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Conceito de inconsciente nas ciências psicológicas

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DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/psicologia/ciencias-psicologicas

CONTEÚDO

ARTIGO ORIGINAL

MATTOS, Tatiana Morita Nobre [1], GAMA, Uberto Afonso Albuquerque da [2]

MATTOS, Tatiana Morita Nobre. GAMA, Uberto Afonso Albuquerque da. Conceito de inconsciente nas ciências psicológicas. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 07, Ed. 08, Vol. 06, pp. 60-91. Agosto de 2022. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/psicologia/ciencias-psicologicas, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/psicologia/ciencias-psicologicas

O ser humano é um ser de luz, um Ser Espiritual, o próprio Logos, e seu caminho de ‘volta para casa’ é naturalmente o despertar da consciência. Somente a luz e consciência integral. Não somos a matéria densa na qual vivemos. Vivemos nela. Mas Espírito e Matéria são lados de uma mesma moeda. Ambos se completam, pois a matéria é um veículo (Sharira) para nossa evolução na jornada espiritual. Sempre há de existir em nós uma faísca de luz, guardada em nosso íntimo e que objetiva ascender e iluminar nossa consciência periférica para atingirmos a Consciência Cósmica. (GAMA, 2017, p. 78).

RESUMO

O conceito de inconsciente é tão longevo quanto as civilizações da Antiguidade e segue sendo tema de investigação científica e filosófica, sobretudo no campo das ciências psicológicas. A constatação de que a consciência humana não tem acesso a todo o conteúdo de seu universo psíquico remonta não só ao questionamento da realidade individual e coletiva, mas também implica no conceito de realidade cósmica, conhecida por consciência supramental por algumas escolas da psicologia e da filosofia oriental. Como questão norteadora este artigo visa compreender como as linhas das ciências psicológicas se complementam na formulação do conceito de inconsciente. Sendo assim, tem por objetivo geral apresentar as bases nas quais o conceito de inconsciente se desenvolveu e se fundamentou. Como metodologia, realizou-se uma pesquisa bibliográfica abrangendo autores do campo da psicologia que trataram diretamente do tema da consciência e implementaram tais pesquisas na terapia clínica. Ademais, a pesquisa bibliográfica abrangeu pesquisadores da filosofia do Oriente que trataram do alcance da psicologia sobre a compreensão do inconsciente humano. Constatou-se não apenas a grande complementaridade entre as diferentes linhas das ciências psicológicas, como a relevância da contribuição da filosofia oriental, cujos estudos abordados apresentam a dedicação que este tema requer e evidenciam a necessidade de continuidade e ampliação da pesquisa realizada.

Palavras-chave: Filosofia, Psicologia, Psicanálise, Inconsciente, Consciência.

1. INTRODUÇÃO

O conceito de inconsciente é tão longevo quanto as civilizações da Antiguidade e segue sendo tema de investigação científica e filosófica, sobretudo no campo das ciências psicológicas. A ideia de que a consciência humana não tem acesso a todo o conteúdo de seu universo psíquico remonta não só ao questionamento da realidade individual e coletiva, mas também implica no conceito de realidade cósmica, conhecida por consciência supramental por algumas escolas da psicologia e da filosofia oriental.

A problematização da questão da consciência em cada linha das ciências psicológicas é influenciada diretamente pelo foco elegido para conhecer a verdadeira natureza psíquica do ser humano. Sendo assim, parte-se do princípio de que não há como tratar este tema sem associá-lo à uma visão espiritualista sobre a vida psíquica. Isso reforça o fato de que o estudo sobre as diferentes abordagens e teorias a respeito do funcionamento da mente humana deva ser tratado de forma cuidadosa, principalmente no que tange o conhecimento sobre a capacidade humana de autopercepção, autoconhecimento, escolha de valores e direcionamento do sentido da vida.

Como questão norteadora, este artigo visa compreender como as linhas das ciências psicológicas se complementam na formulação do conceito de inconsciente. Sendo assim, a pesquisa tem por objetivo geral apresentar as bases nas quais este conceito se desenvolveu e se fundamentou. Da mesma forma, por objetivos específicos, pretende investigar o desenvolvimento do conceito ao longo da história da psicologia e a consequente transformação da terapia clínica. Além disso, almeja complementar a visão ocidental com base no alcance do autoconhecimento oriundo da filosofia oriental.

O vocábulo inconsciente, tem origem no latim inconscius, que significa “sem consciência” e, segundo o dicionário de psicanálise, refere-se ao conjunto dos processos mentais que se desenvolvem “sem intervenção da consciência” ou “aos conteúdos não presentes no campo da consciência” (LAPLANCHE, 1991, p. 235). Comumente o termo consciência é usado no sentido de “ter ciência ou conhecimento, estar lúcido”, também aplicado quando um indivíduo “se conscientiza de algo”, sobretudo de cunho moral. Sendo assim, verifica-se que o inconsciente se manifesta por fenômenos observados na consciência (HENRIQUES, 2001, p. 81).

Neste campo de estudo, faz-se necessário o reconhecimento ontológico da existência do “Eu”, ou seja, de uma subjetividade, de uma individualidade, pelo fato de a consciência estar relacionada necessariamente ao universo psíquico de um único indivíduo (HENRIQUES, 2001, p. 59). A consciência surge do inconsciente e pressupõe uma referência de tempo e espaço no momento presente, mesmo que envolvido por representações não reais, preconceitos ou fantasias.

“Quando dizemos “estou lúcido e consciente”, isto supõe, primeiramente consciência de mim, autoconsciência e, em segundo lugar, consciência de uma realidade externa ao eu, consciência do mundo. (…) Ou seja, sem o eu não há consciência”. (HENRIQUES, 2001, p. 81).

Sendo assim, a indagação sobre a compreensão da realidade coloca o estudo da consciência em amplos terrenos filosóficos e espiritualistas, mesmo que as escolas de psicologia não pretendam alcançar tal perquisição. Apesar de grande parte das teorias atestarem o caráter dinâmico da consciência inerente à percepção da realidade pelo sujeito, é fundamental compreender as raízes de tal dinamismo e transformação, e principalmente as bases de tal fenômeno.

O inconsciente é o psíquico propriamente real, tão desconhecido para nós segundo sua natureza interna quanto o real do mundo externo; ele nos é dado pelos dados da consciência de maneira igualmente tão incompleta quanto o mundo externo pelas informações de nossos órgãos sensoriais. (FREUD, 2012: p. 640).

Os primeiros textos sobre o inconsciente remetem às culturas milenares da Índia, China, Egito e Mesopotâmia. Essas culturas, com amplo conhecimento e domínio em astronomia, medicina, arquitetura e agricultura, por exemplo, tinham também conhecimento sobre a importância da expansão da consciência para o desenvolvimento integral do ser humano.

A conceituação e diferenciação do funcionamento do consciente e do inconsciente foi cantada há milênios por grandes sábios nos Vêdas e Upanishads, da tradição Hindu (8.000 a.C.); ou ainda no Cânone de Pali proferido por Siddharta Gautama (500 a.C.), da tradição budista (GLOBO LIVROS, 2016). Foi introduzido no Ocidente por Platão (428-348 a.C.), desenvolvido por Paracelso (1493-1541), ganhou destaque nas obras de Shakespeare (1564-1616) e de filósofos ocidentais como René Descartes (1596-1650), Baruch Espinoza (1632-1677), Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716), Friedrich Hegel (1770-1831), Emmanuel Kant (1724-1804), Arthur Schopenhauer (1788-1860) e Friedrich Nietzsche (1844-1900), que aplicavam o termo inconsciente em suas produções (GLOBO LIVROS, 2016, ABBAGNANO, 2007). Paulatinamente, a questão da consciência substituiu a noção de alma na ciência, pela carga metafísica que envolve; e abrangeu disciplinas como linguística, lógica, psicologia, psiquiatria, teologia e etnologia, por exemplo (HENRIQUES, 2001, p. 60; GARCIA-ROZA, 2011, p. 208). De acordo com Garcia-Roza (2011, p. 211), “a verificação direta do inconsciente jamais será feita, sua impossibilidade empírica não se deve à falta de instrumentos, mas à sua própria natureza”.

René Descartes, um dos primeiros a descrever a consciência, a define como a “habilidade de pensar”; John Locke define a consciência como a “percepção do indivíduo daquilo que se passa em sua própria mente”; Immanuel Kant, por sua vez, afirma que eventos simultâneos “são sentidos como unidade na consciência” (GLOBO LIVROS, 2016, p. 40-41). Um conceito que é, à primeira vista, teórico, foi tratado de forma empírica ao ser confirmado pelo método de acesso ao conhecimento obtido como inferência. O conceito de inconsciente explica e define todas as causas dos atos mentais como base da vida psíquica (TALLAFERRO, 1957, p. 57).

“Inconsciente é o nome que se dá a um sistema lógico que, por necessidade teórica, supomos que opere na mente das pessoas, sem, no entanto, afirmar que, em si mesmo, seja assim ou assado. Dele só sabemos pela interpretação”. (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA; 1996, p. 77).

A palavra psicologia, por sua vez, tem origem no latim psycho e logia, e significa literalmente “estudo da alma”. Apesar de sua intrínseca relação com a filosofia, trata-se de uma área do conhecimento humano que se dedica a investigar e analisar o funcionamento psíquico do homem. Neste campo, a questão da consciência corresponde à conceituação mais fundamental e demanda uma investigação dedicada.

