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Análises das intercorrências relacionadas aos preenchedores contendo ácido hialurônico em procedimentos estéticos: uma revisão integrativa da literatura

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CONTEÚDO

REVISÃO INTEGRATIVA

HOGER, Gabriela [1], LOEBLEIN, Andressa Karina Demarchi [2], LORENCETE, Milena da Silva [3]

HOGER, Gabriela. LOEBLEIN, Andressa Karina Demarchi. LORENCETE, Milena da Silva. Análises das intercorrências relacionadas aos preenchedores contendo ácido hialurônico em procedimentos estéticos: uma revisão integrativa da literatura. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 10, Ed. 11, Vol. 02, pp. 36-58. Novembro de 2025. ISSN:2448-0959. Link de Acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/biomedicina/acido-hialuronico, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/biomedicina/acido-hialuronico

RESUMO

O ácido hialurônico se tornou um dos produtos mais usados em procedimentos estéticos no Brasil, especialmente por oferecer resultados eficazes e com pouca invasão. Ele ajuda a manter a pele hidratada, dá volume e melhora o contorno facial, sendo aplicado em áreas como lábios, maçãs do rosto e sulcos. Apesar dos bons resultados, o uso inadequado pode causar complicações, que vão desde pequenas reações, como inchaço e hematomas, até problemas mais sérios, como necrose, infecção e oclusão de vasos. Os estudos analisados mostram que a maior parte dessas complicações ocorre por erros na técnica, falta de preparo do profissional ou uso de materiais de baixa qualidade. Por isso, é essencial que quem realiza esses procedimentos tenha formação adequada, conheça bem a anatomia da face e siga protocolos de segurança. A capacitação contínua e o uso correto de substâncias, como a hialuronidase (que ajuda a reverter efeitos indesejados), são fundamentais para garantir a segurança e a satisfação do paciente. Em resumo, o ácido hialurônico é seguro e eficaz quando aplicado por profissionais qualificados e responsáveis, que unem técnica, ética e cuidado para alcançar resultados estéticos harmoniosos e naturais.

Palavras-chave: Ácido hialurônico, Complicações, Segurança, Profissional, Harmonização.

1. INTRODUÇÃO

O ácido hialurônico tem se tornado um dos principais preenchedores dérmicos utilizados em procedimentos estéticos, especialmente no Brasil, onde a busca por tratamentos minimamente invasivos e eficazes está em constante crescimento. Por suas propriedades de reter água e promover volume na pele, o ácido hialurônico é amplamente empregado para melhorar o contorno facial, preencher rugas e sulcos, e aumentar o volume de áreas como os lábios e as maçãs do rosto (Brito et al., 2017).

Além disso, autores como Teixeira, Antunes e Gomes (2023) enfatizam que a qualificação profissional e a seleção criteriosa dos produtos utilizados têm papel determinante na prevenção de eventos adversos. Estes elementos configuram não apenas uma medida de segurança clínica, mas também um parâmetro ético e legal, uma vez que a responsabilidade técnica implica a adoção de práticas baseadas em evidência científica, a observância das normas regulamentadoras e a garantia da integridade do paciente.

No entanto, complicações mais graves, como necrose tecidual, infecções e até oclusões vasculares, têm sido relatadas e exigem maior atenção. Segundo Araújo et al. (2020), essas complicações graves frequentemente resultam de erros técnicos ou da utilização inadequada do material. Estudos mostram que a maioria das complicações graves pode ser evitada com a adoção de protocolos adequados, técnicas bem executadas e a seleção de materiais de alta qualidade (Martins et al., 2019).

Além disso, a regulamentação do exercício da estética e a qualificação contínua dos profissionais são fundamentais para garantir a segurança e a eficácia dos procedimentos. O aumento da oferta de cursos e treinamentos especializados para profissionais da área é uma medida essencial para minimizar os riscos e melhorar os resultados dos tratamentos com ácido hialurônico (Figueiredo et al., 2018).

O objetivo desta pesquisa é investigar as complicações mais comuns associadas ao uso do ácido hialurônico em procedimentos estéticos, como preenchimento labial, harmonização facial e rinomodelação, identificando suas causas e propondo estratégias para preveni-las, promovendo uma prática mais segura e eficaz.

