Enrico Jardim Clemente Santos [1]
Angela Mazzeo [2]
INTRODUÇÃO
Ao longo dos últimos anos o aumento da expectativa de vida dos animais vem ocasionando uma maior incidência de doenças até o momento não existentes ou de baixa frequência. Estudos científicos básicos, pré-clínicos e clínicos vêm sendo desenvolvidos tendo por meta a implementação de tratamentos inovadores para enfermidades nas quais, as terapias convencionais têm se mostrado insuficientes ou ineficazes. Dentre estas, a terapia com células-tronco tem se apresentado como uma das mais promissoras inovações terapêuticas. Atualmente, diversas doenças têm sido tratadas por meio do transplante de células-tronco dentre as quais a doença renal merece destaque. Neste capítulo abordaremos o potencial terapêutico das células-tronco no âmbito da medicina veterinária.
DESENVOLVIMENTO
O presente estudo teve como base pesquisa bibliográfica de cunho exploratório e descritivo junto a bases científicas de dados indexadas nas bases Google Acadêmico, Scientific Electronic Library Online (Scielo), Literatura Latino-Americana do Caribe em Ciência da Saúde (LILACS) e Medical Literature Analysis and Retrievel System Online (MEDLINE). Para a busca, foi realizado o recorte temporal de publicações entre os anos de 2000 e 2024, utilizando as seguintes palavras-chaves: células-tronco, medicina veterinária, terapia celular, cachorro, gato e doença renal.
A doença renal (DR) é um importante fardo global que acomete a medicina veterinária, contribuindo significativamente para o aumento da morbidade e mortalidade dos pacientes afetados. A DR é um problema comum, observado ao longo da vida dos animais de estimação, que aumenta em frequência à medida que os animais envelhecem. A padronização dos quadros da DR levou a International Renal Interest Society (IRIS, 2017) a propor um sistema de classificação composto por quatro estágios, os quais são amplamente utilizados pela comunidade médica veterinária (Figura 1). Estas diretrizes têm otimizado as práticas de manejo padronizado visando a melhoria na qualidade de vida dos pacientes. No diagnóstico de DR, os veterinários devem investigar as condições subjacentes e as complicações que podem ser tratadas. O estadiamento da DR permite o manejo personalizado do paciente para o melhor desfecho possível. A prevalência geral da DR em gatos é de aproximadamente 2% a 4% aumentando para 30% a 40% em gatos com >10 anos de idade. Dados obtidos a partir de estudos realizado em cães também apoiam que a prevalência da DR aumenta com a idade (O’Neill, 2014; Marino, 2014; Hall, 2018).
Figura 1. Estágios da doença renal segundo a International Renal Interest Society

A síndrome da DR tem por característica o comprometimento do metabolismo renal culminando na perda das funções fisiológicas dos rins. Estes são responsáveis por filtrar o sangue, a fim de excretar resíduos metabólicos e liberar hormônios que têm papel vital no controle da pressão arterial sistêmica e na produção de glóbulos vermelhos. O processo de degeneração do quadro renal tende a ocorrer de forma dinâmica e progressiva, por períodos que podem variar de meses a anos (PRESSLER, 2013).
As terapias convencionais que visam o tratamento da DR incluem orientação dietética, fluidoterapia e hemodiálise. Estas abordagens terapêuticas têm por objetivo promover uma melhoria na qualidade de vida do paciente (Fischer, 2004; Larsen, 2016; Langston, 2017; Geraldes, 2020; Valerie, 2021). Embora as terapias conservativas resultem em uma melhor qualidade de vida do paciente, a injúria estrutural tende a evoluir, favorecendo a redução da massa renal e consequentemente a falência do órgão. O transplante renal tem sido levado em consideração, embora seja um procedimento bastante incomum na medicina veterinária. Atualmente, o transplante renal é o único método que resulta em uma melhora total do paciente (Mathews, 2000; Katayama, 2002).