“A psicologia é, principalmente, a ciência da consciência. Suas pesquisas tratam da consciência diretamente quando possível; e indiretamente, através do estudo da fisiologia e do comportamento, quando necessário”. (DALAL, 2001, p. 18; tradução do autor).

Além da compreensão do funcionamento da mente, outra questão essencial é a sua relação com o sentido da vida e da existência. Deve ser colocada em questão, no campo das ciências psicológicas, a explanação sobre a importância da ampliação da consciência, ou seja, do acesso ao conteúdo inconsciente do universo psíquico, muito além da meta da saúde mental, do estudo da personalidade ou do alinhamento comportamental, por exemplo.

Na história ocidental das ciências psicológicas, a escola conhecida como Estruturalista, com seu auge em meados do século XIX, foi uma das primeiras a tratar da introspecção e analisar os elementos da consciência, apesar da abordagem dos aspectos da vontade, dos sentidos e da razão (DALAL, 2001, p. 3-4, tradução do autor).

Foi com a concepção da Psicanálise, desenvolvida e apresentada por Sigmund Freud (1856-1939), que o conceito de inconsciente ganhou maior notoriedade no Ocidente, em sua definição como um sistema ativo do aparelho psíquico. Na primeira estrutura teórica, tratou-se de uma instância constituída por conteúdos recalcados que escapam às outras instâncias da mente, seja do pré-consciente ou do próprio consciente. Na segunda estrutura, o conceito de inconsciente passou a qualificar os conceitos de Id, Ego e o Superego (ROUDINESCO; PLON, 1998, p. 375).

A Teoria da Psicologia Individual de Alfred Adler (1830-1937) apresenta uma importante contribuição ao estudo do funcionamento psíquico e do impulso motivacional inconsciente, que é a evidência dada à responsabilidade e escolha do indivíduo, destacando a dimensão social e a busca por poder como o principal fomento inconsciente do homem, ampliando o campo de investigação deste tema (COSMO FILHO, 2020).

Carl Gustav Jung (1875-1961) também fez notáveis contribuições para o estudo do inconsciente humano, em seus aspectos universais simbólicos e arquetípicos, apresentando a concepção de Inconsciente Coletivo (FROMM, 1962; COSMO FILHO, 2020). Além disso, as formulações sobre o conceito de Si mesmo ou sobre o processo de Individuação, parte fundamental da Psicologia Analítica. Sendo assim, associa tal motivação inconsciente à autorrealização em vida.

Segundo a Abordagem Centrada na Pessoa, de Carl Rogers (1902-1987), o núcleo básico da evolução humana tende à busca de seu desenvolvimento integral (LIMA; BARBOSA; PEIXOTO, 2016, p. 170). Neste sentido, o organismo humano tende, de forma inconsciente, a procurar sua autorrealização. Carl Rogers, assim, transformou a atividade clínica, direcionando o foco para o cliente, em detrimento da abordagem específica do terapeuta.

Sobre esse tópico, é fundamental ressaltar a relevância das noções de autoeficiência e autorreforço da Teoria Sociocognitiva concebida por Albert Bandura (1925-2021). Bandura pretende alcançar uma visão de desenvolvimento pessoal que, assim como na Psicologia Humanista, descreve como a força inconsciente para a autorrealização é inata no ser humano, e visa conduzir o indivíduo à consolidação de uma personalidade equilibrada (VILELA, 2016).

A Psicologia Transpessoal, de Abraham Maslow (1908-1970) apresentou um novo passo no aprofundamento da pesquisa sobre o inconsciente psíquico, incluindo o conceito de transcendência do estado de consciência ordinário humano (OLIVEIRA, 2013). Trata-se do potencial latente de desenvolvimento interno, que impele o homem a superar o estado de existência atual, em razão de realizar o seu potencial espiritual.

Por outro lado, na moderna Psicologia Cognitiva, foram adotadas descrições como “previsível”, “mecânico” e “automático” para os processos mentais que estão por trás do comportamento (GLOBO LIVROS, 2016). Essa linha enfatiza o modo como o inconsciente influencia de forma automática os processos cognitivos e comportamentais do homem. Da mesma forma, a escola behaviorista, a Psicologia Comportamental, entende as ciências psicológicas como ramo da Ciência Natural, e direciona os estudos para a previsão, controle e direcionamento do comportamento humano.

Jean Piaget (1896-1980) e Lev Vygotsky (1896-1934), em seus estudos sobre o comportamento, destacam a relação do homem com o meio e analisam a aprendizagem e a inteligência a partir das estruturas interacionistas estabelecidas, dando origem à novas formas de compreensão da consciência. O meio social, assim, deve ser moldado para a formação do novo homem.

Atualmente, o campo de estudo e pesquisa da Neurociência aplicado à psicologia é vasto e presente em inúmeras áreas do conhecimento. No que tange o funcionamento psíquico, contribui com a constatação do contínuo desenvolvimento do cérebro como órgão que está sempre estabelecendo novas conexões e, portanto, novos campos de consciência.

A Psicologia Humanista, organizada pelo psicanalista alemão Erich Fromm (1900-1980), corresponde a um sistema misto que aprofunda conceitos como espiritualidade, religiosidade, aspectos culturais e sociais, aplicado a diversas áreas do conhecimento humano.

A Logoterapia concebida por Viktor Emil Frankl (1905-1997) é considerada uma linha existencialista, que trata diretamente do propósito e sentido da vida como preenchedora e norteadora da expansão da consciência humana, e inclui a dimensão espiritual como necessária no estabelecimento de sentido interno em cada indivíduo.

Por fim, os estudos do filósofo indiano Aurobindo Gosh, especialmente aqueles sobre as ciências psicológicas, atestam a necessidade, não apenas de uma complementação e associação entre os diferentes ramos da própria psicologia, mas também da incorporação da capacidade de consciência supramental ou consciência cósmica (DALAL, 2001). Nesse sentido, introduz o autoconhecimento como estritamente necessário ao estudo da psique humana e expõe em profundidade a dedicação que o tema requer.

Aurobindo Gosh (2021) apresenta a compreensão do ser humano, como um ser espiritual encarnado em um corpo material, complexo, capaz de alcançar níveis de consciência muito elevados sobre si mesmo, sobre a natureza e o universo, de uma forma que nenhum outro ser vivo alcançou em nosso planeta.

Constata-se ser fundamental que a busca da compreensão do universo complexo e dinâmico que é a consciência humana seja feita sobretudo pelo autoconhecimento, possibilitando, assim, ampliar a compreensão das dimensões do que conhecemos como inconsciente.

2. METODOLOGIA

Para responder à questão norteadora e atender aos objetivos propostos neste trabalho, como primeira etapa foi realizada uma pesquisa bibliográfica sobre o histórico do desenvolvimento do conceito de inconsciente no campo da filosofia e da psicologia. Tal pesquisa deu base para o desenvolvimento da segunda etapa, que consistiu no levantamento bibliográfico abrangendo autores das diferentes escolas de psicologia que trataram diretamente do tema da consciência para a compreensão integral do universo psíquico humano. Além da busca pela análise conceitual nas diferentes teorias, esta etapa teve como objetivo identificar as influências e transformações de tais escolas na terapia clínica, ou seja, na relação entre terapeuta e terapeutizado. Dessa forma, partiu-se do princípio de que as ciências psicológicas colocam em questão não apenas aquele que recebe a terapia, mas sobretudo os valores daquele que se propõe a ouvir, a terapeutizar ou a curar o outro, tendo também como base de referência a sua própria autocompreensão e autoconsciência.

A terceira etapa da metodologia abrangeu uma pesquisa bibliográfica sobre os pesquisadores da filosofia do Oriente que trataram da compreensão do inconsciente humano. Para a filosofia oriental, as diferentes disciplinas do conhecimento estão sempre integradas à compreensão da natureza da manifestação, mesmo que o foco seja a compreensão do consciente e inconsciente humano. Neste sentido, esta pesquisa abrangeu autores orientais e ocidentais, abarcando estudiosos do assunto, com ênfase naqueles que estabelecem pontes conceituais com as escolas de psicologia.

É importante ressaltar que esta tradição oriental de pensamento é dedicada a uma perquisição pela verdade universal por trás de toda manifestação. Essa estrutura de pensamento assume que o alcance a este conhecimento é dado pela condição humana, por isso, o Oriente tem na versatilidade de pensamento sua base filosófico-espiritual.

Se por um lado, a concepção de ciência pelo Ocidente é uma visão praticamente antirreligiosa e não espiritualista do homem, do mundo e do universo; para o Oriente a realidade material e espiritual, manifesta e imanifesta, coexistem em interação. A ciência ocidental separa o conhecimento em disciplinas, enquanto que para a estrutura de pensamento oriental tudo está conectado e inter-relacionado permanentemente, (…) e não há como ser compreendido em sua plenitude de forma isolada. (MATTOS e GAMA, 2021).

Tal metodologia permitiu um cenário abrangente sobre as ciências psicológicas, incluindo a perspectiva sobre a natureza psíquica humana da filosofia oriental. Com isso, pretendeu-se que este estudo sirva de base para pesquisas futuras e aprofundamento do referido tema.

