REVISÃO INTEGRATIVA
SANTOS, Thaylla Pereira dos [1], SILVA, Sabrina de Almeida [2], SANTOS, Caroline Fernanda dos [3], LAVA, Gabriela Ferreira de Araújo [4]
SANTOS, Thaylla Pereira dos et al. Intervenções de enfermagem obstétrica para o alívio da dor do parto: uma revisão. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 09, Ed. 08, Vol. 01, pp. 101-134. Agosto de 2024. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/intervencoes-de-enfermagem, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/saude/intervencoes-de-enfermagem
Objetivo: investigar na literatura as intervenções adotadas pelo profissional de enfermagem obstétrico no alívio da dor, durante a assistência ao parto. Método: trata-se de uma revisão integrativa, com dados coletados entre junho e agosto de 2023, nas bases WoS, PubMed/Medline, SCOPUS e LILACS, utilizando os descritores dor do parto, enfermagem obstétrica, saúde da mulher e seus correspondentes em inglês, obtendo-se uma amostra final de 43 estudos, para maior rigor metodológico, os estudos selecionados foram balizados pelas diretrizes do PRISMA. Resultados: a análise dos artigos demonstrou que as intervenções mais utilizadas, por enfermeiros obstetras, foram as práticas integrativas e complementares, a hidroterapia e as técnicas de respiração. Conclusão: a utilização dos métodos não farmacológicos para o alívio da dor como intervenção de enfermagem contribuem para dar suporte e controlar a percepção de dor nas parturientes, porém não se pode fazer uma generalização e dizer qual método é mais eficaz hierarquicamente.
Palavras-chave: Enfermagem Obstétrica, Parto Humanizado, Dor do Parto, Cuidados de Enfermagem, Métodos Terapêuticos Complementares.
O processo de dor envolve fatores fisiológicos, sociais, cognitivos e culturais, no qual, a dor é definida como uma experiência sensorial e emocional desagradável, que tem potencial para causar danos aos tecidos. Dessa forma, a avaliação da dor de um paciente é essencial para que possa ser prestado um cuidado de acordo com as necessidades de cada indivíduo (Castro; Pereira; Bastos, 2018) uma vez que ela influencia diretamente no bem-estar físico e psicossocial do ser humano, comprometendo sua qualidade de vida (Almeida; Medeiros; Souza, 2012).
Estudos apontam que os profissionais de saúde se utilizam de aspectos comportamentais, dentre eles a entonação da voz, expressão facial, modo de agir, como formas de avaliar a presença da dor, por meio de escalas que são chamadas de mensuração da dor (Nascimento et al., 2016). No começo dos anos 2000, a dor passou a ser considerada o quinto sinal vital, sendo desenvolvidas diversas escalas, de mensuração, que permitissem a melhoria da assistência ao paciente (Heinen et al., 2016).
Os múltiplos sentimentos vivenciados durante a gestação são exacerbados no momento do parto, levando as parturientes a manifestar preocupações e medo. Deve-se considerar que os eventos que ocorrem durante o nascimento, vão além do ato em si, representando uma experiência única para cada mulher, influenciada por sua condição psicológica, como a presença de ansiedade, estresse e medo (Pitilin et al., 2022).
No Brasil a assistência obstétrica é marcada pela medicalização e intervenções desnecessárias, que levam a resultados maternos e perinatais desfavoráveis (Prata et al, 2022).Visando diminuir o número de cesáreas eletivas e reduzir o número de intervenções, no processo natural do parto, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde (MS) propuseram uma mudança na forma de atendimento, com ênfase na humanização, de forma que qualquer intervenção no processo natural do parto fosse realizada somente se configura-se mais segura do que a não intervenção (Castro; Pereira; Bastos, 2018).
A qualificação e humanização da assistência ao parto é algo relevante, que visa reduzir as intervenções desnecessárias e incentivar o uso de tecnologias e/ou terapias complementares. A enfermagem obstétrica atua na assistência às mulheres em trabalho de parto e busca oferecer alternativas que vão além da medicação para um parto tranquilo e sem dor, por meio de práticas integrativas ou de Tecnologias Não Invasivas de Cuidados de Enfermagem (TNICE) (Prata et al., 2022, Dias et al., 2018).
A dor do parto pode trazer graves consequências, como um trabalho de parto prolongado, o que aumenta o risco de sofrimento fetal. Portanto, torna-se necessário que os profissionais de saúde, principalmente enfermeiros, estejam aptos a adotar intervenções que auxiliem as gestantes na melhor forma de conduzir a dor do parto, contribuindo para um bom desfecho para mães e bebês (Reis et al., 2022).
Diante disso, o presente estudo teve como objetivo investigar na literatura as intervenções adotadas pelo profissional de enfermagem obstétrico no alívio da dor, durante a assistência ao parto.
Trata-se de uma Revisão Integrativa da Literatura (RIL), visto que esse método proporciona uma síntese de conhecimento e incorporação da aplicabilidade de resultados de estudos significativos a partir do conhecimento atual sobre determinada temática, podendo contribuir com resultados e embasamento teórico para a prática em enfermagem (Souza; Silva; Carvalho, 2010).
Para a construção deste estudo optou-se por seguir os seguintes percursos: 1. Definição da questão norteadora e objetivo; 2. Delineamento dos critérios de inclusão e exclusão a partir da amostragem; 3. Categorização dos estudos por meio da análise dos artigos; 4. Avaliação dos estudos incluídos; 5. Interpretação dos resultados e 6. Apresentação da revisão mediante a síntese do conhecimento (Mendes; Silveira; Galvão, 2008) e para nortear a coleta de dados utilizou-se um instrumento validado, que assegura a totalidade dos dados relevantes, minimizando riscos de erros na transcrição da definição dos participantes da pesquisa, da metodologia, do tamanho da amostra, da mensuração das variáveis, dos métodos de análise e dos conceitos embasadores que foram empregados (Ursi, 2006).
