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PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES PARA A SAÚDE DA MULHER: UM PANORAMA ATUAL

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Michele Aparecida Cerqueira Rodrigues [1]

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INTRODUÇÃO

No contexto contemporâneo da saúde da mulher, as Práticas Integrativas e Complementares (PICs) apresenta-se como uma abordagem terapêutica relevante e promissora, buscando tratar as doenças a fim de promover o bem-estar integral das mulheres.

O interesse crescente nas PICs reflete uma mudança de paradigma na concepção de saúde, que passa a valorizar não apenas a ausência de doenças, mas também o equilíbrio físico, mental, emocional e espiritual. Nesse sentido, as PICs se destacam por oferecerem uma visão holística do cuidado à saúde, considerando o indivíduo em sua totalidade e promovendo a prevenção, promoção e recuperação da saúde.

Diante desse contexto, o presente estudo tem como objetivo principal investigar a aplicação das PICs na saúde da mulher, com ênfase nas modalidades mais relevantes e nos benefícios proporcionados por essas práticas terapêuticas. Além disso, busca-se analisar os desafios e oportunidades associados à integração das PICs no sistema de saúde, bem como propor recomendações para promover uma maior conscientização e utilização dessas abordagens na promoção da saúde feminina.

Para tanto, realizou-se uma revisão narrativa com a busca de artigos nas bases de dados PubMed, Scielo, BVS e Google Acadêmico, utilizando os seguintes descritores: “práticas integrativas e complementares”, “saúde da mulher” e os nomes das PICS específicas, fitoterapia, acupuntura, meditação e yoga.

DEFINIÇÃO E ABRANGÊNCIA DAS PICS

O tema das Práticas Integrativas e Complementares (PICs) na saúde da mulher é de grande relevância no contexto atual, envolvendo abordagens terapêuticas que visam não apenas a prevenção e tratamento de agravos à saúde, mas também a promoção e recuperação do bem-estar, destacando a importância da escuta acolhedora, construção de laços terapêuticos e a conexão entre o ser humano, meio ambiente e sociedade, conforme definido pelo Ministério da Saúde. Estas práticas são holísticas, integrando diferentes ambientes e métodos para promover o bem-estar físico e mental, especialmente no contexto da saúde feminina.

Caracterizadas por uma abordagem holística, as PICs consideram o indivíduo como um todo, integrando aspectos físicos, mentais, emocionais e sociais. Elas enfatizam a prevenção e promoção da saúde, buscando fortalecer os recursos do indivíduo para prevenir doenças e promover o bem-estar (Brasil, 2024, s. p.). O indivíduo é um participante ativo no processo de cuidado à saúde, e muitas PICs se baseiam em conhecimentos tradicionais e empíricos, transmitidos de geração em geração. Segundo o Ministério da Saúde, as PICS são:

[…] “abordagens terapêuticas que visam à promoção da saúde, à prevenção de agravos e à recuperação da saúde, com ênfase na escuta acolhedora, na construção de laços terapêuticos e na conexão entre ser humano, meio ambiente e sociedade” (Brasil, 2024, s. p.).

No Brasil, as PICs são amplamente difundidas e incluídas no Sistema Único de Saúde (SUS), contando com mais de 29 práticas descritas no portal do Ministério da Saúde. Este portal oferece recursos como pesquisas, cursos de educação e mapeamentos, fornecendo uma ampla gama de informações sobre as PICs. Vale ressaltar que, internacionalmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) se refere a essas práticas como Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas (MTCI).

Tabela 1. Utilização das PICs nas regiões brasileiras

Fonte: Elaborado pela autora adaptado de Sousa (2021).

No entanto, apesar da crescente adoção das PICs, especialmente em contextos comunitários e tradicionais, sua aplicação ainda enfrenta desafios no Brasil. A distribuição dessas práticas ainda é limitada, com apenas 54% dos municípios brasileiros e 27 estados e distritos federais relatando a presença de PICs em estabelecimentos de saúde da atenção primária. Este cenário é influenciado por diversos fatores, incluindo restrições de tempo e valores financeiros associados às consultas, bem como a predominância da medicina alopática moderna (Brasil, 2024, s. p.).

Pesquisas recentes destacam a importância das PICs na saúde indígena, evidenciando o papel fundamental das plantas medicinais e do conhecimento tradicional na promoção da saúde dentro das comunidades. Neste sentido, dentro das aldeias, as mulheres indígenas são responsáveis pela produção, divulgação e aplicação dessas terapias naturais, demonstrando a relevância das abordagens culturalmente sensíveis e baseadas na comunidade na promoção da saúde da mulher (Sousa, 2023).

