Segurança do trabalho nos canteiros de obras: percepção dos trabalhadores quanto aos riscos no ambiente laboral

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DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-ambiental/trabalho-nos-canteiros
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ARTIGO ORIGINAL

MARQUES, Aline Míriam [1], PINTO, Augusto Eduardo Miranda [2], MOREIRA, Marcos Antônio Cruz [3]

MARQUES, Aline Míriam. PINTO, Augusto Eduardo Miranda. MOREIRA, Marcos Antônio Cruz. Segurança do trabalho nos canteiros de obras: percepção dos trabalhadores quanto aos riscos no ambiente laboral. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 06, Vol. 07, pp. 05-29. Junho de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-ambiental/trabalho-nos-canteiros, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-ambiental/trabalho-nos-canteiros

RESUMO

O ambiente laboral da construção civil é perigoso, insalubre e oferece um grave quadro quanto as condições de segurança e saúde dos trabalhadores. Nesse contexto, este artigo tem como objetivo avaliar a percepção dos trabalhadores da construção civil com relação à segurança do trabalho e aos riscos no ambiente laboral. Utilizou-se como método de coleta e tratamento dos dados, técnicas qualitativas aplicadas através de um questionário estruturado, construído com base na literatura e nas normas pertinentes à segurança e saúde do trabalho. Os cinquenta e dois participantes voluntários, responderam questões objetivas e descritivas relacionadas ao perfil do trabalhador, aos riscos nos canteiros de obras, sobre acidentes de trabalho, normas de segurança e estratégias prevencionistas. De acordo com os resultados obtidos através da descrição e análise dos relatos dos entrevistados, as percepções indicaram necessidade de melhorias gerenciais e pontuais que podem influenciar diretamente para um ambiente laboral salubre, principalmente com relação a percepção dos trabalhadores com um menor grau de instrução. Conclui-se que os riscos que os trabalhadores são expostos constantemente nos canteiros de obras, podem ser minimizados através de políticas públicas e ações preventivas e educativas.

Palavras-chave: Ambiente laboral, Segurança no trabalho, Construção civil, Percepção de risco.

1. INTRODUÇÃO

A indústria da construção civil é uma das mais importantes indústrias para a economia do Brasil. Estudos recentes comprovam sua importância e grande potencial para retomada do crescimento econômico do setor com grande capacidade para criar novos postos de trabalho, gerando empregos diretos e indiretos e grande impacto econômico e social (CBIC, 2020).

Os investimentos e incentivos no setor da construção visam a melhoria da produtividade, das estratégias de desenvolvimento e da tecnologia, sem a devida atenção para criação de políticas públicas eficientes visando à saúde e segurança do trabalhador e consequentemente sem as devidas melhorias das condições de trabalho nos canteiros de obras.

De acordo com a Associação Nacional de Medicina do Trabalho – ANAMT (2019), a construção civil está entre os setores com maior risco de acidentes de trabalho, sendo considerado um dos segmentos que mais registram acidentes no país, o primeiro no ranking em incapacidade permanente, o segundo em mortes, perdendo apenas para o transporte terrestre e o quinto em afastamentos previdenciários.

Os dados do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho – OSST (2018) mostram que a construção civil é o primeiro setor econômico com o maior número de afastamentos de trabalhadores por acidente de trabalho no Brasil, contabilizando somente no ano de 2018 um total de 154,8 mil concessões de benefícios previdenciários acidentários, sendo 9,5 mil registros somente no estado do Rio de Janeiro.

Sabendo que o meio ambiente equilibrado é um direito constitucional, assegurado pelo artigo 225 da Constituição Federal de 1988, torna-se essencial a análise da questão ambiental sob a ótica do meio ambiente laboral, para salvaguardar a dignidade das pessoas, conferindo ao trabalhador um ambiente seguro e essencial à sadia qualidade de vida (BRASIL, 1988).

É de fundamental importância o conhecimento e a percepção dos trabalhadores sobre os riscos do seu trabalho e das demais frentes de trabalho nos canteiros de obras, assim como possuir o entendimento sobre as ações preventivas utilizadas de forma coletiva e individual para adequar o ambiente buscando condições de trabalho seguro e salubre.

