Psicologia

Adaptação da escala de Avaliação dos Antecedentes do Comportamento Empreendedor Social de Hockters (2017) para o contexto brasileiro

ARTIGO ORIGINAL 

SILVA, Júnio Braga Borges[1], ABBAD, Gardênia da Silva[2]

SILVA, Júnio Braga Borges. ABBAD, Gardênia da Silva. Adaptação da escala de Avaliação dos Antecedentes do Comportamento Empreendedor Social de Hockters (2017) para o contexto brasileiro. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 11, Ed. 01, Vol. 02, pp. 85-120. Janeiro de 2026. ISSN: 2448-0959. Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/psicologia/comportamento-empreendedor, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/psicologia/comportamento-empreendedor

RESUMO

Objetivo: Adaptar a escala de Avaliação dos Antecedentes do Comportamento Empreendedor Social de Hockerts (2017) para o contexto brasileiro. Método: Foram realizados dois estudos com o uso de abordagem de métodos mistos. O primeiro estudo, compreendeu a adaptação transcultural da escala de Hockerts (2017) para o contexto brasileiro. A escala foi traduzida para a língua portuguesa e adaptada para uso, tal como proposto por Borsa, Damásio e Bandeira (2012), em amostras de estudantes universitários. Após a finalização do estudo 1, foi realizado o segundo estudo, que buscou evidências de validade psicométrica da escala adaptada. Originalidade/relevância: O artigo apresenta uma escala desenvolvida especificamente  para  avaliar os antecedentes do comportamento empreendedor social em estudantes universitários, ao contrário das escalas já existentes que são focadas no empreendedorismo tradicional, não representando a realidade do empreendedorismo social. Resultado: A estrutura empírica da escala adaptada resultante de análise fatorial exploratória (rotação obliqua) da Escala de Determinantes da Intenção Empreendedora Social é composta por seis fatores (Empatia, Obrigação Moral, Suporte Social, Experiência Anterior, Autoeficácia e Intenção Empreendedora Social) correspondentes aos fatores obtidos por Hockerts (2017), com evidencias satisfatórias de validade e de fidedignidade. Esses resultados sugerem que o instrumento pôde avaliar, adequadamente, os construtos originais em língua portuguesa. Contribuições teóricas/metodológicas: Entre as contribuições desse estudo estão a ampliação do conhecimento sobre determinantes de intenções de realizar um empreendimento social. Assim, a aplicação do questionário se mostra uma ferramenta eficaz para o desenvolvimento de novos estudos que possam contribuir para o conhecimento do comportamento de estudantes sobre empreendedorismo social.

Palavras-chave: Educação, Empreendedorismo Social, Estudantes universitários, Intenções de empreender, Escala.

1. INTRODUÇÃO

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Brasil, 2024), no Brasil, cerca 59 milhões de pessoas vivem na pobreza, tendo dificuldades de acesso a serviços básicos como, energia elétrica, saúde, educação, transporte público, segurança pública, saneamento básico e comunicações, sendo esses direitos fundamentais previstos na Constituição Federal, artigo 5°. Segundo Amartya Sen (1999) ser pobre não está ligado a uma pessoa ter uma renda abaixo de um valor preestabelecido, e sim ser privado das necessidades básicas, como aquelas garantidas na Constituição Federal. Nesse sentido de possibilitar o acesso a produtos e a serviços para a parte mais vulnerável da população e com o intuito de diminuir as desigualdades sociais, surge o que chamamos atualmente de Empreendedorismo Social – ES.

Diversos países têm criado uma legislação específica para atender e incentivar o ES, o que mostra a importância e relevância que este tipo de empreendimento tem para buscar solucionar parte dos problemas sociais e na busca de um novo tipo de modelo de fazer negócios. Esses países buscam incentivar por meio de um regime tributário/legislativo diferente as empresas/organizações que procuram contribuir para o acesso de bens e serviços para a população em situação de vulnerabilidade social. 

No Brasil, existe em desenvolvimento um projeto de lei[3] de 2021 e uma normativa (Decreto nº 11.646/2023), que institui a Estratégia Nacional de Economia de Impacto (Enimpacto) para negócios de impacto social, porém alguns estados já sancionaram leis que regulamentam e incentivam esse tipo de empreendimento, como a Lei nº 10.483/2019, do Rio Grande do Norte, que institui a Política Estadual de Investimentos e Negócios de Impacto Social, além disso, o Estado de Goiás também sancionou políticas estaduais para os ES, com o intuito de articular o setor público, setor privado e a sociedade para o incentivar o desenvolvimento desses negócios.

As pesquisas de Perić e Delić (2014), Greblikaite, Sroka e Gerulaitiene (2016) e Jahchan, Comini e D’Amario (2016) apontam que apesar relevância e crescimento do campo de empreendedorismo social, por meio das ações governamentais e empresárias, no meio acadêmico o tema ainda é pouco explorado, tanto no que se refere a parte de produção acadêmica, bem como em sua inserção no ensino universitário, ou seja, os estudantes quase não têm contato com o assunto durante sua graduação.

Estudos sobre ES enfatizam predominantemente contextos de organizações/empresas que se utilizam das estratégias de mercado, ou seja, da compra/venda de produtos/serviço voltados para solucionar um problema da população em situação de vulnerabilidade social. Em alguns casos os lucros destas organizações são reinvestidos na própria empresa e em outros não existe essa obrigação. Ainda que a literatura reconheça outros agentes como empreendedores sociais como: formuladores de políticas governamentais, organizações não governamentais e ações de responsabilidade coorporativa, por exemplo -, existe uma predominância de estudos voltados a ES relacionando-os como empresas. Essas ações são caracterizadas de diversas maneiras, entre as quais estão: empreendedorismo comunitário, agentes de mudança social, empreendedorismo institucional, empreendimentos sociais, organizações empresariais sem fins lucrativos, empresas sociais, inovações sociais, negócios na “base da pirâmide”, negócios sociais, negócios de impacto, cooperativas e hibridas (Silva & Abbad, 2020). 

Tendo em vista que a formação educacional é uma ferramenta poderosa de transformação social e desenvolvimento do campo do empreendedorismo social, e com a intenção de entender melhor esse tema, Silva e Abbad (2020) realizaram uma pesquisa de revisão sistemática da literatura (2015 a 2018), com o tema de “ensino universitário de empreendedorismo social” para buscar identificar as lacunas de pesquisas na área e a definição do conceito de ES. No entanto, não foi identificado pelos autores, em seu trabalho, uma definição universal nos artigos encontrados, dentre os principais conceitos achados em sua pesquisa , o ES está relacionado com um dos seguintes aspectos: conexão a uma vontade pessoal, resolver um problema social, baseado em estratégias mercadológicas, inovativo, criador de valor social, foco na sustentabilidade ( financeira, econômica, social e ambiental), gera lucro que pode ou não ser distribuído para os acionistas, causador de impacto social positivo e por fim, gerador de mudança voltado para a população em situação de vulnerabilidade social. Além dessas definições, há também o desejo pessoal como um dos fatores para se entender esse tipo de empreendedorismo.