3. TEORIA PSICODINÂMICA DA MENTE DE SIGMUND FREUD

A formulação da Psicanálise por Sigmund Freud (1856-1939) foi um marco fundamental para que o conceito de inconsciente ganhasse maior profundidade e destaque no campo dos estudos e filosofia no Ocidente. Sigmund Freud definiu o inconsciente não mais como o inverso do consciente, caótico ou misterioso (GARCIA-ROZA, 2011, p. 209), mas sim como parte ativa de um sistema de percepção. O inconsciente foi caracterizado como a maior porção dos processos psíquicos, de maior frequência e poder no funcionamento mental, determinante e real causa do comportamento humano. Essa área de conhecimento ganhou força e destaque no meio científico, apesar das rejeições e preconceitos iniciais.

Acreditamos que a consciência não necessita participar, e frequentemente não participa, inclusive das atividades mentais que são decisivas na determinação do comportamento do indivíduo, ou daquelas que são as mais complexas e mais precisas em sua natureza. Tais atividades – mesmo as complexas e decisivas – podem ser completamente inconscientes. (D’ANDREA, 1982, p. 29-30).

Neste contexto, a Psicanálise apresenta-se como um método e ciência que objetiva estudar sobretudo os processos mentais inconscientes. A partir do conteúdo exposto nas sessões de hipnose no trabalho inicial de Freud e nos estudos de interpretação dos sonhos, verificou-se que o conteúdo reprimido ou esquecido “era sempre algo penoso para o indivíduo” (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA; 1996, p. 69). Constatou-se que as impressões mentais mais primitivas da infância, desejos e fantasias originárias, os detalhes mais triviais da vida, são os que deixaram maiores marcas no inconsciente do homem, em sua ação sobre o consciente (FREUD, 1990, p. 182).

“O efeito sobre a consciência é apenas uma ação psíquica remota do processo inconsciente e que este último não se tornou consciente como tal e, além disso, que ele existiu e agiu sem se revelar de algum modo à consciência”. (FREUD, 2012, p. 639).

Para a psicanálise, o consciente é a percepção das qualidades psíquicas, regidas pelo princípio do prazer e desprazer, inerente à experiência individual, baseado em processos qualitativos – em detrimento dos quantitativos (LAPLANCHE, 1991, p. 94). O inconsciente é o sistema representante das pulsões, que sofrem censura, ou deformação de censura, principalmente no que se refere à fixação dos desejos da infância.

O conteúdo inconsciente é regido não por leis arbitrárias, mas sobretudo por leis próprias específicas:

a) Ausência de cronologia;

b) Ausência do conceito de contradição;

c) Indiferença perante a realidade;

d) Estrutura como linguagem simbólica e como campo de forças;

e) Igualdade de valores para a realidade interna e externa, com supremacia da primeira; e

f) Predomínio do princípio do prazer.

(TALLAFERRO, 1957, p. 61; LAPLANCHE, 1991, p. 236-237).

O fato é que o estudo dos sonhos não proporciona simplesmente a compreensão dos processos e conteúdos mentais inconscientes em geral. Revela, principalmente, os conteúdos mentais que foram reprimidos ou de qualquer forma excluídos da consciência e de sua descarga pelas atividades defensivas do ego. (BRENNER, 1975, p. 161-162).

A noção de um campo de forças inconscientes explica claramente a existência de conflito, represamento ou liberação de energia inerente ao inconsciente. Seu conteúdo se torna acessível à consciência depois de superadas tais resistências (GARCIA-ROZA, 2011, p. 169). A psicanálise não apenas ampliou a compreensão do conteúdo do inconsciente como abriu o campo para a compreensão do caráter simbólico de tais descargas realizadas. O sonho é o caminho por excelência de acesso ao inconsciente[3], mas Freud identificou também outras formações, tais como os lapsos ou atos falhos, por exemplo, que foram base para a teoria da livre associação aplicada pela psicanálise.

Os fenômenos conscientes não são simplesmente mais fortes do que os inconscientes, nem é verdade que o que é inconsciente seja o ‘verdadeiro motor’ da mente e todo o consciente, apenas questão lateral, relativamente desimportante. (…) Entretanto, há outros fenômenos inconscientes que se tem de imaginar como forças intensas que lutam pela descarga, mas que são reprimidas por uma força igualmente poderosa, a qual se manifesta sob a forma de ‘resistência’. O material inconsciente que está sob pressão tão alta tem somente um objetivo: descarga. (FENICHEL, 1997, p. 13).

De acordo com a teoria de Freud sobre a energia vital, no processo psíquico todo desejo se transforma em desejo sexual, e este se transforma e descarrega em forma de sonho. Ou seja, o conteúdo mesmo que reprimido busca seu caminho de descarga.

Por trás de todo sonho existem pensamentos e desejos inconscientes ativos, e assim estabelecem, como regra geral, que, quando se produzem sonhos, estes são provocados por uma atividade mental que é inconsciente para a pessoa que sonha, e que assim permaneceria a menos que se empregue a técnica psicanalítica. (BRENNER, 1975, p. 26).

Freud tratou da introdução do conceito de autoconhecimento no campo da psicologia e da psiquiatria através da necessidade da identificação mais profunda da individualidade, e aprofundou o sentido ontológico do que conceitua como Eu, e indaga que o “núcleo do nosso ser não coincide com o Eu. (…) Vocês imaginam que o ‘Eu’ é apenas uma forma incompleta, errônea, deste [Eu]” (LACAN, 2010, p. 65). Nesse sentido, apresenta o que no campo da consciência se caracteriza como individualidade.

Normalmente nada nos é mais seguro do que o sentimento de nós mesmos, de nosso Eu. Este Eu nos aparece como autônomo, unitário, bem demarcado de tudo o mais. Que esta aparência é enganosa, que o Eu na verdade se prolonga para dentro, sem fronteira nítida, numa entidade psíquica inconsciente a que denominamos Id, à qual ele serve como uma espécie de fachada. (FREUD, 2013, p. 09).

Tendo em vista que cada processo mental, pela identificação da causalidade, foi provocado por um desejo ou intenção que o antecedeu, confirma-se que não existe descontinuidade no funcionamento da mente. Cada evento psíquico é determinado por aqueles que o antecederam e cada sintoma neurótico é provocado por outros processos mentais prévios (D’ANDREA, 1982, p. 18-19).

“Os eventos psíquicos em nossas vidas mentais que podem parecer fortuitos ou não relacionados com os que os precederam, o são na aparência. (…) Neste sentido, não existe descontinuidade na vida mental”. (D’ANDREA, 1982, p. 18).

Na primeira estrutura teórica elaborada por Freud, com a Teoria Topográfica da Mente, o inconsciente corresponde a uma instância ou um sistema constituído por conteúdos recalcados que escapam às outras instâncias, seja do pré-consciente ou do próprio consciente. Refere-se ao conteúdo mental não disponível à consciência, cujo acesso é barrado por uma força interior da própria mente. O conceito de pré-consciente refere-se ao conteúdo mental não consciente que pode facilmente chegar à consciência por esforço de atenção. E, por fim, o conceito de consciente refere-se ao conteúdo mental acessível à capacidade de percepção e discernimento, seja dos sentimentos, pensamentos, lembranças ou fantasias do momento. Na segunda estrutura, o inconsciente deixa de ser uma instância, passando a servir para qualificar os conceitos de Id, Ego e Superego (ROUDINESCO; PLON, 1998, p. 375).

Freud apresenta, assim, a noção de sintoma ao afirmar que este “forma-se para substituir alguma coisa que não conseguiu manifestar-se exteriormente. Certos processos psíquicos, não podendo desenvolver-se normalmente, e chegar até a consciência, dão origem a um sintoma neurótico” (ABBAGNANO, 2007, p. 561). Sendo assim, as experiências com raiz no inconsciente tendem a se reproduzir sem a consciência do indivíduo. O fim da atividade é alcançado baseado na cessação da excitação ou da tensão, ou na própria gratificação desejada (D’ANDREA, 1982, p. 33).

Se por um lado Freud reconhece a necessidade de renúncia do controle ilusório do consciente, por outro, claramente reconhece o autoconhecimento como um caminho de acesso a esse sistema, a princípio desconhecido, que direciona o curso dos pensamentos, impressões e ações ao sentimento de universalidade.

4. PROCESSO DE INDIVIDUAÇÃO DE CARL GUSTAV JUNG

Para compreender a complementaridade das linhas da psicologia na formulação do conceito de inconsciente, é fundamental a compreensão do conceito apresentado na Psicologia Analítica concebida pelo médico psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875-1961), reconhecido estudioso da cultura e do simbolismo oriental.

A alma é uma superconsciência e uma subconsciência. No momento em que formamos uma ideia de uma determinada coisa e conseguimos, deste modo, captar um de seus aspectos, invariavelmente sucumbimos à ilusão de termos abarcado a sua totalidade. Em geral, não nos damos conta de que é absolutamente impossível uma apreensão total. (…) Esta autoilusão, entretanto, propicia a paz e a tranquilidade da alma. (JUNG, 2012, p. 175).

Para Jung, o inconsciente é definido como “a totalidade de todos os fenômenos psíquicos em que falta a qualidade da consciência” (JUNG, 2012, p. 137). Um conteúdo inconsciente pode ser consciente sob outro aspecto, ou na forma como provoca perturbações na consciência. Nessa situação, apresenta o conceito de “consciência aproximativa” (JUNG, 2012, p. 195), uma vez que “tudo continua aparentemente a funcionar no estado inconsciente como se fosse consciente” (JUNG, 2012, p. 194).