Desta forma, com embasamento nos conceitos de desenvolvimento sustentável, esta pesquisa tem como objetivo conhecer e descrever a percepção dos trabalhadores nos canteiros de obras sobre os riscos no ambiente laboral e à segurança do trabalho, de modo a contribuir na produção de subsídios para o desenvolvimento de ações que promovam à segurança e saúde dos trabalhadores.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

O meio ambiente do trabalho saudável e seguro é um direito fundamental do trabalhador, devendo receber o tratamento singular e abrangente igualmente ao que foi concedido ao meio ambiente através do artigo 225 da Constituição Federal de 1988, assegurando a dignidade da pessoa humana trabalhadora dessa e das futuras gerações. (BRASIL, 1988).

Os trabalhadores da construção estão expostos a diversos riscos que nem sempre são reconhecidos pela observação direta. Os riscos aumentam devido à falta de acesso às informações, falta de experiência, de percepção e de treinamento para execução do trabalho e reconhecimento dos riscos envolvidos (LOKHANDE, 2014).

Os acidentes de trabalho afetam direta e indiretamente todo meio ambiente, principalmente o ambiente laboral. Pode haver o aumento dos custos de produção devido a máquinas e equipamentos danificados, atrasos na conclusão das obras, custos com novas contratações, treinamentos dos funcionários substitutos e gastos não planejados fazendo com que caia a produtividade da empresa. É pertinente observar a importância de um ambiente laboral seguro para o trabalhador, pois os acidentes além de impactar negativamente na produtividade, podem provocar perda humana e também impactar na visibilidade da empresa (MIRANDA; BROGNOLI, 2015).

A Previdência Social registrou cerca de 549,45 mil acidentes de trabalho no Brasil de acordo com a última atualização do Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho – AEAT (2017). Na construção civil ocorreram um total de 37.469 acidentes, equivalente a 5,46% de todos os casos de acidentes registrados no país e 8,3% do total de 142.782 afastamentos de emprego (ANAMT, 2019).

Perceber e evitar as condições ambientais adversas é uma capacidade necessária para a sobrevivência de todos os organismos vivos. Deste modo, a percepção de risco é uma capacidade que tem poder de alterar o ambiente, criando ou reduzindo os riscos. Observando essa percepção em sua complexidade, compreende-se do mundo social, cultural e individual na qual foi construída (SLOVIC, 1987).

De acordo com Minayo (2006), a pesquisa quantitativa avalia a regularidade do fenômeno, enquanto a pesquisa qualitativa faz a análise das expressões humanas presentes nas relações, nos indivíduos e nas representações. Desta forma, a abordagem qualitativa é a mais indicada para que a percepção de riscos seja observada em sua totalidade, levando em consideração aspectos subjetivos de acordo com valores, atitudes, desejos, angústias e crenças, identificando presença ou ausência de algo, contribuindo para elaboração de teorias sobre o fenômeno pesquisado.

Nessa perspectiva, o Objetivo 8, Trabalho Decente e Crescimento Econômico da Agenda 2030, visa a promoção do crescimento econômico através do trabalho decente, por meio de políticas que incentivem a criação de empregos de forma sustentável e inclusiva, garante aos trabalhadores o alcance pleno e produtivo do seu trabalho, protege os direitos trabalhistas e promove ambientes de trabalho seguro (ONU, 2015).

3. MÉTODO

Para atingir o objetivo do estudo, realizou-se uma pesquisa descritiva de abordagem qualitativa sobre a percepção dos trabalhadores com relação aos riscos e à segurança do trabalho nos canteiros de obras. Desenvolveu-se uma pesquisa de campo, com um grupo de trabalhadores voluntários, sem definição prévia de número mínimo e máximo de integrantes, da gerência aos operários da construção civil de localidades diferentes.

