Saúde

Caracterização dos fitoterápicos mais vendidos no Brasil entre os meses de novembro de 2022 e 2023

ARTIGO ORIGINAL

SILVA, Artur Pedro da [1]
SILVA, Artur Pedro da. Caracterização dos fitoterápicos mais vendidos no Brasil entre os meses de novembro de 2022 e 2023. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 10, Ed. 12, Vol. 02, pp. 05-18. Dezembro de 2025. ISSN:2448-0959. Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/caracterizacao-dos-fitoterapicos, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/saude/caracterizacao-dos-fitoterapicos

RASCUNHO

INTRODUÇÃO: O Brasil é um país extenso e devido a essa característica apresenta uma grande biodiversidade, ocasionando o desenvolvimento da medicina tradicional e a fabricação de fitoterápicos. OBJETIVOS: O presente estudo tem o objetivo de caracterizar os fitoterápicos mais vendidos no Brasil entre os meses de novembro de 2022 e 2023. METODOLOGIA: O estudo trata-se de uma pesquisa qualiquantitativa e de caráter exploratório. Ocorreu a análise documental e descritiva dos dados fornecidos pelo grupo Close-Up International. RESULTADOS: Após a análise dos dados, houve o levantamento dos 10 fitoterápicos mais vendidos durante os meses de novembro de 2022 e 2023, são ele em ordem crescente: Hepatilon, Ritmoneuran, Tamarine, Abrilar, Valerimed, Xarope de Guaco Nat, Seakalm e Melagrião. Os fitoterápicos que indicaram redução no período foram Melagrião (-31%), Abrilar (-30%) e Arlivry (-25%). Além disso, a forma de apresentação mais vendida foi o xarope e a classe terapêutica mais dispensada foi o expectorante. DISCUSSÃO: Ao longo do tempo, a sociedade reconsiderou o consumo dos medicamentos fitoterápicos, pois a crescente busca pelos produtos fitoterápicos é ocasionado pelos benefícios à saúde da população, custo elevado dos medicamentos tradicionais, terapia menos agressivas, crença popular, tendência da utilização de produtos naturais.

Palavras-chave: Fitoterápico, Consumo, Indústria.

1. INTRODUÇÃO

Desde a antiguidade, as civilizações adquiriram experiências para identificar as plantas que podem ser consumidas através da observação da alimentação dos animais. Além disso, o uso da flora voltada a rituais religiosos e a força divina para curar certas doenças (Oliveira e Lehn, 2015). Essas experiências foram progredindo e compartilhadas de geração em geração (Feitosa et al., 2016) devido ao fácil acesso das plantas, baixo custo e preparo caseiro rápido (Braga e Silva, 2021).

Em relação ao uso das plantas, o Brasil é um país extenso e devido a essa característica apresenta uma grande biodiversidade, o que ocasionou o desenvolvimento da medicina tradicional, preparação de remédios comunitários, caseiros e a fabricação de fitoterápicos (Brasil, 2006a).

Sobre os fitoterápicos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece que fitoterapia é uma prática que envolve plantas que apresentam propriedades terapêuticas, utilizando as suas: flores, frutos, raízes, folhas, cascas ou sementes (OMS, 2000). Diante disso, sabendo dessa importante utilização, a OMS elaborou várias resoluções para valorizar o uso dos fitoterápicos, porque 85% da população mundial fazem o consumo das plantas ou das suas preparações (Brasil, 2006b).

Na década de 90, as empresas que desenvolviam produtos fitoterápicos no Brasil, a maioria eram pequenas e médias, tinham uma produção sem atender estudos de qualidade, eficácia e segurança. Com isso, muitas indústrias poderiam perder o registro dos produtos, pois havia uma produção de risco. Ao longo do tempo, em 4 de agosto de 2003, foi publicado a RDC n.º 210, decretava as Boas Práticas de Fabricação de Medicamentos, que na época foi uma notícia impactante para as indústrias produtoras de fitoterápicos devido aos problemas anteriores que persistem deste a década de 90 (Oliveira; Oliveira; Marques, 2016).

Entretanto, o consumo de produtos fitoterápicos aumentou, a população estava insatisfeita em relação à segurança dos medicamentos sintéticos, e tiveram mudanças em inúmeras normativas. A principal foi a RDC n.º 14 de 2010, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), impôs parâmetros para a qualidade, eficácia e segurança, antes havia problemas de adulterações de espécies oficiais, confusões entre plantas que apresentam características semelhantes, lotes com baixos teores de ativos, presenças de impureza, entre outros, e a ANVISA orientou a comercialização e o registro dos produtos no país (Henrique et al., 2014).

