Enxerto ósseo autógeno

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ARTIGO DE REVISÃO

ROCHA, Suyane Aley lima [1], CARVALHO, Inácio Felipe Fialho Freitas de [2], LINO, Fabiane Cardoso [3], MOL, Victor Cómini [4]

ROCHA, Suyane Aley lima. Et al. Enxerto ósseo autógeno. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 01, Vol. 07, pp. 47-75 Janeiro de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

Os Enxertos de osso autógeno são normalmente eleitos como os de primeira escolha, seja pela sua eficiência, biossegurança ou facilidade de obtenção. Os enxertos ósseos podem ser classificados em autógeno, quando o doador e receptor são o mesmo individuo; homógeno, quando o osso doado é proveniente de indivíduos da mesma espécie, porém diferentes geneticamente; e heterógeno quando doador e receptor não pertencem à mesma espécie.Este artigo objetiva abordar a utilização do enxerto ósseo autógeno,onde o mesmo tem sido utilizado no intuito de incrementar o processo de regeneração óssea. Realizou-se para este estudo, uma pesquisa de caráter bibliográfico,através do levantamento de artigos de publicações periódicas para o procedimento de enxertia de osso autógeno. Utilizou-se também da descrição de um caso Clínico de enxerto ocorrido em um paciente da clínica do curso de especialização da Estação Odonto/Montes Claros. O caso foi descrito e analisado baseados nas informações fornecidas pelo profissional Cirurgião, exames realizados e medicamentos utilizados.

Palavras-Chave: Enxerto ósseo, Técnica Cirúrgica, Odontologia.

INTRODUÇÃO

Subseqüente a extração do elemento dental, dá-se início a uma reabsorção óssea contínua, inicialmente na vestibular, que gera uma perda em torno de 40% de volume, do primeiro ao terceiro ano pós-extração, o que, na maioria das vezes, impossibilita a instalação de implantes osseointegrados (IO) (PIKOS, 1992). Na maxila, esta perda é mais significativa na região anterior que na posterior, ocorrendo uma perda de 25% do volume no primeiro ano, e de 40 a 60% da largura nos primeiros três anos de exodontia. Esta reabsorção ocorre, inicialmente, na vestibular por ter uma lâmina cortical mais fina, ocorrendo reabsorção da cortical lingual, somente, nos casos mais avançados de atrofia óssea. Nas regiões posteriores, a reabsorção inicial é maior, no entanto, como a dimensão inicial do rebordo, é geralmente, o dobro da região anterior, mesmo uma perda de 50% do volume ainda possibilita a inserção de um implante de 4mm de diâmetro (MISCH, 2000).

A necessidade de correção de pequenos ou grandes defeitos ósseos para colocação de implantes e posterior reabilitação tornou-se rotineira na prática da implantodontia. A avaliação de técnicas de enxerto ósseo e de reconstrução parcial ou total da maxila, da mandíbula e das áreas doadoras é avaliada em relação ao planejamento cirúrgico, grau de perda óssea e das condições gerais do paciente. ( MISKOL, 2008)

O uso do enxerto autógeno com implantes osseointegrado foi discutido originalmente por Branemark et al., em 1975 e é agora um procedimento bem aceito na reabilitação bucal e maxilofacial. É também, a alternativa mais previsível para reparar defeitos severos nos maxilares (MISCH, 1996; PIKOS, 2000).

Apesar dos avanços da bioengenharia, o enxerto ósseo autógeno ainda é melhor material de enxertia dos maxilares, sendo considerado o padrão ouro para reconstrução óssea dos maxilares, tendo, também, uma qualidade de osso formado melhor, e um tempo de cicatrização reduzido em relação a outros métodos de reparação óssea. (BOYNE, 1971; TERRY, 1974; MISCH & DIETSH, 1991; MISCH et al, 1992; MISCH, 1996; MISCH, 1997).

OBJETIVOS

OBJETIVO GERAL

Realizar uma revisão de literatura sobre enxerto ósseo autógeno e relatar um caso clínico acerca do assunto.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

_ Revisar a literatura a respeito de enxerto ósseo autógeno

_ Descrever e analisar as técnicas cirúrgicas.

_ Descrever e analisar cuidados pós-operatórios.

