Física

Mudanças no magnetismo e eletromagnetismo, e a criação do motor  puramente magnético, chamado moto perpétuo, segundo a TLCG – Teoria das Linhas de Campo Girantes

ARTIGO ORIGINAL

SILVA, César Leônidas da [1], SILVA, Cindy Suellen [2], SILVA, Randy Leônidas [3]

SILVA, César Leônidas da. SILVA, Cindy Suellen. SILVA, Randy Leônidas. Mudanças no magnetismo e eletromagnetismo, e a criação do motor  puramente magnético, chamado moto perpétuo, segundo a TLCG – Teoria das Linhas de Campo Girantes. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 10, Ed. 03, Vol. 01, pp. 05-36. Março de 2025. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/fisica/mudancas-no-magnetismo, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/fisica/mudancas-no-magnetismo

RESUMO

É apresentado a Teoria das Linhas de Campo Girantes (TLCG), que se baseia em linhas de campo magnético girando em torno de si mesmas, ao contrário do que é descrito na literatura atual, em que as linhas de campo magnético saem do polo norte e vão para o polo sul do ímã. O objetivo deste trabalho é demonstrar, através de alguns experimentos, utilizando a metodologia experimental e uma pesquisa explicativa, o funcionamento da TLCG, bem como demonstrar a razão da criação da corrente elétrica e o motivo do sentido dessa corrente no fio condutor, e o fato da corrente ser maior na periferia do fio condutor. Assim, esse trabalho contribui e fomenta a busca por novas tecnologias, bem como a melhoria das já existentes, pois possibilita a plena compreensão do funcionamento do eletromagnetismo, inclusive, estimula a elaboração de novas formas de se produzir energia elétrica limpa.

Palavras-chave: Eletromagnetismo, Ímã, Linhas de campo magnético.

1. INTRODUÇÃO

O Objetivo deste trabalho é demonstrar, através de alguns experimentos, a Teoria das Linhas de Campo Girantes (TLCG), que se baseia em linhas de campo magnético girando em torno de si mesmas, ao contrário do que é descrito na literatura atual, em que as linhas de campo magnético saem do polo norte e vão para o polo sul do ímã, e mostrar a possibilidade da criação do Moto Perpétuo seguindo este raciocínio.

Os ímãs naturais foram descobertos há mais de dois mil anos atrás, na Ásia, em uma região conhecida como Magnésia, recebendo o nome de magnetita. As características da magnetita foram explicadas por Tales de Mileto (640-550 a.C.)1.

Em 1600, William Gilbert (1540-1603) publicou experimentos acerca da eletricidade e do magnetismo, explicando as linhas de indução do campo magnético e a utilização da Bússola como meio de orientação terrestre. William teve grande importância na área de pesquisa do magnetismo, sendo ele o precursor do conhecimento sobre os aspectos do ímã, tais como a inseparabilidade dos polos magnéticos dos mesmos2.

Hans Christian Oersted (1777-1851), em 1820, observou a relação entre a eletricidade e o magnetismo, constatando que, ao passar uma corrente elétrica por um fio condutor, era possível gerar propriedades magnéticas em um material, surgindo, assim, os eletroímãs3.

Sabe-se atualmente, que um imã cria um campo magnético no espaço à sua volta, podendo ser representado por linhas de campo, que saem do polo norte para o polo sul. Sua principal característica é a atração e repulsão de compostos ferrosos.

Uma experiência, bastante comum, na área do magnetismo, é aproximar limalhas de ferro de um ímã, para observar as linhas de indução do campo magnético situadas em toda região ao redor do ímã, e não somente nas extremidades.

Michael Faraday (1791-1867) realizou experimentos comprovando que um campo magnético variável pode gerar uma corrente elétrica em um fio condutor. Esse fenômeno, descoberto por Faraday, recebeu o nome de Indução Eletromagnética. Essa grande descoberta foi base para o atual motor elétrico, amplamente utilizado4.

O físico russo, Heinrich Lenz (1804-1865), descobriu que ao impulsionar um polo de uma barra de ímã permanente através de uma bobina de fio metálico, uma corrente elétrica é induzida na bobina que, por sua vez, configura um campo magnético ao redor da bobina, tornando-a um ímã5.