Ademais, através do Decreto nº 5.813, de 22 de junho de 2006, a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos foi aprovada para que ocorra uma elaboração de normas voltadas para esse segmento. Nessa política, existem determinadas diretrizes sobre uso racional e a segurança dos fitoterápicos e plantas medicinais no Brasil. Também, há um foco para o desenvolvimento de inovações e tecnologias para uso sustentável da biodiversidade brasileira, cada vez mais estão aprofundando os conhecimentos da flora brasileira, fazendo com que esse segmento dos fitoterápicos tenha uma ascensão maior (Brasil, 2006b).

Assim sendo, a indústria dos fitoterápicos é um segmento que está na sua ascensão e é de extrema importância para a área farmacêutica do Brasil, pois o país apresenta dois pontos importantes: a biodiversidade e os conhecimentos tradicionais e científicos (Hasenclever et al., 2017).

Portanto, este presente estudo tem o objetivo de caracterizar os fitoterápicos mais vendidos no Brasil entre os meses de novembro de 2022 e 2023. Na qual, principalmente, serão analisadas as indicações terapêuticas, as formas de apresentação e as moléculas.

2. METODOLOGIA

O estudo trata-se de uma pesquisa qualiquantitativa e de caráter exploratório, na qual foram quantificados, explorados e examinados os dados fornecidos pelo grupo Close-Up International. 

Consequentemente, ocorreu a etapa da análise documental, onde foi realizado um levantamento dos dados para comparar a venda dos fitoterápicos mais vendidos e depois observadas as seguintes características: apresentação, molécula, fabricante e classe terapêutica.

Por fim, houve a análise descritiva e os dados dos fitoterápicos selecionados foram inseridos no programa Microsoft Office Excel para o desenvolvimento de tabela e gráfico.

3. RESULTADO E DISCUSSÃO

A utilização dos fitoterápicos vem aumentando o seu consumo pela população em razão dos fatores: avanços da área científica, benefícios a saúde da população, custo elevado dos medicamentos tradicionais, terapia menos agressivas, crença popular, tendência da utilização de produtos naturais e a utilização da mídia fazendo conteúdos sobre os fitoterápicos (Fregnani e Salvi Júnior, 2020)

Foi realizada análise dos 10 fitoterápicos mais vendidos durante os meses de novembro de 2022 e novembro de 2023. O gráfico abaixo representa a comparação das vendas no período.

GRÁFICO 1. Comparação das vendas dos fitoterápicos entre os meses de nov/22 e nov/23

Fonte: Autor próprio, 2024.

Durante o mês de nov/22 o fitoterápico mais vendido foi o Melagrião (R$ 4.425.160,00 de vendas) e no mês de nov/23 foi o Seakalm com o valor das vendas de R$ 3.608.548,00.  Melagrião (-31%), Abrilar (-30%) e Arlivry (-25%) apresentaram redução no percentual de vendas durante o período analisado. Entretanto, o Tamarine, Seakalm e Hepatilon apresentam a redução do percentual de vendas quase insignificante, 0%, 4% e 4%, respectivamente.

A procura dos medicamentos fitoterápicos tem aumentado ao passar do tempo, porque existe uma aceitação, do médico ao consumidor, das preparações à base de plantas, afetando a lucratividade. Para que tenha uma boa disponibilidade do produto em locais de vendas, é necessário que as empresas convençam os atacadistas ou varejistas a vender os produtos, permitindo um espaço amplo na prateleira, uma publicidade atraente e divulgação para os consumidores. Além disso, os fabricantes devem ter outras estratégias de vendas, como: subsídios, oferta de desconto e pontos de vendas estratégicos (Paturkar e Deshpande, 2021).

Além dessa análise, verificou-se as características dos fitoterápicos, em relação ao modo de apresentação, molécula, fabricante e classe terapêutica (TABELA 1).