Diante desse contexto, é essencial promover uma maior conscientização e integração das PICs no sistema de saúde, reconhecendo seu potencial para complementar e enriquecer as abordagens convencionais. Investimentos em pesquisa, educação e capacitação profissional são fundamentais para expandir o acesso e a qualidade dos serviços de PICs, garantindo que todas as mulheres tenham acesso a opções terapêuticas seguras e eficazes para promover sua saúde e bem-estar.

APLICAÇÃO DAS PICS NA SAÚDE DA MULHER

No contexto da saúde da mulher, diversas modalidades de PICs têm sido aplicadas com sucesso, entre elas a fitoterapia, que se destaca pelo uso de plantas medicinais para tratar uma variedade de condições. No âmbito hormonal, por exemplo, algumas plantas são reconhecidas por seu potencial para equilibrar os níveis hormonais, aliviar sintomas do climatério e da menopausa, como ondas de calor e irritabilidade, além de promover a saúde reprodutiva (Sá et al., 2023).

Além disso, a fitoterapia oferece uma alternativa acessível e segura, especialmente em comunidades com poucos recursos, ampliando o acesso a tratamentos de qualidade. No entanto, é fundamental ressaltar a importância de uma abordagem individualizada e supervisionada por profissionais de saúde qualificados, para garantir a eficácia e segurança do tratamento fitoterápico (Sá et al., 2023).

A acupuntura é outra PIC amplamente utilizada na saúde da mulher, baseada nos princípios da medicina tradicional chinesa, que visa restaurar o equilíbrio energético do corpo. Esta prática tem demonstrado eficácia no tratamento de uma série de condições femininas, incluindo distúrbios menstruais, como a síndrome pré-menstrual (SPM) e a amenorreia, além de aliviar sintomas comuns durante a gravidez, como náuseas, vômitos e dores lombares (Gazeta do Povo, 2019).

Além disso, a acupuntura é reconhecida por sua capacidade de promover o relaxamento muscular e o bem-estar emocional, fortalecendo o controle emocional e a resiliência diante do estresse. No entanto, são necessárias mais pesquisas para elucidar os mecanismos exatos de ação da acupuntura e seu impacto na saúde da mulher, bem como para estabelecer diretrizes claras para sua aplicação clínica (Gazeta do Povo, 2019).

Quanto a meditação, uma prática milenar que tem ganhado crescente reconhecimento na medicina complementar, oferece uma abordagem não farmacológica para promover o bem-estar físico e mental das mulheres. Estudos demonstraram que a meditação regular pode reduzir significativamente os níveis de estresse, ansiedade e depressão, sintomas que afetam desproporcionalmente as mulheres devido a fatores sociais, hormonais e emocionais (Bonhomme, 2022).

Ademais, a meditação tem sido associada a melhorias na qualidade do sono, na regulação emocional e na função cognitiva, proporcionando uma ferramenta eficaz para promover a saúde mental ao longo da vida da mulher. No entanto, é importante ressaltar a necessidade de uma prática consistente e orientada, com o apoio de instrutores qualificados, para alcançar os benefícios terapêuticos desejados (Bonhomme, 2022).

Por sua vez, a yoga, uma prática física, mental e espiritual originária da Índia antiga, tem sido amplamente adotada como uma forma holística de promover a saúde e o bem-estar das mulheres. Através da combinação de posturas corporais (asanas), técnicas de respiração (pranayamas) e meditação, a yoga oferece uma abordagem integrativa para fortalecer o corpo, acalmar a mente e promover a conexão entre corpo e espírito. No contexto da saúde da mulher, a yoga tem sido associada a uma série de benefícios, incluindo a redução do estresse, o alívio de dores menstruais e musculares, o fortalecimento do sistema imunológico e a melhoria da saúde cardiovascular (Mizuno et al., 2018).

Por fim, a prática regular de yoga tem sido reconhecida por sua capacidade de promover a autoconsciência e a aceitação do corpo, auxiliando as mulheres na gestão da imagem corporal e na promoção da autoestima positiva. No entanto, é fundamental que a prática de yoga seja adaptada às necessidades individuais e supervisionada por instrutores qualificados, especialmente durante a gravidez e em mulheres com condições de saúde específicas (Mizuno et al., 2018).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante do exposto, acerca das Práticas Integrativas e Complementares (PICs) na saúde da mulher, é evidente que essas abordagens terapêuticas representam uma importante alternativa para promover o bem-estar físico, mental e emocional das mulheres. A partir da caracterização das PICs como práticas holísticas, que consideram o ser humano em sua totalidade e buscam a prevenção, promoção e recuperação da saúde, fica claro o potencial dessas terapias para complementar as abordagens convencionais.

