Ciências Sociais

Mulheres negras da Bahia: História, contribuições, vivências, desafios e possibilidades na atualidade

ARTIGO ORIGINAL

SANTANA, Julieta Souza dos Santos [1] 

SANTANA, Julieta Souza dos Santos. Mulheres negras da Bahia: História, contribuições, vivências, desafios e possibilidades na atualidade. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 11, Ed. 05, Vol. 01, pp. 05-xxx. Maio de 2026. ISSN: 2448-0959. Disponível em: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/ciencias-sociais/mulheres-negras, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/ciencias-sociais/mulheres-negras

RESUMO

Este estudo tem por objetivo publicar a realidade histórica da vida da mulher negra trazida da África para Bahia, com elas também vieram as contribuições e desafios na formação da população baiana. Considerando esse conteúdo fatos reveladores de uma difícil realidade vivenciada no passado. No presente essa população afrodescendente é marcada pelas disparidades sociais, sendo os reflexos apresentados na saúde, desemprego, violência e educação, necessitando da intervenção e transformação na vida social desses indivíduos. Desde então abordaremos neste estudo um pouco da história da escravização da mulher negra, as suas contribuições na formação da população baiana, os desafios enfrentados neste período, como também na atualidade como esta população se apresenta na sociedade atual. Utilizando o método de pesquisa bibliográfica, aproveitando o conteúdo de outros estudos sobre esta temática para referenciar e confirmar os fatos do passado e presente. Portanto, enfatizar estas realidades é o nosso propósito neste estudo, para uma reflexão.  

Palavras-chave: Mulher Negra, Escravidão, Contribuição, Superação.

1. INTRODUÇÃO

Considerando o conteúdo e fatos que ocorreram na história em que as mulheres negras participaram com seu trabalho e as suas contribuições foram registradas ao longo do tempo no contexto social da formação da sociedade baiana, é relevante fazer presente este conhecimento guardado no passado, para reforçar a memória das gerações sucessoras na atualidade como reconhecimento do potencial, das fraquezas, impossibilidades, com finalidade em obter referenciais e melhorias no futuro, segundo Portal (Radar, 2020), diz que: um povo sem memória é um povo sem futuro, compreendemos que, um futuro brilhante é resultante de um passado conhecido e um presente transformado.

A importância de promover estudos direcionados a essa temática na perspectiva de compreender as realidades na atualidade na nossa sociedade, como também conhecer as contribuições, desafios, possibilidades e que à mulher negra têm ocupado na sociedade baiana na atualidade.

Para desenvolver esse estudo, escolhemos como tema: Mulheres negras da Bahia: história, Contribuições, vivências, desafios na atualidade, objetivo Geral, publicizar a história da mulher negra e suas contribuições na sociedade baiana, objetivos específicos, sendo o primeiro passo, o reconhecimento do conteúdo histórico e a formação na sociedade, segundo: Analisar as contribuições e desafios das mulheres negras na Bahia, e o terceiro: conhecer as realidades das mulheres negras na atualidade e as possibilidades na sociedade baiana. 

Elegemos o método da pesquisa bibliográfica para embasar o conteúdo teórico da história das mulheres negras comentado por outros autores que já estudaram essa temática encontrada em livros, revistas, artigos. Utilizando uma abordagem qualitativa desse conteúdo, visando reconhecer nesse contexto o processo de evolução da história da mulher negra na sociedade baiana, Gil (2002) menciona a importância da pesquisa bibliográfica quanto à disposição de dados e informações, favorecem ao investigador obter conhecimentos que seriam difíceis ser constatados, temos como exemplo os fatos históricos que ocorreram em um determinado momento do passado, portanto no presente esses fatos são esclarecidos por intermédio da pesquisa bibliográfica. 