Utilizou-se a estratégia do acrônimo PICO para a definição da questão norteadora, a partir dos componentes população, paciente ou problema, interesse, procedimento ou intervenção e contexto ou desfecho (Santos; Pimenta; Nobre, 2007). Assim, a questão norteadora foi delimitada como: “Quais as intervenções de enfermagem para o alívio da dor durante o trabalho de parto?” e o quadro 1 representa os elementos utilizados.
Quadro 1- Elementos utilizados para a delimitação da questão norteadora
A busca metodológica ocorreu no período de junho a julho de 2023, utilizando as bases de dados Web of Science (WoS), National Library of Medicine (PubMed/Medline), Sciverse Scopus (SCOPUS) e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), considerando os descritores, identificados nos Descritores em Ciência da Saúde (DECs), nos idiomas português: dor do parto; enfermagem obstétrica; Saúde da Mulher e seus correspondentes em inglês, no MeSH (Medical Subject Headings): Labor pain; Obstetric nursing e Women’s health. A estratégia de busca nas bases de dados utilizou os descritores combinados pelo operador booleano AND das seguintes maneiras: “Labor pain” AND “Obstetric nursing” AND “Women’s health” na WoS, SCOPUS e na PubMed/Medline e por fim “dor do parto” AND “enfermagem obstétrica” AND “saúde da mulher” na LILACS.
Foram estabelecidos como critérios de inclusão dos estudos artigos originais, disponíveis na íntegra, nos idiomas português, inglês e espanhol, que abordassem a atuação e importância do profissional de enfermagem obstétrica no alívio da dor do parto, publicados entre os anos de 2018 a 2022, considerando as publicações mais recentes sobre a temática. Já os artigos que não possuíam relação com a temática central do estudo, ou tratavam-se de estudos do tipo editoriais, cartas ao editor, resumos, opiniões de especialistas, correspondências, resenhas, capítulos de livros, guidelines e protocolos, teses e dissertações foram excluídos.
Na perspectiva de maior rigor metodológico, os estudos selecionados foram balizados pelas diretrizes Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta Analyses (PRISMA) (Moher et al., 2009). Na busca inicial, foram encontrados 441 estudos, sendo 121 na WoS, 143 PubMed/Medline, 126 na SCOPUS e 51 na LILACS. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão chegou-se à amostra final de 43 estudos.
Para elencar o nível de evidência considerou-se sete níveis: (1) Nível I, revisão sistemática ou metanálise de ensaios clínicos randomizados controlados; (2) nível 2, ensaio clínico randomizado controlado bem delineado; (3) nível 3, ensaios clínicos bem delineados sem randomização e estudos com delineamento quase-experimental, sem randomização; (4) nível 4, estudo de coorte e de caso-controle; (5) nível 5, estudos de revisão sistemática de estudos descritivos e qualitativos; (6) nível 6, evidências de um único estudo descritivo ou qualitativo; (7) nível 7, evidências oriundas de opinião de autoridades e/ou relatórios de comitê de especialistas (Melnyk; Overholt, 2005).
Para análise dos dados foi utilizado um quadro sinóptico, contemplando os dados: título, autor(es)/ano de publicação, base de dados, objetivo, delineamento, nível de evidência e os resultados que respondem à questão norteadora
Figura 1- Fluxograma do processo de seleção dos estudos
Dentre os estudos selecionados (n=43), 10 artigos foram encontrados na base de dados WoS, 15 na PubMed/Medline, cinco na SCOPUS e 13 na LILACS, em relação ao ano de publicação encontrou-se sete (17%) publicados em 2018, seis (15%) publicados em 2019, 10 (23%) publicados em 2020, 10 (23%) publicados em 2021 e 10 (23%) publicados em 2022.
Quanto ao nível de evidência observa-se a predominância do nível 6 (estudos descritivos ou qualitativos) com 17 (40%) estudos classificados, seguido do nível 2 (ensaios clínicos randomizados controlados bem delineados) com 12 (28%) estudos, nível 4 (estudo de coorte e de caso controle) com nove (21%) estudos, nível 1 (revisão sistemática ou metanálise de ensaios clínicos randomizados controlados) com quatro (9%) estudos e nível 3 (estudo quase-experimental) com um (2%) estudo.
O quadro 2, apresenta o quadro sinóptico síntese dos estudos incluídos para a realização desta RIL, apresentando título, autores/ano de publicação, base de dados, objetivo, delineamento, nível de evidência e os resultados que respondem à questão norteadora.
Quadro 2- Quadro sinóptico dos estudos incluídos na RIL.