Utilizou-se como método de coleta de dados um questionário estruturado construído em três partes, aplicado através de entrevistas, com intuito de identificar a percepção dos trabalhadores, com relação aos riscos no ambiente laboral e à segurança do trabalho. De acordo com Marconi e Lakatos (2008), esse método possibilita incluir pessoas com diferentes níveis de conhecimento, inclusive analfabetos.

O roteiro utilizado no questionário, estruturado com perguntas objetivas e descritivas, abordou questões sobre os riscos existentes nos canteiros de obras, acidentes de trabalho, conhecimento das normas regulamentadoras e dos equipamentos de segurança, além da percepção individual sobre os riscos e medidas preventivas.

Para medir a percepção dos trabalhadores da construção civil com relação aos riscos e à segurança do trabalho, o questionário foi elaborado de acordo com dados obtidos através de revisão bibliográfica, com base nas normas regulamentadoras de saúde e segurança do trabalho e na legislação vigente.

O questionário foi disponibilizado através da plataforma Google Forms, enviado através de link para acesso, apresentado em três partes: Parte I, intitulada como Perfil do Trabalhador, composta por questões de múltipla escolha, direcionada ao conhecimento das características pessoais do trabalhador, tais como idade, gênero e grau de instrução; A Parte II, contém informações profissionais sobre vínculo empregatício, local de trabalho, função e acidente de trabalho; a Parte III, foi composta por questões de múltipla escolha e dissertativa sobre segurança do trabalho e riscos do ambiente laboral.

A coleta de dados iniciou-se no dia 20 de janeiro de 2021 e findou-se no dia 15 de fevereiro de 2021. Realizou-se nesse período visitas em alguns canteiros de obras nos municípios de Macaé e Rio das Ostras – RJ para entrevistar os participantes e observar o ambiente laboral.

Para a realização das entrevistas foram seguidos os seguintes procedimentos:

a) Contato preliminar com gestores e trabalhadores da construção civil.

b) Apresentação da pesquisadora, elucidando a motivação e objetivo da pesquisa.

c) Envio de texto padrão com link para acesso através de e-mail e/ou

d) Entrevistas realizadas no ambiente laboral de forma individual para trabalhadores sem acesso à

Foram entrevistados trabalhadores efetivos e prestadores de serviço, de obras públicas e privadas, e trabalhadores sem vínculo empregatício em canteiros de obras de pequeno, médio e grande porte. Alguns trabalhadores de localidades diferentes do foco da pesquisa também responderam ao questionário, por meio virtual e de forma voluntária com intuito de colaborar com o estudo.

4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DE DADOS

Realizou-se a análise dos resultados coletados através do questionário respondido pelos trabalhadores da construção civil, por meio da plataforma Google Forms.

O Gráfico 1 apresenta os resultados obtidos na primeira questão do questionário, da Parte I, intitulada como Perfil do Trabalhador. Dentre os 52 participantes, 34,6% dos entrevistados estão entre a faixa etária de 45 a 59 anos, seguido por adultos de faixa etária entre 25 a 34 anos com 32,7% e de 35 a 44 anos com 19,2%. Em seguida, com porcentagem menos expressiva de 7,7%, estão as pessoas com mais de 60 anos, seguidos pelos jovens de 18 a 24 anos, com 5,8% do total de entrevistados.

Gráfico 1: Resposta à questão 1 sobre faixa etária

Fonte: dos próprios autores (2021).

Observa-se no Gráfico 2, os resultados referentes ao levantamento sobre o gênero. Do total dos entrevistados, 73,1% pertencem ao sexo masculino e, 26,9% são do sexo feminino.

Gráfico 2: Resposta à questão 2 sobre gênero

Fonte: dos próprios autores (2021).

Referente a terceira questão do questionário, foi perguntado aos entrevistados qual o nível de instrução de cada um. De acordo com o Gráfico 3, as respostas obtidas foram de que a maioria, ou seja, 51,9% dos entrevistados possuem ensino superior, logo atrás, em segundo lugar com 21,2% estão os entrevistados que possuem o ensino fundamental completo. Em terceiro lugar estão aqueles que responderam que possuem o ensino médio completo, com 15,4% e em último lugar, com 11,5% aqueles que possuem o ensino técnico.