O inconsciente retrata um estado de coisas extremamente fluido: tudo o que eu sei, mas em que não estou pensando no momento; tudo aquilo de que um dia eu estava consciente, mas que atualmente estou esquecido; tudo o que meus sentidos percebem, mas minha mente consciente não considera; tudo o que sinto, penso, recordo, desejo e faço involuntariamente e sem prestar atenção; todas as coisas futuras que se formam dentro de mim e somente mais tarde chegarão à consciência; tudo isto são conteúdo do inconsciente. (JUNG, 2012, p. 191).

Tal constatação indica que não há nenhum conteúdo consciente que seja inteiramente e de forma absoluta consciente. Essa “totalidade inimaginável da consciência” pressuporia uma totalidade versus desmembramento absoluto e inimaginável na mente humana. “Assim, chegamos à conclusão paradoxal de que não há um conteúdo consciente que não seja também inconsciente sob outro aspecto. É possível igualmente que não haja um psiquismo inconsciente que não seja, ao mesmo tempo, consciente” (JUNG, 2012, p. 194).

Partindo da esfera individual para a esfera coletiva, a obra de Jung ampliou largamente o conceito de inconsciente para a dimensão coletiva, comum a toda humanidade, correspondendo ao depósito de experiências humanas acumuladas por milhões de anos relativos aos altos valores da psique. Trata-se de um aspecto da consciência transpessoal, muito além da limitação individual (JUNG; WILHELM, 1999).

O inconsciente pessoal refere-se a todas as lembranças perdidas, conteúdos que ainda são muito débeis para se tornarem conscientes, ou repressões intencionais de pensamentos e impressões incômodas. O inconsciente coletivo, por sua vez, corresponde aos conteúdos universais, uniformes, que são herdados, relacionados aos instintos (impulsos destinados a produzir ações que resultam de uma necessidade interior sem motivação consciente) e arquétipos da percepção – formas inatas de intuição (JUNG, 2012).

Assim, Jung (2012) organiza a psique em quatro níveis:

a) Consciência Pessoal: campo iluminado da consciência individual;

b) Inconsciente Pessoal: campo não iluminado da consciência individual;

c) Psique objetiva ou Inconsciente Coletivo: arquétipos e imagens arquetípicas;

d) Psique subjetiva ou Consciência Coletiva: cultura, moral e valores.

Da mesma forma, dentro destes níveis, existem estruturas:

e) Gerais: imagens arquetípicas e complexos, relacionadas a psique objetiva;

f) Especializadas: ego, persona, sombra, animus e anima, relacionadas à psique subjetiva. Sendo o ego e a sombra considerados estruturas de identidade e persona, anima e animus, estruturas de relação.

A partir de Jung, a psicologia passou a estar intrinsecamente vinculada aos problemas filosóficos e espiritualistas do homem, pois o inconsciente e o mito tornaram-se novas fontes de revelação (FROMM, 1962, p. 10). “Como consequência necessária da referida definição de religião e de inconsciente, Carl Gustav Jung chega à conclusão de que, dada a sua natureza, a influência do inconsciente sobre nós ‘é um fenômeno religioso básico’” (FROMM, 1962, p. 24). Sendo assim, esse processo de ampliação da consciência sobre o conteúdo inconsciente é assumido como parte do desenvolvimento espiritual do homem (JUNG; WILHELM, 1999, p. 48).

A dessacralização de nossa época tão profana é devida ao nosso desconhecimento da psique inconsciente, e ao culto exclusivo da consciência. Nossa verdadeira religião é o monoteísmo da consciência, uma possessão da consciência, que ocasiona uma negação fanática da existência de sistemas parciais autônomos. (JUNG; WILHELM, 1999, p. 49).

Carl Jung destaca o conceito de Individuação como um processo inerente à natureza humana que tem a autorrealização como principal meta em vida. A teoria junguiana enfatiza a perspectiva sobre o reconhecimento das potencialidades internas e essencialmente individuais do homem e consolidou o foco da psicologia à assimilação de sua essência íntima, eterna e única.

Assim, Jung amplia a forma de compreensão dos sonhos apresentada por Freud em seu sentido inicial. Além de qualquer tipo de análise ou avaliação, Jung coloca que o sonho trabalha no impulso interno individual rumo ao processo de Individuação, coordenado pelo Si mesmo, sobrepondo as influências do ego.

O processo de individuação, isto é, tornar-se totalidade, inclui por definição o todo do fenômeno humano e o todo do enigma da natureza, cuja divisão em aspectos físicos e espirituais é mera discriminação que serve aos elevados interesses do conhecimento humano. (JUNG, 2000, p. 312).

Tornar-se Si mesmo é tornar-se inteiro, embora isso não signifique estar livre de opostos, e sim conciliar ou transcender os opostos. Cabe ao ego e ao livre-arbítrio humano discernir eticamente a realidade, no caminho da Individuação. Por isso, Jung valoriza o conceito de espiritualidade em sua teoria e busca a integralidade na identificação do real no funcionamento psíquico. O Si mesmo representa para o indivíduo a psique como um todo, o arquétipo central de ordem e a base arquetípica do ego.

“É um processo psicológico da máxima importância, que consiste no desenvolvimento pessoal e na realização mais plena possível da personalidade, representada pelo arquétipo ‘Si mesmo’”. (JUNG, 2003, p. 124).

O fator importante, para Jung, não é a soma de realizações, mas principalmente “se a personalidade está sendo fiel às suas próprias potencialidades mais profundas, em vez de simplesmente ceder às tendências egocêntricas e narcisistas ou de se identificar com papéis culturais coletivos” (HALL, 1997, p. 25).

Neste sentido, para Jung, a neurose corresponde à desarmonia do inconsciente pessoal com o processo de Individuação. Apesar do possível sucesso, o indivíduo, se afastado de seu processo de Individuação, permanece com o sentimento de estar dividido, incompleto ou não preenchido, provocando sintomas neuróticos.

Embora exista na natureza o impulso para a ampliação da consciência, Jung afirma que é necessário um Ego, individual, para realizar plenamente essa premência natural. “Há uma exigência de cooperação deliberada do indivíduo na tarefa de criar consciência” (EDINGER, 1995, p. 28). Para Jung, em cada indivíduo, o Si mesmo funciona como um centro regulador da psique total, que dialoga com o Ego e é responsável pela consciência. Portanto, o processo de Individuação é o encontro com essa essência interna. Neste sentido, para Jung, o Si mesmo representa o principal arquétipo, que organiza e direciona todo o campo psíquico.

Dessa forma, “o processo de Individuação, tal como é entendido na teoria junguiana, envolve um diálogo contínuo entre ego, como centro responsável pela consciência, e um misterioso centro regulador da psique total, centro a que Jung chamou Si mesmo” (HALL, 1997, p. 27).

Assim como o termo religiosidade, o processo de Individuação corresponde à capacidade humana de religar, reconectar dimensões da personalidade e do ego, centro do campo da consciência, a do Si mesmo, ou seja, a totalidade psíquica. Segundo Jung, o ego realiza as demandas do Si mesmo e visa a Individuação, pois é justamente o Si mesmo que traz informações simbólicas acerca do caminho da realização plena da personalidade.

Parece que a individuação é uma tarefa impiedosamente importante, em vista da qual tudo o mais vai para segundo plano. É, também, uma meta transcendental, em parte consciente e em parte inconsciente. Em parte, mística e numinosa e em parte racional. Essa experiência não pode ser traduzida e jamais será de todo conhecida. Além disso, essa passa a ser uma das dificuldades encontradas para a compreensão do pensamento de Jung, já que, para ele, o enigma é parte da vida. Esse é um dos fundamentos epistemológicos fundamentais da teoria, para a qual a realidade inconsciente jamais será conhecida como um todo, pois a consciência é limitada em relação a ela. (PENNA, 2003).

A Individuação conduz o homem a uma vivência integral dos aspectos da vida, a realização plena de sentido, o que inclui sobretudo o reconhecimento dos erros ou dos aspectos sombrios, no confronto com o arquétipo Sombra[4]. Tal fato remete à união ou transcendência de opostos como meta, referindo-se à união de luz e sombra, de sofrimento e alegria, do masculino e feminino.

A sombra em si não é positiva nem negativa. A sombra é simplesmente uma imagem do alter ego, que personifica os conteúdos que não foram atribuídos à personalidade consciente. A sombra pode parecer negativa do ponto de vista da imagem do ego dominante, por causa da dissociação e parcial repressão do ego, mas seu conteúdo real pode ser positivo ou negativo, dependendo do estado da presente imagem do ego. (HALL, 1997, p. 39).

Para explicar o conceito de Sombra, Jung utiliza a ideia e representação de campo iluminado do ego, que forma sombras. Para Jung, as sombras são como redes não iluminadas. O interessante dessa metáfora é entender que o foco de luz é transformado a todo momento, pelo processo de construção e mobilidade do ego. Assim, é gerado um campo desfocado, uma rede móvel, não estável.