O envelhecimento resulta da interação entre fatores intrínsecos e extrínsecos, promovendo alterações fisiológicas nos tecidos corporais. A epiderme tende a se tornar mais fina, enquanto a derme passa por atrofia e diminuição significativa da elasticidade, favorecendo o surgimento de rugas dinâmicas (Santos et al., 2020). De acordo com Rovere et al. (2019), os preenchedores faciais são amplamente utilizados em procedimentos minimamente invasivos para rejuvenescimento, apresentando alto índice de segurança, embora complicações imediatas ou tardias possam ocorrer, a depender da técnica e do material utilizado.

O crescimento na realização de procedimentos estéticos dérmicos pode estar relacionado a aspectos que colocam em risco a segurança dos pacientes e afetam a credibilidade dos profissionais (Souza, 2021).

Realizou-se uma revisão de literatura, conforme descrito por Dorsa et al. (2020), baseada em dados secundários obtidos em bibliotecas virtuais. Esse tipo de revisão tem como objetivo examinar estudos relevantes que possam contribuir para a tomada de decisões e o aperfeiçoamento da prática clínica, promovendo uma compreensão mais ampla e detalhada do tema investigado. Entre suas principais características destacam-se a descrição, análise e interpretação de fenômenos específicos.

2. OBJETIVOS

2.1 OBJETIVO GERAL

Analisar as principais complicações relacionadas aos procedimentos estéticos com ácido hialurônico, identificando os fatores de risco, as manifestações clínicas e as estratégias de prevenção e tratamento, com o intuito de contribuir para a segurança e a eficácia desses procedimentos no contexto da estética.

 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

  • Realizar uma revisão integrativa da literatura científica sobre as complicações relacionadas ao uso do ácido hialurônico em procedimentos estéticos, com foco nos últimos anos.
  • Identificar os principais fatores de risco associados ao desenvolvimento de complicações.

3. METODOLOGIA

Este estudo trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa e caráter exploratório, desenvolvida a partir da análise de publicações científicas que abordam as complicações relacionadas ao uso do ácido hialurônico em procedimentos estéticos.

A pesquisa foi realizada nas bases de dados PubMed, SciELO, Google Acadêmico, LILACS e CAPES, entre janeiro e setembro de 2025, com último acesso em outubro de 2025. Foram utilizados os seguintes descritores e combinações de busca, em português e inglês:

  • (“ácido hialurônico” OR “hyaluronic acid”) AND (“complicações estéticas” OR “esthetic complications”);
  • (“preenchimento facial” OR “facial filler”) AND (“eventos adversos” OR “adverse events”);
  • (“harmonização facial” OR “facial harmonization”) AND (“ácido hialurônico” OR “hyaluronic acid”).

Aplicaram-se filtros de período de publicação (2013 a 2025), idioma (português e inglês) e disponibilidade de texto completo. Foram incluídos artigos originais, revisões de literatura, relatos de caso e diretrizes clínicas que abordassem o uso do ácido hialurônico em procedimentos estéticos faciais. Foram excluídos trabalhos duplicados, estudos que tratassem de aplicações não estéticas (como articulações, oftalmologia ou odontologia) e publicações sem metodologia identificável.

A análise dos artigos selecionados considerou aspectos como tipos de complicações relatadas, fatores de risco, manifestações clínicas e estratégias de prevenção e tratamento, garantindo transparência e reprodutibilidade ao processo de seleção das evidências e preservando o caráter exploratório e integrativo da revisão.

4. DESENVOLVIMENTO

O uso de ácido hialurônico em procedimentos estéticos é amplamente difundido no Brasil, devido à sua eficácia no tratamento de flacidez, rugas e perda de volume facial, proporcionando resultados naturais e temporários. No entanto, como qualquer intervenção estética, o uso do ácido hialurônico pode levar a complicações se não for administrado adequadamente.

Segundo Almeida et al. (2016), as complicações mais comuns incluem reações inflamatórias, infecções, hematomas e formação de nódulos. Complicações mais graves, como a obstrução de vasos sanguíneos, podem ocorrer e resultar em necrose tecidual, principalmente em áreas de alto risco, como a região periorbital e a ponte nasal. A escolha de um profissional capacitado, bem como o respeito às técnicas e protocolos adequados, é essencial para reduzir o risco desses eventos adversos.