Apesar da comunidade médico veterinária enfatizar a importância do diagnóstico precoce, são baixos os índices do mesmo na fase inicial da doença renal, pois a manifestação dos sinais clínicos tende a ocorrer em estágios mais avançados da doença (BARBER, 2003). Tendo em vista os aspectos restritivos da DR, o prognóstico a longo prazo tem se mostrado desfavorável (BARBER, 2003). Na medicina veterinária, a busca de um tratamento que possa ser mais efetivo do que as terapias convencionais, é de fundamental importância quando se tem por objetivo a melhoria da qualidade de vida e sobrevida dos pacientes.
A doença renal pode ser classificada em aguda ou crônica. A insuficiência renal aguda (IRA) é caracterizada pela rápida perda funcional dos néfrons, resultando em um quadro de azotemia e alterações de fluidos e eletrólitos. A diminuição da função renal é multifatorial incluindo a redução do fluxo sanguíneo intra-renal e lesões celulares (ETTINGER; FELDMAN, 2004). Já a insuficiência renal crônica (IRC) se caracteriza por apresentar lesões renais irreversíveis e progressivas tornando os rins incapazes de realizar as suas funções. O ritmo de progressão depende da causa original e agravantes como nefrite, diabetes, hipertensão, infecção urinária, dentre outras (MCGROTTY, 2008).
Tendo em vista a limitação da medicina veterinária tradicinoal, no que tange ao tratamento de inúmeras doenças, tem se feito necessária o desenvolvimento de novas terapias. Diferentes abordagens terapêuticas como a acumputura, ozonioterapia, fitoterapia, homoeopatia, laserterapia, ozonioterapia e cromoterapia, vêm sendo aplicadas com sucesso. Dentre estas abordagens terapêuticas inovadoras está a terapia com células-tronco a qual vêm se apresentando como uma das mais promissoras terapias tanto no âmbito da medicina veterinária como na medicina humana.
As células-tronco tem sido definidas pela comunidade científica como células indiferenciadas e que apresentam o potencial de se auto-renovarem além de se diferenciarem morfologica e funcionalmente em diferentes tipos celulares, mediante estímulos específicos. Na literatura as células-tronco vêm sendo classificadas em três tipos distintos: células-tronco embrionárias (CTEs) que são obtidas a partir da massa celular interna do blastocisto, células-tronco adultas (CTAs) isoladas a partir de tecidos adulatos e as células-tronco pluripotentes induzidas (CTPIs) que são células adultas modificadas genéticamente de forma adquirirem as características das CTEs. Tendo em vista o potencial das CTEs e CTPIs darem origem a terotocarcinomas, apenas as CTAs têm sido utilizadas terapeuticamente na medicina veterinária
As CTAs podem ser divididas em dois grupos: células-tronco hematopoiéticas (CTHs) responsáveis pela produção das linhagens sanguíneas e as células-tronco mesenquimais (CTMs) que dão suporte ao processo de hematopoiese, além de dar origem a diferentes tipos celulares. As CTMs podem ser obtidas a partir de diferentes fontes teciduais, incluindo medula óssea, tecido adiposo, músculo e polpa dentária. As CTMs possuem a capacidade de secretar diversas citocinas e fatores de crescimento os quais regulam a atividade imune e aumentam o potencial de expansão e diferenciação das células hospedeiras, promovendo assim a reparação dos tecidos lesionados (Choi, 2015). As CTMs também desempenham papéis críticos nos processos de modulação do fluxo sanguíneo renal, permeabilidade capilar, sobrevivência das células endoteliais e respostas imunológicas (Kramann, 2014). Portanto as CTMs, que possuem propriedades angiogênicas e imunomoduladoras, se apresentam como uma fonte promissora, quando se visa a recuperação de sítios lesados e o tratamento de diversas condições patológicas, como lesão renal e insuficiência renal. Desta forma, as CTMs se apresentam como uma estratégia terapêutica para a terapia renal regenerativa (Jia, 2016; Casiraghi, 2016).
Embora os mecanismos envolvidos na diferenciação das células-tronco, in vivo, ainda não tenham sido plenamente compreendidos, sabe-se que estas atuam modificando o microambiente através da secreção de fatores parácrinos que potencializam a reparação tecidual. Portanto, podemos atribuir os efeitos terapêuticos das CTMs as suas características que incluem multipotência, autorrenovarão, processos de sinalização celular, produção de biomoléculas, fatores de crescimento e moduladores da resposta imune, imunomodulação e homing (Fu, 2019).
