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A IMPORTÂNCIA DA CEFALOMETRIA NO ESTUDO DAS MALOCLUSÕES DE DIFERENTES POPULAÇÕES

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Priscila Pinto Brandão de Araujo [1]

Carlos Eduarde Bezerra Pascoal [2]

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INTRODUÇÃO

O planejamento e diagnóstico ortodôntico baseia-se dentre outros métodos na cefalometria que é um elemento indispensável para um correto diagnóstico, prognóstico de um tratamento ortodôntico; as análises cefalométricas baseiam-se numa definição de normalidade de uma determinada população, sendo que, tem se comprovado em pesquisas, que medidas cefalométricas tradicionalmente utilizadas no planejamento ortodôntico, não podem ser utilizadas de forma genérica para todas as populações. É necessário que se individualize essas medidas considerando o gênero, a idade, a raça e o padrão facial, além do bom senso clínico de beleza exigida pela sociedade local e pelo paciente.

A cefalometria radiológica, com a utilização do cefalostato e técnica padronizada, é um método que permite o estudo do conjunto de estruturas cefálicas; possibilitando ao ortodontista o estudo das estruturas dentofaciais de seus pacientes. Tudo se iniciou quando Wilhein Konrad Von Roetgen descobriu os raios X em 1895 e PACCINI, em 1922, demonstrou a utilidade da radiografia cefalométrica e sua precisão na avaliação do complexo craniofacial.

Angle, em 1899, classificou as mal oclusões de acordo com a posição da cúspide mésio-vestibular do primeiro molar superior relacionada com o sulco mésio-vestibular do primeiro molar inferior em classe I, classe II e classe II.

BROADBENT, em 1931 introduziu o cefalostato possibilitando a padronização da técnica radiográfica; obtendo telerradiografias com o mínimo de distorção. Sendo assim, a classificação de Angle foi complementada pelas telerradiografias que firmaram os métodos cefalométricos como auxiliar nos diagnósticos ortodônticos; dando a possibilidade a vários pesquisadores realizarem estudos sobre a morfologia e irregularidades dentofaciais.

A partir da cefalometria radiográfica várias análises cefalométricas foram criados e obtidos valores de diferentes grupos étnicos, que possuem diferenças como gênero, idade e características étnicas. Com isso, quando estas análises são aplicadas a nossos indivíduos brasileiros, podem mostrar diferenças.  Devemos sempre estar em busca de valores que caracterizam individualmente cada grupo étnico e regional, para utilizarmos padrões o mais próximo da realidade daquele determinado grupo realizando assim um diagnóstico e plano de tratamento correto.

Através da análise cefalométrica, obtida de 20 jovens com oclusão normal entre 12 e 17 anos de ambos os sexos; Downs, em 1948, determinou padrões de normalidade para o crânio e a face  observando que quando o eixo y de crescimento desviasse da média obtida, indicaria um crescimento horizontal ou vertical, de acordo com a angulação encontrada, conclui-se que os resultados obtidos variavam muito das medidas estudas e por isso a importância de que o padrão esquelético deveria ser avaliado individualmente.

Muitos outros autores preconizaram métodos ou renovaram conceitos de onde podemos obter informações diversas. Tais como de TWEED (1946), STEINER (1953), BJÖRK (1955), RICKETTS (1960) e JARABAK (1972). Taylor, Hitchcock (1966) e Hitchcock (1970), sugeriram a hipótese de que a herança étnica das crianças leucodermas do sul, seria diferente daquelas das outras partes dos EUA, e que por isso, deveriam apresentar um padrão cefalométrico diferente. Realizaram o estudo de 40 telerradiografias de jovens leucodermas do Estado de Alabama, com idade entre 7 aos 12 anos, com oclusão normal e bom perfil facial. Constataram que, os jovens sulistas apresentavam os incisivos superiores e inferiores mais vestibularizados e protuídos do que os jovens das outras regiões dos EUA. Chegando à conclusão de que o resultado do tratamento ortodôntico para os sulistas, seria mais satisfatório, se fossem empregados os dados preconizados pela “Análise de Alabama”.

Mclain, Proffit (1985) baseados em uma revisão de literatura chegaram à conclusão de que aproximadamente 1/3 da população norte-americana, possuam apenas pequenos desvios da oclusão ideal podendo ser classificados como portadores de oclusão normal. Os 2/3 restantes apresentam más oclusões. Em 1994, Tang avaliou a prevalência de má oclusão entre os chineses, adultos jovens, residentes em Hong Kong. O autor estudou modelos de estudo de 108 estudantes do primeiro ano de Odontologia (18,5 a 23,4 anos de idade), todos do gênero masculino. A oclusão normal foi observada em 14,8% da amostra, enquanto as más oclusões de classe I em 49,1%, de classe II em 23,1% e de classe III em 14,8%.

Jacobson (1996) na Suécia encontrou uma prevalência de maloclusão com os seguintes resultados: classe I com 86,6%, classe II com 51,1% e classe III com 0,8%, comparando as nossas prevalências obtidas nenhuma se tornou compatível com os resultados de Jacobson. Proffit (1998) encontrou para a população norte-americana uma prevalência de classe I 51,1%, classe II com 51,1% e classe III com 5,7%, bem diferente das nossas prevalências encontradas, já ,em 2002, Reis encontrou uma prevalência de maloclusão para a população brasileira de 7,6% para oclusão normal, compatível com o nosso resultado obtido, 48,91% para classe I também coerente com nossos resultados, 40,22% para classe II e 3% para classe III estes sendo bem diferentes dos nossos resultados.