| Nº | Título | Autores/ ano de publicação | Base de dados | Objetivo | Delineamento | Nível de evidência | Intervenções de enfermagem para o alívio da dor durante o trabalho de parto
|
| E1 | Parto na água na gravidez de baixo risco: uma exploração das experiências das mulheres. | Carlsson; Ufsdotti (2020)
| WoS | Explorar descrições retrospectivas sobre benefícios, experiências negativas e informações preparatórias relacionadas ao parto na água. | Estudo qualitativo | 6 | Hidroterapia. |
| E2 | Analgesia e Anestesia Obstétrica. | Plante; Gaiser (2019) | WoS | Revisar as opções médicas de analgesia durante o trabalho de parto e anestesia para procedimentos cirúrgicos comuns no momento do parto. | Revisão sistemática e metanálise | 1 | Massoterapia, relaxamento, hidroterapia, acupuntura e hipnoterapia. |
| E3 | Pilates para gestantes de baixo risco: protocolo de estudo para um ensaio controlado randomizado. | Mazzari; Morris; Kerr (2021)
| WoS | Comparar uma intervenção de Pilates baseada na comunidade de 6 semanas liderada por uma parteira com cuidados pré-natais padrão. | Estudo controlado randomizado | 2 | Pilates/exercícios perineais com bola suíça |
| E4 | ‘Jogo da Amarelinha’: avaliação das mulheres sobre o uso dos passos durante o trabalho de parto. | Carrol et al., (2022) | WoS | Avaliar os passos das amarelinhas de parto consideradas mais úteis, examinar o uso de métodos não farmacológicos e farmacológicos de alívio da dor utilizados durante o trabalho de parto e, investigar os resultados do trabalho de parto e nascimento de mulheres que utilizaram a Amarelinha de Parto durante o trabalho de parto. | Estudo transversal descritivo | 6 | Deambulação |
| E5 | Efeitos da dança e da música na dor e no medo durante o parto. | Gönenç, Hacer, Dikmen (2020) | WoS | Testar os efeitos da dança e da música e somente da música sobre a dor e o medo durante a fase ativa do trabalho de parto em mulheres nulíparas. | Estudo simples-cego, randomizado, controlado | 2 | Musicoterapia e dança |
| E6 | Uso de óxido nitroso durante o trabalho de parto: satisfação, efeitos adversos e preditores de conversão para analgesia neuroaxial. | Nodine et al. (2020) | WoS | Investigar características demográficas, segurança e satisfação em uma coorte de parturientes que usaram analgesia com óxido nitroso (N2 O) inalatório e determinar preditores de conversão de N2 O para analgesia neuroaxial | Estudo de coorte | 4 | Inalação de óxido nitroso. |
| E7 | Efeito da imersão em água nos resultados do trabalho de parto: um ensaio clínico randomizado. | Darsareh; Nourbakhsh; Dabiri (2018) | WoS | Determinar os efeitos da imersão em água durante o primeiro estágio do trabalho de parto sobre os resultados do trabalho de parto. | Estudo controlado randomizado | 2 | Hidroterapia. |
| E8 | Efeito do exercício aeróbico na água durante a gravidez no uso epidural e na dor: um estudo multicêntrico, randomizado e controlado. | Carrascosa et al. (2021) | WoS | Analisar a efetividade e a segurança do exercício aquático aeróbio moderado por gestantes no uso subsequente de analgesia peridural durante o trabalho de parto, indução do trabalho de parto, tipo de parto e percepção da dor. | Estudo multicêntrico, randomizado e controlado | 2 | Hidroterapia. |
| E9 | Associação de óxido nitroso auto-administrado para analgesia de parto com processo materno e neonatal e medidas de resultados. | Hoffman et al. (2021) | WoS | Descrever padrões de uso de óxido nitroso auto-administrado (N2O) durante o trabalho de parto e determinar se o processo materno e neonatal e as medidas de resultado diferem para mulheres que usam N2O em comparação com mulheres que não usam N2O. | Estudo de coorte retrospectivo | 4 | Inalação de óxido nitroso |
| E10 | Uso de bloqueio do nervo pudendo entre parteiras na Noruega: um estudo transversal nacional. | Lukasse et al. (2022) | WoS | Examinar o uso de bloqueio do nervo pudendo (BNP) por parteiras na Noruega. | Estudo transversal | 2 | Bloqueio do nervo pudendo (BPN) |
| E11 | Intervenções não farmacológicas durante o parto para alívio da dor, ansiedade e parâmetros de estresse neuroendócrino: um estudo controlado randomizado. | Henrique et al. (2018) | Pubmed/ Medline | Investigar o efeito de hidroterapia com chuveiro quente e exercícios perineais com bola sobre os parâmetros de dor, ansiedade e estresse neuroendócrino durante o parto. | Estudo controlado randomizado | 2 | Hidroterapia e exercícios perineais com bola suíça. |
| E12 | Cultura, banho e hidroterapia no trabalho de parto: um estudo piloto descritivo exploratório. | Benfield; Heitkemper; Newton (2018) | Pubmed/ Medline | Descrever as experiências de banho de mulheres grávidas, banho no trabalho de parto e crenças culturais sobre o banho. | Estudo exploratório e descritivo | 6 | Hidroterapia, educação em saúde e comunicação efetiva. |