Se o núcleo arquetípico do ego, baseado no Si mesmo, for visualizado como um raio e luz, os complexos iluminados pela ‘luz’ seriam a identidade corrente do ego. A área iluminada sempre deixa no escuro uma parte da rede. Essa parte não iluminada abrange vários padrões estruturais não-identificados com o ego: a sombra, a anima, etc. Se a ‘luz’ do ego for desfocada, ela muda não só o ‘conteúdo’ do ego, mas também o padrão das relações associadas a esse conteúdo. Na consciência comum, uma pessoa ignora que a ‘luz’ do ego é móvel, considerando simplesmente que a área iluminada ‘é’ o ego. (HALL, 1997, p. 40).

O símbolo tem a capacidade de fazer a ponte entre as polaridades psíquicas, promovendo a sua união e trazendo à consciência parte do conteúdo desconhecido pelo ego, ou seja, aproxima o inconsciente do consciente (JUNG, 2008; 2012). Pelo símbolo, o ego pode manter-se em contato com a dimensão do Si mesmo. Dessa forma, o arquétipo, quando aparece como símbolo, é uma potência psíquica respaldada na experiência da humanidade e que serve à Individuação (GLOBO LIVROS, 2016).

Os arquétipos organizam as imagens do inconsciente coletivo no indivíduo, são tendências herdadas por todas as pessoas, que moldam as imagens individuais formadas na mente. A característica afetiva e emocional envolvida em um arquétipo é profunda e está relacionada com o desenvolvimento de cada indivíduo. As imagens arquetípicas são, portanto, gerais, coletivas e atemporais; já os complexos são individuais, específicos e pessoais. São agrupamentos de imagens individuais, associadas entre si, constituindo um argumento emocional comum entre elas no indivíduo.

Deve-se enfatizar que, para Jung, a experiência é aquela que dá sentido à vida e promove solidez do conhecimento, sem a qual não há construção da sabedoria pessoal (JUNG, 2003, p. 178). Trata-se da concepção de que a realidade é primariamente inconsciente e depende da consciência para constatá-la, averiguá-la e fazer uso dela para o seu desenvolvimento. Mais relevante ainda é que tal feito tem a capacidade de retirar o homem do quadro neurótico e conduzi-lo à organização lúcida da personalidade e permitir, em um processo interno, a realização em vida.

O trabalho de Jung (1999) ampliou a compreensão do que ocorre no universo psíquico inconsciente no decurso do autoconhecimento, sobretudo a necessidade de reconhecimento das fixações dualistas e dos conteúdos reprimidos da personalidade.

5. ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA DE CARL ROGERS

A teoria da Abordagem Centrada na Pessoa, do psicólogo norte-americano Carl Ransom Rogers (1902-1987), tem importante contribuição na formulação do conceito de inconsciente para as ciências psicológicas. Segundo Rogers, o indivíduo tende inconscientemente à procura da autorrealização, do bem-estar e do desenvolvimento integral de seu potencial humano (LIMA; BARBOSA; PEIXOTO, 2016, p. 170). Define que cada homem possui em si a capacidade de provocar mudanças pessoais rumo a essa meta. Neste sentido, compreende como necessário entender por uma autoconsciência a forma de percepção da realidade e discriminação do que é relevante e significativo, sendo cada indivíduo o verdadeiro construtor de si mesmo.

Ou seja, Rogers dedicou-se à criação de uma linha da psicologia clínica que incentiva a autonomia do cliente no decurso de ampliação de sua autoconsciência, que cria o seu próprio caminho em direção à autoaceitação, tendo o terapeuta como guia neste processo. O cliente deve se conscientizar de seus processos mentais internos, abandonar as suas defesas pessoais e colocar-se à disposição da autoexpressão sincera.

O indivíduo, à medida que consegue optar por expressar de maneira plena seus sentimentos reais, e se sente menos explosivamente carregado de tais sentimentos, descobre que pode viver com base nestes sentimentos seus, abandonar suas fachadas defensivas e estabelecer uma comunicação verdadeira com outras pessoas. (ROGERS, 2002, p. 5).

Sendo assim, Carl Rogers afirma que os seres humanos vivem a sua realidade percebida e por isso enfatiza o estudo da percepção e da internalização consciente da realidade. Propõe, então, o direcionamento da terapia para a conscientização da visão de mundo do paciente, inclusive em detrimento da visão de mundo do terapeuta.

Rogers enfoca o conceito de empatia, que consiste na capacidade do terapeuta de se colocar no lugar do outro e ver o mundo através dos olhos dele, assim como procurar sentir como ele sente. Para isso, o terapeuta deve desenvolver a capacidade de perceber e de entender seu próprio sentimento, enfatizando a necessidade do processo de autoconhecimento. Além disso, Carl Rogers enfatiza a importância da coerência e da aceitação incondicional do cliente e suas experiências. Deve ser, assim, capaz de ajudar o indivíduo a mobilizar suas próprias tendências intrínsecas em direção ao autoconhecimento, ou seja, ser um facilitador do autoconhecimento. Tais fatores são fundamentais na clareza de comunicação e relação entre o terapeuta e o cliente.

Ser coerente implica em ser o que se sente, sem enganar a si mesmo ou aos outros. Neste sentido, o terapeuta deve estar consciente e assumir os sentimentos que ele mesmo percebe. Quanto mais o terapeuta souber escutar, compreender, conscientizar-se e aceitar o que se passa dentro de si mesmo, mais ele poderá entender a complexidade que se passa com o outro, em seus processos mentais e emocionais. (ROGERS, 2002, p. 5).

A Abordagem Centrada na Pessoa transformou a visão clínica do tratamento psicológico, levando o indivíduo a focar a terapia em sua autocompreensão e em trazer à consciência seu potencial latente a ser desenvolvido com plenitude. Tratou-se de uma transformação da terapia clínica em que a característica de não intervenção diretiva por parte do terapeuta, foi substituída por esta nova perspectiva de foco no cliente.

Essa visão sobre o tratamento psicoemocional passa a ser centrado na relação estabelecida em busca de eficácia na resposta à terapia, pois ambos se colocam à disposição do vínculo a ser construído e estão em comprometimento com o processo de autoconhecimento. Ao terapeuta cabe, portanto, ouvir e responder não apenas as palavras do cliente no sentido semântico, mas a significação simbólica. Essa comunicação efetiva, verbal e não verbal, que seria total e aberta, é compreendida como um movimento de expressão a emoção e de experienciar a resposta de si mesmo e do outro (MIRANDA; FREIRE, 2012).

“Ouvir traz consequências. Quando efetivamente ouço uma pessoa e os significados que lhe são importantes naquele momento, ouvindo não suas palavras, mas ela mesma, e quando lhe demonstro que ouvi seus significados pessoais e íntimos, muitas coisas acontecem”. (ROGERS, apud MIRANDA; FREIRE, 2012).

Desta forma, o terapeuta também é levado a vivenciar o relacionamento terapêutico de forma mais completa. Ressalta-se, então, o efeito que as atitudes do terapeuta causam no cliente. Rogers elaborou uma escala de medição do processo terapêutico do cliente descrito como continuum, em que o cliente parte do estado de rigidez para o de maior fluidez e maleabilidade de sentimentos, assim como das formas de vivenciá-los. Rogers modifica sua compreensão de consciência, tornando-a mais fluida.

Esta interação em benefício do cliente transforma a clínica, em que “a teoria passa, portanto, a ser encarada de forma mais dinâmica e o processo terapêutico como fluxo experiencial a partir da contribuição do conceito de experienciação” (MIRANDA; FREIRE, 2012).

6. ANÁLISE HUMANISTA DE ERICH FROMM

A Análise Humanista, fundada principalmente com os trabalhos do alemão Erich Fromm (1900-1980), baseia-se em um sistema misto que incorpora as teorias freudiana e junguiana, consolidando uma vertente da psicanálise que aprofunda conceitos como espiritualidade, religiosidade, aspectos culturais e sociais no que tange a compreensão do conceito de inconsciente. Além disso, enfatiza a força dos anseios de felicidade e do impulso para as qualidades éticas (FROMM, 1967, p. 130).

O processo psicanalítico é em si mesmo uma busca da verdade, e o objeto dessa busca diz respeito a fenômenos intrínsecos ao próprio homem. (…) Na verdade, auxiliar o homem a distinguir entre a verdade e engano é o objetivo básico da psicanálise, método terapêutico que representa uma aplicação empírica do axioma: “A verdade vos libertará”. (FROMM, 1962, p. 93-94).

A psicanálise humanista não despreza a causalidade inconsciente dos conflitos interiores e conteúdos sexuais reprimidos como motivadores do conteúdo dos sonhos, descritos por Freud, mas incorpora a finalidade do material onírico para o desenvolvimento da personalidade e processo de expansão da consciência. Fromm demonstra em sua teoria como esta visão integradora entre os estudos de Freud e Jung correspondem às visões dos filósofos da antiguidade. “Minha suposição é de que os sonhos podem ser a expressão tanto das mais baixas e mais irracionais quanto das mais elevadas e mais valiosas funções de nossas mentes” (FROMM, 1966: p. 42).

A consciência humanista representa não só a expressão do verdadeiro eu; contém, igualmente, a essência de nossas experiências morais na vida. Nela, preservamos o conhecimento de nosso objetivo de vida e dos princípios por meio dos quais podemos atingi-lo – os princípios que nós mesmos descobrimos, assim como os que aprendemos de outros e verificamos serem verdadeiros. (FROMM, 1967, p. 143).