No caso deste estudo, as informações sobre a trajetória da mulher negra a princípio vieram de fontes primárias, os autores aproveitaram os conhecimentos encontrados em documentos, relatos, elaboraram os primeiros estudos. Essa pesquisa está organizada em capítulos. Sendo a introdução 1 capítulo 2: a descrição histórica da formação da sociedade baiana focalizando a mulher negra no século XIX, no 3 capítulo: reconhecendo todas as contribuições que as mulheres negras dedicaram, e os desafios enfrentados desde época da escravidão até a modernidade, e o 4capítulo: trazendo o enfoque da realidade atual e as perspectivas para o futuro. E o 5 item são as Considerações Finais, 6 item são as Referências Bibliográficas. 

2. MULHER NEGRA NA FORMAÇÃO DA SOCIEDADE BAIANA

A história relata que a mulher negra trazida da África, entrou em território recém descoberto, pois havia a necessidade da mão de obra para ampliar a exploração das riquezas e desenvolver o monopólio do comércio português, como também a presença da mulher negra contribuiu para povoar a nova terra, (Teixeira, 2000), a história descreve que os habitantes do território descoberto, os filhos da terra, denominados indígenas eram hostis, não se adequaram ao trabalho escravo, e nessa época no território africano ocorria processo chamado diáspora africana a parti de 1550 diversos povos do continente africano foram trazidos também ao Brasil, estes eram vendidos aos senhores colonos e eram obrigados a trabalhar como escravos, eles vieram da região do Golfo da Guiné, onde são localizados os países, Guiné-Bissau, Costa do Marfim, Gana, Nigéria, Congo, Guiné, República Democrática do Congo, nessa região viviam os povos iorubás e bantos.

Tudo começa com o momento em que as pessoas eram sequestradas das suas famílias, de suas terras e foram colocadas em navios chamados negreiros, viajavam por um longo período em condições precárias e quando desembarcavam eram negociados e vendidos para trabalhar até um último momento em vida. (Buriti, 2018).

Foi assim que tudo começou para milhares de mulheres africanas que vieram de diversas regiões da África e trouxeram consigo as suas dores, costumes, língua, dialetos, cultura e religião e a vontade de sobreviver aos desafios encontrados na nova terra, e assim foi formada a população baiana e no Brasil. A mulher negra na época da colonização tornou-se um elemento indispensável, elas ajudaram a gerar muitas riquezas aos colonos, muito embora seu desempenho não fosse reconhecido pela história, como também não lhes eram proporcionado nenhum benefício pelo trabalho realizado, foram acometidas a um total desamparo social. Para os governantes e senhores colonos, estas pessoas eram como mercadorias ou ferramentas para desenvolver o trabalho.

O trabalho nas colônias teve um bom êxito por conta dos negros que eram fortes, inteligentes, submissos, dedicados ao trabalho. As mulheres negras estavam submetidas às mesmas condições e ao serviço no âmbito doméstico, servindo as senhoras e aos filhos dos patrões, como também nos trabalhos externos, na lavoura e outros serviços considerados pesados e demandava esforço físico, poucos são os registros que falam do trabalho da mulher negra da época da colonização.

É importante dizer que as características do perfil da mulher negra proporcionaram a elas condições para serem altamente resistentes as adversidades enfrentadas no contexto da escravidão. Esses elementos embutidos na personalidade da mulher negra ressaltam o olhar da observação, o que é notório ao escrevermos que essa mulher é forte, trabalhadora, obediente, dedicada. Como foram reconhecidos também por autores que fizeram estudo sobre essa temática, eles não encontraram informações mais clara sobre o desempenho da mulher negra na época da escravidão, foram encontrados alguns relatos obscuros, como produção de uma mentalidade e visão patriarcal, o resgate dessas informações foi extraído de fontes primárias conforme os autores citados por (Soares,1994). 

É importante lembrar que os estudos e pesquisas sobre a realidade da mulher negra são recentes no país, não era permitido estudos sobre essas temáticas, muitos conhecimentos se perderam, depois de sancionada a Lei 10.639/ 2003 que permitiram os estudos e inclusão no ensino de história e cultura Afro-Brasileira. Nesse período de escravização, na Bahia tivemos muitas mulheres que se destacaram pela sua coragem, bravura, resistência e ousadia contra os colonos os oprimiam, elas se manifestaram como guerreiras em diversos movimentos de revoltas contra a escravização, por direitos à liberdade. 

