Time de resposta rápida no atendimento do politraumatizado na unidade de pronto atendimento: relato de experiência

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ARTIGO ORIGINAL

PEREIRA, Aline Lacerda [1], OLIVEIRA, Ana Cristina [2], NOGUEIRA, Isabela Ferreira [3], ROCHA, Crystian Wheslei Pereira da [4], BRASILEIRO, Marislei de Sousa Espíndula [5]

PEREIRA, Aline Lacerda. Et al. Time de resposta rápida no atendimento do politraumatizado na unidade de pronto atendimento: relato de experiência. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 06, Ed. 10, Vol. 04, pp. 137-144. Outubro 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/atendimento-do-politraumatizado

RESUMO

É de conhecimento público que o serviço de emergência no Brasil é considerado a porta de entrada para o Sistema Único de Saúde e que situações de emergência, como o politraumatismo estão presentes a todo momento no dia a dia das pessoas, consistindo em um grave problema de saúde pública. A pergunta norteadora desse material foi: Como os profissionais de saúde juntamente com a gestão podem se preparar para realizar um atendimento efetivo melhorando o índice de sobrevida e o grau de invalidez dos pacientes vítimas de politrauma? Este estudo tem como objetivo relatar a vivência de uma enfermeira no atendimento à vítima de trauma, antes e após treinamento e implementação do time de resposta rápida. A metodologia utilizada foi descritiva e observacional, que aborda a situação vivenciada no âmbito profissional. O levantamento de dados foi dividido em 3 períodos: levantamento das problemáticas, implantação da possível solução e avaliação das atividades realizadas. Chegando à conclusão de que o preparo da equipe através de um processo contínuo de capacitação e a interação da equipe do Atendimento Pré-hospitalar com a Unidade de Pronto atendimento, no aviso prévio do encaminhamento da vítima, provoca uma melhoria na qualidade de atendimento ao paciente politraumatizado.

Descritores: Emergência, Equipe de Enfermagem, Traumatismo múltiplo.

INTRODUÇÃO

O politraumatismo advém de um evento traumático em que há grande desprendimento de energia, como: quedas, acidentes de trânsito, atropelamentos, ferimentos por armas de fogo, entre outras causas que resultem em graves lesões. É considerado a primeira causa de morte entre os indivíduos na faixa etária de 20 a 40 anos de idade, acometendo especialmente vítimas do sexo masculino (DA SILVA SANTOS, 2018). O alto índice de óbito decorrente das lesões relacionadas ao trauma demanda uma assistência adequada e rápida, a fim de reduzir ao mínimo às sequelas e a morte.

As Unidades de Pronto Atendimento fazem parte da Rede de Atenção as Urgências, compondo uma rede organizada em conjunto com a Atenção Hospitalar, onde o Politrauma é um atendimento frequente, por se tratar de uma instituição de saúde porta aberta para atendimentos de média e alta complexidade, tendo como objetivo prestar o primeiro atendimento nas urgências, visando estabilização do caso clínico e posterior julgamento para a necessidade de hospitalização (DE MOURA et al., 2017).

Sendo assim, o presente artigo, tem como questão norteadora: Como os profissionais de saúde juntamente com a gestão podem se preparar para realizar um atendimento efetivo melhorando o índice de sobrevida e o grau de invalidez dos pacientes vítimas de politrauma? Tendo como objetivo, relatar a vivência de uma enfermeira no atendimento à vítima de trauma, antes e após o treinamento e a implementação do time de resposta rápida.

O time de resposta rápida é constituído por uma equipe multidisciplinar composta por: médicos, equipe de enfermagem e fisioterapeutas especializados em atendimento de emergência. Onde são responsáveis pela avaliação, triagem e tratamento dos pacientes com sinais de deterioração clínica, fundamentado nas evidências científicas como é o caso do protocolo de trauma atualizado (DE OLIVEIRA MUNIZ, 2020). Sendo assim o profissional de saúde deve estar apto para reconhecer quando um paciente necessita do atendimento de emergência, promovendo tratamento da via aérea, estabilização da coluna cervical, controle de hemorragia e avaliação de disfunção neurológica prestando adequada assistência necessária no momento (FILATRO et al., 2018).

A capacitação profissional é uma metodologia organizada de educação, aos quais as pessoas enriquecem seus conhecimentos, desenvolve suas capacidades e aprimoram suas aptidões no desenvolvimento profissional. Recomenda-se que a equipe seja capacitada na execução das manobras, administração de medicamentos e manuseio dos equipamentos para melhor assistência a saúde de pacientes vítimas de politrauma, onde a qualidade no serviço prestado consiste no conhecimento científico juntamente com tecnologia de saúde disponível aplicada no cuidado ao paciente (AMARANTE et al., 2020). Nessa concepção, a qualidade do cuidado pode ser caracterizada por sete pilares: eficácia, efetividade, eficiência, otimização, aceitabilidade, legitimidade e equidade (LOPES, 2018). Sendo assim, o objetivo deste estudo é relatar a vivência de uma enfermeira especializanda em Urgência e Emergência, no atendimento em vítima de trauma antes e após treinamento prático e implementação do time de resposta rápida.

