O corpo na dor: a atuação do psicólogo clínico diante da automutilação

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CONTEÚDO

ARTIGO DE REVISÃO

PEREIRA, Edileide da Silva [1]

PEREIRA, Edileide da Silva. O corpo na dor: a atuação do psicólogo clínico diante da automutilação. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 01, Vol. 05, pp. 14-20. Janeiro de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/psicologia/corpo-na-dor

RESUMO

Os adolescentes aprendem a esconder a dor como forma de se distanciar do julgamento das pessoas a sua volta. Esta pressão social está mais vinculada aos adolescentes, criando o aumento da frustração e medo nessa população. A dor da alma e o cerne desse transtorno de personalidade. O ato causa sofrimento ao próprio corpo, o que parece diminuir a dor da alma. O tratamento clínico recomendável para a automutilação é a terapia cognitivo-comportamental.  Uma das formas de intervenção nos pacientes desse transtorno e personalidade é a psicoeducação. Esse trabalho trata-se de um paper review, uma comunicação de um estudo que está sendo realizado por profissionais da área de Psicologia, no Centro Universitário da Vitória de Santo Antão (UNIVISA). O objetivo deste projeto será avaliar as possíveis diferenças entre a intervenção psicoterápica do tipo cognitivo-comportamental e a intervenção psicoeducativa em adolescentes que se automutilam. Será realizado um ensaio clínico, com adolescentes de idade entre 13 a 19 anos, do sexo masculino e feminino, em duas escolas públicas do município de Vitória de Antão-PE. Os adolescentes serão divididos em dois grupos: controle e experimental. No grupo controle, constituído de quinze adolescentes, o tratamento utilizado foi a terapia cognitivo-comportamental em grupo durante 13 encontros em 12 semanas. No grupo experimental, constituído de 16 adolescentes, o tratamento utilizado foi a psicoeducação em grupo, em 13 encontros semanais.

Palavras-chave: Automutilação, psicoeducação, adolescente.

1. INTRODUÇÃO

São diversos os objetos perfurantes utilizados pelos adolescentes, estiletes, agulhas, compassos, facas, entre outros. O termo a automutilação é todo ato que é praticado contra o Próprio corpo, o que cada vez mais está sendo praticado por diversos adolescentes nos dias de hoje. (BRASIL, 2010)

Ainda para Brasil (2010), ao se machucar os adolescentes sentem um alívio momentâneo da dor, o que culmina em vários adolescentes da contemporaneidade utilizar o corpo para expressar suas emoções.

No Brasil o termo automutilação ainda é pouco estudado, o que dificulta um maior entendimento sobre o assunto, suas conseqüências na vida dos adolescentes, contudo muitos estudos qualitativos indicam aumento deste comportamento na adolescência. (DCM V, 2014).

Diversos autores fazem uma distinção entre a automutilação e o comportamento suicida, assegura que, a falta de esperança, medo, desespero, desconforto ajudam os adolescentes a utilizar métodos letais no seu próprio corpo, os adolescentes querem aliviar a dor, e não tirar sua vida. Portanto, pode-se enfatizar que a automutilação é um ato que envolve a intenção do indivíduo em ferir ou modificar, por vontade própria, uma parte do seu próprio corpo, sem ter a intenção de cometer o suicídio através desse ato.(DCM V, 2014)

A Terapia Cognitiva Comportamental – TCC no tratamento desse transtorno irá buscar desenvolver no sujeito formas adaptadas para reagir ao esgotamento/estresse mental, assim como modificar alguns pensamentos disfuncionais. A TCC é um dos vários tipos de terapia que utilizam bases da terapia cognitiva e da terapia comportamental, constituída de um corpo teórico e prático na utilização dos princípios, esses princípios são: a atividade cognitiva influencia o comportamento; a atividade cognitiva pode ser monitorada e alterada; o comportamento desejado pode ser influenciado mediante a mudança cognitiva. (KNAPP, 2004).

A TCC é uma abordagem sistemática e organizada, possui como característica principal a estruturação de seu manejo clínico, com a utilização de manuais que sistematizam o modo de atuação do psicoterapeuta. Sendo, portanto, o modelo mais pesquisado quanto à sua eficácia no tratamento dos mais diversos transtornos. (HURST et al., 2015).

Faz-se importante falar sobre uma técnica utilizada na TCC, a psicoeducação que consiste em uma técnica que relaciona os instrumentos psicológicos e pedagógicos, onde vai ensinar o paciente e os seus cuidadores sobre a patologia seja ela física ou psíquica, assim como sobre seu tratamento. Gerando, portanto, um trabalho de prevenção e de conscientização. A psicoeducação permite serem utilizados diversos recursos: materiais audiovisuais, manuais teóricos, explanações e etc. O que faz toda diferença no tratamento. (KNAPP, 2004).

A utilização da psicoeducação no tratamento de transtornos psiquiátricos vem tendo excelentes resultados na saúde dos pacientes (GREVET et al., 2003; COLOM e VIETA, 2004; STANGIER et al., 2013). Portanto, a psicoeducação pode ser vista como o estabelecimento de um fluxo de informações de terapeuta para paciente e vice-versa. (CALLAHAM e BAUER, 1999).

2. HIPÓTESE

Esse estudo possui como hipóteses:

H0 – A psicoeducação não trará resultados eficientes na intervenção em adolescentes que se automutilam.

H1 – A psicoeducação trará resultados eficientes na intervenção em adolescentes que se automutilam.

3. OBJETIVO

3.1 OBJETIVO GERAL

Avaliar as possíveis diferenças entre a intervenção psicoterápica e a intervenção psicoeducativa em adolescentes com faixa etária entre 10 à 20 anos que se automutilam.