Temos reconhecido na história o nome de Maria Filipa de Oliveira, nascida na Ilha de Itaparica, neta de escravos, aprendeu jogar capoeira pra defender- se, tinha a missão de acompanhar o movimento das caravelas Lusitanas e trazer em Salvador levava informações para o grupo do movimento de libertação, S. Luiza Mahín, participou da revolta dos Malés em1835 e da revolta Sabinada em 1837,outras trabalhavam com vendas de produtos comércio (ganhadeira), outra mulher negra que a história destaca é Aqualtune filha do rei do Congo, organizou a primeira fuga de negros, esteve ao lado de Zumba antecessor de Zumbi, morreu queimada, Dandara dos Palmares, lutou contra a escravidão fazia parte do quilombo dos Macacos, Anastácia ajudava escravos que eram castigados, lutou contra violência física e sexual de um homem branco, como castigo usa uma gargantilha de ferro no pescoço e na boca uma mordaça com frande. Carolina de Jesus 1914 -1977 escreveu um livro sobre sua sobrevivência em uma linguagem poética chamada “Quarto de desejos” ela descreveu as mazelas que enfrentou para sobreviver, publicado em 29 idiomas.

Desenvolvemos este conhecimento de acordo os relatos, a mulher esteve presente nos espaços domésticos, na lavoura ou ambientes não valorizados pela sociedade da época,(Soares,1994), descreve em sua dissertação de mestrado, que a mulher negra durante o período da escravização baiana, esteve restrita ao âmbito doméstico, mas a parti do século XIX, elas começaram aparecer nas ruas, nos setores do comércio, oferecendo produtos básicos para a população, algumas características ressaltaram a figura da mulher negra, dentre essas foram os vestuários, adornos, culinária, diversificada formas religiosa, a forma de ganhar o seu sustento.

É importante dizer que o potencial da mulher negra é ressaltado pelo autor Gilberto Freyre fala a todo desempenho no trabalho e habilidades, também as relações confiança e afetiva que elas tinham com os seus “ioiôs”, como também as rezadeiras do Recôncavo que “espantavam os maus espíritos”, as amas de leite que se dedicam aos filhos das senhoras brancas, também as escravas que geraram 10 filhos desfrutavam de uma pseuda liberdade concedida por Lei (1871). Segundo os estudos a mulher negra conquistou numa sociedade escravista patriarcal, o reconhecimento, pelas características pessoas em assumir responsabilidades, ter paciência, encanto, esses aditivos que contribuíram para o desenvolvimento das instituições matriarcais, elas também se tornaram controladoras dos mercados públicos, sociedades religiosas, além do âmbito familiar (Soares, 1994).

A condição afetiva da mulher negra esteve atrelada aos abusos sexuais dos patrões, como também a exposição a prostituição era a forma de acrescentar renda aos patrões ou sobrevivência, o crescimento da população negra ocorreu de forma irregular. A condição familiar das muitas mulheres negras, estavam atreladas a ausência de maridos, casamentos, parceiros que assumissem elas e os filhos, as relações eram por amasiamento em alguns casos. O processo mistura dessas raças surgiu uma população mestiça e foi definida como miscigenação, a mulher negra foi um dos elementos que muito contribuiu na formação da sociedade baiana (Freire, 2013).

Essa população teve em sua formação a presença dos povos brancos, negros, indígenas, mas têm predominância negra de acordo com o Censo de 2010. Essa característica define está população afrodescendente juntamente com a cultura e religião estão presentes em toda extensão territorial Baiana. O trabalho da mulher negra a princípio aparece no âmbito doméstico e depois nas ruas fora da residência senhorial, nos setores do mercado como ambulantes, lavadeiras, engomadeiras, artesãs, já nos espaços políticos ou do jurídico, se tornou um sonho a ser conquistado como representantes da raça negra (Soares, 1994).