METODOLOGIA

TIPO DE ESTUDO

Para este estudo foi realizada uma pesquisa de caráter bibliográfico. Através do levantamento de artigos de publicações periódicas para o procedimento de enxertia de osso autógeno. Utilizou-se também da descrição de um caso Clínico de enxerto corrido em um paciente da clínica do curso de especialização da Estação Odonto/Montes Claros. O caso foi descrito e analisado baseados nas informações fornecidas pelo profissional cirurgião, exames realizados, medicamentos utilizados.

A opção por uma pesquisa bibliográfica e descritiva decorreu pelo fato dos autores deste estudo, sentirem necessidade de fazer uma revisão elaborada sobre o assunto uma vez que, segundo Tognetti (2006), este tipo de pesquisa tem a finalidade de colocar o pesquisado em contato com o que já produziu a respeito do seu tema a ser desenvolvido.

COLETA E ANÁLISE DOS DADOS

O procedimento metodológico utilizado foi a coleta de dados, que ocorreu de agosto a novembro de 2013 através de publicações de artigos do período de 1998 a 2012, encontrados nas bases de pesquisas LILACS, BIREME, SCIELO e PUBMED.

Para realização do levantamento de dados foi acumulado o maior número possível de material para investigação, cerca de 18 artigos, que após lidos foram selecionados 13.

As palavras indexadoras foram: enxerto ósseo, técnica cirúrgica, Odontologia. Os dados foram submetidos à análise temática e avaliados à luz do referencial teórico.

REVISÃO DE LITERATURA

HISTÓRICO DO ENXERTO

A literatura sobre enxerto ósseo começa em 1682, com Van Meeken transplantando osso de crânio de cão para um defeito cranial no homem, com sucesso. O cirurgião foi forçado a retirar o transplante para evitar a excomunhão pela Igreja. Com o passar do tempo, o enxerto ósseo começou a ser mais usado em função do sucesso clínico do procedimento, muito embora houvesse discussão e opiniões contrárias quanto ao aspecto biológico e reparacional dos enxertos.

OLLIER,(1876), relatou a transferência de osso e periósteo e, pela osteogênese que observou no enxerto, concluiu que ambos estavam vivos.

No entanto, BARTH, (1893), foi o primeiro a discordar dessa conclusão. Seus estudos revelaram que o enxerto ósseo estava completamente morto vários dias após sua transferência, e que somente através de um gradual processo de invasão por células oriundas do osso receptor havia repovoamento com células vivas. Esse processo, hoje, é convencionalmente denominado de osteocondução.

Já AXHAUSEN,(1907), realizou uma série de experimentos demonstrando que enxertos cobertos com periósteo exibiam osteogênese de células sobreviventes do periósteo.

PHEMISTER, (1914), demonstrou conclusivamente que algumas células osteogênicas da superfíciedo enxerto sobreviviam por difusão de nutrientes advindos do leito receptor concordou que a grande maioria das células no centro do enxerto estavam mortas, mas notou que as células sobreviventes na superfície desempenhavam importante papel na reabsorção e repovoamento de células ósseas.

GALLIE e ROBERTSO, (1918) concordaram que a sobrevivência de células na superfície do osso enxertado era importante. Eles também notaram que a sobrevivência e osteogênese eram muito melhor com o uso de osso esponjoso do que com osso cortical.

MOWLEN, (1944) popularizou o uso de osso esponjoso e demonstrou sua superioridade em relação à integração ao osso cortical.

FAZILI, (1978) relata que após 3 anos do enxerto realizado e não havendo estímulo ósseo, perdem-se (reabsorvem-se) cerca de 92% do osso enxertado.

Alguns trabalhos descreveram que as células ósseas que sobreviveram na superfície do enxerto desempenham um papel importante na repopulação como células formadoras de osso. Este fenômeno recebe o nome de osteoindução. Muito tempo depois, foi demonstrado também que a sobrevivência de células na superfície resulta a superioridade de enxertos autógenos vivos à de enxertos autógenos congelados ou implantes ósseos.

ALBREKTSSON, (1988) cita que as áreas doadoras de osso para a região oral são muitas como, o mento, e a região retromolar para quantidades menores de osso e a crista ilíaca, calota craniana, costela, tíbia e fíbula para quantidades maiores.

Com a utilização de implantes osseointegrados para reabilitação oral, as dificuldades foram surgindo juntamente com a necessidade de corrigir os defeitos ósseos grandes, médios ou pequenos, para possibilitar e ou mesmo melhorar os resultados finais da prótese sobre implantes.

