REVISTACIENTIFICAMULTIDISCIPLINARNUCLEODOCONHECIMENTO

Revista Científica Multidisciplinar

Pesquisar nos:
Filter by Categorias
Administração
Administração Naval
Agronomia
Arquitetura
Arte
Biologia
Ciência da Computação
Ciência da Religião
Ciências Aeronáuticas
Ciências Sociais
Comunicação
Contabilidade
Educação
Educação Física
Engenharia Agrícola
Engenharia Ambiental
Engenharia Civil
Engenharia da Computação
Engenharia de Produção
Engenharia Elétrica
Engenharia Mecânica
Engenharia Química
Ética
Filosofia
Física
Gastronomia
Geografia
História
Lei
Letras
Literatura
Marketing
Matemática
Meio Ambiente
Meteorologia
Nutrição
Odontologia
Pedagogia
Psicologia
Química
Saúde
Sem categoria
Sociologia
Tecnologia
Teologia
Turismo
Veterinária
Zootecnia
Pesquisar por:
Selecionar todos
Autores
Palavras-Chave
Comentários
Anexos / Arquivos

Assistência de pré-natal em mulheres privadas de liberdade: uma revisão de literatura

RC: 101505
671
5/5 - (3 votes)
DOI: ESTE ARTIGO AINDA NÃO POSSUI DOI
SOLICITAR AGORA!

CONTEÚDO

ARTIGO DE REVISÃO

RODRIGUES, Alana Vanessa Da Silva [1], ARAÚJO, Sabrina Santos [2], GUIMARÃES, Antonia Eliene Alves [3], SILVA, Suzanny Oliveira [4], LEITE, Cristina Limeira [5]

RODRIGUES, Alana Vanessa Da Silva. Et al. Assistência de pré-natal em mulheres privadas de liberdade: uma revisão de literatura. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 06, Ed. 11, Vol. 08, pp. 185-197. Novembro 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/assistencia-de-pre-natal

RESUMO

Considerando o aumento do número de mulheres encarceradas, que vivenciam o período gravídico-puerperal, demanda-se a necessidade de os espaços de reclusão atender as necessidades desta população. Nesse sentido, diversas instituições, não dispõem de estrutura adequada às necessidades de mulheres, considerando-se que estes locais foram projetados especificamente para a população masculina. O pré-natal compreende o processo de assistência à saúde da mulher durante o período de gestação, consistindo em diversos procedimentos clínicos que possuem a finalidade de promover saúde à gestante e o concepto. Nesse enfoque, tem-se a seguinte pergunta norteadora: Como se dá a assistência pré-natal, a mulher no período gravídico-puerperal que se encontra em condições de privação de liberdade? O objetivo deste estudo foi descrever como é realizado o atendimento pré-natal as mulheres que se encontram em situação de privação de liberdade no Brasil. Através de uma abordagem qualitativa, caracterizando-se como uma revisão da literatura. Os instrumentos utilizados para coleta de dados foram artigos científicos publicados entre 2015 e 2021, os quais foram selecionados a partir das bases de dados Periódico Capes/CNPq, SciELO, PubMed, LILACS e MEDLINE. Identificou-se a existência de dificuldades na atenção à saúde em todas as fases do ciclo de gestação e puerperal, de forma que a assistência durante o pré-natal é insuficiente para as demandas que ocorrem no contexto de privação de liberdade, faltando estrutura adequada para a realização do atendimento pré-natal. É necessária a promoção de políticas públicas específicas para a organização política, administrativa e organizacional do sistema penitenciário referente ao atendimento na saúde, especificamente no atendimento à saúde da mulher, visando promover atenção integral valorizando o indivíduo em todas as fases da vida.

Palavras-chave: Gestação, Mulheres privadas de liberdade, Assistência de Enfermagem.

1. INTRODUÇÃO

De acordo com a 12ª edição da Lista Mundial da População Carcerária, o Brasil classifica-se no terceiro lugar do ranking mundial de maiores populações em privação de liberdade, possuindo na atualidade cerca de 690.000 presos ao total, dos quais 45.000 se identificam como mulheres. Nesse cenário, o percentual de mulheres penitenciárias é significativamente menor do que o de homens. Todavia, nas duas últimas décadas tem-se relatado o crescimento desta população em até 567% (WALMSLEY, 2018).

