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Edificações com sistema de águas pluviais: Um estudo de caso

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CONTEÚDO

ESTUDO DE CASO

LIMA, Ana Cássia Oliveira [1], RESSUREIÇÃO, Kássia Regina Franco [2]

LIMA, Ana Cássia Oliveira. RESSUREIÇÃO, Kássia Regina Franco. Edificações com sistema de águas pluviais: Um estudo de caso. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 11, Vol. 06, pp. 134 -153 Novembro de 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

É crescente a preocupação ambiental na construção civil, em nível nacional e internacional, na conservação dos recursos naturais, motivada pela expansão demográfica e pelo desenvolvimento sustentável. Tem-se dado particular relevo às implementações de habitações com edificações de sistemas pluviais, isto é, capazes de autonomia energética e de recursos. Visto que a água é um recurso natural limitado e imprescindível à vida, questões sobre a conservação e preservação dos recursos hídricos vêm sendo cada vez mais destacadas na atualidade. De entre as diferentes soluções, naturalmente pluridisciplinares para a sustentabilidade, assume destaque o aproveitamento de água da chuva pelas vantagens econômicas e ambientais que apresenta, e também pela simplicidade da sua implementação. Este tipo de aproveitamento tem já alguma implantação a nível mundial, embora no panorama nacional seja ainda bastante embrionário. Este artigo tem por finalidade mostrar que é possível tratar a água da chuva, que em nossa região é constante para ser usada para quaisquer fins, mediante um tratamento mais profundo, e pode até ser consumida. Assim, o presente trabalho mostra que a implantação de um sistema de aproveitamento de água pluvial economicamente e sustentavelmente é mais viável, pois além de apresentar um período de retorno do investimento relativamente curto, proporcionaria grande potencial de economia de água potável, formando a edificação ambiental sustentável.

Palavras – Chaves: Água pluvial, não potável e Sustentabilidade.

INTRODUÇÃO

A água é um dos recursos mais vitais e mais amplamente partilhados do planeta. Embora cerca de ¾ da superfície da Terra esteja ocupada por água, deste total apenas 3% são de água doce. Porém, a maior parte da água doce está congelada nas calotas polares do Oceano Ártico, na Antártida e nas regiões montanhosas ou em lençóis subterrâneos muito profundos, ou seja, somente 20% do volume total de água doce do planeta se encontra imediatamente disponível para o Homem.

Segundo Tomaz (2001), cerca de 68,9% da água doce se encontra nas calotas polares do Ártico, Antártida e principalmente em lugares montanhosos, enquanto que 29,9% dessa água se encontra na forma subterrânea no nosso planeta.

A existência da construção civil é para atender as necessidades básicas e imediatas do homem com a preocupação de técnicas aprimoradas. O homem pode ser qualificado diferencialmente dos demais seres vivos por inúmeras características, entre elas se inclui o dinamismo de produzir e transformar continuamente suas técnicas através de aperfeiçoamento e estudo contínuo dos resultados. A constituição das cidades exigiu qualificação e técnicas mais apropriadas e vantajosas para se construir edifícios cada vez mais sustentáveis. Surgem as edificações concebidas com responsabilidade social.

Cada vez mais a água doce se tem tornado um recurso escasso e mais degradado do ponto de vista ambiental, com uma relevância política crescente, e cada vez mais valiosa do ponto de vista econômica e estratégica. A escassez de água sentida em múltiplas necessidades econômicas está a aumentar rapidamente em várias partes do mundo.

Da grande quantidade de água disponibilizada no planeta, 2,5% corresponde à agua para consumo, a potável, considerada água doce, sendo de pouco acesso às populações. Nos lagos, rios e reservatórios esse valor é de 0,266%, e outra parte se encontra distribuída na atmosfera correspondendo o estado de vapor (UNIÁGUA, 2006).

A escassez e a má utilização dos recursos hídricos conduziram a que a ONU considerasse a água o principal tema do Século XXI, e declarasse o ano de 2003 o Ano Internacional da Água Doce.

A viabilidade da implantação de sistema de aproveitamento de água pluvial depende essencialmente dos seguintes fatores: precipitação, área de captação e demanda de água. Além disso, para projetar tal sistema devem-se levar em conta as condições ambientais locais, clima, fatores econômicos, finalidade e usos da água, buscando não uniformizar as soluções técnicas.