Diante do exposto, o campo de ensino em ES ainda pode ser considerada um tema em construção e que precisa de mais pesquisas e maior aprofundamento teórico e empírico, uma vez não foi encontrado uma teoria mundialmente aceita e consolidada, utilizando de abordagens diferentes e em grande parte vindas do campo do empreendedorismo convencional. Ainda que muitas das características básicas do empreendedorismo tradicional estejam também relacionadas ao Empreendedorismo Social, o contrário também acontece. Porém, o que fica evidenciado pela literatura é que os desafios do campo do ES são maiores, exigindo do empreendedor social conhecimentos e habilidades específicas e diferentes do empreendedor tradicional. Em razão destas especificidades e da sua relevância, social, econômica e ambiental, faz necessário a construção de um campo de pesquisa focado e cada vez mais robusto, com estudos que possam conhecer e explicar melhor esse tema. Ainda que esse campo tenha ganhado importância e as pesquisas tem aumentado nos últimos anos é necessário buscar evidências cientificas que comprovem a efetividade dos programas educacionais e das ações específicas no campo do ES (Silva & Abbad, 2020).

Mair e Noboa (2006) argumentam que existem vários aspectos únicos do empreendedorismo social e é necessário adaptar as medidas tradicionais utilizadas nas teorias existentes para o contexto social. Os autores foram os primeiros a avançar proposições teóricas sobre os antecedentes das Intenções Empreendedoras Sociais, propondo quatro preditores teóricos, a saber: empatia, julgamento moral, autoeficácia e suporte social. Schlaegel e Koenig (2014) em uma meta análise sobre os determinantes da intenção empreendedora afirmam que atualmente pouco se sabe como as crenças, as atitudes, e as percepções que influenciam e causam, nos indivíduos, intenções positivas em iniciar um negócio.

Em virtude das lacunas identificadas na revisão de Silva e Abbad (2020) sobre o ensino em ES e diante do exposto, este artigo tem por objetivo adaptar a escala de Avaliação dos Antecedentes do Comportamento Empreendedor Social de Hockerts (2017) para o contexto brasileiro, analisando estatisticamente seus construtos, bem como investigando eventuais relações entre as características sociodemográficas. Além de buscar contribuir para a teoria por meio de estratégias metodológicas alinhadas as lacunas de pesquisa encontradas na revisão de literatura de Silva e Abbad (2020) e objetivos traçados nesse estudo, essa pesquisa poderá oferecer uma escala especifica para estudar o ensino de ES.

O ensino em ES é um tema muito importante porque traduz as preocupações do governo, empresa, sociedade e universidade, enquanto ambiente de inovação e empreendedor, associados ao desenvolvimento econômico, ambiental, sustentável e social do país, com impacto local, nacional e mundial. Este estudo busca contribui para a política de inovação das instituições de ensino superior ao oferecer conhecimento sobre os fatores que determinam a intenção de estudantes universitários em se envolver com empreendedorismo social. Os resultados podem orientar mudanças nas instituições para que aumentem as possibilidades de os estudantes adquirirem conhecimentos, habilidades e motivação para esse tipo de empreendimento, por meio de atividades de ensino, pesquisa e extensão. 

Este artigo, ao discutir o empreendedorismo social como possibilidade para solucionar os problemas sociais encontrados na sociedade, evidencia também a relevância da pesquisa básica e aplicada como dimensões interdependentes e destaca a importância da articulação entre educação, empreendedorismo, inovação, impacto social e desenvolvimento social. Nesse sentido, o trabalho apresenta uma escala inédita, desenvolvida especificamente para avaliar os antecedentes do comportamento empreendedor social em estudantes universitários. 

Este trabalho parte do pressuposto de que o empreendedorismo social é distinto do empreendedorismo tradicional, o que exige a utilização de construtos específicos para mensurar esse tipo de comportamento. Além disso, considera-se essencial levar em conta o contexto investigado, já que o empreendedorismo social apresenta características próprias que variam conforme cada país e o momento histórico.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 ANTECEDENTES DO COMPORTAMENTO EMPREENDEDOR SOCIAL

Um dos principais antecedentes do comportamento empreendedor é a chamada intenção empreendedora, definida como a intenção que um indivíduo tem em criar um empreendimento e o seu planejamento consciente de realiza-lo em algum momento (Adelekan, Williamson, & Atiku, 2018; Bacq & Alt, 2018; Barton, Schaefer, & Canavati, 2018; Hockerts, 2015, 2017; Hsu & Wang, 2019; Ip et al., 2018a; Ip et al., 2018b; Kedmenec, Rebernik, & Tominc, 2016; Lacap, Mulyaningsih, & Ramadani, 2018; Shahverdi, Ismail, & Qureshi, 2018; Tiwari, Bhat, & Tikoria, 2017a, 2017b). Essa teoria tem origem no empreendedorismo tradicional e foi posteriormente adaptada ao campo do empreendedorismo social. A partir dela que derivam os principais modelos teóricos identificados na revisão de Silva e Abbad (2020). Outras teorias do campo são a Teoria do Comportamento Planeado, de Ajzen (1991), e o Modelo do Evento Empreendedor, de Shapero e Sokol (1982). O primeiro defende que a intenção de adotar um comportamento depende da percepção de sua desejabilidade e viabilidade, enquanto o segundo sustenta que as intenções empreendedoras resultam da avaliação da credibilidade relativa de alternativas de ação e da propensão individual de agir.

O crescente interesse pelas intenções empreendedoras reforçou a importância das teorias que procuram prever e explicar a intenção das pessoas para criar um negócio (Schlaegel & Koenig, 2014). Nesse campo, Mair e Noboa (2006) destacam-se como primeiros ao propor um modelo teórico sobre os antecedentes da intenção empreendedora social. Baseando-se na teoria das intenções empresariais e, em particular, na teoria do comportamento planeado, os autores defendem que as intenções são fortes preditores do comportamento real. Além disso, reconhecem que o empreendedorismo social apresenta especificidades que exigem a adaptação das medidas tradicionais utilizadas tanto na teoria de Ajzen (1991) como no modelo de Shapero e Sokol (1982).

Embora as intenções possam ser medidas de forma imediata, o comportamento empreendedor real muitas vezes só se manifesta tempo depois, após experiências em cursos, formações, trabalhos e/ou disciplinas nas faculdades. Para validar a seriedade da intenção empreendedora, alguns indicadores intermediários podem ser analisados, como a escolha de disciplinas optativas relacionadas ao tema do empreendedorismo. Outras variáveis importantes são a experiência prévia com problemas ou organizações sociais e o próprio envolvimento em atividades de empreendedorismo social (Mair e Noboa 2006).

Segundo o modelo de Mair e Noboa (2006) existe quatro variáveis que antecedem o comportamento empreendedor social, são elas: empatia, obrigação moral, autoeficácia e suporte social.

  • A empatia tem duas dimensões: uma cognitiva (capacidade de compreender os sentimentos do outro) e outra afetiva (resposta emocional perante o estado de outra pessoa). Um subelemento desta última é a responsabilidade empática, caracterizada pela compaixão e pela preocupação perante o sofrimento do outro (Hockerts, 2015).
  • A obrigação moral refere-se ao sentimento de responsabilidade em alinhar as próprias ações com normas sociais, motivando o indivíduo a intervir em problemas sociais (Lacap, Mulyaningsih, & Ramadani, 2018).
  • A autoeficácia empreendedora social corresponde à crença do indivíduo na sua capacidade de gerar impacto social relevante em resposta a desafios sociais (Hockerts, 2015).
  • O suporte social refere-se à percepção de apoio de redes de relações, sistemas institucionais ou comunitários, que reforçam a confiança na possibilidade de alcançar resultados positivos (Hockerts, 2015, 2017, 2018; Ip et al., 2018; Lacap, Mulyaningsih, & Ramadani, 2018).