Estudos nacionais apontam que a experiência do profissional e a escolha adequada dos materiais são fatores essenciais para o sucesso dos procedimentos com ácido hialurônico. Lins et al. (2018, p. 45) afirmam: “A experiência clínica do profissional e a qualidade do produto utilizado são determinantes para a prevenção de complicações durante e após os procedimentos com ácido hialurônico.”

A literatura também destaca a importância do acompanhamento contínuo após a aplicação. Conforme Lima et al. (2020, p. 67):

“O acompanhamento pós-procedimento é fundamental para identificar precocemente qualquer reação adversa e implementar medidas corretivas, como a utilização de hialuronidase em casos de infiltrações excessivas ou migratórias.”

Lima et al. (2020, p. 68) reforçam que:

As complicações, embora raras, podem afetar a confiança do    paciente e comprometer os resultados desejados. Por isso, é imprescindível que o profissional mantenha um monitoramento constante e realize um planejamento prévio detalhado, visando minimizar riscos e maximizar os resultados clínicos.

A literatura científica brasileira endossa a necessidade de uma abordagem cautelosa, técnica e ética na aplicação de ácido hialurônico, especialmente considerando a confiança do paciente e os resultados estéticos esperados.

4.1 INTRODUÇÃO AO ÁCIDO HIALURÔNICO

Definição e composição: O Ácido Hialurônico (AH) é um polissacarídeo natural, classificado como glicosaminoglicano não sulfatado, composto por unidades repetidas de ácido glucurônico e N-acetilglucosamina. Está presente em tecidos como pele, articulações, olhos e cordão umbilical, com função importante na hidratação e elasticidade cutânea. Em condições fisiológicas, encontra-se na forma de polianion, denominado hialuronato.

4.1.1 MECANISMO DE AÇÃO NOS TECIDOS

O AH exerce efeito volumizador e hidratante, sendo injetado em diferentes camadas da derme (superficial, média ou profunda). Sua viscoelasticidade permite manter o tônus cutâneo, conferir firmeza e preenchimento aos tecidos e estabilizar membranas celulares. Por ser biocompatível e biodegradável, possui baixa imunogenicidade e é absorvido gradualmente pelo organismo.

Tipos de preenchedores à base de ácido hialurônico:

AH reticulado (monofásico ou bifásico): Estrutura com cross-linking, maior densidade, viscosidade e durabilidade. Indicado para aumento de volume e definição estrutural.

AH não-reticulado: Menor densidade e curta duração. Usado para hidratação superficial ou combinado com vitaminas e colágeno em aplicações tópicas.

A escolha do tipo depende da região a ser tratada, desejo do paciente, e experiência do profissional.

4.2 INDICAÇÕES ESTÉTICAS DO ÁCIDO HIALURÔNICO

4.2.1 REGIÕES FACIAIS MAIS COMUNS PARA APLICAÇÃO

Lábios, sulcos nasogenianos, olheiras, maçãs do rosto, queixo, mandíbula e glabela — sendo esta última de risco elevado para necrose.

4.2.2 RESULTADOS ESPERADOS DOS PROCEDIMENTOS

Redução de linhas e rugas, melhora do contorno facial, reposição de volume perdido, hidratação e melhora da textura da pele. Resultados geralmente imediatos, com efeito duradouro de 6 a 18 meses, dependendo da formulação utilizada.

4.2.3 TÉCNICA DE APLICAÇÃO E SUA IMPORTÂNCIA

A aplicação pode ser realizada por agulhas (maior risco de hematomas) ou cânulas (mais seguras, minimizando riscos vasculares). A escolha da técnica deve considerar a anatomia da região e o perfil do paciente.

4.3    COMPLICAÇÕES        DECORRENTES         DO    USO DO ÁCIDO HIALURÔNICO

4.3.1 CLASSIFICAÇÃO DAS COMPLICAÇÕES (IMEDIATAS, TARDIAS, LEVES E GRAVES)

As complicações podem ser imediatas (como edema, dor e eritema), tardias (como granulomas e nódulos), leves (como prurido e inchaço leve), ou graves (como necrose, cegueira ou infecção extensa).

4.3.2 COMPLICAÇÕES MAIS FREQUENTES: HEMATOMAS, EDEMA, NÓDULOS, INFECÇÕES, NECROSE, CEGUEIRA, ENTRE OUTRAS

As principais complicações incluem: hematomas, resultantes da perfuração de vasos; edemas e eritemas, geralmente transitórios; nódulos e granulomas, que podem requerer hialuronidase ou corticoides; infecções, por falhas de assepsia; necrose tecidual, devido à oclusão vascular; e, em raríssimos casos, cegueira por injeção intra-arterial acidental.

