REVISTACIENTIFICAMULTIDISCIPLINARNUCLEODOCONHECIMENTO

Revista Científica Multidisciplinar

Pesquisar nos:
Filter by Categorias
Administração
Administração Naval
Agronomia
Arquitetura
Arte
Biologia
Ciência da Computação
Ciência da Religião
Ciências Aeronáuticas
Ciências Sociais
Comunicação
Contabilidade
Educação
Educação Física
Engenharia Agrícola
Engenharia Ambiental
Engenharia Civil
Engenharia da Computação
Engenharia de Produção
Engenharia Elétrica
Engenharia Mecânica
Engenharia Química
Ética
Filosofia
Física
Gastronomia
Geografia
História
Lei
Letras
Literatura
Marketing
Matemática
Meio Ambiente
Meteorologia
Nutrição
Odontologia
Pedagogia
Psicologia
Química
Saúde
Sem categoria
Sociologia
Tecnologia
Teologia
Turismo
Veterinária
Zootecnia
Pesquisar por:
Selecionar todos
Autores
Palavras-Chave
Comentários
Anexos / Arquivos

A Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial

RC: 23578
429
5/5 - (7 votes)
DOI: ESTE ARTIGO AINDA NÃO POSSUI DOI
SOLICITAR AGORA!

CONTEÚDO

ARTIGO ORIGINAL

VERTINO, Derek Destito [1]

VERTINO, Derek Destito. A Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 12, Vol. 02, pp. 100-107. Dezembro de 2018. ISSN:2448-0959

A ERA VARGAS (1930-1945)

O fim da República Velha foi um divisor de águas pela a expulsão da elite cafeeira brasileira do poder com a Revolução de 1930, depondo o presidente Washington Luís com a ascensão de Getúlio Vargas no Governo Provisório.

O prolongamento da primeira fase do Governo Vargas provoca a eclosão da Revolução Constitucionalista de 1932, quando a elite cafeeira paulista e seus colaboradores promovem a maior Guerra Civil dentro do território brasileiro. Apesar do fracasso no campo de batalha e tentativa de deposição do Presidente, a Assembleia Constituinte promulga a Constituição de 1934, dando início ao Governo Constitucional, até 1937.

Porém, nutrido pela simpatia ao nazifascismo, Vargas promove uma campanha nacionalista e anticomunista, marcado pela censura à imprensa e extinção dos partidos políticos ao instaurar de forma autoritária o Estado Novo (1937 a 1945).

A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

Apesar da tensão internacional, o Brasil resolve manter sua neutralidade após a eclosão da Segunda Guerra Mundial, quando a Polônia é invadida pela Alemanha Nazista e a União Soviética, em Setembro de 1939. A neutralidade de Getúlio Vargas faz com que ele ganhe tempo em explorar as melhores propostas de parceiros internacionais para atingir importantes metas de seu governo como o processo de industrialização e modernização das Forças Armadas Brasileiras.

Em dezembro de 1941, a Marinha Imperial Japonesa promove um ataque surpresa contra a base americana de Pearl Harbor, no Havaí, em uma tentativa fracassada de destruir a frota dos Estados Unidos no Pacífico. Tal agressão fez com que os estadunidenses mergulhassem na Segunda Guerra, ganhando a solidariedade das nações americanas, inclusive o Brasil.

Os dois países selaram importantes parcerias mediados por missões diplomáticas, conhecida como Os Acordos de Washington. Os Estados Unidos aprovaram milionários empréstimos para a modernização e implantação do projeto siderúrgico brasileiro (como criação da Companhia Siderúrgica Nacional e da Companhia Vale do Rio Doce).

Em contrapartida, o Brasil assumiu o compromisso de fornecer minérios estratégicos à indústria bélica americana e aquisição de materiais bélicos, além de autorizar a instalação de bases militares americanas no Norte e Nordeste (conhecida como o “Trampolim da Vitória” para os Aliados, primordial para a patrulha do Oceano Atlântico e o abastecimento de suprimentos para as tropas americanas e britânicas que combatiam no Norte da África).

