Armazenamento, destinação e uso dos resíduos de gesso na construção civil: uma revisão bibliográfica

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CONTEÚDO

ARTIGO DE REVISÃO

ALVES, Daniel Oliveira Silva [1], MARTINS, Roseli Oliveira Guedes [2]

ALVES, Daniel Oliveira Silva. MARTINS, Roseli Oliveira Guedes. Armazenamento, destinação e uso dos resíduos de gesso na construção civil: uma revisão bibliográfica. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 06, Ed. 12, Vol. 02, pp. 123-139. Dezembro de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-civil/residuos-de-gesso

RESUMO

A construção civil vem crescendo drasticamente no Brasil, tendo como consequência o descarte inadequado de materiais no meio ambiente, ocasionando assim a sua degradação em larga escala. Um destes materiais é o gesso, na qual pode ser reutilizado em diversas situações, ocasionando assim grandes benefícios para o usuário, para o profissional e para o meio ambiente. Diante deste contexto, esta pesquisa tem como principal questionamento: o processo de reciclagem do gesso advindo da construção civil o torna inferior, ou seja, com menos oportunidades de uso? O objetivo do presente trabalho é realizar, através de um estudo bibliográfico, uma análise acerca das formas de gerenciamento de resíduos de gesso advindos da construção civil, visando o seu reuso. Depreende-se por meio deste estudo que a reciclagem do gesso é altamente viável, todavia, a preparação do profissional para lidar com esta situação é uma necessidade imperativa, já que os benefícios gerados são grandiosos, principalmente no que tange ao meio ambiente. Assim, o seu emprego deve ser incentivado, tendo em vista que a sua qualidade não será diminuída com a reciclagem. Em outras palavras, o produto permanece o mesmo, podendo ser usado não só na construção civil, mas também em diversas outras situações.

Palavras-chave: Construção Civil, Resíduos, Reciclagem, Gesso.

1. INTRODUÇÃO

A construção civil vem crescendo drasticamente em todo o território nacional, proporcionando assim um grande desenvolvimento econômico, principalmente no que tange a geração de empregos, todavia, verifica-se que a produção de resíduos sólidos é a grande problemática deste processo, já que a sua destinação ocorre muitas vezes de forma incorreta, ou seja, no meio ambiente. Como consequência, podemos averiguar o comprometimento do tráfego, a contaminação de rios, a multiplicação de vetores altamente patogênicos, dentre outros (SAVI, 2012).

O gesso, que é um material empregado em larga escala na construção civil, principalmente depois da década de 1990, devido à introdução da tecnologia drywall nas vedações internas de todos os tipos de edificações no país, não deixa de ser considerado mais um tipo de resíduo, que precisa ser descartado de forma apropriada. É importante salientar que, segundo Drywall (2009), este produto, após ser separado de outros resíduos da construção, pode ser aproveitado novamente na cadeia produtiva.

Observando a importância deste contexto, em 2002, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) implantou a resolução n° 307, estabelecendo assim diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão adequada dos resíduos advindos da construção civil, de forma que fossem disciplinadas as ações visando à minimização dos impactos gerados ao meio ambiente. Já em 2011, o CONAMA instituiu a resolução n° 431, com a finalidade de modificar a classificação imposta ao gesso, isto é, ele passou de classe C para a B, que é a de resíduos recicláveis para outras destinações. Em outras palavras, este produto pode ser reutilizado (SAVI, 2012).

Confirmando este ponto de vista, Ângulo (2005) declara em suas análises que o gesso é um material reciclável, mas para isso seus resíduos precisam ser armazenados separadamente, proporcionando assim a reciclagem de 100% do material. Como consequência, podemos empregá-lo na agricultura, para a correção de solos, como aditivo para compostagem, como absorvente de óleos, no controle de odores e na secagem de lodos em estações de tratamento de esgoto etc. Claro que, este processo só será viável por meio do treinamento da mão de obra envolvida nas operações, incluindo os prestadores de serviços terceirizados.

Diante da grande importância deste contexto, esta pesquisa tem como principal questionamento: o processo de reciclagem do gesso advindo da construção civil o torna inferior, ou seja, com menos oportunidades de uso?