As indústrias, residências e setores agrícolas têm utilizado a água da chuva, sendo esta considerada não própria para consumo. As pessoas usam a água não potável para muitas atividades diárias: lavar seus carros, fazeres domésticos (lavar calçada, roupas, etc), entre outras, e isso tem feito a população a economizarem esse recurso. Já na indústria, a realidade é outra. Utiliza-se tal recurso para alimentar caldeiras, lavar máquinas, etc. Enquanto que na agricultura é muito utilizado em lugares onde quase não há chuvas periódicas e acaba sendo empregada para irrigar a plantação (MAY e PRADO, 2004).

Segundo Oliveira (2007), os sistemas de coleta e aproveitamento de água de chuva em edificações são formados por quatro componentes básicos: áreas de coleta; condutores; armazenamento e tratamento. O funcionamento de um sistema de coleta e aproveitamento de água de pluvial consiste de maneira geral, na captação da água da chuva que cai sobre os telhados ou lajes da edificação. A água é conduzida até o local de armazenamento através de calhas, condutores horizontais e verticais, passando por equipamentos de filtragem e descarte de impurezas.

1. SUSTENTABILIDADE

A conceituação de sustentabilidade na construção civil varia de acordo com posição em que se encontra o etimologista. Vários “autores” a conceituam emprestando-lhe um enfoque pessoal concomitante a área que lhe é familiar: o ecologista, o biólogo, o engenheiro e até o leigo, porém este, consciente de sua responsabilidade e inserção no meio em que vive.

A dificuldade de acesso à moradia de amplos setores populacionais é a principal ameaça a sustentabilidade das cidades brasileiras, já que, em razão da exclusão de grande parte da população do mercado imobiliário formal cresce o déficit habitacional e as normas de ocupação irregulares em áreas de risco, de proteção ambiental e de mananciais (FÉLIX, 2004,p.61).

No entanto, este tema não é novo, as discussões sobre sua aplicabilidade ocorrem já há algum tempo. Serão apresentados, neste tópico, os conceitos gerais de sustentabilidade e seu enfoque na Construção Civil.

A Convenção da Biodiversidade, acordo aprovado durante a ECO-92 por 156 Estados e uma organização de integração econômica regional, e que foi ratificada pelo Congresso Nacional, entrou em vigor no final de dezembro de 1993. Os objetivos da convenção são: a conservação da biodiversidade, o uso sustentável de seus componentes e a divisão equitativa e justa dos benefícios gerados com a utilização de recursos genéticos.

A incorporação de práticas de sustentabilidade na construção é uma tendência crescente no mercado. Sua adoção é “um caminho sem volta”, pois diferentes agentes – tais como governos, consumidores, investidores e associações – alertam, estimulam e pressionam o setor da construção a incorporar essas práticas em suas atividades.

2. ÁGUA PLUVIAL

Atualmente, na maioria das edificações a água potável é utilizada para a realização de quase todas as atividades sem uma análise prévia da qualidade da água necessária. O conceito do uso racional para a conservação da água consiste na associação da gestão, não somente da demanda, mas também da oferta de água, de forma que usos menos nobres possam ser supridos, sempre que possível, por água de qualidade inferior (OLIVEIRA, 2007).

Existem vários aspectos positivos no uso de sistemas de aproveitamento de água pluvial, pois estes possibilitam reduzir o consumo de água potável diminuindo os custos de água fornecida pelas companhias de abastecimento; minimizar riscos de enchentes e preservar o meio ambiente reduzindo a escassez de recursos hídricos (MAY e PRADO, 2004).

A viabilidade da implantação de sistema de aproveitamento de água pluvial depende essencialmente dos seguintes fatores: precipitação, área de captação e demanda de água. Além disso, para projetar tal sistema devem-se levar em conta as condições ambientais locais, clima, fatores econômicos, finalidade e usos da água, buscando não uniformizar as soluções técnicas.

De acordo com Oliveira (2007) os sistemas de aproveitamento de água de chuva em edificações consistem na captação, armazenamento e posterior utilização da água precipitada sobre superfícies impermeáveis de uma edificação, tais como: telhados, lajes e pisos.

Assim, como os sistemas prediais de reuso de água, a sua aplicação é restrita a atividades que não necessitem da utilização de água potável. Um sistema de aproveitamento da água da chuva tecnicamente simples, viável para ser aplicado em habitações de interesse social, consiste em conduzir o volume captado pela cobertura até um reservatório superior por meio de calhas dotadas de “filtro” (tela metálica) para reter partículas sólidas. É necessária a presença de um sistema para descartar automaticamente o volume de água coletado nos primeiros minutos de chuva, que geralmente possui grande concentração de carga poluidora.

