A Variação linguística na obra literária de Dona Guidinha do Poço, de Manuel de Oliveira Paiva

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DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/letras/obra-literaria
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ARTIGO ORIGINAL

NASCIMENTO, Tatiana Ribeiro do [1], ARAÚJO, Maria das Doris Moreira [2]

NASCIMENTO, Tatiana Ribeiro do. ARAÚJO, Maria das Doris Moreira. A Variação linguística na obra literária de Dona Guidinha do Poço, de Manuel de Oliveira Paiva. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 06, Vol. 02, pp. 170-187. Junho de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/letras/obra-literaria, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/letras/obra-literaria

RESUMO

Este trabalho analisa as variações linguísticas recorrentes na obra Dona Guidinha do Poço (1952) de Manuel de Oliveira Paiva. A escolha da temática justifica-se pelo fato de serem poucas as pesquisas que abordam esse aspecto da obra citada de Paiva. Iniciamos fazendo uma conceituação de Variação Linguística e Variação Léxica no intuito de compreender melhor suas funções e os detalhes que as diferenciam entre elas, o seu papel no meio literário bem como suas influências na sociedade e no léxico. Os subsídios teóricos do nosso trabalho são fundamentados nos estudos de Bakhtin (2002), PCNs (1998), Marcuschi (2007), Saussure (1916), Camacho (2011, 2012), Alkimim (2006) que explanam sobre linguística e Carvalho (2001) que faz um breve comentário sobre cultura. Abordamos provérbios, ditos populares e vocabulários que representam a comunidade falante sua identidade e cultural, peculiaridades que existem em algumas sociedades que o autor transcreve na obra. A metodologia utilizada no estudo constituiu-se da leitura da obra em seguida da extração e análise enciclopédica contextualizada das variações linguísticas. Ao todo, foram coletadas 20 expressões linguísticas em que algumas permanecem no nosso falar cotidiano. Este estudo nos permitiu ter um novo olhar sobre a obra, sendo perceptível a riqueza linguística que podemos assimilar por meio de pesquisas que combinam linguística, literatura e cultura.

Palavras-chave: Variação linguística, cultura, literatura.

1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste trabalho é descrever a variação linguística dentro da obra literária analisando essas variações na obra de Dona Guidinha do Poço, de Manuel de Oliveira Paiva. A obra, repleta de oralidade, descreve a rotina dos sertanejos e suas respectivas crenças e culturas, além de inserir dentro da ficção acontecimentos reais que o autor tornou um ponto alto de seu livro.

A obra objeto em estudo é Dona Guidinha do Poço que representa, em um contexto geral, o regionalismo na literatura, traço marcante dessa obra, em que o autor resgata a identidade e cultura de um povo exaltando o Nordeste quando descreve com fidelidade o ambiente, ou seja, a seca e suas consequências. Em meio a esse cenário em que resiste o nordestino, que cria e recria maneiras únicas de falar, há a presença de formas próprias de recriar suas percepções da vida e do mundo ao seu redor. O livro com interessantes temáticas e com poucos estudos sobre ele proporcionou-nos a possibilidade de aprofundar as pesquisas. O presente trabalho está dividido em duas seções em que são definidos os conceitos de variação linguística e variação léxica e os procedimentos metodológicos.

O intuito é levar para o leitor uma nova percepção sobre a obra em estudo, fazendo uma reflexão entre o texto literário e a linguagem utilizada no dia a dia da comunidade por meio das expressões idiomáticas e fraseologismos, ou seja, marcas culturais encontradas no romance. O embasamento teórico do nosso trabalho fundamenta-se nos estudos de Bakhtin (2002), PCNs (1998), Marcuschi (2007), Saussure (1857), Camacho (2011, 2012), Alkimim (2006) a respeito da linguística e Carvalho (2001) sobre cultura.

2. CONCEITO DE VARIAÇÃO LINGUÍSTICA E LEXICAL

Bakhtin (2002) defende que abordar a língua como algo acabado implica uma atitude hostil em relação a todas as inovações linguísticas, sabendo que a reflexão é de caráter formal-sistemático e incompatível com a abordagem histórica e viva da língua. Sobre isso, cabe destacar que a “língua é um sistema de signos específicos, histórico e social, que possibilita a homens e mulheres significar o mundo e a sociedade.” (PCN, 1998, p.20).

Variação linguística é a parte da língua que pode ser alterada em virtude de uma determinada situação de uso e das características que o falante possua que podem ser: faixa etária, região, classe social, nível de escolaridade etc. Variedade linguística consiste na forma de falar e escrever de uma língua que se modificam conforme as possibilidades de variações e seus constituintes. É interessante a função que exerce no texto literário quando correlacionado a fala de uma personagem.