1.1 JUSTIFICATIVA

Esse trabalho contribui e fomenta a busca por novas tecnologias, bem como a melhoria das já existentes, pois possibilita a plena compreensão do funcionamento do eletromagnetismo, inclusive, estimula a elaboração de novas formas de se produzir energia elétrica limpa, como por exemplo a criação do Motor Puramente Magnético.

A Teoria das Linhas de Campo Girantes (TLCG) busca responder de uma forma mais completa às seguintes perguntas:

  1. Por que se dá a atração e a repulsão entre dois ímãs? Atração quando aproximamos polos diferentes e repulsão quando aproximamos polos iguais um do outro.
  2. Por que se dá a corrente elétrica em um fio condutor quando se passa este fio pelas linhas de campo magnético?
  3. Por que esta corrente contínua se dá em um sentido, quando se passa este fio condutor em uma determinada direção, e por que a corrente elétrica muda o sentido, quando se passa o fio condutor na direção oposta?
  4. O que determina, afinal, o sentido dessa corrente?
  5. Como pode ser criado o Motor Puramente Magnético o Moto Perpétuo seguindo este raciocínio?

2. METODOLOGIA

Esse trabalho se enquadra em uma pesquisa explicativa, utilizando o método experimental, e tem como objetivo explorar algo novo, por isso, é realizada como uma tentativa de conectar ideias já existentes, para compreender as causas e efeitos de fenômenos eletromagnéticos já conhecidos.

Foram realizadas 4 experiências, para responder os cinco questionamentos que norteiam esse trabalho, citados acima. Cada experiência realizada, busca demonstrar, de maneira clara e precisa, através da observação, a rotação das linhas de campo magnéticas, como acontece na Teoria das Linhas de Campo Girantes, que será explicada abaixo.

3. TEORIA DAS LINHAS DE CAMPO GIRANTES

Em toda descrição, desse presente artigo, foi considerado o sentido real da corrente elétrica, que comumente é demonstrado utilizando-se a mão esquerda por analogia. Não será considerado o sentido convencional da corrente elétrica, que comumente utiliza a mão direita por analogia. Isso porque o que estamos analisamos é o movimento real dos elétrons no fio condutor.

É importante ressaltar que a teoria básica atual do eletromagnetismo, apesar de amplamente aceita não responde claramente a essas perguntas.

Figura 01 – Linhas de Campo Magnético pela teoria atualmente aceita

Fonte: Autor. 2024.

Figura 02 –Análise das Linhas de Campo Magnético entre polos norte de dois ímãs – teoria atualmente aceita

Fonte: Autor. 2024.

Na Figura 01 é demonstrado, de forma simplificada, como é a teoria atualmente aceita sobre as linhas de campo magnéticos. Essas linhas de campo saem do polo norte em direção ao polo sul magnético.

Analisando a aproximação de dois ímãs pelas faces norte, até uma distância menor que “d”, Figura 02, observa-se que fica amplamente justificado a repulsão entre os polos iguais, pois, as linhas de campo magnético saem do polo norte e vão para o polo sul, em ambos os ímãs.

Figura 03 – Análise das Linhas de Campo Magnético entre polos sul de dois ímãs – teoria atualmente aceita

Fonte: Autor. 2024.

Entretanto, ao se analisar a repulsão destes aproximando suas faces sul, até uma distância menor que “d”, Figura 03, a repulsão não é justificada, pois no polo sul as linhas de campo magnético estão chegando nos dois ímãs. O resultado desta aproximação, ou seria de neutralidade ou até mesmo de atração, nunca seria uma repulsão.

Figura 04 – Linhas de Campo Magnético pela TLCG

Fonte: Autor. 2024.

Na Figura 04, tem-se as linhas de campo magnético sob uma ótica diferente, ou seja, ao invés de sair do polo norte em direção ao polo sul magnético, as linhas de campo simplesmente giram em seu próprio eixo. Convencionalmente, pode-se afirmar que esse giro ocorre no sentido anti-horário na face norte do ímã e no sentido horário na face sul. O movimento das linhas de campo poderia ser comparado ao de um redemoinho.

Figura 05 – Análise das Linhas de Campo Magnético entre polos sul de dois ímãs – TLCG

Fonte: Autor. 2024.

Figura 06 – Análise das Linhas de Campo Magnético entre polos norte de dois ímãs – TLCG

Fonte: Autor. 2024.