4.3.3 FREQUÊNCIA E IMPACTO DAS COMPLICAÇÕES RELATADAS NA LITERATURA

A literatura aponta que complicações graves são raras, com incidência inferior a 1%. No entanto, quando ocorrem, podem causar danos irreversíveis. O impacto dessas intercorrências reforça a importância da técnica correta, da escolha do produto e do uso de recursos como ultrassonografia de alta frequência para aplicação segura.

4.4 FATORES DE RISCO ASSOCIADOS ÀS COMPLICAÇÕES TÉCNICAS DE APLICAÇÃO INADEQUADA

Estudos indicam que a aplicação inadequada do ácido hialurônico em planos teciduais incorretos é um fator crítico na indução de reações adversas, devido à distensão dos tecidos e ao trauma. Reações inflamatórias transitórias, de leve a moderada intensidade, e equimoses podem ocorrer nos dias subsequentes ao procedimento (Vasconcelos et al., 2020).

A compreensão inadequada da anatomia facial eleva o risco de eventos adversos, especialmente em regiões com maior vascularização. Embora o preenchedor seja seguro e não permanente, não está isento de intercorrências.

Por isso, o profissional deve possuir conhecimento aprofundado sobre anatomia facial, conduta clínica individualizada e domínio sobre a enzima conversora (Freitas et al., 2022).

A falta de qualificação do profissional pode resultar em efeitos adversos decorrentes da aplicação incorreta do ácido hialurônico, como o posicionamento em regiões inadequadas ou o uso de planos de aplicação contraindicados. Por isso, é fundamental que os profissionais estejam capacitados para reconhecer medidas preventivas e manejos apropriados, visando evitar e minimizar os danos colaterais aos pacientes (Monteiro et al., 2023).

O Ácido Hialurônico (AH) é a substância absorvível mais utilizada na prática clínica, apresentando diversas formulações no mercado, com durabilidade dos efeitos clínicos variáveis. Preenchimentos que contém lidocaína em sua composição podem aumentar o risco de sangramento local (Andrade, 2022).

Além disso, é fundamental conhecer a história clínica do paciente, a anatomia facial e as técnicas de injeção para alcançar bons resultados. Profissionais sem capacitação adequada representa risco adicional na aplicação do AH, pois podem não conseguir manejar adequadamente as possíveis reações adversas, como eritemas, edemas, hematomas, abscessos, infecções, alergias, necrose, oclusão vascular e inflamações (Guimarães et al., 2021).

4.5 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DAS COMPLICAÇÕES

Os efeitos adversos precoces, como edema, equimose, vasoclusão, necrose e cegueira, assim como os persistentes, incluindo infecções, nódulos, granulomas e reações de hipersensibilidade, são classificados como eventos de baixa ou rara frequência, apresentados em graus variados (Sesso; Santos, 2023).

O diagnóstico clínico precoce é fundamental, pois a embolização e a compressão vascular são as intercorrências mais graves na harmonização orofacial, decorrentes da injeção de grandes quantidades de material, podendo levar a quadros de isquemia, necrose e até cegueira. O reconhecimento e tratamento rápidos dessas complicações vasculares contribuem para resultados previsíveis e eficazes nos procedimentos (Barbosa et al., 2021).

4.6 ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO E TRATAMENTO BOAS PRÁTICAS NA APLICAÇÃO DO ÁCIDO HIALURÔNICO

A eficácia do ácido hialurônico na melhora estética periocular está associada a baixos índices de complicações quando são utilizadas técnicas apropriadas. A alta demanda pelo uso do ácido hialurônico exige do profissional não apenas habilidade técnica, mas também fundamentação científica sólida (Cardoso, 2025).

O profissional esteta se pode realizar diversos procedimentos faciais minimamente invasivos; contudo, os cuidados e a segurança dos pacientes devem ser priorizados, considerando as possíveis complicações decorrentes desses tratamentos (Carvalho; et al., 2023).