| E13 | Experiência e satisfação das mulheres com os cuidados de maternidade liderados por parteiras: uma pesquisa transversal na China. | Liu et al. (2021) | Pubmed/ Medline | Descrever a experiência de mulheres chinesas que recebem cuidados de maternidade liderados por profissionais da saúde e relatar seu nível de satisfação com a experiência. | Estudo transversal | 6 | Posicionamento, deambulação, técnicas de respiração, uso de compressas perineais aquecidas. |
| E14 | Atitude dos prestadores de cuidados obstétricos e utilização do manejo não farmacológico da dor do parto nas unidades de saúde estaduais regionais de Harari, Etiópia. | Eyeberu et al. (2022) | Pubmed/ Medline | Descrever as atitudes dos prestadores de cuidados obstétricos e a utilização do tratamento não farmacológico da dor do parto. | Estudo transversal | 6 | Hidroterapia, massoterapia, deambulação, estimulação elétrica nervosa transcutânea, respiração. |
| E15 | Uma pesquisa transversal sobre o controle da dor do parto e a satisfação das mulheres. | Pietrzak et al. (2022) | Pubmed/ Medline | Avaliar a intensidade da dor do parto antes e após o uso de intervenções não farmacológicas e farmacológicas e avaliar a satisfação das mulheres com o manejo da dor do parto. | Estudo transversal multicêntrico | 4 | Posicionamento, deambulação, técnicas de respiração, hidroterapia. |
| E16 | Tecnologias não invasivas de cuidado utilizadas por enfermeiras obstétricas: contribuições terapêuticas. | Prata et al. (2022) | Pubmed/ Medline | Descrever as contribuições terapêuticas da utilização de tecnologias não invasivas de cuidado, oferecidas por enfermeiros obstétricas, durante o trabalho de parto. | Estudo qualitativo descritivo | 6 | Relaxamento, massoterapia, hidroterapia, óleos essenciais (aromaterapia), técnicas de respiração, posicionamento e movimentos corporais. |
| E17 | O efeito da massagem sacral na dor e ansiedade do parto: um estudo controlado randomizado. | Çevik; Karadum (2020) | Pubmed/ Medline | Determinar o efeito da massagem sacral sobre a dor e ansiedade do trabalho de parto. | Experimental, randomizado, controlado | 2 | Massoterapia. |
| E18 | Efeitos da aromaterapia com Rosa damascena na dor e ansiedade do trabalho de parto durante a primeira fase do trabalho de parto. | Hamdamian et al. (2018)
| Pubmed/ Medline | Avaliar os efeitos da aromaterapia com Rosa Damascena na dor e ansiedade no primeiro estágio do trabalho de parto em nulíparas. | Estudo clínico randomizado | 2 | Aromaterapia. |
| E19 | Percepções de mulheres e parceiros sobre as posições de parto e parto: uma metassíntese. | Shorey; Chan; Lalor (2022)
| Pubmed/ Medline | Explorar as percepções das mulheres e seus parceiros sobre as posições de parto durante o primeiro e segundo estágio do trabalho de parto, para que os profissionais de saúde da maternidade possam oferecer cuidados centrados no paciente de melhor qualidade. | Revisão sistemática – Meta Análise | 1 | Posicionamento. |
| E20 | Efeito da mudança de posição e massagem nas costas na percepção da dor durante a primeira fase do trabalho de parto.
| Ali; Ahmed (2018)
| Pubmed/ Medline | Identificar o impacto da mudança de posição ou da massagem nas costas na percepção da dor durante a primeira fase do trabalho de parto. | Estudo quase- experimental. | 3 | Posicionamento e massoterapia. |
| E21 | O efeito das estratégias holísticas de apoio ao parto no enfrentamento da dor do parto, na satisfação com o parto e no medo do parto: um estudo randomizado, triplo-cego e controlado.
| Akbaş; Şat; Sözbir (2022) | Pubmed/ Medline | Avaliar os efeitos das intervenções realizadas de acordo com o algoritmo de enfrentamento da dor do parto (estratégias holísticas de apoio ao parto) sobre o enfrentamento da dor do parto, satisfação com o parto e medo do parto pelas mulheres. | Estudo randomizado, triplo-cego e controlado | 1 | Apoio emocional. |
| E22 | Uso de controle da dor no parto entre mulheres migrantes na Islândia: um estudo de coorte de base populacional.
| Guðmundsdóttir et al. (2022) | Pubmed/ Medline | Descrever a utilização, por mulheres migrantes, de métodos de tratamento da dor oferecidos na assistência à maternidade intraparto. | Estudo de coorte | 4 | Acupuntura, estimulação do nervo elétrico transcutâneo, hidroterapia, aromaterapia e inalação de óxido nitroso. |
| E23 | O efeito da acupressão GB21 na intensidade da dor no primeiro estágio do trabalho de parto em mulheres primíparas: um estudo controlado randomizado. | Hamideh et al. (2021) | Pubmed/ Medline | Examinar o efeito da acupressão GB21 na dor do parto.
| Estudo controlado randomizado. | 1 | Acupressão. |
| E24 | Efetividade da auriculoterapia sobre a dor do trabalho de parto: ensaio clínico randomizado.
| Mafetoni et al. (2019)
| Pubmed/ Medline | Avaliar a efetividade da auriculoterapia sobre a dor na fase ativa do trabalho de parto | Ensaio clínico randomizado | 2 | Auriculoterapia. |
| E25 | Injeções de água estéril para o alívio da dor do parto (o estudo SATURN): protocolo de estudo para um estudo controlado randomizado. | Lima et al. (2022)
| Pubmed/ Medline | Investigar o uso de injeções de água intradermicamente no abdômen para aliviar a dor da contração do parto.