A partir do reservatório, a água é diretamente distribuída para o uso na descarga do banheiro e na rega do jardim, lavagem de pisos e veículos, num ponto externo da edificação. Pela combinação da posição estratégica da cobertura, calha coletora, reservatório e pontos de uso, não há a necessidade de bombeamento da água, o que tornaria o sistema dispendioso na implantação e no consumo de energia elétrica. Vale ressaltar a importância de sinalizar adequadamente os pontos de distribuição da água coletada para evitar a utilização inadequada do sistema e a contaminação do sistema público de distribuição de água. Para viabilizar o reaproveitamento das águas residuárias para fins não potáveis é necessário que haja um tratamento prévio, que possibilite ainda a utilização do material sólido como adubo.

A água de chuva pode ser utilizada em várias atividades com fins não potáveis no setor residencial, industrial e agrícola. No setor residencial, pode-se utilizar água de chuva em descargas de vasos sanitários, lavação de roupas, sistemas de controle de incêndio, lavagem de automóveis, lavagem de pisos e irrigação de jardins. Já no setor industrial, pode ser utilizada para resfriamento evaporativo, climatização interna, lavanderia industrial, lavagem de maquinários, abastecimento de caldeiras, lava jatos de veículos e limpeza industrial, entre outros. Na agricultura, vem sendo empregada principalmente na irrigação de plantações (MAY e PRADO, 2004).

Segundo Oliveira, (2007) os sistemas de coleta e aproveitamento de água de chuva em edificações são formados por quatro componentes básicos: áreas de coleta; condutores; armazenamento e tratamento. O funcionamento de um sistema de coleta e aproveitamento de água de pluvial consiste de maneira geral, na captação da água da chuva que cai sobre os telhados ou lajes da edificação. A água é conduzida até o local de armazenamento através de calhas, condutores horizontais e verticais, passando por equipamentos de filtragem e descarte de impurezas.

Em alguns sistemas é utilizado dispositivo desviador das primeiras águas de chuva. Após passar pelo filtro, a água é armazenada geralmente em reservatório enterrado (cisterna), e bombeada a um segundo reservatório (elevado), do qual as tubulações específicas de água pluvial irão distribuí-la para o consumo não potável.

As águas residuárias residenciais podem ser classificadas como águas claras, cinzas e negras. As águas claras são aquelas de origem pluvial. . Já as águas cinzas são as provenientes de tanques, pias, lavatórios e chuveiros, contendo contaminantes químicos, sólidos em suspensão, óleos e graxas. Por último, as águas negras são aquelas que apresentam elevada contaminação de origem orgânica, fezes e urina (ERCOLE, 2003).

3.1 RESERVATÓRIOS DE ÁGUA PLUVIAL

Um dos componentes mais importantes de um sistema de aproveitamento de água pluvial é o reservatório, o qual deve ser dimensionado, tendo principalmente como base, os seguintes critérios: custos totais de implantação, demanda de água, áreas de captação, regime pluviométrico e confiabilidade requerida para o sistema. Ressalta-se que, a distribuição temporal anual das chuvas é um importante variável a ser considerada no dimensionamento do reservatório (CASA EFICIENTE, 2008).

Esses critérios são importantes, porque em geral o reservatório de armazenamento é o componente mais dispendioso do sistema de aproveitamento de água pluvial. Desta forma, para não tornar a implantação do sistema inviável, deve-se ter cuidado para um correto dimensionamento do reservatório.

Dependendo do volume obtido no cálculo e das condições do local, o armazenamento da água de chuva poderá ser realizado para atender a demanda em períodos curtos, médios ou longos de estiagem (MAY e PRADO, 2004).

A quantidade de água pluvial que pode ser armazenada depende do tamanho da área de captação, da precipitação pluviométrica do local e do coeficiente de escoamento superficial, também chamado de coeficiente de runoff. Como o volume de água de chuva que pode ser aproveitado não é o mesmo que precipitado, o coeficiente de escoamento superficial indica o percentual de água de chuva que será armazenada, considerando a água que será perdida devido à limpeza do telhado, evaporação e outros (TOMAZ, 2003).