Os sonhos apresentam informações subconscientes para resolver conflitos internos, as oposições de interesses, sentimentos ou ideias contraditórias no mesmo indivíduo, tais como medos ou atritos não resolvidos, por exemplo. Além disso, o conteúdo interno, de acordo com a visão espiritualizada, corresponde a todas as experiências desta ou de outras vidas, que são inconscientes para o indivíduo. Na seção, o terapeuta deve estar atento às referências a este amplo leque, pois além de resgatar conteúdos inconscientes reprimidos, associados ao contexto do paciente, tem o autoconhecimento como meta fundamental.

Em sua teoria, Erich Fromm diferencia a consciência em duas qualidades: autoritária e humanista. A consciência autoritária corresponde à autoridade externa que foi interiorizada, às leis externas são internalizadas como próprias. Seria correspondente ao Superego na teoria de Freud, pois envolve a convicção em agradar a autoridade, interna e externa, com o intuito de alcançar uma segurança interior, por representar uma autoridade superior, compartilhando da força de autoridade. Trata-se, na realidade, do medo da liberdade, da necessidade constante de ajustamento social (FROMM, 1967, p. 131-133).

Por outro lado, a consciência humanista corresponde à voz interna de todo ser humano, a totalidade das capacidades que constituem a existência, independente de recompensas, do conhecimento íntimo na arte de viver. Trata-se da aprovação íntima da retidão e da integridade, do potencial em tornar-se o que é verdadeiramente. Esta consciência tem como meta a felicidade (FROMM, 1967, p. 142-144). A ênfase dos estudos sobre a psique recai sobre o lado humano das relações.

A consciência humanista representa não só a expressão do verdadeiro eu; contém, igualmente, a essência de nossas experiências morais na vida. Nela, preservamos o conhecimento de nosso objetivo de vida e dos princípios por meio dos quais podemos atingi-lo – os princípios que nós mesmos descobrimos, assim como os que aprendemos de outros e verificamos serem verdadeiros. (FROMM, 1967, p. 143).

Seguramente Erich Fromm (1962) amplia a compressão da relação entre o consciente e inconsciente humano pela incorporação da dimensão espiritualista que para o autor, em última análise, é a dimensão ética universal. Além disso, evidencia que este impulso é inerente à natureza humana, no que se refere à conquista da felicidade, liberdade e independência. A análise humanista assume a espiritualidade como determinante e proporciona a associação de diversas áreas do conhecimento na formulação dessa nova vertente de pesquisa, abrangendo as dimensões intelectual, emocional, social, espiritual, histórica e cultural.

“Tanto no pensamento religioso humanista como na psicanálise, a habilidade humana de procurar a verdade é considerada como inseparavelmente ligada à concepção de liberdade e independência”. (FROMM, 1962, p. 94-95).

Em sua teoria sobre espiritualidade, Fromm aponta que “o ser humano parte de um estado onde este se encontrava em plena comunhão com o mundo natural e com o outro, sendo arrancado deste vínculo quando tem a percepção de si mesmo enquanto ser” (PORTELA, 2016). Ou seja, da mesma forma que a percepção de individualidade pode implicar na noção de ruptura do vínculo, a consciência de si implica também na capacidade de escolha do próprio destino. Sendo assim, a orientação saudável consiste na busca do indivíduo em realizar seu potencial, sem procurar depender de outros.

Fromm desenvolveu uma aguçada crítica contra as instituições religiosas. Para ele muitas religiões ao invés de promoverem a reflexão e a liberdade do ser humano fazem exatamente o contrário quando põem em prática suas ideias ortodoxas. Através dos dogmas e ritos, alienam e dominam. Neste aspecto Fromm compara tais religiões, as quais por ele foram denominadas como religiões autoritárias. Porém, para ele, as relações só apresentam verdadeiramente este traço humanitário quando estão baseadas no amor. (PORTELA, 2016).

Para Fromm, nem todas as religiões buscam o bem-estar do homem. São consideradas saudáveis aquelas que “oferecem caminhos de experiência consigo mesmo através da percepção da realidade externa e interna, na qual os limites do ego são derrotados e o ser humano pode, então, estar unido com o inconsciente, ilimitado por tempo ou espaço” (PORTELA, 2016). A religião humanista conduz o homem na senda conhecimento de si mesmo, do outro e de seu lugar na criação, que ajuda o indivíduo em sua busca da realização pessoal.

Trata-se da diferenciação entre fé racional e irracional. “A primeira é fértil, produz bons frutos, é equilibrada e impulsiona o ser a encontrar o melhor caminho para si mesmo. A fé irracional é agressiva e desvairada, mas não somente em relação à autoridade religiosa, e sim de uma forma mais ampla, referente a todo e qualquer poder estabelecido” (PORTELA, 2016).

O amor de Deus não é o conhecimento de Deus em pensamento, nem o pensamento do amor de alguém a Deus, mas o ato de experimentar a unidade com Deus. O pensamento só nos pode levar ao conhecimento de não nos poder dar a última resposta. O único meio pelo qual o mundo pode ser aprendido de forma final não está no pensamento, mas no ato, na experiência da unidade. (FROMM, 1990, p. 95)

Fromm ressalta que estar o poder para amar é ter a capacidade de conectar-se ao amor interno e externo, que apenas torna-se efetivo quando é praticado. A base da necessidade de amar reside “necessidade resultante de superar a ansiedade da separação pela experiência de união” (PORTELA, 2016). Sendo assim, Deus representa o valor mais elevado, cuja compreensão depende do grau de consciência alcançado pelo indivíduo.

7. LOGOTERAPIA DE VIKTOR FRANKL

A Logoterapia elaborada por Viktor Emil Frankl (1905-1997) se distingue das psicoterapias anteriores por incluir a natureza existencial, a dimensão espiritual e transcendental do ser humano, direcionando a compreensão do conceito de inconsciente com foco no processo de autoconhecimento para a questão do sentido da vida. Por isso, a Logoterapia tornou-se conhecida como Psicologia do Sentido.

O pressuposto fundamental da Logoterapia é que a vida humana é intrinsecamente carregada de sentido, e isso ocorre independentemente das circunstâncias. Por isso, os seres humanos vivem em busca desse sentido, tanto para sua existência quanto para cada situação particular. E essa vontade de sentido, de realização do sentido, reconhecida apenas pelo processo de autoconhecimento, oferece uma perspectiva de futuro, que é indispensável para a consolidação ou a reconstrução de fortalecimento íntimo.

A logoterapia não somente pressupõe o espiritual e o mundo objetivo do sentido e dos valores, como também se serve deles para fins terapêuticos. A análise existencial, por sua vez, não se limita a apontar o logos, entendido como aquilo que “se deve” em cada caso; vai mais longe: o que lhe importa é evocar a existência, definida como aquilo que sempre “se pode”. (FRANKL apud AQUINO, 2020).

Para a Logoterapia, o sentido é encontrado respondendo adequadamente às demandas que a vida traz efetivamente, ao assumir a responsabilidade de realizar o que a vida requer com a aplicação prática da conduta correta. O sentido deve ser extraído no apelo das situações em que cada indivíduo se encontra. Assim, na vida prática, o ser humano vivencia a autorrealização.

A Logoterapia visa assim a conscientização do anímico, do espiritual e da responsabilidade perante o sentido. Aquilo pelo qual o homem é responsável constitui a realização do sentido e dos valores em que está alicerçado. “Esforça-se para trazer o homem à consciência do seu ser responsável – enquanto fundamento essencial da existência humana” (FRANKL, 2015, p. 55). Trata do sentido indestrutível de viver de forma livre e responsável, com empenho dinâmico e ativo, permitindo assim que o indivíduo se distancie dos sintomas neuróticos.

“Quem já não consegue acreditar no futuro ‒ no seu futuro ‒ está perdido no campo de concentração. Juntamente com a esperança no futuro, essa pessoa perde o apoio espiritual, deixa-se ‘cair’ interiormente e decai física e psiquicamente”. (FRANKL, 2015, p. 98).

O homem deve aprimorar sua percepção e consciência de todos os potenciais sentidos de sua existência. E a consciência que nos permite identificar o sentido no interior de uma determinada situação e assumir a responsabilidade sobre as questões do cotidiano, empenhando a existência em todas as esferas da vida. A análise orientada para a existência, com todas as suas implicações, trata de uma forma de conscientização do que ocorre na dimensão espiritual. Toda decisão e ação se configura como uma constituição da essência do ser (AQUINO, 2020). O ser humano “está sempre transformando as possibilidades (potentia) em realidades por meio da ação (actus)” (FRANKL apud AQUINO, 2020). Desta forma, constata-se que o dever precede ontologicamente o querer, o que propicia uma busca dinâmica de sentido para a vida, nunca estática.

“Em última análise, viver não significa outra coisa senão arcar com a responsabilidade de responder adequadamente às perguntas da vida, pelo cumprimento das tarefas colocadas pela vida a cada indivíduo, pelo cumprimento da exigência do momento”. (FRANKL, 2015, p. 102).

Frankl considera também que a neurose individual poderia ser, em alguns casos, a expressão da recusa inconsciente da espiritualidade, que não deve ser confundida de forma alguma com religião. Por afirmar que “o sentido da vida é a própria vida” (FRANKL apud AQUINO, 2020), esclarece que a vida tem como significado tanto o ser, quanto às possibilidades de ser.