ADELL, (1974), BREINE e BRANEMARK, (1980) foram os primeiros a estudar a utilização de enxertos ósseos autógenos com implantes de titânio (endósseo) para maxilas extremamente atróficas.

KELLER e colaboradores (1987) citam o sucesso da técnica na clínica de Mayo em 90% de sucesso na reabilitação de pacientes com utilização de próteses fixas e móveis após enxerto ósseo e utilização de implantes osseointegrados. Alguns cuidados e insucessos dessa técnica foram encontrados e relatados por alguns pesquisadores, como Adell (1986) que citam uma estatística de fracassos e insucessos com implantes em região de enxerto em torno de 8% a 26% nos primeiros 5 anos.

ÁREA DOADORA

A escolha das possíveis áreas doadoras para reconstrução óssea depende, principalmente, do volume ósseo necessário e do tipo de defeito ósseo. Para pequenas e médias perdas ósseas, as áreas intra-orais são o mento, a área retro-molar e o túber. Para reconstruções maiores, as áreas doadoras externas possíveis são o osso ilíaco, a calota craniana, a tíbia e a costela.

MENTO

O acesso a região da sínfese pode ser obtido através de duas abordagens: intrasulcular ou fundo de vestíbulo. Incisão com lâmina 15 ou 15c. A incisão em fundo de vestíbulo é feita na mucosa, pelo menos a 3 a 4mm da junção mucogengival, paralela a face vestibular dos incisivos, e outra perpendicular a cortical, incisando o periósteo. A incisão intrasulcular é realizada até as distais dos caninos e duas incisões verticais a distal dos caninos são feitas também. O retalho mucoperiostal é refletido até a base da mandíbula até a altura do pogônio. Localização dos mentonianos. Após a exposição da sínfese, a osteotomia é planejada, de acordo com as dimensões do defeito ósseo a ser enxertado. A osteotomia é realizada com brocas de fissura a pelo menos 5mm dos ápices dos dentes inferiores, não pode envolver a basilar, e a 5mm dos foramens mentonianos. A profundidade é através de toda a cortical vestibular. Com a ajuda de um cinzel e um martelo o bloco ósseo é elevado. Durante a remoção do bloco o paciente deverá permanecer de boca fechada. Após a remoção do bloco ósseo as arrestas cortantes são arredondadas com uma broca ou lima. Sutura por planos, primeiramente, periósteo e musculatura, depois a mucosa (MISCH et al, 1992; MISCH, 1997).

RETRO MOLAR

Nesta área encontramos uma grande quantidade de osso cortical e pouca medular. Assim, recomenda-se enxerto do tipo “veneer” (sobreposto ao remanescente ósseo), ”onlay” e/ou “inlay”. A espessura e o tamanho dependem da anatomia local, e o acesso pode ser limitado, em função de a região ficar na parte posterior da boca. Às vezes, dependendo do tamanho da perda óssea, consegue-se retirar o enxerto em forma de “L”, possibilitando um aumento da altura e da largura do rebordo para pequenas perdas ósseas (um a três dentes).

A anestesia usada é o bloqueio regional do nervo alveolar inferior, lingula e bucal, realizando-se complementação por meio de anestesia terminal infiltrativa na porção anterior do ramo ascendente. A incisão começa na base do ramo e segue pela linha oblíqua externa até a região do primeiro molar inferior. Também pode ser iniciada no ramo, continuando com incisão interpapilar até a região do segundo pré-molar inferior. O retalho é total até o periósteo, expondo-se toda a área retro-molar e a linha oblíqua externa. Com broca da série 700 em baixa rotação ou com mini-serras (do motor do tipo striker), sempre com irrigação abundante com soro fisiológico, delimita-se a área a ser retirada, completa-se a osteotomia, e o bloco ósseo é removido com cinzel e/ou alavancas. É difícil delimitar toda a área com osteotomia, pois a área inferior é de difícil acesso.