Para a linguística, toda língua ou variedade é, na realidade, um sistema altamente estruturado, mediante o qual é plenamente transmitir, lógica e coerentemente, qualquer conteúdo a respeito da realidade circundante. Variedades linguísticas são, portanto, diferentes no que concerne aos mecanismos expressivos disponíveis para a formulação de atos de comunicação verbal, mas, ao mesmo tempo, absolutamente idênticas no que respeito à qualidade comunicativa dos mecanismos que empregam. (Camacho, 2012, p.04)

A variação linguística diafásica é mais conhecida como variações situacionais que acontecem em decorrência do contexto comunicativo, influenciando e determinando a forma com que as pessoas se referem ao interlocutor em que optam por uma linguagem formal ou informal, ou seja, é quando o indivíduo modifica sua forma de falar de acordo com o ambiente ao qual o indivíduo se situa (informal ou formal).

A linguagem formal é aquela linguagem que é considerada culta e privilegiada, utilizada quando não se tem nenhuma familiaridade ou intimidade entre os interlocutores da comunicação em situações distintas, em que se exige um grau de formalidade, como por exemplo, em uma audiência jurídica ou defesa de um trabalho diante da sociedade acadêmica.

A linguagem informal é aquela em que o nível de formalidade é menor e seu uso é considerado estigmatizado e sem prestígio por apresentar um grau de familiaridade e intimidade entre os interlocutores da comunicação empregada em circunstância descontraídas como, por exemplo, em um bate-papo com os amigos ou em um barzinho.

Na variação histórica a língua é dinâmica e no decorrer do tempo sofre transformações. Uma dessas modificações se dá na ortografia quando uma palavra perde ou recebe morfemas como a palavra “você” que se originou etimologicamente da expressão de tratamento “vossa mercê” que ao longo do tempo e do processo de uso se transformou em “vossemecê” passou para “vosmecê” e “vancê” até chegarmos ao que usamos hoje “você” e recentemente nas redes sociais “vc”.

A variação diatópica, também conhecida como geográfica ou regional, trata-se  de uma diversidade de linguística apresentada por indivíduos de diferentes regiões que falam a mesma língua. Essas variações são responsáveis pelos regionalismos ou falares sociais e representam os costumes e culturas de cada região.

A variação diastrática ocorre devido a convivência dos indivíduos entre grupos sociais. Os exemplos dessa variação são as gírias, os jargões e o linguajar caipira. É uma variação social que pertence a um determinado grupo especifico de pessoas. As gírias são uma forma de identificação de um grupo como surfistas, cantores de rap, jornalistas etc. Já os jargões correspondem com as áreas profissionais que tem um linguajar técnico como os profissionais de medicina, os advogados e os profissionais da área de informática etc.

As variações linguísticas são de extrema complexidade, porém podem ser classificadas especificamente como variação morfológica que resulta em uma alteração na grafia, ou seja, na forma de escrever a palavra. A Variação fonético-fonológica é resultado das diferentes pronúncias de uma mesma letra. No Brasil, temos a exemplo disso, as diferenças de pronúncias da letra “r”. A Variação semântica ocorre quando uma única palavra pode ser utilizada com significados diferentes. A Variação sintática, por sua vez, acontece com relação à organização dos elementos, que mantem o sentido da oração. E, por fim, a variação estilístico-pragmática que ocorre de acordo com as situações de interação social, podendo ser facilmente caracterizada pelo grau de formalidade empregado pelos interlocutores.

[…] a variação é o reflexo de diferenças sociais, como origem geográfica e classe social, e de circunstâncias da comunicação. Com efeito, um dos princípios mais evidentes desenvolvidos pelo o é que a organização estrutural de uma língua (os sons, a gramática, o léxico) não está rigorosamente associada com homogeneidade; pelo contrário, a variação é uma característica inerente das línguas naturais. (Camacho, 2011, p. 35)

É o léxico a parte da língua que primeiro caracteriza a realidade extralinguística e registra o saber linguístico de uma comunidade no intuito de relacionar a língua com as transformações que acontecem, que variam, podendo ser avanços ou recuos civilizacionais, descobertas e inovações, que ocorrem no encontro entre povos e culturas, mitos e crenças, pois, antes das representações da língua e cultura de um povo, tem um nome e faz parte do repositório léxico, ou seja, do saber linguístico, que é considerada a janela através da qual um povo vê o mundo que é partilhado e apenas existe na consciência do falante de uma comunidade.

O léxico de uma língua estabelece um elo com a história da comunidade em que está inserida. Sobre a língua é certo afirmar que essa estreita relação explica as transformações que ocorrem em nossa língua no decorrer do tempo, no entanto, as inovações linguísticas são devidamente entendidas partindo da ideia de que são seus usuários que utilizam as competências linguísticas responsáveis pelas transformações que acontecem na língua. É esse processo criativo que mantém a língua em movimento e elabora a semântica da língua inferindo novos sentidos a ela.

