ARTIGO ORIGINAL
XAVIER, Andrigo Farias [1], ARAÚJO, Dionatan de Mattos [2], TAVARES, Luciano Martins [3], GADOTTI, Gizele Ingrid [4], CASTRO, Andréa Souza [5], MONTEIRO, Rita de Cassia Mota [6], GOMES, Ana Paula Rozado [7],
XAVIER, Andrigo Farias et al. Avaliação de protótipo para evaporação acelerada de efluentes aeroagrícolas. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 11, Ed. 02, Vol. 01, pp. 15-50. Fevereiro de 2026. ISSN: 2448-0959. Disponível em: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-agricola/avaliacao-de-prototipo,
DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-agricola/avaliacao-de-prototipo
A gestão de resíduos de agrotóxicos representa um desafio crítico à saúde pública e à preservação ambiental, especialmente em contextos de agricultura intensiva, onde o uso de defensivos agrícolas é elevado. Este estudo avaliou a eficiência de um sistema de evaporação acelerada para tratar efluentes gerados durante a pulverização aérea de agrotóxicos, prática consolidada na agricultura brasileira. O objetivo foi analisar, em condições laboratoriais controladas, o desempenho de um protótipo de leito evaporativo em duas configurações: uma com circulação simples e outra com circulação associada ao controle térmico, que eleva a temperatura do efluente. A metodologia baseou-se em um estudo experimental exploratório, com coleta de dados quantitativos (temperatura do ar, umidade relativa e temperatura da água) ao longo de ciclos diários de nove horas, durante quatro dias por configuração. As análises estatísticas utilizaram médias aritméticas e o teste de Tukey para comparar as eficiências. O sistema com controle térmico resultou em evaporação adicional de 3,3 cm em quatro dias. Os achados indicam que essa tecnologia pode otimizar o tratamento de efluentes aeroagrícolas e atender às diretrizes ambientais das Resoluções CONAMA nº 467/2015 e nº 430/2011 a fim de auxiliar o poder público na tomada de decisão na escolha de suas condicionantes em processos de licenciamento ambiental. Assim, o estudo contribui para o avanço de práticas mais sustentáveis na aviação agrícola.
Palavras-chave: Resíduo, Tecnologia de aplicação, Ozonizador, Gestão Ambiental.
O uso de aeronaves como ferramenta agrícola teve suas origens na Europa e nos Estados Unidos, inicialmente impulsionado pelos avanços tecnológicos e estratégicos ocorridos durante e após a Primeira Guerra Mundial. Contudo, foi somente após o término da Segunda Guerra Mundial que essa prática se consolidou globalmente, incluindo o cenário da agricultura brasileira, onde a aviação agrícola passou a desempenhar um papel fundamental na modernização do setor (Furtado & Hoff, 2017). A partir desse período, a agricultura mundial, e em particular a brasileira, vivenciou transformações significativas, em grande parte impulsionadas pelo advento da chamada “Revolução Verde”. Esse movimento foi caracterizado pela promoção intensiva do uso de agrotóxicos, fertilizantes químicos e maquinários, além do desenvolvimento e disseminação de variedades modernas de culturas, as quais são altamente eficientes na absorção desses insumos, conforme discutido por (Mhereb & Norder, 2018).
A aplicação de defensivos agrícolas com o uso de aeronaves agrícolas se tornou uma prática comum, especialmente em culturas de grande extensão ou em situações em que o uso de pulverizadores terrestres é inviável devido às condições do solo. Essa técnica oferece uma cobertura rápida e eficiente das áreas cultivadas, otimizando o controle de pragas e doenças em grandes lavouras (Antuniassi, 2015). Com o crescimento dessa prática, foram estabelecidas regulamentações específicas para a aviação agrícola no Brasil, abrangendo critérios técnicos, segurança e procedimentos operacionais relacionados a aeronaves, pistas de pouso, equipamentos, produtos químicos, operadores e instituições de ensino. A última regulamentação, em 2008, tem como principal objetivo garantir a proteção de pessoas, propriedades e do meio ambiente, minimizando os riscos associados ao uso de defensivos agropecuários (Brasil, 2008).