A literatura sobre estas variáveis apresentam resultados divergentes, especialmente no caso da obrigação moral e da empatia. Enquanto alguns artigos indicam uma relação negativa entre obrigação moral e intenção empreendedora social (Kedmenec, Rebernik & Tominc 2016; Tiwari, Bhat & Tikoria, 2017a; Ip et al., 2018b), outros sugerem o contrário (Tiwari, Bhat & Tikoria, 2017a; Lacap, Mulyaningsih, & Ramadani, 2018), o que sugere a necessidade de mais investigações. Situação semelhante ocorre com a empatia: alguns estudos encontraram associação negativa, enquanto Ip et al. (2018b) identificaram relação positiva. Pesquisas de Hockerts (2017) e Bacq & Alt (2018) sugerem, inclusive, que essas variáveis atuem como mediadoras, e não como antecedentes da intenção empreendedora social.

Quanto à autoeficácia, Smith e Woodworth (2012) destacam a sua relevância no desenvolvimento do empreendedorismo social, defendendo que pode ser fortalecida através de ações educacionais. Estratégias eficazes incluem propor tarefas desafiantes compatíveis com o nível de conhecimento dos alunos, criar expectativas de sucesso e fornecer feedbacks positivos, reforçando a confiança dos estudantes. Além disso, estudos apontam que o impacto da autoeficácia pode estar associado ao seu papel mediador, nomeadamente pela ligação com a criatividade empreendedora (Rego et al., 2012; Zhou & Hoever, 2014).

Ao adotar o modelo de Mair e Noboa (2006), entende-se que muitas características atribuídas ao empreendedor social não são exclusivas, mas sim compartilhadas com o empreendedorismo tradicional, sendo elas: autonomia, tolerância ao risco e empatia. O desenvolvimento de escalas específicas, portanto, se faz essencial para identificar de forma específica os antecedentes do comportamento empreendedor social e testar esses pressupostos teóricos de forma empírica.

Diversos estudos têm desenvolvido ou utilizado escalas para analisar os antecedentes do comportamento empreendedor social e a intenção empreendedora social, com destaque para as contribuições de Hockerts, amplamente utilizadas como referência na área (Adelekan, Williamson & Atiku, 2018; Bacq & Alt, 2018; Barton, Schaefer & Canavati, 2018; Hockerts, 2015, 2017, 2018; Hsu & Wang, 2019; Ip et al., 2018b; Ip et al., 2018a; Kedmenec, Rebernik &Tominc, 2016; Lacap, Mulyaningsih & Ramadani, 2018; Mueller, Brahm & Neck, 2015; Peris et al., 2016; Shahverdi, Ismail & Qureshi, 2018; Tiwari Bhat & Tikoria, 2017a, 2017b).

Hockerts (2015, 2017) avança na pesquisa de escalas para avaliar os antecedentes do comportamento empreendedor social, propondo e validando medidas em uma escala que busca analisar o que determina a intenção em empreender socialmente. Esse instrumento é composto por quatro variáveis ​​latentes retiradas da sua pesquisa de 2015, são elas: Empatia com pessoas em situação de vulnerabilidade social, Percepção de Normas Sociais, Obrigação Moral de ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade social, Autoeficácia do Empreendedor Social e Percepção de Apoio Social Percebido. Os itens para as duas variáveis ​​latentes: “Experiência Prévia” e “Intenção Empreendedora Social” foram desenvolvidas especificamente para o seu estudo. As “Intenções Empreendedoras Sociais” formam uma escala de três itens que foi desenvolvida na adaptação da escala de intenções empreendedora de Douglas e Shepherd (2002) e Thompson (2009). Na revisão de literatura de Silva e Abbad (2020) foram identificados alguns estudos que utilizam essa escala, são eles: Hockerts (2015, 2017, 2018), Ip et al. (2018b), Lacap Mulyaningsih & Ramadani (2018), Tiwari et al. (2017a).

3. MÉTODO

Esta seção apresenta o delineamento da pesquisa, a descrição dos procedimentos de adaptação transcultural da escala de Hockerts (2017) – Determinants of Social Entrepreneurial Intentions, assim como as etapas de coleta e análise de dados visando à concretização dos objetivos desta pesquisa.

3.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA

Pesquisa de natureza empírica (Sampieri, Collado, & Lucio, 2013), fundamentada nas proposições teóricas e empíricas de Hockerts (2017), que procura entender as razões e formas pelas quais os fenômenos ligados ao empreendedorismo social acontecem. Está é uma pesquisa quantitativa e qualitativa, do tipo sequencial convergente, com corte transversal, apresentando carácter descritivo e inferencial. Baseando-se em dados recolhidos de fontes primárias e em referenciais teóricos/empíricos (Creswell, 2007), obtidos por meio de uma revisão sistemática da literatura científica sobre o tema de ES.

Este estudo se divide em duas partes, sendo a primeira qualitativa, que envolveu a tradução e adaptação da escala de Hockerts (2017); e a segunda, quantitativa, que visou buscar de evidências validade psicométrica da versão desta escala para o contexto brasileiro, aplicando questionários em estudantes universitários de Administração vinculados a Instituições de ensino superior localizadas no Estado do Distrito Federal. No que se refere aos tratamentos e análises dos dados obtidos por meio da escala, foram utilizadas análises estatísticas descritivas e inferenciais (Gil, 2017). A utilização de métodos mistos, conforme adotado neste trabalho, apresenta caráter complementar.

3.2 ESTUDO 1 – TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO TRANSCULTURAL DA ESCALA DE HOCKERTS (2017)

Com base nos procedimentos propostos por Reichenheim e Moraes (2007) e aplicados por Conti, Cordás e Latorre (2009) e Borsa, Damásio e Bandeira (2012) foi feito a adaptação transcultural do questionário elaborado por Hockerts (2017), em língua inglesa, para posteriormente aplicar a versão em língua portuguesa nos estudantes brasileiros. 

Primeiramente, foi solicitado, via endereço eletrônico (e-mail), para o autor da escola origina sua autorização para a adaptar a escola para a língua portuguesa, com o intuito de aplicar o seu instrumento em estudantes universitários. Após a autorização, foram feitas seis etapas a seguir, seguido os procedimentos propostos para adaptação transcultural de Borsa, Damásio e Bandeira (2012): 

1- Tradução do instrumento do idioma de origem para o idioma-alvo; 

2 – Síntese das versões traduzidas; 

3 – Avaliação da síntese por juízes experts;

4 – Avaliação do instrumento pelo público-alvo

5 – Tradução reversa; e

6 – Estudo-piloto.