O léxico sofre constantes alterações. Os vocábulos entram em decadência e sem utilidade e, a partir disso, ficam em permanente desuso. À medida que os novos vocábulos surgem, novas significações são criadas para palavras que já existem ou resgatam unidades lexicais com outras significações. E esse processo segue tornando o léxico cada vez mais complexo e riquíssimo de vocábulos e expressões que a comunidade linguística criativamente produz.

Abordaremos o contexto social ao qual está inserido o que os linguistas definem como capacidade que apenas os seres humanos possuem para se comunicar por meio de línguas, embora a língua seja um sistema de signos vocais que serve como meio de comunicação entre indivíduos de um grupo social ou comunidade linguística. Esse processo vem evoluindo e produzindo diferentes dialetos dentro de uma única comunidade.

A língua é um conjunto das variedades utilizadas por uma determinada comunidade, reconhecidas como heterogêneas, ou seja, formas diferentes entre si, no entanto, pertencem à mesma língua, apesar de ter variantes, a língua continua exercendo sua função é executando seu principal propósito dentro de uma determinada sociedade e que esse processo não a torna melhor ou pior que outra língua. Segundo Marcuschi a homogeneidade é inalcançável aos humanos, pois

[…] toda vez que emprego a palavra língua não me refiro a um sistema de regras determinado, abstrato, regular e homogêneo, nem a relação linguística imanente. Ao contrário, minha concepção da língua pressupõe um fenômeno heterogêneo (com múltiplas formas de manifestação), variável (dinâmico, suscetível à mudança), histórico e social (fruto de práticas sociais e históricas), indeterminada sob o ponto de vista semântico e sintático (submetido às condições de produção) e que se manifesta em situação de uso concretas, com texto e discurso. ” (Marcuschi (2007, p.43)

A necessidade que a comunidade tem de interagir é superada pela capacidade de inovação e busca por identificação dentro do grupo social surgem as diferentes manifestações que tem essa função de caracterizar um grupo delimitando seu espaço e o diferenciando dos demais há também outros fatores que influenciaram nesse processo linguístico e que são essenciais para que possamos compreender nossa língua. Essas influências consideradas externas não comprometem a estrutura interna da língua.

Essa influência linguística denominada pelos sociolinguísticos de condicionadores, ou seja, a variação linguística não acontece aleatoriamente há regras que a regem e é isso que permite sua compreensão. São os condicionadores que regulam nossa escolha entre uma variante e outra nos permite avaliar em qual tipo de ambiente, tanto linguístico, quanto extralinguístico, uma variante terá a probabilidade de ser escolhida. Os condicionadores podem ser internos que se define como a ordem dos constituintes em uma sentença, a classe das palavras envolvidas em um fenômeno de variação, aspectos semânticos etc. e os condicionadores extralinguísticos que são de natureza social os mais comuns: sexo/gênero, o grau de escolaridade e a faixa etária do informante, a cultura e a localização geográfica.

Para que se estabeleça a comunicação entre indivíduos é necessário que utilizemos a mesma língua, não importando se nos situamos ao não em uma mesma região, tornando-se, assim, irrelevante se habitamos uma grande cidade ou uma região do interior. O que é fundamental é que sejamos capazes de compreender os dialetos existentes em nossa língua. A variação geográfica traz aos ouvidos uma saliência, ou seja, podemos então citar que a fala assim como outros fatores que variam entre vestimenta até hábitos culturais, são elementos importantes na identificação do povo de determinado lugar.

Há vários fatores que influencia nossa língua, um desses, a localização geográfica, determina nossa fala em diferentes regiões do Brasil. Vale ressaltar que ela também estipula nossas diferenças linguísticas que se diversificam dentro do país, pois cada região, apesar de ter a mesma língua materna, apresenta peculiaridades distintas, fruto de suas influencias históricas que resultaram em seus respectivos sotaques que por sua vez se diferenciam entre si. Um exemplo desse sotaque riquíssimo de variações linguísticas se encontra na região nordestina que se destaca do restante do Brasil e se tornam mais delimitadas entre seus estados como a região sul do Ceará que apresenta um vocabulário e sotaque que diferenciam dos outros.

3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

A obra escolhida para o estudo foi Dona Guidinha do Poço do autor cearense Manuel de Oliveira Paiva (1952). A escolha se deu após ter contato com a obra e depois de uma prévia leitura que instigou um interesse pelo estudo da obra. O estudo iniciou-se com a leitura da obra digitalizada da primeira versão de 1952 que preservou a ortografia de sua primeira versão. O romance traz,em sua estrutura um texto de difícil compreensão por ter um vocabulário robusto e apresentar expressões peculiares da fala. Possui 245 páginas e está dividido em cinco capítulos do povo sertanejo.

