ARTIGO DE REVISÃO
TEIXEIRA, Victória Carolina Carvalho [1], SANTOS, Felipe Mendes dos [2], SILVA, Gabriella Lemos da [3], ALEXANDRINO, Monalisa Gleyce do Monte [4], CAMPELO, Paola Marques [5], MOREIRA, Amanda Cardoso [6]
TEIXEIRA, Victória Carolina Carvalho et al. Acidente Vascular Encefálico: atuação do enfermeiro no processo de reabilitação da pessoa idosa com sequelas e a educação do familiar. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 10, Ed. 10, Vol. 08. pp 175-190, Agosto de 2025. ISSN:2448-0959. Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/acidente-vascular-encefalico, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/saude/acidente-vascular-encefalico
O Acidente Vascular Encefálico é causado pela obstrução ou rompimento dos vasos sanguíneos presentes no cérebro, podendo ser isquêmico ou hemorrágico, gerando impactos na vida de pacientes idosos e seus familiares. As reabilitações desses pacientes tornam-se um desafio, uma vez que as sequelas ocasionadas por essa enfermidade dificultam os cuidados necessários a serem realizados pelos familiares. Este estudo tem como objetivo compreender as funções do enfermeiro no processo de reabilitação, bem como a importância do diálogo na promoção da educação em saúde para familiares que também enfrentam as consequências do acidente vascular encefálico. Uma revisão literária foi conduzida nas bases de dados: Scientific Electronic Library Online, Biblioteca Virtual de Saúde, Pubmed e Literatura Latino-americana e do Caribe de Ciências da Saúde, utilizando artigos publicados no período de 2019 a 2024.Dos 45 artigos encontrados na pesquisa inicial, 21 foram selecionados após aplicação de critérios de inclusão e exclusão, sendo eles apenas a relevância temática. Os estudos demonstraram que o enfermeiro especialista em reabilitação possui um papel fundamental durante a reabilitação de pacientes acometidos pelo AVE, pois acompanhada de maneira contínua as condições físicas e emocionais do paciente, realiza cuidados juntamente a equipe multidisciplinar, educa e orienta o enfermo e seus familiares sobre os cuidados pós doença, orienta também sobre o novo estilo de vida devido às mudanças ocorridas, ensina técnicas de cuidados adequados ao paciente, capacitando os familiares a cuidarem de maneira eficaz dos seus entes acometidos pela doença, visando reduzir os danos e promovendo uma melhor qualidade de vida.
Palavras-chaves: Acidente Vascular Encefálico (AVE), Reabilitação, Enfermagem, idosos.
O Acidente Vascular Encefálico (AVE) é caracterizado pelo rompimento ou obstrução dos vasos sanguíneos presentes no cérebro, causando um déficit neurológico repentino (Kruger, Legal, Lopes, 2022). Além disso, é a segunda doença que mais causa incapacidade entre os adultos, quando identificado pode ser classificado em dois tipos definidos pela falta de oxigênio no cérebro e danos do tecido cerebral (Gomes et al., 2023).
Se tratando de uma doença incapacitante o AVE, detém uma alta taxa de morbimortalidade, que atinge um público cada vez maior. O AVE é classificado em isquêmico (AVEI) e hemorrágico (AVEH), sendo o isquêmico o mais prevalente ano de 2023 (Brandão, Lanzoni, Pinto 2023).
A prevalência do AVE amplia com a idade do paciente. De acordo com investigação realizada no Brasil em 2013, a doença acometia 15,3 % da população com 60 anos ou mais (Fuhrmann et al., 2020).
O AVE é a segunda maior causa de morte no mundo, sendo os idosos a faixa etária mais afetada. Uma vez que o paciente possui histórico de doenças pré-existentes, como as cardiovasculares, fica mais vulnerável ao AVE. Por ser uma enfermidade de dois tipos (AVEi e AVEh), as sequelas dependem da área lesionada (Pauli et al., 2020). E O Socorro tardio do AVE pode dificultar o processo de recuperação do paciente, tornando o processo mais demorado, devido isso, o papel dos cuidadores e familiares é fundamental, uma vez que eles têm por objetivo orientar e auxiliar, facilitando o processo de reabilitação. Vale ressaltar que cada enfermo acometido pela doença tem seu processo de reabilitação analisado de forma individual (Souza et al., 2022).