Colocando-se dois ímãs lado a lado, e aproximando-os pelos seus polos sul, até uma distância menor que “d”, o sentido de giro das linhas de um dos ímãs seria oposto ao sentido de giro das linhas do outro, causando a força de repulsão, como mostrado na Figura 05. A mesma coisa acontece ao aproximar os ímãs pelos seus polos norte, Figura 06, haverá repulsão, pois, o giro das linhas de um dos ímãs seria o oposto ao sentido de giro das linhas do outro.

Figura 07 – Análise das Linhas de Campo Magnético entre polos norte e sul de dois ímãs – TLCG

Fonte: Autor. 2024.

Analogamente, aproximando o polo sul de um ímã com o polo norte do outro, até uma distância menor que “d”, o sentido de giro das linhas seria o mesmo, as linhas se fundem (em um giro sincronizado), causando a força de atração, demonstrado na Figura

Basicamente é isso que acontece quando aproximamos dois ímãs, haverá atração ou repulsão dependendo do sentido do giro das linhas de campo magnético, se estão coincidentes ou divergentes nas suas extremidades.

Assim, com esta nova maneira de ver as linhas de campo magnético responde-se a primeira pergunta: “Por que se dá a atração e a repulso entre dois ímãs?”.

Agora, analisando a criação da corrente elétrica, é de amplo conhecimento que, se um fio condutor for passado rapidamente da direita para esquerda pelo campo magnético entre os ímãs, conforme conjunto “Y” da Figura 8, as linhas de força o envolverão e criarão nele um campo magnético sem polo, o qual deverá girar convencionalmente no sentido horário ao redor do fio. Ao mesmo tempo, uma corrente elétrica contínua se estabelecerá longitudinalmente neste fio, no sentido indicado no conjunto “Y” da Figura 08 abaixo. Invertendo-se o sentido de movimento do fio, tem-se a criação da corrente elétrica no sentido inverso, conforme demonstrado no conjunto “X” da Figura 08 abaixo.

Figura 08 – Análise da criação da corrente elétrica ao se passar um fio por entre dois ímãs – teoria atualmente aceita

Fonte: Autor. 2024.

A atual teoria, porém, não se sustenta. Se fosse essa a razão da criação da corrente elétrica, esta deveria se formar ao redor do fio, seguindo o perímetro da seção transversal no sentido das linhas de campo magnético sem polo nele formados. Por essa teoria, não faz sentido a corrente se formar no sentido longitudinal do fio, como ocorre na prática.

Figura 09 – Análise da criação da corrente elétrica ao se passar um fio por entre dois ímãs – pela TLCG

Fonte: Autor. 2024.

A seguir, será analisada a mesma situação, porém aplicando-se a TLCG. Na Figura 09, acima, as linhas de campo nos imãs estão girando em seu próprio eixo. Da mesma forma que anteriormente, passando rapidamente o fio condutor da direita para esquerda, as linhas de força o envolvem e, ao completarem a volta ao redor deste, em função de girarem em seu próprio eixo, iniciam um movimento ao longo do fio e transportam consigo os elétrons, que são atraídos pelas linhas de força, pela característica magnética destas e dos próprios elétrons, formando-se, assim, a corrente elétrica no sentido longitudinal do fio, conforme demonstrado no conjunto “Y” da figura 09. Invertendo-se o sentido de movimento do fio, tem-se a criação da corrente elétrica no sentido inverso conforme conjunto “X” da figura 09.

A corrente se dá pelo movimento giratório das linhas de campo magnético que ao ser cortada pelo fio condutor, este é envolvido por esta linha de campo que se movem ao longo do fio levando consigo os elétrons. No momento em que as linhas de campo magnético girantes envolvem o fio, os átomos em torno do fio são alinhados e o movimento ordenado dos elétrons é forçado ao longo do fio pelo movimento girante das linhas de campo magnético ao seu redor.

Com a TLCG fica claramente demonstrada a razão da criação da corrente elétrica e o motivo do sentido dessa corrente no fio condutor, bem como o fato da corrente ser maior na periferia do fio condutor.

Figura 10 – Análise do movimento do fio conduzindo corrente elétrica contínua ao ser colocado entre dois ímãs – teoria atualmente aceita

Fonte: Autor. 2024.