Embora o encarceramento de mulheres tenha apresentado aumento nas duas últimas décadas, o crescimento de presídios femininos não tem acompanhado o ritmo de crescimento de encarceramento desta população (SIMÕES; BARTOLOMEU; SÁ, 2017). A partir disso, diversas instituições que comportam mulheres não dispõem de estrutura adequada às necessidades de mulheres, considerando-se que estes locais foram projetados especificamente para a população masculina (FERRARI; SIMÕES, 2019).

Diante do aumento do número de mulheres privadas de liberdade, e do aumento da porcentagem de mulheres encarceradas que vivenciam o período gravídico-puerperal. Em vistas disso, tem-se a Lei Federal 11.942 de 2009, assegurando que esta população, teria direito a assistência durante o período de gestação, tendo também direito à assistência pós-natal à mãe e à criança (BRASIL, 2009). No Brasil, o Departamento Nacional Penitenciário dispõe da Política Nacional de Atenção às Mulheres em Privação de Liberdade e Egressas do Sistema Prisional (PNAMPE), o qual tem o objetivo de contribuir com a garantia e consolidação dos direitos de mulheres privadas de liberdade.

O pré-natal, compreende o atendimento de saúde prestado com a finalidade de acompanhar o desenvolvimento saudável do feto, evitando assim complicações durante o período gestacional e pós-gestacional para a mãe e o filho. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) demonstram que a assistência de saúde durante o pré-natal deve corresponder a um determinado número mínimo de consultas durante a gravidez, consistindo na oportunidade de que serviços de saúde realizem atividades que promovam educação em saúde, oferecendo suporte psicológico bem como orientações com relação ao período gestacional (RIBEIRO; AZEVEDO, 2019).

Nesse cenário, com o entendimento de que se faz relevante e urgente a ampliação de discussões científicas e teóricas sobre mulheres privadas de liberdade e o ambiente prisional, o presente estudo se propôs a analisar a assistência de pré-natal em mulheres que se encontram em situação de privação de liberdade no Brasil.

Assim, o presente estudo tem como objetivo analisar a assistência de pré-natal em mulheres que se encontram em situação de privação de liberdade no Brasil. A metodologia utilizada, trata-se de uma revisão da literatura. Com base na seguinte pergunta norteadora: Como se dá a assistência pré-natal, a mulher no período gravídico-puerperal que se encontra em condições de privação de liberdade? Nesse sentido, espera-se contribuir com os interessados na temática, bem como gestores, e profissionais da saúde.

2. METODOLOGIA

A presente pesquisa trata-se de uma revisão da literatura. Os procedimentos adotados tiveram como premissa a síntese de conhecimentos e a aplicabilidade de dados que tenham significado para o objetivo da pesquisa (SOUZA et al., 2019). O estudo partiu da seguinte questão norteadora: Como se dá a assistência em saúde da mulher no período gravídico-puerperal, no contexto do sistema prisional brasileiro?

A coleta de dados foi desenvolvida a partir de artigos científicos publicados no idioma português e inglês a partir das bases de dados Periódico Capes/CNPq, SciELO, PubMed, MEDLINE e LILACS entre julho e agosto de 2021, com critério de inclusão temporal para ano de publicação entre o período de 2015 a 2021. A busca de artigos escolhidos baseou-se nos descritores: Gestação. Mulheres privadas de liberdade. Assistência de Enfermagem.

A partir da varredura de estudos nas bases de dados consultadas, foram selecionados 10 artigos científicos para compor a análise de dados. Os estudos foram selecionados foram submetidos a técnica de Análise de Conteúdo (BARDIN, 2011) considerando a amostra intencional (POLIT; BECK, 2011) da pesquisa. Foram excluídos todos os estudos que não correspondem aos critérios de inclusão da pesquisa.

A seguir são apresentados os resultados do estudo desenvolvido. Inicialmente, a Figura 1 apresenta o fluxograma de seleção de estudos do PRISMA correspondente as etapas de revisão da literatura, descrevendo todos os portais de consulta de artigos científicos utilizados no estudo e discriminando o processo de seleção do material analisado.

Quadro 1 – Fluxograma de coleta de dados e seleção de estudos que compõe a amostra

Fonte: Autores, 2021.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

No Quadro 2 são apresentados os 10 (dez) artigos científicos selecionados para compor a análise de dados da pesquisa. São identificadas as principais informações coletadas, as quais identificam o título do estudo, o ano de publicação, autores, título, objetivos e resultados da pesquisa. Do total de artigos coletados para análise, 9 (nove) artigos científicos foram publicados no idioma português, 1 (um) artigo foi publicado no ano de 2021, 3 (três) artigos publicados no ano de 2020, 1 (um) artigo publicado no ano de 2019, 2 (dois) artigos publicados no ano de 2017, 2 (dois) artigos publicados no ano de 2016 e 1 (um) artigo publicado no ano de 2015.