A reabilitação estruturada multidisciplinar que reduz a incapacidade quando se é acometido pelo AVE, tem comprovação da sua eficácia tanto em sobreviventes jovens, quanto em idosos, independente da sua gravidade. No entanto quando se trata de pessoas idosas, é imprescindível atentar-se as particularidades, por razões desta faixa etária, como: a existência de comorbidades, reabilitação, condições sociais, familiares e econômicas, tratamento medicamentoso, dentre outras (Pauli et al., 2020).
Para além das 15 milhões de mortes consideradas em todo mundo referente a doenças no aparelho circulatório, 6,2 milhões apontam AVE como o principal responsável. Considerando o alto nível de morbidade e mortalidade decorrentes do AVE, um grau considerável de incapacidade é apresentado por pessoas que acabam necessitando de ajuda para suas AVD (Santos et al., 2021).
Os idosos acometidos pelo AVE sofrem uma redução significativa da sua autonomia e independência, surgindo então a necessidade de um cuidador, onde normalmente este papel é desempenhado por um familiar (Fuhrmann et al., 2020).
Consequentemente, esses pacientes que apresentam sequelas e incapacidades necessitam de cuidados intensos de seus familiares, que ficaram responsáveis por sua integração na comunidade e adaptações nas suas atividades diárias. Sem o suporte e orientações adequadas, o familiar responsável pelo cuidado pode ter sua saúde comprometida, causando eventualmente uma sobrecarga e posteriormente um estresse (Silva et al., 2022).
Inicialmente o tratamento para o doente atingido com AVE na fase aguda, envolve sua internação hospitalar. A intervenção precoce é direcionada a neurorreabilitação, que identifica os fatores de riscos e previne complicações e comorbidades, desenvolvendo um plano de alta integrando os cuidados dos familiares em casa (Godinho de Matos, Simões, 2020). Nos seis primeiros meses, a recuperação neurológica é significativa, sendo crucial as primeiras semanas de recuperação. Os primeiros sinais de melhoria aparecem nessa fase, quando o doente é devidamente estimulado e reabilitado (Teixeira et al., 2020).
A reabilitação inicia-se após o tratamento da fase aguda e é entendida como um processo dinâmico, global que tem como objetivo potencializar e recuperar as funções anteriores do paciente acometido com o AVE, tanto quando sua orientação para reintegração da família e sociedade. Em suma se trata de um modelo assistencial voltado para processo preventivo e educativo do binômio indivíduo e família (Santos et al., 2021).
Familiares possuem um papel importante durante a recuperação do enfermo, incentivando de maneira contínua o autocuidado, para que o indivíduo recupere sua independência de maneira gradativa, além de promover a saúde e bem-estar, conscientizando o paciente sobre sua nova realidade de vida (Santos et al. 2021).
O Enfermeiro Especialista Em Reabilitação (EEER) possui competências multidisciplinares, com base em conhecimentos técnicos e científicos para orientar quanto aos cuidados posteriores aos familiares do enfermo idoso, sanando dúvidas com clareza e coesão afim de prover e tomar conhecimento do ambiente favorável para sua recuperação, além de direcioná-los a um profissional especializado para necessidades do paciente (Godinho de Matos, Simões, 2020) (Teixeira et al., 2020).
Este estudo teve como objetivo compreender as funções do enfermeiro no processo de reabilitação, bem como a importância do diálogo na promoção da educação em saúde para familiares que também enfrentam as consequências do acidente vascular encefálico (AVE).
Esse estudo foi realizado através de uma revisão literária nas bases de dados: Scientific Electronic Library Online (SciELO), Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), Pubmed e Literatura Latino-americana e do Caribe de ciências em saúde (LILACS). A busca deu-se no período de março e abril de 2024, onde estabelecemos critérios de inclusão: periódicos publicados na íntegra, idiomas em inglês e português, publicados no período de 2019 a 2024 e temática relacionada ao acidente vascular cerebral em idosos e o papel do enfermeiro durante a reabilitação, além disso, os termos descritores selecionados incluíram “acidente vascular encefálico”, “AVE”, “idoso” e “reabilitação” e os critérios de exclusão selecionado foi duplicidade na pesquisa.