Por motivo de segurança, aconselha-se, durante este ato, apoiar a borda inferior da mandíbula e/ou o paciente ficar em quase oclusão, para evitar lesões na Articulação Têmporo Mandibular (ATM) e até mesmo fratura no ângulo da mandíbula. O enxerto pode ser triturado e/ou usado em forma de bloco. Quando o enxerto for um bloco, ele deve ser remodelado, fixado e adaptado da melhor forma possível ao defeito ósseo. O osso da área retro-molar é do tipo cortical e, do ponto de vista de acesso e de pós-operatório, a cirurgia assemelha-se à remoção dos terceiros molares inferiores inclusos. Os riscos cirúrgicos e possíveis complicações nessa área são a possibilidade de atingir e secionar o feixe vásculo-nervoso do alveolar inferior, o que pode provocar parestesia temporária ou permanente, hemorragia e hematoma. O nervo lingual pode ser traumatizado ou mesmo secionado pelo afastamento dos tecidos. O uso indevido da força durante a remoção do enxerto ou erro da técnica operatória pode provocar fratura mandibular.

TÚBER

O túber é uma área basicamente de osso medular. Dependendo da anatomia, oferece pequenas e médias quantidades de osso, podendo ser retirado bilateralmente. É usado em enxertos de concavidades devido a perda dental, em pequenas fenestrações durante o preparo para colocação de implantes e em enxertos em cavidade de seio maxilar. Enfim, é um osso de preenchimento e a ser utilizado na forma particulada.

A anestesia usada é o bloqueio regional do nervo alveolar superior posterior e nervo palatino posterior. É realizada incisão com retalho total na crista do rebordo e na vestibular. Após o deslocamento do retalho, a área fica em evidência. A remoção é feita com pinça goiva ou osteótomo, muito raramente requer osteotomias com brocas de baixa rotação, e o aspecto do enxerto é de osso medular. No final, são feitas a regularização óssea e a sutura. Os riscos cirúrgicos e possíveis complicações relacionam-se à remoção demasiada de osso, provocando exposição da cavidade do seio maxilar e possível fístula buco-sinusal, comprometimento dos dentes remanescentes, mobilidade, necrose e até mesmo necessidade de exodontia.( Kuabara et al.,2000).

CALOTA CRANIANA

De acordo com Kuabara et al., 2000. A aceitação do paciente, e não a dificuldade cirúrgica, é a maior ressalva para a indicação desta técnica.

O osso da calota craniana tem a mesma origem embrionária da mandíbula, membranosa, é uma área caracterizada por osso cortical e pouca medular, sendo indicada para reconstruções de áreas amplas, os ossos de escolha são o occipital e o parietal. O procedimento é realizado em ambiente hospitalar, requer a presença de um cirurgião geral, ortopedista, plástico, neurologista, cirurgião da cabeça e pescoço, para remoção do enxerto.

O tempo cirúrgico é um pouco maior pois a remoção do enxerto não é feita com o preparo

da área receptora. A tricotomia não é indispensável, sendo realizada uma boa antissepsia com povidine tópico e degermante. A osteotomia é feita com brocas da série 700 com abundante irrigação em baixa rotação e com cinzéis. Os blocos devem ser removidos de um único lado para que a liberação ocorra de maneira uniforme minimizando o risco de fraturá-lo e lesar a tábua óssea interna.

OSSO ILÍACO

Há mais de 40 anos o osso ilíaco tornou-se a área doadora favorita para os enxertos e reconstruções ósseas na medicina, em função da quantidade de osso cortical e de osso medular. Também apresenta a vantagem de exigir um tempo cirúrgico menor, já que permite a preparação do leito receptor simultânea à retirada do enxerto por outro profissional. A intervenção cirúrgica deve ser realizada em ambiente hospitalar, com anestesia geral, e a presença de uma equipe multidisciplinar, formada pelo cirurgião plástico, ortopedista ou cirurgião geral.

Inicialmente, o paciente é acomodado da melhor forma possível para expor a proeminência da crista óssea. A área de retirada escolhida é a parte anterior superior da crista ilíaca. A incisão é feita em planos até o acesso à crista óssea. A remoção do enxerto é realizada por meio de serras tipo Striker ou brocas cilíndricas em baixa rotação e cinzéis, com irrigação abundante de soro fisiológico. O enxerto pode ser delimitado na área doadora com moldeiras pré-fabricadas em forma de U, que correspondem à forma da maxila ou da mandíbula atrófica, ou em blocos bicorticais (raros), ou cortical e medular, ou somente medular. O enxerto é remodelado e esculpido para melhor adaptação e fixação sobre a área receptora. O ilíaco oferece uma grande quantidade de osso, com predominância de medular, e, às vezes, tem textura comparável à do osso do túber. É feita uma toalete da área, coloca-se um dreno – geralmente removido no dia seguinte – e sutura se plano a plano.