O objetivo do presente trabalho é realizar, através de um estudo bibliográfico, uma análise acerca das formas de gerenciamento de resíduos de gesso advindos da construção civil, visando o seu reuso. Como objetivos específicos, pretendem-se apresentar a importância da reciclagem do gesso a partir de seus detritos, além de exibir as possibilidades de reaproveitamento, tendo em vista a redução desses materiais em locais impróprios.

A principal finalidade na confecção desta pesquisa é a disseminação de informações concretas a respeito deste assunto, principalmente no âmbito acadêmico, já que ainda é possível verificar a pouca presença de publicações a respeito. Outro propósito é a valorização destes procedimentos frente aos profissionais da área, incentivando assim o treinamento dos envolvidos em toda sua abrangência, bem como a diminuição dos impactos frente ao meio ambiente.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 CONSTRUÇÃO CIVIL E A GESTÃO SUSTENTÁVEL DOS RESÍDUOS

Acredita-se que a construção civil é o ramo que mais aumenta no Brasil, promovendo a geração de novos empregos e o crescimento econômico, todavia, como consequência, temos a geração de uma problemática, ou seja, os entulhos, que na maioria dos casos são depositados irregularmente na malha urbana. Uma alternativa para evitar tal degradação das áreas e tamanho desperdício de materiais consiste na prática da reciclagem (SANTOS, 2008).

Conforme Ângulo (2005), a construção civil é responsável por um consumo significativo dos recursos naturais extraídos e por uma produção de aproximadamente metade da massa total de resíduos sólidos urbanos. Muitas vezes, os problemas das construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, acontecem porque os resíduos são jogados em locais impróprios, suscitando graves impactos ambientais.

Dentre as diversas preocupações ambientais relacionadas às atividades humanas, destaca-se a necessidade de adequação quanto à destinação final dos resíduos sólidos. Dessa forma, a reciclagem é uma das soluções encontradas atualmente, principalmente se levarmos em conta os benefícios ocasionados até então. Segundo Santos (2008), esta alternativa é capaz de promover a redução das áreas de aterro, preservação de recursos naturais, economia financeira, dentre outros. Também é possível averiguar que a reciclagem é uma fonte de novos empregos, já que promove o surgimento de empresas de reciclagem (SANTOS, 2008).

Assim, entende-se que:

O desenvolvimento sustentável caracteriza-se, portanto, não como um estado fixo de harmonia, mas sim como um processo de mudanças, no qual se compatibiliza a exploração de recursos, o gerenciamento de investimento tecnológico e as mudanças institucionais com o presente e o futuro (CANEPA, 2007).

Em nosso país, a reciclagem é um tema bastante discutido, após algumas mudanças e leis. Entretanto, em comparativo com outros países, essa abordagem ainda é lenta. Desse modo, a necessidade de diminuição dos impactos ambientais na sociedade refletiu sobre o setor industrial e o permitiu intensificar a reutilização dos resíduos gerados durante os processos de produção. O reaproveitamento desses materiais pode gerar ganhos significativos para as empresas, convertendo os resíduos em lucro, além de diminuir os gastos com o descarte (RESENDE, 2003).

Existem diversas vantagens para a reciclagem dos resíduos da construção civil, entre elas: redução de volume de extração de matérias-primas; conservação de matérias-primas não renováveis; diminuição dos problemas relacionados à disposição inadequada dos resíduos nas áreas urbanas e terrenos baldios; reaproveitamento de materiais no mercado da construção e a criação de novos postos de trabalho (SAVI, 2012).

Dentre as diversas preocupações ambientais relacionadas às atividades humanas, destaca-se a necessidade de adequação da destinação final dos resíduos sólidos. Para Santos (2008), a geração de resíduos da construção civil se inicia antes de qualquer obra, portanto, torna-se imperativo a necessidade de pesquisas na área visando à redução da poluição gerada, bem como o treinamento dos profissionais envolvidos.

2.2 CARACTERÍSTICAS DO GESSO E O SEU EMPREGO NA CONSTRUÇÃO CIVIL

O gesso, no Brasil, é encontrado abundantemente em terrenos cretáceos de formação marinha, sobretudo nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Piauí e Pernambuco. Como características, podemos verificar que ele possui endurecimento rápido, plasticidade da pasta fresca e lisura da superfície endurecida, resistência mecânica, aderência, excelente propriedade quanto ao isolamento térmico e/ou acústico e resistência ao fogo (CANEPA, 2007).