Gráfico 3: Resposta à questão 3 sobre grau de instrução

Fonte: dos próprios autores (2021).

Os resultados da parte II do questionário, referem-se à informações profissionais sobre vínculo empregatício, local de trabalho, função e acidente de trabalho. No Gráfico 4, apresenta-se o resultado dos dados sobre o vínculo empregatício dos entrevistados, uma questão importante e que redireciona para as próximas perguntas. De acordo com os resultados obtidos, pode-se observar que a grande maioria, cerca de 40,4% trabalham como prestadores de serviços, enquanto 32,7% trabalham de forma registrada, os outros 26,9% trabalham sem nenhum vínculo empregatício.

Gráfico 4: Resposta à questão 4 sobre vínculo empregatício

Fonte: dos próprios autores (2021).

O Gráfico 5 é referente a quinta pergunta do questionário, que foi elaborada com o intuito de saber qual o local de trabalho dos entrevistados. Constatou- se que 48,9%,  quase metade dos entrevistados, trabalham no município de Macaé – RJ, seguido por Rio das Ostras – RJ, que é o local de trabalho de 19,1% dos entrevistados. Já com números menos expressivos vem Angra dos Reis – RJ com 4,3% e Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Maceió, Juiz de Fora, Posse, Goiás, Bahia, Campos Elíseos, Santa Catarina, Ceara e Goiânia, todos com 2,1%. Pode-se notar que os entrevistados trabalham em diferentes locais, estados e regiões.

Se faz importante salientar que, durante a pesquisa, observou-se uma grande resistência para conseguir autorização dos responsáveis das obras para entrar nos canteiros e entrevistar os funcionários, mesmo destacando o anonimato dos participantes. Observou-se também que alguns trabalhadores não participaram devido a impossibilidade de parar o trabalho para responderem ao questionário presencialmente e muitos não tinham acesso à internet para responderem de forma virtual. Destaca-se também que alguns trabalhadores da construção civil de outras localidades participaram voluntariamente, sendo sua grande maioria engenheiros e arquitetos.

Gráfico 5: Resposta à questão 5 sobre local de trabalho

Fonte: dos próprios autores (2021).

A função atual dos entrevistados da construção civil pode ser observada no Gráfico 6. A maioria dos participantes, com 36,7% são engenheiros, seguido por 18,4% que trabalham como pedreiro, em seguida 10,2% que trabalham como servente, mestre de obra com 8,2% e os outros 26,5% se dividem entre as profissões de arquiteto, marceneiro, azulejista e técnico de segurança do trabalho.

Gráfico 6: Resposta à questão 6 sobre a função dos trabalhadores

Fonte: dos próprios autores (2021).

O Gráfico 7 refere-se aos dados sobre acidentes no ambiente de trabalho. Constatou-se que 58,8% dos entrevistados nunca sofreram um acidente no trabalho, enquanto 41,2% já sofreram algum tipo de acidente laboral.

Gráfico 7: Resposta à questão 7 sobre acidente de trabalho

Fonte: dos próprios autores (2021).

O Gráfico 8 está relacionado com a resposta do Gráfico 7. Em caso afirmativo na questão anterior sobre acidentes no ambiente de trabalho, os entrevistados responderam qual o tipo de acidente que tiveram. Observa-se que 63,6% dos entrevistados, mais da metade dos participantes já sofreram um corte/ferida no ambiente de trabalho, seguido com 36,4% dos trabalhadores que já sofreram queda em altura, 18,2% atingidos por objeto, seguido por queda do mesmo nível com 13,6%, penetração por objeto com 9,1% e os demais como choque elétrico, exposição solar, percurso e acidente elétrico aparecem com 4,5%.

Gráfico 8: Resposta à questão 8 sobre o tipo de acidente sofrido

Fonte: dos próprios autores (2021).

Alguns trabalhadores relataram que não consideravam cortes, queimadura solar e queda do mesmo nível como acidentes de trabalho.

