Como iniciei a minha jornada acadêmica? Quais são os aspectos que você deve levar em consideração ao iniciar a sua trajetória acadêmica? Como foi a minha experiência com a academia, com a suas exigências e com os seus objetivos?

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O que você deve saber sobre os momentos iniciais relacionados ao ingresso em um programa de mestrado? Dicas essenciais para você que está começando

Olá, tudo bem? Em nosso post de hoje iremos discutir sobre uma questão essencial que pode lhe ajudar a se preparar melhor para iniciar a sua jornada acadêmica. É natural que as pessoas se sintam amedrontadas e/ou perdidas quanto àqueles aspectos que devem atender para que possam se adaptar melhor a esse amplo contexto, que nos atribui uma série de exigências e responsabilidades das quais não podemos nos abster até que concluamos o nosso curso. Diante de tal missão, hoje iremos apresentar essas dicas a partir de um outro tipo de conversa. O intuito é lhe ajudar a perceber que você está apto quanto qualquer outra pessoa, caso o seu interesse e objetivo, nesse momento de sua vida, seja o de consolidar uma carreira em nossa academia. Diante disso, iremos compartilhar com você as nossas experiências e outros aspectos, como decisões, dificuldades e outros, a fim de que possa se preparar para o ingresso.

Por que precisamos discutir sobre a vida acadêmicaPor que precisamos discutir sobre a vida acadêmica?

Compreender as técnicas, competências e habilidades exigidas, sobretudo, no contexto da pós-graduação é elementar, mas tão importante quanto é compreender as exigências da vida acadêmica e como esta é iniciada. Iremos apresentar essas dicas a partir de dois momentos. No primeiro, iremos esclarecer algumas dúvidas inerentes a minha vida acadêmica (Carla). Em outro momento, então, iremos apresentar algumas vantagens e desvantagens relacionadas à vida acadêmica associadas a contextos diversos. Com base nas dúvidas das pessoas sobre essa questão, iremos respondê-las com base em nossas experiências. Todo conhecimento possui seus pontos negativos e positivos, assim como a nossa própria experiência de vida. Há, também, peculiaridades e características que você deve considerar ao ingressar nesse novo contexto. A primeira pergunta que iremos responder é sobre os motivos que me fizeram iniciar essa jornada.

Os motivos que impulsionam o início da jornada acadêmica

Muitas pessoas me perguntaram sobre os motivos que me impulsionaram a ingressar nesse contexto, como foi o meu processo de ingresso, quais as principais dificuldades encontradas ao longo dessa jornada, se eu já quis desistir em algum momento e o porquê disso, dentre outras questões. O motivo que me impulsionou a ingressar na minha jornada acadêmica está ligado a uma questão pessoal. Eu nasci em um berço muito pobre, de modo que vivi em uma situação de extrema vulnerabilidade social. Por outro lado, desde muito cedo, percebi que se eu não tivesse a devida qualificação, nada poderia ser feito para mudar esse destino que me foi posto. Sem a busca pelo conhecimento, os meus interesses, ambições, curiosidades jamais poderiam ser respondidos. Assim sendo, toda criança é questionada sobre o que quer ser quando crescer. Esta foi elementar a tomada de uma decisão que mudou toda a minha vida.

O que quero ser quando crescer?O que quero ser quando crescer?

Para mim, em situação de vulnerabilidade naquela época, era muito difícil dizer o que queria ser quando crescer. O meu contexto não permitia que eu sonhasse com qualquer tipo de oportunidade de carreira, além das comuns a esse tipo de situação. Uma criança na década de 1980 ou mesmo de 1990, quando questionadas sobre essas questões, deveriam ter acesso a certas condições financeiras. Para ser capaz de cursar Medicina ou Direito, por exemplo, seria necessário ter dinheiro. Na época, eu não tinha condições, porém, percebi que o conhecimento seria a única coisa capaz de fazer com que pudesse superar essa condição. Assim sendo, para que eu pudesse ter acesso a esse conhecimento, deveria superar barreiras muito difíceis para obtê-lo. A minha realidade não era a da maioria das pessoas. O meu primeiro emprego foi aos quatorze anos, como empregada doméstica. Entretanto, aos dez, já trabalhava no comércio.