A sua utilização é antiga, onde era e continua sendo empregada em obras de arte e nas construções. Também foi possível ver a sua presença nas decorações das civilizações mais remotas. Sabe-se que a gipsita ou gesso é um dos materiais mais longínquos usados pelo homem, contudo, sua adoção no ramo da construção civil popularizou-se na Europa no século XVIII (ARAGÃO, 2021).

Nota-se que, devido as suas características e propriedades, o gesso possui diferentes aplicabilidades na construção civil, como: matéria prima para painéis termo acústica, onde é utilizada fibra de lã de vidro entre as paredes de gesso acartonado, formando assim uma barreira que evita a transferência de calor e vibrações sonoras; revestimento para decoração de interiores, que são aplicados com uma cola à base de gesso, proporcionando assim um efeito visual mais moderno, bem como uma qualificação da acústica do ambiente; construção de casa com blocos pré-moldados de gesso, que promovem um encaixe perfeito; forros de placas, fechamento com blocos leves para paredes internas, placas para rebaixamento de teto, painéis para divisório e forro para paredes de fechamento em gesso acartonado (ARAGÃO, 2021).

2.2.1 GERAÇÃO E ARMAZENAMENTO DOS RESÍDUOS DE GESSO

O maior responsável pela produção de resíduos sólidos no âmbito da construção civil é o desperdício, principalmente aquele associado à utilização do gesso como revestimento de tetos e paredes (JOHN; CINCOTTO, 2003).

A produção de resíduos de gesso, decorrente do desperdício em obra, é de mais ou menos 45% (NITA et al., 2004). Entretanto, a não reutilização desse tipo de resíduo vem se mostrando um problema de nível econômico e ambiental. As perdas no canteiro de obras com relação às chapas de gesso acartonado, segundo a Associação Drywall, são da ordem de 3% a 5% do consumo. Porém Resende (2003), em seu estudo, levantou valores entre 7% e 8%.

Conforme Sindugesso e Abragesso (2000 apud AGOPYAN et al., 2005), a prática do revestimento é uma das principais causas da geração de resíduos de gesso na construção civil, representando uma parcela de 88%, enquanto as chapas de gesso acartonado correspondem a 8% e os componentes pré-moldados a 4%, estimando-se um desperdício de 120 mil toneladas por ano, somente na Grande São Paulo.

John e Cincotto (2003) afirmam que o endurecimento rápido do gesso, em conjunto com uma mão de obra insuficientemente qualificada, são os principais motivos para a quantidade de resíduo produzido na prática da construção civil. A junção desses dois elementos permite que o desperdício de material alcance o percentual de 30%. Contudo, a geração de resíduos não está limitada somente às suas etapas de aplicação na construção civil.

Faz-se necessário então, buscar alternativas que minimizem a geração de resíduos ao longo do processo de fabricação desse produto, da extração da gipsita em jazidas à etapa final de acondicionamento. Tal ocorrência mostra-se ainda mais crítica quando comparada com resíduos decorrentes de construções por estes serem depositados, muitas vezes, diretamente em contato com o meio ambiente. Na fabricação de placas para revestimento, por exemplo, há desperdício quando uma das placas se danifica, seja por falta de cuidado ao tirá-las das formas, ou no manuseio das mesmas; geralmente essas placas são descartadas, não havendo assim um reaproveitamento (AGOPYAN et al., 2005).

O gesso é produzido em diversos países do mundo, com um consumo anual, segundo Bezerra (2009), de aproximadamente 125 milhões de toneladas, das quais o Brasil participa com cerca de 2.000.000 de toneladas. Com a produção voltada basicamente para suprir o consumo interno, o Brasil aparece como 16º produtor mundial, mas as previsões é que seja duplicado o consumo até 2030.

No Brasil, o gesso é largamente utilizado como material de acabamento, especialmente na produção de placas de forros e elementos decorativos. Também é possível empregá-lo na fabricação de placas para a execução de paredes divisórias e forros e na fabricação de ornamentos para paredes e tetos (AGOPYAN et al., 2005).