Quadro 1 – Limitadores de pesquisa
| Base de dados: | BVS | PubMed | SciELO | LILACS |
| Limitadores de pesquisas de acordo com as palavras-chaves. De acordo com os critérios de inclusão e exclusão.
| Língua: Português. Qualquer Autor. Faixa etária: Maior de 60 anos. Publicação dos últimos 5 anos. Palavras-chaves: AVE; Enfermagem; Família; Reabilitação; Idosos. | Língua: Inglês Qualquer Autor. Faixa etária: Maior de 60 anos. Publicação dos últimos 5 anos. Palavras-chaves: Stroke; Rehabilitation; Nurse; elderly. | Língua: Português. Qualquer Autor. Faixa etária: Maior de 60 anos. Publicação dos últimos 5 anos. Palavras-chaves: AVE; Enfermagem; Reabilitação; idosos; tipos de AVC; | Língua: Português. Qualquer Autor. Faixa etária: Maior de 60 anos. Publicação dos últimos 5 anos. Palavras-chaves: AVE; Enfermagem; Reabilitação; Idosos; Cuidados; |
Pesquisas realizadas em São Paulo no mês de março de 2024.
Fonte: Elaborada pelos próprios autores (2024).
As palavras-chave utilizadas na busca foram selecionadas com base nos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e no Medical Subject Headings (MeSH), garantindo maior precisão na recuperação dos estudos. Foram combinados termos relacionados ao tema central da pesquisa, utilizando operadores booleanos (AND e OR) para refinar os resultados. Dessa forma, foram aplicadas combinações como “Acidente Vascular Encefálico” AND “Reabilitação” AND “Enfermagem”, bem como suas equivalências em inglês, “Stroke” AND “Rehabilitation” AND “Nurse”, de acordo com a base de dados consultada.
Após a aplicação desses critérios de busca, foram identificados 45 artigos, dos quais 24 foram excluídos por não apresentarem relevância temática para os objetivos do estudo, resultando em uma amostra final de 21 artigos analisados.
Ao averiguar as características gerais desses artigos, nota-se que eles destacam o Acidente Vascular Encefálico (AVE), os tipos existentes, as sequelas predominantes, o papel do enfermeiro de reabilitação durante e pós AVE, os cuidados dos familiares com os pacientes e a sobrecarga gerada pelos cuidadores por conta da doença. Reconhecendo a importância do EEER e da equipe multidisciplinar durante o processo de recuperação das sequelas e na capacitação de orientar os cuidadores e familiares, desempenhando um papel fundamental durante a reabilitação.
A recuperação pós AVE é complexa e envolve uma série de aspectos, sendo eles sociais, econômicos e psicológicos. Os enfermeiros por meio das teorias de enfermagem e conhecimento científico podem contribuir com a reabilitação do paciente através de uma assistência competente, onde o enfermeiro domina técnicas, além de atender de forma humanizada, visando melhorar a qualidade de vida dos enfermos (Gomes et al., 2023).
Foi elaborado um Fluxograma Prisma simbolizado na figura 1, no qual, apresenta os resultados de uma triagem realizada para seleção dos artigos que foram utilizados para elaboração da revisão literária.
Figura 1 – Fluxograma do processo de seleção dos estudos PRISMA 2020
Com base nos artigos selecionados, observa-se que a atuação do enfermeiro na reabilitação Pós-Acidente Vascular Encefálico (AVE) se reveste de importância central para a promoção da recuperação integral dos pacientes. Essa intervenção é fundamental para a mitigação de complicações e para a promoção da autonomia, bem como da melhoria da qualidade de vida dos indivíduos acometidos pela doença. A prática da enfermagem de reabilitação fundamenta-se em evidências científicas e exige uma abordagem holística, que parte da realização de avaliações clínicas detalhadas. Tais avaliações, realizadas por meio de escalas específicas e diagnósticos precisos, possibilitam a identificação dos riscos, a determinação das necessidades individuais e a definição das prioridades de intervenção, elementos que orientam a elaboração de um plano terapêutico eficaz.