Em 28 de Janeiro de 1942, o Brasil rompe as relações com a Alemanha, Itália e Japão. A tensão aumenta contra as comunidades imigrantes, principalmente quando a Marinha Mercante Brasileira sofreu massivos ataques de submarinos alemães e italianos, torpedeando cerca de 30 navios, ceifando a vida de 1.000 tripulantes e passageiros, em sua maioria, de 1942 a 1944. A influência da imprensa e a pressão popular nas principais cidades contribuíram para que o Brasil tomasse uma postura decisiva no conflito. Em 31 de Agosto de 1942, Vargas assina o Decreto-Lei oficializando o Estado de Beligerância em todo o território brasileiro.

C:\Users\Admin\Desktop\Magazine\Creditos Deutsche Welle.jpg
(Reprodução: Creditos Deutsche Welle)

Getúlio (de chapéu branco e óculos) inspeciona as tropas em Natal (RN), com Roosevelt.

A histórica Conferência de Potengi, em Natal (RN), no dia 28 de Janeiro de 1943, foi marcada pela visita de Vargas e Roosevelt na vistoria das instalações militares na região. Os dois líderes decidiram no evento a criação da Força Expedicionária Brasileira, uma Divisão de Infantaria Expedicionária incorporada ao Exército Americano, na luta contra o nazifascismo, no maior conflito armado da Historia. A contradição do alinhamento brasileiro era claro pela maneira que o país era conduzido por Vargas, o mesmo personagem que deportou a alemã judia Olga Benário, uma militante comunista, para a morte nas câmaras de gás no Campo de Concentração de Bernburg, em 1942.

O BRASIL NA SEGUNDA GUERRA

As Forças Armadas Brasileiras instruíam os seus recrutas com base nas experiências adquiridas na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), pela ultrapassada consultoria da Missão Militar Francesa que atuou em nosso país entre 1919 a 1940.

O torpedeamento dos navios brasileiros e o empenho da Propaganda não foram suficientes para atrair um satisfatório número de voluntários para a Força Expedicionária. Apesar da convocação proporcional de reservistas para todas as classes sociais, a tropa brasileira foi composta basicamente por jovens agricultores e pequenos comerciantes.

O curto tempo de preparo para a guerra moderna exigiu dos brasileiros uma rápida adaptação para a guerra moderna, enfrentando a barreira linguística ao absorver o conhecimento dos instrutores americanos e muitas vezes treinar com equipamentos improvisados. Um dos casos mais emblemáticos foi o uso de latas de goiabada para simular minas terrestres, durante o período de treinamento em exercícios simulados de combate.

A Força Expedicionária Brasileira desembarcou na Itália em cinco escalões, de Junho de 1944 a Fevereiro de 1945, com o apoio do Primeiro Grupo de Aviação de Caça (1°GAvCa) e a 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação (1ª ELO), totalizando uma força de 25.000 homens na linha de frente e retaguarda.

C:\Users\Admin\Desktop\Magazine\Creditos Pedro Scuro.jpg
Fonte: Portal da Força Expedicionária Brasileira)

Soldados brasileiros embarcando para a Itália. A tropa brasileira era a única oficialmente não segregada racialmente entre os Aliados (Acervo Pedro Scuro / Portal da Força Expedicionária Brasileira)

A 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária foi composta pelo 1º Regimento de Infantaria (Rio de Janeiro-RJ), 6º Regimento de Infantaria (Caçapava-SP), 11º Regimento de Infantaria (São João Del Rey-MG, 9º Batalhão de Engenharia (Aquidauana-MS), 1º Batalhão de Saúde (Valença-RJ) e outras unidades menores, subordinados ao Comandante João Batista Mascarenhas de Morais, incorporada ao IV Corpo do V Exército Americano.

C:\Users\Admin\Desktop\Magazine\Enfermeiras-da-FEB2.jpg
Fonte: Portal da Força Expedicionária Brasileira

O Corpo de Enfermeiras da FEB designado para servir em um dos vários hospitais americanos. 16º Hospital de Evacuação, Pistóia-Itália. 10/03/45 (Acervo da Associação dos Ex-Combatentes de Brasília).