Para Petrucci (1998), as argamassas ou as pastas de gesso empregadas em revestimentos se limitam ao uso em áreas internas, que exigem qualidade no acabamento. De forma geral, os revestimentos são feitos com a colocação de pastas, sendo a argamassa pouco utilizada. O gesso utilizado nesta perspectiva deve apresentar tempo de pega maior do que o utilizado para a fundição e os tempos de endurecimento devem ser ainda mais elevados, alargando o tempo de trabalhabilidade da pasta.

No que se refere ao local de armazenagem dos resíduos de gesso na obra, entende-se que deve ser em locais secos ou mesmo em caixas com piso concretado ou em caçambas. Em ambos os casos, o local deve ser coberto e protegido das chuvas e de outros possíveis contatos com a água. Vale ressaltar que, ao transportar os resíduos, deve-se obedecer às regras estabelecidas pelo órgão municipal responsável pelo meio ambiente ou pela limpeza pública, inclusive no que diz respeito à sua adequada documentação. É importante salientar que os resíduos de gesso devem ser separados de outros materiais, tais como madeira papéis, metais, tijolos, blocos, argamassa e lixo orgânico (AGOPYAN et al., 2005).

2.2.2 COLETA PARA DESTINAÇÃO DE RESÍDUOS DE GESSO

Nota-se que o gesso pode ser utilizado de diversas formas e que os seus resíduos podem ser reaproveitados, evitando assim, que o descarte inadequado possa contaminar o solo e o lençol freático. As principais destinações deste material são para a agricultura, a indústria cimenteira e o retorno do material ao gesso original (MUNHOZ; RENÓFIO, 2006).

A coleta e a segregação é a etapa referente à obtenção do resíduo de gesso para o seu aproveitamento ou mesmo descarte, sendo que esta armazena visando à coleta e a separação de acordo os materiais existentes na composição. Além disso, a segregação no canteiro de obras e a proteção contra a umidade são as bases principais da gestão de resíduos, pois, se não forem bem executadas, podem impossibilitar que seja feita a reciclagem (MUNHOZ; RENÓFIO, 2006). Em algumas cidades, as empresas de reciclagem disponibilizam containers para que os resíduos sejam armazenados, sendo coletados periodicamente.

A segregação do resíduo, segundo a Resolução nº 307 (CONAMA, 2002) deve ser realizada pelo gerador e, preferencialmente, na origem. Para Ângulo (2005) a garantia da qualidade do resíduo, sem a presença de contaminantes e a potencialização da reutilização ou reciclagem está vinculada à segregação no local de origem do resíduo, logo após a sua geração, o que deve ser feito preferencialmente pelo profissional que realizou o serviço.

Lima e Camarini (2011) chamam a atenção para a necessidade de utilização dos procedimentos adequados de segregação e condicionamento, evitando assim a contaminação, bem como a preservação da qualidade dos resíduos até o momento de sua destinação, ou de seu aproveitamento, tanto dentro dos limites do canteiro de obras, quanto no transporte para outros locais.

Para os autores supracitados, a execução satisfatória dos serviços de segregação e acondicionamento pode ser obtida com o treinamento e qualificação dos funcionários, que devem conhecer suficientemente as formas de qualificação dos resíduos e a importância ambiental que o trabalho representa.

2.2.3 RECICLAGEM DO GESSO

O procedimento realizado na reciclagem de gesso inicia com a separação dos resíduos que não foram utilizados ou que serão descartados nos canteiros de obras. Sabe-se que a reciclagem de gesso na construção civil é uma ação recente, mas compatível com as exigências de sustentabilidade das atividades econômicas e de alta viabilidade (BERNHOEFT, 2010).

Trovão (2012) estudou a viabilidade de reaproveitamento de resíduos de gesso para o uso na própria obra em revestimentos de alvenaria. Os ensaios indicam a viabilidade da adição de 5% de resíduos à pasta de gesso, quando associado à incorporação do aditivo retardador de pega bórax, ampliando o tempo de utilização da pasta e aumentando as propriedades mecânicas ensaiadas.

Tavares et al. (2010) e Bernhoeft (2010), estudaram a viabilidade do reaproveitamento de resíduos de gesso, sem calcinar, na execução de revestimento interno de vedação vertical, adicionando percentuais de 5% e 10% de resíduos de gesso moído à massa de gesso com fins para revestimento.

Estudos sobre as propriedades mecânicas das pastas de gesso para revestimentos com percentuais de adição de 5% a 25% confirmam a viabilidade técnica da adição de resíduos de gesso, indicando melhor resultado na faixa de 10% (SANTOS, 2008).