O Gráfico 9 ainda diz respeito aos acidentes no ambiente laboral. Os entrevistados foram questionados se, quando sofreram o acidente de trabalho, fizeram a Comunicação de Acidente de Trabalho – CAT, que é direito do trabalhador, determinado por lei. Foi possível observar que 90,2% dos trabalhadores não registraram ocorrência e inclusive a desconhecia, enquanto apenas 9,8% dos trabalhadores fizeram a comunicação.

Gráfico 9: Resposta à questão 9 sobre registro de CAT

Fonte: dos próprios autores (2021).

No Gráfico 10 é possível observar que 67,3% dos entrevistados já assistiram e/ou participaram de algum tipo de treinamento de segurança, enquanto 32,7% nunca participaram de nenhum tipo de treinamento. Os participantes que responderam não ter participado de nenhum treinamento, são prestadores de serviço e trabalhadores sem vínculo empregatício.

Gráfico 10: Resposta à questão 10 sobre treinamento de segurança

Fonte: dos próprios autores (2021).

A primeira pergunta, da Parte III do questionário que foi composto por questões de múltipla escolha e dissertativa sobre segurança do trabalho e riscos do ambiente laboral, tem o intuito de demonstrar o índice de conhecimento das pessoas com relação às Normas Regulamentadoras – NR, que são de extrema importância e visam diminuir os índices de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais. Pode-se notar no Gráfico 11 que 73,1% dos entrevistados conhecem as Normas Regulamentadoras, enquanto 26,9% nunca ouviram falar.

Gráfico 11: Resposta à questão 11 sobre Normas Regulamentadoras

Fonte: dos próprios autores (2021).

No Gráfico 12, ainda falando sobre as Normas Regulamentadoras, os entrevistados foram questionados sobre a NR 18, que é a norma responsável pela previsão de riscos, medidas protetivas e técnicas preventivas contra doenças e acidentes laborais. A maioria dos entrevistados, 69,2% responderam que já tinham conhecimento sobre a norma, enquanto 30,8% desconheciam essa NR tão importante para a segurança na construção civil.

Gráfico 12: Resposta à questão 12 sobre a NR 18

Fonte: dos próprios autores (2021).

No Gráfico 13 é possível observar que 42,3% dos entrevistados acreditam que o canteiro de obra está parcialmente sinalizado, enquanto 34,6% acreditam que não está devidamente sinalizado, e apenas 23,1% dos entrevistados apontam que o canteiro de obra não está devidamente sinalizado de acordo com as Normas Regulamentadoras.

Gráfico 13: Resposta à questão 13 sobre sinalização do canteiro de obra

Fonte: dos próprios autores (2021).

De acordo com o Gráfico 14, as respostas dos entrevistados foi unânime, onde 100% dos trabalhadores têm conhecimento sobre Equipamento de Proteção Individual – EPI.

Gráfico 14: Resposta à questão 14 sobre EPI

Fonte: dos próprios autores (2021).

O Gráfico 15 refere-se à questão sobre uso dos EPIs no ambiente de trabalho, como forma de proteção do trabalhador com objetivo de minimizar os acidentes e doenças ocupacionais. Observa-se que 59,6% dos entrevistados utilizam o equipamento, enquanto 40,4% utilizam apenas em alguns momentos quando é solicitado por algum superior, ou quando tem o EPI disponível no canteiro de obra.

Gráfico 15: Resposta à questão 15 sobre o uso de EPI

Fonte: dos próprios autores (2021).

Com relação à questão anterior sobre o uso do EPI, foi perguntado aos entrevistados a motivação para utilizarem os equipamentos. Observa-se no Gráfico 16, que a maioria dos trabalhadores, 82,7% entendem a importância dos equipamentos para sua própria proteção, enquanto 11,5% utilizam devido a obrigatoriedade.

Gráfico 16: Resposta à questão 16 sobre a motivação para uso do EPI

Fonte: dos próprios autores (2021).

De acordo com o Gráfico 17, a maioria dos entrevistados, 65,4%  já haviam sido treinados e/ou orientados sobre a utilização correta dos EPI’s, enquanto 34,6% deram uma resposta negativa sobre a questão.