A busca pelos estudos

Embora essas primeiras experiências tenham sido fundamentais, eu preciso estudar para mudar essa condição a mim imposta pela falta de acesso. É nesse sentido e com base nesse objetivo que iniciei a minha trajetória acadêmica. O principal objetivo era o de buscar conhecimento para ampliar as minhas possibilidades de vida, incluindo a carreira. Com isso, posso apresentar algumas das principais dificuldades encontradas nessa jornada. Sem dúvidas, foram muitas. Não é algo inerente apenas à vida acadêmica, mas todo contexto no qual ingressamos está atrelado a uma série de dificuldades, bem como a múltiplos ganhos. A partir do momento que passamos a viver em sociedade, teremos que lidar com diversas dificuldades. A política do local, o pertencimento a esse espaço, a concordância ou não com as ideias do espaço e outras questões são algumas situações que apontam para essas dificuldades.

Há autonomia na academia?Há autonomia na academia?

Muitas pessoas, ao ingressarem na academia, acreditam que terão autonomia frente a todas as suas ideias. Nem sempre isso acontece, o que pode gerar uma série de dificuldades. Nem sempre conseguimos falar o que pensamos e fazer com que as nossas ideias sejam consideradas. Na maioria das vezes a autonomia não é viável para um pesquisador. Embora você possa estudar os assuntos nos quais você e seu professor chegaram a um consenso, nem sempre conseguirá estudar com autonomia. Além disso, na maior parte dos casos, é o seu professor que delimita os autores com os quais irá trabalhar ao longo de sua formação. Uma outra questão que influencia nesse processo é que a academia brasileira funciona de uma forma específica, de modo que ela é influenciada por algumas tendências. O ensino superior não passou por um processo efetivo de consolidação, de modo que cada instituição funciona de uma forma.

As transições do ensino superiorAs transições do ensino superior

O ensino superior brasileiro é marcado por uma série de fases, sobretudo no que toca à transição. Em relação à pós-graduação, podemos afirmar que esta é muito influenciada pelas escolas francesa e alemã, de modo que a forma de fazer ciência está ligada a essas tendências. Mais recentemente, essas escolas têm recebido influência das academias norte-americanas. O formato da pós-graduação é muito específico, de modo que, a cada dia, temos que nos adequar a ele. Em minha educação básica, a preocupação não era tanto com o aprendizado, pois, de maneira constante, estava preocupada com questões ligadas à própria sobrevivência. Muitas crianças experienciam ainda hoje o contexto que vivi, embora a situação tenha, aos poucos, mudado. Muitas pessoas ainda crescem em um ambiente marcado pelas drogas, prostituição e outras questões que as inserem em uma situação vulnerável.

O contexto acadêmico pode salvar uma vida

Como resposta a essa situação de vulnerabilidade a mim imposta, a busca pelo saber salvou a minha vida, pois me emancipou e trouxe, com isso, novas oportunidades, não apenas de carreira, mas de vida. Contudo, é nosso dever chamar a sua atenção para o fato de que uma criança em situação de vulnerabilidade, ao chegar da escola em sua casa, não sabe com o que irá se deparar. São ambientes marcados por brigas. Por mais que essas crianças estejam dentro da escola, a sua preocupação é com a própria sobrevivência. O nosso país, embora tenha investido em políticas públicas voltadas a retirar essas crianças de um estado de vulnerabilidade, ainda é carente. É por esse motivo que defendemos tanto a emancipação por meio do acesso ao conhecimento. As crianças que vivenciam esse tipo de situação não conseguem focar nas questões com as quais têm contato no ambiente da escola, pois vivem com medo do amanhã.