Godinho-Castro et al. (2012) mostraram que a mistura na proporção de 70% de argila, 20% de resíduo de gesso e 10% de cimento Portland resulta em blocos cerâmicos com até 4,64 33 MPa de resistência de compressão axial. A utilização de gesso na hidratação do cimento criou cristais que proporcionaram um aumento da resistência no bloco.

Nita et al. (2004) avaliou a utilização do resíduo de gesso acrescentado à pasta de gesso para revestimento interno. Para realização da reciclagem do gesso, foi utilizado moinho de rolos, calcinação por 60 minutos, onde as amostras foram submetidas às temperaturas acima de 136 ºC. Os resultados mostraram que o acréscimo do gesso reciclado na pasta melhora a resistência mecânica.

Na área agrícola, uma possível destinação para os resíduos de gesso, seria a correção de solo. Os estudos realizados por Cavalcante e Miranda (2011) revelam que o resíduo de gesso pode ser utilizado para a correção da acidez do solo e dos teores tóxicos de Al (alumínio) na subsuperfície.

3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Trata-se de uma pesquisa do tipo exploratória e descritiva para o qual foi desenvolvida uma revisão bibliográfica. Os materiais empregados foram adquiridos de acordo com os seguintes critérios: artigos completos publicados em periódicos de forma online; nacionais; constar na base de dados da Scielo (Scientific Eletronic Library Online) e do Goolge acadêmico, totalizando assim 27 artigos, na qual foram publicados entre 1993 a 2021. Como métodos de exclusão, utilizaram-se os seguintes fatores: artigos em língua estrangeira, artigos incompletos e que não estivessem inseridos na base de dados citados anteriormente.

É importante salientar que, para a seleção dos materiais, foram empregados os seguintes descritores: “gesso”, “construção civil” e “reciclagem”. Foram obtidos 152 artigos, que, após a inserção dos critérios de inclusão e exclusão acima, chegou-se a 27 publicações.

Após a busca, deu-se início a apreciação deles, com o propósito de responder os objetivos do estudo. Conforme Gil (2002), todas as publicações foram lidas, elegidas, aparelhadas e categorizadas. A partir da análise de todo os seus conteúdos, realizou-se a interpretação, e, a partir de então a elaboração clara e concisa do texto final. Todo o processo ocorreu no mês de novembro do presente ano, ou seja, 2021.

Buscando facilitar o entrosamento por parte do leitor, esta pesquisa foi dividida em capítulos, sendo o primeiro destinado à introdução, o segundo o referencial teórico, o terceiro a metodologia, o quarto as análises e discursões e o quinto as conclusões finais. É válido salientar que o segundo capítulo foi subdividido em blocos, ou seja, foi realizada uma descrição a respeito da construção civil e a gestão sustentável dos resíduos, bem como foi abordado acerca das características do gesso e da importância do seu reuso em larga escala.

4. ANÁLISE DOS RESULTADOS

Após a realização de um levantamento bibliográfico com reflexão crítica acerca do processo de armazenamento e destinação dos resíduos de gesso oriundos da construção civil apresentados acima, obtiveram-se os resultados descritos a seguir.

Parente (2001), bem como Cavalcanti e Miranda (2011) indicam que no processo de beneficiamento, a calcinação é o fator principal da qualidade do gesso. Um dos temas recorrentes em pesquisas e que apontam para trabalhos futuros é a homogeneidade da temperatura dentro do forno

 Figura 01: Esquema de composição de um fragmento de gipsita calcinada

Fonte: (PARENTE, 2001).

Nota-se que no esquema de composição do grão gipsita, depois de calcinado, (Figura 01) o produto resultante terá a função de promover a transferência físico-química e a eliminação de substâncias voláteis sob a ação de tratamento térmico de sólidos. Com esse processo, melhora-se a dureza e a resistência do gesso.

Nascimento e Pimentel (2010) relatam a influência da temperatura de calcinação nas características físicas e mecânicas de um gesso reciclado.

Tavares et al. (2010) apresentam um processo de reciclagem onde a calcinação é realizada de forma lenta. A granulometria do resíduo era 0,6 mm e a calcinação foi realizada em estufa por 24 horas. As amostras foram submetidas a temperaturas de 160 ºC, 180 ºC e 200 ºC. Os resultados, que foram apresentados na tabela 01, se aproximaram dos exigidos na norma e as melhores foram às amostras submetidas à temperatura de 180 ºC.