Tabela 1. Características dos 10 fitoterápicos mais vendidos

Fitoterápicos

Apresentação

Molécula

 

Fabricante

Classe Terapêutica

Nov/22

 

Nov/23

Nov/22

 

Nov/23

 

Melagrião

MELAGRIAO CAT XAR FR X 150ML

Aconitum napellus + Cephaelis ipecacuanha + Mikania glomerata + Myroxylon balsamum + Nasturtium officinale

Catarinense Pharm (CAT)

 

Expectorante

Seakalm

SEAKALM NAT 260MG CAP. CX X 20

Passiflora incarnata

Natulab (NAT)

Hipnótico/Sedativo

 

Xarope de guaco nat

XAROPE DE GUACO NAT XAR FR X 150ML

 

XAROPE DE GUACO NAT XAR FR X 100ML

 

Mikania glomerata

 

Natulab (NAT)

 

 

Expectorante

Valerimed

VALERIMED CM5 50MG CPR. CX X 20

Valeriana officinalis

Cimed (CMS)

 

Hipnótico/Sedativo

Abrilar

ABRILAR FQM 7MG/ML XAR FR X 100ML + CM

Hedera helix

FQM GRUPO (FQM)

Expectorante

 

Tamarine

TAMARINE HYC 12MG CAP. CX X 20

TAMARINE HYC GELEIA SEM ACUCAR GE-OR PT X 150GR

 

 

Cassia angustifolia + Cassia fistula + Coriandrum sativum + Tamarindus indica

 

Cassia fistula + Senna alexandrina

 

Hypera CH (HYC)

 

 

Laxantes de contacto

Ritmoneuran

RITMONEURAN HTZ RTM CAP. FR X 20

Passiflora incarnata

Hertz (HTZ)

 

Hipnótico/Sedativo

Hepatilon

HEPATILON HTZ 0.67ML/10ML AMP-B DIS X 60 X 10ML

Peumus boldus

Hertz (HTZ)

Coleréticos

+

Colecinéticos

 

Arlivry

ARLIVRY NAT 7MG/ML XAR FR X 100ML SB MEL

ARLIVRY NAT 7MG/ML XAR FR X 100ML SB CEREJA

 

Hedera helix

 

 

Natulab (NAT)

 

 

Expectorante

 

Olina

OLINA WES 25MG SL-OR FR X 100ML

Aloe ferox + Angelica archangelica + Cinnamomum zeylanicum + Commiphora molmol + Gentiana lutea

Wesp (WES)

Coleréticos

+

Colecinéticos

Fonte: Autor próprio, 2024.

As formas farmacêuticas são consideradas o estado final de apresentação, na qual os princípios ativos farmacêuticos são executados com ou sem adição de excipientes para facilitar o efeito terapêutico desejado em uma determinada via de administração (Brasil, 2011).

Os fitoterápicos apresentaram 6 tipos distintos de apresentação, são elas: xarope (6), cápsula (3), comprimido (1), ampola (1), geleia (1) e extrato (1). Dentro dessas seis, a apresentação mais vendida foi xarope.

O xarope é uma forma farmacêutica com alta viscosidade, aquosa e tem um percentual de 45 % (p/p) ou outros açúcares na sua composição (ANVISA, 2019). Além disso, como é uma forma líquida, os xaropes são vantajosos devido a rápida absorção e a facilidade de administração para idosos e crianças (Pirani et al. 2020).

A classe terapêutica mais vendida foi o expectorante. Os expectorantes são indicados em quadros de tosse, ajudando as vias aéreas a fazerem a eliminação do excesso do muco brônquico. Em relação aos medicamentos fitoterápicos, são encontrados certos compostos nas plantas que desempenham efeito expectorantes, como exemplo: polissacarídeos, saponinas, óleos essenciais, triterpênicas e alguns alcaloides (Kakhramanova et al., 2020).

Nas pesquisas referentes ao desenvolvimento dos fitoterápicos, é de extrema importância a caracterização do princípio ativo das plantas que comprove cientificamente as propriedades terapêuticas (Silva et al., 2022). Com relação às moléculas, a Passiflora incarnata e a Hedera helix obtiveram maiores usos nas formulações entre os 10 fitoterápicos.

Os fitoterápicos e as plantas medicinais são caminhos viáveis para os quadros de ansiedade, porque são de baixo custo e os efeitos colaterais são menos indesejáveis comparados aos medicamentos convencionais, (Silva et al., 2020).

A Passiflora incarnata, com o nome popular de maracujá-vermelho, apresenta um alto valor medicinal por causa de suas propriedades farmacológicas que podem ser antiasmáticos, narcóticos, antiepiléticos, sedativos e principalmente ansiolíticos, devido à presença de alcaloides, c-glicosideos e flavonoides que atuam nas atividades supracitadas (Santos, Galindo e Queiroz, 2020).