As complicações pós-operatórias devem-se à imprudência e ao despreparo do cirurgião, à extensão da remoção e, algumas vezes, à própria estrutura anatômica do paciente.

Geralmente, as complicações estão relacionadas à quantidade de osso retirado, podendo ocorrer hemorragia interna com extensas áreas de hematoma e edema, dor, penetração na área abdominal e lesões nas vísceras, e ruptura do nervo lateral femural cutâneo, o que provoca parestesia parcial ou definitiva da porção lateral da coxa e dificuldade no caminhar.

Na intervenção posterior da crista ilíaca (paciente em decúbito ventral), pode-se secionar a artéria glútea superior, provocando uma séria e extensa hemorragia, e, mais drasticamente, fratura do osso ilíaco.

Em geral, o paciente fica internado de um a dois dias, iniciando os movimentos de flexão dos membros inferiores e caminhando já no dia seguinte ao da intervenção.

PREPARO DA ÁREA RECEPTORA

Na área receptora deve-se fazer uma avaliação da quantidade e qualidade do tecido ósseo, bem como a presença de eventuais patologias. A dimensão e o desenho do enxerto ósseo serão definidos previamente pela tomografia computadorizada e pelos modelos de estudo em gesso; o tecido mole também deve se avaliado quanto a sua espessura e quantidade de tecido queratinizado e inserido.

A incisão na área receptora deve ser feita na crista do rebordo alveolar, associada a duas incisões verticais relaxantes. As incisões relaxantes em reconstruções parciais devem ser posicionadas avaliando o envolvimento de 1 ou 2 elementos dentais vizinhos ao rebordo alveolar desdentado. Com esta manobra quando do posicionamento do retalho ao rebordo, a cicatriz ficará à distância da área em que foi feita a reconstrução minimizando a possibilidade de deiscência de sutura e exposição do enxerto. As incisões verticais devem seguir os pré-requisitos para a manutenção da vitalidade do retalho, preservando o suprimento vascular; o retalho deve ficar sem tensão; consegue-se o relaxamento do retalho vestibular tanto na maxila como na mandíbula com uma incisão horizontal no periósteo, unindo as incisões vericais.

A ativação da área receptora é realizada através da decorticalização levando à exposição do osso medular favorecendo a angiogênese, liberando os fatores de crescimento e células precursoras osteogênicas. A decorticalização é obtida pela perfuração do osso cortical da área receptora com brocas esféricas, promovendo um sangramento ósseo. Na maxila, onde anatomicamente a cortical vestibular normalmente é bastante delgada, adecorticalização poderá ser realizada com auxílio de uma lima cruzada.(Carvalho E Vasconcelos, 2000).

Para que o enxerto possa se integrar a um leito receptor é de fundamental importância que ele seja estabilizado e imobilizado estando em íntimo contato com o osso remanescente, favorecendo a proliferação vascular e celular ao enxerto. Os enxertos ósseos para as cirurgias reconstrutivas com finalidade de se obter osso suficiente para a instalação de implantes osseointegrados podem ser realizados com enxerto em bloco, particulado e combinado. (Gord e Alberius ,1999).

Os enxertos particulados, para a sua estabilidade, necessitam de um defeito em cavidade para a contenção, ou de meios auxiliares para a sua estabilização, como a malha de titânio. O uso combinado do enxerto ósseo em bloco e particulado é frequentemente usado com o osso particulado, vindo a preencher os espaços na interface e ao redor do bloco, evitando a permanência de espaços vazios, melhorando e acelerando o processo de incorporação.

Tecnicamente pode-se obter essa fixação por embricamento e com auxílio de meios de fixação. Os parafusos de titânio têm sido utilizados com sucesso na fixação de enxertos ósseos em bloco. Na técnica do parafuso por compressão, o parafuso atravessa livremente pelo orifício da perfuração da cortical do primeiro fragmento, fixando-se com as roscas na segunda cortical, promovendo a aproximação e a compressão entre os fragmentos. Aproximação e compressão são obtidas quando o diâmetro da perfuração na primeira cortical é maior que o diâmetro do parafuso ou com parafusos especiais que apresentam uma área lisa entre a cabeça e o início das roscas que iniciam mais apicalmente. (Heslop et al. 1985)

A fixação do enxerto em bloco preconizada pelos autores Pinto et al., 2003, é fundamentada nos princípios da fixação rígida com a técnica do parafuso de compressão interfragmentário (lag screw).

