Priscila Pinto Brandão de Araujo [1]
Carlos Eduarde Bezerra Pascoal [2]
DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/livros/3301
INTRODUÇÃO
Os hábitos bucais deletérios quanto adquiridos e constantes causam desarmonias oclusais que prejudicam o desenvolvimento do indivíduo como um todo, pois interferem na respiração, na mastigação, na fala e na deglutição, são inúmeras as alterações dentárias, musculares e ósseas provocadas por estes hábitos bucais, em geral há uma prevalência de ocorrência de até 76% em ambos os sexos.1-3. 0 padrão normal de crescimento é alterado e a oclusão danificada.
Desta forma, podemos afirmar que esses hábitos são um dos fatores etiológicos das maloclusões. Devemos destacar que existem hábitos bucais que são considerados nutritivos, como a amamentação e uso da mamadeira, hábitos bucais não nutritivos como o uso da chupeta, sucção do dedo e mordedura do dedo e hábitos bucais funcionais, como respiração bucal, deglutição atípica e interposição de língua. Segundo a tríade de Graber o desequilíbrio causado no sistema estomatognático vai depender da frequência, duração e intensidade desse hábito e do tipo facial do indivíduo4,5
Quando ocorre a remoção do hábito bucal deletério até os três anos de idade, há uma maior possiblidade de autocorreção das desarmonias oclusais instaladas. No entanto, quando o hábito não é removido, a criança pode apresentar alterações orofaciais que irão comprometer seu crescimento craniofacial e geral.6,7 Desta forma, o objetivo deste trabalho é conscientizar sobre as consequências de não se remover um hábito bucal em idade precoce.
DESENVOLVIMENTO
O padrão de crescimento facial normal é prejudicado pela instalação de um hábito bucal deletério que danifica a oclusão, distorce a forma da arcada dentária e alteram a morfologia normal 8, isto tudo determinado por forças musculares desequilibradas que se instalam por causa dos hábitos bucais deletérios. O hábito irá se instalar pelo fato de ser agradável e proporcionar satisfação à criança. No seu início, o hábito será consciente, porém, gradativamente, por conta do ato de repetição, este hábito se tornará inconsciente.9
Desde a 29ª semana de vida intrauterina, através de ultrassonografia, é possível observar o processo de sucção. Após o 5º mês de vida, observa-se o início do ciclo de relação entre boca, mãos e olhos, sendo que a boca torna-se um processo de descobertas e investigações para os bebês10,11
É recomendado pela Organização Mundial de Saúde o aleitamento materno exclusivo durante os primeiros seis meses de vida e a manutenção do aleitamento materno complementar até os dois anos de vida da criança. De acordo com Neiva et al.12, nos primeiros meses de vida da criança é importante que seja realizado o aleitamento por sucção do seio materno, pois quando a criança se amamenta no seio materno aumenta as chances desta criança se tornar um respirador predominantemente nasal ao longo da vida. A literatura aponta para três diferenças entre a sucção natural (aleitamento materno) e a sucção artificial (mamadeira); a pega (posicionamento da língua e deglutição), a forma que o leite será extraído e a forma e elasticidade que são presentes nos bicos.13
Quando o bebê faz movimentos de protrusão e retrusão da mandíbula durante a amamentação no seio materno o crescimento e desenvolvimento orofacial se desenvolve de uma forma equilibrada, proporcionando formação correta da relação maxilo-mandibular, que estimula as articulações temporomandibulares, deixando a estrutura articular preparada para receber alimentos sólidos.13
Segundo Barreto et al.,14 crianças que foram amamentadas pelo seio materno têm maior chance de não desenvolverem hábitos bucais deletérios, pois, acontece um trabalho muscular intensificado, fazendo com que os músculos peribucais fiquem cansados, resultando no cansaço do bebê, fazendo com que ele não busque outras alternativas de sucção, como por exemplo, uso de chupetas dentre outros objetos.
Quando a sucção é feita com mamadeira, a criança recebe uma pequena quantidade de estimulação motora-oral, acarretando várias consequências sendo elas: flacidez dos músculos perioral e da língua, gerando uma instabilidade na deglutição, deformidade dos dentes e da face, gerando uma mordida aberta anterior ou lateral e disfunções respiratórias. 13
Considerada como um hábito funcional e deletério, as crianças portadoras de deglutição atípica apresentam lábios, língua, bochechas e músculos elevadores da mandíbula hipotônicos, apresentando as seguintes características: lábios evertidos, bochechas flácidas, mandíbula se mantém aberta e a língua apresenta um volume maior que o normal.15
A sucção digital e a sucção de chupeta apresentam alterações similares as observadas com o uso da mamadeira 16,17. As alterações relatadas na literatura, como resposta a sucção digital e uso da chupeta persistente após os 4 anos de idade, são: retrognatismo mandibular, prognatismo maxilar, mordida aberta, musculatura labial superior hipotônica, musculatura labial inferior hipertônica, atresia do palato, interposição de língua, atresia do arco superior, respiração bucal, calo ósseo na região do polegar e assimetria anterior (Figura 1).18
Figura 1: Mordida aberta provocada pelo hábito de sucção digital.

A respiração por via nasal é a ideal, porém muitas crianças podem apresentam respiração bucal, causada por obstrução das vias aéreas superiores ou, até mesmo, por um hábito bucal deletério, fazendo com que a passagem do ar ocorra pela boca.19 A respiração bucal modifica o padrão de crescimento da face, ocasionando também, em alguns casos, alterações morfofuncionais em todo o organismo, interferindo na saúde geral do indivíduo.20
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os Hábitos bucais deletérios provocam diversos prejuízos ao desenvolvimento craniofacial e geral do indivíduo, a intensidade, a frequência, a duração e o tipo facial do indivíduo influenciam diretamente nas desarmonias ósseas, dentárias e musculares que se instalam. O estudo e análise destas características são de extrema importância para o planejamento do plano de tratamento e para as políticas públicas de conscientização da população de como estes hábitos bucais são prejudiciais à saúde, influenciando na fala, na deglutição, na mastigação e na respiração se não forem removidos em uma idade precoce.
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INFORMAÇÕES SOBRE OS AUTORES
[1] Aperfeiçoamento em Ortodontia e Ortopedia Funcional dos maxilares, Especialização em Saúde Coletiva, Mestrado em Ortodontia, Doutorado em Ortodontia. ORCID: 0000-0002-5514-0911. CURRÍCULO LATTES: http://lattes.cnpq.br/1678395879499706.
[2] Especialista em Ortodontia. ORCID: 0000- 0003-3124-2291. CURRÍCULO LATTES: http://lattes.cnpq.br/8684731922053714.