Quadro 2 – Estudos selecionados para análise de dados

Autor Ano Título Objetivos Resultados e Conclusão
SOUSA, F. O. et al. 2021 Assistência de Enfermagem na Gestação de Mulheres Privadas de Liberdade Discorrer a respeito da importância e das dificuldades que os profissionais de enfermagem enfrentam no cuidado às gestantes em situação carcerária. Identificou-se que o enfermeiro tem um papel relevante na realização do pré-natal na população feminina carcerária. Os principais desafios estão relacionados à falta de condições para se realizar o trabalho de saúde em espaços carcerários. É necessária a implantação de políticas públicas que assegurem os direitos desta população.
CHAVES, L. H, ARAÚJO, I. C. A. de 2020 Gestação e maternidade em cárcere: cuidados de saúde a partir do olhar das mulheres presas em uma unidade materno-infantil Abordar acerca das impressões que as mulheres reclusas no Centro de Referência à Gestante Privada de Liberdade (CRGPL) têm sobre os cuidados de saúde ofertados pela instituição.   Avaliação positiva dos cuidados de saúde na perspectiva das gestantes e recém-mães. entretanto, foram identificados problemas no Centro de Referência à Gestante Privada de Liberdade, os quais são fonte de sofrimentos. A assistência em saúde deve ofertar atendimento e acesso a esses serviços no Centro de Referência à Gestante Privada de Liberdade.
SILVA, J. B. et al 2020 Mulheres em privação de liberdade: narrativas de des(assistência) obstétrica Relatar as vivências de mulheres privadas de liberdade a respeito da

assistência obstétrica oferecida no período gravídico-puerperal.

Evidencias de fragilidade de assistência à saúde em todo o ciclo gravídico-puerperal. O padrão de cuidado ofertado às mulheres privadas de liberdade e seus filhos deve ser reavaliado e adequado, para suprir as necessidades de saúde da mulher.
TARRAGÓ, N. R. C. S. 2020 Assistência à saúde ofertada para mulheres privadas de liberdade: revisão integrativa. Conhecer os cuidados de enfermagem a saúde de mulheres privadas de liberdade. A assistência de enfermagem oferecida é insuficiente no ambiente prisional para o público feminino. A literatura revela ainda, precariedade de recursos humanos bom como de recursos físicos e orçamentários, de tal modo que mulheres puérperas sofrem preconceito no ambiente prisional. A atuação do enfermeiro é centralizada na medicalização de sinais e sintomas.
CUNHA, A. C. et al. 2019 Avaliação da atenção ao pré-natal na Atenção Básica no Brasil Avaliar a Atenção ao Pré-Natal na Atenção Primária à Saúde em municípios brasileiros buscando compreender os aspectos que influenciam a adequação da atenção. O pré-natal é pouco adequado às necessidades de saúde de mulheres privadas de liberdade. Os espaços não dispõem de adequação estrutural e operacional. Verificou-se fragilidade na oferta de ações e serviços importantes para gestantes e conceptos. É fundamental a gestão e administração com relação à atenção à saúde da mulher em espaços de cárcere.
SANTANA, A. T. et al. 2017 Mães do Cárcere: Vivências de gestantes frente à assistência no Pré-Natal Refletir a respeito das vivências das mulheres encarceradas, frente à gestação, maternidade e assistência no pré-natal. Diversas situações demonstram a fragilidade do sistema prisional brasileiro, o qual promove impactos diretos na qualidade da assistência do pré-natal. A falta de acesso às condições adequadas para a assistência de serviços de saúde é uma realidade enfrentada pela população carcerária feminina.
FÉLIX, R. S. et al. 2017 O enfermeiro na atenção pré-natal às mulheres em sistema carcerário Descrever a atuação e as dificuldades do enfermeiro na atenção pré-natal a mulheres no sistema carcerário. As políticas públicas existentes para a população carcerária feminina não vêm sendo cumpridas.
DIUANA, V. et al. 2016 Women’s reproductive rights in the penitentiary system: tensions and challenges in the transformation of realit Apontar e analisar as violações e desafios ao cumprimento dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres em situação de privação de liberdade, com foco na saúde dessa população. Constatou-se que violações desses direitos apoiam-se em discursos que desacreditam a maternidade de mulheres privadas de liberdade.
LEAL, M. C. et al. 2016 Nascer na prisão: gestação e parto atrás das grades no Brasil. Apresentar as características sociodemográficas de mães vivendo com seus filhos nas prisões, além das condições e das práticas relacionadas à atenção à gestação e ao parto durante o encarceramento. Identificou-se precárias condições sociais de mulheres gestantes em privação de liberdade. Identificou-se precária assistência pré-natal, bem como a vivência de violências e péssima avaliação de atendimento recebido. Os serviços de saúde não funcionam adequadamente nesses espaços e não garantem direitos desse grupo populacional, violando os direitos humanos.
PIMENTEL, I. S. et al 2015 Percepção de mulheres privadas de liberdade acerca da assistência à saúde no sistema penitenciário Conhecer a percepção das mulheres privadas de liberdade sobre a assistência à saúde dentro do Sistema Penitenciário e discutir os resultados de acordo com o Plano Nacional de Saúde no Sistema Penitenciário Verificou-se que embora as ações de saúde realizadas estejam em concordância com o Plano Nacional, a assistência de saúde no sistema penitenciário é insuficiente e inadequada na prática.