Na obra, o autor busca transcrever a identidade de um povo que reflete uma mistura histórica de língua, cultura e religião que se subdividem em danças, festas religiosas, músicas, folclore e crenças que são traços de um povo transcritos na obra. Um romance regionalista que descreve o sertão e seu povo sertanejo, seu sofrimento com a ausência da vida, ou seja, da chuva, relata a saga dos retirantes que fogem da seca e encontram abrigo no Poço da Moita graças à generosidade da Dona Guidinha.

Oliveira Paiva (1952) expõe na obra um estilo peculiar em que intercala uma narrativa na 3° pessoa com um discurso de acordo com o padrão culto da língua, mas que apresenta algumas variações linguísticas notórias em uma prévia leitura, executada por quem teve acesso à educação. Em contrapartida, encontram-se as enunciações diretas das personagens, que são representantes de uma classe econômica desfavorecida que não teve acesso a cultura letrada.

Na obra Dona Guidinha do Poço são apresentados inúmeros indivíduos que se originam de diferentes regiões, em outras palavras, retirantes que fogem das condições climáticas desfavoráveis e acabam encontrando abrigo na Fazenda Poço da Moita ao passarem a conviver começam a formar novos linguajares. A forma de falar marcante do nordestino que tem peculiaridades distintas repletas de vocábulos, ditos e expressões populares que fazem parte do repertório linguístico da comunidade.

Outro fator determinante nesse esquema linguístico é o nível de escolarização dos indivíduos. A linguagem apresentada pela população que tem um nível de escolaridade menor é flexível, ou seja, está propícia a alterações que a torna dinâmica e inovadora visto que é utilizado pela maioria da população. Esse fenômeno chamado de variação Linguística é estigmatizado, incorreto por ter apenas objetivo de comunicar não obedecendo às normas e regras do padrão culto da língua o que distancia os indivíduos de nível elevado de escolarização que é por sua vez usada por indivíduos como patrões, clero, ou indivíduos privilegiados ,que são uma pequena minoria.Esse fenômeno chamado de variação padrão que segue as regras e normas estabelecidas pela gramatica, podem ser observados em um diálogo entre Dona Guidinha e um criado de sua fazenda:

“—Seá Dona, essas gentes do seu Major Quim, qui nós lá chamava Damião, é tôda naquela toada. Vosmicê vê? aquêle moço nom é de teoregas nem de intifas. Grande pessoa delicada! Bondade acuou ali.

Quem vê êle assim sacudido, hé de pensá que êle é terronantes… Non vê! Nom conheço moço mais moderno, de respeito e capacidade, im tão boa hora diga… A confidência atrai como o enrêdo afasta. O cabra havia tomado conta da vaqueirice das bêstas, como lhe tinha prometido a matrona, não sem protesto do Seu Antônio, que, em todo caso, não consentia de modo nenhum que êle cuidasse dos cavalos da fábrica.

 De quando em vez apareciam poldrinhos coom bicheira:

– M’pai, observava o Néu, aquêle home non dá conta dos animais, Inhor, não. Só qué curá no rasto…

— Deixa isso de mão, home! Todo tempo não é um. Em um daqueles dias  estavam uns urubus peneirando muito para os lados do Serrote:

—  Que é aquilo, Seu Antônio? — perguntou a

— Aquilo? Não é nada, Inhora, não. É úa bêsta

— É da fazenda?

— Saberá vosmicê que eu não sei. O Seu Silveira é quem devesabê…

— Pois, Seu Antônio, o senhor está dizendo que aquela carniça é uma bêsta morta e não sabe o ferro que tem, nem o pêlo, nem nada?

— Eu, cumade? Primita qui lhe diga qui non meto a mão na seara alheia. Quando fô gado ou criação, ou animais da fábrica, é cumigo, mais porém…

— A que vemisto?

— A que vem isto? É que Seu Silveira quage se pegou co Néu mó de a bicheira de um puldrinho, e dixe que deixasse morrê tudo qui êle é que dava conta, e eu cá não tive mais porém pra dizê.

— Naturalmente o Néu fêz-lhe algum desaforo… O velho retraiu-se, engolindo a resposta que devia dar. Depois, com respeitosa amargura:

— Minha cumade, o tempo vinga o tempo. Meu pai foi vaqueiro do pais de Vossa Mercê, e vivêrum sempre de bom acôrdo, in roda de muitos anos. Eu ainda servi cum o pai de Vossa Mercê.

Gente de Antônio Moreira da Silva nunca faltou com respeito nem a nêgo véio cativo.

— Uma vez é a primeira.

— Vossa Mercê me perdoe, mais eu sou mais véio que Vossa Mercê, lhe transportei nestes braços e ajudei a conduzi a rêde que levou à sepultura o corpo da defunta sua mãe, que Deus tenha em bom lugá. O Seu Silveira é um mau achado que Vancê fêz, licença pra lhi dizer. No dia im qui êle amanhece ca veia de nêgo d’Angola atravessada na garganta é capais de precipitá um cristão… O home non se ocupa im nada, infalive há de dá pra algúa coisa!