Dentro deste contexto, a eficiência dos processos envolvidos na aplicação de agrotóxicos por via aérea tornou-se uma área de estudo em evidência, especialmente em relação à gestão de efluentes resultantes dessas operações.
O presente estudo busca descrever um sistema de aceleração para evaporação de efluentes aero agrícolas gerados durante a aplicação aérea de agrotóxicos. O foco principal é avaliar a eficiência deste sistema em condições laboratoriais controladas, comparando o comportamento de um sistema de evaporação sob duas condições distintas: circulação de água e outra, essa circulação combinada a um controle térmico que eleva a temperatura do efluente. Dessa forma, este artigo pretende contribuir para o desenvolvimento de tecnologias mais eficientes e seguras para a gestão de efluentes na aviação agrícola, promovendo práticas mais sustentáveis no setor em conformidade com a legislação ambiental em vigor, especialmente as normas estabelecidas pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) na Resolução nº 467, de 16 de julho de 2015, que dispõe sobre o uso de aeronaves na aplicação de agrotóxicos, fertilizantes, sementes e outros produtos, e pelas diretrizes estabelecidas na Resolução CONAMA nº 430, de 13 de maio de 2011, que complementa e altera a Resolução nº 357/2005, regulamentando o controle de efluentes e qualidade das águas no Brasil (Brasil, 2011; Brasil, 2015)
A problemática da contaminação ambiental por agrotóxicos é amplamente discutida na literatura. Segundo Pignati et al. (2017), o uso indiscriminado de agrotóxicos tem levado a sérios impactos ambientais e à saúde humana, especialmente em áreas de intensa atividade agrícola. A aplicação aérea de agrotóxicos é particularmente problemática devido à dispersão incontrolável dos produtos químicos, que contaminam solos, corpos d’água e atmosferas circundantes. O crescimento no uso de agrotóxicos e a variedade de produtos empregados representam um desafio significativo na agricultura, especialmente no que diz respeito aos resíduos gerados pelas aplicações. A utilização de agrotóxicos na agricultura tem gerado diversos problemas ambientais e de saúde pública. Estudos recentes destacam a necessidade urgente de desenvolver métodos eficazes para a descontaminação de efluentes provenientes da pulverização aérea (Silva et al., 2019). As autoridades ambientais estão preocupadas com o destino e o tratamento dos efluentes resultantes dessas aplicações (Martini et al., 2021).
Para regulamentar o descarte final desses resíduos, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) estabeleceu a Instrução Normativa Nº 2 em 3 de janeiro de 2008. De acordo com essa norma, os resíduos de agrotóxicos que permanecem no avião, bem como os resíduos da lavagem e limpeza da aeronave ou dos equipamentos usados na pulverização, devem ser descartados em locais apropriados e tratados posteriormente. Um dos métodos de tratamento é a oxidação (Brasil, 2008).
Um dos procedimentos adotados consiste na lavagem da pista de descontaminação e dos tanques da aeronave, cujos resíduos são encaminhados para um sistema de ozonização. Nesse processo, o ozônio atua na quebra das moléculas de agrotóxicos, reduzindo sua toxicidade. Após a ozonização, os resíduos tratados são direcionados para uma piscina de contenção e, posteriormente, para uma piscina de evaporação.
O ozônio (O3) é uma forma alotrópica do oxigênio (O2), formada pela ação da radiação ultravioleta do sol ou por descargas elétricas. Em concentrações elevadas, apresenta-se como um gás de coloração azulada, com ponto de fusão de -192°C e ponto de ebulição de -112°C (Haluch; Haluch, 2023).