Gráfico 17: Resposta à questão 17 sobre treinamento para uso do EPI

Fonte: dos próprios autores (2021).

O Gráfico 18, está relacionado aos gráficos das questões 15, 16 e 17, que apontam sobre a utilização do EPI. Pode-se observar que mais da metade, sendo 58,8% dos entrevistados, responderam que é obrigatório o uso do EPI no seu local de trabalho, entretanto, 41,2% dos participantes responderam que no seu local de trabalho não é obrigatório.

Gráfico 18: Resposta à questão 18 sobre obrigatoriedade de uso do EPI

Fonte: dos próprios autores (2021).

No Gráfico 19 questiona-se o conhecimento sobre Equipamento de Proteção Coletiva – EPC. Observa-se que apenas 84,6% dos entrevistados conhecem o EPC, enquanto 15,4% dos trabalhadores atuantes nos canteiros de obras nunca ouviram falar sobre esses equipamentos.

Gráfico 19: Resposta à questão 19 sobre conhecimento de EPC

Fonte: dos próprios autores (2021).

No Gráfico 20 observa-se as repostas dos entrevistados sobre a existência de EPC’s nos canteiro de obras. Do total de trabalhadores, 44,2% responderam que o canteiro em que trabalham possui os referidos equipamentos, enquanto 40,4% dos entrevistados responderam que na obra que atuam não possui os EPCs e, o restante 15,4%, responderam que o canteiro de obras possui os equipamentos parcialmente.

Gráfico 20: Resposta à questão 20 sobre existência de EPC no canteiro de obra

Fonte: dos próprios autores (2021).

O Gráfico 21 mostra a opinião dos entrevistados quanto a importância de trabalhar respeitando as normas de segurança. Sendo assim, observa-se que, de forma unânime, todos os entrevistados consideram importante trabalhar respeitando as normas de segurança.

Gráfico 21: Resposta à questão 21 sobre a importância de respeitar as normas

Fonte: dos próprios autores (2021).

Ainda analisando as respostas dessa questão dissertativa, onde os entrevistados descreveram o motivo dessa importância, foi constatado que 70% acreditam que é importante seguir as normas por questão de segurança própria e coletiva. Enquanto os outros 30%, acreditam que é necessário seguir as normas por questão de saúde e integridade física.

Já no Gráfico 22, a questão foi elaborada de forma a verificar se os entrevistados exerciam trabalho em altura. De acordo com os resultados obtidos, foi possível observar que 63,5% dos entrevistados exercem a função.

Gráfico 22: Resposta à questão 22 sobre trabalho em altura

Fonte: dos próprios autores (2021).

Com base na pergunta anterior, a questão 23 do questionário foi formulada com o intuito de verificar se os entrevistados, que trabalham em altura, possuem o Curso da NR 35, norma que estabelece os requisitos mínimos para execução, planejamento, organização e segurança para os profissionais que trabalham nessas condições. Os resultados obtidos de acordo com o Gráfico 23, mostram que, 57,7% dos entrevistados não participaram do referido curso, ou seja, 21,20% dos profissionais que exercem esse tipo de trabalho não possuem o curso obrigatório da NR 35.

Gráfico 23: Resposta à questão 23 sobre participação no curso da NR 35

Fonte: dos próprios autores (2021).

A pergunta referente ao Gráfico 24, foi elaborada para saber se os entrevistados já haviam tido algum treinamento  e/ou orientação sobre os riscos nos canteiros de obras. De acordo com os resultados, pode-se observar que apenas 65,4% dos participantes responderam que receberam treinamento ou orientação com relação aos riscos no ambiente em que trabalha.

Gráfico 24: Resposta à questão 24 sobre orientação dos riscos no ambiente

Fonte: dos próprios autores (2021).

O Gráfico 25 visa mostrar o nível de satisfação dos entrevistados quanto às instalações das áreas comuns nos canteiros de obras (vestiário, refeitório e banheiro). O resultado mostrou que apenas 55,8% dos entrevistados estão satisfeitos, enquanto 44,2% responderam estarem insatisfeitos com as instalações das áreas comuns.