— Quem é que não se ocupa em nada?— Quem faz tudo são os cunhado dêle. Êle faz às veis algum servicinho, porgalantaria.

— Está bom, Compadre, quer saber de uma coisa curta e certa? Cada macaco em seugalho!

— e entrou, com a mostarda no nariz.

—  Sim, Senhora! finalizou o vaqueiro, alteando a voz — mas foi a Senhora quem puxou, que êste cá sempre teve insino pra conhece o seu lugá.” (PAIVA, 1952, p. 93; 94; 95).

A obra Dona Guidinha do Poço, de Manuel de Oliveira Paiva, autor que se destaca por sua tendência regionalista, nos permite desfrutar dessa variação linguística que é marcante em nossa região. Apesar do tempo em que a obra foi escrita, há expressões que ainda se encontram vivas no cotidiano do povo até os dias de hoje muito embora há outras expressões que tenham sofrido alterações com o passar do tempo e ocasionam, assim, dificuldade de compreensão.

No entanto, essas expressões permanecem por anos no vocabulário e cotidiano do povo, pois cada expressão tem sua história dentro da comunidade tornando-se, assim, elemento da cultura do povo que a usa.

A necessidade que a comunidade tem de interagir é superada pela capacidade de inovação e busca por identificação dentro do grupo social. Surgem as diferentes manifestações que tem essa função de caracterizar um grupo delimitando seu espaço e o diferenciando dos demais. Há também outros fatores que influenciaram nesse processo linguístico e que são essenciais para que possamos compreender nossa língua que são consideradas externas e não comprometem a estrutura interna da língua.

Segundo Saussure (1916, p. 28), só há uma língua em coletividade sob a forma de uma soma de sinais depositados em cada cérebro, mais ou menos como um dicionário cujos exemplares todos idênticos, fossem repartidos entre cada indivíduo. Apesar de todos terem o conceito a respeito, ficam a critério de cada indivíduo as manifestações e produções linguísticas, ou seja, é uma combinação individual que depende da vontade dos que falam e, como consequência vem os atos de fonação que são voluntários e necessários para a execução dessa combinação.

É importante perceber nesse conceito de Saussure (1916) como se desenvolve o processo de “criação” da fala uma vez que cada indivíduo tem a independência para criar sua fala, mas é no coletivo que essa manifestação ganha força e se multiplica ocasionando alterações de várias formas. Essas modificações são consideradas por muitos linguistas como inadequadas por não obedecerem a regras da norma culta da língua.

Essas modificações linguísticas encontradas na oralidade são representadas em manifestações culturais como as cantorias, ou pelejas que foram introduzidas nessa obra para evidenciar e valorizar a cultura e identidade de um povo, pois foi feita na base do improviso por seus autores e expõe as variações e dialetos comuns do cotidiano do povo.

Cada vez que boto os olhos Para a banda onde morais,

Suspiros rompem do peito, Sodades cada vez mais!

 Se você vié de basto, Eu entro de sota eais:

Tando cas cartas na mão, Nem mesmo o Cão farrabrais Me bota terra nos óios, Veiacada êle nonfais!

Do Recife é que eu venho, Terra bem longe estais,

E me chamo Secundino, Sou galante, sou rapais, Sou rico e sou estimado, No amô sou afamais!

Viva Sinhá Dona Guidinha, Que tudo que eu quero faz!

Que tudo que êle quer faz, Pois é home de valia;

São chita da mesma peça O sobrinho cumo a tia!

No tempo im que eu te amava, Deus do céu me aparecia,

Não ia pra terra longe, Na cegueira im que vivia

Oh! meu Deus, naquele mundo Como triste ficaria

O coração da donzela Que só por êle batia! E viva Seu Secundino Com tôda sua famia… Com tôda sua família

No reino do céu se veja:

Quando a hora for chegada, Nossa Senhora o proteja.” (Paiva, 1952, p. 85; 86)

As expressões ou ditos populares resultam da real linguagem corrente e corresponde a uma multiplicidade de variações existentes e a que constitui a realidade de nossa língua.

[…] Em qualquer comunidade de falar podemos observar a coexistência de um conjunto de variedades linguísticas. Essa coexistência, entretanto, não se dá no Vácuo, mas no contexto das relações sociais estabelecidas pela estrutura sociopolítica de cada Comunidade. Na realidade Objetiva da vida social, há sempre uma ordenação valorativa das variedades linguísticas em uso, que reflete a hierarquia dos grupos sociais. (Alkimim, 2006, p. 39).

