Adriana Schapochnik [1]
Paula Tatiane Alonso [2]
DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/3297
CONTEXTUALIZAÇÃO
A Fotobiomodulação (FBM) consiste na aplicação de luz no sistema biológico e utilizamos aparelhos que emitem fótons, que podem ser de LASER (Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation) ou LED (Light Emitting Diode), não invasivos, indolor e caracterizados como recurso terapêutico durante o processo de reabilitação do paciente (HAMBLIN M., 2017; FERNANDES et al, 2021).
O aparelho de LASER, é uma importante ferramenta nos tratamentos nas mais diversas áreas da saúde, inclusive muito utilizada pelos profissionais da Medicina Chinesa (MC) substituindo o uso de outros recursos mais convencionais, como por exemplo, as agulhas e encontramos algumas terminologias para essa técnica como por exemplo “Acupuntura a Laser”, “Laserpuntura”, “Laseracupuntura”, porém em 2018 a World Association Laser Therapy (WALT) sugere o termo de Foto Acupuntura para denominar a técnica
(BAXTER G., et al 2008; LITSCHER G., 2012; QUAH- SMITH, 2013; LITSCHER G., et al 2018; LITSCHER G., 2020).
O LASER, apresenta os seguintes conceitos físicos que compõem a dosimetria para a entrega da irradiação no tecido biológico: Monocromático, Coerente, Colimado, Regime Temporal (Contínuo/CW e/ou Pulsado/PW com frequências em Hertz/Hz), Meio Ativo (Diodo Semicondutor), Potência (miliwatts/mW), Comprimento de onda em nanômetros/nm (Vermelho- 630/780nm e Infravermelho- 780/1000nm), Energia (Joule /J), Densidade de Energia (J/cm2), esses são básicos que todos os profissionais devem conhecer e aplicados com especificidades para cada tratamento nas diversas áreas da saúde (GUIMARÃES, K. B. et al 2006).
Sabe-se que o uso do LASER, na área da saúde em geral, não possui ainda exatidão quanto à dosimetria para se obter o efeito final desejado, pois ela depende de variáveis físicas e clínicas individuais para cada tipo de tratamento. Assim, deve-se levar em conta para determinar a dosimetria o tipo de doença, número de pontos e aplicações, modo de aplicação, frequência de aplicação, doenças concomitantes e as características de cada paciente como o fototipo de pele, estágio evolutivo da doença, bem como o tipo de tecido irradiado. (CHAVANTES M.C. & TOMIMURA S., 2009)
Os mecanismos de ação do LASER, no tecido biológico, são alvo de constantes pesquisas no meio acadêmico. De maneira simplificada, quando o estímulo da entrega de fótons é absorvido pelas células teciduais por meio dos cromóforos, liberam moléculas de adenosina trifosfato (ATP). Este, por sua vez, será utilizado pelas células para o desenvolvimento de suas funções; em consequência, reações bioquímicas favorecem a resposta biológica pretendida, que podem ser denominados de desfechos: anti-inflamatório, analgésico, cicatricial, antiedematoso, reparação nervosa, performance muscular, efeito antioxidante e bactericida (GOMES C. F.& SCHAPOCHNIK A, 2017).
A MC é baseada no conceito onde nosso organismo é regido por pontos e meridianos energéticos responsáveis pelo seu perfeito funcionamento, quando deixam de fluir corretamente o corpo manifesta variados sintomas que são detectados na anamnese especifica e o profissional chegará a um diagnóstico e irá eleger pontos para a promoção, resolução e/ou prevenção da saúde do paciente e poderá utilizar o LASER (Figura 1), nesses pontos a dosimetria pode ocorrer no regime operacional continuo e/ou pulsado nas frequências Reininger (específicas de cada meridiano), a escolha pelo regime operacional vai depender do tipo e modelo do aparelho que o profissional possui, ou tem preferência, e aprimoramento das técnicas especificas. Quanto aos comprimentos de ondas, em pontos sistêmicos (sugere o comprimento de onda Infravermelho) e auriculares (sugere o comprimento de onda Vermelho). A energia que podem variar de 1J a 9J dependendo do objetivo para sedação, tonificação e harmonização, de maneira pontual em contato e segue normas de biossegurança (uso óculos obrigatório paciente/terapeuta, higiene) com contraindicações de aplicar no útero gravídico, local neoplasia, sob substancias fotossensíveis e lesões sem diagnóstico. Detalhe importante, o LASER atende principalmente aqueles pacientes que recusam as agulhas por pânico (Aicmofobia), público pediátrico, neurológico e outros por ser um recurso indolor e muito efetivo para alcançar excelentes prognósticos (ALONSO P.T. & SCHAPOCHNIK A. et al, 2020).
O uso do LASER na MC traz os mesmos benefícios dos outros recursos utilizados nos pontos, inclusive os resultados são equivalentes a tradicional inserção de agulhas tendo como vantagem ser totalmente indolor, rápida, fácil aplicabilidade e ainda associa os benefícios biológicos dos fótons na recuperação dos pacientes com excelente aceitabilidade por parte das crianças, adultos e idosos (VAREJÃO, C. S. et al, 2016; VALENTE, C. et al. 2015).