Fonte: Autores, 2021.

O pré-natal inicia-se a partir da concepção de um feto, estendendo-se até o momento em que o parto ocorre. Nesse entendimento, todo o período de gestação deve receber assistência de saúde adequada e suficiente (LEAL et al., 2016). De forma que esse processo deverá contemplar o acompanhamento bem como a investigação de possíveis complicações de saúde que podem acometer a mãe e o concepto, garantindo o acesso à saúde e à educação, para que a mãe e o filho sejam beneficiados com uma gestação saudável (PIMENTEL et al., 2015).

Constatou-se por meio da análise dos estudos avaliados que o acompanhamento de pré-natal das mulheres institucionalizadas necessita de estrutura, profissionais qualificados, e humanização no atendimento (FÉLIX, 2017). Todavia, a realidade do sistema prisional brasileiro distancia-se do estabelecido na legislação, existindo uma realidade na qual as condições de vivenciar o período gravídico são precárias, inexistindo ou sendo insuficiente as ações em promoção da saúde e acompanhamento de pré-natal, o que compromete a qualidade da assistência nestes ambientes (DIUANA et al., 2016).

Os autores, relatam um elevado número de mulheres reclusas nas duas últimas décadas, fato que consequentemente elevou o percentual de mulheres no período gravídico-puerperal. Grande parte dessa população, encontra-se em idade reprodutiva, pertencendo predominantemente a faixa etária de 18 a 45 anos de idade, classe social baixa e de baixo grau de escolaridade (SANTANA et al., 2017). O número crescente de gestantes e puérperas que compõem a população feminina encarcerada demonstra a necessidade de ampliação de ações voltadas à adequação do sistema prisional à essa população (CUNHA et al., 2019).

Para Silva et al. (2020) o enfermeiro possui um papel fundamental durante o período de gestação de mulheres. Dentre eles, destacam-se o fortalecimento de vínculo entre mulheres e filhos, acolhimento, escuta analítica qualificada, orientação, promoção de educação, assistência a prevenção de doenças e promoção de saúde da mulher e da criança, sendo um profissional estratégico para a promoção do autocuidado bem como ao oferecimento de assistência humanizada no contexto prisional.

Já Santana et al. (2019) destaca que a vivência desses profissionais no sistema prisional é confrontada com más condições de trabalho, como o atendimento precário em função de superlotação, condições de trabalho insalubres, falta de recursos financeiros e orçamentários, deficiência ou não existência de equipamentos para atendimento dentre outros problemas.

Essas mulheres em privação de liberdade que se encontram no período gravídico, não têm acesso às condições adequadas para o acesso à saúde que esse período implica para a mulher e para o concepto. A maior parte dos profissionais que atuam nesses espaços apontam que as condições de trabalho são insuficientes para prestar assistência em saúde adequadamente.  Uma parte dos estudos denuncia a precariedade de prisões, sendo mencionada a superlotação, a falta de espaços para atendimento médico bem como realização de consultas pré-natal (TARRAGÓ, 2020).