Sendo assim, qualquer indivíduo é capaz de utilizar uma linguagem que empregue um ou outro padrão da língua podendo ser mesclada de característica pertencente aos dialetos, usando com naturalidade e capacidade e explorando todos os recursos disponíveis. É interessante observamos como se estabelece as relações complexas da língua uma vez que a mesma reflete aspectos dos mais variados como a cultura que é assimilada pelo indivíduo desde seu nascimento através de tradições e costumes que são passados de geração a geração ensinados ou incorporados como as variações linguísticas.

Segundo Carvalho (2001), a língua e a cultura formam um todo inseparáveis e que, no caso especifico da língua e cultura materna, esse processo não é ensinado e não há nenhum lugar especifico para que se aprenda, mas é adquirido à medida que os fatos e acontecimentos ocorrem no dia a dia. É sobre essa perspectiva que surgem, em meio à variação regionalista, expressões e dito populares além de palavras utilizadas por Manuel de Oliveira Paiva na obra Dona Guidinha do Poço,tendo em vista a linguagem em uso repleta de oralidade sem deixar de lado a visão sociolinguística relacionada ao estudo do léxico que se encontra inserida num âmbito social e cultural.

O léxico é o pilar que permite o desenvolvimento da língua em sociedade, é o espelho que reflete a realidade sociocultural. Por isso, há tantos obstáculos em aprofundarmos pesquisas nesse aspecto devido à complexidade do assunto que engloba várias áreas em questão que são sociais, culturais, políticas e regionais.

3.1 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Nesta seção, mostraremos a pesquisa que se deu através da leitura minuciosa da obra se utilizando do corpus eletrônico para a consulta e extração das palavras e expressões. É importante a compreensão da obra em estudo, pois, logo após a leitura, foi realizado o levantamento das palavras e expressões populares e seus significados dentro da comunidade.

Esse é um perfil léxico-semântico do linguajar regional da obra que, incorporado no processo de comunicação, confirma uma perspectiva antropocultural da fala de um povo caracterizado como regionalismo e repleto de expressões populares. Considerando a grande quantidade de palavras e expressões que encontramos na obra, coletamos apenas 20 para apresentar nesta parte do trabalho.

3.2 PALAVRAS E EXPRESSÕES

  1. A BEM DIZÊ (A bem dizer): significa na verdade, a fim de esclarecer, algo que se diz.

“A Seá Dona Guida era uma fulô. Qui pessoa de bem! Qui coração aberto! Por ali, a bem dizê, ninguém era pobre estando junto dela…” (Paiva, 1952, p. 39).

  1. ABOLETADO: Diz-se de indivíduos ou pessoa que se acomoda, a loja-se, instala-se. Palavra datada em Houaiss (2009) de o 1712. Formas históricas: Aboletar (1712),

Aboletado (1789).

“O hóspede achava-se realmente bem aboletado. Mesa, bacia de rosto com uma toalha, chinelos”. (Paiva, 1952, p. 37).

  1. ADONDE ENTRE UM SAI DOIS: dito popular que diz que não se deve apressar.

“Mais o velho pega, e se hai de compô as coisas cos adversaro, que êle bem que lhe dixe que cum uma política ninguém bota panela no fogo, que por adonde entre um sai dois, mais tarde ou mais cedo.” (Paiva, 1952, p. 39).

  1. APREGATA: Variante popular de Alpercata; Sandália que se prende ao pé por tiras de couro epano.

“A apregata,aos sertanejos, lhes é tão indispensável como o cachimbo e a faca no quarto. ” (Paiva, 1952, p. 25).

Apresenta rica sinonímia: abarca, alcorque, alparca, alparcata, alpargata, alpergata, apragata, cáliga, crépida, loré, paragata, parcata, pracata, pragata, sólea. A forma em DGP não é registrada em Houaiss. Claro, temos um caso de metátese (mudança linguística que consiste na troca de lugares de fonemas ou sílabas dentro de um vocábulo (p.ex.: capio > caibo; semper > sempre; merulu > melro; estuprar > estrupar; depredar > depedrar; víbora > bívora); comutação, hipértese, permutação.

  1. APOIS: Termo utilizado para confirmação e pode ser substituído por pois ou então. Forma protética depois.

“— Duvida? disse ela, grelando o olho. Corou, conteve um ímpeto, e ganho o meio do rio:

— Apois lá vai!” (Paiva, 1952, p. 33).

  1. ARRÔCHO: ato ou efeito de arrochar (-se); aperto, compressão; arrochadura. 2. pedaço de madeira, torto e curto, usado para torcer e apertar as cordas que fixam fardos. 3. qualquer coisa que sirva para atar ou apertar. 4. abraço impetuoso; captura, preensão corporal. 5. circunstância difícil; repressão, contrariedade. 6. Regionalismo: Brasil. Forte repressão, por vezes violenta, empreendida pela polícia ou outras autoridades. 7. Regionalismo: Brasil. Correia com argola numa ponta, usado para prender a carga levada no dorso de animal. 8. Regionalismo: Amazônia. Método para extrair o látex da seringueira entalhando o tronco da árvore. 9. Regionalismo: Nordeste do Brasil. Aparelho com que se amassa e se espreme a mandioca na fabricação de farinha. 10. Regionalismo: Nordeste do Brasil. Qualquer pedaço de pau ou bastão usado para bater ou espancar.