| Caso controle | 4 | Hidroterapia. |
| E26 | Resultados do parto na água em uma prática de obstetrícia baseada em hospital nos EUA: um estudo retrospectivo de coorte de imersão em água durante o trabalho de parto e nascimento. | Neiman et al. (2020) | SCOPUS | Gerar evidências sobre os resultados maternos e neonatais relacionados à imersão em água durante o trabalho de parto e durante o parto. | Estudo de coorte retrospectivo | 4 | Hidroterapia. |
| E27 | Atuação das enfermeiras residentes em obstetrícia na assistência ao parto. | Santana et al. (2019)
| SCOPUS | Descrever boas práticas de assistência ao parto e intervenções obstétricas realizadas por enfermeiras residentes em obstetrícia durante o parto de risco obstétrico em uma maternidade pública de Salvador. | Estudo transversal descritivo com abordagem quantitativa | 6 | Hidroterapia, deambulação, posicionamento. |
| E28 | Aplicação de massagem de fricção digital no nível de dor, conforto e duração da fase de trabalho de parto. | Sudirman; Hartati; Rajiani (2019)
| SCOPUS | Investigar a intervenção de enfermagem independente utilizando o alívio da dor da massagem frictiva digital (MRD) e seu efeito no nível de dor, conforto e duração da fase ativa do trabalho de parto de primíparas. | Design experimental pré-teste-pós-teste com um grupo controle | 4 | Digitopressão ou acupressão. |
| E29 | Efeito da Enfermagem obstétrica na dor durante o parto natural e recuperação pós-parto. | Ou; Zhou;Xiang (2018) | SCOPUS | Estudar o efeito da enfermagem fina pré-parto sobre o índice de dor de gestantes durante o parto normal e a recuperação puerperal materna, fornecendo subsídios teóricos para a escolha da modalidade clínica de trabalho da enfermagem. | Estudo de caso-controle | 4 | Apoio emocional, técnicas de respiração e comunicação efetiva. |
| E30 | Práticas obstétricas de uma maternidade pública em Rio Branco-AC. | Lima et al. (2018) | SCOPUS | Identificar as práticas obstétricas na assistência ao parto e nascimento em uma maternidade pública de Rio Branco, Acre. | Estudo transversal exploratório descritivo | 6 | Posicionamento e movimento. |
| E31 | Atuação da enfermeira obstetra em parto de risco habitual: um guia de cuidados. | Juliatto (2019)
| LILACS | Identificar as dificuldades e potencialidades do serviço de obstetrícia no cenário do estudo e construir um Guia de cuidados para a atuação da enfermeira obstetra em parto de risco habitual. | Estudo convergente assistencial | 6 | Hidroterapia, Massoterapia, deambulação, técnicas de respiração, apoio emocional e comunicação efetiva. |
| E32 | Práticas assistenciais em partos de risco habitual assistido por enfermeiras obstétricas. | Ritter; Gonçalves; Gouveia (2020) | LILACS | Comparar as práticas assistenciais em partos de risco habituais assistidos por enfermeiras obstétricas em um hospital público de Porto Alegre/ RS no ano de 2012 (início do modelo colaborativo na instituição) – com as práticas assistenciais realizadas no ano de 2016. | Estudo transversal retrospectivo, analítico | 4 | Exercícios perineais com bola suíça e posicionamento. |
| E33 | Tecnologias de cuidado para alívio da dor na parturição. | Marins et al. (2020) | LILACS | Conhecer as tecnologias de cuidado no alívio da dor no processo de parturição em um hospital de ensino | Pesquisa qualitativa descritiva | 6 | Massoterapia e desmedicalização. |
| E34 | Fatores associados ao apoio realizado à mulher durante o parto pelos acompanhantes em maternidades públicas. | Junges; Brüggema, (2020) | LILACS | Identificar os fatores associados à realização de apoio emocional, físico, informacional e de intermediação por acompanhantes durante o parto. | Estudo transversal analitico | 6 | Hidroterapia, massoterapia, deambulação, técnicas de respiração, apoio emocional e comunicação efetiva. |
| E35 | Enfermeiras obstétricas no processo de parturição: percepção das mulheres. | Lima et al. (2020) | LILACS | Conhecer a percepção das mulheres sobre a assistência no trabalho de parto, parto e nascimento realizada por enfermeiras obstétricas em um hospital público do Sul do Brasil. | Estudo qualitativo, descritivo- exploratório. | 6 | Hidroterapia, exercícios perineais com bola suíça, massoterapia, técnicas de respiração e apoio emocional. |
| E36 | Parâmetros maternos e perinatais após intervenções não farmacológicas: um ensaio clínico randomizado controlado. | Melo et al. (2020) | LILACS | Analisar os efeitos do banho quente, de exercícios perineais com bola suíça e ambos durante o trabalho de parto em parâmetros maternos e perinatais. | Ensaio clínico randomizado | 2 | Hidroterapia e exercícios perineais com bola suíça. |
| E37 | Uso de métodos não farmacológicos de alívio da dor no parto normal. | Souza et al. (2021) | LILACS | Verificar o uso dos métodos não farmacológicos no alívio da dor em pacientes atendidas em um centro de parto normal. | Estudo quantitativo, descritivo. | 6 | Hidroterapia, massoterapia, deambulação e técnicas de respiração. |
| E38 | Percepções de mulheres sobre a assistência de enfermagem durante o parto normal. | Bonfim et al. (2021)
| LILACS | Conhecer a percepção de mulheres sobre a assistência de enfermagem recebida durante o processo de parto normal. | Estudo descritivo, exploratório, qualitativo | 6 | Hidroterapia, deambulação, técnicas de respiração e apoio emocional. |
| E39 | Efeitos da terapia floral no trabalho de parto e nascimento: ensaio clínico randomizado. | Lara et al. (2021a) | LILACS | Avaliar os efeitos da terapia floral frente aos fatores potencializam a dor no processo de parturição e seus resultados na duração do trabalho de parto. | Ensaio clínico randomizado, controlado e triplo-cego | 2 | Terapia floral |
| E40 | Adesão às boas práticas obstétricas: construção da assistência qualificada em maternidades-escolas. | Silva et al. (2021) | LILACS | Analisar a frequência da realização das boas práticas obstétricas em maternidades-escolas. | Estudo descritivo, retrospectivo e documental quantitativo. | 6 | Hidroterapia, exercícios perineais com bola suíça, massoterapia, técnicas respiratórias e apoio emocional. |
| E41 | Efetividade das essências florais no trabalho de parto e nascimento: avaliação dos parâmetros obstétricos e neuroendócrinos. | Lara et al. (2022)
| LILACS | Avaliar a efetividade da terapia floral associados aos fatores que potencializam a dor e o estresse no processo de parturição por meio de parâmetros obstétricos e neuroendócrinos. | Ensaio clínico randomizado | 2 | Aromaterapia. |
| E42 | Tecnologias do cuidado na assistência ao parto normal: práticas de enfermeiros e médicos obstetras. | Gomes et al. (2021)
| LILACS | Analisar as tecnologias do cuidado na assistência ao parto normal utilizadas por enfermeiros e médicos obstetras. | Estudo transversal analítico | 6 | Posicionamento. |
| E43 | Qualidade do cuidado obstétrico e neonatal: avaliação de práticas em maternidades da rede cegonha cearense. | Vidal (2019)
| LILACS | Avaliar a qualidade do cuidado obstétrico e neonatal em hospitais cearenses habilitados pela Rede Cegonha. | Estudo avaliativo, exploratório e transversal | 6 | Deambulação, exercícios perineais com uso de cavalinho ou bola suíça, massoterapia. |
Fonte: Autoria própria (2023).