A hialuronidase é uma ferramenta eficaz tanto para o tratamento de episódios adversos agudos quanto para a reversão de resultados insatisfatórios e a diluição de biofilmes, sendo fundamental que todos os profissionais que aplicam ácido hialurônico tenham domínio técnico sobre sua aplicação (Balassiano; Bravo, 2014).

Quanto ao protocolo de atendimento em intercorrências, recomenda-se o uso de anestésicos com epinefrina e compressas frias em casos de equimose, além da rápida compressão da região afetada em caso de ruptura vascular. Em situações de necrose, deve-se realizar um protocolo de injeções de hialuronidase nas primeiras 24 horas após a ocorrência (Balassiano; Bravo, 2014).

4.7 RELEVÂNCIA DA ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL HABILITADO EM PROCEDIMENTOS ESTÉTICOS INJETÁVEIS

A atuação profissional na área estética consiste em promover saúde, bem-estar e harmonia facial e corporal por meio de técnicas fundamentadas em evidência científica. Esses profissionais aplicam procedimentos minimamente invasivos e intervenções não cirúrgicas com o objetivo de tratar alterações morfológicas, restaurar a funcionalidade tecidual e garantir resultados seguros e eficazes. Apesar do perfil de segurança favorável dessas técnicas, é importante reconhecer que complicações podem surgir — sejam precoces ou tardias, e de diferentes graus de gravidade (Parada; et al., 2016). A competência técnica, o conhecimento anatômico e a capacitação contínua são fatores determinantes para minimizar riscos e intervir adequadamente quando necessário.

A formação continuada e a capacitação em harmonização facial são essenciais, incluindo o domínio anatômico da face, abrangendo pele, músculos, vasos e nervos, bem como o conhecimento das substâncias comumente utilizadas, como ácido hialurônico e toxina botulínica. A atuação segura e eficaz exige capacitação contínua, embasamento anatômico sólido e a adoção de protocolos de biossegurança (Avelar, 2025).

Apesar da inexistência de protocolos específicos segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) para procedimentos estéticos, observa-se que o risco de complicações e intercorrências durante ou após esses procedimentos é baixo, desde que haja acompanhamento adequado. A contribuição do profissional para a segurança do paciente e os cuidados paliativos associados aos procedimentos estéticos é fundamental para possibilitar uma boa resposta terapêutica (Trindade et al., 2020).

4.8 RESULTADOS / SÍNTESE DAS COMPLICAÇÕES

Tabela 1 – Características dos estudos incluídos

Autor

Ano País Desenho do estudo Região tratada Complicações relatadas

Principais conclusões

Sesso & Santos

2023 Brasil Revisão Face Edema, equimose, vasoclusão, necrose, cegueira, nódulos, granulomas, reações de hipersensibilidade

Complicações de baixa ou rara frequência, grau variável

Barbosa et al.

2021 Brasil Estudo clínico Face Embolização, compressão vascular, isquemia, necrose, cegueira

Reconhecimento precoce reduz gravidade e melhora resultados

Cardoso

2025 Brasil Revisão Periocular Infecções, nódulos

Técnicas apropriadas reduzem complicações

Carvalho et al.

2023 Brasil Estudo clínico Face Diversas intercorrências

Segurança do paciente deve ser priorizada

Balassiano & Bravo

2014 Brasil Estudo clínico Face Episódios agudos, resultados insatisfatórios

Hialuronidase eficaz no manejo de complicações

Almeida et al.

2016 Brasil Estudo clínico Face Reações inflamatórias, infecções, hematomas, nódulos, obstrução vascular, necrose

Complicações comuns e graves; escolha do profissional reduz riscos

Lins et al.

2018 Brasil Estudo clínico Face Diversas complicações

Experiência do profissional e qualidade do produto previnem eventos adversos

Lima et al.

2020 Brasil Estudo clínico Face Reações adversas raras

Acompanhamento pós-procedimento permite intervenção precoce

Freitas et al.

2022 Brasil Estudo clínico Face Efeitos adversos leves a moderados, equimose

Anatomia facial inadequada aumenta risco

Guimarães et al.

2021 Brasil Estudo clínico Face Eritemas, edemas, hematomas, abscessos, infecções, alergias, necrose, oclusão vascular, inflamações

Profissionais não capacitados aumentam risco de complicações

Fonte: Elaborado pelas autoras (2025), a partir dos estudos incluídos.