Na formação social da população baiana desde a colonização está basicamente relacionada a dois grupos distintos, a raça branca que detinha o poder e status de nobreza e a raça negra, subalterna, escrava sobrevivente. Essas características definiram as relações na fase escravidão e por muitos anos após abolição da escravatura este ranço ainda persiste disfarçadamente na sociedade atual, pelo simples fato por ser negro, não está apto a diversos espaços e as oportunidades, este não é o perfil requisitado, essa população continua fazendo parte da base da pirâmide na atualidade.

3. MULHERES NEGRAS: CONTRIBUIÇÕES E DESAFIOS

É notória a presença da raça negra na Bahia, em todos os lugares ressaltam as evidências a esses a esses fatos, portanto as mulheres negras na Bahia são maioria nessa população, elas representam na sociedade (1.184.792 são pretas e 4.222.717 são declaradas pardas) segundo censo do IBGE de 2010. Nosso foco neste estudo é a mulher negra, seremos fiéis a esse compromisso relatar às contribuições deixadas em forma de cultura e conhecimento às gerações sucessoras. 

Como podemos ver os negros no nosso no Brasil é símbolo de resistência e luta, com as mulheres, não é diferente a condição é muito difícil nos aspectos sociais, mas a superação e a vontade de viver fizeram com que as mulheres negras que vieram do trafego negreiro, como também as que nasceram no território baiano encontrassem formas diversas que revelam a brilhante adaptação às condições imposta como desafio à vida, mas também o intenso desejo de liberdade, oportunidade de construir suas vidas sociais.

Começando pela condição de escravização às mulheres que vieram da África de diferentes países, para trabalhar, sem direitos e proteção social em uma terra estranha enfrentando as péssimas condições de sobrevivência, subjugada ao trabalho forçado e torturas, exploração e abusos, elas conseguiam superar e produzir bons lucros aos seus senhores, de acordo um estudo realizado pela autora Cecília Soares em seu Texto: “As ganhadeiras”: mulher e resistência negra em Salvador, esse texto descreveu a realidade em que eram impostas pelos seus senhores, um contrato informal estabelecido entre senhor e a escrava, nesse acordo, o valor excedido ficava de posse da mulher escrava, e esse valor elas costumava guardar para o seu sustento, essa atividade era desenvolvida no mercado com a venda de produtos alimentícios e outras atividades.(Soares, 1981)

Dessa forma algumas escravas com suas habilidades pessoas conseguiam juntar dinheiro com suas economias e comprar sua própria alforria. Devo dizer que este método não era fácil, pois a escrava dependia das condições como saúde, idade, habilidade pessoal para exercer a ocupação e levantar a quantia semanal do contrato estabelecido com o seu senhor. Conforme a autora Soares, as mulheres negras tinham um bom faro para negócios. 

As ocupações tinham valores estabelecidos pelo mercado. Temos então: doméstica, quitandeira mercadeja costureira, lavadeira, cozinheiras também eram usadas na prostituição render lucros aos seus Senhores, elas usavam roupas sensuais e com a sua beleza atraiam clientes para compra de produtos e venda do seu corpo. O ganho dessas mulheres escravas era bem menor que as negras alforriadas, que vendiam peixes, comidas, guloseimas em seus fogareiros conquistavam seus clientes porem a resistência do Estado com perseguições fiscais para não permanecer do seu negócio nas ruas, estava presente em pontos estratégicos das áreas urbana, mas essa população sofria estigmas, eram considerados como” população perigosa” para a Elite burguesa, muita gente sentia-se ameaçado e incomodado com a presença dos negros desfrutando os mesmos espaços. (Soares, 1994).

Dessa maneira uma parte das mulheres negras construiu seu legado na sociedade baiana, sobrevivendo criando os filhos mantendo suas famílias. Nesse processo de trabalho, tinham também as mulheres lavadeiras, que lavavam roupas de ganho, a história faz referência desse grupo, e elas se reuniam em Itapoã às margens da lagoa do Abaeté para lavar, cantarolar, dançar, conversar, isso se tornou uma tradição das mulheres lavadeiras em Itapoã.