Nesse contexto, o enfermeiro assume um papel estratégico ao elaborar, implementar e monitorar planos de reabilitação personalizados, integrando conhecimentos técnicos com uma abordagem humanizada. Essa responsabilidade envolve a articulação com uma equipe multidisciplinar, composta por profissionais de diversas áreas, como fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicologia. Essa colaboração interprofissional é imprescindível para abordar, de maneira integrada, as diversas dimensões afetadas pelo AVE, abrangendo aspectos neurológicos, respiratórios, cardiovasculares e ortopédicos. Essa sinergia entre os profissionais possibilita a adaptação contínua das intervenções às especificidades de cada paciente, garantindo que o processo reabilitador seja dinâmico e ajustado às mudanças no quadro clínico.
A aplicação de técnicas terapêuticas inovadoras e consolidadas na prática clínica, como exercícios aeróbicos, atividades cognitivas e intervenções para modificação comportamental, tem demonstrado eficácia na promoção da recuperação funcional dos pacientes. Além disso, o uso de terapias complementares, que podem incluir abordagens integrativas, contribui para a redução de sintomas e para o fortalecimento da autonomia dos indivíduos.
Essas práticas terapêuticas não apenas potencializam a recuperação física, mas também favorecem a reintegração social dos pacientes, permitindo que retomem atividades cotidianas com maior segurança e confiança.
Outro aspecto de relevância é a capacitação contínua de cuidadores informais e familiares, que desempenham um papel crucial no suporte diário aos pacientes. O enfermeiro, ao fornecer orientações e suporte especializado, capacita esses cuidadores para que possam acompanhar e dar continuidade ao tratamento no ambiente domiciliar. Essa orientação é essencial para minimizar a sobrecarga dos responsáveis, reduzir o desgaste físico e emocional e promover um ambiente que estimule a adesão ao tratamento. Dessa forma, a integração entre o cuidado institucional e o domiciliar torna-se um componente vital para o sucesso do processo reabilitador.
Ademais, a atuação do enfermeiro na reabilitação pós-AVE envolve também a implementação de estratégias que visam a promoção do autocuidado e o fortalecimento da autoestima dos pacientes. Por meio de intervenções educativas e do incentivo à participação ativa no processo terapêutico, o profissional de enfermagem contribui para que os pacientes se sintam empoderados e capazes de gerir sua própria saúde. Esse enfoque não só promove a autonomia, mas também reduz o risco de recaídas e complicações associadas à dependência excessiva do suporte externo.
Em síntese, os resultados desta revisão evidenciam que o enfermeiro de reabilitação desempenha um papel fundamental e multifacetado no processo reabilitador pós-AVE, atuando de forma integrada com a equipe multidisciplinar e promovendo cuidados baseados em evidências. A necessidade de formação continuada e de atualização profissional é ressaltada como um pilar indispensável para o aprimoramento da assistência prestada, permitindo que as intervenções sejam cada vez mais eficazes e adaptadas às demandas complexas dos pacientes. Assim, a prática do enfermeiro na reabilitação não se limita ao tratamento dos sintomas, mas estende-se à promoção do bem-estar integral e à melhoria da funcionalidade, contribuindo significativamente para a reintegração social e para a qualidade de vida dos indivíduos afetados pelo AVE.
Santos e Ana (2020) alega que a enfermagem de reabilitação consiste no cuidado à saúde, tendo o intuito de ajudar pessoas com doenças crônicas, agudas ou sequelas, que necessitam de cuidados especiais, com a finalidade de prevenir, manter ou recuperar determinadas funcionalidades, juntamente a equipe multidisciplinar, capacitando os pacientes, passando conhecimento das incapacidades aos familiares e enfermos por meio de uma abordagem humanizada e multidisciplinar, visando acima de tudo uma melhora na qualidade de vida. Além disso, o EEER por possuir conhecimento técnico e científico, tem a capacidade de instruir Cuidadores Informais (CI) e familiares sobre uma nova perspectiva de vida pós AVE, capacitando-os a fornecer cuidados a alguém incapacitado ou com outras necessidades.