Para além das etapas supracitadas, foi realizado uma última fase que não está incluída no processo de adaptação de instrumentos proposto por Borsa, Damásio e Bandeira (2012), porém foi importante para investigar se, de fato, o instrumento mantém-se estável sua estrutura em relação a versão original. Esta etapa se chama avaliação exploratória da estrutura fatorial do instrumento e compõe o Estudo 2 deste trabalho, seguindo os mesmos procedimentos utilizados na escola original pelo autor.

A primeira etapa foi realizada por nove pesquisadores do grupo de pesquisa impacto2, sendo eles, dois estudantes de graduação em psicologia, seis doutorandos (sendo três da psicologia e três da administração) e uma doutora em psicologia, todos os quais bilíngues e com experiência em psicometria. Cada um desses pesquisadores realizou uma tradução individual, livre e independente da versão original escala para uma versão traduzida para a língua portuguesa. Em seguida, os autores desta pesquisa analisaram as versões de cada pesquisador, com o intuito de identificar diferenças conceituais, idiomáticas, linguísticas, semânticas e contextuais entre as versões traduzidas e a versão do autor original da escala.

Após a síntese das versões traduzidas, o pesquisador retornou ao grupo de pesquisa para que à primeira versão traduzida da escala, acrescidas de informações sobre instruções, formato da escala de pontuação, fosse discutida e analisada quanto a fidelidade do instrumento adaptado a escala original. Essa etapa contou com quatro pesquisadores doutorandos em administração e psicologia, sendo três dos quais estiveram presentes na fase anterior de tradução da escala. 

Em seguida, foram realizadas entrevistas de validação semântica da escala em traduzida com estudantes universitários, sendo eles dos cursos de: Comunicação Organizacional, Serviço Social, Enfermagem e Ciências Políticas, respectivamente. Elas aconteceram com duas pessoas do gênero masculino e com duas do feminino, individualmente, e tiveram a duração de aproximadamente 20 minutos cada. Foi pedido para os estudantes lessem toda a escala e explicassem o que entenderam de cada pergunta. O questionário usava uma escala de 1 a 5 pontos, em que 1 (um) equivale a “Discordo totalmente” e 5 (cinco), a “Concordo totalmente”). Para cada pergunta o estudante deveria registrar na escola um número representasse a sua opinião em relação. Além de responderem o questionário os entrevistados tiveram de explicar o que compreenderam em cada pergunta e se as respostas colocadas no questionário, a partir da escala, eram de fato o que eles pensavam sobre cada pergunta. 

No item 3 da escala, na versão original é “I know a lot about social organizations”, havia duas traduções sugeridas pelos pesquisadores:

  1. – “Eu tenho muito conhecimento sobre organizações sociais.”
  2. – “Eu sei muito sobre organizações sociais.”,

Essas duas versões foram submetidas aos entrevistados para que escolhessem a que mais fosse compreensível e eles deveriam justificar a sua escolha. Os pesquisados afirmaram que a primeira opção tinha um significado mais acadêmico e de mais fácil entendimento. Diante disso, optou-se por escolher a primeira opção para compor a versão brasileira da escala neste trabalho.

O item 6 (Eu sinto compaixão por pessoas socialmente marginalizadas.) e o 19 (Eu não planejo começar um empreendimento social.), não foram bem aceitos pela amostra dos pesquisados, indicando necessidade de adequação dos itens. Diante disso, foram realizadas outras três entrevistas com o mesmo perfil dos pesquisados (estudantes universitários). O perfil dos entrevistados nesta segunda rodada de entrevistas são: dois do gênero masculino e um do feminino e cursavam Administração, Ciências Sociais ou Medicina. Foi pedido para os entrevistados avaliarem se o significado e a linguagem da escala são compreensíveis e apropriados para eles e foi pedido aos entrevistados que explanasse o que tinha entendido sobre as quatros questões:

  1. – 16a – Eu sinto compaixão por pessoas socialmente marginalizadas.
  2. – 16b – Eu me sinto comovido por pessoas socialmente marginalizadas.
  3. – 19a – Eu planejo começar um empreendimento social.
  4. – 19b – Eu não planejo começar um empreendimento social.

 Os Itens 1 e 3, foram melhores compreendidos pelos entrevistados e passaram a compor a versão da escola deste trabalho. Cabe ressaltar que o item 4, foi considerado confuso, pois um dos estudantes, ao optar pela discordância, gerou uma dupla negação “discordo que não planejo começar um empreendimento social”, que corresponde a uma afirmação de concordância de que planeja começar um empreendimento, diferente do que ele queria dizer. Vale ressaltar que na escala original essa questão está redigida como uma negativa (“I do not plan to start a social enterprise.”), porém para a versão brasileira foi necessário adaptá-la sem o sentido negativo, em razão do exposto anteriormente.

Após a etapa anterior de validação semântica, o questionário foi enviado para dois pesquisadores doutores de área e com experiência na língua inglesa para a tradução reversa (tradução da versão em língua portuguesa para língua inglesa). Esta etapa mostrou que os itens retraduzidos tinham redações similares ou idênticas às dos itens na escala original, optando-se pelos itens que mais se aproximava da escala do autor. Em seguida, a versão retraduzida da escala foi enviada por e-mail ao autor, Kai Hockerts, para apreciação da fidelidade da adaptação transcultural da escala. Foi feita uma reiteração da solicitação e o mesmo retornou com uma mensagem concordância em relação a quase todos os itens. 

O autor da escala original (Kai Hockerts) relatou pequenas diferenças semânticas aos itens 5, 11 e 17 da escala enviada. Suas considerações foram:

  1. Na versão retraduzida do item 11 (When I see socially disadvantaged people, I get sensitized.) ele afirmou que “put my mind to it” (versão original) é um pouco diferente de “willing to do so” (retradução).
  2. No item 17, o autor informou que “expect“, contido no item da escala original, não pode ser considerado sinônimo de “hope“, contido na escala retraduzida.

Após análise do conteúdo das afirmativas, resolveu-se manter o conteúdo do item 11 em língua portuguesa sem alterações, pois estava fidedigno ao conteúdo da escala original. No item 17 como a palavra “esperar”, em língua portuguesa, tem significado similar a “expect” do item original, não houve necessidade de alterar a redação do item na versão adaptada e no item 5 houve alteração na versão em língua portuguesa de “Quando vejo pessoas socialmente desfavorecidas, fico sensibilizado(a).” para “Ver pessoas socialmente desfavorecidas desencadeia uma resposta emocional em mim”, em virtude retorno do autor que informou que “sensibilizado” é diferente de ter uma “resposta emocional”. . 

3.3 ESTUDO 2 – BUSCA DE EVIDÊNCIAS DE VALIDADE DA VERSÃO BRASILEIRA DA ESCALA

Após a finalização da etapa de validação semântica (estudo 1), foi feita a segunda etapa deste estudo em que consiste na realização de evidências de validade psicométrica da escala na versão em língua portuguesa em amostras de estudantes universitários brasileiros.

3.4 PROCEDIMENTOS DE COLETA DE DADOS

A escala adaptada de Hockerts (2015, 2017) dos determinantes do comportamento empreendedor social, foi aplicada em uma amostra de estudantes universitários brasileiros em duas versões, uma impressa e outra online. O questionário em formato digital foi aplicado em estudantes ou formados, de graduação e pós-graduação de todo o Brasil, por meio do envio do link de acesso ao instrumento por e-mails, whatsapp, linkedin e facebook. A versão impressa do questionário foi aplicada presencialmente com estudantes matriculados em disciplinas ofertadas pelo Departamento de Administração de uma universidade pública no Distrito Federal. 