Conforme Silva et al. (2020) o acompanhamento de pré-natal em muitos casos é realizado de forma precária, sem que exista uma equipe multiprofissional qualificada e humanizada atendendo essa população. Nesse sentido, identifica-se a violação de direitos humanos e a violação dos direitos assegurados por meio da Constituição Federal de 1988 em seu Art. 196 (BRASIL, 1988), o qual estabelece que todos possuem direito à saúde, sendo dever do Estado prover de serviços de atenção, promoção e recuperação em saúde. Também se observa o descumprimento de medidas e ações previstas na Política Nacional de Atenção às Mulheres em Privação de Liberdade e Egressas do Sistema Prisional (CHAVES, ARAÚJO, 2020).

Nessa conjuntura, a vivência do período de pré-natal no contexto prisional viola o princípio da dignidade da pessoa humana da gestante e de seu filho, o qual é um fundamento do Estado Democrático de Direito, nos termos do artigo 1º, III da Constituição Federal, não sendo garantida as necessidades básicas para a saúde da genitora e do concepto no sistema prisional (SOUSA et al., 2021).

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo demonstra que a assistência à saúde de mulheres privadas de liberdade é insuficiente para que sejam prestados os serviços de saúde preconizados pela OMS para o pré-natal de mulheres no período gravídico. Sendo assim, verificou-se a importância do estabelecimento de ampliação e de fomento à melhora das condições estruturais, gerenciais, orçamentárias e humanas ofertadas no sistema prisional brasileiro, o qual carece de uma profunda reestruturação física e operacional.

Considerando os relatos de fragilidades vivenciadas pela população-alvo do estudo, pode-se constatar que mulheres privadas de liberdade em período de gestação vivem em condições de significativa vulnerabilidade, fato demonstrado por meio de estudos que apresentam relatos de sofrimento e de condições desumanas quanto à assistência à saúde. O profissional enfermeiro foi destacado em diversos estudos como possuindo papel fundamental no fomento de assistência em saúde durante o pré-natal. Todavia, identificou-se que os relatos demonstram a desumanização no atendimento de mulheres, de forma que o atendimento prestado tem objetivo de medicalização, não prezando pelo acesso à educação, saúde e qualidade de vida.

Sendo assim, a assistência de pré-natal em mulheres que se encontram em situação de privação de liberdade no Brasil é um problema de saúde pública e também uma questão que deve ser debatida no âmbito do sistema prisional brasileiro. As políticas públicas existentes para o público-alvo do estudo são, até o presente momento, muito pouco aplicadas na prática do ambiente prisional, sendo negligenciados direitos básicos de mulheres.

Assim, com base na questão norteadora, percebeu-se que a assistência pré-natal, a mulher no período gravídico-puerperal que se encontra em condições de privação de liberdade se dá pelo acolhimento, escuta analítica qualificada, orientação, promoção de educação, assistência a prevenção de doenças e promoção de saúde da mulher e da criança. Além disto, constatou-se que os serviços carcerários no país, não estão adaptados a atender a população feminina, principalmente no período gravídico-puerperal. Demandando assim, necessidade de intervenções do poder público no sentido de ações visando promover atenção integral valorizando o indivíduo em todas suas fases da vida. Fazendo se cumprir, o que determina a Política Nacional de Atenção às Mulheres em Privação de Liberdade e Egressas do Sistema Prisional.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Justiça (BR). Lei nº 11.942, de 28 de maio de 2009. Lei de Execução Penal, para assegurar às mães presas e aos recém-nascidos condições mínimas de assistência. Brasília, DF; 2009. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11942.htm Acesso em: 06 ago 2021.

BRASIL. Constituição Federal de 1988. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. São Paulo: 4 ed.

BARDIN, L. Análise de Conteúdo. 70 ed. São Paulo: Edições 70.

CHAVES, L. H, ARAÚJO, I. C. A. de. Gestação e maternidade em cárcere: cuidados de saúde a partir do olhar das mulheres presas em uma unidade materno-infantil. Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 30(1), 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/physis/a/7z5kcxDVhFxksgJcGRRxQqv/?lang=pt Acesso em: 01 ago 2021.

CUNHA, A. C. et al. Avaliação da atenção ao pré-natal na Atenção Básica no Brasil. Rev Bras Saúde Mater Infant. 19(2):459-70. 2019.  Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/1806-93042019000200011 Acesso em: 01 ago 2021.

DIUANA, V. et al. Women’s reproductive rights in the penitentiary system: tensions and challenges in the transformation of reality. Ciênc Saúde Colet. 21(7). 2016. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27383338/ Acesso em: 26 jul 2021.