A luta pela sobrevivência

Pessoas que vivenciam este tipo de situação estão preocupadas com a obtenção de comida, ter um lugar para dormir, cuidar dos irmãos, na maior parte dos casos, por exemplo. a sua preocupação, portanto, é com aquelas questões que acontecem no seio da família. Assim sendo, no caso das pessoas que na infância e/ou adolescência vivenciaram esse tipo de situação, quando ingressam na pós, é preciso correr atrás desse prejuízo a cada dia. Não é um processo fácil. Aquela bagagem que outras pessoas possuem por terem tido acesso ao longo de toda a vida terá que ser buscada por você que deseja consolidar uma carreira nesse meio. Há, então, uma dificuldade associada à adaptação nesse novo contexto. Essa questão está atrelada a compreensão daquele grupo social do qual deseja fazer parte. É uma nova cultura que, para você, pode ser muito estranha, pois vivencia um contexto que lhe distancia desse tipo de espaço.

Algumas das dificuldades provocadas pela vulnerabilidade social

Sem dúvidas, correr atrás do tempo perdido é uma dessas principais dificuldades. O tempo no qual você não teve acesso ao conhecimento ou que não pôde aproveitar para se emancipar, por estar preocupado com outros tipos de questões, precisa ser recuperado nesse momento em específico. Assim sendo, o indivíduo que se insere nesse tipo de contexto precisa passar por um processo de transformação muito intenso. É uma pessoa que, sem dúvidas, precisará se dedicar por horas, dias, semanas e meses para ser emancipada por esse saber que nunca teve como compreender antes. Os passeios, investimentos e regalias desse tipo podem ter que ser substituídos para que você possa construir um outro tipo de carreira. Pode ser que você tenha que deixar de comprar coisas que lhe dão prazer, como, por exemplo, roupas ou comidas muito caras para que possa ter acesso a livros, embora hoje a internet nos ajude.

O que faz com que uma pessoa queira desistir de sua jornada?

Também me foi questionado se já quis desistir em algum momento desse processo de emancipação, isto é, de transformação de um estado de vulnerabilidade social em algo mais positivo. Eu nunca quis desistir de todo esse legado que construí, mesmo quando as coisas estavam muito difíceis. Acredito que vim para esse mundo a fim de que pudesse fazer diferença por meio da divulgação do conhecimento. Eu amo a pesquisa e tudo aquilo que vem com ela, como a necessidade de questionar e refletir a todo o momento sobre o mundo à minha volta. É isso que faz eu ser quem eu quero. A vida acadêmica exerce um papel fundamental na construção de um pensamento mais crítico e reflexivo. Tudo o que sou hoje é em razão desse processo de emancipação. Quem eu sou ontem não reflete mais quem sou hoje, pois, a todo o momento, busco pela transformação enquanto ser humano individual e coletivo.

A importância em se aprender coisas novas

A fim de que possamos ser emancipados, é de suma importância que, em todos os momentos, busquemos por coisas novas. Do meu ponto de vista, quanto mais consigo aprender, mas vejo que preciso evoluir ainda mais para que possa, de fato, transformar não apenas a minha vida, mas também a daqueles ao meu entorno. Esse é um desafio constante, mas os resultados desse processo são muito positivos, como o contato com os alunos, que sempre produz excelentes discussões. Seja você um professor de graduação ou pós-graduação, será colocado em contato com pessoas que almejam aprender a todo o momento, o que pode ser algo essencial ao seu próprio processo de emancipação por meio do conhecimento. Dito isso, posso dizer como a vida acadêmica me ajudou a ser essa pessoa e como ainda continua a ajudar a cada dia.

De que forma a vida acadêmica pode ajudar uma pessoa?De que forma a vida acadêmica pode ajudar uma pessoa?

Em meu caso, a vida acadêmica me ajudou não apenas a consolidar uma carreira da qual me orgulho muito, mas me ajudou, também, a evoluir como ser humano. A academia me constituiu como mulher, professora, empresária e pesquisadora brasileira. O conhecimento ao qual tive acesso apenas foi possível por meio do aprendizado ao qual tive acesso desde a escolha por fazer um curso de graduação. Um indivíduo não tem como evoluir e se emancipar sem que tenha acesso a esse conhecimento de suma importância à mudança de todo um paradigma de vida. O conhecimento é a base para que você alcance qualquer tipo de evolução. É apenas esse saber que fará com que seja viável para você alcançar novos patamares a cada dia. É claro que esse processo não é fácil. Entretanto, não basta adquirir esse conhecimento. Ele deve ser incorporado a sua vida real e refletido em suas ações diárias.

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