A aplicação do questionário presencial foi realizada em sala de aula, no início ou ao final da aula, com autorização do docente e sem agendamento prévio, sendo a amostra por acessibilidade e conveniência, ocorrendo nas últimas semanas do segundo semestre letivo de 2019, o que gerou desafios de acesso aos estudantes, pois como era final do semestre, a grande parte deles já estavam sem aulas presenciais ou estavam dedicados a apresentações de trabalhos ou realizando provas.

No convite de participação da pesquisa, foi reiterado as informações que estavam no questionário, orientando os participantes quanto aos objetivos da pesquisa, à justificativa e ao método do estudo, bem como a responsabilidade com o sigilo das informações coletadas, informando que os dados dos questionários seriam analisados e retratados de forma agrupada. Foi ainda enfatizado aos participantes que a pesquisa tem fim exclusivo acadêmico e científico. O tempo de aplicação do instrumento foi em média de 10 a 15 minutos e a participação no preenchimento do instrumento foi de caráter voluntário.

3.5 INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS

A escala adaptada de Hockerts (2017), que busca avaliar os determinantes da intenção de empreender socialmente tem 19 perguntas para serem respondidas conforme uma escala Likert de cinco pontos, onde 1 (um) significa que “discordo totalmente” e 5 (cinco), a “concordo totalmente”. Esta escala contém as seguintes dimensões ou fatores: empatia (4 itens), percepção de suporte social (3 itens), intenção de realizar um empreendimento social (3 itens), obrigação moral (3 itens), autoeficácia (3 itens) e experiência anterior (3 itens). A parte final dos questionários em português é destinada ao perfil sociodemográfico e acadêmico dos estudantes, que busca identificar às variáveis: curso, idade, semestre, gênero, se já cursou alguma disciplina de empreendedorismo e qual disciplina foi.

3.6 PARTICIPANTES

Foi obtivo 544 questionários respondidos. Porém para análise deste trabalho foram selecionados apenas as respostas de estudantes do curso de administração, em razão de ser mesmo procedimento adotado na construção da escala original de Hockerts (2015). A amostra de respondentes foi composta por 303 participantes. Os respondentes do gênero masculino compõem 57,5% (173 respondentes) da amostra, e o feminino 42,5% (128 respondentes) e apenas 0,7% dos respondentes não declararam seus gêneros. Todos os participantes da pesquisa eram estudantes do curso de administração. Nesta pesquisa, 60% (183) estudantes declaram não ter cursado nenhuma disciplina de empreendedorismo (n = 303). A média de idade foi de 21,69 (DP = 4,17) anos, com amplitude de 17 a 47 (n = 302), uma pessoa não respondeu (0,3%). No que se refere aos semestres cursados pelos respondentes até o momento da coleta de dados, a média foi de 4,35 (SD = 2,68) semestres, com uma amplitude de 1 a 13 (n = 292), 11 pessoas não responderam (3,6%). Em razão da falta de informação, alguns dados podem ter variação em relação aos números total de pesquisados, porém para os percentuais foram usados apenas os dados válidos, ou seja, sem as informações omitidas.

3.7 PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE DE DADOS

As respostas numéricas dos estudantes ao questionário foram registradas num arquivo de dados no software estatístico Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 21. Após o lançamento manual das respostas provenientes dos questionários impressos, realizaram-se análises exploratórias com o objetivo de identificar possíveis erros de digitação e inconsistências na tabulação das informações, utilizando-se histogramas e gráficos de caixa. Após a correção dos erros detectados, procederam-se às análises da distribuição das variáveis, bem como à verificação de dados extremos e omissos (Dancey & Reidy, 2006).

Neste estudo, optou-se por não incluir as respostas às perguntas abertas do questionário. Em seguida, realizaram-se análises descritivas — incluindo frequências, médias, desvios-padrão, valores máximos e mínimos —, de modo a caracterizar as dimensões avaliadas pelas escalas. Foram também conduzidos testes exploratórios preliminares para verificar a viabilidade da análise fatorial, por meio da inspeção das correlações bivariadas entre as respostas dos participantes e da análise de componentes principais.

Posteriormente, efetuou-se a Análise Fatorial Exploratória (AFE) da estrutura empírica da escala, adotando-se o método de Fatoração dos Eixos Principais (Principal Axis Factoring – PAF), com o propósito de identificar o número de fatores a serem extraídos e de avaliar a fatorabilidade da matriz de dados, com base no Teste de Esfericidade de Bartlett e no índice Kaiser-Meyer-Olkin (KMO). Essas análises tiveram como finalidade verificar se a estrutura da versão brasileira da escala mantinha o mesmo número de fatores (seis) da escala original.

Para determinar a estrutura empírica da escala adaptada, foram utilizados os seguintes critérios: autovalores (eigenvalues) superiores a 1, inspeção visual do gráfico de sedimentação (scree plot), percentual mínimo de 3% de variância explicada por fator (Harman, 1967) e interpretabilidade teórica dos fatores.

Na versão em português da escala, empregou-se o método PAF com rotação oblíqua (direct oblimin), com o intuito de analisar as correlações entre fatores e seguir a recomendação técnica de Pasquali (2008) para estudos nas ciências psicossociais. Esse tipo de rotação é considerado adequado, pois pode gerar resultados significativos tanto nas correlações entre fatores quanto nas cargas fatoriais dos itens (Sass & Schmitt, 2010).

Após a AFE, avaliou-se a consistência interna dos fatores por meio do cálculo do alfa de Cronbach. Considerando que a AFE é robusta quanto à violação da normalidade das variáveis (Pasquali, 2010; Laros, 2012), optou-se por não realizar o teste de normalidade de Kolmogorov-Smirnov. A matriz de dados analisada foi composta pelas variáveis originais, sem transformações prévias. Por fim, foram examinadas as correlações entre as médias fatoriais e as variáveis sociodemográficas e acadêmicas dos participantes da amostra de estudantes universitários.

4. RESULTADOS

Antes de executar a análise fatorial desta pesquisa, foram realizados procedimentos estatísticos para verificação da fatorabilidade da matriz de dados, com o objetivo de investigar a magnitude dos coeficientes das correlações, foram analisadas as correlações entre as variáveis da escala. Com os dados em uma planilha de excel, foi feita a verificação das correlações e estas apresentaram valores baixos e moderados, sendo mais de 50% inferiores a 0,30. A Figura 1 mostra a correlação entre as variáveis da escala.