 

Tabela 2 – Frequência relativa ou resumo descritivo das complicações

Complicação

Estudos que reportaram e ano

Observações

Edema

Sesso & Santos 2023;

Almeida et al. 2016;

Guimarães et al. 2021

Geralmente transitório

Equimose

Sesso & Santos 2023;

Freitas et al. 2022;

Guimarães et al. 2021

Relacionado à perfuração de vasos

Nódulos / Granulomas

Sesso & Santos 2023;

Almeida et al. 2016;

Cardoso 2023

Podem necessitar hialuronidase ou corticoide

Infecção

Cardoso 2025;

Almeida et al. 2016;

Guimarães et al. 2021

Associada a falha de assepsia

Necrose

Sesso & Santos 2023;

Barbosa et al. 2021,

Almeida et al. 2016;

Guimarães et al. 2021

Áreas de alto risco: periorbital e ponte nasal

Cegueira

Sesso & Santos 2023;

Barbosa et al. 2021;

Almeida et al. 2016

Rara, causada por injeção intra-arterial

Reações hipersensibilidade

Sesso & Santos 2023

Geralmente baixa frequência

Obstrução vascular

Almeida et al. 2016

Pode levar à necrose

Hematomas

Almeida et al 2016;

Guimarães et al. 2021

Relacionados à técnica e lidocaína

Eritema / Inflamação

Freitas et al. 2022;

Guimarães et al. 2021

Leve a moderada intensidade

Fonte: Elaborado pelas autoras (2025), a partir dos estudos incluídos.

4.8.1 SÍNTESE NARRATIVA DAS COMPLICAÇÕES

A aplicação de ácido hialurônico em procedimentos estéticos apresenta, em geral, perfil de segurança favorável; entretanto, podem ocorrer complicações, embora de baixa a rara frequência. Entre as intercorrências precoces destacam-se edema, equimose, vasoclusão, necrose e cegueira, enquanto as complicações tardias incluem infecções, nódulos, granulomas e reações de hipersensibilidade (Sesso; Santos, 2023).

As intercorrências mais graves, como embolização ou compressão vascular, são frequentemente associadas à injeção em planos teciduais inadequados ou à aplicação de volumes excessivos, podendo resultar em isquemia, necrose tecidual e cegueira. O diagnóstico precoce, aliado à intervenção imediata com recursos como hialuronidase, anestésicos e compressas frias, é determinante para a redução da gravidade dos eventos adversos (Barbosa et al., 2021; Balassiano; Bravo, 2014).

Além disso, fatores como experiência clínica do profissional, conhecimento anatômico detalhado, escolha apropriada do tipo de ácido hialurônico e acompanhamento pós-procedimento influenciam diretamente a prevenção e o manejo das complicações (Almeida et al., 2016; Lins et al., 2018; Lima et al., 2020; Guimarães et al., 2021). A literatura enfatiza que a capacitação contínua, o uso de protocolos de segurança e a aplicação de técnicas corretas são essenciais para minimizar riscos e garantir resultados estéticos eficazes e previsíveis.

Em síntese, a prática segura do ácido hialurônico depende da combinação entre conhecimento científico, domínio técnico e monitoramento constante, assegurando que o profissional possa intervir prontamente em intercorrências e manter a confiança do paciente, bem como a qualidade dos resultados obtidos.

4.9 QUALIDADE DA EVIDÊNCIA E LACUNAS

Tabela 3 – Qualidade da Evidência

Autor e ano

Tipo de estudo Risco de viés (baixo/médio/alto)

Justificativa

Sesso & Santos 2023

Revisão Médio

Revisão narrativa, sem meta-análise ou critérios claros de seleção

Barbosa et al. 2021

Estudo clínico Baixo

Definição clara de desfechos e acompanhamento adequado

Cardoso 2025

Revisão Médio

Revisão ampla, mas sem detalhamento quantitativo das complicações

Carvalho et al. 2023

Estudo clínico Baixo

Metodologia bem descrita e dados confiáveis

Balassiano & Bravo 2014

Estudo clínico Médio

Pequena amostra e ausência de randomização

Almeida et al. 2016

Estudo clínico Baixo

Seguimento adequado e critérios claros para complicações

Lins et al. 2018

Estudo clínico Baixo

Detalhes metodológicos consistentes e resultados reproduzíveis

Lima et al. 2020

Estudo clínico Médio

Dados completos, mas amostra limitada

Freitas et al. 2022

Estudo clínico Médio

Falta detalhamento sobre critérios de avaliação de complicações

Guimarães et al. 2021

Estudo clínico Baixo

Bom delineamento metodológico e acompanhamento pós-procedimento

Fonte: Elaborado pelas autoras (2025), a partir dos estudos incluídos.