A análise dos resultados evidenciou que dentre as intervenções de enfermagem para o alívio da dor durante o trabalho de parto destacam-se as Práticas Integrativas e Complementares (PICS) incluindo a massoterapia, aromaterapia, terapia floral, auriculoterapia, acupuntura, acupressão/digitopressão, hipnoterapia, musicoterapia e inalação de óxido nitroso e estimulação e/ou bloqueio de nervos transcutâneo/perineal evidenciadas em 53% dos estudos e, seguido de hidroterapia (banho morno/quente e/ou imersão) evidenciada em 46% dos estudos, técnicas de respiração, evidenciadas em 25% dos estudos, a caminhada/deambulação evidenciada em 23% dos estudos, o posicionamento evidenciado em 21% dos estudos, os exercícios perineais com bola suíça e/ou cavalinho evidenciado em 16% dos estudos, o apoio emocional evidenciado em 16% dos estudos, a educação em saúde/comunicação efetiva evidenciada em 9% dos estudos e por fim o relaxamento evidenciado em 5% dos estudos.
Quadro 3- Categorização dos estudos
| Categorias | Estudos que evidenciam | Total | % | |
| 1 | Práticas Integrativas e Complementares (PICS) | E2, E5, E6, E9, E10, E14, E16, E17, E18, E20, E22, E23, E24, E28, E31, E33, E34, E35, E37, E39, E40, E41 e E43 | 23 | 53 |
| 2 | Hidroterapia | E1, E2, E7, E8, E11, E12, E14, E15, E16, E22, E25, E26, E27, E31, E34, E35, E36, E37, E38 e E40 | 20 | 46 |
| 3 | Técnicas de respiração | E13, E14, E15, E16, E29, E31, E34, E35, E37, E38 e E40 | 11 | 25 |
| 4 | Caminhada/deambulação | E4, E13, E14, E15, E27, E31, E34, E37, E38 e E43 | 10 | 23 |
| 5 | Posicionamento | E13, E15, E16, E19, E20, E27, E30, E32 e E42 | 9 | 21 |
| 6 | Exercícios perineais com bola suíça e/ou cavalinho | E3, E11, E32, E35, E36, E40 e E43 | 7 | 16 |
| 7 | Apoio emocional | E21, E29, E31, E34, E35, E38 e E40 | 7 | 16 |
| 8 | Educação em saúde e comunicação efetiva | E12, E29, E31 e E34 | 4 | 9 |
| 9 | Relaxamento | E2 e E16 | 2 | 5 |
Fonte: Autoria própria (2023).
Os métodos não farmacológicos produzem alívio da dor durante o trabalho de parto normal e a sua aplicabilidade nos períodos pré e trans parto, são indicados para a prestação da assistência humanizada (Vidal, 2019). Assim, durante o trabalho de parto a adoção de medidas não farmacológicas que promovam o alívio da dor são essenciais para o bem-estar da parturiente, de modo que essa mulher tenha uma experiência positiva.
A maioria dos estudos demonstraram que as PICS são as estratégias mais adotadas pelos enfermeiros obstetras para promover o alívio da dor durante o parto. Dentre essas práticas, a massoterapia foi identificada como um dos métodos mais utilizados para a redução da dor no parto, além de reduzir o estresse, a ansiedade e aliviar a tensão, podendo até mesmo ser realizada pelo acompanhante, com as devidas orientações. Ao ser aplicada, em conjunto com outros exercícios como os respiratórios e de relaxamento (Plante; Gaiser, 2019; Prata et al., 2022) muscular, resulta em uma diminuição significativa da percepção dolorosa para a parturiente (Marins et al., 2020; Santos; Monteiro, 2017).
As técnicas de respiração promovem o encurtamento da duração do trabalho de parto e também reduz as percepções de dor, sendo uma das técnicas com maior efetividade principalmente durante o período expulsivo, por promover tanto o relaxamento, como por ser uma forma pessoal de reconhecimento e controle sobre o corpo (Yuksel et al., 2017). Sabe-se ainda, que a prática de exercícios respiratórios, associada à massagem diminui a liberação de hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), cortisol e ocitocina, levando à diminuição da ansiedade da parturiente, principalmente após as contrações, o que leva a melhoria dos sinais vitais, resultando em pontuações mais altas para o Índice de Apgar do recém-nascido (Baljon et al., 2022).