Figura 1 – Correlações

* p<0,05 **p<0,01 c. Relativo às listas N=301 – 1 = Eu tenho experiência em trabalhar com problemas sociais; 2 = Eu já me voluntariei ou trabalhei em organizações sociais; 3 = Eu tenho muito conhecimento sobre organizações sociais; 4 = Quando penso em pessoas socialmente desfavorecidas, eu tento me colocar no lugar delas; 5 = Ver pessoas socialmente desfavorecidas desencadeia uma resposta emocional em mim; 6 = Eu sinto compaixão por pessoas socialmente marginalizadas; 7 = É uma responsabilidade ética ajudar pessoas menos privilegiadas que nós; 8 = Nós somos moralmente obrigados a ajudar pessoas socialmente desfavorecidas; 9 = Um dos princípios de justiça da nossa sociedade requer que nós ajudemos aqueles menos privilegiados que nós; 10= Um dos princípios da nossa sociedade é que devemos ajudar pessoas socialmente desfavorecidas; 11 = Estou convencido(a) de que, pessoalmente, posso contribuir para enfrentar os desafios da sociedade, se eu me dispuser a isso; 12 = Eu poderia descobrir uma maneira para ajudar a resolver os problemas que a sociedade enfrenta; 13 = Cada um de nós pode contribuir para solucionar problemas sociais; 14 = Pessoas me apoiariam se eu quisesse criar uma organização para ajudar pessoas socialmente marginalizadas; 15 = Se eu planejasse lidar com um problema social relevante, as pessoas me apoiariam;16 = É possível atrair investidores para uma organização que busca resolver problemas sociais; 17 = Eu espero que em algum momento no futuro eu esteja envolvido(a) na criação de uma organização que vise resolver problemas sociais; 18 = Eu tenho uma ideia preliminar de um empreendimento social que eu planejo realizar no futuro; 19 = Eu planejo começar um empreendimento social; c. Relativo às listas N=301. Fonte: Autores, 2025.

O valor obtido para o índice Kaiser-Meyer-Olkin (KMO = 0,807) revelou-se satisfatório e próximo de 1, indicando que a matriz de dados apresenta adequada fatorabilidade. Ademais, o Teste de Esfericidade de Bartlett evidenciou um valor de qui-quadrado igual a 1921,585 (p < 0,0001), o que permitiu a rejeição da hipótese nula. Este resultado sugere que a matriz de correlações difere significativamente da matriz identidade, ou seja, as correlações entre os pares de variáveis não são nulas. Dessa forma, confirma-se a viabilidade da extração de fatores a partir das variáveis originais, demonstrando que a aplicação da Análise Fatorial é estatisticamente apropriada (Fávero & Belfiore, 2017).

A análise das comunalidades não evidenciou valores extremos próximos de zero ou de um, o que reforça a adequação da matriz de dados à realização da análise fatorial. Após essas verificações preliminares, as respostas válidas de 303 participantes relativas aos 19 itens do questionário foram submetidas a Análises Fatoriais Exploratórias (AFE), utilizando-se o método de extração dos Eixos Principais (Principal Axis Factoring – PAF) e o método de rotação oblíqua (Oblimin), com normalização de Kaiser.

Considerando os critérios estatísticos e as possíveis soluções fatoriais, optou-se por uma estrutura empírica composta por seis fatores. A Tabela 1 apresenta a estrutura resultante da Escala dos Determinantes da Intenção Empreendedora Social, obtida a partir das análises fatoriais exploratórias e da avaliação da consistência interna dos itens. Nessa tabela, encontram-se também os resultados descritivos (médias e desvios-padrão) das respostas dos participantes para cada item, as cargas fatoriais, as comunalidades (h²), as médias e desvios-padrão dos fatores, o número de itens por fator e a percentagem de variância explicada por cada fator.

Tabela 1 – Estrutura empírica da escala dos determinantes da intenção empreendedora social

Fonte: Autores, 2025.

 

Tanto a Análise de Componentes Principais (ACP) quanto a Análise dos Eixos Principais (PAF) resultaram em uma estrutura empírica composta por seis fatores, número idêntico ao obtido por Hockerts (2017) na escala original. Em conjunto, esses fatores explicam 52,93% da variância das respostas dos participantes aos itens do questionário.

O Fator 1, denominado Empatia, é composto por quatro itens, com cargas fatoriais variando entre 0,518 e 0,825 e coeficiente alfa de Cronbach igual a 0,798. O Fator 2, designado Intenção Empreendedora Social, contém três itens, cujas cargas fatoriais variam entre 0,389 e 0,911, com alfa de 0,795. O Fator 3, Percepção de Suporte Social, também apresenta três itens, com cargas fatoriais entre 0,329 e 0,893 e alfa de 0,694. O Fator 4, correspondente à Experiência Anterior com Empreendimentos Sociais, é formado por três itens, com cargas fatoriais entre 0,558 e 0,703 e alfa de 0,666. O Fator 5, Autoeficácia Empreendedora Social, inclui três itens, com cargas fatoriais entre 0,512 e 0,781 e alfa de 0,698. Por fim, o Fator 6, denominado Obrigação Moral, apresenta três itens, com cargas fatoriais variando de 0,548 a 0,827 e alfa de 0,722.

Os resultados indicam que as escalas utilizadas apresentam validade e confiabilidade satisfatórias, podendo ser aplicadas no contexto de estudantes universitários brasileiros de Administração. A porcentagem de variância total explicada pelos seis fatores é considerada adequada segundo Streiner (1994), que propõe como satisfatório um nível mínimo de 50% de variância explicada. De acordo com Peterson (2000), esse valor constitui uma referência para avaliação da qualidade da explicação da variância total.

Em relação às estatísticas descritivas, a média do Fator 1 (4,22) indica elevados níveis de empatia dos participantes em relação a pessoas socialmente desfavorecidas, com baixa variabilidade (DP = 0,39). O Fator 2 (M = 2,92) revela níveis moderados de intenção de realizar empreendimento sociais, com variabilidade também moderada (DP = 0,81). O Fator 3 (M = 3,57) demonstra expectativas moderadas de suporte social caso os participantes iniciassem um empreendimento social, com baixa variabilidade (DP = 0,23). O Fator 4 (M = 2,60) indica níveis moderados de experiência prévia com empreendimento sociais, com baixa variabilidade (DP = 0,13). O Fator 5 (M = 4,18) mostra altos níveis de autoeficácia percebida para a resolução de problemas sociais, com pouca variabilidade (DP = 0,36). Por fim, o Fator 6 (M = 3,42) aponta níveis moderados de obrigação moral em relação a pessoas menos privilegiadas, igualmente com baixa variabilidade (DP = 0,36).

Os valores de alfa de Cronbach e das cargas fatoriais apresentados na Tabela 1 indicam que todos os itens foram mantidos na escala adaptada, uma vez que apresentaram cargas superiores a 0,30. A composição dos fatores corresponde às mesmas variáveis identificadas nas estruturas empíricas das três amostras do estudo original de Hockerts (2017). Embora os valores das cargas fatoriais e dos coeficientes alfa de Cronbach apresentem pequenas variações entre a escala original e a versão adaptada, todos permanecem dentro de limites considerados aceitáveis.

Observou-se que o item “É uma responsabilidade ética ajudar pessoas menos privilegiadas que nós” apresentou dupla carga fatorial, sendo que, neste estudo, obteve maior saturação no fator Empatia (0,604), enquanto na escala original estava associado ao fator Obrigação Moral.

A versão brasileira da escala de Hockerts (2017) replicou a estrutura fatorial original composta por seis fatores: (1) Experiência Anterior; (2) Empatia; (3) Obrigação Moral; (4) Autoeficácia Empreendedora Social; (5) Percepção de Suporte Social; e (6) Intenção Empreendedora Social.