TERAPIA COM CÉLULAS-TRONCO EM MODELOS ANIMAIS ACOMETIDOS PELA DOENÇA RENAL
Modelos animais têm sido amplamente utilizados para esclarecer a patogênese e os mecanismos subjacentes da doença renal. Dentre esses modelos, camundongos e ratos são os mais comumente utilizados para estudar eventos de nefropatia, embora esses modelos não sejam completamente consistentes com a DR felina ou canina (Lawson, 2018; Ismail, 2021). Em modelos murinos, a doença renal pode ser induzida por cirurgia ou administração de drogas ou toxinas. Além disso, camundongos geneticamente modificados e linhagens endogâmicas fornecem uma nova plataforma para investigar nefropatia (Bao, 2018).
A pergunta continuamente feita é: As CTMs podem regenerar o tecido renal? A resposta advém do fato de que os néfrons têm origem mesenquimal, o que sugere que as CTMs podem reparar a lesão no tecido renal e diferenciar-se em ductos coletores e néfrons (Anglani, 2004).
A maioria dos estudos em modelos murinos demonstraram efeitos benéficos das CTMs contra a DR como redução da taxa de apoptose das células renais, aumento da regeneração das células renais, diminuição da fibrose renal, maior tempo de sobrevivência, aumento da expressão de citocinas anti-inflamatórias, e melhora das variáveis de função renal (Lin, 2005; Bi, 2007; Morigi, 2008; Hagiwara, 2008).
Estudos envolvendo o modelo experimental de doença renal aguda (DRA), em ratos, demonstram resultados significativamente favoráveis utilizando-se tratamento com CTMs (Semedo et al., 2007; Wang et al., 2009). No modelo a lesão é obtida por meio de isquemia e reperfusão através do clampeamento dos pedículos renais por 60 minutos, acarretando o desenvolvimento da fibrose tecidual e consequente comprometimento da função renal. Wang e colaboradores, utilizaram CTMs marcadas com diacetato de carboxifluoresceína succinimidil éster (CFSE), de forma a comprovar a incorporação delas aos tecidos funcionais dos rins. Os resultados obtidos demonstraram a regressão das lesões teciduais renais com menor presença de necrose tubular aguda, extravasamento sanguíneo tubular e hemácias nos glomérulos renais, além de uma menor expressão de fatores pró-inflamatórios como IL-1 beta e maior expressão do fator anti-inflamatório IL-4 (Wang et. al., 2009). No mesmo ano e utilizando o mesmo modelo experimental, o grupo da pesquisadora Semedo, obteve uma melhora da função renal mensurada pelas dosagens séricas de creatinina e ureia e a diminuição do processo inflamatório, decorrente da lesão renal instituída e tratada por meio da terapia celular. Embora tenham sido comprovadas as propriedades regenerativas das CTMs, em modelos murinos de DRA, a ação e importância destas células no estudo da doença renal crônica (DRC) ainda não tinham sido exploradas. Samedo e colaboradores, propuseram um estudo acerca da capacidade de se retardar ou amenizar a fibrose do parênquima renal de ratos nesta condição patológica. O artigo comprova, através de análises morfológicas, a redução dos níveis de fibrose nos animais tratados com CTMs, além da redução de todas as citocinas séricas e redução da expressão de RNAm para proteínas estruturais de tecido fibrótico como vimentinas, colágeno tipo I dentre outros. No trabalho os autores sugerem que a terapia com CTMs, neste modelo, pode efetivamente modular a resposta inflamatória que se segue à fase inicial da DRC, atribuindo à atividade imunosupressora e as propriedades de remodelação das CTMs empregadas no tratamento, como efetivas na redução da fibrose renal (Semedo; 2009).
A utilização do modelo de DRC em ratos, caracterizado pela redução de 80% da função renal obtida pela nefrectomia parcial, também foi utilizada para se avaliar o potencial regenerativo do tratamento com CTMs. Dois grupos distintos de animais foram tratados, instituindo-se uma única aplicação de células-tronco 15 dias após a cirurgia em um grupo e no outro, 3 aplicações com 15, 30 e 45 dias após a nefrectomia, sendo que os animais de ambos os grupos apresentaram recuperação muito similar de 50% da função renal (Alexandre, 2009). Com tudo, Yoshitaka e colaboradores demonstraram que a regeneração tecidual é favorecida com um maior número de transplantes de células-tronco (Yoshitaka, 2007).