Fotografia 1. Laser no Ponto Intestino Grosso 4 (IG4)

Vale destacar que também com LASER, agregado ao tratamento da MC, pode ser realizada o ILIB (Intravascular Laser Irradiation of Blood), que consiste na terapia sistêmica para o tratamento de doenças cardiovasculares, irradiação invasiva (fibra ótica de Laser introduzida na artéria braquial), no regime temporal contínuo, comprimento de onda vermelho que interage com o sangue arterial e, portanto, em toda a circulação sanguínea com efeitos sistêmicos e com os avanços tecnológicos, a terapia passou a ser realizada de maneira não invasiva, apresentado como Fotobiomodulação Vascular (FBMV) que consiste na irradiação do LASER vermelho, sobre a artéria radial (transcutânea) pela conexão do aparelho a uma pulseira acoplada em um dos punhos do paciente (Figura 2), modo contínuo no comprimento de onda 660 nanômetros por trinta minutos (30’) com aparelhos de 100mW de potência como prática integrativa. (SCHAPOCHNIK, et al. 2021; FERNANDES et al. 2021)
A localização anatômica da aplicação da FBMV, realizada no punho na artéria radial, coincide com o ponto Taiyuan ou Pulmão 9 (P9) localizado no meridiano do Pulmão, porem entendemos que a aplicabilidade contínua da FBMV tem efeitos sistêmicos e não específicos do meridiano ou ponto.
Fotografia 2. Aplicação da FBMV na artéria radial

CONCLUSÃO
Muitos estudos, com aparelho de LASER (contínuo e/ou pulsado) e sistêmico com FBMV são publicados pela comunidade científica e recentemente despertou maior interesse dos profissionais da MC, justamente pela praticidade da aplicabilidade da técnica, associar ou não a agulhas e otimizar resultados ou atender um público com recusa a agulhas e diminuir o uso de coletores perfurocortantes e assim colaborar com o meio ambiente. É muito claro, que mais estudos e evidências cientificas são necessários, principalmente no que tange os direcionadores para aplicabilidade do recurso LASER na MC pois a dosimetria ainda não está totalmente estabelecida.
REFERÊNCIAS
ALONSO Paula Tatiane; SCHAPOCHNIK Adriana. O Triathlon e suas síndromes obstrutivas dolorosas: uma intervenção com foto acupuntura. Macau Journal of Chinese Medicine, p. 119-124, 2020.
BAXTER, G. David; BLEAKLEY, Chris; MCDONOUGH, Suzanne. Eficácia clínica da acupuntura a laser: uma revisão sistemática. Jornal de estudos de acupuntura e meridianos, v. 1, n. 2, p. 65-82, 2008.
CHAVANTES, M. C.; TOMIMURA, S. Fundamentos do laser. In: CHAVANTES, M. C. (ed.). Laser em bio-medicina: princípios e prática. São Paulo: Atheneu, 2009.
FERNANDES, Kristianne Porta Santos et al. Vascular Photobiomodulation. Photobiomodulation, Photomedicine, and Laser Surgery, v. 39, n. 3, p. 143-144, 2021.
GOMES, Cristiane Faccio; SCHAPOCHNIK, Adriana. O uso terapêutico do LASER de Baixa Intensidade (LBI) em algumas patologias e sua relação com a atuação na Fonoaudiologia. Distúrbios da Comunicação, v. 29, n. 3, p. 570-578, 2017.
GUIMARÃES, Karis Barbosa et al. Fotoengenharia do processo de reparo ósseo induzido pela laserterapia de baixa potência (GaAlAs): estudo em fêmures de ratos. 2006.
LITSCHER, Gerhard. Medicina integrativa a laser e acupuntura de alta tecnologia na Medical University of Graz, Áustria, Europa. Medicina Complementar e Alternativa Baseada em Evidências, v. 2012, 2012.
LITSCHER, Daniela e cols. Diferenças de gênero na acupuntura a laser – resultados de um estudo cruzado com laser verde e amarelo no ponto auricular Shenmen. Medicamentos, v. 5, n. 1, p. 24, 2018.
LITSCHER, Gerhard. História da acupuntura a laser: uma revisão narrativa da literatura científica. Acupuntura Médica, v. 32, n. 4, p. 201-208, 2020.
LITSCHER, Gerhard. Definição de acupuntura a laser e todos os tipos de fotoacupuntura. Medicamentos, v. 5, n. 4, p. 117, 2018.
QUAH-SMITH, Im et al. Efeitos cerebrais diferenciais de laser e acupuntura com agulha em LR8 usando ressonância magnética funcional. Acupuntura na Medicina, v. 31, n. 3, p. 282-289, 2013.
SCHAPOCHNIK, Adriana. Manual para o uso do laser na Medicina Chinesa: Laserpuntura. 1ª ed. São Paulo – SP: Editora Inserir, 2023.
SCHAPOCHNIK, Adriana; ALONSO, Paula Tatiane. Possibilidades da implementação do método de fotobiomodulação vascular na política nacional de práticas integrativas e complementares. Cadernos de Naturologia e Terapias Complementares, v. 10, n. 18, p. 45-48, 2021.
VALENTE, Caroline et al. Aplicações do laser na acupuntura. Cadernos de Naturologia e Terapias Complementares, v. 4, n. 6, p. 47-54, 2015.
VAREJÃO, Cristiane da Silva et al. Acupuntura a laser na quimioterapia infantil: uma proposta complementar ao cuidado de enfermagem no alívio da náusea e do vômito: um ensaio clínico randomizado. 2016.
WALT. World Association for Laser Therapy. Recommended treatment doses for low level laser therapy. Laser Class 3 B, p. 780-860, 2010. Acesso em: 11 fev. 2021.
INFORMAÇÕES SOBRE OS AUTORES
[1] Doutora. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3655-0456. https://lattes.cnpq.br/1819834885358331.
[2] Mestrado em Biofôtonica Aplicada às Ciências da Saúde – Universidade Nove de Julho (UNINOVE), São Paulo/ SP /Brasil. ORCID: 0000-0003-2749-7836. CURRÍCULO LATTES: http://lattes.cnpq.br/5714454102509588.
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Otimo artigo