O reservatório de água pluvial, dependendo das características locais e especificidades de uso, pode estar localizado elevado ou enterrado no solo, ou ainda sobre o solo. O reservatório elevado não necessita de bombeamento da água para o abastecimento da edificação, porém exige uma estrutura para sustentação. Nos reservatórios sobre ou sob o solo não é necessária estrutura de sustentação, porém o abastecimento exige bombeamento ou acesso facilitado à água (MANO, 2004).

Os materiais geralmente utilizados para construção de reservatório são concreto, madeira, fibra de vidro, aço inoxidável e polietileno. Previamentente à escolha do material adequado deve-se verificar a finalidade do uso da água. A durabilidade, a segurança e o baixo custo também são critérios que devem ser analisados para a escolha do tipo de reservatório a ser implantado no sistema de aproveitamento de água pluvial.

Frequentemente, são usadas cisternas para a armazenagem de água pluvial. A cisterna precisa ter um poço de inspeção, um tubo de ventilação, dispositivo para limpeza e um tubo de descarga. O uso de bóias eletrônicas permite que o sistema seja automatizado e dependa o mínimo possível de operador. Uma bomba de pressurização dimensionada conforme a edificação é necessária para a alimentação do reservatório superior de água pluvial, que deve ser separado do armazenamento da água potável, a fim de evitar contaminação.

Simioni et al. (2004) salientam que o reservatório superior de água pluvial deve ser mantido fechado, evitando-se a contaminação da água por pássaros, insetos e outros animais, e, além disso, devem receber limpeza periódica. A tubulação de saída para consumo deve estar aproximadamente 10 cm acima da base do reservatório. Recomenda-se também utilizar na edificação uma tubulação com cor diferente para consumo de água pluvial, separando-a da tubulação de água potável.

Registros históricos indicam que a água da chuva já é utilizada pela humanidade há milhares de anos. Existem inúmeras cisternas escavadas em rochas, utilizadas para aproveitamento de água pluvial, que são anteriores a 3.000 a.C. Em Israel, encontra-se um dos exemplos mais conhecidos, a famosa fortaleza de Masada, com dez reservatórios escavados na rocha, tendo como capacidade total 40 milhões de litros. No México, existem cisternas ainda em uso, que datam antes da chegada de Cristóvão Colombo à América (TOMAZ, 2003).

Em países industrializados, como a Alemanha, a população e as autoridades públicas estão apoiando ativamente o aproveitamento de água de chuva. Além disso, o governo alemão está participando com apoio financeiro, oferecendo financiamentos para a construção de sistemas de captação de água pluvial, incentivando assim a economia de água potável para suprir as futuras populações e novas indústrias, conservando as águas subterrâneas que são utilizadas como fontes de recurso hídrico em muitas cidades do país (GROUP RAINDROPS, 2002).

Segundo Tomaz (2001), especialistas acreditam que até o ano de 2010, um percentual de 15% de toda água utilizada na Europa seja proveniente de aproveitamento de água de chuva. Um dos países que mais utiliza sistemas de aproveitamento de água pluvial e promove estudos e pesquisas nessa área, é o Japão.

Como exemplo, tem-se o caso de Tóquio, onde regulamentos do governo metropolitano obrigam que todos os prédios com área construída maior que 30.000 m² ou que utilize mais de 100 m³ por dia de água para fins não potáveis, façam reciclagem da água de chuva e de água servida (água de lavatórios, chuveiros e máquinas de lavar roupas). Além disso, a fim de evitar enchentes, devem ser construídos reservatórios de detenção de água de chuva em áreas de terrenos maiores de 10.000 m² ou em edifícios que tenham mais que 3.000 m² de área construída (TOMAZ, 2003).

Países como Estados Unidos, Austrália e Cingapura também estão desenvolvendo pesquisas referentes ao aproveitamento de água pluvial. Em 1992, iniciou-se sistema de uso de água de chuva no Aeroporto de Chagi, em Cingapura. A chuva captada nas pistas de decolagem e aterrissagem é coletada e utilizada para descarga dos banheiros (GROUP RAINDROPS, 2002).

4. METODOLOGIA

O reaproveitamento eficiente da água da chuva não tem mistérios, mas são necessários alguns pequenos cuidados que tornam os sistemas mais seguros e de fácil manutenção. Abaixo se encontram as etapas a serem seguidos na montagem do sistema de reaproveitamento da água (AQUASTOCK, 2008).