Temos outra referência, às mulheres amas de leite eram mulheres negras que tinham um perfil selecionado para desempenhar essa função, elas se alugavam de acordo com a história as famílias buscavam encontrar uma escrava ama de leite que fosse educada, prendada para todo serviço doméstico, e que fosse de boa aparência para esta próxima às famílias dos senhores. As mulheres negras mestiças que melhor se adequaram a este ofício doméstico, enquanto que as mulheres negras africanas se destacavam com a venda de seus produtos (Metropolis, 2019).

Percebe-se que a trajetória das mulheres negras, e seus costumes, cultural não teve a devida atenção na história a princípio, como objeto de estudo, por essa razão muitas mulheres e suas respectivas histórias de prosperidade e ascensão social caíram no anonimato. Mas é importante é perceber que muito que temos na cultura baiana veio da origem africana e foram adaptados aos nossos costumes, temos à culinária e o seu tempero peculiar que foi adaptado aos ingredientes baiano, à musicalidade e danças, a religiosidade que aderiu ao sincretismo dos costumes africanos/portugueses/indígena para cultura baiana, para as mulheres negras manter essas características culturais é ter viva a lembrança do seu país de origem (Soares,1994).

Os desafios enfrentados pelas mulheres negras foi um incessante ingrediente presente em suas vidas, a rotina enfrentada no contexto de escravização foi muito difícil, sobreviver a estas condições não foi tarefa fácil, porém muitas conseguiram resistir e superar construindo uma descendência que tem chegado aos nossos dias, às gerações pós-abolição enfrentaram grande resistência e dificuldades financeiras, desamparo social, muitos faziam parte dos quilombos viviam afastados e formaram suas comunidades. Outras sobreviveram em cortiços, realizando trabalhos pesados, explorados sem oportunidades melhores para os seus desenvolvimentos.

Nesse contexto o que podemos perceber a sutil discriminação e exclusão a população negra, e tem se perpetuando na forma ideologia, sendo implantada na sociedade a princípio pelos colonos e têm permanecido na atualidade sendo exercida pelos donos dos meios de produção, pela sociedade burguesa, que limita e exclui os acessos e explora essa população das mais variadas formas. Reconhecemos esses limites por intermédios de dados estatísticos coletados em pesquisas periódicas os resultados revelam estas condições, os índices dos problemas de desempregos, evasão escolar, violência, drogas, homicídios estão sempre atrelados a cor negra como uma referência de exclusão social.

4. REALIDADES E POSSIBILIDADES DAS MULHERES NEGRAS DA BAHIA NA ATUALIDADE

Reconhecendo as realidades e desafios que as mulheres negras que viveram na Bahia enfrentaram no período de colonização num contexto de escravização, segundo os fatos históricos todo processo de exploração e desvalorização e dificuldades sociais tem se perpetuado na sociedade atual. Tudo começou com a escravização dos negros que foram trazidos da África para o trabalho escravo, isto representou um contexto de exploração e desvalorização do sujeito humano. 

Com abolição da escravatura essa população de ex escravos deixaram as senzalas e a tutela dos senhores, os que  sonharam com liberdade, saíram pelos portões das senzalas desprovidos de tudo para enfrentar uma realidade muito difícil, porém tiveram aqueles que continuaram cativos por recompensa de um teto e comida, os que se foram das senzalas não foram acolhidos socialmente pelo Estado ou sociedade, eles foram encurralados dos Centros das cidades de forma discreta, método de exclusão da sociedade, e esses foram para locais de difícil acesso para reconstruir suas vidas, as oportunidades de trabalhos remunerados não eram oferecidos às pessoas de cor, mais havia preferência por pardos e brancos para ocuparem vagas nos espaços que representavam importância na sociedade. 