TERAPIA COM CÉLULAS-TRONCO NA MEDICINA VETERINÁRIA
As CTMs vêm sendo utilizadas terapeucamente na medicina veterinária com resultados significativos no que tange a recuperação da qualidade de vida dos animais. Dentre as doenças tratadas temos sequela neurológica de cinomose (SANTOS, 2019a), gengivite estomatite felina (ASSIS, 2017), lesões inflamatórias intestinais (PÉREZ-MERINO, 2015), lesões oculares (VILLATORO, 2015), lesões dermatológicas (VILLATORO, 2018), lesões tendíneas (SMITH, 2005), laminite (MENDES, 2021), osteoartrites (BLACK, 2007), trauma medular (MUKHAMEDSHINA, 2019), hipoplasia (GATTI, 2014), aplasia medular (BRAGA, 2020; SANTOS, 2023), asma felina (SANTOS, 2024a), bronquite canina (SANTOS, 2024b) e fístula perianal (SANTOS, 2024c)(Figura 2). Atualmente a terapia com células-tronco já é uma realidade na veterinária com inúmeras empresas disponibilizando esta nova abordagem terapêutica. Dentre estas temos VetStem e Gallant Therapeutics (Estados Unidos da América), Stem Cell Vet (Inglaterra), Vetherapy (Portugal), Magellan Veterinary Stem Cell (Austrália) e CELLTROVET (Brasil). Portanto, está nova abordagem terapêutica já é uma realidade no mercado veterinário mundial.
Figura 2. Doenças tratadas por meio da terapia com células-tronco

No transcorrer dos últimos anos gatos e cães, acometidos por um quadro de DR, vêm sendo submetidos ao transplante com CTMs com resultados extremamente satisfatórios (SANTOS, 2018a; El Miniawy, 2022). Comparadas a outros tipos de células-tronco, as CTMs têm se mostro mais eficazes no processo de retardo do desenvolvimento e progressão da DR, estando sua atividade renoprotetora relacionada à secreção de citocinas, as quais impedem a inflamação e a fibrose, além de desencadear processos de reparo endógeno, como a angiogênese (PAPAZOVA, 2015).
TERAPIA COM CÉLULAS-TRONCO EM GATOS COM DOENÇA RENAL
Estudos realizados, visando analisar a utilização de diferentes vias no transplante de CTMs, demonstraram que as vias intravenosa, intrarenal e intra-arteiral são seguras e eficazes para o tratamento de animais acometidos por um quadro de DR (Quimby, 2011; Vidane, 2017; Thomson, 2019). Entretanto, devemos considerar que a melhor via sempre será a menos invasiva, de fácil e rápido acesso, pouco traumática, de fácil difusão pelo organismo e que proporcione a possibilidade de múltiplas aplicações, com o mínimo de efeitos colaterais (SANTOS, 2019b).
Vidane e colaborares desenvolveram estudo com vinte sete gatos acometidos por um quadro de DRC, com o objetivo de analisar a segurança e eficácia do transplante de CTMs pela via intravenosa. Os dados demonstraram uma melhora significativa da função renal e retardo da progressão da DRC, sem qualquer alteração na arquitetura e morfologia dos rins (Vidane, 2017).
Santos e colaboradores demonstraram que o transplante subsequente de CTMs alogênicas criopreservada pela via endovenosa resultou em uma melhora significativa da função renal de sete gatos acometidos pela DRC em estágio 2. Os pacientes apresentaram uma melhora clínica, ganho de apetite e aumento da disposição. No estudo foram realizados três transplantes com intervalos de 30 dias, sem que tenha sido observado efeitos adversos (Santos, 2018a).
Estudo realizado por Zacharias e colaboradores em dezoito gatos nefrectomizados unilateralmente e submetidos ao transplante de CTMs pela via intravenosa, resultou em uma melhora significativa da função renal demonstrada pelo aumento de 20% na taxa de filtração glomerular (TFG) e/ou uma redução de 20% na creatinina plasmática em mais de 50% dos gatos. Os dados clínicos demonstraram que o tratamento foi bem tolerado tendo sido observado uma melhora significativa no consumo alimentar e de água (Zacharias, 2021).