Cabe destacar que as amostras do presente estudo e as do estudo de Hockerts (2017) diferem entre si. O autor trabalhou com três amostras distintas: a primeira composta por 257 estudantes de mestrado em Gestão, em uma escola de negócios escandinava (56% do sexo feminino; idade média = 25,5 anos; DP = 2,8); a segunda por 327 participantes residentes nos Estados Unidos, voluntários do Survey Monkey (57% do sexo feminino; idade média = 39,3 anos; DP = 12,6); e a terceira com 2.790 participantes de um curso Massive Open Online Course (MOOC) em Empreendedorismo Social (49% do sexo feminino; idade média = 32,8 anos; DP = 10,3).

Já a amostra deste estudo é composta por estudantes de um curso de Administração de uma única universidade brasileira, sendo 57,5% do sexo masculino e apresentando idade média de 21,69 anos (DP = 4,17). Apesar dessas diferenças de perfil e contexto, a estrutura fatorial da escala manteve-se, de modo geral, estável e consistente. A única divergência relevante refere-se ao item “É uma responsabilidade ética ajudar pessoas menos privilegiadas que nós”, que obteve maior carga fatorial em Empatia nesta amostra. Essa diferença pode estar relacionada às características sociodemográficas dos participantes, uma vez que a amostra brasileira é composta predominantemente por estudantes mais jovens e, em maior proporção, do gênero masculino.

Os resultados também evidenciaram que a variável Género (Ge) apresentou correlação moderada, positiva e estatisticamente significativa com Empatia (Em) (r = 0,345; p < 0,01), além de correlação fraca, porém significativa, com Obrigação Moral (Ob) (r = 0,202; p < 0,01) e Intenção Empreendedora Social (In) (r = 0,136; p < 0,05). Esses resultados indicam que as mulheres demonstraram níveis mais elevados de empatia, obrigação moral e intenção de iniciar um empreendimento social quando comparadas aos participantes do sexo masculino. Ademais, a variável referente à realização prévia de disciplina de empreendedorismo apresentou correlação negativa com Experiência Anterior com Empreendimentos Sociais (r = -0,149; p < 0,05). A Variável idade não manteve correlação com nenhuma das variáveis da escala deste trabalho. Tal resultado pode se dar pelo fato de o tema ser pouco abordado no curso de administração da universidade pesquisada.

Todas as cincos variáveis (empatia, obrigação moral, percepção suporte social, experiência anterior, e autoeficácia) mostram correlacionamento positivo com intenção de empreender socialmente. As variáveis deste estudo mostraram estarem positivamente correlacionadas entre si. A única variável que não esteve positivamente correlacionada com as demais variáveis desse modelo foi a Obrigação Moral. Cabe ressaltar, que nesta pesquisa foram identificadas correlações fortes entre empatia e Obrigação Moral, enquanto no estudo da escola original (Hockerts, 2015 e 2017) foram encontradas relações moderadas entre essas duas variáveis.

5. DISCUSSÃO

Este estudo buscou indícios de validade cientifica dos itens da Escala dos Determinantes da Intenção Empreendedora Social, com base em uma amostra de estudantes brasileiros de administração de uma universidade pública. Onde até a presente data, não foram identificadas, no Brasil, pesquisas que versem sobre o desenvolvimento de escalas para avaliação dos antecedentes do comportamento empreendedor social. À medida que este campo cresce, se faz cada vez mais necessários que as teorias emergentes sejam empiricamente testadas e, se necessário, ajustadas. A falta de conceitos claramente delineados e expressos em uma linguagem acessível aos empreendedores sociais são fatores de demanda essencial para o avanço desse processo e o surgimento de novos negócios de impacto social. Uma vez que o contexto é um fator importante para o ES.

Este trabalho avança na elaboração de itens para uma escala que, esperançosamente, permitirá futuros estudos na área do ES principalmente no Brasil. Os itens de instrumento tomaram a literatura empírica anterior como referência e foram derivados da teoria dos antecedentes do comportamento empreendedor e da intenção empreendedora. O procedimento de adaptação transcultural e busca de evidências preliminares de validação do instrumento produziu resultados satisfatórios. 

A escala adaptada para língua portuguesa mostrou índices satisfatórios de confiabilidade e validade e reproduzem a estrutura empírica da escala original por meio da Análise Fatorial Exploratória. Nesse sentido, este trabalho oferece uma ferramenta adequada para analisar os seis fatores encontrados por Hockerts (2017). Cabe ressaltar, que os resultados encontrados nesta pesquisa, não devem ser generalizados outros tipos de estudantes universitários para outros contextos, pois não foram realizadas análises confirmatórias da estrutura empírica da escala e devem ser interpretados com cautela. 

A não aleatoriedade da amostra pode ter gerado um viés nos resultados, uma vez que não se teve acesso ao universo de estudantes de administração da universidade pesquisada para verificar se a composição da amostra final é quantitativamente representativa dos estudantes que participaram da pesquisa. Cabe ressaltar, que os participantes deste estudo pertencem a uma mesma instituição de ensino superior que possui características distintas de outras organizações ensino do país. Para que pesquisa possar ampliar sua validade, é necessário a aplicação de mais pesquisas como este trabalho em outros contextos, universidades, cursos e estudantes.

A adoção da escala de Hockerts (2017), baseada no modelo teórico de Mair e Noboa (2006) como referencial teórico e metodológico desta pesquisa possibilitou a identificação de evidências de validade psicométricas do instrumento para adaptado transculturalmente para a língua portuguesa.

Esse estudo supriu uma lacuna identificada na revisão sistemática de literatura de Silva e Abbad (2020) sobre empreendedorismo social, em especial, no que se refere a percepção de estudantes sobre intenção de iniciar um empreendimento social e seus determinantes. Além disso, a revisão da literatura permitiu entender melhor como o ensino pode contribuir o desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e atitudes favoráveis aos empreendimentos sociais e com isso aumentar o surgimento de novos empreendimentos sociais ainda durante a graduação.

As teorias predominantes na área de ensino em empreendedorismo social são: Intenção Empreendedora, Teoria da Aprendizagem e Dimensões das Características Empreendedoras, revelando uma predominância teórica da psicologia, porém os estudos se concentram em grande parte nos alunos de administração, sendo este um curso referência no campo do empreendedorismo e bastante propício para o desenvolvimento do ES (Silva & Abbad, 2020).

Nota se que o modelo teórico de Mair e Noboa (2006) e a escala de Hockerts (2017) conseguem captar as especificidades do empreendedorismo social e inserir essas características nas definições dos construtos subjacentes às medidas. Além disso, esse trabalho possibilita a realização de análises com estudantes universitários sobre suas intenções de empreender socialmente, bem como serve de ferramenta para avaliar as atividades de pesquisa, extensão e ensino, que promovam diversas metodologias de ensino (palestras, estudo de caso, participação em projetos sociais, estágio e feiras, atuação em empreendimentos sociais e plano de negócio), com a finalidade de fazer com o aluno experimente as demandas sociais, com o intuito de influenciar os antecedentes do comportamento empreendedor social em estudantes ou participantes de cursos voltados para essa temática.