A problemática da contaminação ambiental por agrotóxicos é amplamente discutida na literatura. Segundo Pignati et al. (2017), o uso indiscriminado de agrotóxicos tem levado a sérios impactos ambientais e à saúde humana, especialmente em áreas de intensa atividade agrícola. A aplicação aérea de agrotóxicos é particularmente problemática devido à dispersão incontrolável dos produtos químicos, que contaminam solos, corpos d’água e atmosferas circundantes. A utilização de agrotóxicos na agricultura tem gerado diversos problemas ambientais e de saúde pública. Estudos recentes destacam a necessidade urgente de desenvolver métodos eficazes para a descontaminação de efluentes provenientes da pulverização aérea (Silva et al., 2019). Neste contexto, a evaporação surge como uma técnica promissora para a descontaminação de efluentes provenientes da pulverização aérea de agrotóxicos (Oliveira; Santos, 2020).
A evaporação é uma técnica que tem mostrado potencial significativo na remoção de contaminantes de efluentes agrícolas. Este processo envolve a transferência de água do estado líquido para o estado gasoso, deixando os contaminantes para trás. Segundo Oliveira e Santos (2020), a evaporação pode reduzir eficazmente a concentração de agrotóxicos, tornando-se uma solução viável para áreas com alta intensidade agrícola. A técnica é particularmente útil em pátios de descontaminação, onde o controle das condições ambientais pode ser otimizado para maximizar a eficiência do processo.
No Brasil, pesquisas realizadas por Souza e Mendes (2016) demonstram que a evaporação pode reduzir significativamente os níveis de contaminação em regiões agrícolas. Complementando, Lima et al. (2021) avaliaram a eficiência da evaporação em diferentes condições climáticas, concluindo que o processo é altamente dependente da temperatura e umidade relativa do ar. Esses estudos destacam a importância de adaptar as práticas de descontaminação às condições ambientais locais. Outros trabalhos investigaram a aplicabilidade da evaporação em regiões com diferentes características agronômicas, ressaltando a versatilidade da técnica (Silva; Almeida, 2019).
Internacionalmente, a pesquisa de Johnson et al. (2020) destaca a aplicação da evaporação em efluentes agrícolas na Europa, com resultados promissores. Esses estudos mostram que a evaporação pode ser integrada em sistemas de manejo de efluentes já existentes, aumentando a eficiência de remoção de contaminantes. Além disso, trabalhos de Wang et al. (2021) na China corroboram a eficácia da técnica em diferentes tipos de solo e condições climáticas, demonstrando a adaptabilidade da evaporação em diversos contextos ambientais.
A avaliação das metodologias utilizadas para avaliar a evaporação é essencial. A caracterização dos efluentes e o monitoramento das variáveis ambientais são fundamentais para a otimização do processo. A análise detalhada das propriedades físicas e químicas dos efluentes permite ajustes precisos nas condições de evaporação para maximizar a remoção de agrotóxicos (Pereira; Silva, 2020). Em estudos similares, Brown e Martin (2021) enfatizam a importância de utilizar modelos matemáticos para prever a eficiência da evaporação em diferentes cenários, proporcionando uma ferramenta valiosa para o planejamento e implementação de pátios de descontaminação.
Os impactos ambientais da evaporação de efluentes agrícolas são amplamente discutidos. O estudo de Gonçalves et al. (2022) demonstrou que a técnica pode reduzir a toxicidade dos efluentes, beneficiando a fauna e a flora locais. A redução dos níveis de agrotóxicos nos efluentes evapotranspirados pode mitigar os efeitos adversos sobre a biodiversidade e promover a recuperação de ecossistemas. Complementarmente, Smith e Jones (2021) analisaram os impactos à saúde humana, sugerindo que a evaporação pode diminuir a exposição a resíduos tóxicos, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida das comunidades agrícolas.
O sistema proposto teve a finalidade de simular um leito evaporativo acelerado para efluentes aero agrícolas (Figura 1 e 2), para tal, foi executado um estudo experimental exploratório, verificando as alterações no objeto de estudo durante a execução do experimento.
O tipo de estudo utilizado foi o experimental, quantificando e correlacionando os dados das duas etapas aplicadas.