TERAPIA COM CÉLULAS-TRONCO EM CÃES COM DOENÇA RENAL
Estudo realizado em seis fêmeas Beagles, acometidas por um quadro de DRA, demonstrou que o transplante de CTMs, realizado por meio da veia cefálica, pode ser uma opção útil para prevenção de fibrose renal e estimulação da regeneração renal, sem efeito negativo sobre a função renal em cães. O efeito positivo das CTMs parece ser gerado pela redução da infiltração de células inflamatórias, menor taxa de fibrose renal, maior expressão de VEGF, aumento da proliferação das células epiteliais tubulares renais e menor expressão de TNF-α e TGF-β. Esses efeitos podem acelerar a regeneração renal e prevenir a lesão renal contínua, diminuindo assim o risco de progressão para doença renal terminal (Lim, 2016).
Seung-Jun Lee e colaboradores demonstraram que o transplante de CTMs realizado em quatorze machos Beagles, acometidos por um quadro de DRA, resultou em uma melhora da função renal tendo as CTMs sido detectadas no rim por meio da marcação com proteína fluorescente verde (GFP), usando um sistema de transfecção baseado em lentivírus. A detecção pode ter sido resultado da via utilizada (injetadas diretamente na junção corticomedular renal) uma vez que já foi demonstrado que as CTMs administradas sistemicamente se movem através da circulação sendo eventualmente retidas no pulmão (Meyerrose, 2007). Os dados demonstraram uma melhora da função excretora renal, o que foi verificado pelos níveis séricos de ureia e creatinina que diminuíram progressivamente ao longo de todo o experimento (Lee, 2017).
Em estudo realizado por Santos e colaboradores, doze cães sem raça definida, acometidos pelo estágio dois da DRC, forma submetidos a três transplantes de CTMs, por meio da veia cefálica, com intervalos de trinta dias. Os dados obtidos demonstraram que todos os pacientes apresentaram uma melhora significativa da função renal, verificada por meio da redução progressiva dos níveis séricos de ureia e creatinina, assim como melhora clínica, ganho de apetite e aumento da disposição (Santos, 2019c).
Hala M. F. El Miniawy e colaboradores demonstraram que o transplante de CTMs em cães acometidos pelo estágio três da DRC pode resultar na melhora da função renal com a redução dos níveis séricos de ureia e creatinina, regeneração dos túbulos renais danificados, redução da fibrose e manutenção da integridade dos corpúsculos renais. O estudo foi realizado tendo como modelo animal seis cães sem raça definida que tiveram a DRC induzida por meio da nefrectomia 5/6. As CTMs foram injetadas diretamente no córtex renal, tendo sido realizados dois transplantes com intervalos de duas semanas. Foi detectado um aumento na expressão de VEGF à medida que ocorreu o remodelamento dos vasos sanguíneos devido a capacidade das CTMs se diferenciaram em células musculares lisas e células endoteliais (El Miniawy, 2022).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O transplante com células-tronco tem grande potencial para se tornar um dos aspectos mais importantes da medicina. Além de desempenharem um grande papel no desenvolvimento da medicina regenerativa, seu estudo revela muitas informações sobre os eventos complexos que acontecem durante o processo de desenvolvimento. Na medicina veterinária a terapia com células-tronco vem ganhando destaque no tratamento de diversas doenças até então sem cura. No âmbito da DR a ação terapêutica das CTMs tem resultado em uma melhoria significativa na qualidade de vida dos animais reduzindo assim sua taxa de morbidade e mortalidade.
REFERÊNCIAS
ALEXANDRE, Cristianne Silva et al. Lineage-negative bone marrow cells protect against chronic renal failure. Stem Cells, v. 27, n. 3, p.682-692, 2009.
ANGLANI, F et al. “In search of adult renal stem cells.” Journal of cellular and molecular medicine vol. 8,4 : 474-87, 2004.
ASSIS, Tatiana Lembo de Silva et. al. Análise da Viabilidade Terapêutica das Células-Tronco Mesenquimais Alogênicas no Tratamento de Felino Acometido por Complexo Gengivite Estomatite Felina. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento, Ano 02, Vol. 01. pp 470-482, 2017.