Com o processo de industrialização e desenvolvimento do capitalismo no início do século XX, as oportunidades de trabalho eram oferecidas ao profissional que tivesse qualificação, quem não tinha preparo, era excluído das melhores oportunidades. Lembrando que as mulheres negras objeto do nosso estudo, nesse tempo após abolição, estavam inseridas em atividades que tinha baixa remuneração e continuaram sendo exploradas sem oportunidades de ascensão profissional em decorrência do sistema do patriarcado que ainda estava resistente as todas as mulheres e as mantinha submissas a essa ideologia, com o avanço industrial e a necessidade  financeira das famílias e  desenvolver a mão de obra na indústria,   a partir dos anos 60 no Brasil abriu espaço para as mulheres trabalharem, nessa fase a mulher ainda estavam restritas ao âmbito doméstico e as que exerciam atividades fora do lar como as vendedoras ambulantes ex- escravas que ganhavam a vida com seus produtos. (Rodrigues, 1981). 

Diante das possíveis mudanças no mundo do trabalho, a mulher negra não foi favorecida. A trajetória proposta à geração afrodescendente na sociedade baiana, depois de sair dos trabalhos escravos, os acessos e oportunidades são de sub empregos e baixos salários. 

A geração (pós abolição) muito sofre com a invisibilidade da social, elas não estão preparadas para obter as mesmas oportunidades na sociedade atual. Portanto continuam à margem lutando pelas suas sobrevivências, ganhando a vida com muitos esforços, dificuldades, e restrições aos espaços na sociedade, sonhando sempre por dias melhores. Porém ideologia colonial escravocrata implantada, ainda têm aprisionado as mentes das pessoas negras, que são dominadas pelo medo e comodismo ideológico, paralisando as atitudes de romper com as barreiras impostas e posicionar-se na condição protagonismo.

Podemos confirmar as realidades sobre as dificuldades enfrentadas pela população descendente dos negros e por intermédio de dados estatísticos realizadas pelos institutos como IBGE, IPEA e outros que periodicamente fazem novos levantamentos de dados, estes resultados  em números refletem as questões sociais e os problemas enfrentados  pela mulher negra na Bahia que são maioria populacional, porém encontram-se distantes de reconhecimento e condições sociais igualitárias, temos referencias em dados de pesquisas em 2018 o IBGE divulgou, que 75,1% das mulheres negras, sem cônjuge, com filhos menores de 14 anos possuem renda de 415,00 reais mensalmente, isto significa de  que a cada grupo de 10 pessoas 8 estão nessa condição.

A Superintendência de estudos econômicos sociais da Bahia (SEI) realizou estudos por intermédios dos dados do IBGE em 2012 e 2018 sobre a população baiana, traçou um breve perfil dessa população preta e parda da Bahia, concluíram o seguinte: a população negra em 2012 é de 81.1%, residindo em zonas urbanas, dessa população a maioria são mulheres, o homem tem predominância na faixa etária entre 40 a 59, o segundo grupo entre 25 a 39 anos. 

Em 2018 14,8 milhões de indivíduos são negros, população marcada por desigualdades no mundo social, do trabalho, 14,1% taxa de desempregados no Brasil, na Bahia o Estado ocupa o segundo lugar em desocupação com 16,4% e a subutilização da força baiana negra alcançou 40.2%, sendo que os trabalhadores negros recebem menores salários principalmente as mulheres. No âmbito da saúde as maiores ocorrências de AIDS e Tuberculose são dos grupos negros ou pardos, todas essas realidades remetem as disparidades que incidem a esta população (SEI, 2018).

Atualmente elas continuam lutando e os desafios são muitos, por melhorias sociais, acessos e oportunidades, diversas batalhas travadas, nas questões de auto aceitação e valorização como pessoa e sujeito social pleno dotado de capacidades e habilidades, outras conquistas na sociedade como os espaços e representatividade política para defender a causa das mulheres negras que ao longo da história. Elas (as negras) têm permanecido na base da pirâmide, isto representa a classe trabalhadora que se encontra socialmente em total desvantagem. 