Pela teoria atualmente aceita, quando uma corrente elétrica continua percorre o fio no sentido apresentado no conjunto “X” da Figura 10, surge um campo magnético sem polo ao redor do fio, convencionalmente no sentido anti-horário. Com isso, o fio tende a se movimentar da esquerda para direita. Invertendo-se o sentido da corrente no fio condutor, o sentido do campo magnético também se inverte e o fio tende a se mover na direção oposta, conforme conjunto “Y” da Figura 10. Porém, não há uma explicação lógica para esse movimento, a tendência seria o fio girar em seu próprio eixo.

Figura 11 – Análise do movimento do fio conduzindo corrente elétrica contínua ao ser colocado entre dois ímãs – pela TLCG

Fonte: Autor. 2024.

Pela TLCG também ocorre a mesma coisa. Considerando o fio com a corrente elétrica contínua no sentido indicado no conjunto “X” da Figura 11, nota-se que esta corrente produz no fio condutor um campo magnético sem polo. Observa-se as linhas de campo entre os ímãs estão girando em seu próprio eixo e, também, as linhas que giram em seu próprio eixo em volta do fio condutor, estando os movimentos coincidentes no ponto “A” e divergentes no ponto “B” do conjunto “X” da Figura 11. O fio é forçado a se movimentar da esquerda para direita, sendo puxado do lado “A” e empurrado do outro lado “B”.

Ao inverter a corrente no fio condutor, segue o mesmo raciocínio anterior, mas com o sentido da corrente invertida, nesse caso, o fio é forçado a se movimentar da direita para esquerda, sendo puxado do lado “C” e empurrado do outro lado “D” conforme conjunto “Y” da Figura 11.

No conjunto “X” da Figura 08, demonstra a interação das forças existentes, segundo a teoria atualmente aceita, quando um fio conduzindo corrente contínua é colocado no meio do campo magnético dos ímãs, conforme a demonstração, o movimento que o fio condutor realiza não se justifica. Não há uma força resultante que impulsione do ponto “A” ao ponto “B” quando a corrente elétrica tem o sentido demonstrado, ou do ponto “D” ao ponto “C”, quando o sentido da corrente elétrica é invertido, conforme conjunto “Y” da figura 08.

No conjunto “X” da Figura 09, porém, aplicando-se a TLCG o movimento do fio se justifica. Analisando o que ocorre no ponto “E”, nota-se que a rotação das linhas de campo entre os ímãs tem sentido contrário ao da rotação das linhas em volta do fio. Isso cria uma força de repulsão para a direita. Ao mesmo tempo, analisando o que ocorre no ponto “F”, a rotação das linhas de campo entre os ímãs tem mesmo sentido da rotação das linhas de campo em volta do fio. Assim, o fio é atraído para este lado. Isso justifica o movimento que o fio condutor executa que é ir da esquerda para direita.

No conjunto “Y” da Figura 09, nos pontos “G” e “H” a análise é a mesma, porém, com a corrente elétrica no sentido contrário. No ponto “G” a rotação das linhas de campo entre os ímãs tem o mesmo sentido da rotação das linhas de campo em volta do fio. Isso cria uma força de atração para a esquerda. Já no ponto “H”, as linhas de campo entre os ímãs giram no sentido contrário ao da rotação das linhas de campo em volta do fio. Assim, o fio é repelido para o lado oposto, criando-se assim, o movimento do fio da direita para a esquerda.

Figura 12 – Análise do campo magnético pela TLCG

Fonte: Autor. 2024.

Para ficar mais claro a explicação do movimento explanado anteriormente, é apresentado a Figura 12, em que um fio conduzindo corrente elétrica contínua, se movimenta da esquerda para direita na figura. O campo magnético analisado é a face norte de um ímã, portanto as linhas de campo estão girando no sentido anti-horário. Notase que, neste caso, na direita do fio condutor, o movimento giratório das linhas de campo do ímã e do fio estão coincidentes. Por isso o fio é atraído para direita.

Já no lado esquerdo do fio condutor, o movimento giratório das linhas de campo do imã e do fio estão divergentes o que causa a repulsão do fio neste ponto, forçando seu movimento também para direita. Isso justifica o movimento do fio. Ao invertemos o sentido da corrente, a rotação das linhas de campo ao redor do fio vai mudar de sentido e o movimento do fio será no sentido inverso. Assim, são respondidos os outros três questionamentos, acima elencados.