BAO, Yin-Wu et al. “Kidney disease models: tools to identify mechanisms and potential therapeutic targets.” Zoological research vol. 39,2: 72-86, 2018.
BARBER, P. Diagnosis and management of chronic renal failure in the cat. In Practice, 25(6): 306- 313, 2003.
BI, Baoyuan et al. Stromal cells protect against acute tubular injury via an endocrine effect. Journal of the American Society of Nephrology 18: 2486–2496, 2007.
BLACK, Linda et. al. Effect of adipose-derived mesenchymal stem and regenerative cells on lameness in dogs with chronic osteoarthritis of the coxofemoral joints: a randomized, double-blinded, multicenter, controlled trial. Veterinary Therapeutics: Research in Applied Veterinary Medicine, 8(4):272-84, 2007.
CASIRAGHI, Federica et al. “Mesenchymal stromal cells in renal transplantation: opportunities and challenges.” Nature reviews. Nephrology vol. 12,4: 241-53, 2016.
CHOI, Jane Ru et al. “In situ normoxia enhances survival and proliferation rate of human adipose tissue-derived stromal cells without increasing the risk of tumourigenesis.” PloS one vol. 10,1 e0115034, 2015.
EL MINIAWY, Hala M F et al. “The therapeutic potential of Camel Wharton jelly mesenchymal stem cells (CWJ-MSCs) in canine chronic kidney disease model.” Stem cell research & therapy 13(1), 387, 2022,
ETIINGER, J.S. et.al. Insuficiência renal crônica. In: ____. Textbook of veterinary internal medicine: diseases of the dog and the cat. 8th ed. Saint. Louis, Mo.: Elsevier Saunders, 2017. p.1822-1872.
FISCHER, Julie R et al. “Veterinary hemodialysis: advances in management and technology.” The Veterinary clinics of North America. Small animal practice vol. 34,4: 935-67, vi-vii, 2004.
FU, Xiaorong et al. “Mesenchymal Stem Cell Migration and Tissue Repair.” Cells vol. 8,8 784, 2019
GATTI, Andre et. al. Cell therapy in the treatment of myeloid aplasia – a case report. Revista Científica de Medicina Veterinária – Pequenos Animais e Animais de Estimação,12(41):296-303, 2014.
GERALDES, Silvano Salgueiro et al. “The Effect of Intermittent Hemodialysis on the Hematological and Serum Biochemistry Profile in Dogs With Chronic Kidney Disease.” Topics in companion animal medicine vol. 38:100389, 2020.
HALL, JA et. al. “A longitudinal study on the acceptance and effects of a therapeutic renal food in pet dogs with IRIS‐stage 1 chronic kidney disease.” Journal of animal physiology and animal nutrition. 102:297‐307, 2018.
HAGIWARA, Makoto et al. “Kallikrein-modified mesenchymal stem cell implantation provides enhanced protection against acute ischemic kidney injury by inhibiting apoptosis and inflammation.” Human gene therapy vol. 19,8: 807-19, 2008.
International Renal Interest Society guidelines. 2016. Available at: http://www.iris-kidney.com/pdf/staging-of-ckd.pdf. Accessed March 18, 2016.
ISMAIL, TA, et. al. “Development of canine chronic kidney disease model: a pilot study.” Int J Vet Sci. 10:286–293, 2021.
JIA, Xiaojing et al. “Bone marrow mesenchymal stromal cells ameliorate angiogenesis and renal damage via promoting PI3k-Akt signaling pathway activation in vivo.” Cytotherapy vol. 18,7:838-45, 2016.
KATAYAMA, M. et. al. “Renal transplantation in cats: patient selection and preoperative management.” Compendium on Continuing Education for the Small Animal Practitioner. 24: 868-873, 2002.
KRAMANN, Rafael, and Benjamin D Humphreys. “Kidney pericytes: roles in regeneration and fibrosis.” Seminars in nephrology vol. 34,4:374-83, 2014.
LANGSTON, Cathy. “Managing Fluid and Electrolyte Disorders in Kidney Disease.” The Veterinary clinics of North America. Small animal practice vol. 47,2:471-490, 2017.