O EEER presta cuidados a pessoas em situação de dependência, através da sua capacitação e formação entende as necessidades do enfermo, fazendo assim a diferença, através do seu apoio e reconhecendo os direitos do paciente, apresentando fundamento e objetividade nos serviços prestados. Esse enfermeiro irá providenciar ao seu paciente um cuidado adequado de acordo com suas limitações, potencializando as suas capacidades, para que assim o CI não fique sobrecarregado (Santos, Ana 2022).
De acordo com o estudo de Santos, Ana (2022) o enfermeiro de reabilitação possui por competência conceber, implementar e monitorar os planos de reabilitação, melhorando a qualidade de vida do paciente, através da análise neurológica, respiratória, cardíaca e ortopédica, promovendo a independência e satisfação dos envolvidos. Os cuidados de enfermagem prestados são característicos do acompanhamento diário e adaptação do paciente durante o processo, avaliando assim os resultados por meio de escalas especificas, sendo elas: escola de dor, Glasgow, Lawton & Body, teste marcha, escala visual, entre outras. Quando realizado uma avaliação inicial do paciente debilitado é possível e necessário fazer o diagnóstico de enfermagem, identificando os riscos e possíveis alterações cognitivas ou psicomotoras, fazendo com que prioridades de cuidados sejam estabelecidas, com objetivo de reeducar as funções que estavam comprometidas, sendo assim, o EEER possui um papel fundamental no planejamento da reabilitação.
As técnicas de reabilitação utilizadas pelo enfermeiro consistem em controlar a ação do paciente e manipular elementos para que o enfermo alcance seus objetivos, aplicação de jogos e protocolos para evolução cognitiva, intervenções para mudança de comportamento após um AVE, exercícios aeróbicos e musicoterapia especializada com intuito de melhorar o emocional (Kruger et al., 2023).
Considerando um estudo realizado por Teixeira et al., (2020), um bom programa de reabilitação deve adotar a recuperação do equilíbrio corporal com eficácia já que está fortemente associada ao risco de queda, e seu sucesso pode contribuir para diminuição desse risco. Com isso, esse mesmo estudo aponta que atualmente existe um enorme número de casos de AVE com uma diminuição considerada da funcionalidade. De acordo com esse relato, considera-se que o EEER promove o autocuidado, a reabilitação da marcha e equilíbrio.
Da Silva e Boery (2021) alegam que o estado civil do paciente favorece o indivíduo casado, uma vez que, os cuidadores dos doentes pós AVE são caracterizados por serem mulheres, principalmente cônjuges e filhas, sendo um papel do EEER posicionar, aconselhar e orientar sobre cuidados domiciliares minimizando o sofrimento mental. A sobrecarga é comum entre cuidadores dos sobreviventes de AVE dependentes e ocorre devido ao estresse de se adaptarem a uma nova rotina e aprender a realizar novas atividades, além de cuidar das próprias questões pessoais.
Segundo estudos realizados por Silva et al. (2022), a sobrecarga do cuidador e sua Qualidade de Vida (QV) está atrelada ao seu nível de escolaridade, visto que existe uma necessidade de orientação por um profissional de saúde dado que a relação entre ambos é interligada, isso porque o responsável pelo enfermo deve entender técnicas e saberes a fim de assumir o cuidado ao paciente sem acabar prejudicando a si ou o doente. Para Da Silva e Boery (2021), no Brasil não há uma política que garante assistência ou existam protocolos aos cuidadores, para evitar desgaste físico, mental e até mesmo a depressão devido à sobrecarga, sendo ela uma questão mundial, o que compromete a capacidade do cuidado com o paciente.