4. DESCRIÇÃO DO ESTUDO E RESULTADOS

A organização do conteúdo anteriormente descrita foi testada, através do método experimental, em quatro simples experiências. A primeira, utilizando um motor corrente contínua de 24V e 50W, com dois eixos, ou seja, um eixo passante. O objetivo desta experiência é demonstrar a rotação das linhas de campo magnéticas, como acontece na Teoria das Linhas de Campo Girantes, para maior entendimento.

Figura 13 – Motor utilizado na primeira experiência

Fonte: Autor. 2024.

A experiência consiste em demonstrar o sentido do giro das Linhas de Campo Girantes, de uma forma análoga, representamos o movimento das linhas de campo magnética com o movimento do eixo passante desse motor. Convencionalmente estabelecido como sentido anti-horário no polo norte do ímã e no sentido horário no polo sul do ímã. Nas figuras 14 e 15 fica demonstrado o sentido de rotação das faces de um ímã pela TLCG.

Figura 14 – Representação do polo sul de um ímã – sentido de giro horário

Fonte: Autor. 2024.

Figura 15 – Representação do polo norte de um ímã – sentido de giro anti-horário

Fonte: Autor. 2024.

A segunda experiência consiste em acoplar um elástico nas extremidades do mesmo motor de corrente contínua, Figura 16.

Figura 16 – Demonstração da segunda experiência

Fonte: Autor. 2024.

O movimento do elástico girando em torno do seu próprio eixo, demonstra de forma análoga o movimento que as linhas de campo magnético realizam em seu próprio eixo, segundo a TLCG.

Para a terceira experiência foi utilizado um suporte para dois motores de corrente contínua, o mesmo utilizado nas duas primeiras experiências, e foi conectado a eles um elástico, conforme Figura 17.

Figura 17 – Terceira experiência – materiais utilizados

Fonte: Autor. 2024.

Essa experiência consiste em demonstrar como se dá a geração da corrente elétrica e o sentido da mesma num fio condutor. Neste suporte colocamos dois motores elétricos com eixo passante, que estão ligados por este elástico, na parte inferior do motor cima representando o polo sul e na parte de superior do motor baixo representando o polo norte magnético. Ao ligarmos os motores ao elástico, aqui representando a linha de campo, começará a girar no seu próprio eixo, que é o mesmo movimento que realiza as linhas de campo no ímã.

Após, foi colocado uma barra de vergalhão da frente para o fundo, e pode-se ver que a mesma corre na direção da esquerda para direita. Este movimento se dá, pois o vergalhão está solto e o elástico está preso, mas o que acontece na realidade quando passamos um fio condutor (que nesta experiência está sendo representado pelo vergalhão) rapidamente pelas linhas de campo (que nesta experiência está sendo representado pelo elástico) a linha de campo envolverá o fio condutor e seguirá percorrendo o fio condutor no sentido da direita para esquerda, que seria o movimento que o elástico faria se não estivesse preso. Este movimento do envolvimento das linhas de campo em volta do fio e sua trajetória ao longo dele, explica a criação da corrente e seu sentido desta corrente ao longo do fio condutor, como demonstrado na Figura 18.

Figura 18 – Análise do sentido do movimento do vergalhão e elástico

Fonte: Autor. 2024.

Ao fazer o movimento inverso com o vergalhão, neste caso do fundo para frente nessa experiência, os movimentos serão o inverso do anteriormente apresentados.

Figura 19 – Análise do sentido oposto do movimento do vergalhão e elástico

Fonte:  Autor. 2024.

Embora, em nesse experimento, o vergalhão (que representa o fio condutor) é que movimenta, pois está livre, o que acontece na realidade é que as linhas de campo que movimentam ao longo do fio condutor, transportando consigo os elétrons, que são atraídos pelas linhas de força pela característica magnética destas e dos próprios elétrons, formando-se assim a corrente elétrica no sentido longitudinal do fio, também explica o fato da corrente ser maior na periferia do fio condutor. O sentido da corrente dependerá, se o fio que passar pelas linhas de campo, vierem da frente para o fundo ou do fundo para frente, conforme apresentado nas figuras 18 e 19.

A quarta experiência mostra um circuito elétrico composto por uma bateria conectada a um fio condutor que está livre para se movimentar, e debaixo deste fio foi colocado um ímã, com a face norte voltada para cima, conforme Figura 20.