Para analisar os dados utilizamos a média aritmética diária do valor das temperaturas e umidade relativa do ar que se obteve durante as repetições e através do software Sisvar, obtemos a comparação média com o teste estatístico de Tukey, que foi escolhido por ser um teste de comparação.
Os equipamentos utilizados na coleta de dados do experimento são de propriedade da Universidade Federal de Pelotas e passam por aferição de órgãos competentes regularmente.
Foi utilizado um reservatório de água de 500 litros (água doce classe 2 – CONAMA 357/2005) (Brasil, 2005), para simular o leito evaporativo, um reservatório suspenso de 10 litros com uma resistência de rosca de 2000W, acoplada, ilustrada na figura 3. Além disso foi projetado todo o controle e automação do sistema através de dois sensores de fluxo Yf-s201, um acoplado na entrada e outro na saída do reservatório de 10 litros, um Arduino uno, um protoboard, um display 20 x 4, um circuito eletrônico para regular a potência da resistência elétrica, uma moto bomba periférica Hammer MP-500 (½ C.V) para circulação de água no sistema, uma régua graduada de 1 metro para a verificação do nível do leito evaporativo e um sensor IoT da marca Milesight, modelo EM400 – UDL – 915M.
Para a utilização dos componentes elétricos as normas de segurança no uso de equipamentos elétricos foram observadas as disposições da ABNT NBR 5.410 (ABNT, 2004 ) que normatiza as instalações elétricas de baixa tensão.
Os parâmetros analisados foram os operacionais como taxa de evaporação (figura 23 e tabelas 1 e 2), estabilidade operacional (figuras 1 a 7) e consumo de energia (figuras 4, 6 e 7); os parâmetros ambientais e de qualidade que são influência da temperatura e da umidade relativa (figuras 15 a 22) e temperatura de efluente aquecido (figura 9 e figuras 12 a 14); por sua vez os parâmetros estatísticos de validação são o coeficiente de variação mediante a aplicação de teste de Tukey (tabela 1) e de reprodutibilidade (figura 15 e figura 22).
Figura 1 – Representação ilustrativa do sistema
Figura 2 – Representação ilustrativa do sistema vista posterior
Sendo: 1 – Reservatório evaporador; 2 – Moto bomba; 3 – Registro de saída; 4 – Registro regulador de fluxo; 5 – Válvula de pé (Retenção); 6 – Reservatório de 500 Litros; 7 – Sensor de fluxo de água Yf-s201 (Saída do evaporador); 8 – Sensor de fluxo de água Yf-s201 (Entrada do evaporador);9 – Resistência de rosca (2000w);10 – Registro de entrada e 11 – Sensor Ultrassônico IoT.
Figura 3 – Ilustração da resistência de rosca utilizada
A resistência da rosca é de 2000W e o disjuntor utilizado foi um de 16 A.
Para regular a potência da resistência montamos um circuito eletrônico conforme o esquema ilustrado na figura 4.
Figura 4 – Esquema eletrônico do regulador de potência da resistência do evaporador
Para estabilizar a lâmina de água dentro do reservatório evaporativo utilizou-se dois sensores de fluxo Yf-s201, um na entrada e outro na saída e montou-se um circuito utilizando um Arduino uno e um display LCD 20×4 para mostrar as informações de vazão na entrada e na saída, na figura 5, foi ilustrado este circuito e a programação utilizada foi anexada como apêndice.
Figura 5 – Circuito medidor de vazão de entrada e saída do evaporador
No circuito regulador de potência da resistência utilizou-se um cooler para o resfriamento dos componentes eletrônicos, e foi acondicionado uma caixa plástica como mostrado nas figuras 6 e 7.
Figura 6 – Regulador de potência
Figura 7 – Cooler para resfriamento
Os experimentos foram realizados no Laboratório de Agrotecnologia da Universidade Federal de Pelotas localizado no prédio 33 do Campus Capão do Leão da UFPEL (Figura 8).