LARSEN, Jennifer A. “Controversies in Veterinary Nephrology: Differing Viewpoints: Role of Dietary Protein in the Management of Feline Chronic Kidney Disease.” The Veterinary clinics of North America. Small animal practice vol. 46,6:1095-8, 2016.
LAWSON, Jack S et al. “The cat as a naturally occurring model of renal interstitial fibrosis: Characterisation of primary feline proximal tubular epithelial cells and comparative pro-fibrotic effects of TGF-β1.” PloS one vol. 13,8 e0202577, 2018.
LEE, Seung-Jun et al. “Mesenchymal Stem Cells Contribute to Improvement of Renal Function in a Canine Kidney Injury Model.” In vivo (Athens, Greece) vol. 31,6:1115-1124, 2017.
LIM, Chae-Young et al. “Evaluation of autologous bone marrow-derived mesenchymal stem cells on renal regeneration after experimentally induced acute kidney injury in dogs.” American journal of veterinary research vol. 77,2 : 208-17, 2016.
LIN, Fangming et al. “Intrarenal cells, not bone marrow-derived cells, are the major source for regeneration in postischemic kidney.” The Journal of clinical investigation vol. 115,7:1756-64, 2005.
MATHEWS, K A et al. “Kidney transplantation in dogs with naturally occurring end-stage renal disease.” Journal of the American Animal Hospital Association vol. 36,4 : 294-301, 2000.
MARINO, Christina L et al. “Prevalence and classification of chronic kidney disease in cats randomly selected from four age groups and in cats recruited for degenerative joint disease studies.” Journal of feline medicine and surgery vol. 16,6:465-72, 2014.
MCGROTTY, Yvonne. Diagnosis and management of chronic kidney disease in dogs and cats. In Practice, 30: 502-507, 2008.
MENDES, Ana Beatriz et. al. Therapeutic potencial of mesenquimal stem cells in equine laminitis. Research, Society and Development, v. 10, n. 10, p. e436101018902, 2021.
MEYERROSE, Todd E et al. “In vivo distribution of human adipose-derived mesenchymal stem cells in novel xenotransplantation models.” Stem cells (Dayton, Ohio) vol. 25,1:220-7, 2007.
MORIGI, Marina et al. “Human bone marrow mesenchymal stem cells accelerate recovery of acute renal injury and prolong survival in mice.” Stem cells (Dayton, Ohio) vol. 26,8:2075-82, 2008.
MUKHAMEDSHINA, Yana et al. Mesenchymal Stem Cell Therapy for Spinal Cord Contusion: A Comparative Study on Small and Large Animal Models. Biomolecules vol. 9,12 811, 2019.
O’Neill, D G et al. “Prevalence of disorders recorded in cats attending primary-care veterinary practices in England.” Veterinary journal (London, England : 1997) vol. 202, 2:286-91, 2014.
PAPAZOVA, Diana A et al. Cell-based therapies for experimental chronic kidney disease: a systematic review and meta-analysis. Disease models and mechanisms, 8(3):281-93, 2015.
PÉREZ-MERINO, Eva Maria et al. Safety and efficacy of allogeneic adipose tissue-derived mesenchymal stem cells for treatment of dogs with inflammatory bowel disease: Clinical and laboratory outcomes. Veterinary Jornal, vol. 206,3: 385-90, 2015.
Pressler, Barrak M. “Clinical approach to advanced renal function testing in dogs and cats.” The Veterinary clinics of North America. Small animal practice vol. 43,6:1193-208, 2013.
Quimby, Jessica M et al. “Evaluation of intrarenal mesenchymal stem cell injection for treatment of chronic kidney disease in cats: a pilot study.” Journal of feline medicine and surgery vol. 13,6:418-26, 2011.
SANTOS, Enrico Jardim Clemente et. al. Células progenitoras adultas multipotentes alogênicas no tratamento de doença renal em felinos. Science and Animal Health, 6(3):266-285, 2018.
SANTOS, Enrico Jardim Clemente et. al. Células-tronco mesenquimais alogênicas no tratamento das sequelas neurológicas de cinomose canina. Medvep – Revista Científica de Medicina Veterinária. Pequenos Animais e Animais de Estimação, 3(49):32-40, 2019a.