DESENVOLVIMENTO

O estudo constitui em um relato de vivência da pesquisadora, enquanto enfermeira atuante em uma Unidade de Pronto Atendimento no interior de Mato Grosso, no período de janeiro a dezembro do ano de 2019, com um olhar qualitativo que abordou a problemática a partir de métodos descritivos e observacionais, apresentando uma reflexão sobre situação vivenciada.

A metodologia utilizada para este treinamento foi à realização de roda de conversa, com os profissionais atuantes no serviço de emergência, como: médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem. Foram desempenhados alguns questionamentos para orientar o andamento do assunto, dentre eles: como era o atendimento diante a vítima politraumatizada dentro do serviço e principais dificuldades enfrentadas. Obtivemos como resposta, que o atendimento consistia em utilização dos Equipamentos de Proteção Individual, coleta de dados através da equipe do Pré Hospitalar sobre a cinemática do trauma de maneira breve, seguido de uma abordagem na qual ocorre: identificação do paciente, aferição de sinais vitais, punção venosa periférica e um membro da equipe de enfermagem se deslocava até o consultório médico para chamar e passar o caso clinico do paciente, dependendo da gravidade o médico se direcionava imediatamente até a sala de emergência para realizar atendimento. No que se refere às dificuldades enfrentadas durante o atendimento, foi enfatizado: falta de recursos materiais adequados para assistência, quantidade de profissionais insuficiente, não adesão dos protocolos de atendimentos, falta de comunicação previa dos bombeiros com o serviço de emergência sobre o encaminhamento de vítimas graves, estresse por sobrecarga de serviço.

Após observância das principais problemática enfrentadas, foi realizado capacitação da equipe multiprofissional referente à temática, ocorrendo em dois momentos: teórico e prático. No primeiro período foi realizada uma roda de conversa utilizando metodologia ativa de aprendizado, com duração de aproximadamente 60 minutos, abordando sobre a temática “time de resposta rápida frente ao paciente politraumatizado”, através de um mediador da classe médica, com conhecimento prévio do assunto onde foi abordado: fisiopatologia, diagnóstico, tratamento, intervenções de responsabilidade de cada classe profissional e exibição de experiências exitosas disponíveis na literatura que proporciona melhorias para o atendimento, sendo destacado: implantação do time de resposta rápida e instalação de uma campainha, como sinal de alerta para toda a equipe, evitando-se que os profissionais de enfermagem deixem o paciente sozinho ao chamar o restante da equipe para atendimento. Posteriormente ocorreu a simulação do atendimento a vítima de politrauma intra-hospitalar, através de manequins e demonstração do Procedimento Operacional Padrão, que direciona o atendimento com embasamento científico.

Após educação permanente e implementação do time de resposta, foi observado, em um prazo aproximado de 4 meses, uma melhora significativa no atendimento ao politrauma, onde podemos destacar: 1- Aviso prévio via telefone sobre encaminhamento de vítimas de politrauma, por parte do Corpo de Bombeiro Militar, destacando quadro clinico dos pacientes, objetivando preparo da sala de emergência para receber esse paciente proporcionando um atendimento rápido e efetivo, fortalecendo favoravelmente o prognostico da vítima. 2- Após Implementação do time de resposta rápida, composto por um equipe multidisciplinar com aptidão e conhecimento cientifico para procedimentos de emergência: 01 enfermeira, 02 técnicos de enfermagem, 01 fisioterapeuta, 01 médico e 01 maqueiro que ficam disponíveis por escala de trabalho para procedimentos de emergência, proporcionando ao paciente uma atendimento rápido e efetivo; 3- Implementação da campainha com aviso sonoro, para comunicar entrada de procedimento de emergência na unidade, direcionando equipe do time de resposta rápida para sala vermelha. 4- A avaliação primária da vítima de politrauma, realiza-se a busca por lesões que ofereçam risco iminente à vida do indivíduo. Essa avaliação é desenvolvida por meio de exame físico rápido, seguindo-se de tratamento imediato, a fim de estabelecer o padrão hemodinâmico da vítima, priorizando os critérios preconizados na regra mnemônica do ABCDE (PHTLS, 2020).

Assim como observamos no estudo, existem relatos na literatura cientifica que alertam para o trauma como um evento devastador na sociedade, constituindo uma epidemia letal, demonstrado como um problema de saúde pública, causando um potente impacto na morbidade e mortalidade da população, cabendo à equipe saúde reduzir ao máximo sua letalidade e seqüelas (SILVEIRA et al., 2017). Destacando também a deficiência de conhecimentos da equipe multidisciplinar durante o atendimento, porém destaca-se um ponto essencial, que se trata da necessidade de qualificação profissional para que haja um atendimento de qualidade, coerente e eficaz (ARRUDA et al., 2018)