Gráfico 25: Resposta à questão 25 sobre a satisfação com as áreas comuns

Fonte: dos próprios autores (2021).

De acordo com o Gráfico 26, os entrevistados foram questionados se a empresa em que trabalham disponibiliza EPI’s e treinamentos de segurança quando necessário. A maioria dos entrevistados, 62,7% responderam positivamente, enquanto 37,3% informaram que além das empresas não disponibilizarem EPI’s, também faltam treinamentos de segurança.

Gráfico 26: Resposta à questão 26 sobre EPI e treinamento disponibilizado

Fonte: dos próprios autores (2021).

O Gráfico 27 demonstra os resultados da classificação do ambiente de trabalho com relação à segurança pela percepção dos próprios trabalhadores. Os resultados demonstraram que 33,3% dos entrevistados classificam a segurança do ambiente como insuficiente, seguido de 25,5% que classificaram como muito bom, 23,5% classificaram como bom e, apenas 17,6% classificaram como suficiente.

Gráfico 27: Resposta à questão 27 sobre a classificação da segurança de acordo com a percepção do trabalhador

Fonte: dos próprios autores (2021).

A questão referente ao Gráfico 28, foi formulada com o intuito de demonstrar por meio dos resultados, se os entrevistados possuem conhecimento sobre os fatores fisiológicos e psicológicos que afetam o desempenho no ambiente de trabalho e os riscos que eles causam. Do total de participantes, 68% responderam que possuem conhecimento sobre os riscos, enquanto 32% responderam não possuir esse conhecimento.

Gráfico 28: Resposta à questão 28 sobre conhecimento dos riscos e dos impactos à saúde

Fonte: dos próprios autores (2021).

Para a pergunta dissertativa “Na sua opinião, quais ações poderiam minimizar os riscos no ambiente de trabalho da construção civil?”, cerca de 75% dos entrevistados responderam que uma das ações necessárias para minimizar os riscos é a fiscalização e o treinamento dos profissionais. Os outros 25% dividiram opiniões entre maior conscientização e melhoria das instalações.

Na última questão também dissertativa “Quais são os perigos que você percebe no canteiro de obra?”, observa-se que 45% dos entrevistados acreditam que um dos maiores perigos nos canteiros de obras é a queda de altura, seguida por acidentes com objetos, máquinas e ferramentas. Alguns participantes dividem suas opiniões entre a falta de conscientização, falta de EPI e EPC e carência de treinamentos de segurança.

Durante as visitas técnicas, observou-se muitos desvios nos canteiros de obras, como a falta de sinalização, falta de organização, muita sujeira, muitos profissionais sem EPI’s e várias frentes de obra sem os EPC’s.

Alguns gestores e profissionais da área, confirmaram o não atendimento de algumas normas e exigências devido a necessidade de resolver alguns imprevistos no cronograma ou pela urgência no atendimento dos prazos para entregar a obra no tempo determinado.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O objetivo principal deste estudo foi avaliar a percepção dos trabalhadores da construção civil com relação à segurança do trabalho e aos riscos no ambiente laboral dos canteiros de obras de pequeno, médio e grande porte, com foco nos municípios de Macaé e Rio das Ostras, no estado do Rio de Janeiro, através de um questionário estruturado, desenvolvido com uma abordagem qualitativa, para os profissionais participarem de forma voluntária e anônima.

Observou-se a dificuldade para conseguir autorização dos responsáveis pelos empreendimentos para entrevistar os funcionários dos canteiros de obras, mesmo destacando que o questionário não teria nenhuma informação da empresa e do funcionário. Constatou-se também que muitos profissionais da área, como pedreiros e serventes não tinham acesso à internet para responderem ao questionário fora do horário de serviço.

Após análise dos dados obtidos através do questionário, observou-se que a percepção dos trabalhadores aumentava conforme seu grau de instrução e conhecimento. Sendo assim, engenheiros, arquitetos e técnicos mostraram através das respostas que já participaram de treinamentos, palestras e detinham dessa forma o conhecimento sobre os riscos no ambiente laboral, afirmaram que na construção civil os riscos ainda são muitos, podendo observar os altos números de acidentes e apontaram a falta de fiscalização e de informação como as principais causas para ocorrência dos acidentes.

