-se que as vítimas de acidentes terrestres atendidos pelo SAMU são na maioria do sexo masculino com idade entre 20 e 29 anos, provocados em sua maioria por veículos automobilísticos, e logo em seguida as motocicletas.

Considerando os estudos referentes ao perfil de vítimas de acidentes terrestres atendidos pelo Corpo de Bombeiros através do estudo de Ferreira (2016) em Cristalina – GO e Pereira (2017) em Goiânia – GO, os resultados foram semelhantes aos atendidos pelo SAMU, analisados no presente trabalho.

Considerações finais

A realização desta pesquisa mostra que os objetivos, tanto geral como específicos foram alcançados e respondidos, uma vez que após a análise integrativa dos estudos selecionados foi possível traçar o perfil das vítimas de acidentes terrestres atendidas pelo SAMU – Goiás. Apesar de encontrar pouca literatura sobre o tema abordado, foi possível desenvolver um trabalho de acordo com o projeto inicial de traçar o perfil de vítimas de acidentes terrestres atendidos pelo SAMU – GO.

Por ter sido encontrado um número mínimo de estudos acerca do tema abordado, considerando que são necessários mais estudos que objetivam traçar o perfil das vítimas de acidentes terrestres atendidos pelo Serviço de Atendimento Móvel, para que realmente possam planejar programas de prevenção de acidentes no trânsito.

Referências bibliográficas

BRASIL. SAMU – 192. Portal da Saúde. Disponível em: http://u.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/secretarias/959-sas-raiz/dahu-raiz/urgencia-e-emergencia/l2-urgencia-e-emergencia/20472-servico-de-atendimento-movel-de-urgencia-samu-193. Acesso em: 25 abr. 2018.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Especializada. Manual instrutivo da Rede de Atenção às Urgências e Emergências no Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília, 2013.

BRASIL. Projeto de Lei nº 5.088, de 2013, na Casa de origem, que torna obrigatória a permanência de ambulância de resgate e de profissional da área da saúde em lugares com grandes aglomerações de pessoas.

BRASIL. Portaria GM/MS n.º 2048, de 5 de novembro de 2002. Institui o Regulamento Técnico dos Sistemas Estaduais de Urgência e Emergência.

CABRAL, Amanda P.S.; SOUZA, Wayner V.; LIMA, Maria L.C. Serviço de Atendimento Móvel de Urgência: um observatório dos acidentes de transportes terrestre em nível local. Rev. bras. epidemiol., São Paulo, v. 14, n. 1, p. 3-14, 2011.

CAVALCANTE, Andreia Karla de Carvalho Barbosa; HOLANDA, Veridiana Maciel; ROCHA, Carla Fabiana Mauriz; CAVALCANTE, Silvanio Wanderley; SOUSA, João Paulo Rêgo; SOUSA, Francisco Helder Rêgo. Perfil dos acidentes de trânsito atendidos por serviço pré-hospitalar móvel. Revista Baiana de Enfermagem, Salvador, v. 29, n. 2, p. 135-145, abr./jun. 2015.

COSTA, Ludmila de Araújo. Caracterização dos acidentes de trânsito no município de Goiânia – GO. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Goiás – Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública (IPTSP), cidade de Goiás, 2016.

FERREIRA, Bruno Alves. O perfil dos acidentes de trânsito atendidos pelo corpo de bombeiros militar na cidade de Cristalina-Go no ano de 2015. Artigo (Pós-Graduação) – Universidade Estadual de Goiás ao curso Gerenciamento em Segurança Pública.

MARTINS, Júlio César Araújo; NOGUEIRA, Suelen Marçal. Perfil epidemiológico dos acidentes por transportes terrestres atendidos no município de Ceres, Goiás – Brasil, pelo SAMU – 192. II Simpósio de pesquisa e extensão de Ceres e Vale de São Patrício, Nov. 2014 – UEG Campus Ceres – GO. 2014.

PEREIRA, Aldeci de Araújo. Perfil dos acidentes de trânsito atendidos na área do 5º Batalhão Bombeiro Militar, GOIÁS, 2016. Artigo Científico. Comando da Academia e Ensino Bombeiro Militar, 2016.

SOARES, Rackynelly A.S. et al. Caracterização dos acidentes de trânsito que apresentaram como desfecho trauma raquimedular. Rev. enferm. UFPE on line, Recife, v. 7, n. 10, p. 5996-6005, out. 2013.

World Health Organization (WHO). Pedestrian safety: a road safety manual for decision-makers and practitioners. Geneva: WHO; 2013.

[1] Doutorado em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (2011), Doutorado em Ciências da Religião pela Faculdade de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (2010), Mestrado em Enfermagem pela Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (2004); Especialização em Planejamento Educacional (2001), Graduação/Bacharelado/Licenciatura em Enfermagem e Obstetrícia pela Universidade Federal de Goiás (1992).

[2] Bacharel em Enfermagem pela Faculdade Santa Rita de Cássia – IFASC. Pós–Graduanda em Emergência e Urgência pelo Centro de Estudos em Enfermagem e Nutrição – CEEN.

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