Figura 20 – Circuito elétrico para a quarta experiência

Fonte: Autor. 2024.

Ao fechar o circuito elétrico, deixando o fio que está sobre o ímã (neste caso com a face norte para cima) livre para movimentar-se, o resultado é que ele sai do repouso (posição vertical) e vai para a direita, conforme Figura 21, ao desligarmos o circuito o fio condutor volta para posição inicial que é ficar na posição vertical.

Figura 21 – Fio condutor movimentando-se para direita

Fonte: Autor. 2024.

Figura 22 – Representação do circuito movimentando-se para direita

Fonte: Autor. 2024.

Figura 23 – Representação do movimento do fio condutor para a direita – na teoria atualmente aceita

Fonte: Autor. 2024.

Considerando a representação da Figura 23, utilizando o sentido real da corrente (utilizando a mão esquerda para determinar o sentido desta) é da esquerda para a direita, ao analisar este movimento pela teoria atualmente aceita não faz sentido, pois as linhas de campo giram em torno do fio condutor, enquanto no ímã elas estão saindo da face norte do imã inferior e indo para face sul do ímã superior, o movimento resultante seria que o fio tenderia girar em seu próprio eixo e não de fazer o movimento que realmente foi feito conforme a experiência apresentada que foi de ir do repouso para a direita.

Figura 24 – Representação do movimento do fio condutor para a direita – pela TLCG

Fonte: Autor. 2024.

Já analisando pela TLCG, Figura 24, percebe-se que o movimento das linhas de campo no ímã (por ser a face norte) todas estão girando no sentido anti-horário, e do lado direito do fio as linhas de campo do fio estão girando no mesmo sentido que as do ímã, ou seja, no sentido anti-horário puxando este fio para a direita. E no lado esquerdo do fio as linhas de campo do fio estão girando no sentido horário e como estão divergindo do movimento das linhas de campo do ímã, logo empurram o fio para o lado direito, o que é o movimento que realmente acontece nesta experiência.

Figura 25 – Fio condutor movimentando-se para esquerda

Fonte: Autor. 2024.

Figura 26 – Representação do circuito movimentando-se para esquerda

Fonte: Autor. 2024.

Ao mudar o sentido da corrente, trocando os fios nos polos da bateria, nota-se que o movimento é o inverso, o movimento do fio é do repouso (sentido vertical) para esquerda, Figura 25, e o restante das explicações segue o mesmo raciocínio.

Figura 27 – Representação do Motor Puramente Magnético, o Moto Perpétuo

Fonte: Autor. 2024.

Seguindo este raciocínio, é possível idealizar o Motor Puramente Magnético, o chamado Moto Perpétuo. O motor magnético caracterizado por uma base, que é um ímã convencional, e por cima deste ímã serão colocados quatro (ou a quantidade que for necessário) ímãs sem polo, que serão criados para este fim, todos ligado em uma de suas extremidades ao centro e com um eixo, o qual permitirá que estes ímãs sem polo possam girar livremente bem rente ao ímã da base. Estes ímãs seriam como se fosse um fio, com corrente contínua, do centro para suas extremidades.

No ímã da base, com a face norte para cima, todas as linhas de campo magnético estão girando no sentido anti-horário, assim pode-se perceber que as linhas de campo nos “ímãs sem polo” não serão coincidentes com as do ímã da base, nos pontos A, C, E e G, por isso, haverá uma repulsão nestes pontos. Já no outro lado dos ímãs sem polo são coincidentes com as do ímã da base, por isso há uma atração nestes pontos B, D, F H (Figura 27, pontos de repulsão A, C, E e G, e pontos de atração B, D, F e H). Isso resultará em um movimento dos ímãs sem polo em torno do seu eixo no sentido anti-horário.

O “ímã sem polo”, citado acima, pode ser fabricado e, também, pode ser usado industrialmente (poderá ser utilizado tanto como um motor como um gerador de energia elétrica). Abaixo tem-se dois exemplos de como fabricá-lo:

Exemplo 1: Pega-se um imã de neodímio/alnico em formato cilíndrico, esquenta-o até perder as suas propriedades magnéticas, coloque-o completando um circuito de corrente contínua bem elevada, (para que não haja um curto-circuito), e coloca uma resistência (exemplo uma lâmpada). Ao fechar este circuito, o antigo imã vai aquecer, então, deverá resfriá-lo/congelá-lo no mesmo momento em que se interrompa o circuito da corrente contínua. Então teremos o “imã sem polo”, ou seja, um imã com as mesmas propriedades magnéticas que um fio com corrente contínua. Este “imã sem polo” será colocado sobre um imã permanente, conforme demonstrado na Figura 27.