Qualidade da evidência e lacunas:

  • A maioria dos estudos nacionais sobre complicações do ácido hialurônico apresenta qualidade moderada a boa, mas existem limitações, como pequena amostra, falta de randomização, ausência de dados quantitativos uniformes e variabilidade na descrição das intercorrências.
  • Há lacunas na literatura, incluindo:
    • Falta de estudos comparativos entre diferentes técnicas ou produtos
    • Poucos dados sobre incidência real e gravidade das complicações o Necessidade de protocolos padronizados de acompanhamento pós-aplicação
  • Apesar das evidências indicarem baixo risco de complicações graves, a heterogeneidade dos estudos exige cautela na extrapolação para diferentes contextos clínicos.
  • A análise reforça a importância de profissionais capacitados e adoção de protocolos de biossegurança, considerando que fatores técnicos influenciam diretamente a ocorrência de eventos adversos.

5 DISCUSSÃO

5.1 COMPARAÇÃO COM LITERATURA INTERNACIONAL

5.1.1 COMPLICAÇÕES SÃO GERALMENTE RARAS E DE BAIXA GRAVIDADE

Os preenchimentos com Ácido Hialurônico (AH) são amplamente considerados procedimentos seguros, embora possam ocorrer complicações leves, como edema, eritema e equimose, ou, mais raramente, eventos graves, como oclusão vascular, necrose tecidual e cegueira. Diferenças podem ocorrer devido à heterogeneidade das técnicas, à formação dos profissionais e aos protocolos utilizados.

Diferenças observadas entre os estudos brasileiros e internacionais podem estar associadas a fatores como:

  • Heterogeneidade nas técnicas aplicadas (agulha vs. cânula);
  • Diferenças na formação e experiência dos profissionais;
  • Variabilidade na escolha de produtos e protocolos de prevenção.

Apesar da similaridade geral nos tipos de complicações, estudos internacionais tendem a fornecer dados mais quantitativos e padronizados, enquanto a literatura nacional apresenta maior predominância de relatos clínicos e revisões narrativas. Isso reforça a necessidade de padronização metodológica para comparações futuras.

5.1.2 IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA CLÍNICA

  • Redução do risco de perfuração vascular com o uso de cânulas;
  • Aplicação imediata de hialuronidase em casos de necrose;
  • Treinamento obrigatório em anatomia facial e técnicas de aplicação;
  • Monitoramento pós-procedimento para detecção precoce de intercorrências;
  • Respeito aos volumes recomendados em cada região facial.

Essas medidas garantem segurança e resultados previsíveis, reforçando a importância da capacitação contínua dos profissionais e da adoção de protocolos padronizados.

5.2 IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA CLÍNICA

Com base nos achados desta revisão, recomenda-se:

  1. Uso de cânulas em áreas de risco, como região periorbital e ponte nasal, para reduzir o risco de perfuração vascular.
  2. Protocolo de emergência com hialuronidase, especialmente em casos de necrose ou obstrução vascular, com aplicação imediata nas primeiras 24 horas.
  3. Treinamento mínimo obrigatório para profissionais que aplicam ácido hialurônico, incluindo conhecimento anatômico detalhado, técnicas de aplicação e manejo de intercorrências.
  4. Acompanhamento pós-procedimento, monitorando sinais precoces de reações adversas, garantindo intervenção rápida e preservando resultados estéticos.
  5. Escolha criteriosa do produto e respeito aos volumes recomendados para cada região facial, evitando sobrepreenchimento ou injeções em planos inadequados.

Estas recomendações visam minimizar riscos e assegurar resultados previsíveis e seguros, reforçando que a capacitação profissional e protocolos padronizados são essenciais.

6 CONCLUSÃO

O ácido hialurônico consolidou-se como um dos principais recursos na estética facial no Brasil, devido à sua eficácia na correção de flacidez, rugas e perda de volume, proporcionando resultados naturais e temporários. A realização segura desses procedimentos depende da capacitação técnica do profissional, do conhecimento anatômico aprofundado e da escolha criteriosa dos materiais utilizados.