Tabela 01: Resultados apresentados no estudo de reciclagem do gesso com calcinação lenta

Gesso reciclado Temperatura de calcinação Módulo de finura Massa unitária (g.cm-3) Relação água/gesso Dureza (N.mm-2) Resistência à compressão (Mpa)
GR 5 16O ºC 0,66 0,58 0,6 38,8 6,41
GR 6 200 ºC 0,69 0,62 0,6 41,77 4,96
GR 7 180 ºC 0,72 0,53 0,6 39,31 6,22

Fonte: (LIMA; CAMARINI, 2011).

Pinheiro (2011), em sua tese, realizou ensaios de caracterização do gesso reciclado. As variáveis analisadas foram à temperatura de calcinação (120 ºC, 150 ºC e 200 ºC) e o tempo de calcinação (1 h, 2 hs, 5 hs, 8 hs, 16 hs, e 24 hs). A moagem das amostras foi realizada no moinho de martelo e na calcinação em estufa elétrica. Assim, no processo de reciclagem com temperatura de 150 ºC e 1 hora de calcinação apresentaram características próximas do gesso comercial.

As pesquisas de Nita et al. (2004), Pinheiro (2011) e Savi (2012) mostram que na implantação de uma área de reciclagem de gesso, a temperatura, o tempo de calcinação e o fator água/gesso apresentam valores que proporcionaram a resistência e a dureza exigidas pela norma (tabela 02).

Tabela 02: Resultados obtidos a partir da literatura.

Fonte Temperatura de calcinação (ºC) Tempo de calcinação Fator água e gesso Resistência à compressão (MPa) Dureza (Nmm-2)
Piano e Pimentel (2006) 200 8H 0,6 6,22 39,31
Iwasaki e Camarini (2011) NI NI 0,6 12,88 85,3
Ribeiro (2006) 140 0,5 0,9 11,6 68,9
Lima e Camarini (2011) 150 1 0,7 10 26,79
0,8 7,5 15,1
200 0,7 8,2 17,81
0,8 7,7 13,3
Nascimento e Pimentel (2010) 160 24 0,48 2,33 57,05
180 0,46 2,51 39,94
200 0,47 2,43 27,27
Harada e Pimentel (2009) 160 24 0,6 6,41 38,8
200 0,6 4,96 41,77
180 0,6 6,22 39,91
Pinheiro (2011) 120 1 0,7 NI
2 0,7 NI
5 0,7 4,14 NI
8 0,7 4,93 NI
16 0,7 NI
24 0,7 4,69 NI
150 1 0,7 4,05 NI
Pinheiro (2011) 150 2 0,7 3,32 NI
5 0,7 4,03 NI
8 0,7 3,89 NI
16 0,7 3,98 NI
24 0,7 4,6 NI
 

200

1 0,7 4,47 NI
2 0,7 5,35 NI
5 0,7 5,09 NI
8 0,7 5,38 NI
16 0,7 3,64 NI
24 0,7 3,58 NI
Savi (2012) 170 2 0,7 10,9 31,2
0,8 9,2 NI
0,9 7,8 NI
1 6 11,08

Fonte: (SAVI, 2012)

Com base no levantamento de resultados feito por Savi (2012), observa-se que as amostras calcinadas por 30 minutos, a uma temperatura de 140 ºC obtiveram maior resistência à compressão e maior dureza. Amostras que foram submetidas à calcinação por mais de 8 horas, tiveram sua resistência à compressão diminuída. Analisando os resultados, nota-se que aumentando o fator água/gesso, diminuindo o tempo de calcinação para menos de 8 horas, aquecendo as amostras a uma temperatura moderada, entre 140 ºC a 170 ºC obtém-se um material com mais resistência e mais dureza.

Trovão (2012) indica que a adição de 5% de resíduo, não calcinado, na pasta de revestimento de gesso é a melhor composição para a reutilização do resíduo no revestimento.

Ao examinar os dados na tabela acima entende-se que a qualidade da criação de uma área de reciclagem de gesso, sua temperatura, o tempo de calcinação e o fator água/gesso apresentam valores importantes que proporcionam a resistência e a dureza exigidos na norma ABNT NBR 13207/2009 (SAVI, 2012).