SANTOS, Enrico Jardim Clemente. Stem Cell Therapy: A Reparative Approach in Veterinary. Dairy and Veterinary Sciences Journal, 13(3): 555870, 2019b.
SANTOS, Enrico Jardim Clemente et. al. Utilização terapêutica das células progenitoras adultas multipotentes alogênicas em cães acometidos pela doença renal. Revista Medicina Veterinária (UFRPE), v. 13, n. 4, p. 534-543, 2019c.
SANTOS, Enrico Jardim Clemente et. al. Potencial terapêutico de células progenitoras adultas multipotentes alogênicas no tratamento de aplasia medular secundária à erliquiose canina. Science and Animal Health, 11:35-52, 2023.
SANTOS, Enrico Jardim Clemente et. al. Study of the safety and therapeutic efficacy of multipotent adult progenitor cells in the treatment of feline asthma. Research, Society and Development, 13(3), 2024a.
SANTOS, Enrico Jardim Clemente et. al. Evaluation of the safety and therapeutic efficacy of multipotent adult progenitor cells in the treatment of canine bronchitis. Research, Society and Development, 13(4), 2024b.
SANTOS, Enrico Jardim Clemente et. al. Study of the safety and therapeutic efficacy of multipotent adult progenitor cells in the treatment of perianal fistula in dogs. Research, Society and Development, 13(5), 2024c.
SEMEDO, Patricia et al. “Mesenchymal stem cells ameliorate tissue damages triggered by renal ischemia and reperfusion injury.” Transplantation proceedings vol. 39,2 : 421-3, 2007.
SEMEDO, Patricia et al. “Mesenchymal stem cells attenuate renal fibrosis through immune modulation and remodeling properties in a rat remnant kidney model.” Stem cells (Dayton, Ohio) vol. 27,12 : 3063-73, 2009.
SMITH, Roger Kenneth Whealands et. al. Harnessing the stem cell for the treatment of tendon injuries: heralding a new dawn? British Journal of Sports Medicine, 39, 582–4, 2005.
THOMSON, Abigail L et al. “Intra-arterial renal infusion of autologous mesenchymal stem cells for treatment of chronic kidney disease in cats: Phase I clinical trial.” Journal of veterinary internal medicine vol. 33, 3: 1353-1361, 2019.
VALERIE JP. Nutritional Management for Dogs and Cats with Chronic Kidney Disease. Vet Clin Small Animal. 51, 685–710, 2021.
Vidane, Atanasio S et al. “Transplantation of amniotic membrane-derived multipotent cells ameliorates and delays the progression of chronic kidney disease in cats.” Reproduction in domestic animals = Zuchthygiene vol. 52 Suppl 2 : 316-326, 2017.
VILLATORO, Antonio José et al. Use of adipose-derived mesenchymal stem cells in keratoconjunctivitis sicca in a canine model. BioMed research international, vol. 2015: 527926, 2015.
VILLATORO, Antonio José et al. Allogeneic adipose-derived mesenchymal stem cell therapy in dogs with refractory atopic dermatitis: clinical efficacy and safety. The Veterinary Record, vol. 183,21: 654, 2018.
WANG, Pamella Huey Mei et al. “Administration of neural precursor cells ameliorates renal ischemia-reperfusion injury.” Nephron. Experimental nephrology vol. 112,1: e20-8, 2009.
Iso, Yoshitaka et al. “Multipotent human stromal cells improve cardiac function after myocardial infarction in mice without long-term engraftment.” Biochemical and biophysical research communications vol. 354,3 : 700-6, 2007.
Zacharias, Shelly et al. “Impact of allogeneic feline uterine-derived mesenchymal stromal cell intravenous treatment on renal function of nephrectomized cats with chronic kidney disease.” Research in veterinary Science, 141: 33-41, 2021.
[1] Doutorado em Biotecnologia; Mestrado em Biociências e Biotecnologia. ORCID: http://orcid.org/0000-0003-0869-3342. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/3625817369504094.
[2] Doutoranda em Engenharia Elétrica; Mestrado em Ciências da Saúde; Graduação em Farmácia. ORCID: http://orcid.org/0000-0001-8483-5002. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8818733904720671.