Também precisamos vencer a guerra contra a violência doméstica implantada juntamente com ideologia patriarcal entranhada na sociedade que tem sido determinante para extermínio de muitas mulheres, inclusive as negras, muito embora essa mulher tem proteção da Lei nº 11.340/2006 que coíbe a violência contra mulheres e a Política Nacional de Proteção à Mulher. Outras batalhas têm sido levantadas, temos como exemplo as dificuldades na representatividade, ou seja, as mulheres negras quando eleitas enfrentam muita resistência e perseguição da sociedade ao exercer cargos políticos, este espaço bastante restrito o acesso e a permanência no exercício da vida pública, como representante das mulheres negras e as mesmas estão expostas a violência e discriminação. 

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Concluindo esse conteúdo escrito nesse estudo, sobre a trajetória de vida da mulher negra, nos leva a conhecer o passado e observar os fatos que estão presentes na sociedade atual, compreendo e devo para dizer:  Estas são questões obscuras e silenciosas, porém são decisivas no contexto social, e vem impedido o protagonismo de muitos que fazem parte dessa população. 

Reconhecendo a importância desse conteúdo como uma ferramenta reveladora das realidades impostas, é necessário imprimir esforços e criar estratégias no sentido de desmistificar o passado perverso que induziu a sociedade a praticar o racismo e preconceitos que só criminaliza, humilha, explora e exclui a referida população. Na atualidade vem sofrendo com a reprodução desses conceitos que impedem ascensão social, autonomia, que não são por falta de potencial, mas por falta de oportunidades. 

É perceptível a necessidade dos debates e estudos que denunciem estas práticas, como criação de projetos que venham reeducar a sociedade, com objetivo de desconstruir estes conceitos enraizados, também ampliação com políticas atendam as necessidades das comunidades, como quilombola que estão classificadas como carentes.  E obter melhores acessos à educação, saúde, profissionalização, acessos às universidades, para oportunizar a essas mulheres e seus descendentes uma melhor qualidade de vida e sendo esta população equiparada dentro parâmetros de equidade social, promovendo a construção social dos indivíduos com os mesmos direitos e acessos, oportunidades na sociedade baiana.

A representatividade da mulher negra é necessária na política pública para trazer visibilidade aos problemas da comunidade. Nesse momento é importante dizer que esta mulher não tem fugido dos embates, há um grande esforço e evolução, elas são resistentes e sempre confiantes, como prova esses fatos temos muitas mulheres negras em muitos espaços, como nos setores jurídico, também no legislativo representando as causas e necessidades dessa população, e isto tem causado grandes impactos na sociedade, com essa representatividade, nesse sentido esperamos gerar muitas mudanças, e futuramente estaremos avaliando essas transformações.

REFERÊNCIAS

BAHIA. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo 2010. Disponível em: https://censo2010.ibge.gov.br/sinopse/index.php?uf=29&dados=26. Acesso em: 18 fev. 2021.

BRASIL. [Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003]. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 […]. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 10 jan. 2003. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.639.htm. Acesso em: 3 jun. 2021.

BRASIL. [Lei Maria da Penha (2006)]. Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Brasília, DF: Presidência da República, [2006].

BURITI. Projeto Buriti Plus: História. Obra coletiva. 1. ed. São Paulo: Moderna, 2018.

FREYRE, Gilberto. A mulher negra na obra Casa-Grande & Senzala. [S. l.: s. n.], 2013. Disponível em: http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/cadernospde/busca/producoes_pde/2013/2013_unioeste_hist_artigo_marisa_bernardi.pdf. Acesso em: 8 mar. 2021.

GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.

GUIMARÃES, Antonio Sérgio Alfredo. Preconceito de cor e racismo no Brasil. Afro-Ásia, Salvador, n. 18, 1996. Disponível em: https://portalseer.ufba.br/index.php/afroasia/article/view/20856. Acesso em: 10 fev. 2021.

METRÓPOLES. Ama de leite, a mãe preta que criou o Brasil e os brasileiros. [S. l.], 2021. Disponível em: https://www.metropoles.com. Acesso em: 25 mar. 2021.