A pessoa cuja situação não permite prever o final de uma forma provisória de existência também não consegue viver em função de um algo. Ela também não consegue mais existir voltada para o futuro (…). Concomitantemente, altera-se toda a estrutura de vida interior. Começam a aparecer sinais de decadência interior. (FRANKL, 2015, p. 94).

A espiritualidade, para Frankl, não pode ser confundida, nem reduzida, ao aspecto religioso. Por isso, o terapeuta não pode negligenciar a espiritualidade do analisado e a Logoterapia passa a estar centrada no inconsciente espiritual. Para Frankl, o homem, por força de sua dimensão espiritual, pode encontrar sentido em cada situação da vida e dar-lhe uma resposta adequada. Assim, a principal das liberdades humanas é a de escolher sua atitude espiritual em qualquer circunstância.

“O sucesso, como a felicidade, não pode ser perseguido; ele deve acontecer, e só tem lugar como efeito colateral de uma dedicação pessoal a uma causa maior do que a pessoa, ou como subproduto da rendição pessoal a outro ser”. (FRANKL, 2015, p. 94).

A consciência da dimensão espiritual não pode ser realizada como um somatório de dimensões e sim pela própria autotranscedência. “O homem é, apesar de tudo, unidade e totalidade. (…) Mas só o espiritual constitui e garante esta unidade” (FRANKL apud AQUINO, 2020). Cada pessoa é um novo absoluto, por isso, o espiritual não pode ser apenas ensinado e deve ser necessariamente autorrealizado. Sendo assim, para Frankl, “o homem é algo mais que seu psiquismo: o homem é espírito. Pelo mero fato de sua auto transcendência se distanciar do plano do meramente biopsicológico e entrar na esfera do especificamente humano, a dimensão noológica” (FRANKL apud AQUINO, 2020). Por isso, um dos atributos da consciência é sua característica intuitiva, visto que o logos não pode ser apreendido por meio da razão.

8. PSICOLOGIA DO AUTOCONHECIMENTO DE AUROBINDO GOSH

Na compreensão do conceito de inconsciente, a teoria da Psicologia do Autoconhecimento do filósofo indiano Aurobindo Akroyd Gosh (1872-1950) é apresentada no contexto de uma visão da vida humana em que a sabedoria espiritual não apenas liberta o homem, como tem a potencialidade de transformar sua vida. Aurobindo codificou um método de prática espiritual chamado Yoga Integral, também conhecido como Yoga Supramental, segundo o qual a expansão da consciência é a única maneira de reconciliar a mente com a verdade universal.

“Não somos apenas o que sabemos de nós mesmos, mas um imenso mais que não sabemos; nossa personalidade momentânea é apenas uma bolha no oceano de nossa existência”. (AUROBINDO apud DALAL, 2001, p. 24, tradução do autor).

Segundo o filósofo, a psicologia ocidental limita os estudos da capacidade da mente humana, pois usualmente desconsidera ações subjetivas além das comuns, ressaltando a dificuldade de conceber a consciência sem um ego (DALAL, 2001). No geral, não considera um estado de consciência em que o ego é transcendido na ampliação do campo consciente, mesmo sendo o mais avançado estágio de desenvolvimento psicológico individual. A parte inconsciente no homem corresponde a maior parte da natureza, e tem em si a natureza do dinamismo que explica toda a superfície das atividades.

A personalidade humana é uma manifestação ou expressão de vários níveis de uma única consciência. (…) Cada nível do espectro é marcado por um sentido diferente e facilmente reconhecido da identidade individual da consciência cósmica, através de várias gradações ou faixas até o senso de identidade drasticamente estreitado associado à consciência egóica. (DALAL, 2001, p. 20, tradução do autor).

Para o filósofo, a psicologia necessita ser uma psicologia do autoconhecimento, baseada na experiência íntima interna, em sua natureza mais profunda. Necessita de disciplinas que envolvam o autoconhecimento, como a prática de meditação, de forma a treinar a mente para examinar tais experiências em que o homem se purifica e se aperfeiçoa. “A psicologia é necessariamente uma ciência subjetiva e nela se deve proceder do conhecimento de si mesmo ao conhecimento dos outros” (DALAL, 2001, p. 16, tradução do autor). O Yoga é reconhecido tradicionalmente como uma psicologia prática. Nesse sentido, a evolução é o processo de retorno do inconsciente para a consciência primordial.

Primeiro, (…) sendo o homem um microcosmo do macrocosmo; a natureza psicológica do homem está intimamente relacionada com a natureza metafísica do universo. Em segundo lugar, todo o universo é uma manifestação de consciência que vem evoluindo do nível mais inferior – o Inconsciente – para os níveis mais elevados do Superconsciente. (…) Terceiro, a evolução da consciência é precedida por sua involução; portanto, o Inconsciente é uma consciência oculta e uma reprodução inversa da suprema Superconsciência. (DALAL, 2001, p. 29-30, tradução do autor).

Para Aurobindo (2013), nada é inteiramente consciente ou inconsciente. A vida é uma operação da força cósmica consciente atuando inconscientemente. Da aparente matéria inconsciente emerge sucessivamente a vida, o corpo e a mente.

Em nosso yoga, entendemos por subconsciente aquela parte completamente submersa de nosso ser na qual não há uma forma consciente e coerente de vigília, vontade, sentimento ou reação organizada, mas que ainda recebe obscuramente as impressões de todas as coisas e as armazena em si mesma e dele também todos os tipos de estímulos, de movimentos habituais persistentes, repetidos grosseiramente ou disfarçados em formas estranhas, podem surgir no sonho ou na natureza ambulante. (DALAL, 2001, p. 5-6, tradução do autor).

Assim, existem faixas de consciência acima e abaixo da faixa humana, com as quais o humano comum não tem contato ordinário, que para Aurobindo, são as faixas supramentais (ou supermentais) e submentais. De acordo com o filósofo indiano, o amplo campo de consciência consiste em: ser exterior, subconsciente, subliminar e superconsciente. O ser exterior está relacionado ao ego; o subconsciente ao inconsciente; e o subliminar relacionado à intuição, uma consciência maior, sutil e eficiente, que dá suporte ao homem em seu aspecto superficial. O superconsciente, por fim, corresponde à verdadeira consciência cósmica.

Dessa forma, a consciência não é entendida como algo fixo, pronto a ser conhecido; passa a ser revelado como construído, resultado expresso em níveis. A consciência se amplia à superconsciência, “consciência pura capaz de se autoperceber, na percepção indeterminada e absoluta do seu Ser” (HENRIQUES, 2001, p. 263). Conclui-se, portanto, que a mente possui, em si, o potencial da superconsciência.

Para conhecer os aspectos obscuros do inconsciente, dos impulsos e da personalidade, também é de fundamental importância conhecer a natureza mais elevada da manifestação. Esta perspectiva ainda não foi devidamente desenvolvida nas ciências psicológicas ocidentais.

O superconsciente, não o subconsciente, é o verdadeiro fundamento das coisas. O significado do lótus não pode ser encontrado analisando os segredos da lama da qual ele cresce; seus segredos se encontram no arquétipo celestial do lótus que floresce para sempre na Luz. (DALAL, 2001, p. 8, tradução do autor).

No entanto, Aurobindo (2013) alerta ser inadequado iniciar o trabalho com a consciência abrindo o lado inferior do inconsciente, com o intuito de conhecer o que há de “sujo” ou “obscuro” neste campo. Para o autor, deve-se primeiramente tornar a mente superior, vital, forte e firme, alicerçada em estado de equilíbrio e paz, para depois poder mergulhar no inconsciente com mais segurança.

É fundamental olhar para cada indivíduo como um ser humano em sua integralidade e complexidade, como um ser único. As principais filosofias e religiões do mundo afirmam que a alma é imortal. Ou seja, apesar da morte do corpo físico, a alma não perece e é eterna. Nesse sentido, cada indivíduo vivencia a sua vida conforme as responsabilidades que assume.

Com isso, é fundamental que, em seu processo de autoconhecimento, educação e autoeducação, o indivíduo saiba reconhecer seus potenciais internos, desenvolver habilidades conforme as circunstâncias que lhe são apresentadas em vida e direcionar sua força vital para encontrar sua verdadeira natureza.

A verdadeira felicidade é a felicidade que se pode sentir em qualquer circunstância, porque vem de regiões que não podem ser afetadas por nenhuma circunstância externa. Mas essa felicidade só é acessível em poucas condições. Assim, podemos dizer, por um lado, que uma mudança na consciência humana é absolutamente indispensável e, por outro, que sem uma transformação integral da atmosfera terrestre, as condições da vida humana não podem ser efetivamente alteradas. Em ambos os casos, o remédio é o mesmo: uma nova consciência deve se manifestar na Terra e no homem. (AUROBINDO, 2013, p. 24, tradução do autor).

Para a ampliação da consciência, trabalha-se com os instrumentos da ignorância. O objetivo não é a construção de uma personalidade individual magnificada, pois isso seria a perversão desse conceito. “Autorrealização é o resultado do Yoga, mas seu objetivo não é a grandeza do indivíduo” (AUROBINDO, 2021, p. 257).

O Yoga é a psicologia aplicada desde os tempos remotos da antiguidade, no qual há uma interioridade diversa da vida psíquica e da subjetividade (HENRIQUES, 2001, p. 59). Para a compreensão do universo psíquico, as impressões inconscientes (Samskaras[5]) e as tendências de comportamento inconscientes (Vásanas[6]) devem ser o ponto de partida do autoconhecimento (TAIMNI, 2006; ELIADE, 2009).