O bloco removido da área doadora deverá ser armazenado em uma cuba fechada com soro fisiológico no menor tempo possível; o bloco deverá ser regularizado nas arestas e segmentado objetivando-se uma estabilização e adaptação ao leito recetor. Com o bloco preparado e adaptado ao leito receptor é possível avaliar o melhor posicionamento do parafuso com relação ao osso remanescente e ao bloco; no leito receptor posicionar o parafuso onde tenha osso em melhor qualidade para sua estabilização. Os autores Pinto et al., em 2003, sugerem que blocos de dimensões 2×1 cm, que estejam bem adaptados ao leito receptor poderão com segurança ser fixados com um parafuso. A partir dessas dimensões recomenda-se a utilização de 2 ou mais parafusos. O diâmetro da perfuração do enxerto deverá ser discretamente maior que o diâmetro do parafuso permitindo que o mesmo passe livremente. Na superfície externa da perfuração do enxerto deverá ser realizado um desgaste em diâmetro e profundidade suficientes para alojar a cabeça do parafuso, evitando a protrusão da cabeça do parafuso o que pode provocar a sua exposição, evitando o desconforto do paciente pelo possível traumatismo e servindo também como um parâmetro clínico fotográfico e cirúrgico no controle de reabsorção do enxerto.

Para melhorar a adaptação do enxerto em bloco ao leito e evitar espaços vazios, o osso particulado deverá ser colocado no leito receptor. Com o conjunto enxerto e parafuso posicionados, eleva-se o bloco- enxerto que deslizará pelo parafuso em direção à cabeça e a área de interface será preenchida com o osso particulado. Isso será possível pelo fato da perfuração do bloco ter um diâmetro maior que o parafuso. Estando o bloco em posição com o auxílio de uma broca esférica grande diamantada ou multilaminada, as arestas e os sobrecontornos deverão ser regularizados. Os espaços ao redor do enxerto poderão ser preenchidos com osso particulado.

Segundo SANCHEZ, (2001), os implantes osseointegrados podem ser combinados com os seguintes tipos de enxertos ósseos:

Inlay – correção do contorno e volume de pequenos defeitos da crista alveolar

Em cela – indicado para recuperação da altura e espessura anatômica. Removido em forma de uma cela e geralmente obtida da borda ínfero-anterior da mandíbula

Venner – indicado quando existe adequada altura óssea associada a uma espessura inferior a 4 mm. Pode ser removido da sínfise mandibular, calota craniana ou crista ilíaca..

Onlay – usados para restaurar a altura e espessura do rebordo atrófico. Removidos em forma de arco ou em blocos .

Seio maxilar – preenchimento do seio maxilar com enxerto ósseo particulado ou em blocos. Consiste em realização de osteotomia à parede lateral do seio maxilar, elevação da mucosa de revestimento e preenchimento do espaço criado.

CUIDADOS PÓS OPERATÓRIOS

É de fundamental importância o paciente estar informado da necessidade dos cuidados pós-operatórios, sendo que o profissional deve fazer o acompanhamento clínico detectando precocemente intercorrências, as medicações iniciadas no pré-operatóriomdeverão ser mantidas no pós-operatório, controlando a dor, edema, ansiedade, e antibióticoterapia profilática.

A bandagem da face do paciente proporciona controle do edema, limitando os movimentos mandibulares e musculatura facial. O gelo e a elevação do decúbito também são importantes. A higiene com soro e um antisséptico oral. O colutório é de digluconato de clorexidina a 0,12% para enxaguar a boca sem bochechar 2 vezes ao dia, iniciando-se 24 horas após a cirurgia, mantendo-se 7 a 21 dias. (Pinto et al., em 2003).

CASO CLÍNICO

Paciente M. R. A, gênero feminino, Leucoderma, 41 anos, procedente de Montes Claros –MG. Procurou a clínica de Implantodologia da Estação Odonto/Montes Claros com a queixa principal

“Gostaria de colocar implantes nesses dentes da frente.”

Ao exame físico intraoral, foi observado que a paciente não apresentava os dentes 11 e 12 com nítida atrofia óssea maxilar na região das ausências dentárias, que indicou a utilização de um enxerto ósseo.

Durante a anamnese não foi observada contra-indicações sistêmicas para o procedimento cirúrgico.