Diante do exposto neste trabalho e considerando a relevância dos empreendimentos sociais na mitigação de problemas sociais e na ampliação do acesso a bens e serviços para populações em situação de vulnerabilidade, propõe-se que as universidades incorporem em seus currículos disciplinas que abordem o tema do empreendedorismo social. Essa recomendação fundamenta-se na afirmação de Hockerts (2017), segundo a qual as disciplinas optativas de empreendedorismo social exercem um efeito positivo sobre cinco variáveis fundamentais: empatia, percepção moral, autoeficácia, percepção de suporte social e intenção empreendedora social.

Além disso, destaca-se a importância de incluir, no ensino do empreendedorismo social, metodologias baseadas na Aprendizagem Experiencial e na Aprendizagem de Serviço, com o objetivo de potencializar a variável “Experiência Anterior”, uma vez que ela também influencia diretamente a intenção de empreender socialmente.

Os resultados obtidos neste estudo indicam que, embora os estudantes apresentem médias elevadas em empatia e autoeficácia, relatam possuir pouca experiência prévia com o empreendedorismo social e demonstram baixa intenção de iniciar empreendimento dessa natureza. Diante desse cenário, recomenda-se que a universidade investigada — em especial o curso de Administração — promova atividades acadêmicas que estimulem o desenvolvimento de atitudes favoráveis à cultura do empreendedorismo social. Entre essas atividades, sugerem-se projetos, concursos, estudos de caso, palestras, elaboração de planos de negócio e ações de envolvimento direto com problemas sociais.

Por fim, justifica-se a inclusão do ensino em empreendedorismo social não apenas por sua relevância social, mas também pelo fato de que os conhecimentos, habilidades e atitudes adquiridos por meio da educação empreendedora são amplamente valorizados no contexto organizacional contemporâneo. Sugere-se também o aprofundamento da revisão de literatura de Silva e Abbad (2020) e ampliação do número de descritores, abrangendo os últimos anos (2019 a 2025).

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os métodos utilizados neste estudo resultaram em descobertas relevantes para o campo do empreendedorismo social, indicando direções promissoras para futuras investigações. Espera-se que esta pesquisa contribua para preencher algumas das lacunas existentes na área, ampliando o conhecimento sobre o tema e estimulando o desenvolvimento de novos estudos que fortaleçam e consolidem o campo no Brasil.

A análise dos antecedentes do comportamento empreendedor social entre estudantes universitários, realizada por meio da escala desenvolvida neste trabalho, poderá servir de base para a criação de estratégias que avaliem e potencializem os resultados da educação empreendedora social, além de aumentar significativamente o número de empreendedores sociais — e, consequentemente, de negócios de impacto social na sociedade dada a sua relevância social, ambiental, econômica e sustentável.

Segundo Hockerts (2015), a eficácia do ensino em empreendedorismo social depende do uso de escalas válidas e confiáveis, que permitam compreender os impactos e as probabilidades de acontecer o comportamento empreendedor na sociedade, bem como mensurar os efeitos das intervenções educacionais sobre os antecedentes desse comportamento — tarefa essencial para os pesquisadores e estudiosos do campo.

A aplicação da escala desenvolvida neste trabalha servirá de base para avaliar o ensino em empreendedorismo social. Porém é importante ressaltar que poucos alunos do curso de administração durante sua graduação têm contato com o tema na universidade, sendo importante abordar este conteúdo durante as disciplinas, dada a relevância na formação acadêmica para atuação profissional, pois os negócios de impacto social transformam positivamente a sociedade, além de utilizarem os mecanismos atuais de mercado para solucionar problemas sociais.

Por fim, espera-se que as universidades se aproximem ainda mais do tema, implementando e avaliando o ensino do empreendedorismo social e suas metodologias sob uma perspectiva econômica, ambiental, social e sustentável, de modo a preparar estudantes e instituições para as transformações efetivas na sociedade e causar um impacto positivo no país através dos negócios de impacto social, pois a abordagem deste tema durante a graduação possibilitará aos estudantes trilharem um novo caminho.

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Zhou, J., & Hoever, I. J. (2014). Research on workplace creativity: A review and redirection. Annual Review of Organizational Psychology and Organizational Behavior, 1(1), 333-3.

INFORMAÇÕES SOBRE OS AUTORES

[1] Mestrado em Administração pela Universidade de Brasília (UnB – 2020); Especialização (Pós-Graduação Lato Sensu) em Computação Aplicada na Educação pela Universidade de São Paulo (USP – 2025); Graduação em Administração pela Universidade de Brasília (2015); Graduação em Gestão Comercial pela Universidade Católica de Brasília (2010). ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1454-520X. Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/0127978727575506.

[2] Orientadora. Doutorado em Psicologia pela Universidade de Brasília; Mestrado em Psicologia pela Universidade de Brasília; Graduação em Psicologia pela Universidade de Brasília. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-0807-3549. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/6225924782510184.

Contribuição dos autores:

Júnio Braga Borges Silva: Concepção, planejamento, análise, interpretação e redação do trabalho.

Gardênia da Silva Abbad: Concepção, planejamento, análise, interpretação e redação do trabalho.

INFORMAÇÕES SOBRE O MATERIAL

Conflito de interesse: 

Não há conflito de interesse.

Agradecimentos e Financiamento:

Não há financiamento.

Apêndice – Notas de Rodapé:

  1. chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://legis.senado.leg.br/sdleg-getter/documento?dm=9019871&disposition=inline#:~:text=No%20Brasil%2C%20a%20aten%C3%A7%C3%A3o%20para%20os%20neg%C3%B3cios,criar%20ambiente%20favor%C3%A1vel%20aos%20neg%C3%B3cios%20de%20impacto.
  2. Sítio eletrônico do grupo de pesquisa: dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/7483536137929085.

Nota:

Os autores utilizaram a Inteligência Artificial OpenAI. (2024), ChatGPT (Versão GPT-5.1) para correção gramatical e ajustes na organização do texto. No entanto, todas as buscas pelos conteúdos e classificação da qualidade dos artigos foram realizadas de maneira autoral.

Informações sobre Direitos Autorais e Licença:

Este é um artigo de Acesso Aberto distribuído sob os termos da Creative Commons Attribution License, que permite uso, distribuição e reprodução irrestritos em qualquer meio, desde que o autor e a fonte originais sejam creditados.

Os nomes e endereços informados nesta revista serão usados exclusivamente para os serviços prestados por esta publicação, não sendo disponibilizados para outras finalidades ou a terceiros.

  • ISSN (versão eletrônica): 2448-0959
  • Licença Creative Commons: Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional.

Histórico da Publicação:

Material recebido: 19 de novembro de 2024.

Material aprovado pelos pares: 11 de dezembro de 2024.

Material editado aprovado pelos autores: 23 de janeiro de 2026.

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Júnio Braga Borges Silva

Mestrado em Administração pela Universidade de Brasília (UnB - 2020); Especialização (Pós-Graduação Lato Sensu) em Computação Aplicada na Educação pela Universidade de São Paulo (USP – 2025); Graduação em Administração pela Universidade de Brasília (2015); Graduação em Gestão Comercial pela Universidade Católica de Brasília (2010). ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1454-520X. Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/0127978727575506.

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