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Politraumatismo é a principal causa de morte em indivíduos jovens nos países ocidentais. Quando estas não levam a óbito, as lesões, podem deixar sequelas permanentes que tem capacidade de acarretar problemas físicos, psicológicos e sociais. Trata-se de uma ocorrência de vital importância para melhoria do prognóstico do paciente: um atendimento efetivo, infraestrutura adequada, conhecimento técnico científico e trabalho sincronizado por parte da equipe multidisciplinar que realiza o atendimento melhorando o índice de sobrevida e o grau de invalidez dos paciente vítimas de politrauma, a avaliação do paciente de múltiplos traumas deve ter um caráter multidisciplinar e sob protocolo, para garantir a estabilidade e hemodinâmica do paciente, bem como controlar os danos imediatos (DA SILVA SANTOS et al., 2018). Sendo assim, vale destacar que no cotidiano das Unidade de Pronto Atendimento é comum que os profissionais tentem estabilizar os pacientes no menor prazo possível, a fim de garantir a sobrevida ou diminuir sequelas decorrentes daquele evento.

Ao apreciar a assistência prestada ao paciente politraumatizado no serviço de emergência hospitalar, antes do treinamento e implementação do time de resposta rápida, verificou-se a existência de diversos problemas que dificultam o trabalho dos profissionais, dentre eles: falta de recursos material e profissional, ao qual deparamos com equipe profissional reduzida e sobrecarga de trabalho; Material hospitalar com defeito; Déficit em capacitação profissional, com conhecimento científico desatualizados. Posteriormente ao treinamento e implementação do time de resposta, podemos observar que alternativas simples, criativas e de baixo custo, tais como: treinamento teórico prático sobre situações clinicas relevantes, disponibilização de equipe multiprofissional especifica para atendimento de emergências, implantação de uma campainha para acionar com rapidez membros da equipe, disponibilidade de instrumental e medicamentos adequados, trabalho em equipe, representam uma adequada iniciativa, tendo em vista uma assistência segura, favorecendo o melhor prognóstico do paciente.

Podemos concluir dizendo que o treinamento e a implementação do time de resposta rápida para atendimento de politraumatizados em uma unidade de pronto atendimento trouxeram: tranquilidade, capacidade, percepção e tomada de decisão correta em situações clínicas extremamente complexas. O índice de sobrevida e o grau de invalidez dos politraumatizados são determinados, em grande parte dos casos, pela experiência, capacitação e pelo poder de decisão da equipe. A qualidade do atendimento prestado na sala de emergência é determinante para uma rápida recuperação do paciente. O atendimento mediante utilização de protocolos direciona melhor a equipe e a torna mais ágil nos cuidados que devem ser prestados.

REFERÊNCIAS

AMARANTE, Aurea Eunice Rocha et al. Impacto das novas tecnologias na gestão em saúde: estudo de caso do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte-EPE. Dissertação de Mestrado. 2020.

ARRUDA, S; SHEUERMANN, M. M., OLIEIRA, W. X. Elaboração Do Protocolo Institucional De Atendimento Na Parada Cardiorrespiratória Em Um Hospital De Grande Porte Da Serra CatarinenseRevista UNIPLAC. V. 6, N. 1, 2018.

DA SILVA SANTOS, Milaine Amanda et al. Assistência de enfermagem ao paciente politraumatizado. Caderno de Graduação-Ciências Biológicas e da Saúde-UNIT-ALAGOAS, v. 4, n. 3, p. 11, 2018.

DE MOURA, Maria do Amparo Alves et al. Utilização do protocolo de cirurgia segura com paciente politraumatizado atendido na sala de emergência.  Revista Científica de Enfermagem, v. 7, n. 19, p. 62-74, 2017.

DE OLIVEIRA MUNIZ, Vinícius. Time De Resposta Rápida: atuação e percepção do enfermeiro em um hospital de Serra-ES. Revista Científica Doctum Multidisciplinar, v. 1, n. 4, 2020.

FILATRO, Andrea; CAVALCANTI, Carolina Costa. Metodologias Inov-ativas na educação presencial, a distância e corporativa. Saraiva Educação SA, 2018.

LOPES, Mayane Santana de Oliveira. Satisfação e segurança do paciente em serviço hospitalar de emergência. Repositório UNB.  2018.

Prehospital Trauma Life Support (PHTLS) atendimento pré-hospitalar ao traumatizado, 9ª edição. NAEMT & ACS. 2020.

SILVEIRA, Elvis da Silva; O’DWYER, Gisele. Centro de Trauma: modelo alternativo de atendimento às causas externas no estado do Rio de Janeiro. Saúde em Debate, v. 41, p. 243-254, 2017.

[1] Graduada em Enfermagem- UFMT. ORCID: 0000-0003-0735-9027

[2] Pós-graduada em Gestão em Saúde com ênfase em Saúde da Família; Graduada em Enfermagem- UFMT. ORCID: 0000000345712055

[3] Graduada em Enfermagem- UNIVAR. ORCID: 000000029360692

[4] Graduando de Medicina – UNIMAR; Técnico de enfermagem. ORCID: 0000000239778990

[5] Orientador. ORCID: 0000-0003-1162-7987

Enviado: Maio, 2021.

Aprovado: Outubro, 2021.

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