“Coçava-lhe no rosto a impressão do barbicacho. Pôs de novo o chapéu. Achou-se ao pé do cavalo, desatou, montou. Foi. Pelos campos fora, tez em febre, silente, um arrôcho no coração e como que ia berrando desesperadamente, criança perdida no deserto que a altos brados invocasse os nomes de pai e mãe.” (Paiva, 1952, p. 147).

  1. ARENGAR: Regionalismo: Brasil. Fazer mexericos. Intrigar.

“Exatamente. O Reverendo Costinha tinha muito gôsto pela crônica. Ainda o alcancei. Arengava muito com a irmã, a Dona Anginha, por amor de datas. Ela por seu lado é  birrenta como nunca vi. ” (Paiva, 1952, p. 77).

  1. CUMA: Forma de uso popular para a conjugação“como”.

“— Nós era coma nêgo cativo. Pió! cuma cachorro sem dono. Bandoleiros por essas paragens de meu Deus. ” (Paiva, 1952, p. 40).

  1. CUNHÃ: 1. mulher. 2 . Mulher jovem; cunhantã. 3. Mulher do caboclo.

“Nisto sente quebrar mato, e com ligeiro susto avista algumas mulheres a carregar grandes cuias. Eram cunhãs que vinham apanhar ovos, certamente…” (Paiva, 1952, p.173).

  1. CAIR NA GRAÇA: Diz-se de alguém que conquistou a simpatia de

“Era pois certo o que se espalhava a respeito dessa mulher generosa e valente. Feliz quem lhe caísse nas graças. ” (Paiva, 1952, p. 58).

  1. CALUNGA: Regionalismo: Brasil. Boneco, esp. de pequeno tamanho

“—É um molequinho bem ensinado e tem cadência para tudo, como poucos meninos brancos. Fêz um calunga com canivete, que fazia gôsto” (Paiva, 1952, p. 165).

  1. CABRA: mestiço indefinido, de negro, índio ou branco, de pele morena clara. 2. indivíduo determinado; sujeito, cara. 3 Indivíduo forte, valente. 4. Capanga,jagunço.

Cabra onzonero! Vígi como o satanaz tá adulando a pobe da Sea Dona Guida! Come a pobe por um pé.” (Paiva, 1952, p. 98).

Expressão usada para refere-se a um rapaz ou senhor, neste contexto utilizada para chamar  a atenção de Onzonero.

  1. CAÇOAR: fazer caçoada, galhofa ou chacota de; provocar riso ou hilariedade acerca de alguém ou algo, com palavras ou atos espirituosos ou engraçados, que manifestam humor, ironia, malícia, desdém etc.; gracejar, implicar, troçar, zombar. 2. Bras. Pop. Dar pouca importância a, fazer pouco caso

“A cavalgata do Major fazia chiar o capim no tropel do chouto e da baralha. Aproximava-se a última escolta. Trazia um gadinho; caçoaram dela” (Paiva, 1952, p. 141).

Palavra usada com o intuito de rebaixar ou humilhar alguém.

  1. CAXAÇA: qualquer bebida alcoólica, esp. Destilada.

“— Senhoras sejam desta casa,minhas donas!Aqui está a serva de vosmecês…—Tem caxaça?

— disse uma gaiata.” (Paiva, 1952, p. 104).

Palavra popularmente conhecida que se refere a bebida alcoólica.

  1. EMPAIAÇÃO: Forma popular de empalhação no sentido de embromar;enrolar.

“Minha gente! Deixassem de empaiação, que a Seá Dona Guidinha queria assisti ao divertimento e non havera de está se dilatando inté de menhã: era a exclamação da  Carolina, tôda solicitudes. ” (Paiva, 1952, p. 88).

  1. FI: Forma informal e popular de filho.

“— E apois então, minha rica branca? A gente também não há de pricurá suas melhoria? Só branco é que é fi de Deus? Apois vosmicê era inté mais a favô dos negô, o qual não é agora. Óie que vosmicê tá ficando pos nêgo…” (Paiva, 1952, p. 74).

FI: Forma Apocópica de filho, não registrado em Houaiss

  1. CUM EFEITO: Expressão de uso popular equivalente a “ora essa”, “de fato”, “certamente”, “ainda mais essa”

“Mas cum efeito! aquêle moço tão simpático e agradave! Coitado, quitiria cometido êle por lá?” (Paiva, 1952, p. 79).