Embora as complicações sejam geralmente raras, elas podem variar desde reações inflamatórias leves até eventos graves, como necrose tecidual e cegueira. Esses achados reforçam a necessidade de abordagem cautelosa, que inclua planejamento detalhado, técnicas adequadas e acompanhamento clínico pós-aplicação, permitindo o monitoramento e manejo precoce de intercorrências.

A literatura evidencia que a ocorrência de eventos adversos está diretamente relacionada à experiência e qualificação do profissional, bem como à observância de protocolos clínicos rigorosos. Dessa forma, a capacitação contínua, o conhecimento anatômico detalhado e a escolha adequada de produtos constituem pilares fundamentais para a mitigação de riscos e a preservação da segurança do paciente.

Com base nas evidências disponíveis, parece haver baixo risco de complicações graves quando os procedimentos são realizados de forma técnica e responsável. Entretanto, estudos prospectivos e controlados são necessários para quantificar com precisão a incidência de eventos adversos, validar protocolos de prevenção e manejo, e assegurar a prática segura e eficaz do ácido hialurônico na estética facial.

REFERÊNCIAS

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AVELAR, T. R. Capacitação em harmonização facial: abordagem anatômica e biossegurança. Revista Científica de Biomedicina, v. 9, n. 1, p. 4552, 2025.

BALASSIANO, L.; BRAVO, B. O uso da hialuronidase no tratamento das complicações do ácido hialurônico. Revista Brasileira de Cirurgia Dermatológica, v. 11, n. 1, p. 30-36, 2014.

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INFORMAÇÕES SOBRE OS AUTORES

[1] Graduanda em Biomedicina. ORCID: 0009-0005-5363-0414.

[2] Graduanda em Biomedicina. ORCID: 0009-0005-8964-309X.

[3] Orientadora. Mestrado (Stricto Sensu) em Plantas Medicinais e Fitoterápicos na Atenção Básica (Universidade Paranaense – UNIPAR, 2020); Pós-Graduação Lato Sensu em Fitoterapia e Prescrição de Fitoterápicos (2022); Pós-Graduação Lato Sensu em Dermoestética (Universidade Paranaense – UNIPAR, 2011); Tecnóloga em Estética e Cosmetologia (Universidade Paranaense – UNIPAR, 2008); Bacharel em Biomedicina (2024). ORCID: 0000-0001-9903-8428. Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/9359793968794079.

Contribuição dos autores:

Gabriela Hoger: Idealização do estudo, definição do problema de pesquisa, redação do manuscrito, revisão crítica do conteúdo científico, orientação metodológica, supervisão da revisão integrativa e validação das conclusões.

Andressa Karina Demarchi Loeblein: Coleta e análise dos dados, revisão da literatura, elaboração de tabelas e figuras, revisão gramatical, padronização das referências e apoio na formatação do manuscrito para submissão.

Milena da Silva Lorencete: Orientação acadêmica e científica, supervisão do desenvolvimento do estudo, acompanhamento metodológico, revisão crítica e aprovação final do conteúdo do manuscrito.

INFORMAÇÕES SOBRE O MATERIAL

Conflito de interesse:

Não há conflito de interesse.

Agradecimentos e Financiamento:

Não há Financiamento.

Nota:

Os autores utilizaram a Inteligência Artificial CHATGPT versão GPT-5 para correção ortográfica e gramatical. No entanto, todas as buscas pelos conteúdos e classificação da qualidade dos artigos foram realizadas de maneira autoral.

Informações sobre Direitos Autorais e Licença:

Este é um artigo de Acesso Aberto distribuído sob os termos da Creative Commons Attribution License, que permite uso, distribuição e reprodução irrestritos em qualquer meio, desde que o autor e a fonte originais sejam creditados.

Os nomes e endereços informados nesta revista serão usados exclusivamente para os serviços prestados por esta publicação, não sendo disponibilizados para outras finalidades ou a terceiros.

  • ISSN (versão eletrônica): 2448-0959.
  • Licença Creative Commons: Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional.

Histórico da Publicação:

Material recebido: 27 de outubro de 2025.

Material aprovado pelos pares: 04 de novembro de 2025.

Material editado aprovado pelos autores: 20 de novembro de 2025.

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Gabriela Hoger

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