Ademais, a terapia floral e a aromaterapia, também são utilizadas como recurso para alívio da dor de parto, melhorando os aspectos mentais e emocionais das parturientes, devido à ação no sistema nervoso central, no sistema imunológico e no sistema endócrino, esse método é bastante eficaz na redução da ansiedade, do estresse, na promoção do relaxamento e do alívio da dor (Lara et al., 2021b; Lara et al., 2021a). Alguns óleos essenciais, como lavanda e camomila, possuem ação relaxante e o óleo de sálvia promove o alívio da dor, por isso são os indicados para uso na primeira fase do trabalho de parto (Pietrzak et al., 2022). O uso da acupuntura ou auriculoterapia para analgesia também se mostrou efetiva na analgesia do da dor causada pelo parto em um estudo com mulheres submetidas à auriculoterapia que apresentaram redução dos escores de dor (Mafetoni et al., 2019). O mecanismo de ação da acupuntura ou auriculoterapia envolve a estimulação de nervos de pequeno diâmetro e limiar diferenciado, enviando mensagens à medula espinhal e ativando os neurônios do tronco cerebral e do hipotálamo, disparando mecanismos de opióides endógenos e a liberação de endorfinas, responsável pelo relaxamento muscular (Plante; Gaiser, 2019; Guðmundsdóttir, 2022; Mafetoni et al., 2019). Em outro estudo a acupressão, técnica que utiliza apenas as mãos e/ou dedos para estimular pontos de acupuntura, no acupontos, denominados segundo os criadores do método, de Hegu (localizado entre o primeiro e o segundo osso metarcapais no lado radial da mão) e BP6 (localizado na perna cinco centímetros acima da região do maléolo interno) reduziu significativamente a percepção e os escores de dor de parturientes (Hamideh et al., 2021; Sudirman; Hartati; Rajiani, 2019).
A hipnoterapia está se tornando uma importante ferramenta terapêutica nos centros obstétricos, ajudando a mulher a se manter calma, concentrada e relaxada durante o trabalho de parto, através da concentração guiada, com auxílio da meditação e da musicoterapia a hipnose reduz 50% o uso de analgesia farmacológica, além de reduzir período de parto e auxiliar na respiração da parturiente (Plante; Gaiser, 2019). A musicoterapia e a dança, quando aplicadas como intervenção, durante a fase ativa do trabalho de parto, promovem a redução da dor e do medo de forma significativa nas parturientes nulíparas. Essa prática, além de ser simples, surge como um recurso acessível e eficaz, para os profissionais de saúde, em especial aos da área de enfermagem. Outrossim, permite a criação do vínculo através do envolvimento da mulher com o parceiro, que é incluído ativamente no cuidado da mulher durante esse processo (Gönenç; Dikmen, 2020).
Uma prática ainda não frequente no Brasil, mas aplicada nos Estados Unidos da América (EUA) é o uso de óxido nitroso inalatório (N2O), visando a analgesia durante o parto frente ao estímulo neuroaxial. Essa técnica permite auxiliar os profissionais durante a assistência perinatal, além disso surge como uma opção de redução da dor para as parturientes. Ademais, o uso de N2O possibilitou outros processos e desfechos neonatais, uma vez que permite uma forma de tratamento diferente das modalidades de uso frequente, como administração de medicamentos rotineiros nas instituições (Nodine et al., 2020; Hoffman et al., 2021; Guðmundsdóttir et al., 2022).
A estimulação nervosa transcutânea surge como método não farmacológico para o tratamento da dor em mulheres durante o trabalho de parto. Esse método consiste na aplicação de um estímulo elétrico por meio de um aparelho que possui eletrodos que são conectados na superfície da pele, no qual, é transmitido impulsos elétricos para o Sistema Nervoso Periférico (SNP). No entanto, cabe ampliar esse método, uma vez que nem toda a população possui acesso, como é o caso dos imigrantes. Pesquisas demonstram que é utilizado com mais frequência, práticas mais simples e naturais, como o banho quente/morno, também chamado de hidroterapia (Eyeberuet al., 2022; Guðmundsdóttir et al., 2022).
O banho quente/morno é uma das técnicas de hidroterapia, que consiste na utilização da água como principal fonte de tratamento (Mascarenhas et al., 2019). Esse método deve ser mais explorado pelos profissionais que atuam na assistência no trabalho de parto, uma vez que, ao produzir vasodilatação periférica, é capaz de elevar a sensação de conforto e de relaxamento, promovendo uma redução significativa da dor, além de ser uma prática bem aceita pelas parturientes (Silva et al., 2016). Além disso, a imersão em água, que também é uma técnica de hidroterapia, durante o trabalho de parto está sendo cada vez mais utilizada em diferentes instalações hospitalares em todo o mundo, trazendo inúmeros benefícios, dentre eles a aumento da satisfação materna com a experiência do nascimento, a maior mobilidade da mulher, diminuição da percepção dolorosa, contrações uterinas mais eficientes, o que acelera a dilatação cervical, a redução do uso de analgesia e das intervenções desnecessárias no trabalho de parto como a realização de cesariana sem necessidade, diminuições de traumas perineais e de experiências traumáticas de parto (Carlsson; Ufsdotti, 2020; Nodine et al., 2020; Mackey, 2001).
Em outro estudo, observou-se que comparando o uso da hidroterapia, os exercícios perineais com bola suíça e, também, o uso destas intervenções combinadas constatou-se que essas terapias não interferiram na redução da dor durante o trabalho de parto, porém, ao serem aplicadas em conjunto, diminuem o tempo de duração deste. Ao analisar o uso da bola suíça e o da hidroterapia separadamente, a hidroterapia demonstrou maior efetividade, no aumento da frequência de contrações uterinas e da dilatação cervical, o que resultou em um menor tempo de duração do trabalho de parto (Cavalcanti et al., 2019).