  1. IFE: Admirativa de dito em louvor. 2 exprime desabafo, cansaço, por vezes satisfação por se ter livrado de uma

Ife! Era muito melhor quando estavam na vila! O rio lá era espraiado e pelo caminho não se andava aos trancos e barrancos como ali na fazenda, e mó de que lá a roupa corava melhor.” (Paiva, 1952, p. 73).

  1. INHOR/INHORA: Mesmo que senhor/senhora

“— Inhora, sim. Assim digo eu: ninguém me alevante farso, pruquê há de pedir três vezes: Perdão! Perdão! Perdão!”. (Paiva, 1952, p. 68).

Forma protética de nhor

  1. QUEM AMA O FEIO, BONITO LHE PARECE: Expressão popular que significa que quem ama não vê defeitos na pessoa amada

“[…] Um jogar de impressões, certamente pelo abalo mais ou menos fundo que sofria o ser com a assimilação do novo alter ego. Terminou por constituir-se no paciente dessas variantes, um tipo ideado e perfeito. Quem ama o feio, bonitolhe parece. ” (Paiva, 1952, p. 123).

Outras expressões similares: A beleza está nos olhos de quem vê; O amor é cego.

Nosso intuito é realizar uma pequena amostra semântica das expressões populares utilizadas por Manuel de Oliveira Paiva em Dona Guidinha do Poço (1952), levando em conta a linguagem usada permeada de oralidade, sem deixar de lado a questão sociolinguística, ligada ao estudo do léxico dentro de um contexto social e cultural.

É o léxico o principal responsável pelo desenvolvimento da língua na comunidade, pois ele é o espelho que melhor reflete a realidade sociocultural, é por isso que encontramos dificuldades para a execução de estudos dessa magnitude. Vale ressaltar que é preciso considerar algumas questões sociais, culturais, políticas e regionais.

Paiva apresenta-se com um estilo bem peculiar na obra, repleto de palavras e expressões bem distintas, típicas do sertão, adquiridas em sua vida. É notória que, em sua obra, o autor retrata os fatos e foca sobretudo no regionalismo encontrado no sertão.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A língua é reflexo da cultura de um povo e das formas diferenciadas de como cada indivíduo assimila e interpreta. É esse “interpretar” que especifica algumas comunidades através de sotaques, gírias, expressões e outros termos que são utilizados no cotidiano da comunidade.

A linguagem abre margem para que possamos perceber os aspectos que influenciam nosso meio social, político e cultural que são fatores importantes que tornam a língua única em cada comunidade.

A obra de Paiva conta com uma quantidade expressiva de regionalismos que reflete a linguagem cotidiana do Nordeste, carregada com termos e expressões populares observados na linguagem coloquial típica do sertão nordestino, assim como, os valores culturais e sociais.

Nessa pesquisa, buscamos como objetivo o estudo da obra Dona Guidinha do Poço, com intuito de extrair os termos e expressões que serão apresentados para que possamos ter conhecimento das variações regionalistas que permeiam a obra e a torna tão diferenciada.

Nosso trabalho teve a finalidade de contribuir para pesquisas léxico-semânticas sobre o regionalismo nordestino, ainda sem um verdadeiro reconhecimento e pouco explorado no que diz respeito à realidade linguística, levando em consideração a tríade: língua, cultura e sociedade.

Muito há que percorrer às pesquisas nesse âmbito lexicológico e sociolinguista dos falares regionais e suas possibilidades. Pretendemos, futuramente aprofundar nossos estudos nesta direção. Esperamos estar contribuindo para novas e futuras pesquisas no ramo da linguística.

REFERÊNCIAS

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ALKIMIM, Tânia Maria. Sociolinguística, parte1. In: MUSSALIM, Fernanda; BENTES, Ana Cristina. Introdução à Linguística: domínios e Fronteira.v.1,6 edição. São Paulo: Contexto, 2006.p.21-47.

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HOUAISS, A. VILLAR, M. de S.; FRANCO, F. M. M. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.

MARTELOTTA, Mário Eduardo. Manual de Linguística. São Paulo: Contexto, 2008. PAIVA, de Oliveira. Dona Guidinha do Poço. São Paulo, Saraiva, 1952.

SILVA, Rivaldete Oliveira, ALMEIDA, Maria de Fátima. Análise da interação verbal na teoria Bakhtiniana Macabéa – Revista Eletrônica do Netlli, Crato, v. 2., n. 1., Jun. 2013, 117-127, Acesso em 14 de julho de 2018.

[1] Licenciada em Letras – habilitação em Língua Portuguesa.

[2] Doutorado em andamento em Linguística. Mestrado em Linguística. Especialização em Língua Portuguesa e Literatura. Graduação em Letras.

Enviado: Março, 2020.

Aprovado: Junho, 2020.

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