1ª Etapa – Dimensionamento do Sistema: O primeiro passa para o reaproveitamento eficiente da água da chuva é o dimensionamento do sistema ideal para cada caso, a partir das necessidades e objetivos do usuário, da área de captação e das características da construção. A definição do tamanho e localização do reservatório é particularmente importante, pois este é o item mais oneroso do projeto e sua especificação correta pode representar uma importante economia. É necessária a coleta de informações por meio de entrevista com o cliente e levantamentos no local;

2ª Etapa – Modelo do Sistema: O segundo passo é definir o modelo do sistema de reciclagem, que pode ser feito de várias formas diferentes, dependendo da empresa contratada. Eles podem variar desde linhas que utilizam cisternas e filtros subterrâneos e apresentam soluções mais completas de reciclagem de água de chuva, às linhas mais simples, que utilizam filtros de descida e caixas d’água acima do nível do solo;

3ª Etapa – Fornecimento de Componentes: Com base no dimensionamento e na definição dos objetivos e características do sistema a ser implantado, o fornecedor especifica, integra e fornece os diversos componentes necessários. O principal componente a ser especificado nesta etapa será o filtro por onde a água passará antes de ir para o reservatório;

4ª Etapa – Instalação do Sistema: A instalação fica por conta do fornecedor, que deve dispor de pessoal especializado para realizar a instalação de todos os componentes hidráulicos e também elétricos (no caso de utilização de bombas) dos sistemas.

5. ESTUDO DE CASO

Para exemplificar os princípios apresentados nesta pesquisa foi realizado um estudo de caso de uma residência construída no ano de 2012, localizada no Condomínio Vila Verde, Manaus-AM, com 600m² e capacidade para seis habitantes.

A coleta da água da chuva foi um dos requisitos impostos pelos proprietários durante a concepção do projeto, o que permitiu que o sistema fosse integrado à edificação e calculado de acordo com as suas necessidades reais, as quais abrangem o jardim de aproximadamente 1.000m² e seis instalações sanitárias.

Para tanto, foi construído um reservatório inferior com capacidade para 50.000 litros, que aproveitou parte da estrutura inferior da casa permitindo grande economia na estruturação do sistema. Além deste, também foi instalado um reservatório superior com capacidade para 2.000 litros, para atendimento exclusivo dos vasos sanitários.

A Figura 1 apresenta esquema típico de funcionamento do sistema de aproveitamento de água de chuva em residências.

Fonte:BELLA CALHA, (2008).

 

Figura 1 – Esquema de funcionamento de sistema aproveitamento de água de chuva.

Existem ainda os ralos instalados nas lajes impermeabilizadas que, ao coletarem a água, já servem como filtro para as impurezas maiores como as folhas. Conforme as figuras 1 a e 1 b.

Fonte: autor

O sistema é muito simples e se resume à coleta da água da chuva através das calhas e rufos do telhado, que se encaminham diretamente para o reservatório superior, de onde segue para os vasos sanitários. Conforme as figuras 2 a e 2b.

Fonte: autor

Esta água fica armazenada no reservatório inferior, podendo atender tanto o sistema de irrigação quanto reabastecendo o reservatório superior através de uma bomba de recalque. Assim as figuras 3 a e 3 b.

Fonte: autor

Convém lembrar ainda, que ambos os reservatórios possuam alimentação da rede pública para complementar o abastecimento da água da chuva em épocas de baixa pluviosidade. Conforme as figuras 4 a e 4 b.

Fonte: autor

A tubulação utilizada foi a mesma que se utiliza normalmente para a coleta pluvial e o abastecimento de água, variando de 75 a 100 mm na captação de 50 a 40 mm na distribuição. Mostrados nas figuras 5 a e 5 b.

Fonte: autor

Foi implantado ainda um sistema de irrigação inteligente, dotado de sensores externos que detectam o percentual de água no ar, evitando assim que a rega do jardim ocorra durante os dias chuvosos. Conforme as figuras 6 a e 6 b.

Fonte: autor

O sistema de irrigação encontra-se programado para realizar duas regas ao dia, abrangendo os 04 setores do jardim e consumindo cerca de 2.400 litros de água por ciclo, como mostra a figura 7.

 

Foto 07: Irrigação do jardim, uma das destinações finais da água da chuva.