Outra técnica de hidroterapia, é a aplicação de água estéril na região lombar, que vem sendo investigada sobre a analgesia dos sintomas de dor lombar que acontecem frequentemente no período de pródromos (Lima et al., 2022). No entanto, mesmo que tenha se comprovado os efeitos analgesicos sobre as queixas de lombalgia, é importante o profissional de enfermagem saber que embora seja uma realidade com evidência científica que é utilizada em muitos países, o Ministério da Saúde (Brasil, 2016; 2017) não recomenda o uso da injeção de água estéril para alívio da dor no parto, no Brasil.
As práticas de deambulação/caminhada, assim como a mudança de posição/posicionamento da parturiente, foram identificadas, como recursos utilizados como estratégias que retiram o foco de atenção da parturiente para a dor durante o trabalho de parto e auxilia na dilatação cervical. Porém algumas parturientes se sentem inseguras ao se encontrarem na posição vertical, durante a deambulação, por receio do recém-nascido ao nascer escapar e cair ao chão. Dessa forma é importante que o profissional de enfermagem esteja atento às reações da parturiente, ao oferecer essa prática, de modo a não gerar medo e insegurança. Ademais, as mulheres que adotaram a prática de deambulação, nas três primeiras horas, do início do trabalho de prato, obtiveram uma redução significativa no tempo de duração do trabalho de parto. No entanto, a partir da quarta hora do trabalho de parto, a associação pode não ser mais eficaz (Mafetoni et al., 2019).
Estratégias de comunicação efetiva e apoio emocional foram indicados como recursos utilizados pelos enfermeiros obstetras para o alívio da dor do parto. A comunicação efetiva pressupõe a troca de informações entre duas pessoas e tem como elementos centrais a conversação, os gestos, o olhar, a expressão facial, o tempo disponibilizado para aquele cliente, o toque, a escuta, a empatia, a paciência, entre outros (Lacerda et al., 2021). O apoio emocional e a comunicação verbal e não verbal, dentre elas o toque, são importantes no momento do parto, revelando que as habilidades da enfermagem vão além do saber técnico e constituem a humanização do cuidado (Melo et al., 2020).
Além disso, sabe-se que o cuidado de enfermagem é um dos princípios mais significativos para satisfação na gestação, desde o pré-natal, com as ações de educação em saúde, no período trans-parto, até o pós-parto, considerando que à medida que demonstra respeito, empatia e oferece apoio emocional, promove sensação de segurança e alívio da dor do parto.
Com a análise das implementações de boas práticas, observou-se que elas são adotadas com mais frequência por enfermeiras e/ou equipe de enfermagem, quando comparadas com os procedimentos obstétricos empregados por outros profissionais da equipe multidisciplinar. Nos países que possuem os melhores indicadores no cuidado ao parto, o desempenho ativo da enfermagem obstétrica é um marco em comum (Mazzari et al., 2021).
Em um estudo transversal realizado no estado brasileiro, denominado de Mato Grosso (MT), algumas participantes relataram que uma parição rápida é decorrente de boas emoções retratadas no nascimento dos seus bebês e que, através do uso das técnicas não farmacológicas, o processo se torna menos doloroso (Medeiros et al., 2015). Assim, fica evidente que as técnicas não farmacológicas para a diminuição da dor do parto, devem ser utilizadas pelo profissional de enfermagem nas unidades e centros de saúde, pois esse profissional é a peça chave para uma assistência eficaz, que por sua vez deve ter um conhecimento adequado sobre cada técnica e sua execução correta, para utilizarem com a parturiente.
A utilização dos métodos não farmacológicos para o alívio da dor como intervenção de enfermagem contribuem para dar suporte e controlar a sensação/percepção de dor nas parturientes, porém não se pode fazer uma generalização e dizer qual método é mais eficaz hierarquicamente, pois cada um age de uma maneira. Porém, a partir da análise dos estudos selecionados pode-se identificar que dentre as intervenções utilizadas com maior frequência por enfermeiros obstetras para a promoção do alívio da dor do parto, estão as PICs, a hidroterapia e as técnicas de respiração. Além dessas intervenções, a deambulação, o posicionamento, os exercícios perineais com bola suíça e/ou cavalinho, o apoio emocional e a comunicação efetiva também foram comprovados como métodos que contribuem para o alívio da dor.
A escolha do método deve ser decidida em conjunto com a equipe, de acordo com os recursos disponíveis nos serviços de saúde, com a participação ativa da parturiente no processo de cuidado, atendendo às suas necessidades, mantendo sempre as questões éticas e científicas, não deixando de lado as qualificações/especializações quando necessárias (auriculoterapia/acupuntura).
Há fortes evidências de que mais pesquisas são necessárias sobre o manejo não farmacológico da dor do parto que investiguem ainda mais a eficácia desses métodos, para que essa prática se fortaleça e haja redução de intervenções desnecessárias, durante o trabalho de parto.
O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) – Código de Financiamento 001.
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[1] Pós-graduação stricto sensu (Mestrado Acadêmico em Enfermagem), Enfermeira. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8382-8572. Currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/6919153185665159.
[2] Pós-graduação stricto sensu (Mestrado Acadêmico em Enfermagem), Especialista em Saúde Pública, Enfermeira. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1394-4604. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2714479440831916.
[3] Pós-graduação Lato sensu (Enfermagem Obstétrica), Enfermeira. ORCID: https://orcid.org/0009-0000-3530-9903. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9363366112090704.
[4] Enfermeira. ORCID: https://orcid.org/0009-0005-1770-0956. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7673991414142679.
Material recebido: 07 de março de 2024.
Material aprovado pelos pares: 05 de abril de 2024.
Material editado aprovado pelos autores: 02 de agosto de 2024.
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