C:\Users\Admin\Desktop\Magazine\Créditos Associação Nacional dos Veteranos da FEB - Seção Brasília-DF.jpg
Fonte: Portal da Força Expedicionária Brasileira

Os expedicionários brasileiros em uma roda de samba no front (Créditos Associação Nacional dos Veteranos da FEB – Seção Brasília-DF)

A fácil adaptação do brasileiro ao campo de batalha demonstrou uma campanha de superação que, apesar de alguns erros, surpreendeu todo o Comando Aliado na Campanha da Itália. De Julho de 1944 a Maio de 1945, a Força Expedicionária Brasileira logrou vitória nas Batalhas de Montese, Castelnuovo, Monte Castello, Colleccio e Fornovo di Taro. Este último, rendendo os efetivos remanescentes de duas divisões alemãs e duas italianas, totalizando cerca de 15.000 prisioneiros de guerra da 148ª Infanterie-Division, a 90ª Panzergrenadier-Division, a 1ª Divisão Bersaglieri e 4ª Divisão de Montanha “Monte Rosa”.

C:\Users\Admin\Desktop\Magazine\5ziyn2tbwriz.jpg
Fonte: Portal da Força Expedicionária Brasileira

A rendição dos generais Otto Fretter-Pico e Mario Carloni aos soldados da FEB, após a Batalha de Fornovo di Taro (Reprodução: Domínio Público)

Em 08 de Maio de 1945, os Aliados comemoram a derrota das tropas nazifascistas na Europa. Apesar do clima de festa, o Brasil registra um considerável número de baixas, em destaque aos tombados em combate ou no torpedeamento dos navios mercantes: Marinha (1.000), Força Expedicionária Brasileira (450) e 1° Grupo de Aviação de Caça (9).

A REINTEGRAÇÃO SOCIAL DOS VETERANOS

C:\Users\Admin\Desktop\Magazine\Portal da Força Expedicionária Brasileira.jpg
Créditos: Portal da Força Expedicionária Brasileira

O desfile dos expedicionários brasileiros na então Capital Federal, Rio de Janeiro

O RETORNO E A REINTEGRAÇÃO SOCIAL DOS VETERANOS DE GUERRA

Os grandes desfiles e a calorosa recepção dos veteranos de guerra vitoriosos em prol da Democracia na Europa contra o nazifascismo ameaçavam a estabilidade do Estado Novo de Getúlio Vargas. O conhecimento adquirido no maior conflito armado da história não foi devidamente aproveitado, dispensando sumariamente soldados e transferindo os oficiais para quartéis distantes.

Porém, as manobras não foram suficientes e a primeira vitória da Força Expedicionária Brasileira foi contribuir para o retorno da democracia no Brasil, com queda de Getúlio Vargas e a promoção de novas eleições. Infelizmente, o conturbado processo custou aos veteranos de guerra a falta de apoio na reintegração social, gerando uma onda de alcoólatras e suicidas sem acompanhamento psicológico ou psiquiátrico.

A tardia aprovação da pensão aos ex-combatentes na nova Constituição Federal de 1988, ampliou a cobertura da zona de guerra para recrutas que serviram em quartéis no litoral e cidades com rios navegáveis, gerando revolta aos veteranos que foram equiparados a recrutas que não correram os mesmos ricos de vida.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Arantes, Marcus Vinicius de Lima. Torpedo: O Terror no Atlântico. Editora Livre Expressão. 2012. 285 p.

Castello Branco, Manoel Thomaz. O Brasil na Segunda Guerra. Biblioteca do Exército. 1969. 627 p.

Ferraz, Francisco. A guerra que não acabou: a reintegração social dos veteranos da Força Expedicionária Brasileira (1945-2000). Editora Eduel. 2012. 80 p.

Moraes, João Baptista Mascarenhas de. A FEB pelo seu Comandante. Rio de Janeiro. Biblioteca do Exército. 2005. 352 p.

Monteiro, Marcelo. U-507: o submarino que afundou o Brasil na Segunda Guerra Mundial. Rio de Janeiro. Biblioteca do Exército, 2013. 256 p.

Silveira, Joaquim Xavier da. A FEB por um soldado. Rio de Janeiro. Biblioteca do Exército. Editora Expressão e Cultura. 2001. 353 p.

[1] Licenciado em História e pós-graduado em História Militar. Escritor, membro correspondente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil e Organizador do Portal da Força Expedicionária Brasileira.

Enviado: Dezembro, 2018

Aprovado: Dezembro, 2018

5/5 - (7 votes)
Derek Destito Vertino

2 respostas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

POXA QUE TRISTE!😥

Este Artigo ainda não possui registro DOI, sem ele não podemos calcular as Citações!

SOLICITAR REGISTRO
Pesquisar por categoria…
Este anúncio ajuda a manter a Educação gratuita