Fonte: autor

6. RESULTADOS E DISCUSSÃO

O reaproveitamento da água da chuva em residências, além de ser ecologicamente correto, pode ainda ser muito interessante economicamente. Em casos como o apresentado, onde há uma área significativa de irrigação, o investimento se torna financeiramente viável em um menor tempo, uma vez que este uso não demanda nenhum tipo de tratamento à água coletada, evitando maiores despesas.

Os investimentos feitos no âmbito estrutural foram irrisórios, visto que o sistema aproveitou a própria estrutura da residência para ser implantado. Quanto à esfera hidráulica, os custos também não foram significativos já que independentemente da instalação de um sistema deste tipo, a residência deve encaminhar a água pluvial à rede pública coletora, demandando a utilização de grande quantidade de tubulações. O custo adicional veio da instalação do reservatório superior, e a bomba de recalque, que envia a água do reservatório inferior para o superior em caso de necessidade.

Para se avaliar, então, o custo benefício do sistema, é necessário considerar a pluviometria anual, a área de captação e a demanda do recurso. Estima-se que a economia gerada ao final um ano de funcionamento do sistema o usuário venha economizar uns 70%, que ocorrerá em aproximadamente três anos.

O sistema é eficiente, despertando a busca de alternativas para potencializá-lo. A partir do momento em que ele se torna eficiente somente com a incidência de chuvas alternadas, quando a água captada em um período é utilizada no outro, conclui-se que ele não será útil em áreas de baixa pluviosidade ou regiões com períodos de chuvas curtos. Além disto, deve-se considerar que mesmo em períodos de chuvas prolongadas, uma vez cheio o reservatório, todo o restante da chuva não será coletado, restringindo a capacidade de coleta ao tamanho do reservatório.

Uma sugestão para áreas de poucas chuvas é conjugação com o sistema de poço artesiano que apesar de apresentar alto custo inicial, mas com o tempo vai garantir o fornecimento de água durante todo o ano.

Recomenda-se ainda a manutenção frequente de todos os componentes do sistema, para evitar que este gere custos extras ou esperdícios. Um defeito na bóia, por exemplo, pode levar ao acionamento da alimentação da rede pública e o aumento significativo na conta de água.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em nossa região aonde temos chuvas frequentes, dos problemas ambientais de degradação e consumo dos bens naturais, onde a contribuição do setor da construção civil é significativa, a preservação dos recursos hídricos demanda realmente conscientização e mobilização, já que existem sistemas alternativos e recursos tecnológicos de fácil execução e baixo custo que possibilitam o reaproveitamento das águas pluviais e dos efluentes. Portanto, pesquisas e experimentos que contemplem esta temática devem ser explorados a fim de subsidiar a adequada aplicação em situações reais de projeto.

Ao chegarmos ao final desta pesquisa e avaliarmos tudo o que foi dito a respeito da necessidade de se preservar a água, podemos concluir que o reaproveitamento da água, não somente a pluvial, mas também das ‘águas servidas’, representa uma alternativa eficiente e econômica no combate ao desperdício.

Os benefícios do reuso devem ser informados à população para que ela reflita sobre os desdobramentos na economia tanto da matéria-prima quanto dos recursos financeiros, uma vez que a água reciclada costuma apresentar alguma turbidez – o que não chega a comprometer o seu uso – mas sempre causa estranheza ao usuário que não está acostumado a ela.

Como o aumento da demanda pela água segue seu curso, é natural que alternativas para seu uso sejam previstas. Nossa contribuição, no âmbito da presente proposta, foi projetar a ampliação do uso da água reciclada, expectativa de que, com a comprovação das vantagens de seu aproveitamento, tal recurso torne-se uma prática mais comum, a ponto de as novas construções já serem projetadas com a previsão do mesmo. Vale ressaltar que é economicamente é significativo em termos financeiros, ainda mais com a escassez cada vez maior da água, o percentual encontrado é bem expressivo.

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[1] Graduando em Engenharia Civil – Centro Universitário do Norte – UNINORTE

[2] MSc(a) em Geologia Regional e docente no Centro Universitário do Norte-UNINORTE

Enviado: Outubro, 2018

Aprovado: Novembro, 2018

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Ana Cássia Oliveira de Lima

Uma resposta

  1. Parabéns um pelo trabalho de pesquisas que serve de biblioteca para vários engenheiros e eu me enquadro neste circulo.

    Eng. Walterwilson Leite

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