Evidencia-se a necessidade de mudanças no tratamento do ambiente laboral da construção civil, principalmente com relação ao atendimento das normas de segurança e treinamentos para a qualificação dos profissionais. De acordo com os trabalhadores entrevistados, a maioria dos pedreiros e serventes, não têm vínculo empregatício, alguns nunca participaram de treinamentos de segurança, desconhecem as Normas Regulamentadoras e executam trabalho em altura sem ter feito o curso obrigatório da NR 35.

De acordo com a análise das respostas do questionário e com as observações in loco, constatou-se que muitos dos participantes são prestadores de serviço ou trabalhadores sem vínculo empregatício, dessa forma pode-se dizer que se fossem contabilizados todos os acidentes e afastamentos, esse número seria maior do que o registrado pela Previdência Social.

Durante as visitas, constatou-se a falta de EPC’s e EPI’s nos canteiros de obras. Observou-se também, trabalhadores executando serviços em altura sem os devidos equipamentos, muita sujeira e desorganização nas obras, assim como as péssimas condições das áreas comuns, como banheiro e refeitório, além da falta de vestiário e de armários para os trabalhadores guardarem seus pertences.

Conclui-se que são necessárias mudanças para adequação do ambiente do trabalho da construção civil, para minimizar os riscos e oferecer mais segurança para os trabalhadores. Do mesmo modo, se faz necessária uma fiscalização mais atuante para cobrar medidas mínimas de segurança e assegurar a qualificação e treinamento dos profissionais.

Aponta-se como sugestão para trabalhos futuros um estudo de impacto do ambiente laboral na construção civil, que busque desenvolver ações efetivas, a fim de padronizar processos de antecipação dos riscos, assegurar a qualificação dos profissionais e a fiscalização das obras, minimizando assim, os acidentes, alguns desvios frequentes e outros danos causados pela falta de segurança em vários canteiros de obras.

REFERÊNCIAS

ANAMT. Associação Nacional de Medicina do Trabalho. Saúde no Trabalho, 2019. Disponível em: https://www.anamt.org.br/portal/2019/04/30/construcao-civil-esta-entre-os-setores-com-maior-risco-de-acidentes-de-trabalho/. Acesso em: 12 jan. 2021.

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BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. NR 18 – Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção. Brasília: Ministério do Trabalho e Emprego, 2018. Disponível em: http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR18/NR-18.pdf. Acesso em: 04 mar. 2021.

BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Secretaria de Inspeção do Trabalho. Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho. Normas regulamentadoras. Brasília: Ministério do Trabalho e Emprego, 2018. Disponível em: http://trabalho.gov.br/seguranca-e-saude-no-trabalho/normatizacao/normas-regulamentadoras. Acesso em: 04 mar. 2021.

CBIC. Câmara Brasileira da Indústria da Construção. Construção civil é a locomotiva dos crescimento, com emprego e renda, 2020. Disponível em: https://cbic.org.br/construcao-civil-e-a-locomotiva-do-crescimento-com-emprego-e-renda/. Acesso em: 12 jan. 2021.

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[1] Mestranda em Engenharia Ambiental pelo Instituto Federal Fluminense, Pós-graduada em Engenharia de Segurança do Trabalho e Graduada em Engenharia Civil pela Universidade Estácio de Sá.

[2] Orientador. Phd em Direitos Humanos pela Universidade de Coimbra, Doutor e Mestre em Direito pela UERJ, Mestre em Educação Tecnológica pelo CEFET/RJ, Graduação em Direito pela UERJ e Graduação em Engenharia pela UFF.

[3] Orientador. Doutor e Mestre em Engenharia Elétrica pela UFRJ, e Graduação em Engenharia Eletrônica pela UFRJ.

Enviado: Abril, 2021.

Aprovado: Junho, 2021.

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