Foi realizado dois experimentos, um com a circulação do sistema ligada e a outra com a circulação e a resistência regulada para manter a temperatura do efluente aquecida acima da temperatura ambiente. Com duração de quatro dias cada uma, sendo coletado informações de hora em hora dos valores de temperatura do ar, umidade relativa e temperatura da água até completar as nove horas do ciclo diário da repetição (Figura 9). No início e final de cada dia do experimento foi observado na régua graduada instalada no meio do reservatório o nível do líquido e através de sensor IoT Ultrassônico (Figura 13), podendo assim ser verificado se houve ou não evaporação do sistema.
Figura 8 – Fachada do Prédio 33
Figura 9 – Experimento montado dentro do prédio 33
Para a coleta de dados de temperatura do ar e umidade relativa utilizamos um datalogger da marca Politerm, POL-31A conforme mostrado nas figuras 10 e 11.
Figura 10 – Medidor de umidade relativa e temperatura
Figura 11 – Parte posterior
Para a obtenção do nível do reservatório (leito evaporativo), utilizamos uma régua graduada (figura 12) e um sensor IoT (figura 13) que enviava dados de nível para um dashboard on-line, o qual é mostrado na figura 14, atualizado com intervalo de 1 minuto, o que tornou possível a visualização instantânea do nível mensurado, sendo possível a visualização de dados de até 30 dias decorridos.
Figura 12 – Régua de madeira
Figura 13 – Sensor IoT instalado
Figura 14 – Dashboard online
Após as quatro repetições sequenciais de cada etapa coletamos os dados que podem ser observados nos gráficos a seguir (Figura 15 a 20).
Os experimentos foram realizados no inverno na cidade de Capão do Leão/RS, mais precisamente no campus da Universidade Federal de Pelotas do qual tem como características de relevo plano, altitude próximo ao nível do mar, região predominantemente de várzea e as temperaturas são frias e úmidas conforme visto.
Figura 15 – Temperatura (°C) e umidade relativa (UR -%) do ar nos dias do experimento com o Sistema sem aceleração de evaporação
Figura 16 – Temperatura (°C) e umidade relativa (UR -%) do ar nos dias do experimento com o Sistema com aceleração de evaporação
Figura 17 – Temperatura (°C) e umidade relativa (UR -%) do ar nos dias do experimento com o Sistema sem aceleração de evaporação
Figura 18 – Temperatura (°C) e umidade relativa (UR -%) do ar nos dias do experimento com o Sistema com aceleração de evaporação
Figura 19 – Temperatura (°C) e umidade relativa (UR -%) do ar nos dias do experimento com o Sistema sem aceleração de evaporação
Figura 20 – Temperatura (°C) e umidade relativa (UR -%) do ar nos dias do experimento com o Sistema com aceleração de evaporação
Figura 21 – Temperatura (°C) e umidade relativa (UR -%) do ar nos dias do experimento com o Sistema sem aceleração de evaporação
Figura 22 – Temperatura (°C) e umidade relativa (UR -%) do ar nos dias do experimento com o Sistema com aceleração de evaporação
Na primeira repetição de ambas as etapas obtivemos evaporação apenas no sistema com o acelerador evaporativo que chegou a 0,5 cm da lâmina de água. Na segunda repetição de ambas as etapas obtivemos evaporação apenas no sistema com o acelerador evaporativo que chegou a 0,7 cm da lâmina de água. Na terceira repetição de ambas as etapas obtivemos evaporação no sistema sem o acelerador evaporativo que chegou a 0,1 cm da lâmina de água, no sistema com aceleração evaporativa obtivemos uma evaporação de 0,5 cm da lâmina de água no sistema.
A evaporação obtida nas duas foram representadas no gráfico 23, onde podemos fazer um comparativo entre as 2 etapas.
Figura 23 – Evaporação da lâmina de água no tanque em centímetros (cm), comparativo de evaporação entre as 2 etapas
Podemos observar que a evaporação que se obteve na etapa que se usou o protótipo evaporativo foi maior, após na análise estatística obtivemos os seguintes dados dispostos na tabela 1.