Ao analisar a aplicação das PICs na saúde da mulher, observa-se que modalidades como fitoterapia e acupuntura têm sido amplamente utilizadas, demonstrando eficácia no tratamento de diversas condições, desde distúrbios hormonais até sintomas comuns durante a gravidez. Além disso, a inclusão da meditação e yoga como práticas terapêuticas complementares destaca a importância do cuidado integral da mulher, abordando não apenas os aspectos físicos, mas também os emocionais e espirituais.

No entanto, apesar dos avanços na adoção das PICs, ainda há desafios a serem enfrentados, como a distribuição limitada dessas práticas e a predominância da medicina alopática moderna. Portanto, é fundamental promover uma maior conscientização e integração das PICs no sistema de saúde, investindo em pesquisa, educação e capacitação profissional.

Em relação às recomendações para trabalhos futuros, sugere-se a realização de estudos que investiguem mais profundamente os mecanismos de ação das PICs na saúde da mulher, bem como sua eficácia em diferentes contextos e populações. Além disso, é importante desenvolver estratégias para expandir o acesso e a qualidade dos serviços de PICs, especialmente em comunidades com poucos recursos. Por fim, recomenda-se o fortalecimento da colaboração entre profissionais de saúde, pesquisadores e comunidades, visando a construção de um sistema de saúde mais inclusivo e integrativo.

REFERÊNCIAS

BONHOMME, Daniella. Benefits of mindfulness on women’s health. Council for relationships [online], 2022. Disponível em: https://councilforrelationships.org/benefits-of-mindfulness-on-womens-health. Acesso em: 21 mar. 2024.

BRASIL. Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS). Ministério da Saúde [online], 2024. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/pics. Acesso em: 21 mar. 2024.

GAZETA DO POVO. Acupuntura pode ajudar mulheres em diversas fases da vida. Gazeta [online], 2019. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/viver-bem/saude-e-bem-estar/saiba-quais-sao-os-beneficios-da-acupuntura-para-a-saude/. Acesso em: 21 mar. 2024.

MIZUNO, Julio. et al. Contribuições das práticas de ioga na condição de saúde, atitudes e comportamentos de mulheres adultas e idosas. Movimento, v. 24, n. 3, p. 947–960, jul. 2018. Disponível em: https://doi.org/10.22456/1982-8918.75680. Acesso em: 21 mar. 2024.

SÁ, Claudia Conforto de et al. Uso de fitoterápicos na saúde da mulher. Revista de Divulgação Científica Sena Aires, [S. l.], v. 12, n. 2, p. 321–329, 2023. Disponível em: https://revistasfacesa.senaaires.com.br/index.php/revisa/article/view/449. Acesso em: 21 mar. 2024.

SOUSA, Islândia M. Carvalho de. (org..) Boletim Evidências. Observa PICS [online], 2023. Disponível em: https://observapics.fiocruz.br/wp-content/uploads/2023/08/Boletim-Evidencias-13-edicao-ObservaPICS.pdf. Acesso em: 21 mar. 2024.

SOUSA, Islândia M. Carvalho de. (org.). Boletim Evidências. Observa PICS [online], 2021. Disponível em: http://157.86.210.20/wp-content/uploads/2021/08/Boletim-Evidencias-N7-ObservaPICS.pdf. Acesso em: 21 mar. 2024.

[1] Pós-doutora em Psicologia; Doutora em Educação; Mestrado em Intervenções Psicológicas no Desenvolvimento e na Educação. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4948-6462. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4339738876228880.

Foto de Michele Aparecida Cerqueira Rodrigues

Michele Aparecida Cerqueira Rodrigues

Neuropsicopedagoga e Psicanalista; Doutora em Educação; Doutoranda em Neurociências pela Logos University International; Atuação como coordenadora e professora no CBI of Miami; Pesquisadora no Departamento Internacional de Antropologia e Religião da Logos University International; Pesquisadora voluntária no grupo de pesquisa GEPECUMA - Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação, Cultura, Memória e Arte (UNESP - PUC/SP); Pesquisadora voluntária no Departamento de Psicologia da Universidad del Flores (UFLO).

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