3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

–  Verificar a frequência de adolescentes que apresentam a sintomatologia dos transtornos de personalidade em questionários de rastreamento;

– Descrever o perfil biodemográfico dos adolescentes pesquisados e determinar a associação de fatores socioeconômicos (renda familiar, moradia, número de irmãos, ordem de nascimento e escolaridade dos pais);

– Confrontar o desenvolvimento dos sintomas da automutilação, com comportamentos de frustração e  desanimo nos diversos setores da vida social, entre o grupo de intervenção em terapia cognitivo-comportamental e o grupo de psicoeducação.

4. MÉTODO

  • Desenho do estudo

Trata-se de um ensaio clínico, não randomizado. O ensaio clínico é um método de estudo que possui como objetivo a solução de um problema a partir de uma intervenção clínica, permitindo que duas ou mais intervenções sejam avaliadas. Porém, é um tipo de pesquisa onerosa, além de uma preocupação constante com a manutenção do rigor metodológico (SOUZA, 2009).

  • Local do estudo

O estudo desenvolveu-se no município de Vitória de Santo Antão,  mesorregião da Mata Pernambucana.

  • Amostra

Os critérios de inclusão foram;

– Indícios de automutilação;

– Ter entre 13 e 19 anos;

Os critérios de exclusão;

– Adolescentes que estão em tratamento psicoterápico e/ou psiquiátrico ou estiveram nos últimos 12 meses;

– Adolescentes com ideação suicida;

– Adolescentes que não possuam capacidade cognitiva para compreensão das perguntas;

A exclusão das adolescentes possuiu como objetivo manter a homogeneidade do grupo. A homogeneidade é essencial para a condução de tratamento em grupo (NEUFELD, 2015).

  • Material

Serão utilizados durante a pesquisa diversos materiais. Entre eles, questionários auto-aplicáreis, entrevista semi-estruturadas, papel ofício, lápis , caneta estereográfica azul ou preta, instrumentos de multimídia.

  • Coleta de dados

A realização do presente estudo terá como intuito coletar o máximo de evidências científicas afim de obter maior relevância do objetivo proposto inicialmente. Será realizado um levantamento de artigos científicos através de consultas nas bases de dados do MEDLINE/PubMed, LILACS, SCIELO e PEDRO.

5. RESULTADOS ESPERADOS

  • Como resultado do presente projeto, pretende-se:

– Novas formas de tratamentos para pessoas que se automutilam, contribuindo para uma melhor qualidade e vida.

– Sensibilização e conscientização sobre esse transtorno de personalidade, buscando novas alternativas de tratamento.

– A formação de possibilidades de intervenção na área.

Novos estudos científicos na área, uma vez que a pesquisa nessa área é escassa, o que dificulta a o conhecimento do transtorno.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Portanto, a automutilação, embora não tenha relação direta com o suicídio, se não for identificado a tempo, pode agravar-se e ter  consequências danosas na vida da pessoa acometida com esse transtorno. Dessa forma, merece muita atenção pela possibilidade de recuperação emocional do indivíduo, ajuda no enfrentamento de suas dores e prevenção de males maiores. Por fim, é de suma importância a abordagem e o conhecimento do tema por toda sociedade e público em geral, para que essa problemática, que afligem tantos adolescentes/jovens brasileiros, possa ter um tratamento cada vez mais eficaz, assumindo caráter emergencial, tendo em vista o aumento crescente dos casos de automutilação.

7. REFERÊNCIAS

BRASIL. Diretrizes nacionais para atenção integral à saúde de adolescentes e jovens na promoção, proteção e recuperação da saúde. Brasil, 2010.

CALLAHAM, M.A.; BAUER, M.S. – Psychosocial Interventions for Bipolar Disorder. The Psychiatric Clinics of North America 22: 675-88, 1999.

COLOM, Francesc; VIETA, Eduard. Improving the outcome of bipolar disorder through nonpharmacological strategies: the role of psychoeducation. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, v. 26, n. suppl. 3, p. 47-50, 2004.

GREVET, Eugenio H.; ABREU, Paulo B. D.; SHANSIS, Flávia. Proposta de uma abordagem psicoeducacional em grupos para pacientes adultos com transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, Porto Alegre v. 25, n. 3, p. 446-452, 2003.

KNAPP, Paulo. Terapia cognitivo-comportamental na prática psiquiátrica. Artmed, 2004.

LIMA, Nádia L. D.; ROSA, Carla D. O. B.; ROSA, José F. V. Identificação de fatores de predisposição aos transtornos alimentares: anorexia e bulimia em adolescentes de Belo Horizonte, Minas Gerais. Estudos e Pesquisas em Psicologia, Rio de Janeiro, v. 12, n. 2, 2013.

Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. DSM-V. Porto Alegre: Artmed; 2014.

NEUFELD, Carmen B. Terapia cognitivo-comportamental em grupo para crianças e adolescentes. Porto Alegre: Artmed, 2015.

STANGIER, Ulrich et al. Maintenance Cognitive-Behavioral Therapy and Manualized Psychoeducation in the Treatment of Recurrent Depression: A Multicenter Prospective Randomized Controlled Trial. American Journal of Psychiatric v. 170, n. 6, p. 624-632, 2013.

SOUZA, Raphael F. O que é um estudo clínico randomizado? Medicina (Ribeirão Preto), NRibeirão Preto v. 41, n. 1, p. 3-8, 2009.

[1] Pós-graduação em Saúde Mental e Saúde Pública; Graduação em Psicologia.

Enviado: Janeiro, 2020.

Aprovado: Janeiro, 2020.

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