FÉLIX, R. S. et al. O enfermeiro na atenção pré-natal às mulheres em sistema carcerário. Revista de Enfermagem. UFPE online, v. 11, n. 10, p. 3936-3947, 2017. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/bde-33070 Acesso em: 22 de jul 2021.

FERRARI, I. F. SIMÕES, V. F. N. Female inmates and their children: criminal judicial systemin perspective. Psicol Clín. 31(3):421-37. 2019. Disponível em: http://dx.doi.org/10.33208/PC1980-5438v0031n03A01 Acesso em: 02 ago 2021.

LEAL, M. C. et al. Nascer na prisão: gestação e parto atrás das grades no Brasil.  Ciênc. saúde colet. 21(7). 2016. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1413-81232015217.02592016 Acesso em: 22 jul 2021.

PIMENTEL, I. S. et al. Percepção de mulheres privadas de liberdade acerca da assistência à saúde no sistema penitenciário. R. Interd. v. 8, n. 4, p. 109-119. 2015. Disponível em: https://revistainterdisciplinar.uninovafapi.edu.br/index.php/revinter/article/download/659/pdf_268 Acesso em: 30 jul 2021.

POLIT, D. F. BECK, C. T. Using research in evidence-based nursing practice. In: Essentials of nursing research. Methods, appraisal and utilization. Lippincott Williams & Wilkins, 2006.

RIBEIRO, R. G., AZEVEDO, F. Atuação do enfermeiro na assistência ao pré-natal de baixo risco: uma revisão integrativa. Orientador: Lídia Câmara Peres. 2019. 18f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Enfermagem) – Centro Universitário do Planalto Central Apparecido dos Santos, 2019.

SIMÕES, H. V. Bartolomeu, P. S. SÁ, P. P. Worth how much it weights: what leads pregnant women to prison? Rev Est Emp Dir. 4(3):145-61. 2017. Disponível em: https://doi.org/10.19092/reed.v4i3.274 Acesso em: 04 ago 2021.

SOUZA, E. L. et al. Metodologia da pesquisa: aplicabilidade em trabalhos científicos na área da saúde. 2ª ed. Natal (RN): EDUFRN; 2019. Disponível em: http://repositorio.ufrn. br:8080/jspui/bitstream/123456789/27909/1/metodologia_da_pesquisa.pdf Acesso em: 04 ago 2021.

SOUSA, F. O. et al. Assistência de Enfermagem na Gestação de Mulheres Privadas de Liberdade. Brazilian Journal of Health Review. 4(4). p. 14781-14789. 2021. Disponível em: https://www.brazilianjournals.com/index.php/BJHR/article/view/32634 Acesso em: 02 ago 2021.

SILVA, J. B. et al. Mulheres em privação de liberdade: narrativas de des(assustência) obstétrica. Rev Min Enferm. (24)1: e-1346. 2020. DOI: 10.5935/1415.2762.20200083 Acesso em: 29 jul 2021.

SANTANA, A. T. et al.  Mães do Cárcere: Vivências de gestantes frente à assistência no Pré-Natal. Revista Baiana de Saúde Pública, v.40, n1, p.38-54, 2017. Disponível em: http://www.rbsp.sesab.ba.gov.br/index.php/rbsp/article/download/778/1793/ Acesso em: 25 jul 2021.

TARRAGÓ, N. R. C. S. Assistência à saúde ofertada para mulheres privadas de liberdade: revisão integrativa. 27 P. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Enfermagem) – Universidade Federal do Pampa, Uruguaiana, 2020.

WALMSLEY, R. World Prison Population List. 12th ed. London: Institute for Criminal Policy Research; 2018. Disponível em: https://www..org/sites/default/files/resources/downloads/wppl_12.pdf Acesso em: 21 jul 2021.

[1] Graduanda em Enfermagem. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-6318-2046

[2] Graduanda em Enfermagem. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1915-3632

[3] Graduanda em Enfermagem. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7699-9151

[4] Graduanda em Enfermagem. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2942-8401

[5] Orientadora. Docente Universidade Ceuma – Campus Imperatriz; Doutoranda em Enfermagem e Biociências – UNIRIO/UFRJ e Mestre em Ciências Ambientais e Saúde PUC/GO.ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7321-1496

Enviado: Outubro, 2021.

Aprovado: Novembro, 2021.

5/5 - (3 votes)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

POXA QUE TRISTE!😥

Este Artigo ainda não possui registro DOI, sem ele não podemos calcular as Citações!

SOLICITAR REGISTRO
Pesquisar por categoria…
Este anúncio ajuda a manter a Educação gratuita