Takahashi et al. (2001) preconizou por meio de telerradiografias cefalométricas em norma lateral da cabeça valores médios para o cefalograma preconizado pela Disciplina de Ortodontia da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB/USP) utilizando uma amostra de jovens brasileiros, descendentes de xantodermas japoneses, com oclusão normal. A amostra constituiu-se de 41 indivíduos, sendo 21 do gênero feminino, e 20 do gênero masculino, que nunca se submeteram a tratamento ortodôntico.

Os resultados da pesquisa indicaram a necessidade de se utilizar medidas cefalométricas específicas para os brasileiros, descendentes de xantodermas japoneses, pois o estudo demonstrou valores médios de normalidade para as grandezas cefalométricas esqueléticas, dentárias e tegumentares, encontrando dimorfismo sexual nas medidas NAP, ANB o e SN.Ocl  e ter observado diferenças estatísticas na comparação com xantodermas japoneses, nas medidas: SNA , SNB, ANB, SND, 1.NB, 1-NB, P-NB, SN.Ocl, SN.GoGn o e IMPA e nas outras medidas normalidade: 1.NA, 1-NA, FMA, Ns.Gn.

Barcelos (2003) teve por objetivo comparar os valores preconizados na análise de Steiner com os valores encontrados em uma amostra composta por indivíduos brasileiros com oclusão normal e bom equilíbrio do perfil facial.

Através de 30 telerradiografias obtidas de indivíduos que nunca haviam se submetido a tratamento ortodôntico; o padrão esquelético apresentou nas medidas SND e NS. Go.Gn, diferenças significativas, indicando um padrão mais horizontal na amostra brasileira. No padrão dentário, as medidas 1-NA, 1.NA, 1-NB e 1.1 mostraram diferenças significativas, indicando maior protusão dentária no grupo brasileiro. No padrão estético, a medida linear LS-S mostrou-se menor e estaticamente significativa, evidenciando um perfil mais côncavo no grupo brasileiro, as outras medidas SNA, SNB, ANB, 1.NB, SN-PLO, apresentaram-se normais.

CONCLUSÃO

Concluímos que cada população tem suas características próprias, provenientes da miscigenação dos povos, as medidas cefalométricas devem considerar o gênero, a idade, a raça e o padrão facial do grupo populacional estudado. Um padrão considerado normal de uma determinada população pode não ser o mesmo de outra população estudada e isto tem sido comprovado em pesquisas, que medidas cefalométricas tradicionalmente utilizadas no planejamento ortodôntico, não podem ser utilizadas de forma genérica para todas as populações.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Angle, EH. Classification of malocclusion. Dental Cosmos 1899; 41: 248-   357.

Broadbent, BH. A new x-ray technique and its application to orthodontia 1931; 1(2):45-66.

TWEED, C. H. The frankfort-mandibular plane angle in orthodontic diagnosis, classification, treatment planning, and prognosis. Am J Orthod Oral Surg, St. Louis, v. 32, n. 4, p. 175-230, Apr. 1946.

Downs, WB. Variations in facial relationships: Their significance in treatment and prognosis. Am J Orthod 1948; 34(10): 812-840.

STEINER, C. C. Cephalometrics for you and me. American Journal of Orthodontical, Beverly Hills, v. 39, ed. 10, p. 729-755, Oct. 1953.

Taylor, WH, Hitchcock, HP. The Alabama analysis. Am. J. Orthodont 1966; 52: 245-265.

Proffit, WR. et al. Prevalence of malocclusion and orthodontic treatment need in the United States: estimates from NHANES III survey. Int J Adult Orthod Orthog Surg 1998; 13(2): 97-106.

Takahashi, R, et al. Padrão cefalométrico FOB-USP para jovens Nipo-brasileiros com oclusão normal. R Dental Press Ortodon Ortop Facial 2001; 6(2): 13-24.

Tang, ELK. The prevalence of malocclusion amongst Hong Kong male dental students. Br J Orthod 1994; 21(1): 57-63.

Barcelos, JAT, Da Silva, ACP, Ritter, DE. Estudo comparativo dos padrões cefalométricos preconizados por Steiner com indivíduos brasileiros portadores de oclusão excelente. J Brás Orthodon Ortop Facial 2003; 8(45): 234-242.

VEDOVELLO-FILHO, M. Cefalometria: técnicas de diagnóstico e procedimentos. São Paulo: Napoleão, 2008.

[1] Doutorado em Ortodonti; Mestrado em Ortodontia. Especialização em Saúde Coletiva e Ortodontia. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-5514-0911. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1678395879499706.

[2] Especialista em Ortodontia; Graduação em Odontologia. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3124-2291. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8684731922053714.

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Priscila Pinto Brandão de Araújo

Doutorado em Ortodontia. ORCID: 0000-0002-5514-0911. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1678395879499706.

Uma resposta

  1. A serviço da vida.
    A disposição para exercer a informação precisa e de maneira clara e elucidativa, é um mister. Parabenizo pelo talento e que venham outros. Cada parte, um acréscimo ao saber, de grande valia.
    Grata a Deus por sua vida, Doutora Priscila Pinto Brandão de Araújo.

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