A cirurgia ocorreu dentro dos padrões normais, foi realizado anestesia por bloqueio com solução anestésica de Lidocaína.A incisão foi realizada e o periósteo descolado delicadamente. A área doadora para o enxerto foi a região retromolar direita, foi retirado então um bloco de osso desta região de tamanho aproximado para a região. O bloco foi irrigado com solução fisiológica antes do enxerto.

A técnica de enxertia utilizada foi a Tunelização, nesta técnica não se utiliza retentores como parafusos, a retenção é realizada através dos tecidos moles do próprio paciente com o auxilio de uma sutura bem realizada.

O fio de sutura utilizado foi o de seda, embora o mais utilizado seja de nyllon, o foi de seda foi utilizado, pois era o disponível na clínica escola.

A paciente fazia uso de uma Prótese parcial removível, que foi adaptada para não pressionar a área da cirurgia. Para isso foi realizado um alívio com auxílio de fresa e peça reta, Sendo assim a prótese não pressionou o local evitando assim dano ao enxerto.

O pós-operatório foi dentro dos padrões cirúrgicos normais. Obteve se então, sucesso na técnica aplicada e paciente ficou apta a receber os implantes na área que havia defeito ósseo.

Imagem 1 : Região da maxila referente ao dentes 11 e 12.

Fonte: autor

Imagem 2: Radiografia panorâmica do paciente.

Fonte: autor

Imagem 3: Incisão conservadora da área que receberá o enxerto.

Fonte: autor

Imagem 4 : Divulsão da área

Fonte: autor

Imagem 5 : Local do defeito ósseo .

Fonte: autor

Imagem 6: Osso da região retromolar preparado para ser enxertado.

Fonte: autor

Imagem 7: Exerto realizado pela técnica de tunelização. Note que não foi usado nenhum tipo de retentor articifial.

Fonte: autor

Imagem 8: Sutura de região.

Fonte: autor

Imagem 9: Sutura da região.

Fonte: autor

Imagem 10: Aspecto final da cirurgia após 5 meses.

Fonte: autor

Imagem 11: Comparativo entre o aspecto final e o inicial.

Fonte: autor

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As técnicas de enxertos ósseos constituem boas alternativas para a reabilitação estética e funcional nos pacientes com rebordos alveolares atróficos. Não há dúvida que a utilização de tecido ósseo autógeno, preferencialmente intrabucal, seja a melhor opção para enxerto, porém, as áreas doadoras devem ser selecionadas de acordo com a quantidade e qualidade óssea necessária para cada caso.

O caso apresentado obteve sucesso e o implante também foi realizado no curso de pelos mesmos alunos.

REFERÊNCIAS

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CHIARELLI, F.; FILHO, A.; DIAS, E.; RÓS, L. Reconstrução de Defeitos Ósseos Na Pré-Maxila Com Enxertos de Corpo e Ramo Mandibular. Revista Brasileira de Implantodontia & Prótese Sobre Implante, v.10, n. 39, p. 194-199, 2003.

CORREIA, F.; ALMEIDA, R. F.; COSTA, A. L.; CARVALHO, J.; FELINO, A. Levantamento do seio maxilar pela técnica da janela lateral: tipos enxertos. Rev Port Estomatol Med Dent Cir Maxilofac. 2012.

DANGELO, J. G.; FATTINI, C. A. Anatomia Humana Básica. 2ª edição. Rio de Janeiro: Editora Atheneu, 2004.

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DOMIT, L. B. Enxertos ósseos autógenos na implantodontia: uma análise dos fatores críticos baseados em princípios biológicos e técnicos. Monografia apresentada à comissão julgadora da unidade de Pós-graduação da Faculdade de Ingá – UNINGÁ. Passo Fundo, 2008.

MISCH, C. M.; MISCH, C. E. Enxertos Ósseos Autógenos de áreas doadoras Intrabucais em Implantodontia. In: Misch, CE. Implantes Dentários Contemporâneos. 2ª edição. São Paulo, p. 497-508, 2006.

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[1] Cirurgiã Dentista pela Universidade Estadual de Montes Claros.Especialista em Ortodontia pela Faculdades de Ciencia e Tecnologia de Sete Lagoas-FACSET-Servidora Pública em Odontologia-SEDS/Secretaria de Estado e Defesa Social.

[2] Cirurgião Dentista pela Universidade Estadual de Montes Claros

[3] Cirurgião Dentista pela Universidade Estadual de Montes Claros

[4] Cirurgião Dentista pela Universidade Estadual de Montes Claros

 

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