Tabela 1 – Evaporação média das quatro repetições com e sem acelerador evaporativo
Nível de significância em 5% pelo teste de Tukey. Letras minúsculas na coluna.
Os resultados demonstram atendimento pleno ao objetivo de comparar tecnicamente as configurações: a evaporação média diária com o acelerador foi de 0,580 cm, e de 0,026 cm sem aceleração (Tabela 1), com diferença estatisticamente significativa ao nível de 5% (Tukey) e CV = 25,46%, indicando efeito consistente apesar da variabilidade inerente ao processo.
Isso significa um aumento de aproximadamente 22 vezes na taxa diária (0,580/0,026), conforme demostrado estatisticamente pela soma das quatro repetições na etapa aquecida (Tabela 2 e Figura 23).
Na tabela 2 podemos observar que o líquido seguiu evaporando após as 9h de repetição diária. Pois observando o nível final de uma repetição e o inicial da repetição seguinte podemos afirmar que a lâmina seguiu evaporando, devido a temperatura do líquido estar acima da temperatura ambiente.
Tabela 2 – Nível do leito evaporativo durante a segunda etapa
Verificou-se evaporação entre os ciclos, explicando o total de 3,3 cm em quatro dias no sistema com controle térmico; assim, os 2,32 cm (janelas de 9 h) e os 3,3 cm (leituras intermediárias) são complementares, por se referirem a períodos distintos.
As séries de T° e UR (Fig. 15–22) evidenciam a influência climática: mesmo no inverno, com ar frio e úmido, o protótipo aquecido manteve vantagem, indicando potencial de desempenho ainda maior em estações mais quentes e secas. Segundo Oliveira e Santos (2020), a evaporação pode reduzir eficazmente a concentração de agrotóxicos nos efluentes, considerando a efetividade do protótipo analisando a tabela acima, podemos constatar que o estudo teve êxito na proposta de aceleração evaporativa.
Do ponto de vista operacional, o uso de sensores de fluxo (YF-S201), controle eletrônico de potência e telemetria de nível (Fig. 4–5 e 12–14) evidencia estabilidade da circulação, rastreabilidade dos dados e capacidade de controle de processo, cumprindo o objetivo específico de validar a viabilidade técnica do protótipo.
Quanto à aderência regulatória e à aplicabilidade em licenciamento, o sistema reduz o volume e o tempo de permanência dos efluentes, alinhando-se às condicionantes usuais (minimização de riscos, contenção, monitoramento e rastreabilidade.
Esses pontos configuram limitações e, simultaneamente, frentes de aprimoramento: (i) indicadores energéticos (kWh/L) para análise de custo-eficácia; (ii) balanço de massa e ensaios de toxicidade/concentração de ingredientes ativos; (iii) ensaios em campo e em diferentes estações; e (iv) dimensionamento e escalonamento do leito.
Em síntese, os resultados atingem os objetivos: demonstram que o controle térmico em leitos evaporativos aumenta significativamente a taxa de evaporação, mesmo sob condições climáticas desfavoráveis, e indicam a viabilidade de incorporar o protótipo como tecnologia de apoio ao gerenciamento de efluentes aeroagrícolas e à definição de condicionantes em licenciamentos, desde que se agreguem métricas de qualidade do efluente e indicadores de desempenho energético.
A partir dos resultados deste estudo, conclui-se que o protótipo acelerador evaporativo otimiza a operação de leitos evaporativos para tratamento de efluentes aeroagrícolas: obteve-se evaporação efetiva de 3,3 cm em quatro dias, com o sistema operando 9 h/dia, desempenho superior ao obtido sem aquecimento e consistente com o objetivo de acelerar a remoção volumétrica do efluente.
Em termos de aplicação prática no setor agrícola, a tecnologia mostra-se integrável a pátios de descontaminação e bases de aviação agrícola já existentes, reduzindo o volume e o tempo de permanência dos efluentes, favorecendo o controle e documentando o tratamento por meio de automação e telemetria. Esses atributos alinham-se às condicionantes típicas de licenciamento (minimização de riscos, contenção, monitoramento e rastreabilidade), oferecendo base objetiva para a tomada de decisão do poder público e para a gestão ambiental nas operações.