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em virtude dos fatos mencionados, consideramos a grande importância do armazenamento, encaminhamento e uso dos resíduos de gesso na construção civil. Há muitas possíveis destinações para estes resíduos, portanto, sugerir a reciclagem seria uma atividade bastante imprescindível quando se trata da conservação e sustentabilidade do meio ambiente.

Verifica-se que o emprego de resíduos reciclados por meio das etapas de moagem e calcinação do resíduo de gesso coletado vem sendo uma das alternativas mais viáveis de acordo com os resultados apresentados pelos autores selecionados Além disso, através do seu manuseio correto, este produto mantém a sua qualidade, portanto pode ser empregado em diversas áreas, respondendo assim a questão central na pesquisa, isto é, o processo de reciclagem do gesso advindo da construção civil não o torna menos qualificado, portanto, pode ser adotado sem receios pelo profissional.

Para que se faça a reciclagem do gesso, é necessária a calcinação, pois sem ela não será possível à obtenção de um material com a resistência necessária. E, por meio dos trabalhos analisados, foi possível verificar que esta metodologia não pode ser perpetrada a uma temperatura muito elevada, e nem por muito tempo; assim aumenta-se a possibilidade de haver a adoção deste processo, principalmente porque não é imprescindível a aquisição de materiais sofisticados para tal.

Por fim, verifica-se que o gesso é uma alternativa para vários problemas e a opção para diversos campos, principalmente por propiciar a redução de perdas e custos nas obras civis e industriais. Além disso, é primordial informar que é necessário haver ainda o aprimoramento quanto o seu gerenciamento e a separação correta dos resíduos. E, como sugestão, acredita-se que a realização de estudos de viabilidade econômica ainda é primordial, pois ainda existe a necessidade de investimento em equipamentos, como o separador, moinho e forno, além dos custos com a logística.

REFERÊNCIAS

AGOPYAN, V et al. Alternativas para redução de desperdício de materiais nos canteiros de obras. Relatório Final. São Paulo: FINEP, ITQC, PCC, 2005. Disponível em: http://perdas.pcc.usp.br/. Acesso em: 01/11/2021.

ÂNGULO, Sérgio Cirelli. Variabilidade de agregados graúdos de resíduos de construção e demolição reciclados. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Construção Civil e Urbana) – Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/3/3146/tde-05102005-112833/pt-br.php. Acesso em: 01/11/2021.

ARAGÃO, Maj Moniz. Materiais de construção II – Aglomerantes – Gesso: especificações e propriedades, 2021. Disponível em: http://aquarius.ime.eb.br/~moniz/matconst2/gesso.pdf. Acesso em: 01/11/2021.

BERNHOEFT, Luís Fernando. Influência da adição de resíduo de gesso no calor de hidratação da argamassa de revestimento interno. Ambiente Construído, Porto Alegre, v. 11, n°. 2, p.189-199, 2010. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ac/a/z5MsPckpcZgQMzTQsKnTzNg/abstract/?lang=pt. Acesso em: 01/11/2021.

BEZERRA, Marcelo Soares. Relatório Técnico 34 Perfil da Gipsita. Ministério de Minas e Energia – MME.  Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral – SGM. 2009. Disponível em: http://www.mme.gov.br/sgm/galerias/arquivos/plano_duo_decenal/a_mineracao_brasileir a/P24_RT34_Perfil_da_Gipsita.pdf.  Acesso em: 02/11/2021.

CANEPA, Carla. Cidades Sustentáveis: o município como lócus da sustentabilidade. São Paulo: Editora RCS, 2007.

CAVALCANTE, Claudio Felipe Boer; MIRANDA, Antônio Claret Pereira de. Estudo sobre alternativas para gestão dos resíduos de gesso oriundos da construção civil, Maringá – Paraná, 2011. Disponível em: http://www.cesumar.br/prppge/pesquisa/epcc2011/anais/claudio_felipe_boer_cavalcante.pdf. Acesso em: 04/11/2021.

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[1] Acadêmica do curso de Engenharia Civil da Faculdade Independente do Nordeste – FAINOR.

[2] Orientadora.

Enviado: Novembro, 2021.

Aprovado: Dezembro, 2021.

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