RODRIGUES, Valéria Leoni. A Importância da Mulher. Curitiba: SEED/PR, [20–]. Disponível em: http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/729-4.pdf. Acesso em: 15 jan. 2021.

SEI. Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia. Textos para Discussão. Salvador: SEI, [20–]. Disponível em: http://www.sei.ba.gov.br/images/publicacoes/download/textos_discussao/texto_discussao_17.pdf. Acesso em: 25 maio 2021.

SOARES, Cecília Moreira. As ganhadeiras: mulher e resistência negra em Salvador no século XIX. Afro-Ásia, Salvador, n. 14, 1981.

SOARES, Cecília Moreira. Mulher negra na Bahia no século XIX. 1994. Dissertação (Mestrado em História) – Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 1994.

TEIXEIRA, Francisco Maria Pires. História Concisa do Brasil. 2. ed. São Paulo: Global, 2000.

UM POVO sem memória é um povo sem futuro. Portal Radar, 2021. Disponível em: https://portalradar.com.br/um-povo-sem-memoria-e-um-povo-sem-futuro/. Acesso em: 16 jan. 2021.

INFORMAÇÕES SOBRE OS AUTORES

[1] Graduação em Serviço Social. ORCID: https://orcid.org/0009-0008-6661-663X. 

Contribuição dos autores:

Julieta Souza dos Santos Santana: Concepção, planejamento, análise, interpretação e redação do trabalho.

INFORMAÇÕES SOBRE O MATERIAL

Conflito de interesse: 

Não possui.

Agradecimentos:

Agradeço a Deus por permitir a realização desse sonho, a minha querida mãe por todo apoio, e a Revista Núcleo do Conhecimento em oportunizar a minha trajetória na publicação desse artigo. 

Financiamento:

Não possui.

Nota de presença de IA:

Nosso relatório identificou a presença de inteligência artificial para correção gramatical e ortográfica. No entanto, o autor informou que não a utilizou. O autor se responsabiliza pelo material.

Informações sobre Direitos Autorais e Licença:

Este é um artigo de Acesso Aberto distribuído sob os termos da Creative Commons Attribution License, que permite uso, distribuição e reprodução irrestritos em qualquer meio, desde que o autor e a fonte originais sejam creditados.

Os nomes e endereços informados nesta revista serão usados exclusivamente para os serviços prestados por esta publicação, não sendo disponibilizados para outras finalidades ou a terceiros.

  • ISSN (versão eletrônica): 2448-0959
  • Licença Creative Commons: Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional.

Histórico da Publicação: 14 de maio de 2024.

Material aprovado pelos pares: 27 de fevereiro de 2025.

Material editado aprovado pelos autores: 07 de abril de 2026.

5/5 - (8 votos)
Julieta Souza dos Santos Santana

Graduação em Serviço Social. ORCID: https://orcid.org/0009-0008-6661-663X. 

Recent Posts

Vivências do processo de parturição na primeira gestação: Revisão integrativa

O objetivo deste estudo é compreender os sentimentos das primíparas frente às dificuldades no processo…

6 dias atrás

A importância da gestão administrativa eficiente nas organizações contemporâneas: Uma análise à luz da teoria administrativa

A gestão administrativa eficiente constitui um dos principais pilares de sustentação do desempenho organizacional no…

6 dias atrás

A ficção da periculosidade: Risco, prognóstico de reincidência e indeterminação temporal nas medidas de segurança

O artigo examina criticamente o fundamento da periculosidade nas medidas de segurança do direito penal…

2 semanas atrás

Acessibilidade sanitária para pessoas ostomizadas: Desafios arquitetônicos e diretrizes projetuais

O presente estudo analisa os desafios arquitetônicos relacionados ao desenvolvimento de banheiros acessíveis para pessoas

2 semanas atrás

Desafios e intervenções na educação de Moçambique: Um relato de experiência de acadêmicos de psicologia com professores em contexto de vulnerabilidade

O objetivo deste artigo é relatar a experiência de intervenção realizada por acadêmicos de Psicologia…

2 semanas atrás