Notou-se no processo de reabilitação pós AVE que pessoas com sequelas podem ser submetidas a vários tipos de procedimentos, sendo eles: medicamentoso, terapias físicas, cirurgias, injeções de Botox e acupuntura. (Yi et al., 2024). Além disso, em sobreviventes as decorrências comuns são os distúrbios funcionais, problemas de autoestima e depressão, ficando por responsabilidade dos enfermeiros e familiares restabelecer e auxiliar as vítimas durante o processo de adaptação pré e pós AVE (Ramos et al., 2020).
Pacientes em processo de reabilitação que não sofreram danos cognitivos, afasia e dor se sentem seguros em realizar as atividades em grupo com familiares, amigos, pessoas da mesma faixa etária ou com as mesmas condições físicas, em um ambiente seguro e supervisionado, uma vez que existem profissionais que atendem suas necessidades. Os exercícios de caminhada auxiliam na marcha e de força ajuda com o fortalecimento muscular, gerando uma independência e mobilidade, entretanto os acometidos pelo AVE tendem a manter uma vida sedentária pós doença (Bastos et al., 2021).
Durante o processo de reabilitação Pós-Acidente Vascular Encefálico (AVE), o enfermeiro desempenha um papel crucial ao promover o autocuidado e ao melhorar a qualidade de vida dos pacientes (Santos, 2020, 2022). Por meio de orientações e instruções direcionadas aos familiares e cuidadores informais, o profissional de enfermagem facilita a adaptação à nova realidade imposta pela doença, contribuindo para que os pacientes e seus entes próximos compreendam e assumam, de maneira mais efetiva, os desafios do cotidiano. Essa atuação abrange a avaliação minuciosa do grau de comprometimento do paciente, bem como o desenvolvimento de um planejamento de cuidados direcionado à mitigação das sequelas, com o objetivo de aprimorar as funções comprometidas e otimizar o processo de reabilitação.
Observa-se que, em muitos casos, os cuidadores – principalmente cônjuges idosos e filhos – enfrentam desafios significativos ao prestar assistência aos doentes, sobretudo quando as sequelas psicomotoras interferem na comunicação e na expressão dos sentimentos. Tais dificuldades podem resultar em sobrecarga emocional e física, agravando o estresse dos responsáveis, que já precisam conciliar suas próprias demandas e responsabilidades cotidianas (Santos, 2020, 2022).
Dessa forma, o enfermeiro, ao promover o autocuidado dos pacientes, deve igualmente estar atento às necessidades e limitações dos cuidadores, oferecendo suporte contínuo e implementando estratégias de manejo que visem reduzir o estresse associado à atividade de cuidar.
Em suma, a atuação do enfermeiro é essencial para o sucesso e o progresso do tratamento reabilitador, colaborando para o restabelecimento das funções comprometidas e para a execução eficaz das atividades diárias dos pacientes. Quanto maior a capacitação técnica e científica do profissional, aliada a uma abordagem humanizada, maior é a capacidade de suprir as necessidades dos pacientes e de identificar precocemente eventuais complicações, contribuindo de maneira significativa para a melhoria do prognóstico e da qualidade de vida dos indivíduos acometidos pelo AVE (Santos, 2020, 2022).
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[1] Graduação em Enfermagem (cursando o oitavo semestre). ORCID: 0009-0004-7089-2363.
[2] Graduação em Enfermagem (cursando o oitavo semestre). ORCID: 0009-0001-2771-6207.
[3] Graduação em Enfermagem (cursando o oitavo semestre). ORCID: 0009-0002-6327-3586.
[4] Graduação em Enfermagem (cursando o oitavo semestre). ORCID: 0009-0001-7200-8058.
[5] Graduação em Enfermagem (cursando o oitavo semestre). ORCID: 0009-0001-8589-6517.
[6] Orientadora. Mestranda em Engenharia Biomédica, Especialização em Planejamento e Gestão em Saúde, Especialização em Enfermagem na Saúde Pública com ênfase em Vigilância em Saúde, Especialização em Enfermagem em Urgência e Emergência, Graduação em Enfermagem. ORCID: 0000-0002-8669-6832. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/3200798202244092.
Material recebido: 23 de maio de 2024.
Material aprovado pelos pares: 25 de fevereiro de 2025.
Material editado aprovado pelos autores: 09 de agosto de 2025.
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