Exemplo 2: Pega-se um imã de neodímio/alnico em formato cilíndrico, esquenta-o até perder as suas propriedades magnéticas, envolva-o com uma bobina (não o coloque dentro da bobina, como em um eletroímã), mas de uma forma que a bobina envolva todo o imã. Esta bobina não precisa ser circular, ela deve ser achatada para encobrir todo o comprimento do antigo imã. Depois é só fechar o circuito elétrico, neste caso com corrente contínua. Utilizando uma resistência (exemplo uma lâmpada), para não causar um curto circuito no fio, as linhas de campo produzidas pela bobina irão induzir, no antigo imã, um campo magnético fazendo-o transformar-se num imã sem polo.

A partir dos movimentos explicados, o motor funcionará sem usar energia elétrica, não poluirá o meio ambiente, e também funcionará enquanto os materiais envolvidos aguentarem, por isso o nome de “Moto Perpétuo”. Este motor irá substituir todos os tipos de motores, elétricos e a explosão, etc e todo tipo de gerador de energia elétrica.

5. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Segundo Halliday et al. “As linhas de campo entram no ímã por uma das extremidades e saem pela outra. A extremidade pela qual as linhas saem é chamada de polo norte do ímã; a outra extremidade, pela qual as linhas entram, recebe o nome de polo sul. Como um ímã tem dois polos, dizemos que ele se comporta como um dipolo magnético.”6

Diante dessa breve citação, bem como vários outros autores, o atual entendimento sobre o eletromagnetismo não justiça, e nem explica os cinco questionamentos trazidos nesse trabalho.

A ideia das linhas de campo magnético saindo do polo norte para o sul não faz sentido lógico, nenhum material fica lançando algum de seus componentes para o espaço e o recebendo do outro lado, e tão pouco explica a atração e a repulsão entre dois ímãs, como é ensinado em todos os livros didáticos sobre o eletromagnetismo.

Diante do exposto, é possível observar, através dos três primeiros experimentos realizados, no contexto em que foi conduzido o estudo, que, as linhas de campo magnéticas giram em torno de si mesmas, como explicado pela TLCG. Esta evidência, demonstra a atração e repulsão dos diferentes polos de um ímã, sendo que polos diferentes se atraem, e polos iguais se repelem.

A atração se justifica, pois, ao se aproximar dois ímãs, com os polos diferentes, a uma distância menor que “d”, convencionalmente chamado de face norte e face sul do ímã, o giro das linhas de campo magnético se fundem, ao girarem sincronizadamente no mesmo sentido.

De forma análoga, a repulsão se dá, ao aproximar dois ímãs, com polos iguais, a uma distância menor que “d”, convencionalmente chamadas de faces norte e face sul do imã, o giro das linhas de campo magnético estão divergentes. Conforme foi descrito pela TLCG.

O quarto experimento comprova a criação e o sentido da corrente no fio condutor. Segundo a explicação de Oliveira et al. “O estudo mais avançado dos fenômenos elétricos e magnéticos mostrou que existe uma relação íntima entre eles. As interações elétricas entre os corpos relacionam-se com o estado estático, ou seja, com cargas fixas. Quando as cargas encontram-se em movimento, o quadro complica-se muito, pois um corpo carregado em movimento cria no seu entorno um campo magnético e esse causa ação de força sobre os corpos magnéticos. Um fluxo de partículas carregadas, que vamos chamar de corrente elétrica, cria em torno de si linhas de forças fechadas do campo magnético. Ao mesmo tempo, cada partícula traz consigo o campo elétrico. Naturalmente que, se as partículas carregadas movem-se dentro de um corpo eletricamente neutro, ou seja, de um corpo composto de quantidades iguais de partículas carregadas positivas e negativas, então, a intensidade de campo elétrico em volta deste corpo será igual a zero, ao passo que o campo magnético pode ser muito forte. ”7

Segundo a TLCG, a corrente se dá pelo movimento giratório das linhas de campo magnético que ao ser cortada pelo fio condutor, este é envolvido por esta linha de campo que se movem ao longo do fio levando consigo os elétrons. No momento em que as linhas de campo magnético girantes envolvem o fio, os átomos em torno do fio são alinhados e o movimento ordenado dos elétrons é forçado ao longo do fio pelo movimento girante das linhas de campo magnético ao seu redor.