Considerando o aspecto da sustentabilidade, o sistema pode otimizar o uso de recursos naturais (menor demanda por áreas de armazenamento prolongado), reduzir os impactos negativos e mitigar riscos de incidentes associados a estocagem e manuseio, além de estimular a inovação tecnológica (controle térmico, IoT, registro contínuo). Para converter esse ganho operacional em benefício ambiental mensurável, recomenda-se incorporar métricas de qualidade do efluente (caracterização do concentrado/rotas de disposição) e indicadores de desempenho energético (kWh·L⁻¹ evaporado), viabilizando análises de custo-eficácia e ciclo de vida.
Como perspectivas futuras, sugerem-se: (i) ensaios sazonais e em campo para validar o desempenho em diferentes climas; (ii) integração em fluxos híbridos (ex.: ozonização → polimento por adsorção/filtração → evaporação) visando redução de carga química além da redução volumétrica; (iii) engenharia de otimização (isolamento térmico, recuperação de calor, apoio solar-térmico, controle automático por setpoints ambientais); (iv) avaliação econômico-regulatória (CAPEX/OPEX, payback, aderência a normas e boas práticas), em diálogo com políticas públicas, instrumentos de incentivo e demandas do setor. Esses passos tendem a ampliar o impacto científico e prático do sistema, consolidando-o como tecnologia de apoio ao gerenciamento de efluentes na aviação agrícola e à formulação de condicionantes mais efetivas em processos de licenciamento.
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[1] Graduação em Engenharia Agrícola. ORCID: https://orcid.org/0009-0002-6228-2966. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9022747931693714.
[2] Graduação em andamento em Engenharia Agrícola – Universidade Federal de Pelotas (UFPel). ORCID: https://orcid.org/0009-0000-1360-4522. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1969200876149969.
[3] Tecnólogo em Geoprocessamento – UFPel. ORCID: https://orcid.org/0009-0001-5271-4027. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2868359826117417.
[4] Orientadora. Doutora em Ciência e Tecnologia de Sementes – UFPel. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-9545-6577. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4110765012494684.
[5] Doutora Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1989-684X. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4328855884811171.
[6] Mestre em Ciência e Tecnologia de Sementes. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-9342-2779. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2857338284308524.
[7] Mestre em Ciências Ambientais. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-9855-800X. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/6504640835496109.
Contribuição dos autores:
Andrigo Farias Xavier: Concepção, planejamento, análise, interpretação e redação do trabalho.
Dionatan de Mattos Araújo: Concepção, planejamento, análise, interpretação e redação do trabalho.
Luciano Martins Tavares: Concepção, planejamento, análise, interpretação e redação do trabalho.
Gizele Ingrid Gadotti: Concepção, planejamento, análise, interpretação e redação do trabalho.
Andréa Souza Castro: Concepção, planejamento, análise, interpretação e redação do trabalho.
Rita de Cassia Mota Monteiro: Concepção, planejamento, análise, interpretação e redação do trabalho.
Ana Paula Rozado Gomes: Interpretação e redação do trabalho.
Conflito de interesse:
Não há conflito de interesse.
Agradecimentos:
Não possui agradecimentos.
Financiamento:
Não há financiamento.
Nota de presença de IA:
Os autores utilizaram a Inteligência Artificial atrelada ao pacote office Microsoft Word, utilizando todos os recursos disponíveis do Microsoft Word 2025, em sua versão original paga, não gratuita. No entanto, todas as buscas pelos conteúdos e classificação da qualidade dos artigos foram realizadas de maneira autoral.
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Histórico da Publicação:
Material recebido: 16 de julho de 2025.
Material aprovado pelos pares: 01 de setembro de 2025.
Material editado aprovado pelos autores: 04 de fevereiro de 2026.
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