A Hedera Helix, nome popular Hera, é rica em compostos secundários, como glicosídeos, terpenoides, taninos, saponinas, alcaloides, fenóis e flavonoides e pode ser administrada por via inalatória e tópica. Diante os compostos bioativos a Hera tem as propriedades expectorante, anti-inflamatória, analgésica, antimicrobiana e broncodilatadora (Vercruysse et al., 2023). Os efeitos antibacteriano e broncodilatador são atribuídos principalmente às saponinas triterpênicas. Na forma de xarope, é seguro e eficaz em crianças com quadro de tosse e bronquite aguda, nas infecções agudas do trato respiratório superior (Alves, Araújo e Oliveira, 2021).

Ao longo do tempo, a sociedade reconsiderou o consumo dos medicamentos fitoterápicos, pois a crescente busca por esses produtos é ocasionada por mudanças no estilo de vida, meio ambiente e determinados padrões de doenças. A respeito das empresas de medicamentos fitoterápicos, é necessário executar um mix de marketing para concretizar a satisfação e necessidades do consumidor. Com isso, é necessário destacar o comportamento dos consumidores que incluem os fatores pessoais, sociais, psicológicos e culturais. Além disso, as empresas devem investir em qualidade, distribuição, preço e promoção, pois a indústria de fitoterápicos é um ramo de grandes oportunidades e com isso aumenta a concorrência (Khayru e Issalillah, 2021).

Segundo o estudo de Castro e Léda (2021), as empresas com registro de fitoterápicos no Brasil estão mais concentradas nas Regiões Sudeste (142) e na Região Sul (43). Em seguida, a Região Nordeste que apresenta 18 empresas e a Região Centro-Oeste que engloba 13 empresas. Por fim, a Região Norte com apenas 4 empresas (3 no estado da Amazônia e 1 no estado de Rondônia).

A Região Norte é constituída por uma grande biodiversidade, com uma riqueza de plantas medicinais que são utilizadas pelas pessoas da região para tratar certas doenças (Menezes e Lima, 2023). Essa riqueza é excelente para inovações no setor de produtos fitoterápicos (Lepsch-Cunha e Frickmann, 2024). No entanto, devido a característica de dimensão relativamente grande, a Região Norte é desprovida de concentrações de especialistas o que se sucede a escassez dos projetos de pesquisas com uma variedade de espécies (Lima, Xavier e Cavalcante, 2020).

Portanto, o uso dos fitoterápicos tem aumentado na população brasileira no cenário contemporâneo. Essa utilização é motivada por dois pontos. Primeiro, a comprovação da segurança e eficácia dos medicamentos fitoterápicos pela área científica.  E o segundo motivo é a busca de medicamentos menos agressivos destinados aos atendimentos primários. Além disso, existe o fator financeiro que algumas classes sociais não têm condição de adquirir os medicamentos sintéticos (Costa et al., 2024).

4. CONCLUSÃO

De acordo com dados obtidos, a população vem obtendo conhecimento sobre a funcionalidade/segurança que os medicamentos fitoterápicos apresentam e, com isso, esses medicamentos estão em crescente utilização, em razão do baixo custo, eficácia para determinadas doenças (sejam simples ou complexas) e a variação de suas apresentações.

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INFORMAÇÕES SOBRE OS AUTORES

[1] Graduado do Curso Superior de Farmácia. ORCID: https://orcid.org/0009-0004-1667-5536.

Contribuição dos autores:

Artur Pedro da Silva: Concepção, planejamento, análise, interpretação e redação do trabalho.

INFORMAÇÕES SOBRE O MATERIAL

Conflito de interesse:

Não à conflito de interesse.

Agradecimentos e Financiamento:

Não à financiamento.

Nota:

Nosso relatório identificou a presença de inteligência artificial para correção gramatical e ortográfica. No entanto, o autor informou que não a utilizou. O autor se responsabiliza pelo material.

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  • ISSN (versão eletrônica): 2448-0959
  • Licença Creative Commons: Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional.

Histórico da Publicação:

Material recebido: 09 de maio de 2024.

Material aprovado pelos pares: 13 de fevereiro de 2025.

Material editado aprovado pelos autores: 11 de dezembro de 2025.

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Artur Pedro da Silva

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