Logo, com a TLCG fica claramente demonstrada a razão da criação da corrente elétrica e o motivo do sentido dessa corrente no fio condutor, bem como o fato da corrente ser maior na periferia do fio condutor. Assim, é possível a criação do Motor Puramente Magnético, o chamado Moto Perpétuo, a partir do entendimento da TLCG.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Através do estudo realizado pode-se perceber que a Teoria das Linhas de Campo Girantes (TLCG) explica os cinco questionamentos levantados no presente trabalho, através de experimentações, como ocorre a atração e repulsão entre ímãs, bem como, explica a criação e o sentido da corrente elétrica que é formada em um fio condutor, quando esse corta rapidamente o campo magnético do ímã, e o porquê ocorre a alteração do sentido da corrente, quando se passa o fio em direção oposta.

Objetivo proposto foi de demonstrar a TLCG, seus conceitos e fundamentos, comparados a atual teoria sobre o eletromagnetismo. Assim, foi possível apresentar, através das experiências realizadas, uma nova visão sobre o eletromagnetismo e seus conceitos.

Cabe mencionar que os resultados obtidos através da experimentação, e também, de toda explanação acerca da TLCG, não alteram os conceitos práticos do eletromagnetismo, como as leis, equações, sentido da corrente elétrica gerada, etc., que já são amplamente utilizados.

Diante do exposto, a TLCG abre espaço para novas tecnologias, e melhoria das já existentes,    pois    possibilita     a        plena compreensão         do funcionamento        do eletromagnetismo, inclusive, fomenta a elaboração de novas formas de se produzir energia elétrica limpa, como por exemplo a criação do Motor Puramente Magnético.

REFERÊNCIAS

1. Einstein e L. Infeld. “A Evolução da Física”. Em: Zahar Editores 1 (1966), p. 77.

2. Osvaldo Pessoa Junior. “Modelo causal dos primórdios da ciência do magnetismo”. Em: Scientia e Studia (2010).

3. Kleber Daum Machado. “Teoria do eletromagnetismo”. Em: Universidade Estadual de Ponta Grossa (2002), p. 123.

4. Ramos et al. “Sobre a indução do campo eletromagnético em referenciais inerciais mediante transformações de Galileu e Lorentz”. Em: Revista Brasileira de Ensino de Física 39 (2017).

5. Ramos et al. “Sobre a indução do campo eletromagnético em referenciais inerciais mediante transformações de Galileu e Lorentz”. Em: Revista Brasileira de Ensino de Física 39 (2017).

6. Halliday, Resnick and Walker, Fundamentos de Física, Volume 3, Eletromagnetismo. John Wiley & Sons, Inc (2005), p. 446.

7. Oliveira, Ivanor Nunes et al. “Manual de Eletricidade e Magnetismo”. Em: Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) (2022), p. 24.

[1] Pós-graduado em Gestão Estratégica em Cooperativas pelo Centro Universitário Patos de Minas em 2022; Graduado em Ciências pela Faculdade de Patrocínio em 1989. ORCID: 0009-0005-1782-625X. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7129664781606238.

[2] Pós-graduação em Engenharia Elétrica pela Universidade Cândido Mendes, em 2015; Bacharel em Engenharia Civil pela Universidade de Uberaba (UNIUBE), em 2018; Bacharel em Engenharia Biomédica pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em 2014. ORCID: 0009-0003-4740-5259. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/6827528311402050.

[3] Bacharel em Engenharia Civil pelo Centro Universitário do Planalto de Araxá, em 2020. ORCID: 0009-0004-2308-6131. http://lattes.cnpq.br/2429955855283007.

Material recebido: 31 de janeiro de 2024.

Material aprovado pelos pares: 09 de outubro de 2024.

Material editado aprovado pelos autores: 11 de março de 2025.

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César Leônidas da Silva

Pós-graduado em Gestão Estratégica em Cooperativas pelo Centro Universitário Patos de Minas em 2022; Graduado em Ciências pela Faculdade de Patrocínio em 1989. ORCID: 0009-0005-1782-625X. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7129664781606238.

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