“Poderíamos sem exagero dizer que o inconsciente é uma invenção hindu, basta vermos a importância que possui no Yoga seus termos similares”. (HENRIQUES, 2001, p. 84).

Para o Yoga, a ampliação da consciência é um fenômeno autônomo, que independe da intenção objetiva, ou seja, reforça que a consciência não é o pensamento. Existem dois níveis de consciência do eu: Ahamkara[7], o ego superficial e o Purusha[8], o espírito real. O superficial é compreendido analogamente como ondas que vibram na superfície de um lago calmo e profundo (TAIMNI, 2006).

É dever do ser humano alcançar este estado de consciência. Portanto, entendemos que é missão humana elevar-se espiritualmente para descobrirmos o paraíso na terra. O ser humano que atingir este estado consciencional é chamado de jivamukti (realizado) ou buddha (iluminado). (GAMA, 2019).

Em sua codificação original, realizada por Patáñjáli, o Yoga é apresentado como “a disciplina que erradica a ignorância” (GAMA, 2008, p. 11). A ignorância que se trata é a dimensão inconsciente na mente do homem. “E quando a ilusão é banida, um grande passo para o desenvolvimento do indivíduo e da coletividade está assegurado, porque a ética é manifestada e a consciência espiritual se realiza” (GAMA, 2008, p. 11).

Conclui-se, portanto, que para a filosofia oriental a consciência é criadora do mundo, e não é entendida apenas como um estado de pensamento ou conhecimento, mas o poder de direcionar o conhecimento para autorrealização (AUROBINDO, 2018, p. 132). Para o Yoga, a mente cria a partir da consciência, pois é um desenvolvimento da faculdade primordial de criação. “Deve então ser capaz de fundir-se de novo na Consciência por um desenvolvimento inverso de expansão” (AUROBINDO, 2018, p. 132).

O mais alto desses cumes ou desses elevados altiplanos da consciência, o supramental, situa-se muito além da possibilidade de um esquema mental satisfatório, da possibilidade de ser mapeado ou abarcado por qualquer visão ou descrição mental. Seria difícil para a concepção mental normal não iluminada ou não transformada expressar algo ou entrar em algo que é baseado em uma consciência tão diferente, e cuja percepção das coisas é tão radicalmente diferente; mesmo se esse domínio fosse visto ou concebido por uma iluminação ou abertura de visão, seria necessária outra linguagem, diferente dos registros pobres e abstratos usados por nossa mente, para traduzi-lo em termos que nos permitissem apreender sua realidade. (AUROBINDO, 2018, p. 820).

A grande contribuição de Aurobindo Gosh para as ciências psicológicas é a ampliação considerável da compreensão da gradação envolvida na ampliação da consciência, em que o conceito de consciência supramental inclui uma integralidade e harmonia cósmica ainda não concebida pela filosofia ocidental. (AUROBINDO, 2021, p. 256-257).

9. CONCLUSÃO

O desenvolvimento deste artigo, cuja questão norteadora focada em compreender como as linhas das ciências psicológicas se complementam na formulação do conceito de inconsciente, constatou, não apenas a grande completividade entre as diferentes linhas, como sobretudo a relevância da contribuição da filosofia oriental. Além disso, confirmou que este campo de pesquisa permite maior compreensão do homem em sua integralidade, e destacou o autoconhecimento como um caminho para a ampliação da consciência e, assim, para busca da autorrealização, meta intrínseca a todo ser humano.

Constatou-se também que o universo desconhecido inconsciente é dinâmico e possui gradações, inferida e analisada em diferentes aspectos por cada linha. No Ocidente, as pesquisas iniciais apresentadas por Freud, seguidas por importantes terapeutas e filósofos como Carl Jung, Erich Fromm, entre outros, revelam a ponta de um grande conhecimento sobre a capacidade de desenvolvimento humano. A Psicanálise Humanista e a Logoterapia incorporaram a dimensão espiritual e a noção de saúde integral. Assim, apresentou-se conteúdo desenvolvido pelos diferentes autores e linhas a fim de encontrar ou consolidar uma ciência universal.

Comprova-se, portanto, não apenas a complementaridade entre as escolas da psicologia, como ainda a relevância do aprofundamento do tema para a necessária associação de conceitos de diferentes áreas do conhecimento humano, que certamente conduzirá à ampliação do entendimento da natureza do homem e das motivações internas em seu desenvolvimento em vida.

Concluiu-se ainda que os trabalhos que explanam sobre a influência da antiga estrutura de pensamento da tradição do Yoga, nos estudos de Aurobindo Gosh, apresentam a profundidade e a dedicação que este tema requer e evidencia a necessidade de continuidade e ampliação da pesquisa realizada.

Partindo-se do princípio de que o ser, em essência, é pura consciência, mas que percebe o mundo através da mente, confirma-se a importância do direcionamento das ondas mentais para o autoconhecimento a fim de ampliar o campo consciente em vida. Por um lado, a consciência pode ser vista como a projeção do sujeito no mundo, mas por outro, como consciência maior de si mesmo. Paradoxalmente, com a profundidade do autoconhecimento, reconhecemos inerentemente a dimensão cósmica ou supramental da consciência, como visto na teoria de Aurobindo.

Infere-se então que a dimensão prática e existencial do Yoga se apresenta como uma psicologia aplicada. Há no Yoga uma ciência do inconsciente, ou da superconsciência, no sentido de buscar o que é transcendente ao indivíduo comum. Para a filosofia oriental, as ciências psíquicas se subordinam a interesses por vezes limitados, com a meta clara de harmonizar a relação do indivíduo na sociedade em que está inserido.

Há a necessidade, portanto, para a psicologia do autoconhecimento, que a perspectiva individualista objetive prioritariamente a harmonização do sujeito consigo próprio. O domínio mental é alcançado apenas pelo próprio indivíduo, permitindo, assim, a percepção de sua potencialidade inata mais profunda. Tal caminho pode ser guiado, mas há que ser percorrido exclusivamente pelo próprio sujeito. Conclui-se, desta forma, que a psicologia possui um extenso campo de investigação científico e filosófico no que tange a questão da consciência humana.

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APÊNDICE – REFERÊNCIA NOTA DE RODAPÉ

3. “Em nenhum outro fenômeno da vida psíquica normal, os processos inconscientes da mente são revelados de forma tão clara e acessível ao estudo. Os sonhos são verdadeiramente uma estrada real que leva aos recessos inconscientes de mente.” (BRENNER, 1975, p. 161).

4. Trata-se do reconhecimento do desconhecido e indesejável, que pode ser uma tarefa angustiante ou até dolorosa, pois o conteúdo desconhecido é frequentemente a expressão de nosso lado negativo e egoísta, que justamente foi eliminado e reprimido da expressão social da personalidade, são as características de nós mesmos que escondemos de outras pessoas.

5. “Sanskara é um dos cinco Skandhas ou atributos no budismo: “as tendências da mente”. Na filosofia Yoga, Sanskara significa impressão; a marca ou a impressão deixada sobre uma coisa por outra, marca que às vezes pode ser chamada à vida; as impressões na matéria mental deixadas pelos hábitos ou mesmo hábitos adquiridos” (BLAVATSKY, 2004, p. 609).

6. “Hábito e a tendência engendrados na mente pela execução de algum ato” (BLAVATSKY, 2004, p. 609).

7. “Conceito de ‘Eu’, a consciência de si mesmo ou autoidentidade; o sentimento da própria personalidade, o ‘Eu’, o egoísta e mayavico princípio do homem, devido à nossa ignorância, que separa o ‘Eu’ do Eu Único universal” (BLAVATSKY, 2004, p. 24).

8. “O ‘Eu espiritual’. (…) É um Princípio elementar, primordial, simples, puro, espiritual, consciente, eterno, não-criado, não-produtor, imutável, inativo, mera testemunha ou espectador das operações da Prakriti e que, como ‘espelho cósmico, nele se reflete e se revela todo o Universo, ou seja, todas as mudanças que se operam na Prakriti, no curso da evolução” (BLAVATSKY, 2004, p. 530).

[1] Mestra em Raja Vidya Yoga e Psicanalista pelo Sistema Filosófico de Autoconhecimento Vidya. Especialista em Psicanálise. Pós-graduada em Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento e da Personalidade. Arquiteta e Urbanista, especializada em Vastu Vidya

[2] Orientador.

Enviado: Junho, 2022.

Aprovado: Agosto, 2022.

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Tatiana Morita Nobre Mattos

8 respostas

  1. Parabéns pelo excelente artigo, prof. tatiana Mattos. Muito importante para os profissionais da saúde mental. Obrigada.

  2. Parabéns a autora pelo trabalho! Revisão bibliográfica extensa, muito completa, excelente!

  3. Artigo muito completo e que aborda um tema muito importante! Parabéns pela publicação.

  4. Excelente artigo relacionando o conhecimento do Yoga, que tem como meta o domínio da mente, e a psicanálise. Uma relação importantíssima para ser cada vez mais aprofundada. Parabéns!

  5. Excelente artigo relacionando o conhecimento do Yoga e as teorias psicanáliticas. Uma relação importantíssima para ser cada vez mais aprofundada. Parabéns!

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